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  • há 7 meses
Conhecer a cidade são Francisco de Paula RS
Transcrição
00:00Entre campos e florestas, rios e cachoeiras e diferentes tonalidades de cores, existe uma cidade onde o tempo parece passar devagar.
00:11Um lugar onde a natureza não é cenário, mas personagem, e cada chaxim, cada araucária carrega em silêncio a memória de quem aprendeu a viver em meio ao frio, ao mato e à distância.
00:24Aqui a vida tem um ritmo próprio, as tradições tropeiras ainda são compartilhadas pelos galpões, a música local tem nome de bicho e até o café da manhã pode ser apreciado com uma vista singular.
00:40São Chico é terra de gente que cuida do que tem, do cogumelo que nasce à sombra da árvore, a receita que mistura pinhão, cordeiro e muita história no mesmo prato.
00:51Hoje você vai conhecer a cidade que abriga a hospedagem mais antiga do Rio Grande do Sul, vai descobrir porque seus distritos parecem cidades com alma própria,
01:02vai entender como um vilarejo aparentemente esquecido, abriga uma antiga tradição medieval, vai fazer algumas caminhadas comigo por trilhas que permitem colher o que a terra oferece,
01:14visitar lugares construídos pensando na natureza em primeiro lugar, sentar à mesa com quem transforma o simples em experiência.
01:24E ainda vai provar o que esse imenso pedaço de chão tem de mais autêntico, o tempo, o sabor, a memória e a calma.
01:33É hora de ver o que poucos enxergam, o extra do ordinário escondido nos campos de cima da serra.
01:40São Francisco de Paula, ou São Chico, é uma joia cravada nos campos de cima da serra.
01:51Um lugar onde a história do troperismo ainda cavalga pelas memórias, onde os animais circulam livres como os ventos frios que moldam a paisagem
02:00e onde o passado não é apenas lembrado, é vivido e honrado pelos moradores.
02:06Aqui o futuro chegou com respeito.
02:09A modernidade se instalou sem arrancar raízes e tudo o que existe parece nos lembrar de algo que frequentemente esquecemos.
02:17Somos todos parte da mesma natureza.
02:20Entre águas que correm soltas e outras que descansam represadas,
02:24Entre travessias de barco, longas horas por estradas de chão,
02:29caminhadas sob os majestosos plátanos em pleno outono,
02:33ou até mesmo na simplicidade de não fazer nada,
02:37São Chico parece ter sido esculpida para ser sentida, contemplada, e não apenas vista.
02:43Mas se existe um lugar que talvez simbolize tudo isso,
02:46um espaço onde a cidade se apresenta sem pressa, com certeza é esse aqui.
02:51Eis um dos lugares mais clássicos que existem aqui na região da Serra Gaúcha,
02:57Lago São Bernardo de São Francisco de Paula.
03:00Simplesmente um dos cenários mais indescritíveis e eu acho que um dos mais bonitos que existem em toda a região.
03:06E muita gente que mora aqui nas Redondezas conhece a cidade por causa desse lugar.
03:11Mas São Chico vai muito além disso.
03:13E vai mesmo, São Chico é a 15ª maior cidade em área de Toro Rio Grande do Sul.
03:18Isso não é só um dado, é um convite.
03:22Porque aqui não existe pressa, não se percorre São Chico, se vive São Chico aos poucos.
03:27E mesmo que eu quisesse mostrar tudo, não daria.
03:30Nem num dia, nem num final de semana, quem sabe nem numa vida inteira.
03:35É um lugar feito pra sentir, pra entrar em cada canto como quem quer descobrir um segredo
03:40e se deixar surpreender devagar.
03:42Aliás, aqui, a cada estação as cores mudam e com elas muda também a mensagem que a cidade parece querer nos passar.
03:50E se as cores mudam com as estações, o cenário também se altera a cada curva.
03:55Não é difícil entender por que tanta gente vem até aqui pra desconectar,
03:59respirar mais fundo ou simplesmente observar o que sempre esteve lá.
04:03São Francisco de Paula fica do lado de Gramado e Canela e muita gente não vem pra cá porque não sabe o que tem aqui.
04:12Mas eu te digo, se tem uma cidade que é realmente natural pra quem gosta de respirar o ar puro
04:17e tá em contato com a natureza, São Francisco de Paula com certeza é esse lugar.
04:23Aqui onde a gente tá é só um exemplo disso tudo.
04:25Tem tantos outros lugares que a gente nem vai conseguir mostrar nesse documentário,
04:31mas que ainda assim, a cada curva, a cada lugar que a gente vai, sempre encantam nossos olhos.
04:37E a gente leva um pouco de experiência em cada pedaço.
04:42São Chico pertence aos Campos de Cima da Serra, uma região que já exploramos em outros documentários.
04:48Aqui, os enormes pinheiros ainda reinam em absoluto junto às águas
04:52que escorrem como se nunca tivessem pressa de chegar
04:55e os chachins que crescem com um tamanho a paciência que seria quase impossível de explicar.
05:01Sabe quantos centímetros cresce um chachim por ano?
05:03Me diz.
05:06Dois centímetros?
05:08Por ano.
05:08Tem uma coisa que é louca, assim, os biólogos, né, as pessoas apaixonadas por agrofloresta,
05:15eles falam só nome técnico, certo?
05:18Mas eu converso com eles, eu digo que a natureza fala.
05:21E a natureza, quando você diz que um chachim cresce dois centímetros ao ano,
05:27essa informação tu levou pra vida, né?
05:29Nunca mais esquece.
05:30Agora, se eu falar o nome técnico do chachim científico, eu nem sei, não consigo falar.
05:37Tu não vai associar...
05:38Agora, pra qualquer pessoa, você vai dizer assim, bah, cresce dois centímetros por ano.
05:42Vamos medir aquele, tem dois metros?
05:45Não, dois não.
05:45Se tem dois metros, são cem anos.
05:49Cem anos numa árvore, duzentos noutra, trezentos mais à frente,
05:54muito mais longevas do que muitos de nós jamais conheceremos.
05:58E assim se forma uma floresta onde o tempo criou raízes.
06:02Uma história que simplesmente nunca caberá num livro porque ela ainda vive.
06:07E como se o verde não fosse suficiente, São Chico também é moldada pelo azul das águas,
06:13das cachoeiras, dos lagos e também das trilhas que chamam a desacelerar e contemplar cada centímetro de chão.
06:22Aliás, contemplar.
06:23Tudo parece ter sido feito com base nessa palavra.
06:27Porque aqui a natureza não tá só em volta.
06:30Ela tá no jeito de viver, no ritmo das coisas e até no silêncio que preenche qualquer espaço em branco.
06:39Se tem um lugar que a natureza caprichou,
06:44é esse lugar.
06:45Se chama São Francisco de Paula.
06:46É curioso pensar que, num território tão vasto,
06:52campos abertos, coxilhas e florestas,
06:55consigam dividir espaço com uma biodiversidade tão rica.
06:58Por aqui o gado abusa do seu interminável espaço.
07:02As aves exploram o céu claro que traz o vento frio da serra
07:06e o ser humano parece ter aprendido a conviver e não dominar.
07:11Pra gente tudo pode parecer novo,
07:12mas acredite quando eu digo que aqui há tanta história.
07:16Muito mais do que imaginamos que vai há tempos antes mesmo de existir uma ideia clara do que é o Brasil de hoje.
07:23São Francisco de Paula é uma cidade antiga.
07:25Em 1645, já um tropeiro passava pelo povoado de cima da serra.
07:32E quando se fala em povoado de cima da serra,
07:34a gente pressupõe casas, um pequeno comércio, uma pequena capela.
07:38Então, desde lá, São Francisco de Paula começou a lidar com a tradição gaúcha.
07:43O nosso tradicionismo aqui é um tradicionismo muito forte.
07:48Ele não se prende tanto às danças, não se prende tanto à história,
07:54mas à parte campeira que é realmente muito forte.
07:58A história ainda pode ser vista nos monumentos, nos prédios antigos,
08:03nas memórias guardadas em cada lado que se observa.
08:06Mas ela também se manifesta de outras formas.
08:09Em São Chico, até a música parece vir da natureza,
08:13porque existe uma expressão artística que nasceu justamente
08:17dessa convivência tão íntima do homem com o animal.
08:21Um ritmo inspirado num bicho típico da região,
08:24que imita seus passos e seus sons, como se o mato tivesse virado melodia.
08:29Nós temos aqui uma música, uma marca, vamos dizer assim, o bugio.
08:36A princípio, ele é o único ritmo que realmente é gaúcho,
08:41é do Rio Grande do Sul, o único ritmo genuíno do Rio Grande do Sul.
08:45É uma música que imita o andar do bicho, do primata.
08:50Antigamente, eles olhavam e o bicho passando de garo em galho,
08:55andando de lado, e eles introduziram junto com a bacharia da gaita,
09:01que tem esse ronco mais grave, porque o bugio, quando está no mato,
09:04principalmente quando vai chover, ele ronca bem alto.
09:07E na bacharia da gaita, eles reproduziram,
09:10junto com o passo do bugio, o ronco do bugio.
09:17Bugio nasceu lá nas bodegas do Joá,
09:20um distrito que tem aqui em São Francisco de Paula,
09:22através de um tocador de gaita, Virgílio Pinheiro,
09:28que vendo o bugio andar no chão,
09:32ele pretendeu, então, tirar uma música imitando o andar dele com o jogo de fora.
09:38Para quem desconhece, o bugio, também conhecido como
09:41macaco uivador guariba ou barbado,
09:43é um primata típico das Américas do Sul e central
09:46encontrado nas matas do Brasil, do Paraguai e da Argentina.
09:50O seu som é inconfundível.
09:52Um ronco grave que atravessa a floresta,
09:55principalmente antes da chuva.
10:06E foi esse som, esse comportamento quase teatral do animal,
10:10que inspirou o ritmo mais autêntico do Rio Grande do Sul
10:13e que em São Francisco de Paula virou música,
10:16virou identidade e virou festival.
10:19Vamos executar agora um bugio que,
10:23com o dinome Levanta Bugio,
10:24o primeiro bugio campeão do festival,
10:27ronco do bugio aqui de São Francisco de Paula.
10:30Fora das matas, o bugio mais conhecido
10:33é o popular Casamento da Doralice,
10:35dos irmãos Bertucci, filhos ilustres de São Chico,
10:38um clássico que embala os bailes gaúchos por todo o estado.
10:42No documentário de Cambará do Sul,
10:44a gente dançou ao som dessa mesma música
10:46sem nem imaginar que estávamos ouvindo
10:49uma das composições mais importantes da cultura sul-riograndense.
10:53Em São Francisco de Paula,
10:55o tradicionalismo não é discurso,
10:57é vivência.
10:58Ele está na música,
10:59na dança,
11:00no campo,
11:01no jeito de falar e de receber.
11:03E quando a gente se dá conta,
11:05já está pesquisando mais,
11:07entendendo mais
11:07e se sentindo um pouco parte disso tudo também.
11:11Apesar de tanta natureza e tanta história,
11:14ainda muito sobre São Chico passa despercebido
11:17por aqueles que observam tudo muito rápido.
11:20Mas felizmente existem lugares
11:21que mais parecem uma miragem.
11:24Lugares que acolhem livros,
11:26memórias e curiosidades
11:27e que servem quase como portais
11:29entre eras dispostas em instantes.
11:32Da onde que veio a inspiração
11:35de construir esse lugar?
11:37Qual foi o teu motivo de fazer tudo isso?
11:41Eu percebi
11:42que a nossa história
11:44estava se perdendo.
11:49Então eu resolvi fazer essa livraria
11:52para marcar
11:53as características que nós tínhamos.
11:57Em tempos em que
11:58tudo cabe dentro de uma tela,
12:00é raro encontrar espaços
12:01que ainda valorizam o papel,
12:03o silêncio
12:04e o tempo de folhear um livro.
12:07Livrarias já são poucas
12:08e daquelas que nos convidam
12:09a desacelerar e olhar em volta,
12:12menos ainda.
12:13E quando encontramos um lugar
12:14que carrega história,
12:16arquitetura e identidade,
12:17então nos obrigamos a parar
12:19para entender melhor como as coisas são.
12:21Aqui dentro,
12:22a memória vive para contar
12:23o que acontece lá fora.
12:25desde quando os tempos eram outros
12:27e a araucária ainda era cortada
12:29e plátanos adornavam
12:31a principal rua da cidade.
12:33Eu era criança,
12:35chovia,
12:36nós viemos surto para baixo dos plátanos.
12:38levava tempo
12:40até a chuva
12:41nos bater.
12:43Hoje pouco se comenta,
12:44mas essas árvores
12:45já não são plátanos,
12:47são liquidâmbares,
12:49que aos mais desatentos
12:50pode parecer a mesma coisa,
12:52mas não é.
12:53E isso mostra como
12:54São Chico
12:55está se transformando com o tempo,
12:57desde uma época em que
12:58os campos predominavam
12:59no horizonte
13:00até a modernidade
13:01que dá lugar ao pinos
13:03e as flores.
13:04Porque as flores
13:06não fazem parte,
13:09não faziam parte
13:10da nossa cultura.
13:14Nós tínhamos ligação afetiva
13:16e econômica
13:17com o campo,
13:20com o verde do campo,
13:22não com as flores.
13:23Por isso tu não vê flores aqui.
13:26Flores nunca fizeram parte
13:27da identidade original de São Chico.
13:29A relação daqui
13:30sempre foi com o campo,
13:31com o verde bruto.
13:32Com aquilo que alimentava
13:34e dava sustento
13:35e não com o que enfeitava.
13:37E realmente,
13:38talvez,
13:39elas ainda sejam raras,
13:40já que o solo
13:41e o clima não facilitam.
13:43Mas foi justamente
13:44nesse contraste
13:45que a cidade surpreendeu.
13:47Porque mesmo onde
13:48ninguém esperava cor,
13:50São Chico resolveu florescer.
13:52Hoje a gente pode dizer
13:53que é o maior parque de flor,
13:55somos o maior parque de flor
13:56das Américas.
13:57No formato que a gente trabalha
13:59é os 365 dias do ano,
14:01eu acredito que a gente
14:03poderia dizer
14:04que o maior do mundo.
14:06É difícil imaginar
14:07que o maior parque
14:08de flores das Américas
14:09tenha nascido
14:10justamente aqui,
14:12num lugar onde as flores
14:13não eram parte
14:14da paisagem
14:14nem da cultura.
14:16Mas talvez o mais bonito
14:17dessa história
14:18nem seja a dimensão
14:19toda desse parque,
14:20mas sim o motivo
14:21pelo qual ele foi criado
14:23exatamente onde ele está.
14:25quando os proprietários
14:26vieram para essa região
14:27e procurando terras
14:28para fazer o parque,
14:30eles entraram na parte
14:31da mata ali assim,
14:32e fizeram uma oração
14:34pedindo um sinal
14:34para Deus
14:35que se fosse aqui
14:36o local do parque.
14:37Nisso veio uma revoada
14:39de borboleta branca
14:40da mata ali.
14:41Isso ali foi um sinal
14:42divino para eles.
14:43Eles compraram as terras
14:44aqui por causa
14:45das borboletas
14:46e fizeram um monumento
14:48em homenagem a elas.
14:48Em homenagem a borboleta,
14:49isso.
14:50E aqui sempre vai ser
14:51branca as flores,
14:52porque as borboletas
14:52que eles viram no dia
14:53ali era branca.
14:55Foram algumas borboletas
14:56que deram o sinal
14:57e depois disso
14:58milhões de flores vieram.
15:01Aquilo que começou
15:02com uma prece
15:03se tornou num projeto
15:04gigantesco
15:05capaz de mudar
15:06a paisagem,
15:07a percepção
15:08e o próprio jeito
15:09de enxergar São Chico.
15:11Hoje a gente fala
15:12em mais de 300 espécies,
15:15e a cada estação
15:19nós temos duas estações
15:20bem definidas aqui,
15:21que é inverno e verão.
15:23Então passa mais ou menos
15:24um milhão,
15:25um milhão e duzentos mil
15:26mudos de flor de estação.
15:28Mas hoje se for contabilizar,
15:30já passou o quê?
15:31Mais de dez milhões.
15:32A cada estação
15:33o parque se transforma,
15:35novas flores
15:36são plantadas,
15:37cores se renovam
15:38e o cenário muda
15:40como quem vira
15:41a página de um livro.
15:42Aqui há espécies
15:43que vieram do mundo todo,
15:45assim como inúmeras nativas
15:47do Rio Grande do Sul
15:48e do Brasil.
15:48Mas o que mais chama
15:50atenção é o cuidado.
15:52O mesmo cuidado
15:52que o serrano
15:53sempre teve com o campo,
15:55hoje se tem
15:56com as flores.
15:57Então a gente tem sim
15:58uma expressão
16:01de algumas plantas
16:02que são exóticas,
16:03o exemplo do ginkgo biloba,
16:04o ácer,
16:06o liquidumbre,
16:06mas a fatia maior
16:08é representada
16:09pelas espécies nativas
16:11aqui mesmo.
16:12Que a gente precisa
16:13fazer com que o público
16:15entenda que também
16:16há beleza
16:16nesse tipo de material,
16:18o que é nosso daqui.
16:19Então assim,
16:20também tem flor,
16:21também é bonito.
16:23Algumas espécies
16:24que a gente tem aqui
16:24são melíferas,
16:26então a região
16:29em todo
16:30por também
16:30ter uma expressão
16:32na produção apícola.
16:34E quando tudo
16:35parece planejado
16:36pelo ser humano,
16:37a natureza dá um passo
16:38à frente
16:39e mostra que também
16:40sabe cuidar de si.
16:42Em meio a tanta flor,
16:44há um espaço reservado
16:45para quem faz o trabalho
16:46mais silencioso
16:47de todos.
16:48As abelhas nativas
16:49que circulam
16:50livremente pelo parque.
16:52Essa daqui
16:52é uma das espécies
16:53sem ferrão, né?
16:54Que nós temos em nativa.
16:56Essa é uma das espécies,
16:57é a mandoria.
16:58Essa não é tão pequena
16:59assim, não.
17:00E essas abelhas,
17:01elas, obviamente,
17:02elas usam
17:03das flores que tem aqui.
17:05Ah, sim,
17:05nós temos aqui
17:06para isso,
17:06para polinização.
17:07Não há produção comercial,
17:09não adianta insistir.
17:10O mel que elas fazem
17:11é única
17:12e exclusivamente
17:13só delas.
17:15É uma forma simples,
17:16mas poderosa
17:17de deixar o ambiente
17:18funcionar
17:18por conta própria,
17:20respeitando o ritmo
17:21natural das coisas.
17:27Nossa,
17:27é bem geladinho ainda, né?
17:28É, sim.
17:29Ele é mais líquido, né?
17:30Também que...
17:31E ele não é muito...
17:31Nossa, ele faz a boca
17:33salivar bastante.
17:34Eu não tenho.
17:35Hoje,
17:35uma pequena parte
17:36do território de São Chico
17:38floresce de um jeito novo,
17:40mas esse é um caso raro.
17:41A maior transformação
17:43do campo por aqui
17:44não veio com as flores,
17:46mas sim com árvores
17:47trazidas de fora
17:48e com elas
17:49o cenário
17:49mudou para sempre.
17:51Quando proibiram
17:52a venda
17:53da araucária,
17:55eles trouxeram
17:56outra árvore
17:56para substituir
17:57a araucária
17:58e essa árvore
18:00foi o pinus.
18:02E com a chegada
18:03do pinus,
18:05terminou o nosso campo.
18:08O pinus chegou
18:09como um substituto
18:10da araucária
18:11e consequentemente
18:12com ele
18:13os campos de cima
18:14da serra mudaram.
18:15Mas a natureza
18:16como sempre
18:17achou um jeito
18:17de se reinventar.
18:19Do que parecia
18:20um cenário considerado
18:21morto
18:22para muitos
18:23deu vida
18:23a um novo ecossistema
18:25porque logo ali
18:26debaixo da palha
18:27úmida do pinus
18:29brotou algo raro,
18:31delicado
18:31e extremamente valioso
18:33que ainda está
18:34sendo descoberto.
18:35Aqui dependendo da época
18:36a gente acharia
18:37portine, tá?
18:38Esses pinus
18:39não foram plantados
18:40aqui.
18:41É o vento,
18:42é a chuva
18:42que vai trazendo,
18:45né?
18:45Que é a polinização.
18:47Tá vendo que
18:48esse é o chão
18:49perfeito, tá?
18:51Esse é o solo
18:52onde vai desenvolver
18:54que você vai ter cogumelo.
18:57E agora tu imagina
18:58uma mata
18:59que a cada três metros
19:01tem um pinus plantado.
19:02é uma mina.
19:05É uma mina, né?
19:06O cogumelo
19:07que brota
19:07sobre o pinus
19:08é selvagem,
19:09tem nome
19:10e um avantajado
19:11tamanho.
19:12É o portine,
19:13o rei dos cogumelos
19:14como é conhecido
19:15mundo afora.
19:16Super valorizado
19:17pela alta gastronomia
19:18costuma ser encontrado
19:20em locais úmidos,
19:22sombreados
19:22e debaixo
19:23de árvores
19:24como pinus
19:24durante o outono.
19:26No Brasil
19:26pode-se dizer
19:27que São Chico
19:28é onde ele aparece
19:29com mais força
19:30porque aqui
19:31o que virou
19:32assunto de debate
19:33para muitos,
19:34o reflorestamento
19:35com pinus,
19:36se transformou
19:36no solo ideal
19:37para uma das maiores
19:39iguarias da cozinha
19:40de território.
19:42Dá para se dizer
19:42que quem vive
19:43aqui em São Chico
19:44e arredores
19:45é abençoado
19:46porque tu pode
19:47ter o portine fresco
19:48para comer em casa
19:50sem precisar
19:51ter que comprar
19:52ele desidratado.
19:54Sim.
19:54Porque em outra região
19:55do Brasil
19:55onde que tu encontra isso?
19:57Sim, sim.
19:58Não, é uma coisa
19:58que a gente só vai ter
19:59nas matas
20:00que tem
20:01reflorestamento
20:02de pinus.
20:03Então você encontra
20:04também na Serra Catarinense
20:06tem um pouco
20:08hoje a Serra
20:09de Campos do Jordão
20:10já tem
20:10mas São Chico
20:12em território
20:14é o maior
20:15e em área
20:17de cobertura
20:19de reflorestamento
20:19também é o maior.
20:21Então assim
20:22se a gente fosse dizer
20:22São Chico
20:23seria a capital
20:24do portine
20:24no Rio Grande do Sul.
20:25O portine
20:26pode até ser
20:26o mais famoso
20:27do reino dos cogumelos
20:29na região
20:29mas é só
20:30entrar na mata nativa
20:32para descobrir
20:32que ele está longe
20:33de ser o único.
20:35São Francisco de Paula
20:36é um território
20:36onde o chão inteiro
20:37parece falar
20:38em cada galho caído
20:40cada tronco úmido
20:41existe vida
20:43em transformação.
20:44Por aqui
20:44os cogumelos
20:45brotam dos lugares
20:46mais improváveis
20:47e quem aprende
20:49a enxergar
20:49nunca mais esquece.
20:51Ah, e aqui
20:51quando vocês vão fazer
20:52a caça
20:52aos cogumelos
20:53vocês estão olhando
20:54para todo lugar
20:55o tempo todo.
20:56Tchê
20:58na verdade
20:59você faz a caça
21:00e está olhando
21:01para todo lugar
21:01o tempo todo
21:02mas
21:03também
21:04o teu olho
21:06começa
21:06a perceber
21:08a ter esse olhar
21:11dentro da propriedade
21:13não dentro da propriedade
21:15em todos os lugares
21:16eu tenho amigo meu
21:16que anda
21:17pela estrada
21:18cogumelo
21:19onde você está
21:21enxergando tudo isso
21:22porque eles já vão
21:23associando
21:25está vendo isso aqui
21:26isso é a umidade
21:28são os fungos
21:30que uma mata
21:31como essa tem
21:32isso é o que vai dando
21:34o clima propício
21:35para o cogumelo
21:36está vendo que são
21:37galhos caídos
21:39esse galho
21:41na verdade
21:41a umidade dele
21:43a casca
21:43tudo isso vai começar
21:44a trazer
21:44outro micro-organismo
21:46para esse galho
21:47o que as pessoas fazem
21:49muitas vezes
21:50vão pegar essa madeira
21:51e vão queimar
21:52nós deixamos toda ela
21:53no nosso chão
21:55a gente não mexe
21:56essa orelha de pau
21:57é a que
21:58você usa
22:00você tem dois usos
22:01na culinária
22:01um uso na culinária
22:02que é ralar
22:03como se você estivesse
22:04ralando um queijo
22:05serrano
22:05ralar isso aí?
22:06é
22:07sabe quando você rala
22:08uma massa
22:08um queijo em cima
22:10de uma massa
22:10é o mesmo princípio
22:12e
22:12quando eles secam
22:14
22:15que aqui
22:16tu começa a perceber
22:18ó
22:19a umidade
22:20
22:20tu começa a perceber
22:22a umidade
22:22quando ele seca
22:24é o que você
22:25trabalha também
22:26como
22:27os artistas plásticos
22:29também usam
22:29nas suas obras
22:30esse cogumelo aqui
22:32dá pra comer
22:32ele é comestível
22:34mas por que?
22:35ralando
22:35só ralando
22:36só ralando
22:37porque ele é tão duro
22:39que se tu vai quebrar
22:40teu dente
22:40não faria sentido algum
22:42mas quando você rala
22:43ele é comestível
22:44
22:45esse daqui
22:45dá pra
22:45pode?
22:46poxa
22:46olha que fantástico isso
22:48
22:48a natureza
22:49nós estamos falando de
22:50a gente está falando de uma
22:53araucária
22:54
22:54um galho de araucária
22:55olha que genial né
22:57nós estamos falando
22:58aqui nós vamos ter
22:59samambaia
22:59nós vamos ter musgo
23:00e nós vamos ter
23:01cogumelo
23:02olha aqui ó
23:03esse já vai
23:05já está passado
23:06isso aqui é genial
23:07
23:07que coisa estranha
23:10de pegar na mão
23:10isso
23:11dá pra arrancar ele?
23:12claro
23:12tira a larvinha do lado
23:14e vamos ser felizes
23:14aí pronto
23:16aqui ó
23:17nossa ela se desfez toda já
23:19aqui ó
23:20ó
23:20isso é maravilhoso
23:23mas aqui está passada não?
23:24não
23:24essas todas que a gente está pegando aqui
23:27não são as mesmas né
23:28essa aqui é diferente
23:28dá pra tirar?
23:29pode
23:30tu já
23:30ó
23:31sabe quando eu falo
23:32com esse cogumelo
23:34eu faço um ravioli
23:36com esse que a gente está pegando hoje
23:39exatamente
23:39eu faço um ravioli com ele
23:41uma coisa é você conhecer um ingrediente
23:43na prateleira do supermercado
23:45outra completamente diferente
23:46é encontrá-lo na mata
23:48identificá-lo com segurança
23:50prepará-lo logo ali mesmo
23:52e provar um sabor
23:53que até então
23:54parecia vir de outro mundo
23:55aí tu lava?
23:56tô lavando eles
23:57dá pra passar água
23:59não tem problema?
24:00
24:00eu poderia só estar pincelando ele
24:02tirando o excesso de terra né?
24:04então não é um problema
24:05passar ele na água
24:06quando a gente compra no mercado
24:07por exemplo?
24:08não
24:08na verdade
24:09se você for usar
24:10passar ele na água
24:11o que eu faria
24:12nessa água?
24:14eu usaria essa água
24:15do cogumelo depois
24:16na cocção
24:17tá aí um evento legal
24:20de fazer no meio do mato
24:21com alguém que conhece
24:23cogumelo
24:25vamos dizer que eu não sou
24:27o grande
24:27o maior especialista
24:29nos cogumelos
24:31o que eu sou
24:32é um pouquinho mais
24:33preparado
24:34a gente é um pouquinho
24:37mais preparado
24:38
24:38então
24:38a gente é um pouquinho
24:41mais preparado
24:43pra te enrolar um pouco
24:44salzinho e pimenta
24:47e agora
24:48vamos deixar
24:50olha como ele já vai mudando
24:52tá pra comer?
24:54calma o coração
24:55agora tu te diverte
24:59isso aqui é o marshmallow
25:00do campo?
25:01bah
25:02mas tu foi chique
25:03agora né
25:03gostei de te conhecer
25:07marshmallow do campo
25:10foi genial né
25:11vai ter adicionado
25:11no facebook
25:12como é engraçado
25:14tu comer uma coisa
25:14que tu acabou de tirar
25:15porque pra mim
25:16o cogumelo
25:16tem alguém
25:18específico no mundo
25:19que vai lá
25:20e cria em laboratório
25:21pra tu comer
25:21mas tu pegar
25:22do meio da natureza
25:23sim
25:23ó o cogumelo também
25:26sim
25:27se morre
25:28morre os dois
25:29é verdade
25:32tu viu que aqui
25:33a gente tem a fumaça
25:35da grinfa né
25:35claro que
25:38quer ver uma outra coisa
25:39um outro movimento
25:40eu amo fazer isso
25:42
25:43quando a gente assa a carne
25:45a gente faz o dark né
25:47o dark é quando a gente joga
25:49na
25:50na brasa né
25:52mas é que nem sapecar pinhão
25:54quase como sapecar pinhão
25:56sabe quantas vezes
25:57eu fiz isso com cogumelo
25:58essa é a primeira
26:00a primeira
26:00sabe porque
26:02a gente assa no fogo de chão
26:03nem ideia
26:05porque
26:05o jesuíta
26:07trouxe pra nós
26:08o que
26:08o jesuíta
26:11nos trouxe
26:11o
26:12gado
26:13o gado né
26:14o índio começou
26:16a preparar esse gado
26:17certo
26:18mas ele não tinha o conhecimento
26:19do sal
26:20quando ele não tem o conhecimento
26:21do sal
26:21o que que ele faz
26:22ele assa longe do fogo
26:24porque ele já usava isso
26:25em outras
26:26caças
26:27ele assa longe do fogo
26:29pra que o suco da carne
26:30reidrate
26:31e aí com isso
26:33você tem a suculência
26:34e sabor
26:35agora
26:35olha que chique isso hein
26:39a gente vai preparar
26:40a gente comeu um cogumelo
26:41olha que agora
26:44tu vai ter uma outra textura
26:46na boca
26:46cuidado que tá quente hein
26:47é o mesmo alimento
26:49você viu que deu outro sabor?
26:58total
26:58sabe por que?
27:01porque a hora que a gente
27:02colocou ele aqui
27:03ele foi encapsulado
27:05então
27:06tu viu que ele
27:07ele manteve
27:08umidade na boca?
27:10uhum
27:11verdade
27:12hã?
27:13ele manteve a umidade
27:14na boca né
27:15uhum
27:16agora a gente acabou
27:16de criar um prato
27:17e você
27:17quanto é que a gente
27:20pode cobrar pra isso hein?
27:21ah depende de experiência
27:22não
27:22com a experiência
27:23no meio da mata
27:24assim que a gente fez
27:25pegando o cogumelo
27:26lavando na água do rio
27:29aqui
27:29assando na grifa
27:30não tem preço
27:32não tem preço
27:33também não tem mágica
27:35mas tem conhecimento
27:36o Marcos é chefe
27:38conhece bem esse território
27:39e os fungos
27:40que ele oferece
27:41com ele até o que
27:42parecia apenas um galho
27:44úmido vira prato
27:45mas não invente de sair
27:47por aí procurando
27:48qualquer cogumelo
27:49pra comer
27:49é importante conhecer
27:51esse reino
27:51porque como dizem
27:52todos são comestíveis
27:54mas alguns só uma vez
27:55sim boa parte deles
27:57são venenosos
27:58e como é que tu sabe
27:59que o cogumelo
28:00ele é fresco?
28:02eu digo que ele já
28:02não tá passado
28:03aqui ó
28:04quando ele fica mais amarelo
28:05com a textura
28:06a umidade
28:07aqui ele já tá claro
28:09completamente passado
28:10tu consegue identificar
28:12umidade
28:12é importante
28:13
28:14as vezes amarelo
28:15assim ó
28:15esse aqui
28:16já tá um cogumelo
28:17que já passou né
28:18aqui ó
28:19olha só
28:19põe a mão
28:20pra você ver a textura
28:21é maravilhosa né
28:22e tu viu essa umidade
28:24é a umidade
28:25ó
28:25da natureza
28:26isso aqui a gente coloca
28:28muitas vezes
28:30quando eu tenho essa umidade
28:31eu nem coloco gordura
28:32
28:32numa frigideira
28:34a própria umidade dele
28:36já é suficiente
28:37que eu vou tá tostando ele
28:39ou vou tá usando o calor
28:40pra
28:41dependendo do que eu quero
28:42posso usá-lo frio
28:44posso usá-lo numa salada
28:45porque o que acontece
28:47a gente nasceu
28:48na indústria do enlatado né
28:50que era o champignon
28:51pra fazer estrogonofe né
28:53essa é a nossa cultura
28:55de cogumelo
28:55depois de provar
28:57alguns cogumelos
28:58recém colhidos
28:58e preparados ali mesmo
29:00fica impossível
29:01não pensar
29:01em tudo o que
29:02a terra daqui
29:03tem pra oferecer
29:04São Chico
29:05não é só um destino
29:07de beleza
29:07é um território
29:08de transformação
29:09e a gastronomia
29:10tem sido uma das formas
29:12mais bonitas
29:13de contar essa história
29:14São Chico
29:15dá pra perceber
29:16que é uma cidade
29:16que tá se desenvolvendo
29:18nessa questão
29:19gastronômica mesmo
29:20eu digo
29:21de coisas da terra
29:22do pinhão
29:23do cogumelo
29:25da bergamota
29:25que tu falou antes
29:26da batata
29:27da batata principalmente
29:28do queijo serrano
29:30do queijo serrano
29:31então tem muita coisa
29:31que dá pra aproveitar
29:32aqui na cidade
29:33que é da própria região
29:35dos cantos de cima
29:35é
29:36o Rui Barbo
29:37que agora
29:37é maravilhoso
29:39que se usa muito
29:40na Europa
29:41que a gente usa
29:41na sobremesa
29:42inclusive
29:42o que que acontece
29:44a gente tem que entender
29:46que a cozinha
29:47de território
29:48é o momento
29:50ela não tem fronteira
29:51ela não é cozinha regional
29:52cozinha típica
29:53a cozinha de território
29:54é o que aquele território
29:56produz naquele momento
29:57então a gente tem
29:59que aproveitar isso
30:00falar de cozinha
30:01de território
30:02é entender
30:03que o ingrediente
30:03nunca tá sozinho
30:04ele carrega clima
30:06relevo
30:07cultura
30:07e história no sabor
30:09e São Chico
30:10é só uma peça
30:11de um quebra-cabeça
30:12muito maior
30:12na região serrana
30:14do Rio Grande do Sul
30:15o que não falta
30:16é diversidade
30:16em poucos quilômetros
30:18tudo muda
30:19desde a paisagem
30:20ao sotaque
30:21até o prato
30:22e o tempero
30:23então quando eu falo
30:25dos campos de cima da serra
30:26nós temos 14 municípios
30:27que assim
30:27a gente consegue fazer
30:28um menu inteiro
30:30de 10, 20, 30 pratos
30:32só com ingredientes
30:33da região
30:34porque tu vai ter
30:36uva
30:36tu vai ter maçã
30:38você vai ter pera
30:39você vai ter cogumelo
30:40você vai ter queijo
30:41você vai ter pinhão
30:42você vai ter batata
30:43você vai ter gila
30:44tá tudo ali
30:48então
30:49a gente pode ter uma cozinha
30:51o termo às vezes
30:53é
30:53até prepotente
30:56única
30:56porque isso só tem
30:58nesse ecossistema
30:59o Rio Grande do Sul
31:00é maravilhoso por isso
31:01a gente sai
31:02de São Chico
31:03que tem uma mistura
31:04de português
31:05de italiano
31:06de alemão
31:06chega em Canela
31:08que é mais alemão e italiano
31:09chega em Gramado
31:10mais alemão e italiano
31:11vai a Nova Petrópolis
31:13alemão
31:14chegou em Galópolis
31:16italiano
31:17italiano
31:17chegou em Caxias
31:18italiano
31:19mas se tu pegar pra esquerda
31:20tu vai afeliz
31:21sabe
31:22olha
31:22qual outra região do Brasil
31:24em distâncias tão pequenas
31:26muda completamente tudo
31:28é como se fosse uma Europa reduzida
31:30sim
31:30aqui a gastronomia
31:32aqui a gastronomia não tem só uma origem
31:33ela é um reflexo da própria cidade
31:36múltipla
31:37acolhedora
31:38e cheia de surpresas
31:39tem troperismo na base
31:41influência italiana e alemã nos temperos
31:44um toque uruguaio e argentino na maneira de servir
31:47e a criatividade brasileira em tudo o que é reinventado à mesa
31:51do drink com bergamota
31:53ou erva mate
31:54ao clássico X
31:55São Chico vai do mais simples ao mais sofisticado
32:00sem nem percebermos
32:01e tudo aqui é convite
32:03pra provar devagar
32:04sem muita cerimônia
32:06e sem moderação
32:07esse é um queijo tradicional serrano
32:11maturado no vinho
32:12vamos ver se é bom isso
32:14eu nunca vou te dizer que é ruim
32:19aí tu vai ter que assistir o vídeo depois pra dizer a minha opinião de verdade
32:23bom, se você tá vendo isso, então tá aprovado
32:27é quase que um fundi serrano
32:30verdade, é isso aí
32:32bem, mas essa era só a entrada
32:35que delícia isso
32:37é legal, né?
32:39o pinhão tem um gosto
32:40ele tem um gosto característico dele mesmo
32:42o pinhão eu acho muito parecido
32:44tem com o mandioca, aipim, batata
32:47só que ele misturado com outra coisa
32:49ele se torna bem diferenciado
32:52e o molho, o caldo, ele é de frango
32:56caldo é de frango
32:57frango com pinhão
32:57é, é isso aí
32:59tá de parabéns, hein?
33:01não, obrigado
33:02depois disso nunca mais parou de chegar a comida
33:06aqui se você não tem planos pra tarde
33:08o negócio é ficar comendo sem parar
33:11aí vem um espinhaço de ovelha
33:14dessa panela de ferro tradicional
33:16espinhaço que vem da espinha dela
33:18é, é isso aí
33:20um feijão mexido
33:21o pinhão
33:23imagina que não ia ter pinhão
33:25e esse daqui
33:26uma polentinha
33:27e aí vem a paçoquinha de pinhão
33:31essa é com carne
33:33o que é esse outro?
33:34esse aqui
33:34um queijinho que eu aprendi com a minha mãe
33:38isso aqui é um queijo?
33:41queijo com queijo ali
33:41queijo com queijo
33:43com queijo
33:43com queijo
33:44e com nata
33:44e aqui a gente tem um almoço típico
33:47da culinária italiana, alemã e gaúcha
33:50porque se mistura tudo
33:53isso aqui é uma síntese do que é São Chico
33:55é verdade
33:57dá pra se dizer
33:58um pouco de cada
33:59é um pouco de cada
34:00não precisamos de muito
34:02pra entender que em São Chico
34:03onde quer que se vá
34:05a mesa farta não é exceção
34:07é regra
34:07sempre tem mais um prato vindo
34:10mais uma receita pra experimentar
34:12e mais uma história sendo servida à mesa
34:14acho que a gente tá bem alimentado
34:16hoje de meio dia, hein?
34:18acho que dá pra tirar um pouco do casaco
34:20acho que isso aqui foi uns 4 dias
34:21que a gente precisava se alimentar agora
34:23é aí
34:24o negócio
34:25eu acho que essa junção
34:26de todas essas coisas
34:27é pra não passar muito frio, né?
34:29porque a caloria veio
34:30e acredite
34:31mas não é só a fartura
34:33que impressiona por aqui
34:34porque a cidade já começa
34:36a se destacar no cenário
34:37da alta gastronomia também
34:39tanto que faz parte
34:41de um seleto grupo de restaurantes
34:43que oferecem
34:44o prato da boa lembrança
34:46um reconhecimento
34:48que vai além do sabor
34:49um legítimo selo
34:51de experiência
34:52são 99 restaurantes no Brasil
34:54que são eleitos
34:56que foram escolhidos
34:57pelos donos dos restaurantes
34:59então se eu quiser entrar hoje
35:01e não tiver vaga
35:02nesse ano ninguém vai entrar
35:03na boa lembrança
35:04alguém tem que sair
35:04ou alguém saiu
35:06por uma série de motivos
35:07então quando tu olha a parede lá
35:09a nossa parede é uma parede
35:11ainda fraquinha
35:12da boa lembrança
35:13porque a gente recém começou
35:15a gente tá no segundo ano
35:16mas tem
35:17alguns colecionadores
35:20que tem mais de 3 mil pratos
35:222.500 pratos brasileiros
35:23e 500 pratos italianos
35:25da boa lembrança
35:26então o que é o prato da boa lembrança
35:29é
35:30pra mim
35:31a maior mostra
35:33e o melhor exemplo
35:34que a gente tem
35:35de destino de turismo gastronômico
35:37porque se tu for no Brasil
35:39em um restaurante
35:40que faz parte da boa lembrança
35:42você vai ter certeza
35:43que vai ter uma boa experiência
35:44em São Chico
35:45em 2025
35:46encontramos o prato
35:47no restaurante
35:48Ana Terra do Parador Rampel
35:50mas esse não é o único lugar
35:52no Rio Grande do Sul
35:53a gente tem em Garibaldi
35:55a gente tem em Gramado
35:56a gente tem em Porto Alegre
35:58e a gente tem em São Francisco de Paula
36:00e cada um dos 99 pratos
36:03espalhados pelo Brasil
36:04tem uma receita diferente
36:06e o prato de 2025
36:08você é o primeiro a provar
36:10esse prato
36:11ele é pintado à mão
36:12pra uma artista plástica
36:15e eles executam
36:16e quando você vai embora
36:17do restaurante
36:18você leva o prato
36:19pra tua casa
36:20essa é a boa lembrança
36:21essa é a boa lembrança
36:22então esse ano
36:24a gente tá fazendo um prato
36:26dos campos de cima da serra
36:27no Ana Terra
36:27que tem dois ingredientes
36:29muito importantes
36:30um deles
36:31eu vou te pedir desculpas
36:32que eu vou pegar ele com jeitinho
36:34porque ele tá desmanchando
36:36ó
36:36se tá desmanchando
36:37é porque é bom
36:38isso é um extinco
36:39de cordeiro
36:40dos campos de cima da serra
36:42agora
36:42esse nosso nhoque
36:44é um nhoque de pinhão
36:46não pode ser
36:47nós fazemos a farinha de pinhão
36:49e a gente tá usando
36:52todos os ingredientes locais
36:54pra executar o prato
36:55que é esse nhoque de pinhão
36:58a gente usou
36:59uma manteiga
37:00de galpão
37:01que é a manteiga
37:02das nossas fazendas
37:03daqui
37:04e essa manteiga
37:05a gente faz ela
37:06mais um detalhe nosso
37:08a gente faz
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