00:00Trabalhava com turismo, mas há um ano ela foi demitida.
00:03Então, resolveu ser motorista e oferecer o serviço para idosos.
00:08Serviços que vão além da viagem.
00:12Aos 62 anos, seu Celso admite.
00:15Já perdeu a paciência com o transporte por aplicativo.
00:19Foram muitas dores de cabeça.
00:20Da música desagradável, a falta de educação de quem o atendeu.
00:24Ele coleciona histórias nem sempre boas de corridas mal resolvidas.
00:28Então, o fato também, às vezes você quer ir numa festa, você se arruma todo.
00:31Aí vem um carro para te pegar, alguém de chinelo, bermuda velha, camiseta velha.
00:38Porra, todo relaxado.
00:40Então, você não sente muito confortável.
00:42É, não dá conforto não, né?
00:44Foi aí que a vida cruzou o caminho dele com o da Márcia.
00:47Com ela, o artista plástico escolhe tudo.
00:50Água com ou sem gás, refrigerante, almofadinha, temperatura do ar e até trilha sonora da viagem.
00:56Sim, porque ela pensou nisso tudo, né?
00:59Como ela falou, tudo que ela queria para ela, ela colocou nesse serviço.
01:06Enquanto muita gente desacelera depois dos 60, a Márcia pisou fundo no recomeço.
01:12Aí, servidora pública aposentada transformou um período difícil,
01:16marcado pela luta contra o câncer e pela demissão inesperada, em uma jornada de amor e acolhimento.
01:21Ela viu nas próprias dificuldades a chance de criar o próprio negócio e trabalhar com quem mais entende, outros idosos.
01:29Eu quero ajudar, eu quero ser um pouco da extensão dessas famílias.
01:34É assim, com o cinto afivelado e o coração aberto, que a Márcia começa o dia.
01:38O destino pode ser o hospital, um exame ou até mesmo um passeio.
01:42Mas a missão é sempre a mesma, levar conforto e companhia até quem precisa.
01:46E se você acha que acabou, é só abrir o porta-malas.
01:50Lá dentro tem de tudo para ninguém passar aperto.
01:52Aparelho de pressão, remédios básicos, primeiros socorros.
01:56E para quem quer passear sem sufoco, tem chapéu, cadeira de praia, guardanapos, papel higiênico, sombrinha e por aí vai.
02:04Diante das minhas dificuldades de acessibilidade, na ida dos meus 28 médicos,
02:10Eu imaginei, eu não quero que as pessoas passem, porque eu passei.
02:16Por isso que eu pensei nessa turma que tem mais dificuldade.
02:20De um filho levar, de um neto levar, de uma nora levar.
02:24Então agora eles não vão precisar.
02:26É só ligar para a Márcia.
02:28Entre uma risada e outra, o tempo passa até mais devagar.
02:32No carro da Márcia, o transporte é só pretexto.
02:34O que ela entrega mesmo é presença, escuta e aquele cuidado que transforma o dia de quem entra aqui.
02:39Porque quando você tem a notícia que você está com câncer, automaticamente na hora você vê.
02:46Quando que eu vou morrer?
02:48Até quando eu posso viver?
02:49O que eu vou fazer?
02:51Qual o tempo que eu tenho?
02:52Porque a minha vida inteira foi só trabalhar.
02:54Então eu imaginei até quanto que eu vou viver.
02:57Porque eu só fiz trabalhar.
02:59Então isso veio muito na minha cabeça.
03:00Veio a morte primeiro.
03:02E agora não.
03:03Eu vejo oportunidade de vida e ser feliz.
03:06É isso.
03:07que você continue anos e anos trabalhando e fazendo a felicidade também de muitos idosos
03:11que contam com a sua ajuda.
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