00:00A evolução da Constituição, o que você disse faz sentido, porque essa casa aí que vocês estão vendo, ela era adaptada à nossa região.
00:09O erro que o pessoal comete é porque eu não entendo o que é esse...
00:13Tem até uma palavra no português pra isso, que é um apego demasiado ao passado, né?
00:18Onde só antigamente as coisas se prestavam, só se construía bem antigamente.
00:23Isso é uma falácia completa.
00:24E é mentira, né?
00:25Claro. Antigamente se construiu bem também, mas hoje se construiu muito melhor.
00:31Agora fazem também uma comparação injusta.
00:33Eu já disse aqui várias vezes, mas você pega a melhor construção de antes e compara com a pior construção de hoje.
00:40Aí é claro que vai ter uma diferença colossal.
00:44Mas você pega a melhor construção dos dias atuais, ela é muito melhor do que as construções de antes.
00:52E aí a falácia que eu disse é justamente essa.
00:55Você pega essa casa de Taipo, realmente ela era adaptada à nossa região.
00:59A região climática, que ela tinha uma redução de temperatura considerável.
01:06Só que hoje já é possível se construir também adaptável à nossa região.
01:14Que você pode construir de forma adaptada.
01:16Algumas colunas passadas a gente fez até isso, que foi as tecnologias construtivas.
01:23Onde você tem como fazer uma parede, por exemplo, ouca e rechear essa parede com produtos que têm essas características térmicas, acústicas e a característica que você quer dar.
01:35Então hoje se constrói muito melhor do que antes.
01:38E um ponto interessante que foi o que motivou essa coluna, o tema, eu vi uma foto, acho que vocês já viram também.
01:45É bem comum essa foto que tem mil anos, por exemplo, tem uma carroça e mil anos depois aí tem o Império Romano andando de carroça ainda.
01:55Aí a gente demorou mil anos para evoluir disso para isso.
01:59E aí tem embaixo, tem um carro a vapor e tem uma Ferrari hoje em dia.
02:08Aí coloca que a gente demorou cem anos para evoluir disso para isso.
02:11É justamente, essa comparação é injusta, assim como comparar essas técnicas.
02:17Por quê?
02:18Porque a tecnologia mudou.
02:20Depois da invenção do motor, tudo foi reconsiderado.
02:23Isso também explica porque o pessoal da teoria da conspiração, né?
02:28Um abraço, Conrado.
02:29Conrado, quem gostava desses temas.
02:31Sempre fala que as pirâmides do Egito demoraram cinco mil anos, não, três mil anos para fazer algo aqui parado.
02:38Mas por quê?
02:39Qual era o sentido de fazer um prédio alto?
02:42Para quê?
02:44A pirâmide foi feita, não era para ninguém morar, era um sarcófago, né?
02:49Aí você vai fazer um prédio com 200 metros de altura para quê?
02:53Como é que sobe?
02:54Não tinha elevador, não tinha motor.
02:56Como é que vai botar água lá dentro?
02:57É questão lógica, né?
02:58Olha, aí só foi, depois disso, os prédios altos que tinham eram igrejas.
03:03Porque também não tinham uso de subir.
03:06Era um uso, você entende, mais de que...
03:08E tinha uma lógica religiosa, né?
03:11E tinha uma lógica religiosa, né?
03:12Uma motivação religiosa que era justamente para fazer essa correlação da terra com o céu.
03:20Isso, mas o uso era o térreo, né?
03:23O térreo.
03:23O uso era o térreo, era só a torre que...
03:25A torre era só o sino, que alguém lá de baixo puxava e batia.
03:28Exatamente.
03:29Nem subir para tocar o sino.
03:30Então, antes do motor, não fazia sentido.
03:33Porque não tinha uso.
03:34Isso aí.
03:35Inclusive, o pessoal fala muito disso.
03:38Era tipo um jargão que os construtores do Império Romano usavam que, para rebater isso, né?
03:45Que tinha construído as pirâmides e nunca mais tinha feito eles, mas a gente usa, que era os aquedutos, né?
03:51Isso.
03:51Que era algo usual.
03:53Então, é justamente o mesmo sentido da evolução.
03:56E algo fantástico também da evolução é que no Império Romano, as grandes fortalezas feitas, inclusive, na água, né?
04:04Que foi algo inovador na história da humanidade, né?
04:08E que tinha usabilidade.
04:09Isso.
04:09Que era o ponto fundamental.
04:11Você tem como botar aquela imagem aí?
04:13Claro.
04:13Só para exemplificar.
04:14As imagens.
04:15As imagens.
04:16Aquela que tem a construção de antes e depois.
04:19Isso.
04:19Isso é uma briga que eu travo com o pessoal de arquitetura que o pessoal só falta me matar lá.
04:26Eu postei essa foto.
04:27Foi xingamento do autor que é o direito.
04:30Mas é porque eu fui mal interpretado.
04:32Aí, e lá eu disse, eu prefiro muito mais a de baixo do que a de cima.
04:38Fera o sentimento das pessoas, né?
04:40Mas é porque a conotação é diferente.
04:42A estética, eu não estou falando de estética.
04:44A estética, você pode fazer a que você quiser, tá?
04:48Entendeu?
04:48Eu estou falando de usabilidade.
04:49Por que que era diferente?
04:50Você tem aí construção do Nordeste, do Sul e do Sudeste que eram diferentes.
04:55Porque não tinha interação.
04:57Você no Nordeste, como é que você ia saber como é que o Sul estava construindo?
05:01Não tinha interação.
05:01Então, lá era o pessoal, principalmente da Itália, da Alemanha, que...
05:07As influências, né?
05:08As influências aqui foi a influência portuguesa.
05:11Inclusive, a telha que a gente usa é uma telha portuguesa.
05:14A telha mais antiga.
05:15E aí, esse é um dos motivos.
05:17E o outro, que esse é o ponto central de baixo, é porque as casas habitacionais, de forma geral,
05:25elas são feitas no modelo que é térmico, que é acústico e que é usual.
05:30A estética, você pode escolher qualquer uma.
05:33Mas o fato de ser construções assim é porque hoje é mais fácil.
05:37Você tem uma telha que precisa de uma inclinação muito alta para poder algo escoar.
05:42Hoje, a gente já tem uma telha que não precisa mais de inclinação.
05:45Ela é quase reta e tem um efeito quase igual.
05:48Então, para que fazer uma casa tão alta?
05:50Se você quer esteticamente, ninguém reclama.
05:53Inclusive, eu acho bonito.
05:54Na minha, eu faria.
05:56Mas, de forma geral, não faz sentido.
05:59Você pode ter uma casa mais baixa.
06:01Entendeu?
06:02A gente chama de cumieira, né?
06:03O telha, a parte mais alta.
06:05Você pode ter uma cumieira mais baixa, que gasta menos.
06:08E com o mesmo conforto térmico, acústico e usual.
06:12Com a mesma usabilidade.
06:13Mas, Fernando, você não acha que estamos perdendo um pouco da nossa identidade, digamos assim?
06:20Esteticamente, pode ser qualquer.
06:23Inclusive, aqui...
06:23É inegável, né?
06:24Esteticamente falando, é inegável.
06:26O Nordeste poderia ter uma característica estética.
06:28Mas, quando a gente fala de usabilidade, o molde é esse.
06:31Essa construção de baixa é muito mais eficiente e muito mais ativa do que a outra.
06:36Aqui tu atribui essa mudança de estética mesmo.
06:41Agora, falando numa questão mais estética, nas construções civis.
06:44Falta de recursos.
06:45Falta de recursos.
06:45Falta de recursos.
06:45Falta de recursos.
06:45Falta de recursos.
06:46O pessoal, antes...
06:47Falta de identidade também.
06:48E antes, não era uma...
06:51Não era...
06:51É porque a gente sempre compara o que eu disse antes.
06:53A gente sempre compara o melhor.
06:54Pegar as casas que estão hoje em pé.
06:57Pode olhar que eram as casas do pessoal que tinha mais recursos.
07:01As melhores casas.
07:01As outras estão...
07:02Então, a gente pega ali a casa que tem mais recursos, é a de cima.
07:05E a gente está comparando com a casa padrão.
07:08Justamente.
07:09O cara que constrói a casa padrão, ele não está muito preocupado com estética.
07:13Ele quer uma moradia confortável e usual.
07:16Concorda?
07:17Então, confortável e usual é aquela.
07:19Agora, se pegar hoje a construção do padrão daquela de antigamente,
07:24aí você vai ver como tem uma estética muito mais adequada.
07:28Sai muito caro para fazer uma estética como essa de antigamente.
07:31Sai muito.
07:32Muito e, como eu disse, é puramente pura estética.
07:34Hoje a gente já consegue reduzir o mesmo conforto que tinha antes para hoje.
07:39Tem muita gente que fala isso e é uma falerrônica que, por exemplo,
07:44antigamente o pessoal era mais inteligente que construía alta por causa de ventilação.
07:48É porque os materiais de hoje permitem ter aquele resultado com uma estrutura menor.
07:54E gastando menos.
07:55Exatamente.
07:56Assim como aquelas paredes que o pessoal costuma elogiar, né?
08:00As paredes de um metro de largura.
08:01A gente costuma dizer que os engenheiros de antigamente, sem ser demérito para os atuais,
08:06os engenheiros de antigamente construíam para nunca mais se acabar.
08:11Os atuais constroem para acabar em um curto período de tempo.
08:15É nada.
08:16É nada.
08:17Mas eles foram os pais.
08:18A evolução partiu deles, né?
08:21O que foi antes é essencial.
08:23Não é uma crítica ao que é antes.
08:24É só que hoje, ao invés de ter uma parede de um metro de largura, a gente consegue fazer
08:31isso com 30 centímetros de largura.
08:34E tem a mesma resistência.
08:35Você paga direitinho, a gente reduz até para 14.
08:39Mas, por exemplo, veja só essa sua fala, como ela é icônica sobre esse tema.
08:45Antes, construir para não se acabar, né?
08:48As construções de antes, todas vão se acabar.
08:50Tem um cofre que foi feito lá na Dinamarca, ela vai durar uns 100 mil anos e ainda vai
08:57estar igual.
08:58Nem se compara com a construção das pirâmides.
09:00É.
09:01Um cofre que guarda as sementes de todas as plantas.
09:05Ali não vai se acabar nunca.
09:07Entendeu?
09:08Então, se você compara isso com a pirâmide, quem dura mais, a resposta já está dada.
09:13Está entendendo?
09:13Se você pega aqueles prédios lá do Dubai, de concreto maciço, os prédios dos Estados
09:19Unidos, ali vai durar centenas de mil...
09:21São comparações injustas que acontecem, né?
09:24Exatamente.
09:25Aí, a parte que eu não gosto é essa crítica, né?
09:28Nem os de antes foram melhores, nem nós somos melhores.
09:31É uma evolução.
09:32Os de antes foram essenciais, por exemplo.
09:34As casas de type, essas daí que vocês estão vendo, foram essenciais para a gente chegar
09:39nas de hoje.
09:40Só que as de hoje também são boas.
09:42As de hoje e as de antes.
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