00:00Agora, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, fez um discurso, mais uma vez, muito aguardado pela Assembleia Geral da ONU
00:07e destacou que a Rússia pode não querer parar na Ucrânia.
00:12É um alerta que Zelensky faz aos países europeus, tentando reunir apoio, reunir as tropas,
00:18para desenvolver uma linha de defesa em prol da Ucrânia.
00:21Uma tensão que já havia sido deixada muito clara quando drones russos sobrevoaram a região da Polônia,
00:30de fronteira com a Polônia, também da Estônia.
00:33Você tem países ali, fronteiriços, a Rússia, que já declararam no passado que possuem informações da inteligência
00:39de que, de fato, a Rússia não se contentaria com um avanço apenas contra o território da Ucrânia,
00:45que ela buscaria entrar em direção à Europa, países fronteriços, como no caso a Estônia, como a Finlândia,
00:53países menores que têm poucas capacidades de defesa se não estiverem juntos da OTAN, se não estiverem juntos da União Europeia.
01:01O presidente Volodymyr Zelensky explicou que, para se defender, ele precisa, sim, de armas.
01:07E a gente separou esse trecho.
01:10Hoje, ninguém, mas nós mesmos, pode garantir a segurança.
01:14Hoje, ninguém, além de nós mesmos, pode garantir segurança.
01:20Apenas alianças fortes, apenas parceiros fortes e apenas as nossas próprias armas.
01:26O século XXI não é muito diferente do passado.
01:29Se uma nação quer paz, ela precisa ter armas.
01:32É doentio, mas essa é a realidade.
01:34Vocês sabem perfeitamente bem que a lei internacional não funciona totalmente,
01:39a não ser que você tenha amigos poderosos que sejam realmente dispostos a te apoiar.
01:44E mesmo assim, ela não funciona sem armas.
01:47É terrível.
01:48Mas, sem isso, as coisas poderiam ser bem piores.
01:51Não há garantia de segurança, além de amizades e armas.
01:55Não há garantia de segurança, além de amigos e armas.
01:59O secretário do Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e o ministro das Relações Exteriores da Rússia,
02:06Sergei Lavrov, se encontraram nesta quarta-feira em Nova Iorque,
02:10mas eles não comentaram muito sobre a reunião.
02:12Não há grandes detalhes.
02:13Quando você mencionou, Tiago, o encontro entre Lula e Zelensky,
02:17o presidente Lula falou sobre isso na coletiva que ele concedeu antes de deixar Nova Iorque nesta quarta-feira,
02:23e disse o seguinte, que ele, Lula, é amigo de Vladimir Putin,
02:28tal qual o presidente norte-americano, Donald Trump, também é.
02:32E que se um amigo, às vezes, pode fazer bastante, dois amigos, então, podem fazer muito mais.
02:38Lula disse que vai se comprometer a conversar, no que for possível,
02:42com líderes internacionais para acabar com a guerra na Ucrânia,
02:45mas a gente sabe, esse é um trabalho muito difícil.
02:49Pois é. Bom, Fabrício, você vai voltar daqui a pouquinho para falar sobre um ataque nos Estados Unidos.
02:54Você volta em instantes.
02:55Exatamente.
02:56Hoje dá aos nossos comentaristas, mais uma vez, para falar não só sobre a participação do presidente Lula,
03:01mas também, de uma certa maneira, se houve algum tipo de avanço,
03:05alguma sinalização em relação às guerras no leste europeu e também no Oriente Médio.
03:10Dora, eu começo por você perguntando sobre essa reunião de hoje do presidente Lula com Vladimir Zelensky.
03:16Zelensky falou que Lula faria o possível e o impossível para tentar acabar com as guerras.
03:21Você destacou agora há pouco que ele, claro, foi razoavelmente bem nessa viagem internacional,
03:27porque surfou na onda de Donald Trump, criticou os Estados Unidos,
03:30mas nessa questão das guerras, que ele tentou um protagonismo lá atrás, mas não conseguiu,
03:35nesse ponto não houve avanço, até que, porque é, talvez, muito complicado falar em terminar guerras
03:44e o Brasil não tem esse protagonismo como o presidente Lula acha que o Brasil tem, não é, Dora?
03:51Tiago, primeiro que eu não falei que ele foi razoavelmente bem, não, senhor.
03:55Falei que ele foi muito bem, tá certo?
03:58Corrigido.
03:58É, eu sei que você foi mais do meu estilo, você sabe que eu não sou pródica em elogios, né?
04:05Mas por isso que eu fiz questão de dizer, foi muito bem.
04:08Agora, na questão dos eleitos, fez uma gentileza ali, que é óbvio, não é da alçada do Lula,
04:14a gente não tem tamanho geopolítico, peso geopolítico para isso, então uma gentileza,
04:20quando ele faz referência e o presidente vai fazer o máximo, não é da alçada do Lula,
04:26não cabe ao Lula, mas o que foi bom nesse encontro com Zelensky é que realmente aquela relação atritosa,
04:36aquela relação em que o presidente Lula se colocava de modo, assim, muito aberto em uma posição favorável ao Putin,
04:49era uma coisa realmente que não cabe a um país que deveria manter a neutralidade.
04:55O próprio Zelensky já se queixou do presidente Lula uma vez publicamente.
05:00Então, nesse aspecto, foi muito bom, porque é ótimo, é muito melhor você,
05:06principalmente num país como o Brasil, que tem ali no seu ativo, deveria ter o soft power, né?
05:13E nesse aspecto, nesse soft power, que hoje em dia já não é tão soft mais,
05:19que é a questão climática, o presidente Lula também, sim, aí ocupou um espaço que realmente cabe ao Brasil,
05:27não só por ser visto como uma potência nessa energia limpa, enfim, nesse assunto,
05:36mas principalmente porque a COP está aí em novembro.
05:42Então, foi uma oportunidade dele falar longamente sobre esse tema,
05:47até diz que se o... como é o nome, menino?
05:53Trump? Se o Trump quisesse estar, que ele convidou o Trump,
05:58se o Xi Jinping quisesse estar, também seria excelente.
06:02Nenhum dos dois vem, mas o gesto, e principalmente do tom, no tom de cordialidade,
06:11não um tom de atrito, que não é o tom adequado ao Brasil.
06:19Por isso que eu gostei tanto, porque no discurso da ONU, o presidente Lula foi duro,
06:25principalmente na primeira parte, quando ele falou da questão da soberania,
06:30criticou os Estados Unidos sem citar o nome do Trump, sem falar o nome do país,
06:36mas você pode ser duro, você pode ser firme, sem ser atritoso, sem ser grosseiro.
06:44E por isso que eu achei que eu fiz essa análise, que no conjunto,
06:48ele, o presidente Lula, adotou esse mesmo tom em toda, em toda a viagem
06:55na qual ele teve agendas muito importantes, uma delas com o Zelensky,
07:02por menos que ele possa interferir na guerra.
07:05Por isso é que as coisas chamam relações internacionais.
07:09E, Túlio, a gente discute muito o papel da ONU nesse momento,
07:13com as guerras em andamento, a guerra no Leste Europeu e também no Oriente Médio,
07:17e, de uma certa maneira, a Assembleia Geral da ONU faz barulho,
07:21os líderes de Estado fazem os discursos, mas não temos qualquer tipo de sinalização
07:26de fins de conflito e não vai ser na ONU que esses conflitos vão terminar, não é?
07:33Infelizmente, não, Tiago.
07:34Parece que o multilateralismo foi abandonado e nós vivemos uma realidade de bullying.
07:39Os países mais fortes estão dispostos a romper com os acordos internacionais
07:44e realmente invadir territórios e fazer valer as suas vontades.
07:47Em relação a Putin, o buraco é muito mais embaixo, Tiago.
07:51Eu lembro de uma entrevista que Putin deu dizendo que ele era muito fã de Tolstói,
07:56que ele era um leitor ávido de guerra e paz.
07:59E o problema é que guerra e paz realmente ambientaliza no cenário das guerras napoleônicas,
08:05na qual o território da Crimeia, de Donbés, a Ucrânia no geral,
08:09é uma questão de sobrevivência para a Rússia.
08:12Ou seja, a Rússia precisa dominar esses territórios para que ela garanta a sua sobrevivência.
08:17Porque nesse livro é dito que o tempo e a paciência são eternos beligerantes,
08:22que os tempos de paz são apenas preparatórios para futuras guerras.
08:26Então não me parece, e isso é cultural inclusive na Rússia, na política da Rússia,
08:30então não me parece que Putin vai retroceder, infelizmente, nem por conta da ONU
08:35e nem por conta da influência de Lula ou de outros atores.
08:39Infelizmente nós vivemos um tempo sombrio em que parece que a força mesmo
08:43deve ser o maior aliado para tentar frear a Rússia nesse momento.
08:48Oxalá que não escalemos esse conflito para uma guerra muito maior.
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