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Após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo STF, a política brasileira se movimenta. A oposição articula um projeto de anistia, enquanto a base do governo avalia possíveis impactos e enfraquecimentos decorrentes da decisão. Para falar sobre o assunto, a Jovem Pan entrevista Rogério Schmitt, cientista político.
Entrevistado: Rogério Schmitt

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Transcrição
00:00E a condenação de Jair Bolsonaro deve gerar ainda mais desdobramentos.
00:05Enquanto a oposição se organiza para uma ofensiva em prol da anistia,
00:10a base governista acredita em um isolamento do ex-presidente.
00:14Para falarmos mais sobre esse impacto do julgamento de Jair Bolsonaro
00:17e as consequências desse processo, a gente conversa a partir de agora com o Rogério Schmidt,
00:23cientista político do Espaço Democrático, a quem agradeço demais pela participação.
00:28Seja muito bem-vindo à programação da Jovem Pan.
00:32Muito obrigado, Daniel. Boa noite ao público que nos assiste.
00:36Perfeito. Alguns aspectos para discutirmos, mas para começar,
00:40de que maneira essas ações decorrentes do julgamento, leia-se, anistia ou até a possibilidade de um indulto,
00:49devem ditar o ritmo da nossa política nos próximos meses?
00:54E aí eu complemento, perguntando como ficam direita e a centro-direita depois da condenação de Jair Bolsonaro.
01:04Bom, esse é um tema muito... ainda tem muitas incógnitas pela frente, como a reportagem mesmo acabou de mostrar.
01:14É preciso primeiro esperar o chamado trânsito em julgado no STF e depois a definição aí de como será cumprida,
01:25caso se confirme a condenação, como será cumprida a pena do ex-presidente Bolsonaro.
01:31Mas, por enquanto, me parece que já dá para afirmar, sabendo o que a gente sabe até hoje,
01:38que esse é um tema que me parece que vai ser mais importante nas tribunas do Congresso,
01:47nos discursos exaltados, tanto dos apoiadores do ex-presidente como dos seus críticos,
01:56do que propriamente um tema que vai ter grande impacto na pauta de votações,
02:04seja na Câmara dos Deputados, seja do Senado Federal.
02:08Então, quando a gente assiste a uma sessão legislativa, tem essas duas partes,
02:13a primeira parte que são os discursos e a segunda parte que são as votações.
02:18Então, acho que o impacto dessa condenação tende a ficar mais localizado nos discursos,
02:29na chamada pequena expediente, do que propriamente nas votações,
02:35que tem aí, para o restante desse ano, tem um leque grande de questões de impacto direto na economia,
02:45por exemplo, que precisam ser votados no Congresso.
02:50Mas, Rogério, quando eu mencionei como ficariam, ou questionei como ficariam centro-direita e direita
02:57após a condenação de Jair Bolsonaro, naturalmente as lideranças partidárias fazem cálculos,
03:03e se organizam nos bastidores, de olho no processo eleitoral de 2026.
03:08Não me parece que eles queiram queimar etapas e já lançar nomes antes da definição do próprio ex-presidente.
03:18Ainda que muitos mirem os eleitores de Jair Bolsonaro,
03:22ninguém quer receber o carimbo ou a pecha de traidor.
03:27Qual é a dinâmica nessa articulação, nessa negociação e até uma certa paciência?
03:32Porque o tempo é de Jair Bolsonaro, de entender que talvez ele não esteja no pleito,
03:38e talvez ele indique ou transfira o seu capital político para uma outra figura.
03:45Veja, sobre isso, a gente precisa recordar que o ex-presidente Bolsonaro já estava inelegível
03:53antes desse julgamento no STF.
03:57Ele já estava inelegível desde a sua condenação no TSE,
04:03por conta daquele episódio lá com os embaixadores durante o seu governo.
04:09Então, nesse aspecto, o presidente Bolsonaro já era, do ponto de vista eleitoral,
04:15já era uma carta fora do baralho antes do julgamento no Supremo.
04:20O que aconteceu agora apenas reforça esse cenário, mas não produz esse cenário.
04:27Esse cenário já estava dado antes.
04:30Então, a questão toda agora é até que ponto o ex-presidente Bolsonaro conseguirá transferir
04:37uma parte ou todo o apoio que possui num segmento importante do eleitorado brasileiro
04:45para um outro nome que se apresente aí como seu sucessor, que a gente ainda não sabe quem será.
04:55Mas me parece também que há uma questão aí que opõe a direita, vamos falar o PL, o Partido Novo,
05:06essa direita mais bolsonarista, dos partidos de centro-direita, ou da direita não-bolsonarista,
05:12que me parece que tem cada vez mais incentivos para seguir um caminho que não necessariamente passe pela aprovação do ex-presidente Bolsonaro.
05:25Ainda é uma questão muito nebulosa, muita coisa ainda vai acontecer.
05:30É preciso levar em conta também que a popularidade do presidente Lula vem crescendo nas pesquisas.
05:35Então, lançar um candidato para ser derrotado é um cenário.
05:43Lançar um candidato que possa ser disputado, voto a voto com o atual presidente é outro cenário.
05:50Então, não me parece que a inelegibilidade do ex-presidente Bolsonaro tenha mudado.
06:02Quer dizer, a menos que seja aprovada uma anistia, e isso me parece ser um cenário muito improvável,
06:08tendo em vista aí a base do governo, as declarações dos presidentes da Câmara, do presidente do Senado,
06:18a própria disposição do STF.
06:21Então, nesse sentido, a influência do ex-presidente Bolsonaro na eleição do ano que vem,
06:28acho que tende a ficar restrita mesmo ali ao campo ideologicamente mais próximo a ele,
06:35que é o PL e o Partido Novo.
06:38Rogério Schmidt, cientista político, conversando ao vivo com a gente sobre o cenário político
06:44após a condenação de Jair Bolsonaro.
06:47Rogério, vou pedir licença?
06:48O Cristiano Vilela é o nosso comentarista, fará a próxima pergunta.
06:51Rogério, boa noite. Satisfação revê-lo aqui na Jovem Pan.
06:56Rogério, diante agora, você salientou bem, Jair Bolsonaro já tinha uma decisão
07:03que gerava inelegibilidade, portanto não poderia ser candidato nas eleições de 2026.
07:09Agora, diante dessa condenação, que além de reforçar essa inelegibilidade,
07:15acaba aplicando uma pena de prisão, uma pena bastante significativa.
07:18Diante desse quadro, é difícil, é mais difícil que eventualmente Jair Bolsonaro
07:26busque uma medida extremada, como foi feita pelo ex-presidente Lula lá atrás,
07:31de ser candidato ou de tentar registrar a candidatura a presidente,
07:36ou de tentar forçar o nome seu, de algum filho, de alguém da sua família, enfim,
07:42acabar tendo realmente uma postura mais rígida, mais aguerrida,
07:46ou você vê que diante, talvez, desse momento mais fragilizado,
07:50a tendência é que o ex-presidente venha a dialogar e a aceitar um nome
07:55que seja mais palatável aos partidos desse segmento político?
08:00É, Cristiano, boa noite. Você, de fato, você fez aí uma referência importante, né?
08:09A eleição de 2018, né? Quando o presidente, na época era ex-presidente,
08:14agora é presidente de novo, né? Lula estava preso, né?
08:17Foi o caso mais parecido que a gente conhece com a situação atual, né?
08:22Mesmo preso, ele lançou a candidatura com o Fernando Haddad de vice,
08:28até que o TSE determinou que ele não poderia concorrer à eleição,
08:33estando na cadeia, né? E o Fernando Haddad acabou assumindo, então,
08:37a cabeça da chapa e foi para a disputa contra o próprio Jair Bolsonaro, né?
08:42Então, é uma opção que talvez seja utilizada também em 2026 pelo presidente Bolsonaro.
08:52A gente sabe que mesmo que ele lance a sua candidatura,
08:55essa candidatura não será homologada pelo TSE,
08:59esteja ele na cadeia ou fora da cadeia, né?
09:03Então, mas se isso acontecer, nesse caso, a gente precisaria ficar muito atento
09:07a quem seria o vice da chapa, né?
09:10Porque, se esse cenário se confirmar, provavelmente acontecerá que,
09:16assim como aconteceu com Haddad em 2018,
09:19o vice acaba assumindo a titularidade da chapa, né?
09:25Então, isso nós vamos saber, ainda vai demorar um pouquinho, né?
09:30Porque as convenções partidárias serão só em junho do próximo ano, né?
09:36Então, nesse período aí, a gente vai ter que conviver, né?
09:40Com essas incertezas.
09:42Agora, Rogério, você mencionou a elevação da popularidade do presidente Lula.
09:48Mesmo assim, partidos que fazem parte da base governista,
09:52como União Brasil, PP e Republicanos,
09:56anunciaram que vão deixar o governo.
09:59E já sinalizaram para o PL a possibilidade da base votar
10:03no sentido de aprovar essa medida.
10:06Olhando para as eleições de 2026,
10:09e esses grupos que sinalizam nomes para disputarem a eleição presidencial no ano que vem.
10:17Você entende que é grande a chance de nós observarmos grupos de centro-direita e de direita
10:24disputando o pleito,
10:26diferente de um discurso que nós acompanhávamos de que era preciso juntar forças em torno de um nome
10:33para tirar o Partido dos Trabalhadores do Poder.
10:37Você entende que, a partir da condenação de Jair Bolsonaro,
10:40é mais fácil haver uma pulverização de forças,
10:44uma fragmentação desses nomes no pleito, pelo menos de primeiro turno?
10:48Com certeza, eu não tenho muita dúvida a esse respeito, não.
10:56Nesse momento, não parece existir um único nome desse campo aí,
11:02do centro-direita e direita,
11:04que unifique todos os interesses desses diferentes atores partidos políticos.
11:12Pode ser que esse nome surja,
11:16mas isso não é uma garantia.
11:19Acho que a principal variável aí vai ser a capacidade,
11:24a determinação da família Bolsonaro
11:26em ou lançar um candidato próprio,
11:31algum dos filhos, ou a esposa,
11:34enfim, alguém ali do círculo íntimo do ex-presidente Bolsonaro.
11:38Nesse caso, acho que não haveria muito apoio
11:43desses partidos aí que você mencionou,
11:48União Brasil, progressistas, republicanos.
11:51Ou um outro cenário seria a família Bolsonaro ceder
11:56e concordar em apoiar um candidato de fora do círculo íntimo
12:03do ex-presidente Bolsonaro,
12:05ainda que possa ser seu aliado político, né?
12:09Alguém como, por exemplo, o governador de São Paulo,
12:12Tarcísio de Freitas,
12:13ou algum desses outros governadores aí de oposição.
12:18Mas acho que vai fazer muita diferença,
12:22acho que a força eleitoral do presidente Lula
12:24na época do ano que vem, né?
12:27Porque se o Lula for um candidato,
12:29se continuar nesse ciclo aí,
12:32essa tendência de aumento de popularidade, né?
12:35Aí acho que o incentivo para que todos eles disputem juntos
12:38vai ser menor.
12:40Se por acaso o presidente Lula voltar,
12:42a gente observar de novo o que aconteceu no início desse ano, né?
12:45Que é a queda do Lula nas pesquisas, né?
12:48Aí talvez surja aí um incentivo
12:51para que a oposição ao seu governo seja unificada.
12:55Rogério Schmidt, cientista político,
12:59conversando ao vivo com a gente aqui na Jovem Pan.
13:01Rogério, muito obrigado pela gentileza.
13:03Volte mais vezes.
13:04Bom fim de sábado.
13:07Obrigado.
13:08Boa noite a todos.
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