00:00O novo lançamento da série True Crime, da Netflix, traz a história de Ed Gein,
00:05um serial killer preso em 1957 nos Estados Unidos, que você talvez nunca tenha ouvido falar,
00:13mas com certeza já ouviu algo inspirado nele.
00:15Os crimes chocantes, macabros do assassinato que inspiraram filmes clássicos como o Psicose,
00:22também teve o Hitchcock, o Silêncio dos Inocentes e o Massacre da Serra Elétrica.
00:27Esse eu me lembro, o Massacre da Serra Elétrica, realmente assistia assim e a gente ficava com medo.
00:33E agora essa nova série sendo estreada, por isso a gente vai conversar com o Josias Teófilo,
00:38sincerão dessa série estreada na Netflix.
00:41Mas antes de conversar com o Josias, o Mano Ferreira tem uma provocação com uma pergunta.
00:47Eu tô curioso, você assistiu a série, Josias?
00:50Eu assisti.
00:51Tem 15 dias, Cava, que tu falou que não ia a Marvel e Netflix nunca, que ia a Marvel e a Marvel.
00:56Ah, eu tô artista, eu sou inconstante, eu falo a coisa e falo de mim, tô foda-se.
01:03Eu cancelei a minha Netflix, também não vou assistir mais nada que ganhar na Netflix,
01:10fica com esse negócio aí de viagem geek.
01:14Tudo woke agora?
01:15Tudo woke, é, não quero nada disso daí.
01:18meter o wokeismo nessa série ou não?
01:22Não, não tem não.
01:24Essa série é maravilhosa pelo seguinte sentido, que é uma história, é...
01:30Primeiro que essa coisa de crime é o que melhor a Netflix faz, né?
01:36Porque, assim, estavam chamando de crimeflix.
01:38Então, o que acontece é que tem muito documentário sobre crime e essas séries sobre crime são muito boas e chamam muito a atenção.
01:51E eu acho que eles deviam fazer isso mais aqui no Brasil, então eu acho que devia ter isso aqui também.
01:57Infelizmente não tem aqui, eles ficam falando mais de temas sociais, das coisas da Petra Costa, essas coisas.
02:03Mas o fato é o seguinte...
02:05Oi?
02:05Só um minutinho pra recepcionar o pessoal que tá nos escutando pelo rádio, né?
02:09O Josias, que cerca de 15 dias falou que não assistiria mais a Netflix e agora tá falando sobre uma série lançada na Netflix.
02:16E maravilhosa, segundo ele.
02:18Maravilhosa.
02:19Vamos lá, qual que é a série e traz os detalhes pra gente.
02:22Então, é a série...
02:24A história de Ed Gein, que é um assassino, serial killer.
02:30A gente chama de serial killer, mas isso é um anacronismo, né?
02:33Porque esse termo nem existia naquela época ainda, foi criado depois.
02:37Mas o fato é que esse assassino, ele matava as pessoas, pegava o corpo e fazia móveis.
02:44Era uma coisa realmente assustadora.
02:47E a gente tinha uma obsessão com a mãe dele, que é o que aparece aí, que apareceu agora na cena, né?
02:54E esse personagem, ele inspirou grandes filmes, talvez os melhores filmes da história do cinema de terror.
03:02Pra mim, os três melhores filmes, que é Psicose, de Alfred Hitchcock, que é baseado no livro homônimo, sobre a história dele.
03:09O filme é O Massacre da Serra Elétrica e O Silêncio dos Inocentes.
03:14Aliás, O Massacre da Serra Elétrica é provavelmente o filme mais sujo da história da humanidade.
03:19É um filme realmente assustador, um filme horrendo, assim.
03:22E se você for ver, todos foram inspirados nele.
03:26Então, é uma figura interessantíssima, claro, pelo lado mau, né?
03:31Mas o mau é o grande tema da arte, essa é a minha ideia.
03:33Então, você vê quantas coisas interessantes foram feitas a partir da história dele.
03:38Agora, a crítica que eu tenho à série é que ela se dispersa um pouco,
03:43tentando tratar da questão do filme do Hitchcock, mostrando o Hitchcock fazendo o filme dele.
03:47Depois, mostrando o diretor do filme, O Massacre da Serra Elétrica, também fazendo o filme.
03:54Eu gostaria de ter visto o recorte apenas na história dele, porque a história dele, de fato, é fascinante.
04:02E é uma coisa assim, a gente não consegue parar de ver.
04:05Mas eu tenho algumas críticas também, porque eu achei...
04:08Você tem crítica? Sério?
04:12Eu achei essa coisa da linguagem...
04:15Eu achei a coisa da linguagem genérica de séries,
04:21que, na verdade, são os autores dessa série que estão moldando essa linguagem,
04:28que virou uma espécie de clichê.
04:30Mas o fato é que chama muita atenção, é muito bem realizado, a gente não consegue parar de ver.
04:36Agora, outra crítica que eu tenho é a seguinte.
04:39A série é creepy do começo ao fim.
04:41É estranhíssimo, é pesadíssimo do começo ao fim.
04:44Não tem um momento de distensão.
04:47Entende?
04:48Você vê, todos os grandes filmes de terror, eles têm momentos de normalidade
04:54e depois vêm para a normalidade.
04:56Então, a série é simplesmente...
04:57Parece que todo mundo é louco naquela cidade.
05:00E isso é uma coisa um pouco fora da realidade, né?
05:02Tudo bem, ele era uma pessoa que tinha problemas sérios, mentais,
05:05ficou internado numa instituição psiquiátrica até morrer em 1984.
05:10Mas o fato é que ele...
05:12Ele convivia com pessoas normais numa cidade, normal, pelo amor de Deus.
05:18Então, isso não mostra no filme.
05:19Parece que todo mundo é psicótico naquela cidade.
05:21Então, me incomodou um pouco.
05:24Mas vale muito a pena ver.
05:25Não é à toa que teve milhões de espectadores e bateu o recorde na Netflix.
05:30Parece que 12 milhões de espectadores só na estreia.
05:33Será que o Elon Musk também viu?
05:38Será que o Elon Musk também viu?
05:39O mano perguntou.
05:40Mas vamos para o João Bellucci.
05:42Eu não sei.
05:44Ô, Josias, queria te perguntar no sentido de que não...
05:47Essa série eu não assisti, que é muito recente e tal.
05:50Mas, enfim, muitas séries que retratam esses assassinos, serial killers,
05:54acaba de alguma forma até dando uma história para justificar o ato mesmo, né?
05:59Dar um glamour para o personagem e as vítimas vão sempre esquecidas.
06:02Se você enxerga isso nessa série também, se você enxerga que existe isso mesmo,
06:06ou se é uma coisa que eu estou falando aqui que não faz sentido nenhum,
06:08nesse sentido de glamourizar o criminoso.
06:11É, isso aí é verdade.
06:14Essa tendência existe.
06:15Na verdade, isso foi até uma questão que incomodou o Francis Ford Coppola
06:21quando ele estava querendo fazer O Poderoso Chefão.
06:23Ele quase não fez o filme por causa disso,
06:25porque ele achou que o filme ia glamourizar.
06:28E, de fato, glamourizou.
06:30O fato é esse.
06:31E essa coisa de serial killer,
06:33a verdade é a seguinte.
06:34Serial killers existiram.
06:36Eles viram filmes.
06:37E isso incentiva que outros serial killers existam.
06:40Porque tem obra de arte que realmente não tem efeito muito bom,
06:45mas a gente tem muito interesse a ver,
06:47porque tudo que é extremo no comportamento humano nos interessa.
06:52A gente não consegue parar de ver.
06:54Pelo mesmo motivo, quando tem um acidente na rua,
06:56todo o trânsito para para ver.
06:58Então, é uma coisa um pouco natural.
07:01E eu acho que quem melhor fez isso foi a série Breaking Bad,
07:04que é uma série que mostra...
07:05É uma espécie de fausto personagem, né?
07:07Ele começa como uma pessoa normal
07:10e ele vai se vilanizando
07:12por causa da circunstância específica.
07:14Ele precisa de dinheiro para sustentar a família
07:16que ele acha que vai morrer por causa do câncer.
07:19E é engraçado que a gente fica com o personagem.
07:21A gente fica torcendo para ele até o fim.
07:23Por mais que ele faça crimes absurdos,
07:26vendo a droga que vai destruir a vida de milhares de pessoas.
07:29É coisa da arte.
07:30Sei lá, não sei explicar muito bem.
07:33Simplesmente é assim.
07:34É, eu já assisti a Breaking Bad.
07:37Realmente, assim, é uma série fantástica.
07:39Você acompanha, né?
07:40Não, eu consumo muito.
07:43Tentei assistir.
07:44Mas aí é da vida real, né?
07:45É, até porque me ajuda muito.
07:48Teve uma série que eu assisti,
07:52que foi Valéria, se não me engano.
07:54Verônica.
07:55Verônica.
07:56Brasileira.
07:56Não, não.
07:58É Valéria mesmo que ela fala sobre dominação,
08:03violência doméstica.
08:04E eu consegui esclarecer um crime por conta dela.
08:07Que louco.
08:08E teve uma também, cemitério, que é muito legal.
08:11Eu comecei a assistir essa, mas eu não...
08:13Assim, ela não me prendeu.
08:15Eu acho ela horrenda.
08:17Acho que tem muito delírio.
08:19E aí sai um pouco do contexto, da realidade.
08:22Aí já não me prendeu.
08:24Então, assim, eu tenho uma crítica a ela.
08:26Eu não consegui nem gostar do bandido.
08:28Porque quando eu assisti Narcos,
08:30eu quase que me apaixonei pelo...
08:32Pabllo Escobar.
08:33Pabllo Escobar.
08:34Eu, delegada, tinha vergonha de falar
08:36que eu torcia pro Pabllo Escobar.
08:38Era um absurdo.
08:39Eu ficava quietinha.
08:40Até ele explodiu o avião lá da Vianca e tal.
08:42Aí eu falei, não, agora é terrorismo.
08:45Mas até então...
08:45A série coloca ele como um grande herói, né?
08:47Ela humaniza.
08:48Porque o pessoal humaniza.
08:50Aí você começa a justificar o injustificável.
08:54Mas essa série eu não consegui, de fato, me prender a ela.
08:56Josias, algum comentário?
08:59Não, só isso.
09:01Não, porque tem...
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