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A professora de relações internacionais da ESPM, Denise Holzhacker, avalia a possibilidade de o presidente Donald Trump autorizar ataques a instalações de drogas na Venezuela.

Denise Holzhacker explica que a ofensiva militar dos EUA, que mira o regime de Nicolás Maduro, tem um "discurso para o público interno" americano, mas é, na prática, uma ação contra um país que tem uma "forte aliança com a China".

Assista à íntegra: https://youtube.com/live/5WZo-go9qKM

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Transcrição
00:00Esse tema é porque Donald Trump avalia planos para atacar instalações de cocaína
00:04e rotas de tráfico de drogas dentro da Venezuela, afirmou uma emissora americana.
00:08O movimento amplia a presença militar dos Estados Unidos na região
00:12e dá forte sinalização de pressão à ditadura de Nicolás Maduro.
00:17E para falarmos mais a respeito sobre essa escalada das tensões na região,
00:21nós vamos conversar agora com a professora de Relações Internacionais da ESPM,
00:26Denilde Rosacker.
00:28Chega agora a professora Denise.
00:30Falei certo o seu sobrenome, a pronúncia?
00:32Professora, me corrija, por favor, se estiver equivocado.
00:35Boa noite, bem-vinda.
00:37Boa noite, Nelson. Falou corretamente, sim.
00:40Então, acertei.
00:41Professora, explica para a gente qual a sua análise sobre essa tensão
00:44que vem aumentando envolvendo Estados Unidos e Venezuela.
00:48Olha, como você colocou, é uma tensão, gera um ambiente de preocupação
00:56para todos os países da América Latina, pelo grau de possibilidade de instabilidade
01:02que pode gerar, principalmente para os países que fazem fronteira,
01:06que é o caso do Brasil, também da Colômbia, com a Venezuela.
01:10Acho que aqui a gente tem dois elementos importantes.
01:13De um lado é o Trump usando o combate ao narcotráfico,
01:19que é uma bandeira importante interna para ele,
01:23e vem sendo um dos discursos fortes que ele tem feito,
01:29que é reverter a entrada de drogas nos Estados Unidos,
01:35e aí tanto na pressão com o México, que entra a fetanil,
01:42e a cocaína que sai da América do Sul e chega nos Estados Unidos.
01:47Então, tem um discurso para o seu público interno.
01:51E, de outro lado, tem também dois fatores importantes geopolíticos.
01:58Um que é pressionar um país que tem uma forte aliança com a China
02:05e que representa uma visão anti-americana bastante densa,
02:13que é o caso da Venezuela, mas também de outros países.
02:17Também por isso essa ação vem não só na Venezuela,
02:21mas vem também uma pressão e ações contra o governo colombiano.
02:28E, de outro lado, a mudança do regime venezuelano.
02:32É algo que o Trump tentou no primeiro mandato
02:35e que agora é visto como uma necessidade por vários fatores geopolíticos,
02:42pela necessidade de acesso, de ter um governo favorável aos Estados Unidos,
02:48e também pela questão energética, que é acesso ao petróleo venezuelano.
02:54Então, essas confluências de elementos
02:57fez com que o Trump começasse a ampliar
02:59e aí colocar não só uma pressão psicológica,
03:04com o aumento da presença militar,
03:07mas também atingindo embarcações no Caribe e agora também no Pacífico.
03:14Então, um quadro bastante tenso,
03:17que a gente não sabe a que medida vai ser de uma intervenção
03:22ou apenas de manter essa pressão e gerar uma força interna
03:30para a mudança do regime venezuelano.
03:33Mas pelo volume, Nelson, de recursos mobilizados,
03:39de recursos militares e armamentos que estão sendo mobilizados,
03:45fica aí a atenção de qual vai ser o próximo passo
03:50e aí se torna mais próximo uma possível intervenção americana
03:55no território de fato, como o Trump vem afirmando.
03:59Professora Denil de Houshager,
04:02eu vou trazer agora para a nossa conversa o Diego Tavares,
04:05nosso analista, vai te fazer a próxima pergunta.
04:08Boa noite, professora Denise,
04:10um prazer conversar com a senhora aqui no JJP.
04:13Professora, o que representaria para a imagem do Brasil,
04:16que se posta como um suposto líder do Sul Global,
04:20um avanço, uma escalada desse conflito
04:23para uma incursão de fato dos Estados Unidos em território americano,
04:27ou, em última análise, uma derrubada do regime de Nicolás Maduro
04:31por parte dos americanos?
04:32Qual seria o impacto para a imagem brasileira nesse caso?
04:36Boa noite.
04:38Eu acho que tem vários impactos aqui.
04:42Acho que tem uma questão que é uma preocupação do governo brasileiro
04:47porque, dependendo de que tipo de ação for feita,
04:52o que ela pode gerar de instabilidade numa fronteira
04:57que é uma fronteira já bastante complicada para o Brasil,
05:02que é a fronteira norte.
05:04Do ponto de vista de questões de liderança,
05:11o Brasil pode,
05:14e aí eu acho que é outro fator que é importante também colocar para o público,
05:18que o governo Lula, que no primeiro momento tinha um diálogo com a Venezuela
05:24e com o Maduro,
05:26desde o ano passado a gente tem dificuldades depois das eleições,
05:31se a gente lembrar que o Brasil ficou numa situação
05:34de não declarar a eleição como fraudulenta,
05:40mas também de não reconhecer,
05:43então isso gerou um atrito entre os dois governos
05:47e a gente tem tido um distanciamento da Venezuela.
05:50Então, mais difícil, inclusive, de tentar algum tipo de mediação,
05:55que é provavelmente o que o governo brasileiro vai buscar fazer,
05:59é tentar construir algum tipo de diálogo
06:03que possa aproveitar, inclusive,
06:07possivelmente a conversa com o Trump amanhã,
06:11do Lula e o Trump,
06:12para tentar diminuir a tensão.
06:14Agora, a nossa liderança vem sendo cada vez mais esvaziada na América Latina,
06:20a gente perdeu a capacidade que a gente tinha
06:23de ser um país que pudesse ser o país para se posicionar
06:30e tentar buscar um diálogo mais,
06:34se não mais premente,
06:36mas pelo menos que tivesse capacidade de estabelecer diálogos.
06:40Isso a gente vem perdendo e a América Latina vem sendo cada vez mais fragmentada
06:48em termos de lideranças.
06:50Então, assim, eu acho que o Brasil perde muito com qualquer incursão americana,
06:56gera uma instabilidade regional
06:57e a nossa capacidade de ação é bastante limitada neste caso.
07:02Professora Denilde, e as últimas manifestações do presidente,
07:07inclusive criticando esse combate ao narcotráfico de alguma maneira,
07:14defendendo alguns correligionários, alguns companheiros,
07:18pode influenciar nessa conversa que você bem citou,
07:21a possível conversa entre Lula e Trump lá no Sudeste Asiático?
07:25Acho que amanhã o governo vai tentar focar nas questões econômicas.
07:33Acho que esse é o ponto central da conversa.
07:36O que o Brasil pode tentar fazer é se colocar como um ator possível
07:42para diminuir as tensões.
07:44Só que acho que esse não é o tópico que o Trump vai querer discutir.
07:48Com relação à questão do controle de drogas e do combate ao narcotráfico,
07:53o Brasil já tinha feito uma posição antes, inclusive do tarifácio,
08:01de que não aceitaria imposições americanas nesse sentido.
08:07Então, provavelmente o governo vai continuar mantendo a mesma posição,
08:12em que o Brasil tem capacidade de combater o narcotráfico,
08:17que tem força, inteligência para isso e não dependeria de nenhuma força estrangeira
08:25para comprar o auxílio de uma força estrangeira.
08:29Acho que esse vai continuar sendo o discurso brasileiro,
08:32mesmo que se tenha aí uma pressão maior americana.
08:38O que o Trump vai discutir amanhã?
08:40É economia, acesso a terras raras, alguns produtos que se entende aí
08:48que é possível ser negociado em termos de tarifas,
08:51e também a questão do etanol, que provavelmente entra nessa discussão.
08:57Então, para o governo brasileiro vai ser uma chance importante
09:02de discutir uma pauta que é importante para o Brasil.
09:05Pode ser que a questão venezuelana fique em segundo plano.
09:11Professora Denil de Rose Hacker nos ajudou a entender melhor todo o cenário
09:15envolvendo a possível ação militar americana em território venezuelano,
09:21tudo que está sendo discutido nesse assunto todo.
09:24Professora, muito obrigado pela sua participação aqui conosco,
09:26sempre um prazer te receber.
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