00:00Eu já estou aqui com a doutora, a Fernanda Júdice, que é psiquiatra, que vai falar daqui a pouquinho do tema,
00:05mas a doutora estava acompanhando aqui a receita. Gostou, doutora?
00:08Gostei bastante, inclusive vou fazer na minha casa.
00:12Pois é, gente. Olha, vamos falar agora, a doutora Fabiana está aqui,
00:16porque, desculpa, doutora Fernanda, porque eu vou fazer uma pergunta.
00:20Você tem medo de avaliações negativas? Evita interações com outras pessoas?
00:25Você pode ter fobia social. A gente vai entender melhor com a psiquiatra, como eu falei, a Fernanda Júdice,
00:32porque a gente precisa, né, doutora, entender melhor isso, né?
00:36E eu já começo a primeira pergunta. Qual é a diferença de fobia social e o que é de uma timidez?
00:42Boa tarde para a senhora.
00:43Boa tarde, é um prazer estar aqui. Obrigada a todos pelo convite.
00:47A timidez, ela é um traço de personalidade.
00:50Não necessariamente você nasce com ela, você pode desenvolver por familiares, tipo de criação.
00:59Ela geralmente é mais leve, não necessariamente patológica.
01:03Então, uma pessoa tímida, ela é tímida, mas ela pode fazer suas atarefas,
01:09ir em reuniões, frequentar auditórios, conversar com amigos, mesmo tímida.
01:16A fobia social já é um grau de ansiedade bem mais grave, patológico.
01:22Às vezes necessita de intervenção medicamentosa, às vezes não.
01:26Então, eu diria assim, resumidamente, o grau de ansiedade, timidez, leve, a fobia social, moderada à intensa.
01:36E quais são os sintomas de uma fobia social, doutora?
01:39Evitação de estar em público, evitar se relacionar, evitar ficar perto até de amigos,
01:49de pessoas conhecidas, familiares, eventos, evitação de apresentações, reuniões.
01:58Às vezes, sala de aula, um aluno, um adolescente, não consegue se sentar no meio da turma.
02:04Então, seria assim, o meio que ele se insere, ele evita tudo, a evitação.
02:10E isso surge em algum momento da vida, ou determinadas pessoas já nascem com essa predisposição de ter uma fobia social?
02:20Pode nascer com a predisposição, mas a gente vê que não é isso.
02:24Ela desenvolve mais pelo meio de criação, né?
02:29Às vezes, pais muito tóxicos, abusivos, ou a criação um pouco mais rígida, né?
02:37Então, a gente vê que é uma coisa não de predisposição genética, mas mais pelo convívio e pelo meio em que foi criado.
02:46Às vezes, uma rejeição ou algum fato que aconteceu.
02:50Não predisposição genética, geralmente não, mas pode ter.
02:53Toda fobia social, ela é preocupante? Existem graus que eu devo me preocupar?
03:00Por exemplo, não quero sair de casa para ir em um aniversário X, ou eu começo a não querer sair de casa para ir em eventos da família.
03:09Existem essas diferenças da fobia social?
03:13Geralmente, não. A pessoa que tem fobia social, ela tem a fobia e ela vai evitar, seja em qualquer grau que for, os eventos sociais.
03:23Muita gente é tratada como antipática, né, doutora?
03:26A senhora que atende as pessoas, muita gente chega assim e fala, olha, eu não consigo me relacionar.
03:31Qual é a principal queixa, assim?
03:33A principal queixa é no consultório?
03:34Isso.
03:35Geralmente, elas chegam com a queixa de evitação social, de não conseguir se relacionar, medo de falar e não conseguir ser o centro das atenções.
03:46Isso não significa que a pessoa queira ser o centro das atenções, mas, por exemplo, em algumas situações, você vai acabar tendo que se expor.
03:55É normal na vida ter que se expor, ter que falar, ter que interagir.
04:01E a pessoa, ela vem com a queixa de não consigo me relacionar, não consigo estar em certos ambientes.
04:08O que eu faço?
04:10Essa é a principal queixa.
04:11E, por exemplo, na faculdade, escola, muitos estudantes acabam tendo vergonha, eu vou usar a palavra vergonha, que é o que me vem à mente,
04:23de fazer perguntas na frente dos colegas, por algum motivo, e acabam ou indo embora com dúvida, ou pedindo para um colega, um amigo, fazer pergunta.
04:35Isso tem a ver com um certo tipo de fobia social ou é outra coisa que a psiquiatria analisa?
04:42Não necessariamente é fobia.
04:44Pode ser um caso de timidez, como eu falei, que não é patológico, mas, se chegar ao caso da pessoa evitar situações,
04:54já pode estar entrando num grau de fobia, porque a fobia é evitar situações.
05:00Então, já é patológico.
05:01A timidez, a pessoa ainda enfrenta as situações.
05:05Então, por exemplo, um aluno que é tímido, mas ele é tímido e faz a pergunta, talvez não se enquadre num quadro de fobia social.
05:15Ele tem uma atividade leve que ele consegue se expor.
05:19Agora, se é um aluno tímido, que não consegue levantar a mão, fazer a pergunta, se expor, medo de ser o centro das atenções,
05:27ele já pode se enquadrar na fobia social.
05:30O bullying pode causar a fobia social?
05:33Com toda certeza.
05:34Como eu falei, o histórico, o passado da pessoa, a criação, o bullying, tudo que a pessoa já viveu pode desencadear a fobia social.
05:45Para a gente ir caminhando para o final, doutora, qual é a solução?
05:49É medicamento, tem que fazer um tratamento?
05:52Como a gente pode introduzir esse assunto para a pessoa que hoje se encaixou, que está assistindo a gente nessa questão de fobia social?
06:02Qual é a luz no fim do túnel?
06:03É bem engraçado, porque já foi comprovado cientificamente que a fobia social, tanto a timidez, um método mais que a gente consegue observar que é terapêutico,
06:18é a terapia de exposição.
06:20Então, a pessoa, ela se expondo mais, enfrentando os medos, ela cria um mecanismo no cérebro dela de que ela consegue, ela vai enfrentando os medos.
06:32Então, é um tipo de terapia, não medicamentosa.
06:35É uma das vertentes.
06:36Claro que tem vários tipos de terapia.
06:38Então, tem essa terapia de exposição, tem a terapia convencional, comportamental e, em último caso, medicamentosa.
06:47É claro que a gente não quer fazer um abuso farmacológico, até porque pode causar dependência e tudo mais,
06:52mas a luz do fim do túnel, com certeza, é procurar ajuda.
06:56Aproveitando que a gente está no setembro, já, né, setembro amarelo, existe o CVV, que é gratuito e sigiloso,
07:03que as pessoas podem ligar em caso de emergência, se não tiver com quem falar no momento.
07:10E é totalmente sigiloso, voluntário, gratuito e as pessoas podem buscar ajuda dessa forma, se não tiver com quem falar.
07:18Perfeito, doutora. Fernanda Júdice, psiquiatra, muito obrigado pelos esclarecimentos.
07:23Uma boa tarde para a senhora.
07:24Boa tarde, obrigada.
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