- há 3 meses
Acessórios ajudam a identificar pessoas com deficiências ocultas ou necessidades especiais.
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NotíciasTranscrição
00:00Olha pessoal, vamos para o nosso assunto do dia, você aí de casa.
00:05Já viu alguém usando um cordão colorido?
00:08Tem o cordão de girassol, tem o cordão do quebra-cabeça colorido.
00:12O quebra-cabeça a gente já está sabendo mais que indica que a pessoa está dentro do espectro autista, né?
00:19Mas tem outros cordões, o azulzinho, tem o lilás com a borboleta, que a gente não vê muito.
00:25Não é muito comum que a gente acaba não sabendo o que significa.
00:29Esses acessórios, pessoal, funcionam como uma espécie de linguagem universal,
00:34mostrando que a pessoa tem uma deficiência ou algum tipo de demanda específica,
00:40uma necessidade especial que nem sempre vai estar visível, né?
00:45O que a gente chama de deficiências ocultas e a gente não consegue perceber olhando ali para a pessoa.
00:53Mais do que um detalhe, esses cordões, esses colares, promovem inclusão, acessibilidade e empatia.
01:03Recentemente, o jornalista Evaristo Costa revelou nas redes sociais, você deve ter passado pelo vídeo dele aí nas redes sociais,
01:11situações constrangedoras que ele viveu, porque não estava usando esse cordão aí.
01:16Chegou para ele, mas ele não usava antes o cordão do girassol.
01:19O Evaristo, pessoal, ele foi diagnosticado com a doença de Crohn, uma condição crônica que faz com que o paciente tenha uma série de sintomas urgentes
01:29quando está em crise. Ele precisa ir ao banheiro correndo, sente dor ali no meio de todo mundo
01:36e ele já passou por situações muito constrangedoras, porque as pessoas não sabiam que ele tinha a doença
01:42e agora ele está usando o cordão nos momentos de crise para que isso seja identificado.
01:47Vamos conversar ao vivo, então, para a gente entender melhor sobre esse assunto.
01:51Envie a sua pergunta, nosso zap está na tela, tire suas dúvidas.
01:55Vamos entender melhor esse assunto. Eu estou aqui com o doutor Anderson Schwenberg.
02:01Falei certo o seu sobrenome?
02:03Bom dia, Bruna.
02:05Bom dia, doutor.
02:05Prazer estar aqui novamente.
02:06Bem-vindo aqui ao Tribuna Manhã. Novamente, o doutor já esteve aqui com a gente em outra oportunidade.
02:12Doutor, o que são doenças ocultas?
02:15A gente fala, são uma série, tem uma lista gigante aí de doenças, mas as pessoas em casa muitas vezes não têm conhecimento.
02:23O que são essas doenças?
02:24Então, falar das doenças ocultas aqui hoje, para o pessoal de casa, é importante falar sobre a importância dessas doenças
02:30em relação aos cordões de identificação, né?
02:32E esse vídeo do Evaristo traz isso.
02:35Muitas pessoas têm doenças, algumas delas deficiências, que fazem com que essas pessoas tenham necessidades
02:41ou precisem fazer algo, ou precisem ter acesso a algum tipo de recurso,
02:46e esses cordões servem para sinalizar isso para as outras pessoas.
02:49No vídeo do Evaristo, ele fala, assim, que o cordão ajuda ele, por exemplo, a ter um acesso prioritário,
02:55eventualmente, a um banheiro ou algo que ele precisa naquele momento.
02:57Então, o cordão representa isso para as doenças ou deficiências que não são visíveis,
03:02que muitas pessoas têm alguma condição e que, se não fosse o cordão, ninguém ficaria sabendo.
03:07O cordão é uma ferramenta de comunicação muito importante, né?
03:11Porque, a partir daí, quem está perto dessa pessoa pode agir de maneira rápida e pode ajudar essa pessoa, né, doutor?
03:19Exatamente.
03:20O cordão, ele serve para sinalizar para as outras pessoas que existe essa diferença, essa peculiaridade
03:27e que sinaliza, muitas vezes, que essa pessoa tem alguma restrição, ou então, em relação ao autismo,
03:35que é utilizado o cordão quebra-cabeça e o cordão de girassol de duas maneiras,
03:40para sinalizar que essa pessoa pode ter alguma dificuldade de comunicação, né?
03:44Agora, o cordão, ele não vem sozinho, né?
03:46A gente está vendo ali umas imagens de um que vem acompanhado como uma medalhinha indicando,
03:52a pessoa pode usar uma carteirinha também.
03:55Como é que funciona isso, doutor?
03:57Então, isso é bem interessante a sua pergunta, porque o cordão, qualquer um deles, ele não é nada...
04:04Existem instituições que emitem, enfim, mas não é nada normatizado.
04:08Então, você pode comprar o cordão girassol, o cordão de quebra-cabeça, qualquer loja, até na internet,
04:13você compra livremente, assim.
04:15Isso é diferente, por exemplo, de algumas carteiras de identificação de pessoa com deficiência
04:19e também é diferente do enquadramento legal de pessoa com deficiência.
04:23Só usar o cordão ali não basta, né?
04:26Não, acho até que é interessante para o pessoal que está em casa não pensar que isso é algo que pode ser banalizado.
04:33Você só vai usar o cordão quando você tem uma necessidade, quando você precisa sinalizar uma dificuldade,
04:38uma deficiência, para que você consiga conviver e se inserir na sociedade de maneira normal,
04:45de maneira, assim, em condições de igualdade com os outros.
04:47O objetivo todo do cordão é esse.
04:50É permitir que as pessoas possam conviver na sociedade, conviver com as outras pessoas o mais normal possível.
04:56Perfeito.
04:57Você falou da carteirinha, né?
04:59O que a pessoa...
05:01Vocês têm gente que está assistindo a gente em casa?
05:03Tem um filho que está dentro do espectro autista e, às vezes, ainda não sabe como conseguir.
05:09O que a pessoa precisa para regulamentar, vamos dizer, ali e conseguir a carteirinha, por exemplo?
05:15É, a gente está falando de um processo que envolve, que o objetivo seria esse enquadramento legal,
05:21a caracterização oficial, por assim dizer, de uma deficiência, que eu repito, é diferente do que simplesmente ter um cordão e portar, usar um cordão.
05:28Começa pela avaliação médica, porque ela é biopsicossocial.
05:31Então, tem uma avaliação médica, um laudo médico, associado a uma avaliação psicossocial,
05:36que pode envolver outros profissionais, que vão avaliar não só a presença ou não de uma condição de saúde,
05:42como também o impacto dessa condição em relação à vida da pessoa.
05:46Um exemplo, até eu pegando o vídeo do Evaristo, é que a doença de Crohn,
05:49ela não é oficialmente reconhecida como uma das doenças que permitem o enquadramento legal de deficiência.
05:55Isso quer dizer que não é deficiência? Não.
05:57Quer dizer que não basta apenas um laudo médico de doença de Crohn para dizer assim,
06:00olha, tem deficiência.
06:02Ele tem uma necessidade especial, e ele foi muito claro nisso, eu gostei do vídeo,
06:07quando a doença não está controlada.
06:09Ele deixou muito claro.
06:10Tem momentos de crise, né?
06:12Exatamente.
06:12Doença de Crohn é uma doença do tubo digestivo muito grave,
06:15e que com o tratamento pode estabilizar.
06:18E ele foi até honesto e reconheceu que nos momentos em que essa doença está sob controle,
06:22talvez ele não precise usar o cordão.
06:23Sim, perfeito.
06:24Vamos aproveitar para a gente dar uma olhadinha num trecho do vídeo do Evaristo.
06:28De repente, quem está em casa e não teve a oportunidade de ver.
06:30Roda aí para ver o que o Evaristo compartilhou nas redes sociais.
06:34Olha o que acabou de chegar para mim pelo correio.
06:37Você sabe o que é isso?
06:37Você já viu?
06:39Sabe para que serve?
06:40Eu vou te explicar.
06:42O girassol é o símbolo que representa as pessoas que possuem algum tipo de deficiência não aparente, oculta.
06:49Quando você olha para ela, você não sabe que ela precisa de uma atenção especial, de um cuidado diferenciado.
06:55Eu acho importante falar disso, porque poucas pessoas sabem, e a lista é enorme de doenças não aparentes.
07:02Como, por exemplo, surdez, epilepsia, diabetes, esclerose múltipla, as doenças crônicas, como a doença de Crohn, que é o que eu tenho.
07:11Se você tem ou conhece alguém que tem a doença de Crohn, com certeza você sabe quais são os sintomas.
07:17Dor abdominal, cólica, náusea, vômito, um cansaço além do comum.
07:22Mas o mais constrangedor é a diarreia, é quase involuntária.
07:25Não é ir uma vez, duas vezes ao banheiro.
07:30É ir 20, 30, 40 vezes.
07:33Obviamente, eu não preciso andar com ela para cima e para baixo, para todos os lugares que eu vou, principalmente quando eu não estou com a doença ativa, que é o caso.
07:41A minha doença, nesse momento, está em remissão.
07:43Então, não tem porquê eu comunicar a todas as pessoas que eu preciso de um atendimento diferenciado.
07:48Mas, num passado muito recente, eu em crise, se eu estivesse usando o girassol, muito constrangimento teria sido evitado.
07:56Eu acho que esse vídeo do Evaristo, doutor, ele fala mais, a gente teve que cortar um trecho, fala da situação do avião, o aperto que ele passou no avião,
08:04precisou entrar num restaurante, não deixaram ele entrar num restaurante para usar o banheiro.
08:08Fala muito da empatia da sociedade também, que eu acho que é o que o cordão também, como o senhor colocou, muito bem colocado aqui, vem trazer para a gente.
08:17Nem sempre essas pessoas vão contar com a empatia, em uma situação ali de necessidade mesmo, com a doença, e o cordão, ele vem trazer um pouco disso, né?
08:28Com certeza, e essa é uma diferença muito grande em relação ao que se vivia no passado, em que a deficiência era algo estigmatizante,
08:35que a pessoa costumava ter um problema de saúde qualquer, ficava restrito, tinha que ficar em casa, a família costumava esconder, não queria que convivesse.
08:44Hoje não, hoje é bom que isso seja sinalizado e que as outras pessoas vejam de maneira positiva, no sentido de permitir a inclusão.
08:51Então, o cordão girassol em especial tem essa importância, porque marca as deficiências ocultas em geral.
08:56O cordão de quebra-cabeça, ele é mais antigo e ele está mais ligado ao autismo, mas eu já andei lendo alguns textos mais recentes que estão...
09:07Tem pessoas que já estão querendo colocar ele em desuso, porque a ideia do quebra-cabeça significa assim, mas está faltando uma peça.
09:14Então, a questão do cordão de girassol também pode ser usado assim.
09:18Claro, isso não é unânime, né?
09:20Então, cada um pode usar como quiser, mas eu estou só falando que isso também evolui.
09:24Outros cordões de outras cores são usados para outras doenças, mas, de novo, sem uma normativa.
09:29Então, tem o cordão agora da fibromialgia, que também tem uma doença que tem uma batalha legal para ver se caracteriza ou não como deficiência,
09:36mas a pessoa pode usar o cordão para sinalizar que ela tem essa dificuldade motora, algumas vezes ou tem um quadro de dor.
09:42Então, esse cordão sinaliza dessa maneira.
09:45Para quem tem uma pessoa em casa com algum tipo de deficiência oculta, quem convive com essa condição também, qual seria a orientação, doutor?
09:56Qual seria o primeiro passo?
09:58Bom, como até falei agora, a gente já está no século XXI adiantado.
10:04Então, para muitas condições existe tratamento.
10:07Não é só tratamento médico, mas como eu falei, é a caracterização biopsicossocial, tratamento integral dessas...
10:13Não dá para chamar só de doenças, mas dessas condições para permitir a inserção da sociedade.
10:18E quem tem alguém em casa assim, o objetivo é esse.
10:21Não é mais esconder, não é isolar, não é ter vergonha, né?
10:24O objetivo é que a pessoa possa viver dentro do seu limite, de acordo com a sua independência, promover a autonomia, promover a felicidade, né?
10:31E a gente vê muitos familiares que ficam muito felizes e as pessoas que têm deficiência também ficam muito felizes
10:36quando se percebem acolhidas e conseguem exercer autonomia.
10:40Com certeza, é importante para a gente também, enquanto sociedade, para que a gente possa acolher e ter empatia com essas pessoas.
10:49Doutor Anderson Schwenberg, médico-psiquiatra, conversou com a gente sobre esse assunto tão importante e relevante.
10:57Obrigada, doutor, pela presença mais uma vez aqui no Tribunal Manhã.
10:59Eu te agradeço, Bruna.
11:01Valeu.
11:01Obrigada, doutor Anderson Schwenberg.
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