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Entrevista exclusiva ao jornal Jovem Pan, a professora de relações internacionais, Karina Calandrin, avalia os próximos passos do acordo de paz entre Israel e Hamas no Oriente Médio e a atuação dos EUA na mediação do tratado.

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Transcrição
00:00E ainda sobre o fim do conflito, a nossa entrevistada agora é a professora de Relações Internacionais,
00:05Karina Calandrin, como sempre, gentilmente atendendo a Jovem Pan.
00:08Tudo bem, professora? Bem-vinda.
00:10Boa noite. Muito obrigada pelo convite.
00:13Bom, professora, há mais de dois anos a gente fala aqui sobre esse conflito,
00:17dois anos e alguns dias sobre esse conflito.
00:19É inegável que esse é o principal passo já dado para o fim desse conflito.
00:24Você, como uma estudiosa, tem livros publicados sobre aquela questão do Oriente Médio.
00:31Eu pergunto, é o momento já de olhar com mais otimismo ou com ainda algumas reticências?
00:40Bem, é o momento de otimismo, sim.
00:42Não podemos negar os esforços que foram feitos por todas as partes envolvidas,
00:48pelos Estados Unidos, pelo Catar, pelo Egito.
00:52E, é claro, não podemos negar as partes que negociaram, de fato.
00:56Então, Israel e os membros do Hamas chegaram a um acordo,
01:00muito por esse trabalho feito pelos mediadores
01:02e também anunciado, primeiramente, o plano por Donald Trump.
01:06Então, sim, podemos ter otimismo.
01:08Essa primeira fase é muito importante para ditar o tom das novas e futuras fases desse acordo.
01:15Então, se os reféns serão entregues em segurança, se Israel irá se retirar, como prometido,
01:23de uma parte do território da faixa de Gaza, se o auxílio humanitário irá, de fato, aumentar também no território.
01:31Tudo isso é muito importante para que as negociações continuem e as novas fases do acordo sejam bem-sucedidas.
01:39É claro que há um temor e todos nós ficamos muito receosos se o acordo será de longo prazo,
01:46se ele será mais duradouro do que o cessar-fogo que tivemos no começo do ano.
01:51Então, há esse temor e esse receio.
01:54Mas temos que ser otimistas, sim, porque é diferente do acordo do começo do ano,
01:59que previa uma libertação parcial dos reféns.
02:03Esse agora prevê a libertação total dos reféns, inclusive uma retirada das tropas israelenses
02:09de uma parte significativa do território.
02:12Então, isso é importante e devemos ser otimistas, sim.
02:15Bom, professora, o nosso correspondente Luca Bassani falou.
02:18A grande dúvida ainda é sobre a outra fase desse processo,
02:22para saber se o Hamas deixaria as armas de lado,
02:26não voltaria a promover qualquer tipo de ataque.
02:29É algo difícil de se cravar se isso será cumprido?
02:34Exatamente.
02:35Como eu disse, eu não quero também parecer muito pessimista e dizer
02:39ah, não podemos comemorar nenhuma fase desse acordo,
02:42porque o que já foi feito agora é histórico.
02:45Até então foram dois anos de guerra, a guerra mais longa que o Estado de Israel já enfrentou,
02:51desde o surgimento do Estado.
02:53Então, esse acordo é importante.
02:56Não quero desmerecer, em hipótese alguma, os esforços que foram feitos até agora.
03:00Mas sim, as próximas fases, elas é que geram esse receio.
03:03Principalmente a desmilitarização do Hamas.
03:06Como o Hamas tem como princípio, ele tem como objetivo estabelecido
03:10a luta armada, o terrorismo, a desestabilização da região,
03:16e inclusive o combate direto a Israel, para que Israel não exista enquanto Estado na região,
03:21é muito difícil acreditar que ele aceite a sua desmilitarização,
03:26que ele aceite não ter mais um braço armado e ser só um grupo político.
03:31Porém, esse é um ponto essencial do acordo atual.
03:35Israel não aceitaria um acordo que não incluísse uma desmilitarização do Hamas.
03:40Então, já é um avanço que o Hamas permaneça no território,
03:44porque até pouco tempo atrás Israel dizia da destruição completa do Hamas.
03:49Esse acordo proposto por Donald Trump prevê a permanência do Hamas no território,
03:54só que apenas com um grupo político, não um grupo militar mais,
03:58não tendo um braço armado.
04:00E é difícil acreditar que eles concordarão com esse ponto.
04:03Mas, neste princípio, parece que as negociações estão indo por esse caminho.
04:08Temos que aguardar a conclusão dessa primeira fase
04:11para observarmos como as próximas fases irão se desenrolar.
04:15Professor, a partir de que momento é necessário começar já a discussão
04:20sobre o futuro da própria faixa de Gaza?
04:23E, claro, aquela discussão interminável.
04:26Recentemente, na reunião da ONU, muitos países se posicionaram
04:28sobre o Estado palestino, que tem muita resistência.
04:31Em que momento essas discussões devem entrar?
04:35A partir da conclusão da primeira fase, que é a crucial,
04:39então, o retorno dos reféns, em primeiro lugar,
04:42o estabelecimento de auxílio humanitário na faixa de Gaza,
04:46então, essa entrada dos 600 caminhões por dia,
04:49que ficou estabelecido no acordo,
04:51e o recuo das tropas israelenses,
04:52para o fim das atividades, de todas as ofensivas no território.
04:58Isso é o principal.
04:59Tendo isso concluído, entramos na segunda fase,
05:03que é uma fase de negociações sobre o dia seguinte,
05:07que se diz.
05:08O que acontece no dia seguinte, pós o final da guerra?
05:12Que é a reconstrução da faixa de Gaza.
05:14Então, a faixa de Gaza foi completamente destruída,
05:16do ponto de vista material.
05:18Nós vemos as imagens, todos os prédios destruídos,
05:20a infraestrutura muito afetada.
05:22Então, é preciso pensar na reconstrução.
05:24Isso o plano de Donald Trump também aborda.
05:27Então, uma reconstrução e uma administração internacional provisória,
05:31nesse período de reconstrução,
05:33para que assim, posteriormente, seja estabelecido um Estado palestino.
05:37O problema é que esse plano de Donald Trump
05:39não inclui a Cisjordânia nessa tratativa
05:42sobre a construção de um Estado palestino.
05:44O que é uma dúvida.
05:46Não sabemos.
05:47Então, esse Estado seria construído só em Gaza?
05:49O que acontece com a Cisjordânia?
05:52E os assentamentos israelenses na Cisjordânia?
05:54Então, são outras problemáticas
05:56que não foram abordadas nesse acordo.
05:58É claro que a situação emergencial é Gaza agora,
06:02por conta da situação humanitária.
06:04Mas, a Cisjordânia deve ser considerada
06:06porque é um território compreendido
06:09como parte do futuro Estado palestino.
06:11e deve ser incluído nas negociações,
06:14deve ser incluído nessas tratativas.
06:16Então, a reconstrução de Gaza, em primeiro lugar,
06:18e, depois disso, a discussão sobre a soberania,
06:21que já foi, inclusive, abordada por Donald Trump nesse plano.
06:24E quais os méritos do governo americano nessa discussão?
06:29Muito se fala do presidente Donald Trump,
06:32que busca o Prêmio Nobel da Paz com esses acordos.
06:36Tem o acordo no leste europeu, que até agora não andou.
06:40Inclusive, azedando a relação dele com o presidente da Rússia.
06:44Mas eu pergunto, qual é o peso do governo americano
06:46nessa discussão, no caso do Oriente Médio?
06:51É muito grande.
06:53Como eu já disse,
06:55não podemos ignorar o peso da administração de Donald Trump
07:01em toda a costura desse acordo atual
07:03para esse cessar-fogo e um futuro acordo de paz,
07:09que seja prolongado,
07:11que não seja um cessar-fogo temporário,
07:14como foi o do início do ano,
07:15mas que seja um cessar-fogo,
07:17não digo permanente,
07:19mas que seja um cessar-fogo mais longo,
07:22que permita com que os dois povos,
07:25israelenses e palestinos,
07:26tentem retomar um pouco a normalidade,
07:29se podemos falar nesses termos.
07:32Então, a importância é central.
07:34E sim, Donald Trump tem uma ambição,
07:37ele foi já indicado,
07:38ele tem mais de uma indicação para o Prêmio Nobel da Paz,
07:41e é uma ambição dele já antiga.
07:43Agora tem se tornado mais presente,
07:46mas mesmo no seu primeiro governo,
07:48ele já tinha costurado outros acordos de Israel
07:50com países no Oriente Médio,
07:52chamados Acordos de Abraão,
07:53tinha feito uma proposta já de acordo de paz
07:55entre Israel e Palestina,
07:57chamado de Plano de Paz de Trump, em 2020.
08:00Então, ele já almeja esse lugar,
08:04esse legado com o Prêmio Nobel da Paz.
08:08Então, agora é o momento que ele mais chega perto
08:11desse com uma indicação já formalizada,
08:15e agora com esses acordos dando certo,
08:18com certeza ele chega mais próximo desse objetivo.
08:21Professora Karina Calandrin,
08:22de Relações Internacionais,
08:24mais uma vez, obrigado por atender a Jovem Pan,
08:26volto sempre.
08:27Professora, até a próxima.
08:29Muito obrigada, boa noite.
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