00:00Olha, no geral, não. Poucas das vezes, por exemplo, no ônibus alguém chegou, olhou, reconheceu e me ajudou.
00:08Porque, por exemplo, como eu sou autista, eu tenho alguns problemas de comunicação, muitas das vezes.
00:12Então é difícil pra mim, por exemplo, chegar e pedir o lugar, mesmo que seja o meu direito, no ônibus, por exemplo.
00:19É uma coisa delicada, é delicada pra qualquer um, né?
00:21Mesmo, por exemplo, por mais que tenha escrito, às vezes, nos ônibus todos a sensação preferenciais,
00:25dificilmente tu vê, por exemplo, mesmo idosos ou pessoas que, mulheres grávidas, pedindo assentos comuns no ônibus pras pessoas.
00:33Porque é uma coisa que se constrange, qualquer um se constrange de estar pedindo pro outro se levantar pra tu, sentar, enfim.
00:39Então, dificilmente as pessoas reconhecem.
00:41Acho que teve uma vez na minha vida que eu lembro da pessoa ter reconhecido e falar
00:44Ah, não, e era pra passar na catraca, não era nem pra sentar.
00:47Então, assim, pra trazer, tá engraçado.
00:49Mas, assim, em hospital, eu não lembro a última vez que eu precisei no hospital e eu tava usando, então...
00:53Não posso já muito nisso.
00:55Mas, universidade, por exemplo, é outro lugar também que, por incrível que pareça,
00:59mesmo que tenha esse imaginário, não, lá, um lugar de pessoas destruídas e tal.
01:03Mesmo, assim, é o mesmo nível, assim, de conhecimento do lado de fora ou de dentro, assim.
01:07Então, professores, alunos, ninguém, assim.
01:09Tanto é que a primeira vez que me perguntaram do qual lá, pensaram que era do trabalho, né?
01:13Falaram assim, ah, isso aqui é de qual trabalho? Já vi outras pessoas usando e tal.
01:15É de alguma coisa de emprego?
01:17Aí eu tive que explicar, falei, não, não é de emprego.
01:20Isso é porque eu sou autista e tal, né?
01:22Porque eu tava usando o de quebra-cabeça, né?
01:25Só, os únicos momentos que reconheceram foram professores que têm parentes.
01:29Que têm alguma coisa, enfim, que usam qualquer coisa.
01:32Mas, no geral, sempre rola conflito e sempre tem essa questão, como o próprio Dey falou,
01:37da pessoa não reconhecer ou invalidar mesmo, né?
01:39Falaram, ah, mas eu não tô vendo nada, então não vou levantar pra ti, não vou te ajudar em qualquer coisa.
01:43Mesmo que tu precise.
01:43Ele traz liberdade, né?
01:46De fato, porque, tipo assim, o primeiro passo que a gente, quando tem uma deficiência, é compreender, né?
01:55Compreender quando você é criança com paralisia cerebral, não consigo jogar futebol da maneira que eu uso as pessoas.
02:02E é um choque, é um baque pra gente.
02:06Então, tipo assim, compreender que você tem essa condição.
02:10E quando você começa a utilizar o colar e, com o tempo, você vai se adequando às suas vivências,
02:17você tem uma total liberdade.
02:20Principalmente hoje de compreender que o outro, às vezes, não compreende.
02:25Eu digo muito que é uma questão de que as pessoas precisam tentar pra poder compreender
02:30como é uma vida de uma pessoa com deficiência.
02:33Ela pode dialogar, porque muitas vezes a gente é preparado pra dialogar com as pessoas
02:38que têm a dificuldade, que perguntam com educação.
02:42A gente sempre é preparado pra dialogar.
02:44Porque a gente já compreende que, pra quem não consegue subir uma escada, vai ter escada
02:48e a gente vai ter que passar por aquela escada.
02:50Então, se a pessoa perguntar, eu acho que é o primeiro ponto que a gente consegue orientar.
02:57Tentando com educação.
02:58Sim, sempre dizer, poxa, eu não compreendo.
03:02É como qualquer um outro dia, por exemplo, quando a pessoa tá com má dúvida.
03:05Poxa, o que é aquilo? A gente não vai pesquisar, não vai dar o Google?
03:08Então, eu acho assim que seria fundamental a pessoa, por exemplo,
03:11se ela não vai dar o Google, ah, eu não tenho tempo, a gente sabe que tem,
03:16mas não tenho tempo. Posso perguntar? Por que você usa?
03:20Eu acho que é bem solúvel e a gente vai, eu com qualquer, acredito, outra pessoa que utiliza,
03:28vai com toda a educação.
03:29É porque eu tenho uma deficiência e é necessário. Por quê?
03:33Porque dá o direito a mais acessos, né?
03:38Então, tecnicamente, quem já é letrado sobre vai já compreender.
03:42Olha, ali está uma pessoa com deficiência, eu vou dar preferencialidade
03:47ou eu vou dar mais autonomia em alguns espaços.
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