O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) admitiu que aliados do Centrão não devem estar em sua coligação para as eleições de 2026. O presidente quer convencer os partidos a se manterem neutros, para que a base do governo não se desfaça. Reportagem: Victoria Abel.
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00:00Voltando para a política, o presidente Lula admite, aliado, que partidos de centro não devem estar na coligação eleitoral em 2026.
00:08Ele quer convencer legendas como o MDB, o PSD, de Gilberto Kassab, o União e o Progressistas a se manterem neutras.
00:17A reportagem é de Vitória Abel.
00:19O presidente Lula reconheceu em conversa com aliados que dificilmente os partidos de centro, incluindo o MDB, PSD, União e PP, estarão em sua coligação partidária para a reeleição em 2026.
00:35O objetivo do presidente agora será evitar que essas legendas estejam no palanque de outro candidato da direita, que seja apoiado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
00:46Para Lula, se as legendas permanecerem neutras nacionalmente, escolhendo um candidato apenas nos contextos regionais, já será um ganho na corrida eleitoral.
00:57De acordo com auxiliares do presidente, Lula está cada vez mais desesperançoso que MDB e PSD apoiem formalmente a sua reeleição.
01:07Lula reconhece que os partidos de Baleia Rossi e Gilberto Kassab são muito heterogêneos, com lideranças da esquerda e da direita e com posicionamentos políticos que se diferem conforme o Estado e a região do país.
01:22Ambos os partidos têm uma forte proximidade com a direita em São Paulo, por exemplo, onde apoiam o governador Tarcísio de Freitas.
01:31Caso o governador de São Paulo saia candidato à presidência, pedir a neutralidade do MDB e PSD será ainda mais difícil.
01:40No entanto, aliados do presidente Lula consideram que o convencimento do MDB e do PSD de liberarem os seus diretórios estaduais será mais fácil do que convencer o União Brasil e o PP.
01:54Os dois partidos que agora formam uma federação prometem se posicionar contra a reeleição de Lula e se aliarem a um candidato da direita.
02:04A articulação do presidente será para que a federação não tome esse posicionamento como uma ordem nacional, obrigando os diretórios regionais a irem contra Lula.
02:15O Dora, você que sempre falou da frente ampla, que elegeu o presidente Lula nesse terceiro mandato, e ele agora admite que o Centrão não estará na coligação.
02:26O que ele faz de leitura em relação a isso? O Centrão não necessariamente estará na coligação, mas se manter neutro é difícil? É mais complicado?
02:38Não, é até mais fácil. Tudo vai depender da qualidade da canoa, do tamanho, da robustez da canoa em que do centro, centro-direita, desculpa, e a direita podem embarcar.
02:55Por isso, pessoas como o senador Silvio Nogueira, que nós citamos aqui ao longo de todo o jornal, fazem esse alerta para que haja já uma articulação mais concreta,
03:09porque o adversário, que é o presidente Lula, está em campanha, em campanha com a máquina pública.
03:16Então, tem essa história, claro, ah, candidato, não pode se antecipar, fica na surva, mas o outro está solto na pirameira, em campanha aberta.
03:29E aí, e a direita, quer dizer, a oposição a ele, numa indefinição que desarticula tudo, né?
03:39Então, nesse cenário desarticulado, por enquanto, a neutralidade, claro que é possível e a vantajosa, na verdade, é a única possível no quadro de hoje.
03:49Por quê? Além de ter a neutralidade formal, quer dizer, esses partidos não se coligam, não dão horário de televisão,
04:00não aumentam verbas, mas também facilita os arranjos locais, né? Os arranjos regionais, porque as eleições são também para governadores, né?
04:13E deputados estaduais. Então, isso aí, essa neutralidade, hoje o presidente Lula está enxergando como a composição possível.
04:24Lá na frente, sabe-se lá, né? O que ele não quer é assim, na pior das hipóteses, o que ele quer é que esse povo vá com ele de novo,
04:34mas na pior das hipóteses, se não vierem comigo, diz ele, que pelo menos fiquem em cima do muro, o que é realmente vantajoso para ele.
04:45Essa é uma característica do centrão, não é, Túlio? A gente sempre fala nas votações aqui, muitas vezes o centrão é em cima do muro,
04:50vai para um lado, vai para o outro, dependendo do interesse. Isso pode acontecer também numa eleição presidencial?
04:58Pode acontecer sim, Tiago. Esse é o papel do centrão. O centrão sempre está no centro. Ele está com o pé em todas as canoas.
05:07E o presidente Lula observa muito bem esse fenômeno. Parece que ele sabe exatamente o que Otto von Bismarck falava,
05:14que a política é a arte do possível. Veja, nesse momento, pelas lideranças dos partidos,
05:20a aliança de centro-direita parece que está já selada, amalgmada. Então é muito difícil que ele consiga desconstruir isso.
05:28O que ele faz? Qual é o possível na arte da política para ele? Comer pelas beiradas, ir de pouquinho em pouquinho.
05:34Então ele, obviamente, explora as insatisfações do centro, porque o centro é um amorfo na política,
05:41em que há vários segmentos ali, alguns que se aliam mais ao governo federal,
05:44outros que se aliam mais a essa aliança de centro-direita, outros que estão realmente indecisos.
05:50Então ele vai comendo pelas beiradas e pegando ali apoios, quer seja regionais, municipais,
05:56tudo que vier para ele é lucro. Então, nesse sentido, ele está fazendo o jogo perfeito, cirurgicamente.
06:03E quero lembrar que quem come pelas beiradas, às vezes consegue chegar no prato principal.
06:07E, Cristiano Vila, esse rótulo do centrão virou uma coisa pejorativa aqui no Brasil, né?
06:15Pois é, isso já vem desde lá atrás, quando o Roberto Cardoso Alves falava do Edando que se recebe
06:23naquele centrão da Constituinte, que teve tanta força naquele contexto.
06:28E o fato é que existe realmente uma gama de partidos que tem essa heterogeneidade
06:35e que acaba se alinhando de acordo com determinadas conveniências e tendo realmente multifacetas,
06:42cada qual vinculada a uma determinado grupo, uma determinada oligarquia,
06:47que tem o seu comando estadual.
06:49O PMDB, durante muitos anos, o atual MDB, foi nesse sentido,
06:53outros partidos de centro têm essa característica.
06:57Agora, o fato é que o presidente Lula, ele perdeu nesse momento,
07:03nessa eleição, para essa eleição agora de 2026,
07:06a capacidade de se dizer como uma frente ampla.
07:09No caso do presidente Lula, ele não está, até o presente momento,
07:14agregando centro nenhum.
07:16Nesse sentido, a chance que ele tem, e ele tem trabalhado nessa linha,
07:22especialmente nos últimos meses, é de tentar isolar o campo da direita
07:27sob uma pecha de radicalismo, para tentar fazer com que,
07:32na guerra que existe entre as rejeições, ele acabe sendo o escolhido do centro.
07:39No entanto, não é fácil.
07:41Aquela frente ampla que foi construída e que foi tão importante em 2022,
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