00:00Agora a gente traz um alerta, o câncer de pulmão é um dos que mais matam e logo no início não tem sintomas.
00:0885% dos casos atingem fumantes, olha só.
00:12O vício em cigarro começou cedo na vida da ironete, aos 12 anos de idade.
00:17Foram mais de 30 anos de dependência.
00:20Tudo em função do cigarro. Acordava, tomava um cafezinho do dia anterior,
00:24pra fumar um cigarro, pra fazer um café novo.
00:27Assim, minha vida girava em torno do cigarro. Tudo que eu colocasse na boca era pra fumar.
00:32Eram três más cigarros por dia.
00:34Um episódio traumático ao perder uma pessoa querida para um efisema pulmonar,
00:39junto com as cobranças de familiares, fizeram a aposentada tomar a decisão de parar de fumar.
00:45Ela relata como o primeiro ano foi desafiador.
00:49São noites sem dormir, sabe? São assim, atribulações, você fica agoniada, você fica angosteada.
00:55Qualquer coisinha que passa é um gatilho pra você querer fumar.
01:00E eu com o cigarro chegava perto dele, olhava pra ele, não, não vou fumar.
01:04Então eu te falo, do primeira semana até um ano, foram fases assim, bem difíceis.
01:12Apesar da conquista de largar o vício por conta própria,
01:15essa ajuda é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde, o SUS.
01:20Em Vitória, equipes formadas por enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos e profissionais de educação física
01:27já ajudaram cerca de 370 pessoas que buscaram tratamento até agosto desse ano.
01:34As sessões terapêuticas, elas geralmente acontecem em grupo.
01:38Por que tem as sessões terapêuticas?
01:40Porque quando a gente fala de dependência química, que é o caso do tabagismo,
01:44é uma dependência química e é uma das mais graves, inclusive, embora o tabaco seja uma droga lícita,
01:51a gente precisa trabalhar os aspectos psicológicos, comportamentais e sociais dessa dependência.
01:57Só medicamento não resolve.
02:00O tratamento segue durante um ano com acompanhamento semanal, quinzenal e mensal,
02:06de acordo com a evolução do paciente.
02:08O medicamento, o tratamento, geralmente são 3 meses de apoio farmacológico.
02:13Que são os primeiros meses mais difíceis após a cessação.
02:17Quem tenta parar sozinho, geralmente, tem uma taxa maior de recaída
02:22por conta dos sintomas de abstinência que vêm quando param.
02:25E o medicamento, ele vem justamente para amenizar esses sintomas de abstinência.
02:29O sucesso do tratamento vai depender da adesão da pessoa, como nós falamos, né?
02:33São algumas semanas, ali no primeiro mês, e depois esse acompanhamento, pelo menos, mensal.
02:39Quanto melhor a adesão da pessoa, melhor o resultado dela no tratamento.
02:44Por trás de 85% dos casos de câncer de pulmão, está o tabagismo e até mesmo a exposição passiva ao tabaco.
02:52Uma doença silenciosa com grande risco de levar à morte.
02:56Mas a boa notícia é que a procura por tratamento cresceu 12% no ano passado, através do SUS.
03:04O câncer de pulmão é um dos tipos mais comuns e também um dos que mais causam mortes no Brasil e no mundo.
03:12Fique atento a alguns sinais de alerta para essa doença.
03:15Uma tosse persistente, uma falta de ar, uma dor no peito, uma perda de peso sem uma causa aparente
03:22ou a presença de sangue no escarro, aquela secreçãozinha que sai quando tem uma tosse secretiva.
03:30Se esses sintomas durarem mais de algumas semanas, procure atendimento médico.
03:34Mais de 20 anos depois de parar de fumar, o desejo da Ironete é que todos tenham a mesma qualidade de vida que ela tem hoje.
03:43Eu só não falo para os outros, sabe, Júlia, porque a gente não quer ser um ex-fumante enjoado.
03:49Mas eu tenho o exemplo aqui da minha vizinha, quando ela chegou, que ela falou para mim,
03:54netinha, eu estou com adesivo, eu vou parar de fumar.
03:57Eu chorei, eu chorei de alegria, porque eu ficava tão triste de vê-la fumando, de lembrar do que eu já passei.
04:04Eu queria poder falar para todo mundo isso, sabe?
04:07É libertador.
04:10Olha, agora o TN continua fazendo um alerta na área da saúde muito importante.
04:14A gente está no mês de conscientização também sobre o linfoma, um tipo de câncer que atinge o sistema linfático.
04:22A campanha do Agosto Verde Claro foi criada pela Organização Mundial de Saúde.
04:27E a estatística mostra que o Brasil deve apresentar só esse ano mais de 15 mil novos diagnósticos, de acordo com o Inca.
04:37Para falar mais sobre sintomas e tratamento, eu estou aqui com o doutor especialista Douglas Stocco.
04:44Doutor, muito boa tarde para o senhor.
04:46Boa tarde a todos.
04:47Doutor, vamos primeiro explicar para o pessoal de casa, né?
04:50O que é essa doença? O que é o linfoma? Onde ele aparece?
04:55Qual o sinal de alerta que o corpo dá para a gente?
04:57O linfoma é o câncer do sistema linfático, né?
05:01Que é um dos nossos sistemas de drenagem do corpo, mas também de defesa.
05:05Então, é um tipo de câncer das células de defesa do nosso corpo, né?
05:10Aquelas células que muita gente vê no hemograma, chamada de linfócito.
05:13Aquelas células que podem estar doentes.
05:16Então, quais são os principais sintomas, né? Como que a gente fica em alerta?
05:20O aparecimento de caroços pelo corpo, caroços endurecidos, que estão durando mais do que quatro semanas,
05:27que não estão relacionados a uma infecção, por exemplo.
05:30Em quais locais? Pescoço, axila, virilha, são os locais mais comuns.
05:35E como é que eles aparecem assim?
05:38Como é que eu posso, eu não confundo essa situação com, por exemplo, como o senhor disse, um caroço de uma inflamação, né?
05:45Ele aparece em que faixa etária? Pode aparecer independente do sexo? Como é que é?
05:51Pode aparecer em qualquer faixa etária, independente do sexo.
05:55A média de idade, de um modo geral, é em torno de 60 anos.
06:00Porém, a gente tem linfomas desde crianças até adultos mais idosos, né?
06:06E associado ao caroço, a gente tem febre, principalmente uma febre baixa,
06:13no período da tarde, que está persistindo por mais de quatro semanas,
06:17uma perda de peso não associada a uma dieta, uma perda de peso atípica para aquele paciente,
06:24suor à noite, um suor que às vezes o paciente acorda com a cama molhada, ou a fronha molhada.
06:30E esses caroços são mais endurecidos, são indolores, ou seja, eles não causam nenhum tipo de dor,
06:37e eles têm uma duração mais prolongada.
06:39O caroço que vem de uma inflamação, por exemplo, o caroço que aparece no pescoço
06:43depois de uma infecção de garganta, é um caroço que dói, é um caroço que eu consigo,
06:48ao mobilizar, eu consigo mexer ele de lugar, ao apertar eu vou perceber uma sensação incômoda,
06:54uma dor, isso é mais de inflamação e é comum, é o sistema imunológico atuando.
06:59Já o do linfoma não, não dói, é aderido, eu não consigo mexer,
07:03ele está persistindo mais do que 4, 5 semanas e não está associado a nenhuma infecção de garganta ou nada disso.
07:10Ele cresce, doutor?
07:12Ele cresce, na maioria das vezes, alguns tipos de linfoma específicos,
07:17tem períodos de crescimento associado com períodos de arrefecimento, que ele diminui um pouco de tamanho.
07:22Mas o que chama a atenção? Ele é persistente, ele vai ficar às vezes meses até chegar no diagnóstico.
07:29Tem gente que confunde esse caroço com aquela placa de gordura, não tem?
07:33Qual é o nome específico daquilo?
07:34Lipoma.
07:35Lipoma, isso. Qual é a diferença entre eles?
07:38O lipoma, você vai sentir a sensação mesmo de estar pegando uma placa de gordura, uma bolinha de gordura.
07:44Ela é molinha, móvel, normalmente não dói também, mas ele é bem macio.
07:49E o linfoma, o caroço é bem endurecido e eu não consigo mexer,
07:54eu não consigo pegar ele na mão, normalmente, como eu conseguiria no lipoma.
07:58Agora, dá também íngua, doutor? Um dos sintomas do linfoma é íngua por parte do corpo ou não?
08:06Ele afeta justamente aonde dá as ínguas, por isso que às vezes é difícil diferenciar.
08:12Mas a íngua normalmente dói e o linfoma normalmente não dói.
08:16Às vezes, aquele linfonodo que está acometido pelo linfoma, ele está infectado
08:21ou às vezes ele está comprimindo alguma estrutura, alguma veia, algum nervo, aí sim pode causar dor.
08:27Mas normalmente é um crescimento indolor.
08:30Vamos falar de tratamento, doutor? Como é que faz?
08:32A pessoa está agora em casa, percebeu que está com essas características, né, desse caroço no corpo.
08:38O que ela deve fazer?
08:39Primeira coisa, procurar o médico, mais indicado.
08:43Procurar às vezes um cirurgião, porque o cirurgião ele vai saber, ele tem a expertise de ver aquilo com frequência,
08:50vai saber se tem que fazer uma biópsia ou não.
08:52Ou às vezes pode procurar direto o hematologista, que é o médico responsável pelo tratamento,
08:57pelo diagnóstico, pelo tratamento dessas condições.
09:00E a partir daí, deu o diagnóstico, a partir de uma biópsia, ou seja, tem que retirar aquele caroço
09:06para fazer essa biópsia.
09:07Confirmou a doença, iniciar o tratamento o mais rápido possível.
09:13Tanto que esse é o foco da campanha do Agosto Verde Claro.
09:16É o diagnóstico precoce.
09:18A gente acabou de ver uma reportagem sobre câncer de pulmão, que a gente consegue prevenir não fumando.
09:23O linfoma não tem prevenção.
09:24Então a campanha visa você diagnosticar precoce.
09:27Quando você diagnostica precoce, significa que o linfoma tende a estar no estágio mais precoce,
09:32também menos avançado e as chances de cura são muito maiores.
09:37O que causa, doutor?
09:38É algo genético ou é uma predisposição assim?
09:42Algum tipo de alimento causa também?
09:45Não há uma relação direta de causas, mas existem vários fatores de risco.
09:51Por exemplo, infecção pelo HIV aumenta a chance em até 500 vezes.
09:56Isso mesmo para aquelas pessoas que fazem o tratamento regular.
09:59Então são pessoas que têm que ter uma atenção maior no próprio autocuidado.
10:04Infecção pelo vírus Epstein-Barr também aumenta o risco.
10:08Alguns casos estão relacionados à radiação prévia, exposição à radiação de alguma forma,
10:14seja por um tratamento anterior, por exemplo.
10:18Esses são os principais fatores de risco.
10:20Não há um fator genético do ponto de vista hereditário.
10:25É claro que pessoas que têm casos na família têm mais chance de ter.
10:28Mas não é uma doença transmitida de pai para filho.
10:33O que acontece do ponto de vista genético é que os pacientes podem ter uma mutação
10:37que ela é adquirida ao longo da vida.
10:40E aí a gente não sabe muito bem o porquê que essa mutação é adquirida.
10:43E essa mutação, junto com a exposição ambiental,
10:47junto com uma infecção, por exemplo, pelo HIV,
10:50pode culminar com o surgimento do linfoma.
10:52Perfeito.
10:53Doutor Douglas Covri, estou com o hematologista.
10:56Muito obrigado pela sua participação.
10:58Eu que agradeço.
10:59Eu que agradeço.
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