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  • há 6 meses
Pastor relembra a trajetória de superação em busca de equilíbrio e esperança.
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Transcrição
00:00E nesse mês de atenção especial à saúde mental, vamos te mostrar a história de um pastor.
00:07Por trás do púlpito, havia um homem em silêncio, lutando contra uma dor invisível,
00:13enfrentando uma batalha muitas vezes não compreendida.
00:17Um pastor com depressão.
00:19Mas ele encontrou na fé e a força que ele precisava para não desistir
00:24e na medicina o apoio necessário para vencer essa doença.
00:29A reportagem especial é da Camila Lima e Tainara Nascimento.
00:35Em 2018, o pastor Daniel Rocha, de 59 anos, viu o corpo pedir socorro.
00:42Coração acelerado, as minhas mãos suavam, testa suava e minhas mãos tremendo.
00:51Era depressão em estágio grave, uma doença ainda cercada de preconceitos quando vista pelo olhar da religião.
00:58É que eu venho de um ambiente de igreja, então por muitas das vezes cria essa imagem que essa possibilidade não acontece com o crente.
01:09E dentro da igreja tem muito preconceito também, no caso de dizer que é demônio essa situação toda.
01:15Só que eu precisei da ajuda médica, precisei de psiquiatra, precisei de tomar os remédios, precisei do exercício físico, precisei melhorar a minha alimentação, precisei melhorar o meu tempo de sono, a qualidade de sono.
01:31E isso realmente foi o que fez com que eu conseguisse sair da situação.
01:37Depois de esgotar alternativas, Daniel aceitou o tratamento médico.
01:42Foi quando a fé e ciência caminharam juntas que a paz voltou à vida do pastor.
01:48A depressão é uma doença multifatorial, então ela tem aspectos ambientais e biológicos.
01:54Dependendo do nível da intensidade, leve, moderada, grave, você pode tratar de forma não medicamentosa.
02:02Por exemplo, com terapia, atividade física, alimentação, mudança de hábito, terapia.
02:08Então esses processos vão resolver questões leves, moderadas.
02:12Quadros moderados a graves, aí a depender do impacto na vida da pessoa, você precisa do medicamento para acelerar a recuperação.
02:20A minha situação foi tão grave, para vocês entenderem, que o psiquiatra falou que a minha esposa tinha que amarrar uma corda nela e a outra ponta em mim durante a noite.
02:31A minha situação foi tão terrível, eu fui tão longe.
02:35Eu agradeço a Deus por ter voltado, porque eu tinha pavor da minha respiração.
02:40Olha o grau da minha irritação e do meu pânico.
02:43Segundo a Organização Mundial da Saúde, estima-se que apenas uma em cada dez pessoas com depressão recebam tratamento adequado em todo o mundo.
02:54No Espírito Santo, dados do IBGE revelam que 342 mil pessoas têm o diagnóstico da doença.
03:02Porém, apenas 172 mil pessoas estiveram em consultório médico nos últimos 12 meses procurando tratamento.
03:11A história do pastor mostra que é preciso quebrar tabus.
03:16A espiritualidade não foi anulada.
03:19Pelo contrário, somou-se ao cuidado médico, processo essencial para sua cura.
03:26A espiritualidade no sentido bem amplo, tá?
03:29Intrínseca, extrínseca, a religião como um canal para você vivenciar isso.
03:34E às vezes até mesmo a espiritualidade sem ter uma vivência religiosa.
03:37Então, um conceito bem mais moderno de espiritualidade como valor.
03:41Aí sim, é uma coisa que vivenciada pode ajudar positivamente.
03:46Mesmo pessoas conhecidas enfrentam batalhas silenciosas.
03:51O padre Fábio de Mello contou em seu livro como lidou com a depressão.
03:55Quando nós falamos em experiência de acompanhamento psicoterapêutico, ainda há na nossa ideia também um certo outro tabu de que fazer terapia é coisa para doido.
04:08O que, na verdade, não combina em nem um pouco.
04:11Quando nós falamos da experiência religiosa e da experiência psicoterapêutica, elas podem andar juntos.
04:16E, inclusive, há muitos pesquisadores que afirmam que essas duas experiências caminhando juntas, elas são muito profundas e que garantem ainda mais assertividade no processo.
04:28Falar desse tema, inclusive, em templos, em espaços religiosos, é importante porque ajuda a quebrar o preconceito.
04:36E aí, quando alguém precisa pedir ajuda, a pessoa não enxerga isso como falta de fé, mas como um ato de autocuidado.
04:42O porteiro Ziel Coimbra, de 49 anos, lembra do receio que teve de revelar o diagnóstico de depressão em sua comunidade de fé, em 2014.
04:55Eu sou presbítero e, como cristão, isso seria um peso muito grande.
05:03Mas o que eu fiz mesmo foi me esforçar para que eu ficasse livre da depressão.
05:10A gente tem que parar com isso e dizer, eu não preciso de ninguém, nós precisamos um do outro.
05:14Eu vivia 24 horas dopado de remédio, me recuperei. Sabe o que eu tomo de remédio hoje? Zero.
05:21Hoje em dia eu faço duas vezes funcional e uma pilates.
05:25Toda semana. Isso virou uma coisa, uma religião para mim.
05:29Entendeu? É algo assim que eu faço com muito prazer.
05:32E aí ganhei músculo, ganhei saúde, ganhei disposição.
05:36Acabou tudo o que eu estava vivendo.
05:40Hoje eu estou curado.
05:41Amém.
05:43Hoje eu estou ótimo. 100%.
05:45Que história inspiradora, né gente?
05:52Olha, se você enfrenta sinais parecidos, procure um psiquiatra ou a unidade de saúde mais próxima.
05:59Em todo o Brasil, o Centro de Valorização da Vida atende pelo número 188, 24 horas por dia.
06:07E aproveitando, né, que a gente mostrou essa matéria inspiradora, já deu uma deixa aí para o nosso assunto de hoje.
06:15Porque hoje a nossa entrevista no Tribuna Manhã é sobre a importância de falar sobre o suicídio,
06:22justamente para prevenir novos casos.
06:24O Brasil, gente, perde em média 38 pessoas por dia, o que se aproxima de 14 mil pessoas por ano para o suicídio,
06:35de acordo com estudos da Organização Mundial da Saúde.
06:40Nesse mês de setembro, acontece uma campanha mundial que joga luz nesse tema.
06:45É o Setembro Amarelo.
06:47Esse ano, o tema é Conversar Pode Mudar Vidas.
06:52E é justamente essa conversa aberta que a gente vai ter hoje aqui no estúdio,
06:58com o objetivo de quebrar esse tabu e enfrentar o preconceito que ainda existe,
07:03para que assim a gente possa preservar vidas.
07:07Aqui comigo nessa mesa maravilhosa está o doutor João Paulo Serqueira, psiquiatra.
07:13Muito bom dia, doutor.
07:15Aproveitando que a gente está falando que a gente tirou amanhã para ter uma conversa sobre isso.
07:19Já queria saber, falar sobre suicídio abertamente aqui na TV, falar com os nossos parentes, amigos próximos,
07:27é uma forma de incentivar ou isso mais ajuda do que atrapalha?
07:32É um dos mitos? Muito bom dia.
07:34Bom dia, muito obrigado pelo convite.
07:36Sim, Júlia, é um mito.
07:38Existe um mito de que falar sobre suicídio incentiva ou aumenta as taxas.
07:44Na verdade, falar sobre suicídio de forma responsável é como uma escuta fundamental.
07:52A gente precisa falar de saúde mental, a gente precisa olhar nos olhos,
07:56perguntar à pessoa como você está, como foi seu dia, está tudo bem com você,
08:01você tem algum medo, acha que está querendo se machucar.
08:06Essas perguntas são perguntas fundamentais para a gente poder pensar um pouco sobre essa questão de suicídio.
08:15E aí a gente tem que estar atento, porque quem pergunta vai ouvir a resposta.
08:19Às vezes pode ouvir uma resposta que é difícil de ouvir.
08:22Sim, eu quero me machucar ou eu penso.
08:27E aí é preciso acionar toda uma rede de proteção.
08:30A escuta acolhedora sem o julgamento e esse encaminhamento, chegar junto com a pessoa
08:39para acompanhar no atendimento médico é fundamental para a garantia do sucesso terapêutico da saúde.
08:46É duro ouvir isso de alguém que a gente ama, mas a gente vai até para um segundo mito
08:52que o doutor estava até comentando aqui antes da gente entrar.
08:54Então quer dizer que quem fala, é um mito, quem fala é capaz de fazer, não é só da boca para fora.
09:00Quem fala é capaz.
09:01Sim, a maior parte dos suicídios, quando a gente avalia retrospectivamente, a pessoa deu sinais.
09:07Os sinais, Júlia, vão desde o isolamento social, uma dificuldade da interação mesmo,
09:13a pessoa passa a ficar mais recolhida, mais no quarto, sem tanto desejo, deixa de fazer coisas
09:19que antes faziam sentido.
09:21Tem alterações no sono, às vezes as pessoas começam a beber mais, a usar mais, usar substâncias.
09:31É um conjunto.
09:33Existem sinais que se a gente olhar ali no dia a dia, se for uma família atenta,
09:41que dá aquele estopim para fazer a pergunta, para de repente a gente começar esse processo de cuidado.
09:46A crise, Júlia, pode ser uma oportunidade para o cuidado de si.
09:51E doutor, o suicídio é a maior causa, né?
09:56Tem a ver com transtornos psíquicos, né?
09:59Transtornos psiquiátricos, a depressão, outros transtornos assim.
10:04Como é que a pessoa chega a esse ponto?
10:06O que está por trás disso?
10:07Então, a maior parte dos suicídios tem uma relação com o transtorno mental.
10:14E é por isso que, de alguma forma, é prevenível, é por isso que a gente tem as campanhas
10:19para podermos falar sobre essas questões, né?
10:22Agora, em situações de crises sociais, por exemplo, a gente também tem um aumento da taxa.
10:29Quando a gente olha as taxas, Júlia, infelizmente a gente tem um aumento,
10:34mesmo com as campanhas, tanto nos Estados Unidos quanto na América do Sul,
10:39que a gente percebe um aumento do número de suicídios.
10:42Isso se deve não só às questões de saúde mental, mas também a outros elementos,
10:47como crise econômica.
10:49E quando a gente olha quem mais tenta suicídio, quem mais executa, quem mais morre,
10:54o que a gente percebe é que tem uma correlação direta com crises sociais,
10:59que é o isolamento, não ter uma família próxima, não ter uma rede protetiva,
11:04ou ter perdido o emprego, ou ter sofrido uma violência,
11:08ou estar ali fazendo uso intensivo de substâncias.
11:12Esses são fatores muito importantes que estão relacionados ao suicídio.
11:18São um conjunto de fatores, sociais, ambientais, tudo isso, né?
11:22E é quem está em volta que tem que observar, né?
11:26O que a pessoa está passando, por uma fase que a pessoa está passando.
11:29E essa abordagem, doutor? A gente sempre fica meio receoso, né?
11:33Como é que eu chego para perguntar o que eu falo?
11:36É um abraço? É uma escuta? Uma palavra na hora certa?
11:39Como é que essa abordagem tem que ser?
11:41É isso mesmo. É isso que a gente faz aqui, né?
11:44A gente senta à mesa, olha nos olhos, conversa.
11:48Isso é muito importante na rotina mesmo, né?
11:50das famílias, né? Poder estar com os filhos nesses momentos,
11:55convidar, comer uma coisa, e aí perguntar como foi seu dia,
12:00como estão as notas, percebo que você está triste, está isolado,
12:05você está pensando em alguma coisa, você pensa em se machucar.
12:10Essas perguntas, é isso, é difícil de fazer a pergunta,
12:13porque vai vir uma resposta muitas vezes que talvez não seja a que a gente queira,
12:19mas estar junto é fundamental.
12:21Acolher sem julgar, encaminhar, acompanhar na crise, isso para o dia a dia, né, Júlia?
12:27Mas, por exemplo, imagina alguém que está na terceira ponte ou numa situação limite,
12:34aí tem que chamar o SAMU e toda uma rede protetiva.
12:37Para a gente alcançar a redução dos números de suicídio,
12:41é preciso não só a conversa individual, é preciso toda uma rede protetiva.
12:46A gente tem que ter profissionais investidos nesse processo de cuidado que possam acolher.
12:52A gente precisa ter uma rede para cuidar da crise,
12:55a gente precisa ter um atendimento pós-crise, né?
12:58Então, é algo, e também infraestrutura social, né?
13:02Aquilo que foi dito, assim, quando reduz os benefícios sociais para as populações mais vulneráveis,
13:09é que a população que mais sofre, existe uma correlação entre sofrimento psíquico e tentativa de suicídio.
13:16É importante a gente falar sobre isso, doutor, porque, assim, a gente sabe que todo mundo está sujeito, né?
13:22Não importa onde more, como vive, mas existem populações mais vulneráveis, né?
13:27Com relação à condição econômica, com relação à classe social, à cor da pele.
13:34Fala um pouquinho sobre quem é que está mais exposto a isso.
13:38É uma coisa universal, né?
13:40Assim, é importante entender que não tem cara, nem tem...
13:44Até para a gente, às vezes, pensa assim,
13:46ah, estou numa situação econômica favorável, logo não vai acontecer.
13:50Não, pode acontecer com qualquer um, mas, de fato, a gente tem, por exemplo, homens na faixa etária da meia-idade, né?
13:58É mais comum, a população negra, quem faz uso de substância é mais vulnerável, idosos também.
14:07A gente tem crescido também um grupamento novo, é esse relacionado a jogos, né?
14:13Não é incomum que, quando a gente pergunta por que a pessoa está pensando em morte, né?
14:21Por que a pessoa está pensando em se matar ou coisas do gênero, é fundamental perguntar outras coisas.
14:28Tem dívida, está devendo adiota, fez compras, está usando substância.
14:33Então, é sempre, Júlia, um conjunto de informações que vai ajudar o profissional,
14:40junto com a família e a própria pessoa em sofrimento, a estabelecer qual é o melhor local de cuidado.
14:47Porque vai ter aquele que vai precisar de um cuidado intensivo e supervisão contínua,
14:52eventualmente até a internação no hospital geral ou internação intensiva no centro de atenção psicossocial,
14:59assim como vai ter aquele que vai ser visto em uma frequência menor no ambulatório, né?
15:05São muitos profissionais envolvidos para devolver o bem-estar dessa pessoa, né?
15:10Doutor, a gente já tem participação aqui, né, da nossa audiência.
15:13A Maria da Penha, em Vitória, ela perguntou
15:17como diferenciar uma tristeza profunda de um risco real de suicídio?
15:24Justamente esse escalonamento que a gente fala, né?
15:27Quando é só uma tristeza, não está atrapalhando o seu dia a dia ou quando é um sinal de alerta?
15:33É isso mesmo, Júlia.
15:34A tristeza, ela é situacional e é parte da nossa existência.
15:39A gente fica triste quando não vai bem na prova,
15:41a gente fica triste quando recebe uma devolutiva no trabalho e isso é parte da vida.
15:47Quando a gente tem uma tristeza que é persistente,
15:50que está associada a um isolamento social,
15:53que deixa de fazer coisas que anteriormente davam prazer,
15:57e principalmente se a pessoa começa a anunciar, não faz mais sentido a vida,
16:03ou faz cartas de despedida, isso tudo tem que ser pro familiar um sinal de alerta muito importante.
16:10E aí não há tempo a perder, tem que correr pra buscar auxílio mesmo,
16:16pra estabelecer um processo de cuidado.
16:19Então, se é uma tristeza permanente com mudança do funcionamento geral,
16:25tem que passar por ajuda, tem que passar por uma avaliação especializada com profissionais, né?
16:31E aí, doutor, a gente vê a importância realmente dos laços familiares, né, gente?
16:36Porque é algo até que a gente vem perdendo, né?
16:39Com a presença da tecnologia, muitas vezes presente na mesa,
16:43muitas vezes a gente não consegue perceber o que é uma mudança drástica da pessoa
16:47ou um comportamento comum, assim, do dia a dia por algum episódio, né?
16:51É muito importante a gente voltar os olhos também pra forma como a gente está se relacionando com o outro
16:57pra conseguir perceber esses sinais, né?
16:59Doutor, só quer falar? A gente tem mais uma pergunta aqui.
17:02Pode falar.
17:03A gente tem a pergunta do Júlio Silva, que é da Serra.
17:08Muito obrigada pela participação desde já, tá, gente?
17:10Ele pergunta, uma amiga já tentou suicídio e agora qualquer tristeza dela,
17:16a gente já pensa o pior, que ela possa tentar novamente.
17:20Como agir com ela diante dessas situações?
17:23Como abordar o tema com ela?
17:25Acaba ficando um pouco, assim, uma marca ali, né, que a pessoa...
17:28Fica, fica, porque de fato é aquilo que a gente disse, né?
17:32Assim, ter um familiar que tentou suicídio gera marcas tanto na pessoa
17:38quanto naqueles que estavam em volta.
17:41E aí tem a abordagem, que é a abordagem pós-crise, né?
17:45Como garantir o suporte também pra aqueles familiares.
17:49Isso é fundamental que os parentes possam dizer do próprio sofrimento
17:55até pra gente alcançar uma dinâmica mesmo, né?
18:00Uma dinâmica saudável, restituir, né?
18:04Lutar contra essa identificação, né?
18:08Quem é fulano?
18:09Ah, fulano é aquela que tentou suicídio, né?
18:11Essa imagem, ela é preocupante mesmo, né?
18:16E como que a gente fortalece isso?
18:18Constituindo novas identidades, né?
18:20Ah, fulana teve isso, mas também tem uma profissão, também é mãe, é...
18:27O exemplo aí foi o exemplo de uma mulher, né?
18:32Quando a gente pensa num processo de cuidado,
18:34a gente tem que atuar sobre os diferentes fatores psicossociais.
18:39E aí isso envolve entender qual é o campo,
18:43é um fator social no sentido que tá ligado ao trabalho,
18:46tá ligado à educação, tá ligado a que vínculo.
18:50E tentar abordar com muita paciência esses elementos, né?
18:55Pra ter um pouco de tranquilidade.
18:57O trabalho é multiprofissional porque envolve acompanhamento psicológico
19:02pras questões que estão relacionadas à psicologia social
19:06pra, eventualmente, situações relacionadas a risco, né?
19:10Então, risco financeiro, risco de agressividade.
19:14Então, é esse conjunto de intervenções que dá à família e à pessoa
19:19um sentido de segurança.
19:21De que, olha, mesmo que a pessoa ainda tenha uma ideia negativa,
19:28eles estão ali no caminho, né?
19:31E aí é um caminho que se constrói devagarzinho, né?
19:35Pra restituir essa segurança.
19:37É, realmente.
19:38Não é a ideação suicida que define a pessoa, né?
19:41Ela é muito mais do que isso, né?
19:43Doutor, mais uma pergunta aqui.
19:46O pessoal hoje tá participando.
19:47Muito obrigada, tá, gente?
19:48Participem sempre.
19:50Uma pessoa que não quer se identificar, que é morador de Cariaci,
19:53que a gente até entende do porquê não querer se identificar,
19:55porque ele fala da vergonha, da culpa.
19:59Essa pessoa tá perguntando se é normal sentir vergonha e culpa
20:03por ter pensamentos suicidas.
20:05Olha, a culpa e a vergonha são sintomas relacionados à depressão mesmo, né?
20:12Então, numa síndrome depressiva, a gente pergunta se você tá se sentindo culpado.
20:18O luto também vem muito atrelado à culpa.
20:20Então, todas as vezes que a gente perde um ente querido, a gente sempre pensa,
20:23mas será que eu poderia ter feito alguma outra coisa?
20:26E se eu tivesse...
20:28Então, esses sintomas, culpa e vergonha,
20:32estão relacionados muitas vezes a um quadro depressivo ou a um quadro de luto.
20:38E a escuta empática, você dizer pra pessoa,
20:41olha, isso aí eu sei que tá causando sofrimento,
20:44mas isso tá relacionado a luto,
20:47ou isso tá relacionado a um quadro depressivo,
20:49pode auxiliar nessas distorções, né?
20:53Às vezes a culpa é uma distorção da realidade, né?
20:58E aí, quando a gente conversa, a gente começa...
21:01Quando a gente percebe, olha, tem outras pessoas que também passam por isso, né?
21:04Isso.
21:05Essa mensagem que a gente quer passar, né, doutor?
21:07Que você aí de casa não está sozinho,
21:10procure ajuda, a gente tem o Centro de Valorização da Vida,
21:14188, dá pra ligar de casa,
21:16procurar uma unidade de saúde mais próxima também, os CAPS.
21:19Doutor João Paulo Cerqueira, muito obrigada, tá bom?
21:22Pela presença, pela entrevista, encorajadora,
21:25espero que chegue o maior número de pessoas
21:27para que elas saibam que não estão sozinhas, né?
21:30Tema muito importante.
21:31Obrigada, tá, doutor?
21:32Obrigado.
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