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A Rússia e Belarus iniciaram nesta sexta-feira (12) um megaexercício militar, apenas dois dias após drones russos violarem o espaço aéreo da Polônia. A ação aumenta a tensão com a OTAN. O professor de relações internacionais Valdir Bezerra comenta o cenário em entrevista à Jovem Pan.
Entrevistado: Valdir Bezerra

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Transcrição
00:00Uma outra notícia importante no campo internacional.
00:03Rússia e Belarus iniciaram um grande exercício militar conjunto
00:07perto da fronteira com a Polônia.
00:10A iniciativa acontece em um momento de tensão crescente
00:13entre o país liderado por Vladimir Putin e a OTAN,
00:17dois dias após a Polônia abater drones russos
00:20que cruzaram seu espaço aéreo.
00:23Além disso, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos
00:26estão prontos para impor grandes sanções à Rússia,
00:30mas exigiu que os países da Aliança Ocidental façam o mesmo.
00:35Para falarmos sobre essa escalada de tensões,
00:37vamos conversar a partir de agora com o professor de Relações Internacionais,
00:41Valdir Bezerra, a quem agradeço demais pela participação.
00:45Professor, seja muito bem-vindo à programação da Jovem Pan,
00:48sempre colaborando nas muitas pautas internacionais
00:51que nós sempre destacamos aqui em nossos telejornais.
00:54Bem-vindo.
00:56Boa noite, Daniel.
00:58É um prazer participar novamente da Jovem Pan.
01:00Agradeço o convite.
01:02Pois é, professor.
01:03Em meio a essas tensões que eu mencionei há pouco,
01:06após a derrubada desses drones russos
01:09que invadiram o espaço aéreo da Polônia,
01:12Rússia e Belarus iniciam um processo
01:15de realização de exercícios militares
01:18em uma região muito próxima, inclusive,
01:20à fronteira com a Polônia.
01:22Eu queria pedir uma introdução, uma análise a respeito dessa situação.
01:27O que estaria por trás dessa movimentação russa
01:31contra um país que faz parte da OTAN?
01:36Eu acho que tem algumas coisas que não estão muito claras.
01:38Pois bem, Daniel, por um lado, existe uma certa interpretação
01:46de que essa incursão de drones que ocorreram nessa última semana na Polônia,
01:55drones que teriam vindo da Ucrânia de origem russa,
01:58estariam sinalizando uma espécie de teste da Rússia
02:03a respeito das capacidades de sistemas de identificação aéreo da OTAN
02:10e também da própria Polônia,
02:13assim como também da capacidade de organização da Aliança Atlântica
02:18perante uma ameaça ao bloco.
02:22Por outro lado, as suspeitas de que a Rússia estaria planejando
02:28com esse tipo de situação um ataque de maior escala na Europa,
02:34ela é bastante controversa, dado que a Rússia, no presente momento,
02:39já tem empregado um grande número de recursos humanos e financeiros
02:44apenas para conseguir o controle de cerca de 20% do território da Ucrânia.
02:53Isso é um alto custo.
02:54Então, a gente tem vivenciado uma série de sinais mistos
02:58e como parte também desses sinais mistos
03:01estão esses exercícios planejados na Bielorrússia,
03:07exercícios chamados ZAPAD, que quer dizer Ocidente em russo,
03:11e que ocorrem a cada quatro anos.
03:14Dessa vez, com um número menor de contingentes,
03:17segundo Alexander Lukashenko, que é o líder belorrusso,
03:21esse exercício vai contar com cerca de 13 mil soldados,
03:26o que é um número bastante inferior ao número que a gente presenciou em 2021,
03:32pouco antes da invasão da Ucrânia.
03:35Pois é, agora, professor, duas questões.
03:38Queria pedir que o senhor abordasse.
03:39Há leituras que indicam que esse seria um recado aos países da OTAN
03:44que seguem colaborando, de alguma maneira, com a Ucrânia.
03:48Eu acho que é preciso considerar também esse cenário.
03:52E queria uma análise sobre a Polônia,
03:54um país que faz fronteira com a Rússia,
03:58mas que, nos últimos anos, investiu demais,
04:02inclusive, nas suas forças armadas.
04:04Que Polônia é essa que divide território, que faz fronteira com a Rússia, hein, professor?
04:13A Polônia, de todos os países do leste europeu
04:18e dos países que são relativamente vizinhos à Rússia,
04:23é um país altamente preparado do ponto de vista militar.
04:27É um país que, desde 2022,
04:32veio aumentando significativamente os seus gastos com defesa,
04:36chegando a ultrapassar o limiar acordado dentro da OTAN
04:42de 2% do PIB com gastos militares.
04:48A Polônia tem uma posição também geográfica bastante complexa,
04:52já foi alvo na sua própria história
04:55de incursões vindas do leste, vindas do oeste.
05:00Então, há, sim, uma razão de preocupação da Polônia
05:04em relação a essa incursão que ocorreu de drones no seu espaço aéreo,
05:10como também da própria guerra na Ucrânia.
05:13A Ucrânia é vizinha da Polônia,
05:15tem uma grande fronteira territorial entre os dois países,
05:18e é através do território da Polônia, inclusive,
05:22que boa parte dos equipamentos militares ocidentais
05:25chegam a Kiev, por via terrestre.
05:29Então, há uma preocupação constante da Polônia a esse respeito,
05:33e é por isso que ela é um dos estados mais preparados
05:36para uma eventualidade de um conflito
05:38que, na minha visão, é bastante difícil nesse momento.
05:41Valdir Bezerra, professor de Relações Internacionais,
05:44conversando ao vivo aqui com a gente.
05:46Professor, peço licença, o Cristiano Vilela,
05:49o nosso comentarista, fará a próxima pergunta.
05:51Com você, Vilela.
05:53Professor, boa noite.
05:55Professor, nós tivemos o presidente americano,
05:58Donald Trump, enviando uma comunicação à OTAN,
06:01falando sobre a possibilidade de ampliar as restrições à Rússia,
06:07e também, de alguma forma, conclamando os estados europeus
06:12a restringirem a sua compra, o uso de petróleo russo, enfim.
06:18De que forma o senhor entende a possibilidade ou a atuação
06:22dos Estados Unidos nesse conflito?
06:24Os Estados Unidos vão encarar realmente a Rússia
06:28e, com isso, acabar, de alguma forma,
06:31fragilizando a possibilidade de um acordo na guerra com a Ucrânia,
06:34ou Donald Trump deverá se aproveitar desse momento
06:38para conseguir algum benefício político e econômico
06:41para os Estados Unidos?
06:45Muito obrigado pela pergunta, Cristiano.
06:48O presidente Trump é uma figura controversa
06:51e uma figura imprevisível.
06:53Ele também é um dos componentes
06:56que vem enviando sinais mistos
06:58a respeito da guerra na Ucrânia.
07:00Por um lado, nas suas redes sociais,
07:04ele vocifera contra a liderança russa,
07:08ele se mostra incomodado com a demora
07:11na resolução do conflito,
07:13mas, por outro lado,
07:15ele providenciou o território americano
07:19como palco de um encontro
07:21entre ele mesmo e o Vladimir Putin.
07:24A grande questão é que,
07:27embora a administração americana e a administração russa
07:31nessa oportunidade em que o Putin e o Trump se encontraram
07:34tivessem enxergado determinados entendimentos
07:37acerca da resolução do conflito,
07:41um acordo de paz ainda está muito longe de ocorrer
07:44porque ele vai precisar
07:46de um denominador mínimo comum
07:50entre quatro personagens principais.
07:52Rússia, Estados Unidos,
07:55a Ucrânia e a União Europeia.
07:57E a União Europeia, como sabemos,
07:59ela tem manifestado solidariedade com a Ucrânia
08:03e tem manifestado também o desejo
08:06de continuar apoiando a Ucrânia militar e financeiramente
08:10ainda que os Estados Unidos venham a se desengajar do conflito.
08:14Então, a situação ainda é muito complexa,
08:17o Trump continua enviando sinais mistos
08:19de diversas formas e isso acaba sendo um fator
08:23que complica ainda mais
08:24as parcas possibilidades de resolução dessa crise na Ucrânia.
08:30Pois é, queria só me aprofundar,
08:32só para a gente fechar,
08:33essa questão que envolve Donald Trump,
08:36o questionamento feito pelo Vilela,
08:38porque ele pediu aos países europeus
08:41que deixem de comprar petróleo da Rússia.
08:46Eu queria uma avaliação sobre o que acontece,
08:49qual é a relação desses países com a Rússia.
08:51É factível buscar um outro fornecedor?
08:55Você acha que em nome da estratégia,
08:59ou pelo menos da paz defendida por algumas lideranças,
09:03é possível mexer em uma dinâmica que funciona
09:06quando a gente fala do fornecimento de petróleo
09:08a esses países, professor?
09:12Desde 2022, a Europa deixou de comprar
09:16uma grande parcela do seu petróleo
09:18diretamente da Rússia.
09:20Ela compra de países que compram da Rússia.
09:25Um desses casos, por exemplo, é a Índia.
09:28A Índia, ela importa petróleo russo,
09:31ela refina o petróleo russo
09:33e depois ela revende para o mercado internacional
09:35e um dos seus destinos acabasse na própria Europa.
09:41A bem da verdade é que mais de 90% hoje
09:44do petróleo russo,
09:46ele é exportado para dois países em específico,
09:51China e Índia.
09:52E o que o Trump tem tentado elaborar
09:56é um mecanismo de sanção secundária
09:58contra esses países que têm comprado petróleo russo
10:02para diminuir os recursos de Moscou
10:05que podem ser empregados na continuidade do conflito.
10:09A Europa tem encontrado outras alternativas energéticas
10:12para as suas necessidades econômicas,
10:16também nos Estados Unidos,
10:18importando, por exemplo,
10:19o gás liquefeito por via marítima,
10:23importando a energia do Catar,
10:25importando a energia da Argélia.
10:27Então, essa ameaça do Trump com relação à Europa,
10:32ela é menos eficiente do que seria
10:34se o Trump empregasse essas ameaças,
10:37por exemplo, contra a Índia e contra a China.
10:40Perfeito.
10:41Mas, só para encerrar,
10:43mas esse petróleo que muitas vezes
10:45é exportado de Índia e China para a Europa,
10:48mas que tem o DNA da Rússia,
10:52é possível identificar?
10:53Ah, esses países abrem os documentos
10:56e explicam a esses possíveis compradores
10:59de que trata-se a origem de produto russo
11:04ou não necessariamente isso acontece?
11:05Só para a gente fechar rapidamente, professor.
11:08Essa é uma questão bastante complicada,
11:10porque quando o comércio ocorre, por exemplo,
11:12entre China e Europa,
11:15entre Índia e Europa,
11:16as empresas, os responsáveis pela exportação
11:20vão ser identificados como chineses e indianos,
11:24não como russos.
11:26A gente sabe que a origem de boa parte do petróleo
11:29exportado pela Índia é de origem russa,
11:32mas quando ele sai do território da Índia,
11:35ele sai como sendo de uma empresa indiana.
11:37Então, isso acaba complexificando esse problema,
11:40mas há sim uma lógica por trás dessa intenção
11:42do Trump de sancionar secundariamente esses países.
11:46Cabe saber se isso vai funcionar
11:48diante de estados que não têm a intenção
11:51de romper relações com Moscou,
11:54como é o caso novamente aqui da China
11:56e da própria Índia.
11:59Professor Valdir Bezerra,
12:01de Relações Internacionais,
12:02conversando ao vivo com a gente aqui na Jovem Pan.
12:04Muito obrigado pela gentileza, viu, professor?
12:06Boa noite e volte mais vezes aqui à programação.
12:10Eu que agradeço o convite. Boa noite.
12:12Boa noite.
12:13Boa noite.
12:14Boa noite.
12:15Boa noite.
12:16Boa noite.
12:17Boa noite.
12:18Boa noite.
12:19Boa noite.
12:20Boa noite.
12:21Boa noite.
12:22Boa noite.
12:23Boa noite.
12:24Boa noite.
12:25Boa noite.
12:26Boa noite.
12:27Boa noite.
12:28Boa noite.
12:29Boa noite.
12:30Boa noite.
12:31Boa noite.
12:32Boa noite.
12:33Boa noite.
12:34Boa noite.
12:35Boa noite.
12:36Boa noite.
12:37Boa noite.
12:38Boa noite.
12:39Boa noite.
12:40Boa noite.
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