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00:00Andrés traicionado por Begoña e Gabriel.
00:02Em capítulo 372 de Sueños de Libertad,
00:06jueves 14 de agosto,
00:08as passões, as sospechas e as rivalidades
00:10alcançam um ponto de ebullição.
00:13Begoña e Gabriel despertam juntos
00:16tras sua primeira noite de amor,
00:17mas as dúvidas de ela provocam
00:19um inesperado distanciamento.
00:22Muitas tanto,
00:24Maria siembra a semilla do caos
00:25ao revelar a Andrés o ocorrido,
00:28provocando em ele uma herida
00:29que poderia marcar um antes e um depois.
00:33Paralelamente, Cristina se prepara
00:35para enfrentar a José com sua verdade,
00:37aunque o destino tem outros planos,
00:39e na fábrica, Luz detecta
00:41um possível problema de segurança
00:42que amenaza a mais de um trabalhador.
00:45Entre confesões,
00:47engaços e tensões laborais,
00:49se forja um episódio cargado de giros
00:51que deixaram a todos ao borde do colapso.
00:54O sol do 14 de agosto
00:56se despereza sobre Toledo,
00:58tiñendo o céu de tonalidades
01:00anaranjadas e púrpuras
01:01que prometían un dia de calor sofocante.
01:03Sin embargo,
01:07na alcoba principal
01:08da casa de Begoña,
01:09a luz que se filtraba
01:10através das cortinas entornadas
01:12não era mais que um testigo silencioso
01:14de uma aurora muito distinta,
01:16uma que nasceu na pele
01:17e se confundiu com o alimento.
01:21Begoña despertou lentamente,
01:22envolta em uma calidez
01:24que não provenia únicamente
01:25de as sábanas de hilo.
01:28Era um calor humano,
01:30profundo,
01:31o que emanava
01:32do corpo de Gabriel a seu lado.
01:34Por um instante,
01:35um instante fugaz e perfecto,
01:37não houve nada mais
01:38que essa sensação de plenitude.
01:39O aroma de ele,
01:43uma mistura de sua própria loção
01:44e o perfume íntimo
01:45de uma noite compartilha,
01:47lenhava seus pulmões.
01:51Podia sentir
01:51o ritmo acompasado
01:52de sua respiração
01:53contra sua espalda,
01:55o peso reconfortante
01:56de seu braço
01:56sobre sua cintura.
01:59Habia sido
02:00uma noite de revelações,
02:02de barreiras derribadas
02:03e de uma conexão
02:04que havia creído perdida
02:05para sempre.
02:06Se havia sentido
02:09deseada,
02:09compreendida,
02:10viva.
02:11Gabriel havia sido
02:12tierno e apasionado,
02:14um conversador
02:14atento em la penumbra
02:15e um amante
02:16que parecia ler
02:17seus anhelos
02:17antes de que
02:18ela mesma
02:18os formulara.
02:21Se havia entregado
02:23a ele,
02:23e naquela entrega
02:24havia encontrado
02:25uma liberdade
02:26que lhe embriagava.
02:28Mas então,
02:30como uma nube
02:30traicionera
02:31que oculta o sol
02:32no dia mais claro,
02:33a realidade
02:34começou a filtrarse
02:35por as grietas
02:36de sua felicidade.
02:38O pânico,
02:40frio e afilado,
02:41lhe atenazou
02:41a garganta.
02:42Que havia feito?
02:43As imagens
02:44da noite,
02:45tão hermosas
02:46e liberadoras
02:46um segundo antes,
02:48se retorcieron
02:48em sua mente,
02:49transformando-se
02:50em provas
02:51de uma traição.
02:53Não uma traição
02:54a Andrés,
02:55pois sua matrimonio
02:56era já um cadáver
02:57insepulto,
02:58mas uma traição
02:59a si mesma,
03:00a a mulher prudente
03:01que sempre
03:02havia tentado ser.
03:03se moviou
03:05com sigilo,
03:06tratando de deslizarse
03:07fora do abraço
03:08de Gabriel
03:09sem despertarlo.
03:10O coração
03:12lhe martilleaba
03:13um tambor
03:14desbocado
03:15que amenazaba
03:16com delatar
03:16sua angustia.
03:18Cada centímetro
03:19que ganaba
03:20lhe parecia
03:20um quilômetro,
03:22cada roce
03:22de la tela
03:22um estruendo.
03:26Finalmente,
03:27logrou sentarse
03:27ao borde
03:28da cama,
03:29dándole a espalda.
03:30Se abrazou
03:31a si mesma,
03:32temblando ligeramente
03:33a pesar
03:33do calor
03:34incipiente
03:34do dia.
03:36As dúzas
03:37a asaltaron
03:38como uma jaurinha.
03:39Quem era Gabriel
03:40em realidade,
03:41um homem
03:41sensível
03:42e enamorado,
03:43ou um estratega
03:44calculador
03:44que sabía
03:45exatamente
03:45que botón
03:46expulsar.
03:47E ela,
03:48era uma mulher
03:49que buscaba
03:49sua felicidade
03:50ou uma insensata
03:51que saltaba
03:52de um fogo
03:52para caer
03:53nas brasas?
03:54A comodidade
03:55que havia sentido
03:56em seus braços
03:56se sentía
03:57agora como
03:57uma trampa.
03:59A vulnerabilidade
04:01que haviam
04:01compartido,
04:02como uma imprudência.
04:03O fantasma
04:04de Andrés,
04:05de sua matrimonio
04:05fallido,
04:06de a violência
04:07e o engaño,
04:08se cernía
04:09sobre ela,
04:10recordando-le
04:10o fácil
04:11que era
04:11equivocarse,
04:12o doloroso
04:13que podia ser
04:13o despertar.
04:16Begoña,
04:16a voz de Gabriel,
04:18ronca por o sueño,
04:19sonou detrás
04:20de ela.
04:21Não havia
04:21reproche
04:22em seu tono,
04:22só uma suave
04:23preocupação.
04:26Ela se sobresaltou,
04:27incapaz
04:28de girar
04:28para mirá-lo.
04:29Sentiu como
04:30ele se incorporou,
04:31o colchão
04:32hundiéndose
04:32a sua lado.
04:33Estou bem?
04:35Preguntou,
04:36sua mão
04:37buscando
04:37seu hombro
04:38com delicadeza.
04:39O contacto
04:40foi como
04:40uma descarga
04:41elétrica.
04:44Begoña
04:44se apartou
04:45instintivamente,
04:46poniéndose
04:46em pé
04:47de um salto.
04:48Eu.
04:49Não,
04:49balbuceou,
04:50as palavras
04:51atropellando-se
04:52em sua boca.
04:54Não deveria
04:54haver
04:54feito isso,
04:55foi um erro.
04:56O silencio
04:57que seguiu
04:58foi denso
04:58e pesado.
04:59pude sentir
05:01a mirada
05:02de Gabriel
05:02sobre sua espalda,
05:03uma mirada
05:04que imaginava
05:05cargada
05:05de confusão
05:06e dor.
05:08A culpa
05:09la invadiu,
05:10uma nova capa
05:11de tormento
05:11sobre a ansiedade
05:12que já
05:13a consumia.
05:15Um erro,
05:16repitiu ele,
05:18e sua voz
05:18era apenas
05:19um susurro.
05:20A noite,
05:20toda a noite
05:21foi um erro para você?
05:23Não sei,
05:24exclamou ela,
05:26girando-se
05:26ao fim,
05:27com os olhos
05:27anegados
05:28em lágrimas
05:29que se negava
05:29a derramar.
05:32Gabriel,
05:33tudo isto
05:33é demasiado rápido.
05:34Ayer eras
05:35meu avogado,
05:36meu amigo,
05:37e hoje,
05:37hoje desperto
05:38em sua cama
05:38e sinto
05:39que eu cometido
05:40a maior loucura
05:40de minha vida.
05:42Tendo medo,
05:44Gabriel
05:44a observou
05:45desde a cama.
05:46Su rostro,
05:47habitualmente
05:47composto e seguro,
05:49mostrava agora
05:49uma fragilidade
05:50que a desarmou.
05:52Se passou
05:53uma mão por o pelo,
05:55desordenando-lo
05:55ainda mais,
05:56e suspirou
05:57profundamente.
05:58Não se levantou.
06:01Não tentou acercarse,
06:02simplesmente a mirou,
06:04e em seus olhos
06:04havia uma compreensão
06:05que a iria mais
06:06que qualquer reproche.
06:07Eu também tenho medo,
06:11Begoña.
06:12Confesou ele,
06:13e sua voz
06:14era tão sincera
06:14que a Begoña
06:15lhe temblaron
06:16as rodillas.
06:18Não creas
06:19que para mim
06:20isto é sencillo.
06:21Hace muito tempo,
06:22antes de conhecerte,
06:23tive uma experiência.
06:25Uma relação
06:26que terminou
06:27que terminou
06:27de a pior maneira
06:28possível.
06:29Me deixou roto,
06:30me prometi
06:30a mim mesmo
06:31não volver
06:31a permitir
06:32que ninguém
06:32se acerquem
06:33tanto,
06:33não volver
06:34a ser
06:34tão vulnerável.
06:36Hizo uma pausa,
06:38tragando saliva
06:39com dificuldade.
06:40O sol
06:40dibujava agora
06:41uma franja
06:42de luz dorada
06:42em o suelo
06:43de a habitação,
06:44iluminando
06:45as partículas
06:45de polvo
06:46que danzaban
06:46no ar.
06:48E então
06:49apareciste
06:50você,
06:51continuou,
06:52e tudo o que
06:52me havia prometido
06:53saiu por os aires.
06:56Contigo
06:56sinto que
06:57poderia
06:57arriesgarme
06:58de novo,
06:58mas o medo,
06:59o medo
07:00a passar
07:00o mal,
07:01a que isto
07:01termine
07:02em dolor,
07:02é real.
07:04É tão real
07:05como o que
07:06sientes
07:06agora mesmo.
07:07Begoña
07:08o escutava,
07:09paralizada.
07:10Cada palavra
07:11era um bálsamo
07:11e uma daga
07:12ao mesmo tempo.
07:15Validava
07:15sua medo,
07:16mas também
07:17lhe fazia sentirse
07:17terrívelmente
07:18egoísta.
07:19Por isso,
07:20concluiu Gabriel,
07:21e sua mirada
07:22era firme
07:22a pesar
07:23da vulnerabilidade
07:24que havia mostrado.
07:25Creo que
07:26o melhor
07:26é que demos
07:26um passo atrás.
07:29Não quero
07:30pressionarte,
07:31não quero ser
07:32outro problema
07:32em tua vida,
07:33Begoña.
07:34Tens que
07:34aclarar
07:35tus ideas,
07:35teu coração.
07:38E eu
07:38preciso saber
07:39que se damos
07:39um passo
07:40adelante,
07:41o faremos
07:41sobre terreno
07:42firme.
07:42se levantou
07:45de la cama
07:46com uma calma
07:46que contrastava
07:47com o torbellino
07:48interior
07:48de Begoña.
07:50Se vistiu
07:51em silencio,
07:52com movimentos
07:53parsimoniosos
07:54e deliberados.
07:55Begoña
07:55não podia
07:56apartar
07:56a vista
07:56de ele,
07:57sentindo
07:58uma
07:58mezcla
07:58de alivio
07:59e uma
07:59punzada
08:00de perdida
08:00de terreno.
08:01de terreno
08:01de terreno
08:02de terreno
08:03Ele estava dando exatamente o que ela queria necessitar, espaço.
08:08Mas nesse mesmo gesto, sentia como se distanciava, como a calidez da noite anterior se convertia
08:14em um recuerdo cada vez mais lejano.
08:17Quando estive vestido, se acercou a ela, não a tocou, se detiveu a um passo de distância,
08:23seus olhos buscando os seus.
08:26Quando sepas o que queres, quando as dúvidas se disipem, buscame, disse suavemente.
08:34Estarei esperando, pero até então manteremos as distâncias, por teu bem e por o meu.
08:41E sem mais, saiu da habitação, cerrando a porta atrás de si com um sonido suave que
08:47resonou no alma de Begoña como o portazo de uma fortaleza.
08:51Se quedou sola, em meio da habitação, com o aroma de ela ainda flotando no ar e um
08:57vazio no peito que era muito mais aterrador que o pânico que havia sentido ao despertar.
09:03Muitas tanto, na casa dos Merino, o ambiente matutino era muito diferente,
09:09aunque não menos cargado de tensões subterrâneas.
09:11A luz entraba a raudales por os ventanales do comedor, onde a luz tentava desfrutar de
09:19um café mientras Louis, a seu lado, parecia estar a quilômetros de distância, perdido
09:24em seus próprios pensamentos.
09:25E bem, has conseguido dar com a clave de essa essência floral que te traía de cabeça?
09:33Preguntou Luz, tentando iniciar uma conversação, romper o muro de silencio que seu marido parecia
09:38haver levantado ao seu alrededor nas últimas semanas.
09:42Louis parpadeou, como salindo de um trance, e, ah, sim, a essência, bueno, estamos em
09:50um composto incrívelmente volátil.
09:54Cristina teve uma ideia brilhante ayer, uma forma de estabilizar os aldeídos com uma base
09:59de almizcle sintético que se detiu ao ver a expressão no rosto de sua esposa.
10:06A sonrisa de luz se havia tensado, seus olhos haviam perdido o brilho.
10:10Cristina, repitiu ela, e sua voz sonou mais fria do que pretendia.
10:18Últimamente, parece que Cristina tem todas as ideias brilhantes.
10:22Parece que passais muito tempo juntos tenendo ideias brilhantes.
10:26Louis frunciou o ceño, genuinamente desconcertado.
10:31Bueno, sim, é a minha companhia no laboratório.
10:35Trabajamos codo com codo, é normal.
10:37A que vem isso, Luz?
10:40A que vem?
10:41Luz deixou a taza sobre o plato com um golpe seco.
10:45Vem a que apenas te veu, Louis.
10:48Llegas tarde, te vas temprano.
10:50Quando estás aqui, tua mente está no laboratório.
10:54E quando falas, só falas de teu trabalho e, de Cristina,
10:59sinto que te estou perdendo.
11:01Sinto que há uma conexão entre vocês dois que vai mais além do que profissional.
11:07As alarmas se dispararam na mente de Louis.
11:10Não por a acusação em si, que considerava absurda,
11:13mas por o dolor real que veia nos olhos da sua mulher.
11:18Deixou a cuchara a um lado e tomou suas mãos sobre a mesa.
11:22Estavam frias.
11:23Mi amor, perdóname.
11:25Dijo, su tono lleno de arrepentimiento.
11:30Tienes razón, he estado completamente absorbido por el trabalho.
11:33Esta nova linha de perfumes é um desafio enorme e...
11:36Me he obsesionado, te he descuidado, y lo siento muchísimo.
11:42No hay nada entre Cristina y yo más allá de una buena relación profesional.
11:46Te lo juro por lo que más quiero.
11:49Luz lo miró, queriendo creerle, pero la semilla de la duda ya había germinado.
11:54Entonces, ¿por qué esa cercanía?
11:56¿Por qué esa complicidad que percibo?
12:00Louis suspirou.
12:00Se debatía entre mantener la confidencialidad de Cristina y tranquilizar a su esposa.
12:07Optou por lo segundo, sabiendo que la confianza de Luz era el pilar de su vida.
12:12Escúchame.
12:14Hay algo que no te he contado para proteger su privacidad.
12:18Cristina está pasando por un momento personal terrible.
12:23Horrible.
12:23Está intentando encontrar a la persona que la abandonó de niña.
12:27Una historia muy dolorosa que la tiene completamente destrozada.
12:31Por eso he estado más pendiente de ella, intentando apoyarla como amigo, distrayéndola con el trabajo para que no se hunda.
12:40Eso es todo.
12:42Es compasión.
12:43Luz, no.
12:44No otra cosa.
12:45La revelación cambió por completo la expresión de Luz.
12:49La sospecha en sus ojos se disolvió, reemplazada por una oleada de empatía y una pizca de vergüenza por sus celos.
12:56Oh, Dios mío, no tenía ni idea, pobre mujer.
13:02Lo sé.
13:03Asintió Luis, aliviado.
13:05Por eso te pido disculpas.
13:09Debería haberte lo contado antes, pero también debería haber sabido separar las cosas.
13:13Te prometo que te voy a recompensar.
13:18Este fin de semana, tú y yo, haremos lo que quieras.
13:22Una escapada, una cena, un paseo por el río, lo que sea, pero solo para nosotros dos.
13:28De acuerdo, Luz asintió, una sonrisa temblorosa dibujándose en sus labios.
13:36Se inclinó sobre la mesa y lo besó suavemente.
13:41De acuerdo, lo siento, Luis, a veces mis miedos me...
13:44No tienes nada que sentir.
13:46La interrumpió él, acariciándole la mejilla.
13:48Soy yo el que tiene que estar más presente.
13:53Te quiero.
13:54La paz pareció regresar al hogar de los Merino, pero mientras Luis se preparaba para irse a la fábrica,
13:59la preocupación por Cristina se mezclaba con la recién descubierta inquietud de luz.
14:05La situación era mucho más compleja de lo que parecía,
14:08un delicado equilibrio de lealtades y emociones que amenazaba con romperse en cualquier momento.
14:13En las oficinas de perfumerías de la reina, la tensión era de otra naturaleza.
14:21Cristina, con ojeras que delataban una noche de insomnio, se acercó al escritorio de Irene.
14:27Su rostro era una máscara de determinación y pánico.
14:31Irene, tengo que pedirte un favor.
14:34Uno muy grande.
14:36Dijo en voz baja, asegurándose de que nadie más pudiera oírla.
14:40Irene levantó la vista de sus papeles, alarmada por la intensidad en la voz de su amiga.
14:47Claro, Cristina, lo que sea, ¿qué ocurre?
14:50He quedado con él.
14:51Soltó Cristina, como si las palabras le quemasen en la boca.
14:56He quedado con José Gutiérrez.
14:59Hoy, en un parque de Toledo.
15:01Irene se quedó sin aliento.
15:03La noticia la golpeó con la fuerza de un puñetazo.
15:07¿Qué?
15:07¿Cómo?
15:08¿Cuándo ha?
15:09Llamé al número que me diste.
15:13Contestó una mujer.
15:14Su esposa, supongo.
15:16Le dije que era un asunto urgente de su pasado, de su antiguo trabajo.
15:21Le dejé el recado, el lugar y la hora.
15:24No sé si vendrá, pero tengo que intentarlo.
15:29Y, y quiero que vengas conmigo.
15:31La petición se quedó flotando en el aire entre ellas.
15:33Para Irene, fue como si Cristina le pidiera que caminara descalza sobre brasas.
15:40Revivir aquel pasado, enfrentarse al hombre que había sido el centro de su universo y que luego la había borrado de su vida como si nunca hubiera existido.
15:48Era una perspectiva aterradora.
15:52No, dijo Irene, su negativa fue rotunda, instintiva.
15:57No puedo, Cristina, lo siento, no me veo capaz.
16:02Por favor, Irene, suplicó Cristina, agarrando su mano con desesperación.
16:07No puedo hacer esto sola, tú estuviste allí, tú lo conociste, los tres, merecemos estar cara a cara después de tanto tiempo.
16:18Necesito tu fuerza, si voy sola, me desmoronaré.
16:21¿Y qué crees que haré yo?
16:23Replicó Irene, su voz temblando.
16:27¿Crees que soy de piedra?
16:29Verle de nuevo, escuchar sus excusas, si es que se digna a darlas.
16:33Me destrozaría, he tardado años en construir este muro a mi alrededor, Cristina.
16:40No puedes pedirme que lo derribe en una tarde.
16:43No es un muro, Irene, es una cárcel.
16:47Insistió Cristina, sus ojos fijos en los de su amiga.
16:51Y esta es nuestra oportunidad de salir de ella, de saber la verdad, por qué nos abandonó, por qué te dejó a ti, después de todo lo que vivisteis.
17:00No quieres saberlo, no necesitas, en el fondo de tu alma, cerrar esa herida de una vez por todas.
17:07Irene apartó la mirada, luchando contra las lágrimas.
17:11Cada palabra de Cristina era cierta.
17:15Había enterrado esa parte de su vida bajo capas de trabajo y pragmatismo, pero la herida seguía allí, supurando en silencio.
17:22La idea de enfrentarse a José era un terror, pero la idea de vivir para siempre con la duda era una tortura.
17:31No lo sé, murmuró, sintiéndose completamente perdida.
17:36Cristina apretó su mano con más fuerza.
17:38Piénsalo, por favor, la cita es a las cinco.
17:43Aún tienes tiempo para decidirte, pero te necesito.
17:48De verdad que te necesito.
17:49Cristina se alejó, dejando a Irene sumida en un mar de dudas y recuerdos dolorosos.
17:56La jornada de trabajo se convirtió en un borrón.
17:59Las cifras y los informes perdieron todo su significado.
18:02En su mente, solo había un rostro, una voz, y la pregunta que la había atormentado durante años, ¿por qué?
18:12Lejos del drama de los adultos, en la aparente tranquilidad de la colonia obrera, se gestaba otra pequeña rebelión.
18:20En la casa de los Merino, Gemma y Joaquín se preparaban para ir a trabajar, mientras su hijo Teo remoloneaba en su habitación.
18:27Teo, vamos, que se te hace tarde para la escuela.
18:33Gritó Joaquín desde la puerta.
18:36No voy a ir.
18:38Respondió el niño con una calma inusual.
18:40Gemma entró en la habitación, frunciendo el ceño.
18:44¿Cómo que no vas a ir?
18:46¿Te encuentras mal?
18:47Teo se encogió de hombros.
18:49No, simplemente no quiero ir.
18:52No me importa quedarme solo.
18:54Los padres se miraron, desconcertados.
18:57El problema con Adolfito, el niño que le acosaba, había sido un calvario.
19:03Habían hablado en la escuela, habían intentado razonar con Teo, pero su miedo parecía insuperable.
19:11Sin embargo, en los últimos días, algo había cambiado.
19:15El miedo había sido reemplazado por una extraña y tranquila determinación.
19:19Hijo, no puedes dejar de ir a la escuela, dijo Gemma, sentándose a su lado.
19:26No os preocupéis.
19:29Sé cuidarme solo, afirmó Teo, y había tal seguridad en su voz que sus padres se quedaron sin argumentos.
19:35Finalmente, con prisas y resignación, decidieron dejarlo por ese día, prometiéndose a sí mismos abordar el asunto con más calma por la noche.
19:46Lo que no podían imaginar era el plan que se cocía en la pequeña cabeza de su hijo.
19:50Tan pronto como la puerta de casa se cerró, Teo se puso los zapatos y salió sigilosamente.
19:59No se dirigió a la escuela, sino en dirección contraria, hacia las afueras de la colonia, cerca del río.
20:08Allí, en un claro escondido entre los árboles, le esperaba Raúl, el hijo del capataz, un chico mayor y rudo pero con un extraño código de honor.
20:16¿Listo para la lección de hoy, Renacuajo? Preguntó Raúl, sonriendo de lado.
20:24Teo asintió, su rostro serio y concentrado.
20:29Listo. Raúl había visto como Adolfito y sus amigos acosaban a Teo y, por razones que ni él mismo entendía del todo, había decidido intervenir.
20:39Pero en lugar de enfrentarse directamente a los matones, estaba enseñando a Teo a defenderse.
20:46No a pelear, sino a tener confianza. Lo primero es la postura. Dijo Raúl, corrigiendo la posición de Teo.
20:55Hombros atrás, cabeza alta. Nunca mires al suelo, tienes que parecer más grande de lo que eres.
21:02La mitad de las peleas se ganan antes de lanzar un solo golpe, solo con la mirada.
21:07Teo siguió sus instrucciones al pie de la letra, sintiendo como una nueva fuerza, una seguridad que nunca había conocido, empezaba a crecer en su interior.
21:17No era la fuerza de los músculos, sino la del espíritu.
21:23Y por primera vez en mucho tiempo, el nombre de Adolfito no le provocaba un nudo de miedo en el estómago.
21:31De vuelta en el epicentro de la vida de la colonia, el dispensario de luz era un hervidero de actividad.
21:36A media mañana, entró un hombre joven, un operario de la sección de saponificación, con el rostro pálido y sudoroso, respirando con dificultad.
21:47Luz, no puedo, no puedo respirar bien. Jadeó con acento agudo, apoyándose en el marco de la puerta.
21:59Luz lo acomodó rápidamente en una camilla y comenzó a auscultarlo.
22:03El sonido de sus pulmones era alarmante, un silbido agudo que le puso la piel de gallina.
22:10Tranquilo, respira hondo y despacio. ¿Qué ha pasado? No lo sé. Llevo días con tos, pero hoy...
22:17De repente, sentí que se me cerraba el pecho, como si me faltara el aire. Los síntomas eran terriblemente familiares.
22:27Eran casi idénticos a los que había presentado Sandra Diosdado hacía unos meses, y a los de Narciso, otro trabajador de la misma sección que había tenido problemas similares.
22:37Una terrible sospecha comenzó a tomar forma en su mente. ¿Y si no eran casos aislados? ¿Y si había algo en el proceso de saponificación, algún producto químico,
22:47que estaba envenenando lentamente a los trabajadores? La idea de un problema de seguridad laboral a gran escala la llenó de una fría aprensión.
22:57Anotó meticulosamente cada detalle en su cuaderno, su mente ya trabajando en los pasos que debía seguir para investigar aquello.
23:03Justo cuando el trabajador, ya más calmado tras recibir un broncodilatador, se marchaba, la puerta del dispensario se abrió de nuevo.
23:13Era Begoña, su rostro era un poema de angustia y confusión.
23:19Luz, ¿tienes un minuto? Preguntó, su voz apenas un hilo.
23:25Luz olvidó por un momento al operario y sus pulmones sibilantes. La preocupación por su amiga la inundó.
23:32Claro, Begoña, entra, siéntate, ¿qué ha pasado? Pareces un fantasma.
23:37Begoña se derrumbó en la silla frente al escritorio de Luz y, sin más preámbulos, la historia brotó de sus labios como un torrente.
23:46Le contó todo, la noche con Gabriel, la pasión, la conexión, y luego el pánico matutino, sus dudas, su miedo.
23:56Y finalmente, la decisión de Gabriel de darle espacio, de dar un paso atrás.
24:01Y ahora me siento la mujer más estúpida del mundo. Concluyó, con la voz rota.
24:07Me ofrece exactamente lo que le pido, espacio, tiempo. Y lo único que siento es que lo estoy perdiendo.
24:16Lo he alejado, Luz. Luz escuchó pacientemente, su expresión suavizándose. Tomó la mano de su amiga.
24:26No lo has alejado, Begoña. Ha hecho algo que muy pocos hombres harían. Ha respetado tu miedo.
24:31Ha sido increíblemente considerado y maduro. Eso no es alejar a alguien. Eso es demostrar que le importas de verdad.
24:42Pero, ¿y si no vuelve? ¿Y si se cansa de esperar a que yo aclare esta maraña que tengo en la cabeza y en el corazón?
24:47Begoña, escúchame. Dijo Luz, su tono firme pero cariñoso.
24:55Llevas meses, años, viviendo en una jaula.
25:00Primero con un matrimonio infeliz. Luego con la violencia, el miedo.
25:04Es normal que te asuste la libertad.
25:08Es normal que dudes. Pero, Gabriel, por lo que me cuentas, parece un hombre decente.
25:13Un hombre que te ve, que te valora. Quizás ha llegado el momento de dejar de castigarte y darte una oportunidad.
25:22La oportunidad de ser feliz. Las palabras de Luz eran un bálsamo, pero no disipaban del todo la niebla en la mente de Begoña.
25:32La doctora, sin embargo, se sentía satisfecha.
25:35Creía sinceramente que Gabriel era una buena opción para su amiga, un ancla en su tormentosa vida.
25:43No podía saber que, en ese mismo instante, Gabriel estaba siendo asesorado por María de la Reina, la artífice de gran parte de esa tormenta.
25:52¿Y ahora qué? Preguntó Gabriel, paseándose nervioso por el salón de la casa grande.
25:59Se ha asustado. He tenido que decirle que le daré espacio.
26:03María sonrió, una sonrisa gélida y calculadora.
26:06Perfecto, es exactamente lo que tenías que hacer. La has dejado anhelándote. Ahora, el siguiente paso.
26:17Tienes que demostrar que no eres solo un amante apasionado, sino un hombre sensible y digno de confianza.
26:22Y para eso, necesitas una aliada, Luz, adivinó Gabriel.
26:29Exacto, Begoña confía ciegamente en ella.
26:33Si la doctora te da su bendición, tienes media batalla ganada.
26:38Así que ahora mismo vas a ir al dispensario.
26:42Te duele la cabeza, una jaqueca terrible por el estrés del trabajo.
26:45Y mientras te atiende, vas a hablar.
26:47Le contarás lo mucho que te importa Begoña, lo asustado que estás de perderla, lo dispuesto que estás a esperar lo que haga falta por ella.
26:59Muéstrate vulnerable, enamorado, sensible. Conviértela en tu confidente.
27:04Gabriel la miró, admirando a regañadientes su mente maquiavélica.
27:07Era un plan brillante. Poco después, Gabriel entraba en el dispensario, llevándose una mano a la sien con un gesto de dolor muy convincente.
27:20Luz, perdona que te moleste. ¿Tendrías algo para un dolor de cabeza infernal?
27:25Luz, sorprendida de verlo allí, lo hizo pasar.
27:30Mientras le tomaba la tensión y buscaba un analgésico, Gabriel interpretó su papel a la perfección.
27:37Con frases entrecortadas y suspiros cargados de sentimiento, le confesó su angustia por Begoña.
27:45La quiero de verdad, Luz, y sé que está asustada. Lo entiendo perfectamente.
27:51Solo espero que se dé cuenta de que mis intenciones son buenas, que lo único que quiero es verla feliz, aunque no sea conmigo.
27:59Luz, que acababa de tener una conversación similar con Begoña, se sintió conmovida.
28:04La vulnerabilidad de aquel hombre, su aparente sinceridad, la convencieron.
28:11Vio en él no a un estratega, sino a un hombre profundamente enamorado y dispuesto a ser paciente.
28:18La trampa de María había funcionado a la perfección.
28:21Mientras el drama emocional se desarrollaba en el dispensario, en la tienda de perfumerías de la reina,
28:26una escena mucho más tierna tenía lugar.
28:31Marta llegó con un pequeño paquete envuelto con esmero.
28:34Para ti, dijo, entregándoselo a Fina con una sonrisa cómplice.
28:41Fina lo abrió con curiosidad.
28:43Dentro había un carrete de la mejor película fotográfica del mercado
28:46y un libro de retratos de una famosa fotógrafa parisina.
28:49Los ojos de Fina se iluminaron.
28:53Marta, es precioso.
28:55No tenías por qué.
28:56Claro que tenía.
28:58Es para que te inspires para tu nuevo trabajo.
29:01Dijo Marta, su mirada llena de orgullo.
29:06Aprovecharon un momento de calma en la tienda para charlar.
29:09Fina le contó con más detalle la propuesta de Pelayo.
29:12Ser la fotógrafa para un reportaje sobre él en una revista de prestigio.
29:16No sé si estoy a la altura, Marta.
29:20Es una responsabilidad muy grande.
29:22¿Y si las fotos no son lo suficientemente buenas?
29:27Marta tomó sus manos por encima del mostrador,
29:29su gesto lleno de una confianza inquebrantable.
29:34Fina, escúchame.
29:35Eres una artista.
29:37Tienes un talento increíble.
29:38Una sensibilidad única para capturar la esencia de las personas.
29:41Pelayo lo ha visto, y yo lo veo cada día.
29:46No dudes de ti misma ni por un segundo.
29:50Esta es una oportunidad de oro.
29:52Una puerta que se abre para que todo el mundo vea lo que yo ya sé.
29:55Que eres extraordinaria.
29:59Tienes que aceptarlo.
30:00No dejes pasar este tren.
30:02El apoyo incondicional de Marta era todo lo que Fina necesitaba.
30:05La duda se desvaneció, reemplazada por una oleada de gratitud y amor.
30:11Se inclinó y le dio un beso rápido en la mejilla,
30:14un gesto audaz para el lugar en el que estaban.
30:19Gracias.
30:20Susurró.
30:21Lo haré.
30:22Pero no muy lejos de allí, en la penumbra polvorienta del almacén,
30:25el ambiente era cualquier cosa menos tierno.
30:27Andrés, todavía afectado por el rechazo implícito de Begoña la noche anterior
30:34y estresado por los problemas de producción,
30:37estaba revisando unas cajas.
30:41Tasio, llamó, su voz más brusca de lo que pretendía.
30:45Estas cajas de jabón de glicerina están mal etiquetadas.
30:50Llévalas de vuelta a la línea de empaquetado
30:52y asegúrate de que pongan las etiquetas correctas.
30:54Es urgente.
30:58Tasio, que estaba moviendo unos sacos pesados,
31:01se detuvo y lo miró con resentimiento.
31:05Ese no es mi trabajo, señorito Andrés.
31:07Yo soy mozo de almacén, no recadero.
31:10Dígaselo a los de empaquetado.
31:14Andrés lo miró, sorprendido por la insolencia.
31:17He dicho que es urgente, Tasio.
31:19No estoy de humor para discutir.
31:22Haz lo que te he dicho.
31:24Fue la chispa que incendió la pólvora.
31:27Las palabras de Gabriel, sembradas días atrás,
31:30germinaron con una fuerza venenosa en la mente de Tasio.
31:35Gabriel le había dicho que los de la reina siempre serían iguales,
31:38que por mucho que Andrés se hiciera pasar por uno más,
31:41en el fondo los despreciaba,
31:43los veía como sus sirvientes.
31:44Estoy harto, estalló Tasio, tirando un saco al suelo con un golpe sordo.
31:52Harto de vuestras órdenes y vuestra arrogancia.
31:55Te crees muy diferente a tu hermano, pero eres igual.
31:58Hunde la reina de pura cepa,
31:59que piensa que puede pisotear a los demás porque lleva un apellido importante.
32:05Andrés se quedó de piedra.
32:06El ataque era tan inesperado y tan personal que lo dejó sin palabras por un segundo.
32:10¿Pero qué demonios estás diciendo, Tasio?
32:15Replicó, su propia ira empezando a aflorar.
32:19¿De dónde sacas esas tonterías?
32:22Solo te he pedido que hagas un trabajo.
32:24No es el trabajo, es la forma.
32:27La forma en que nos miráis, la forma en que nos habláis.
32:30Como si fuéramos escoria,
32:32los reproches laborales se transformaron rápidamente en un veneno más personal.
32:37Y mientras tú juegas a ser el jefe aquí,
32:40tu mujer se revuelca con el primero que pasa.
32:44La frase, aunque Tasio no sabía cuán cierta era,
32:48golpeó a Andrés con una violencia brutal.
32:52La mención de Begoña, unida al ataque personal,
32:56hizo que perdiera el control.
32:57Cierra la boca.
32:59Rugió Andrés, avanzando hacia él.
33:02No te atrevas a hablar de mi mujer.
33:05Hablo de lo que me da la gana.
33:07Todo el mundo lo cuchichea.
33:08La mosquita muerta de Doña Begoña y el abogado.
33:11Hacen buena pareja.
33:14Antes de que pudiera pensar,
33:15Andrés lo había agarrado por el cuello de la camisa,
33:18empujándolo contra una estantería.
33:22Las cajas se tambalearon peligrosamente.
33:24Por un instante, pareció que iban a llegar a las manos,
33:28dos hombres consumidos por frustraciones que apenas entendían,
33:31manipulados por hilos invisibles.
33:33Pero entonces, otros trabajadores acudieron al oír los gritos,
33:38y los separaron.
33:40Andrés, temblando de rabia y con una nueva y terrible ansiedad instalada en su pecho,
33:45se alejó de allí, dejando a un tasio jadeante y desafiante.
33:48La manipulación de Gabriel había dado sus frutos,
33:53abriendo una brecha de desconfianza y resentimiento que sería muy difícil de cerrar.
33:58En la casa grande, Marta buscó a Pelayo.
34:02Lo encontró en el despacho, revisando unos documentos.
34:07Pelayo, quería darte las gracias.
34:09Dijo ella, su voz suave.
34:11Él levantó la vista, sorprendido.
34:13Las gracias, porque, por lo de Fina, por proponerla como fotógrafa para tu reportaje.
34:23Pelayo sonrió, una sonrisa genuina y cálida.
34:26No tienes que agradecérmelo.
34:28Vi su trabajo.
34:31Es buena, muy buena.
34:33Se merece la oportunidad.
34:34Para ella significa el mundo.
34:36Continuó Marta.
34:37Y para mí, también, después de la crisis que tuvimos, de la anulación del viaje a Londres.
34:47Este gesto, este apoyo a alguien que es importante para mí.
34:51Es una forma de demostrarme que te importo.
34:54¿Qué te importamos?
34:56Se acercó a él y le puso una mano en el hombro.
34:59La tensión que había existido entre ellos desde la dolorosa conversación sobre no tener hijos pareció disiparse.
35:05Era como si ese pequeño acto de generosidad hacia Fina hubiera servido de puente para reconectar sus corazones heridos.
35:14Tú me importas más que nada en el mundo, Marta.
35:18Dijo él, cubriendo la mano de ella con la suya.
35:22Y si Fina es importante para ti, lo es para mí.
35:26Somos un equipo, ¿recuerdas?
35:28En lo bueno y en lo malo.
35:31Marta asintió, con los ojos húmedos.
35:33En ese momento, sintió que su matrimonio, a pesar de las grietas y las renuncias, aún tenía cimientos sólidos sobre los que reconstruir.
35:43A las 5 de la tarde, el sol de agosto caía a plomo sobre el pequeño parque de Toledo.
35:51Cristina caminaba de un lado a otro junto a un banco de forja, bajo la sombra lánguida de un castaño de indias.
35:57Cada coche que pasaba, cada figura que se acercaba a lo lejos, hacía que su corazón diera un vuelco.
36:06A su lado, sentada en el banco, estaba Irene.
36:10Finalmente, después de horas de agonía interna, había decidido acompañarla.
36:14La necesidad de respuestas, de un cierre, había sido más fuerte que su miedo.
36:22Había decidido tomar la oportunidad que la vida, o el destino, le estaba ofreciendo.
36:27—¿Crees que vendrá? —preguntó Cristina por enésima vez, retorciéndose las manos.
36:34—No lo sé —respondió Irene. Su voz era un susurro.
36:39Con José, nunca se sabía. Esperaron. El tiempo se arrastraba, denso y pesado. Pasaron 5 minutos.
36:4610, 15, con cada minuto que pasaba, la esperanza de Cristina se marchitaba un poco más, como las flores del parque bajo el sol implacable.
36:59Irene permanecía en silencio, su rostro una máscara impasible que ocultaba un torbellino de emociones.
37:07Recordaba ese mismo parque, años atrás, un picnic con José, risas, promesas, el sabor de un beso robado.
37:14Y ahora, la espera amarga de una ausencia. Cuando el reloj de la iglesia cercana dio las 5 y media, Cristina se detuvo.
37:25Miró a Irene, y en sus ojos ya no había esperanza. Solo una desolación infinita.
37:30—No va a venir —dijo, su voz rota.
37:35No se ha atrevido. Irene se levantó y la abrazó. No había nada que pudiera decir.
37:40El rechazo, el abandono, se repetía una vez más, esta vez de forma aún más cruel, porque había sido precedido por una brizna de esperanza.
37:51Se quedaron allí, dos mujeres abrazadas en medio de un parque indiferente, unidas por un fantasma común que se negaba a dejarlas en paz.
37:58El hombre nunca se presentó. La herida, en lugar de cerrarse, se había abierto un poco más.
38:09La puñalada final del día estaba reservada para Andrés. Llegó a casa exhausto.
38:14El altercado contasio lo había dejado temblando de rabia y con un mal sabor de boca.
38:18Las palabras del mozo de almacén, todo el mundo lo cuchichea.
38:25Tu mujer y el abogado, resonaban en su cabeza como un eco venenoso.
38:31Necesitaba cambiarse la camisa, que se le había manchado de polvo en el forcejeo,
38:36y sobre todo, necesitaba un momento de silencio, un trago de coñac para calmar los nervios antes de volver a la fábrica.
38:42Entró en la casa grande, esperando encontrarla vacía, pero en el salón, sentada en un sofá como una araña en el centro de su tela, estaba María.
38:55Se estaba recuperando notablemente de su enfermedad, y con la fuerza física, volvía también su inagotable capacidad para la intriga.
39:04Andrés, querido, ¿qué mala cara traes? Dijo, su voz chorreando una falsa preocupación.
39:10He tenido un mal día en el trabajo, eso es todo, respondió él, cortante, dirigiéndose hacia las escaleras.
39:21¿Estás seguro de que es solo eso? Insistió María, poniéndose en pie, te veo, desestabilizado.
39:29Como si te hubieran dado una mala noticia, Andrés se detuvo, con un pie en el primer escalón.
39:34Se giró para mirarla, la impaciencia dibujada en cada línea de su rostro.
39:40María, no estoy de humor para tus juegos.
39:45¿Qué quieres? María se acercó a él, su sonrisa era a la vez dulce y letal.
39:50Bajó la voz, como si le fuera a confiar un secreto íntimo.
39:53Solo me preocupo por ti, cuñado, y como sé que Begoña no te lo va a contar, quizás debería hacerlo yo.
40:04Para que no vivas en una mentira, un escalofrío recorrió la espalda de Andrés.
40:09Un presentimiento terrible, frío y oscuro.
40:13¿De qué estás hablando? María hizo una pausa dramática, saboreando el momento, el poder que tenía en sus manos.
40:19Luego, con una claridad cruel y precisa, asestó el golpe.
40:26Habló de que anoche, mientras tú probablemente no podías dormir preocupado por la fábrica, tu mujer, Begoña, no durmió en su cama.
40:36Pasó la noche fuera, pasó la noche entera con Gabriel de la Riva. El mundo se detuvo.
40:41Por un instante, Andrés no oyó nada.
40:46El sonido de la casa, el lejano tic-tac del reloj de pie, el murmullo de la vida exterior.
40:53Todo desapareció. Solo existían las palabras de María, suspendidas en el aire, incandescentes y afiladas como fragmentos de vídeo.
41:00Sintió un dolor físico, agudo y profundo, justo en el centro del pecho. Era una puñalada.
41:11Una cuchillada limpia y certera que le robaba el aire y le helaba la sangre en las venas.
41:17Las palabras de Tassio volvieron a él, ya no como un insulto malintencionado, sino como la confirmación de una verdad insoportable.
41:24Intentó mantener la compostura, mostrarse sereno. Era una cuestión de orgullo, de no darle a María a la satisfacción de verle derrumbarse.
41:36Apretó la mandíbula con tanta fuerza que le dolieron los dientes. Sus manos se cerraron en puños a sus costados.
41:44No sé de dónde sacas esas infamias, dijo, y se sorprendió de que su voz sonara casi normal, aunque un poco ahogada.
41:51Y no me importa, mi matrimonio es asunto mío y de Begoña. Se giró y subió las escaleras, con pasos rígidos y mecánicos.
42:02No corrió, no huyó, simplemente se movió, un autómata impulsado por la necesidad de escapar de la mirada triunfante de su cuñada.
42:09Pero la procesión iba por dentro. Cada escalón era una agonía. La imagen de Begoña en los brazos de Gabriel, riendo, besándose, compartiendo la intimidad de la noche.
42:22Se proyectaba en su mente una y otra vez, una tortura visual que lo desgarraba. No era celos por amor, pues sabía que su amor estaba muerto.
42:34Era algo más primitivo y devastador. La humillación, la traición, la confirmación final de su fracaso absoluto.
42:41Era la aniquilación de la poca dignidad que creía que le quedaba. Al llegar a su habitación, cerró la puerta y se apoyó en ella, jadeando como si hubiera corrido una maratón.
42:52El aire no le llegaba a los pulmones. Se miró en el espejo. El hombre que le devolvía la mirada era un extraño. Un hombre con el rostro pálido, los ojos desorbitados por el dolor y la rabia.
43:07La información no solo lo había desestabilizado. Lo había roto. La puñalada de María había sido mortal.
43:14Y mientras el sol de la tarde comenzaba a declinar, proyectando largas sombras en la habitación, Andrés de la Reina se quedó allí.
43:23Solo, sangrando por una herida que nadie podía ver, pero que amenazaba con consumirlo por completo.
43:31El día, que había comenzado con la promesa de libertad para algunos, terminaba para él con el sabor amargo de las cadenas más pesadas.
43:44Gracias por ver el video.
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