00:00Fábio Piperno, como é que você avalia essas consequências que começam a ficar cada vez mais profundas?
00:06Então, do ponto de vista político, eu insisto nisso, não tem negociação e não é porque o Brasil não quer.
00:11O Brasil tem feito acenos.
00:12Por mais que de vez em quando o presidente Lula faça uma ou outra crítica, os acenos existem o tempo todo.
00:19E não adianta, assim, imaginar que no campo político vai haver alguma solução para isso.
00:25Mas é importante manter a pressão política, sim, e até a OMC.
00:30Aliás, veja, a OMC, até falei sobre isso aqui outro dia, ela tem um outro aspecto nisso.
00:35O Brasil recorrendo à Organização Mundial do Comércio, dependendo do que a OMC resolver,
00:42e do ponto de vista prático, eu concordo, ela hoje é quase que uma nulidade,
00:47mas ela dá também respaldo legal, melhora a argumentação jurídica
00:53para que empresas e associações comerciais americanas reclamem lá internamente.
00:59Então, esse trabalho não vai ser feito pelo governo brasileiro.
01:04Quer dizer, não dá para o governo brasileiro imaginar que ele hoje tenha um braço longo
01:09a ponto de conseguir reverter isso.
01:11Quem vai reverter isso são os próprios interesses americanos,
01:15porque é basicamente uma questão política.
01:18Por exemplo, o Canadá. O Canadá tomou também 35% de retaliação de tarifas e tal.
01:26Por acaso, o Canadá está negociando com a China?
01:28O Canadá virou amigão na USA? Não.
01:31Mas o Canadá hoje também tem um governo com outro viés político e tal.
01:36Então, é sim uma ação política coordenada com outros parceiros.
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