00:00Falando, então, em direita fragmentada em Paraná, em união ou falta de união,
00:06as articulações para a disputa do governo paranaense, o pessoal está enfrentando realmente um racha
00:10entre as lideranças políticas.
00:13David Ditaço, ao que eu estou me referindo aqui?
00:16É a intenção do senador Sérgio Moro em concorrer ao pleito, que está virando uma crise,
00:20porque o partido dele fez a fusão com o Progressistas, e a intenção do presidente do PP,
00:25o Ciro Nogueira, é que o nome da disputa seja o da ex-deputada federal Cida Borghetti.
00:31E aí, diante desse racha, alguns prefeitos já até saíram, abandonaram a sigla,
00:36e o nome do Moro, então, criando todo esse conflito.
00:39Porque tem ainda no contexto o Ratinho Júnior, que deve apoiar também um outro candidato,
00:45e a divisão entre esse campo ideológico, que é a direita, no Paraná.
00:50É o Brasil político em ebulição total.
00:53Jéssico Peixoto, você acha que ele consegue reverter isso,
00:56tentando achar algum partido, uma legenda nanica,
00:58algum caminho mais independente, fora dos conchavos, porque ele está pontuando bem?
01:02Não, ele não está pontuando bem.
01:04Ele está destruindo em termos de pontuação.
01:06Nesse momento, Sérgio Moro tem...
01:08Não, está muito alto.
01:09Está acima de 30%, quase 40% em relação à intenção.
01:14Então, assim, a Cida Borghetti é a esposa do Ricardo Barros,
01:17que é, por assim dizer, o manda-chuva, a pessoa ali,
01:20o grande cacique partidário do PP no Paraná,
01:24e ela seria a visão do Ciro Nogueira, né, que se deveria defender ela.
01:30No entanto, ela não está pontuando nessas pesquisas,
01:33enquanto o senador Sérgio Moro está, em primeiro lugar, incontestável.
01:37Agora, vale lembrar que essa é uma decisão da federação.
01:41E aí, o União Brasil, na figura de seu presidente,
01:44Rueda, também tem voz e poder.
01:47A diferença é que Ciro Nogueira, ele parece ter agora como propósito
01:51causar desavenças dentro do União Brasil.
01:53Porque nós vimos ele brigando com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado,
01:56agora vemos essa situação em relação ao senador Sérgio Moro.
02:00Então, para uma federação, que talvez o ponto principal seja essa União,
02:04ficar lavando roupa suja, fora de casa,
02:07ficar prometendo os rios e fundos,
02:08ignorando que o União Brasil é um partido forte, poderoso também,
02:12na minha visão, é uma péssima escolha estratégica.
02:16Agora, a verdade seja dita, Moro está se articulando ali no Paraná
02:19para viabilizar essa candidatura.
02:22A última coisa que existe no União Brasil, sejamos sinceros, é a União.
02:25Zero.
02:26É verdade.
02:26Zero.
02:27Vamos com o Mano Ferreira.
02:28Eu ia falar justamente isso.
02:29Como no Brasil, o nome dos partidos, que geralmente quer dizer o oposto...
02:33Progressista.
02:35Então, a federação União Progressista,
02:38na verdade, é desunião conservadora.
02:40É uma loucura o que a gente assiste e vive no Brasil.
02:46Mas, falando da situação do senador Sérgio Moro,
02:50é impressionante como ele tem tido, em toda a sua carreira política,
02:54uma dificuldade muito grande de articulação.
02:57Todas as vezes que nós vemos o senador Sérgio Moro
03:01precisando fazer uma coalizão, entrar numa bola dividida,
03:06ele apresenta dificuldades de ter adesão junto à classe política.
03:12Em boa medida, em função do seu histórico de combate à corrupção
03:17como juiz na Operação Lava Jato,
03:19que deixou muitos políticos traumatizados até hoje.
03:23Mas, em outra parcela, também em função do modo como Moro faz política.
03:29Todos lembram da forma um tanto atabalhoada que ele saiu do Podemos,
03:35que havia feito um lançamento de pré-candidatura nacional de Sérgio Moro
03:40à presidência da República.
03:42E, com isso, várias peças do xadrez se moveram,
03:46pessoas saíram de seus partidos e foram ao Podemos
03:50para apoiar aquele projeto presidencial.
03:54Movimentos também.
03:54Exato. Houve muita...
03:57Porque, quando a gente fala de um desenho de candidatura majoritária,
04:01como é uma candidatura ao governo ou uma candidatura presidencial,
04:05todas as chapas de deputados estaduais, deputados federais,
04:09acabam se movimentando no entorno dessas candidaturas majoritárias.
04:14Então, alguém que vai representar um projeto majoritário
04:18não pode pensar exclusivamente no seu próprio interesse.
04:21Quando você faz um movimento para um lado
04:24e depois da onde Ronaldinho Gaúcho toca a bola para o outro,
04:27você gera toda uma desorganização no campo
04:32que estaria ao entorno da sua candidatura.
04:35E isso, com o tempo, vai gerando mais dificuldades.
04:39Você perde credibilidade e essa é uma moeda muito importante
04:42na construção de coalizões e articulações políticas.
04:45Mas aqui, mano, eu acho que o primeiro ponto que você identificou
04:47é principal.
04:48A questão do trabalho dele à frente da Lava Jato.
04:50Porque vale mencionar que existe esse trauma mesmo
04:53no universo político, uma visão negativa da Lava Jato.
04:56Porque antes da Lava Jato, os políticos jamais tinham passado
04:59aquele período atrás das grades e tinham esse medo de chegar até eles.
05:04Inclusive, o próprio Ricardo Barros acabou, naquela época,
05:07sendo alvo de uma das operações que estava ali ligada
05:11à Operação Lava Jato.
05:13Então, imagine só todo esse trauma, toda essa situação que se trouxe.
05:18Obviamente, não é fã do trabalho do senador Sérgio Moro.
05:23É, isso aí, o agora ex-ministro do governo Bolsonaro,
05:26está mirando aí o Palácio Iguaçu,
05:28talvez como independente, com apoio de outras pessoas.
05:32De um lado, a marca Lava Jato, como a Jess disse muito bem,
05:34que polariza, muita memória afetiva,
05:36mas também muito trauma envolvido.
05:38E, por outro, a saída atabalhada do governo Bolsonaro em 2019,
05:42se não me engano, né?
05:42Ou 2020?
05:432019.
05:442020.
05:452020.
05:452020, mas assim...
05:46Eu já vou contigo aqui, não sei antes, David,
05:48eu vou fazer um rápido break,
05:49só para quem está nos ouvindo pela Rede Jovem Pan de Rádio.
05:51Morning Show volta para vocês já, já.
05:53David, por favor.
05:54Eu acho que ele não saiu mal, não, do governo Bolsonaro, viu?
05:57Apesar dos bolsonaristas não gostarem dele,
05:59ele trouxe um aspecto que, assim,
06:01olha, eu estou saindo do governo,
06:04mas por um motivo,
06:06porque eu não concordo com essas decisões
06:08que estão sendo tomadas,
06:09até uma possibilidade de interferência na Polícia Federal.
06:12Então, acho que isso traz uma maior isenção em relação a isso.
06:15A denúncia gravíssima de interferência política,
06:17indevida, patrimonialista,
06:19na Polícia Federal,
06:20para proteger um filho de Bolsonaro,
06:22inclusive uma investigação
06:24que está sendo ressuscitada pela Procuradoria Geral da República.
06:28Sim, a gente trouxe informação, mas por quê?
06:29David, você não acha que a maior confirmação
06:32de que foi atabalhoada
06:33foi o fato que ele botou o rabo entre as pernas
06:35e fez um cálculo político
06:36e esteve de volta ao lado do próprio Bolsonaro meses depois?
06:40Eu não interpreto disso.
06:41Não, meses não.
06:42Um ano depois, dois anos.
06:43Foi bem depois, mas eu não interpreto dessa forma.
06:45Eu interpreto que, assim,
06:46eu não quis compactuar com isso,
06:48por isso eu saí do governo.
06:49Não, o Moro não é,
06:50o Moro não dá para enquadrar o Moro
06:52como bolsonarista,
06:54eu acho que isso não dá.
06:55Agora, a grande questão é que no segundo turno
06:57ele apoiou o Bolsonaro
06:58em detrimento de apoiar o Lula.
07:01Eu acho que seria mais confuso
07:03se fosse o inverso.
07:04Exatamente.
07:04Depois de todo o processo ali
07:06da Lava Jato,
07:07todas as denúncias,
07:08os próprios pontos que ele defende
07:10se ele tivesse aparecido com o Lula.
07:12Então, eu acho que isso não faria sentido.
07:14Agora, a realidade é que
07:15o senador Sérgio Moro,
07:17quando saiu do governo Bolsonaro,
07:19muita gente falava
07:19agora acabou.
07:21E naquela eleição que ele concorreu ao Senado,
07:23todo mundo dava certo
07:24que ele não ganharia.
07:25Ele foi e ganhou.
07:26Então, ele vem de uma longa trajetória
07:29de vitórias e de realmente conseguir.
07:32Eu acho que no caso do governo Paraná
07:34o mesmo pode acontecer.
07:35Lembrando que a gente não citou uma vez só
07:37aquela quase morte política dele também
07:40que ele sobreviveu.
07:42É um julgamento que quase
07:43removeu os direitos políticos dele.
07:45Abuso de poder econômico
07:46que muita gente tem pressão.
07:48Não, vai ser caçado, vai ser caçado.
07:50Não foi caçado,
07:51segue senador da República.
07:53Enfim, protagonizou alguns episódios
07:54reconstrangedores já no mandato e tal.
07:56Aquele suposto voto ou não voto no Dino,
07:58naquela foto das imagens das mensagens
08:00que ele estava trocando,
08:02enfim, que acabou gerando um constrangimento.
08:04Não está sendo fácil ser Sérgio Moro,
08:06mas de fato ele é um sobrevivente político.
08:08Isso ninguém tira dele
08:09e isso mostra uma resiliência política
08:10que é rara.
08:12E a popularidade dele no Paraná,
08:14na chamada República de Curitiba...
08:15Deve incomodar muita gente.
08:16É algo incontestável.
08:18Todos sabem que Moro é muito admirado
08:21pela população paranaense.
08:23Pura verdade.
08:24Pura verdade.
08:24que Moro é muito grande.
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