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Em entrevista à Jovem Pan, o doutor em Ciência Política José Souza analisa a recente manobra militar dos Estados Unidos, com destróieres e tropas no Caribe para combater o narcotráfico, e questiona se a medida tem caráter intimidatório contra o presidente Nicolás Maduro.

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Transcrição
00:00Enquanto isso, a tensão militar entre a Venezuela e os Estados Unidos está cada vez maior com a chegada de navios americanos à América do Sul.
00:08Nosso convidado agora é o doutor em Ciência Política e professor de Relações Internacionais, José Souza, mais uma vez participando da programação da Jovem Pan.
00:16Bem-vindo, professor. Boa noite.
00:19Boa noite, Tiago. Um prazer falar com você.
00:21Prazer é nosso.
00:22Bom, professor, como que é possível compreender esse movimento que faz o presidente Donald Trump?
00:29Porque muita gente fala que o pano de fundo é a questão comercial, a questão do petróleo da Venezuela, mas é também uma forma de intimidação, professor.
00:38O que é possível esperar desse movimento?
00:40Porque não se fala, né? A comparação do poderio militar entre um país e outro é algo discrepante, não é, professor?
00:47Com certeza. São países de capacidades militares discrepantes.
00:54Eu acho que é um pouco da junção, da discussão que vocês estavam fazendo justamente agora há pouco, né?
01:02Como que a região está articulada em relação a uma série de sensibilidades e vulnerabilidades fronteiriças
01:10relacionadas a narcotráfico e outras atividades aí, e ao mesmo tempo uma demonstração de força por parte dos Estados Unidos.
01:21Assim como Donald Trump tem feito em várias outras áreas, e o Tarifácio, por exemplo, é uma delas, né?
01:29Por assim dizer.
01:29Essa questão sobre uma possível ameaça à Venezuela, uma possível demonstração de força à Venezuela,
01:38vem no bojo dessas ações e demonstra interesses dos Estados Unidos em relação à própria Venezuela,
01:46mas também em relação a toda a América Latina e o tarifácio no Brasil também demonstra isso.
01:53Então, é uma política de poder por parte dos Estados Unidos, bastante ligada à personalidade do Trump,
02:03à forma que ele trata e com que ele faz política externa para os Estados Unidos,
02:09e que não é absolutamente estranha do ponto de vista histórico.
02:15Nós tivemos outros momentos nos quais os Estados Unidos se projetaram na América Latina
02:20de uma maneira bastante intervencionista, por assim dizer.
02:25Então, isso não é absolutamente estranho para nós, porém, no período recente aí,
02:30existem elementos novos e também é algo estranho de se ver no século XXI,
02:37mas a gente parece estar retornando aí a uma política de grandes potências
02:42que foi feita justamente em outros momentos históricos.
02:46Professor, vou trazer os nossos comentaristas.
02:47Próxima pergunta é de Dora Kramer.
02:49Dora?
02:50Boa noite, professor.
02:52Essa manobra militar dos Estados Unidos, ela visa, na sua visão, o objetivo dela é a Venezuela
03:00ou isso tem um objetivo mais amplo, uma intimidação à região toda ou a alguns países?
03:09E se for essa a segunda hipótese, na sua opinião, por que isso?
03:15Eu entendo que é uma questão regional.
03:20Então, a Venezuela está sendo o principal, o pivô dessa história,
03:24mas trata-se de uma questão regional de América Latina.
03:29E a gente retoma também outros momentos históricos nos quais o alinhamento da América Latina ou de países,
03:38ou a maioria dos países, ou um conjunto de países latino-americanos, estava ou diretamente nos Estados Unidos,
03:46ou de uma forma pendular, ou de uma forma hora mais alinhada, hora menos alinhada,
03:52de acordo com os interesses desses países.
03:55O próprio Brasil teve momentos de política externa que obedecia bastante os interesses nacionais,
04:04ou os ditos interesses nacionais, mas que tinham bastante lastro na soberania brasileira,
04:11num pragmatismo responsável, por assim dizer, numa tentativa de conseguir satisfação dos interesses brasileiros,
04:21sabendo que estávamos lidando com uma potência militar, econômica, uma superioridade importante.
04:32Então, a forma do Donald Trump tratar a América Latina e alguns países importantes, sobretudo o Brasil,
04:41tem sido, no mínimo, para dizer o mínimo, polêmica.
04:46E não é uma exclusividade da América Latina, ele faz isso com outras regiões e outros países no mundo,
04:52mas, no meu entendimento, se trata de uma intimidação quase que geral,
04:58e a Venezuela está sendo apenas o pivô dessa história, com a desculpa que pode ser verdadeira,
05:06que tem a ver com o narcotráfico, essas atividades ilícitas que, supostamente, a Venezuela,
05:14na visão dos Estados Unidos, na visão do governo americano, é a responsabilidade da Venezuela.
05:19Professor, a pergunta agora é de Cristiano Vilela.
05:21Vilela.
05:22Professor, boa noite.
05:23Professor, ainda explorando esse ponto, que é muito interessante, muito importante,
05:27fazendo o comparativo com a atuação dos Estados Unidos em outros momentos históricos,
05:33me parece que, em outras conjunturas, havia um desenho mais claro da ordem global, da ordem mundial,
05:41e os Estados Unidos, de alguma forma, se utilizavam, inclusive, de outras estruturas militares,
05:46poderio militar, estruturas econômicas para atração de aliados e situações como essa.
05:52Nesse contexto agora, talvez sem o uso de uma estrutura militar efetivamente falando
05:58e também sem a concessão de eventuais benefícios a aliados,
06:02esse tipo de situação que está sendo promovida pelo governo atual
06:06pode acabar fazendo com que determinados países da América Latina
06:10acabem caindo no colo, por exemplo, da China, do antagonista dos Estados Unidos na atualidade?
06:17Essa é uma hipótese bastante plausível.
06:23É curioso que, justamente na sua fala, a gente consegue ver que os Estados Unidos, o Donald Trump,
06:33eles estão, de certa forma, virando as costas para o multilateralismo,
06:37conhecido aí nas últimas décadas como multilateralismo.
06:41E a criação desse multilateralismo foi necessariamente algo planejado,
06:47algo desenhado com bastante cuidado.
06:51Ele foi sendo feito ao longo dos anos, sobretudo no pós-segunda guerra mundial.
06:58A gente tem todo o período de Guerra Fria,
07:00e depois da Guerra Fria teve vários elementos agregadores nesse desenho multilateral.
07:07Mas, independente desses desdobramentos,
07:11o fato é que os Estados Unidos foram grandes arquitetos desse modelo.
07:15E agora os próprios Estados Unidos estão deixando esse modelo de lado.
07:20E isso chama bastante atenção,
07:23e a gente observa que os países vão,
07:28os países da América Latina, de outras regiões do mundo,
07:30vão buscar alternativas à dependência,
07:33ou à interdependência que eles têm em relação aos Estados Unidos.
07:37Essas alternativas não são acionadas imediatamente,
07:42elas não conseguem se mudar o eixo das relações,
07:45ou os principais eixos das relações entre países de uma hora para outra,
07:50mas, com certeza, a China se torna uma alternativa aos Estados Unidos,
07:55já vem de antes.
07:56As mudanças, do ponto de vista da história,
07:59a gente observa mudanças que não levam um ano, dois anos, dez anos.
08:02Levam muito mais tempo.
08:04Mas a China vem se mostrando como essa alternativa.
08:08A gente não sabe se o movimento dos Estados Unidos
08:11vai conseguir retomar um pouco da proeminência norte-americana
08:16em relação a ser a principal referência do sistema internacional,
08:22ou se ele vai acelerar uma espécie de derrocada,
08:27de perda de referência dessa centralidade dos Estados Unidos.
08:32Então, é um momento de incerteza e instabilidade,
08:36a gente consegue ver isso nos últimos dias e meses, obviamente,
08:40mas eu entendo que os países vão, sim, procurar outras alternativas.
08:46A China vai ser uma delas.
08:47No caso da América Latina, o que se fala, até do ponto de vista
08:51dos projetos de integração regional,
08:53ou dos processos de integração regional,
08:56é que falta, e quase sempre faltou,
08:59uma articulação regional entre esses atores.
09:02Como a Dora estava dizendo,
09:04então, se vai haver um combate ao crime organizado,
09:07ao narcotráfico, ou assim por diante,
09:09a articulação regional é essencial para que isso se dê de fato.
09:15Mas os governos locais têm uma dificuldade muito grande
09:18e eu posso até dizer que o interesse de governos
09:23ou de grupos centrais dentro desses países,
09:26muitas vezes não é fazer essa articulação,
09:29fazer essa integração para o enfrentamento dessas dificuldades.
09:33Professor José Souza, de Relações Internacionais,
09:36doutor em Ciência Política também,
09:37muito obrigado pela gentileza para atender a Jovem Pan,
09:40bom fim de semana e volto sempre, professor.
09:41Muito obrigado, um ótimo final de semana a todos.
09:45Obrigado.
09:46Obrigado.
09:47Obrigado.
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