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No JP Ponto Final, o Cardeal Dom Paulo César fala sobre sua missão na Ucrânia, compartilhando relatos e desafios enfrentados em meio ao conflito. José Maria Trindade conduz a entrevista que traz uma visão humanitária e espiritual sobre a situação no país.

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Transcrição
00:00Salve, seja bem-vindo. Olha, tradicionalmente nós falamos aqui de política, né? Sobre as entranhas
00:11de política, do poder, hoje nós vamos falar com Dom Paulo César, que é o arcebispo daqui de Brasília,
00:19ele é cardeal, né? Participou do conclave, uma pessoa muito influente, muito conhecida e querida
00:26na Igreja Católica. Ele esteve recentemente na Ucrânia e traz notícias de lá. Dom Paulo,
00:33muito obrigado por estar aqui nos estúdios da Jovem Pan para essa conversa.
00:37Alegria é minha, Zé Maria, de estar aqui com você, podendo falar um pouco do que vivi na Ucrânia,
00:44podendo um pouco partilhar nossa experiência de fé e de vida.
00:48Pois é, Dom Paulo, a guerra é feia, né? Sangra, machuca, maltrata famílias. O senhor foi lá,
00:56ver de perto o que está acontecendo na Ucrânia. Sim, eu fui à Ucrânia, convite dos bispos
01:01ucranianos, da Conferência Episcopal Ucraniana. Fui, fui para ser solidário com aquele povo,
01:09fui para encontrar, para ver a Ucrânia e me deparei com uma realidade de um povo que tem
01:16muita esperança, de um povo que tem muita resiliência, mas me deparei também com os horrores
01:22da guerra. Me lembro bem quando, em Lviv, logo que cheguei na Ucrânia, no segundo dia,
01:29dormimos em Lviv, fui visitar um cemitério. Me levaram para visitar um cemitério.
01:34E quando você olha a quantidade de vidas ceifadas pela guerra, jovens, jovens que teriam um futuro
01:41pela frente. Quando você se depara com essa realidade, você perde as palavras. Você vê quanta gente
01:49que teria um futuro, quantas famílias ceifadas de seus entes queridos, de jovens. E também em Kiev,
01:59uma igreja onde eles vão colocando no muro, uma igreja ortodoxa até, onde eles vão colocando no muro
02:05a foto dos soldados que morreram na guerra. Não é que ele corta também o coração. E também quando
02:12estive no hospital, onde são recuperados os soldados, e que você toca ali a tragédia da guerra.
02:22Naquilo que a guerra faz, mutila as pessoas. E uma cena assim que não me saiu da mente.
02:28Uma mãe. O filho, acho que teve a cabeça estourada por uma bomba, alguma coisa assim.
02:35E refizeram. E o choro da mãe. A mãe estava perto do leito, eu fui visitar, dei uma bênção.
02:42E o choro da mãe, aquela lágrima sutil que descia no canto do olho, mas que cortou meu coração.
02:49Você vê assim, a tragédia que a guerra faz, mas aquilo que a mídia não noticia.
02:54Porque é aquilo que ela causa nas famílias, é a dor que ela causa no coração das pessoas.
03:00É a guerra que vai minando o tecido, vai esgarçando o tecido social, o tecido de uma sociedade.
03:08Toda noite, o toque de sirene, onde as pessoas têm que se recolher,
03:14se os drones e os mísseis vêm na direção daquela cidade, se refugiar mesmo nos bunkers.
03:21Isso é o horror da guerra. A insegurança que as pessoas vivem todo dia.
03:28É aquilo que a guerra vai causando. Ela vai minando a esperança da vida das pessoas.
03:34Ela vai destruindo, ela vai ferindo as famílias por dentro.
03:40Ela vai minando a esperança dos jovens.
03:44Ela destrói mesmo. Em Kiev eu vi um prédio, que era alojamento de estudantes,
03:52que foi destruído por um míssil.
03:54E indo para Kiev também, um lugar que foi atacado pela Rússia,
03:59e mais ou menos 100 casas foram destruídas,
04:02porque devia ser um míssil com poderio de destruição forte.
04:06é mais ou menos umas 100 casas que foram destruídas por aquele míssil.
04:14É o que você vai vendo, o horror que a guerra vai causando.
04:18A guerra só traz desgraça para a vida de uma sociedade.
04:21Pois é, Dom Paulo, quando pensávamos que a paz estaria abraçando o mundo,
04:26a gente vê um momento diferente.
04:28Os países estão se armando e investindo mais.
04:32Havia um investimento maior na área social,
04:35e agora esses recursos vão para armamento.
04:38O mundo está mais belicoso.
04:41Existe alguma explicação para isso, ou talvez espiritual?
04:46Espiritual, quer dizer, se nós olharmos desde o início da humanidade,
04:51o ser humano se volta contra o ser humano.
04:53Deus criou o ser humano, começa com a imagem do jardim.
04:58Uma imagem bonita, onde Deus caminha com o ser humano.
05:01O ser humano foi criado para a felicidade, foi criado para a harmonia.
05:05Mas vamos encontrar logo no início o pecado.
05:08O pecado que destrói essa harmonia.
05:10Vamos encontrar irmão que já mata irmão.
05:13E assim, se olharmos um pouco, toda a história da salvação
05:16vai ser marcada por conflitos, por guerras, por violência.
05:21É o ser humano se voltando contra o ser humano.
05:24É o que nós assistimos hoje.
05:26De repente, parecia que o mundo começaria uma fase nova.
05:31Quando abriu-se o novo milênio, se tinha a esperança de que fosse o novo milênio de paz,
05:36o novo milênio de prosperidade.
05:39Algo novo começasse.
05:42E vieram as guerras.
05:43E agora, o Papa Francisco falava de uma guerra mundial em pedaços.
05:49Parece que são mais de 25 conflitos armados no mundo hoje.
05:53E os mais visíveis, esse conflito, essa invasão, que é essa palavra exata,
05:59essa invasão da Rússia à Ucrânia,
06:01e esse conflito de Israel, ali com a faixa de Gaza, com o Hamas,
06:06com aquela questão toda ali, não é?
06:10Com os palestinos.
06:11São os conflitos mais visíveis, não é?
06:14É o horror da guerra.
06:18É claro que, eu diria que com essa invasão da Rússia à Ucrânia,
06:24talvez começou uma história nova, no sentido de que a Europa que se rearmou,
06:31a Europa que talvez tivesse uma...
06:34que tem uma cultura mais humanística, que tem...
06:37Europa está se rearmando, não é?
06:41O investimento em armamento cresceu muito, né?
06:44Porque a Europa se sente, de certa forma, ameaçada.
06:49Eu acho que essa invasão marcou um tempo novo,
06:54está marcando um tempo novo,
06:56está marcando uma relação mais conflitiva,
07:00pelo menos na Europa, e não só na Europa, né?
07:02Com o mundo também.
07:03É o mundo, parece que entrou num tempo novo,
07:06mas um tempo novo de relações turbulentas, não é?
07:11Se deveria ser o diálogo a prevalecer nas relações entre nações,
07:17se nós falamos de mais de 25 conflitos armados,
07:21quer dizer, a força está prevalecendo nas relações.
07:26A Ucrânia, houve um momento em que a Igreja Católica
07:29tinha uma presença muito forte, né?
07:31Mas a Igreja foi proibida, foi vetada exatamente pelo regime comunista.
07:39Como ficaram essas relações da Igreja com a Ucrânia, com o Estado?
07:44Olha, é interessante, quando São João Paulo II visitou a Ucrânia,
07:50acho que em 2001, ele disse,
07:52a vossa luta é a luta pela liberdade.
07:55Por quê?
07:56Porque a Ucrânia foi dominada, foi pela antiga União Soviética,
08:02implantado ali o regime comunista.
08:05O regime comunista confiscou as igrejas,
08:08a igreja na Ucrânia era uma igreja bem estruturada,
08:13confiscou as igrejas, confiscou os bens da igreja,
08:17matou muitos leigos, matou padres,
08:20transformou as igrejas em museu.
08:24Eu tive, por exemplo, em Lutsk,
08:27uma catedral belíssima, uma catedral construída pelos jesuítas
08:32e que foi transformada, literalmente, em museu.
08:36Assim, o desejo dos comunistas era apagar a memória.
08:40Ainda é, né?
08:41É, era assim, apagar a memória da fé,
08:43aquilo que uma sociedade, uma sociedade sem fé,
08:47e por isso acabou com a igreja.
08:51Quis acabar com a memória,
08:53a igreja sobreviveu na clandestinidade,
08:56sobreviveu a fé no coração das pessoas,
08:59assim que a igreja sobreviveu,
09:01assim que a fé sobreviveu.
09:03Tanto que a igreja da Ucrânia
09:05é uma igreja quase sem estruturas ainda.
09:08Por exemplo, o arquidiocese de Kiev.
09:10Kiev é uma cidade com mais ou menos 4, 5 bilhões de habitantes.
09:12A catedral é da arquidiocese.
09:17Ao lado tem um prédio que era a cúria,
09:19que era a estrutura da diocese,
09:21que os comunistas confiscaram,
09:24que depois foi vendido para o Canadá,
09:26hoje é a Embaixada do Canadá.
09:29Para você ter ideia,
09:31a cúria da diocese de Kiev
09:33é a nossa cristia da catedral.
09:36Não é?
09:37Porque não tem, não tem.
09:38As estruturas foram todas tomadas pelo Estado.
09:43Para você ter ideia,
09:45o bispo mora num apartamentozinho muito simples.
09:48O teu bispo auxiliar também mora
09:50num outro apartamentozinho alugado.
09:52Porque a igreja não tem estruturas.
09:54Porque os comunistas tomaram tudo.
09:55Tomaram tudo.
09:57Tomaram tudo e quiseram apagar a memória do cristianismo.
10:02A gente entende o que foi o regime comunista
10:06quando você anda nesses países.
10:08A gente entende hoje um pouco qual,
10:11por exemplo, a luta de João Paulo II
10:13contra o comunismo.
10:16Entende mesmo as posturas dele
10:18com relação à teologia da libertação.
10:20Uma teologia da libertação mais de matriz marxista.
10:26Você entende quando vai...
10:29Por lá eles assustam, né?
10:31Os próprios padres assustam
10:34com a teologia da libertação.
10:36Dois padres me perguntaram,
10:38mas é verdade que vocês usam lá
10:40as teorias marxistas?
10:42Eu disse, não.
10:43Em outros tempos, nos anos 80, 90,
10:46naquele tempo forte da teologia da libertação.
10:49E nem toda a teologia da libertação
10:50usava análise marxista.
10:53Mas tinha as teologias da libertação.
10:55E hoje, a teologia da libertação,
10:57como é que ela está?
10:57Restrita a um pequeno grupo na igreja católica?
10:59Eu diria que a teologia da libertação
11:02está aí, não é, ainda, não é,
11:06mas eu acho que se purificou daquilo que...
11:09Claro que nem toda a teologia da libertação
11:11usou análise marxista.
11:13É muito interessante um documento
11:15que o, então, naquele tempo,
11:17era o prefeito da doutrina da fé,
11:18o cardeal Hatzinger,
11:20que fala sobre a teologia da libertação.
11:22A igreja condenou, sim,
11:23a teologia da libertação
11:24que usava análise marxista.
11:27A teologia da libertação
11:29ela trouxe uma questão fundamental
11:30para a própria igreja,
11:31que é a questão do pobre.
11:33Talvez a igreja tenha se afastado
11:35um pouco da questão do pobre,
11:36da questão do excluído,
11:38da questão do necessitado.
11:39Ela relembrou,
11:41ela trouxe esse elemento atona
11:42para a igreja.
11:44Não é onde a igreja
11:46renovou sua opção pelos pobres,
11:48mas opção evangélica.
11:50Dom Paulo,
11:52geralmente se fala e se discute
11:54assim, a relação da igreja
11:56com o poder,
11:58com o governo,
11:59o governo federal,
12:00estadual,
12:01e se fala muito
12:03em o Estado é laico,
12:04e ninguém sabe exatamente
12:05qual é a profundidade
12:06dessa palavra,
12:08o Estado é laico.
12:09Qual hoje é essa relação
12:11da igreja católica
12:13com o presidente Lula,
12:14com o governo atual?
12:16Quer dizer,
12:16a igreja tem
12:17a igreja tem
12:18uma relação de diálogo
12:20com o presidente,
12:23com aquilo que deve ter.
12:25Não é?
12:26Essa é a postura,
12:28talvez,
12:29que o magistério
12:30pede de nós.
12:31É muito interessante
12:32voltarmos um pouco
12:33ao quarto século
12:34do cristianismo.
12:35Quarto século
12:36do cristianismo
12:37tinha um bispo,
12:38Eusebio de Cesareia.
12:39Eusebio de Cesareia
12:41achava que a corte
12:44de Constantino
12:46achava que quase
12:47que era o reino de Cristo.
12:50Quer dizer,
12:51era uma postura
12:52de total submissão,
12:55era uma postura
12:57de admiração,
12:59onde se perdia
13:00o elemento crítico.
13:02Não é?
13:03E se nós olharmos
13:04outros grandes bispos
13:05do quarto século,
13:06por exemplo,
13:07como São Basílio Magno,
13:09os Capadócios
13:10e outros João Crisóstomo
13:11e outros grandes bispos
13:13sempre tiveram
13:14um relacionamento,
13:16justo relacionamento
13:17com o império,
13:18porém sempre
13:18com uma visão crítica.
13:20Esse deve ser
13:21o verdadeiro relacionamento
13:23da igreja
13:23com os poderes políticos,
13:26com o presidente da república,
13:28com os outros poderes
13:29da república.
13:30A igreja não pode ser submissa.
13:33A igreja,
13:34os tempos de submissão
13:36e os tempos de aliança
13:39entre igreja
13:41e poder político
13:42sempre trouxeram problemas.
13:44Quer dizer,
13:45onde o grande perigo
13:46é a igreja vender
13:46o evangelho,
13:48onde o grande perigo
13:49é a igreja vender
13:49a doutrina social
13:51da igreja,
13:52onde o grande perigo
13:53é a igreja vender
13:55aquilo que é mais sagrado
13:56para ela,
13:57que é Jesus Cristo.
13:58Então,
13:58deve ser o relacionamento
13:59de diálogo,
14:01a igreja deve dialogar
14:02com os poderes constituídos,
14:04ela tem esse dever,
14:06não é?
14:07A igreja tem algo
14:08a dar à sociedade,
14:10oferecer à sociedade,
14:12porém,
14:12ela deve guardar sempre
14:15a justa autonomia,
14:17autonomia que lhe vem da fé,
14:19autonomia que lhe vem do evangelho,
14:21autonomia que lhe vem
14:23da doutrina social da igreja,
14:24dos seus princípios.
14:26Nunca de mais,
14:28nem de menos.
14:29A aliança demasiada
14:31pode sempre,
14:32ah, mas é um governo
14:34que olha para os pobres,
14:35isso, aquilo.
14:37Aliança demasiada
14:38sempre pode trazer problemas,
14:40quer dizer,
14:41onde a igreja pode trair-se
14:43a si mesmo,
14:44trair o evangelho,
14:46trair a sua doutrina.
14:48O justo diálogo,
14:50a justa interação,
14:51onde a igreja tem algo
14:52a oferecer,
14:54onde a igreja
14:54tem algo a dar,
14:57ela tem algo a oferecer
14:58à sociedade,
14:59ela tem algo
14:59a dar à sociedade,
15:01o justo diálogo,
15:03onde todos ganham,
15:04mas onde se preserva
15:06a autonomia da igreja,
15:08a justa autonomia da igreja.
15:10Gardeal,
15:10eu costumo dizer,
15:11é uma ideia minha,
15:13de que o poder
15:13é como o sol.
15:15Se você fica longe do poder,
15:17morre de frio,
15:18congelado.
15:19Se você se aproxima demais,
15:20se queima,
15:21é isso que o senhor está dizendo,
15:24é esse equilíbrio.
15:26Não pode ficar longe,
15:28porque o poder decide
15:31a vida das pessoas.
15:32Nós estamos vivendo
15:33um momento
15:34que é claro,
15:35a ideia do conservadorismo,
15:38e, enfim,
15:39valorização da família,
15:42e um crescimento
15:43da igreja evangélica,
15:46e que são várias denominações,
15:49é muito difícil
15:49você classificar os evangélicos
15:52num só rumo,
15:54são várias denominações.
15:56como é que a igreja católica,
15:57como é que o senhor está vendo
15:58esse aumento
16:00de evangélicos no Brasil?
16:03Chegando ao poder,
16:04eles estão chegando ao poder,
16:06aos cargos de comando.
16:09Eu acho que o aumento
16:10dos evangélicos no Brasil
16:11se deve principalmente
16:13à fragmentação evangélica.
16:15É claro,
16:17existe uma pesquisa
16:19muito interessante,
16:20eu fui professor da PUC Rio
16:24durante bons anos,
16:26de 2002 a 2016,
16:29eu fui professor,
16:30fui coordenador de graduação,
16:32fui diretor
16:33do Departamento de Teologia
16:35da PUC Rio,
16:37era professor de 40 horas,
16:40e tinha um professor
16:41na PUC Rio,
16:42o professor César Romero,
16:43e ele fazia um estudo
16:44muito interessante
16:45do Atlas Religioso,
16:47onde ele pegava
16:48os dados do censo
16:50e fazia uma análise
16:51dos dados do censo.
16:52e qual era a percepção
16:55do professor César Romero,
16:56e me parece que nesse sentido,
16:58ele legou uma coisa
16:59muito interessante à igreja,
17:01mostrava o quê?
17:01Onde é que a igreja
17:02perde fiéis?
17:03Nas periferias.
17:05E perde por quê?
17:06Porque lá está
17:06a grande fragmentação evangélica.
17:09E outro elemento,
17:11onde a presença da igreja
17:14às vezes é mais frágil,
17:16se nós olharmos
17:17as periferias
17:17das nossas cidades,
17:19geralmente a presença
17:20da igreja
17:21é mais frágil,
17:23e a grande fragmentação evangélica.
17:25Eu trabalhei em Nova Iguaçu,
17:28era reitor de seminário,
17:29e ajudava os finais de semana
17:30numa paróquia.
17:32Na rua da paróquia,
17:34para você ter ideias,
17:35Maria,
17:35tinha oito igrejas evangélicas,
17:38e se nós andarmos
17:40um pouco
17:41nas periferias
17:41das nossas cidades,
17:43é um pouco
17:43essa realidade,
17:44onde a grande fragmentação evangélica,
17:47a igreja católica
17:48é uma só,
17:49não é?
17:50Então,
17:51é normal
17:52esse...
17:53Então, Paulo,
17:54eu vi aqui em Brasília,
17:55no ABC,
17:56uma comunidade
17:57que fica aqui próxima,
17:58uma igreja evangélica
17:59numa sala
18:00com quatro cadeiras.
18:02Alguém tem uma ideia?
18:04E montou
18:05uma igreja evangélica,
18:06uma denominação.
18:07Eu falei, gente,
18:07eu entrei lá,
18:09conversei com o pastor,
18:10o pastor de...
18:11Bom dia, varão,
18:13entra aqui,
18:13senta.
18:14E eu falei,
18:15inacreditável.
18:16Eu falei assim,
18:17não,
18:17que lote.
18:18Eu falei,
18:18claro,
18:18quatro.
18:19Mas, enfim,
18:20o senhor tem razão.
18:21Ah,
18:21essa fragmentação,
18:22eu vejo,
18:23por exemplo,
18:24a gente como jornalista,
18:25anda muito,
18:26em locais onde não tem
18:27nem estrutura,
18:29já tem igreja católica.
18:31Eu visitei o Xingu,
18:32lá em plena aldeia,
18:33aldeia indígena,
18:37já existe denominações evangélicas.
18:39Agora,
18:39um elemento interessante,
18:41por exemplo,
18:42aqui em Brasília,
18:44nós somos hoje
18:45164 paróquias,
18:50e hoje mesmo
18:51nós aprovamos
18:51no Conselho Presbiteral
18:52mais uma.
18:54Quer dizer,
18:54é uma igreja viva,
18:56uma igreja que está crescendo,
18:57uma igreja viva,
18:59não é?
18:59um grande número
19:00de jovens,
19:01um grande número
19:02de adolescentes,
19:03por exemplo,
19:03eu faço todos os anos
19:04encontro com os adolescentes,
19:07aqueles que vão ser crismados,
19:08né?
19:09É,
19:09mais ou menos
19:108 mil
19:11adolescentes.
19:13Quer dizer,
19:13a igreja está viva,
19:14não é?
19:15Eu vou muito às paróquias,
19:16eu gosto,
19:17eu acho que o pastor,
19:17ele tem que estar próximo
19:18do seu povo,
19:19então eu gosto muito
19:20de as paróquias,
19:21de...
19:22As nossas comunidades
19:23estão vivas.
19:24Agora,
19:25essa grande fragmentação
19:26religiosa.
19:28Agora,
19:28há um elemento,
19:29há muita gente
19:30voltando também,
19:31não é?
19:31Não tem gente indo,
19:34mas há muita gente
19:34voltando.
19:35Eu estou percebendo isso,
19:36as igrejas estão
19:37cheias novamente.
19:38É,
19:39e há um elemento
19:40hoje,
19:41por exemplo,
19:41muita gente adulta
19:42descobrindo a fé,
19:44né?
19:45É normal
19:45nas nossas comunidades,
19:47muitos batismos
19:48de adultos,
19:49adultos fazendo catequese,
19:51batismos de adultos,
19:53né?
19:54Pessoas que vêm
19:55de outras igrejas,
19:57né?
19:57Um fenômeno,
19:58assim,
19:59interessante,
20:00onde parece que
20:01houve um despertar
20:02da igreja.
20:04A minha impressão
20:04é um pouco essa.
20:06Quer dizer,
20:06se há,
20:07ao mesmo tempo,
20:07essa grande fragmentação,
20:09se o censo
20:10mostra que a gente
20:11está perdendo,
20:12o censo fala,
20:13mais ou menos,
20:14hoje,
20:14a nível de Brasil,
20:15de 56%
20:17de católicos,
20:20não é?
20:21Eu,
20:21assim,
20:24eu tenho vontade
20:24de fazer aqui em Brasília
20:25e pretendo fazer ainda
20:27um censo,
20:28assim,
20:29já entrei em contato
20:30com a Universidade Católica
20:32aqui,
20:33onde a gente faça
20:34um censo nosso
20:35para a gente ter
20:35alguma percepção
20:37também
20:38dessa realidade.
20:40Para a gente,
20:41é claro,
20:41quero fazer uma coisa
20:42científica,
20:43não é?
20:43Por isso,
20:44em contato com a católica,
20:45de forma que ela dê
20:47todo o suporte
20:47metodológico,
20:49onde os nossos jovens
20:51possam fazer,
20:53serem aqueles
20:54que vão de casa em casa,
20:56é uma coisa bem feita
20:57para a gente ter
20:58alguma percepção
21:00nossa também
21:01dessa realidade.
21:02Eu não sei se foi o senhor
21:03que me disse que,
21:05traduzindo assim,
21:07não há uma disputa
21:08entre católicos
21:10e evangélicos,
21:10aquela coisa de disputa
21:12acirrada,
21:13não sei se foi o senhor
21:13que me disse que
21:14quando a gente gosta
21:15de alguma coisa
21:16e quer que todo mundo
21:17goste também,
21:18mas alguém na igreja
21:19me falou isso.
21:20Não há uma disputa,
21:22né?
21:22Hoje,
21:23eu diria que sim,
21:24que o clima é outro,
21:26já teve aquele tempo
21:27de disputa,
21:28já teve aquele...
21:29Hoje,
21:29eu acho que é um clima
21:31de uma convivência
21:33mais natural
21:34entre as religiões,
21:37seja as religiões cristãs,
21:40também mesmo
21:41com as outras religiões,
21:42é claro que há momentos
21:43ainda não é assim
21:45de algum conflito,
21:47de algum...
21:48Mas hoje há um relacionamento
21:50mais tranquilo.
21:51É claro,
21:52a igreja católica tem aquilo
21:53que a gente chama
21:53o ecumenismo,
21:55né?
21:55O ecumenismo é a busca
21:56de,
21:58pelo menos,
21:58de diálogo
21:59com as religiões,
22:01de rezar juntos,
22:03de ver aquilo
22:04que se pode fazer juntos,
22:06né?
22:06Há lugares
22:07em que o ecumenismo
22:08acontece com mais naturalidade,
22:10há lugares
22:12em que o ecumenismo
22:14é um pouco mais difícil.
22:17Há denominações
22:19com as quais
22:20o ecumenismo
22:21é mais fácil,
22:22quer dizer,
22:22o diálogo
22:23é mais fácil,
22:24há outras
22:24que se fecham
22:26também ao diálogo, né?
22:28Claro que eu acho
22:29que entre as religiões
22:30o mínimo de diálogo
22:31deveria ter,
22:33deveria haver.
22:34Enfim,
22:34todos nós,
22:35as cristãs,
22:35todos nós cremos
22:36em Jesus Cristo,
22:38não é?
22:38Isso,
22:38o senhor
22:40é o arcebispo
22:42de Brasília,
22:43daqui do Distrito Federal,
22:44quer dizer,
22:44a maior autoridade
22:45católica aqui,
22:46né?
22:47E cardeal,
22:49isso é muito importante,
22:51o cardeal
22:51é um cardeal
22:52para sempre
22:52e como tal
22:53participou
22:54do último conclave,
22:55né?
22:56Qual é a característica
22:57que o senhor diria
22:58do Santo Padre?
23:00Olha,
23:01o Papa Leão XIV
23:03é um homem
23:04do diálogo,
23:05o Papa Leão XIV
23:07é interessante
23:07que ele foi um bispo,
23:09acho que foi feito
23:10até bispo
23:11pelo Papa Francisco,
23:13mas um homem
23:15que tem uma experiência
23:16de universalidade,
23:18ele foi geral
23:18dos agostinianos,
23:21e assim,
23:22conhecia antes?
23:23Conhecia
23:24como,
23:24depois que ele foi
23:26para trabalhar
23:26no dicastério
23:27dos bispos
23:28em Roma,
23:29né?
23:29Ele trabalhava
23:30no Vaticano,
23:31eu acho que trabalhou
23:32no Vaticano
23:33dois,
23:33três anos,
23:33acho que dois anos
23:34me parece,
23:35em dois anos
23:36ele,
23:37o Papa,
23:37o levou
23:38para o dicastério
23:39dos bispos,
23:40que é o dicastério
23:40responsável
23:41pela nomeação
23:41dos bispos,
23:42claro,
23:42quem nomeia os bispos
23:43é o Papa,
23:44mas ele
23:45era o prefeito
23:46desse dicastério.
23:48Aí,
23:48eu sei que antes
23:50do conclave
23:50tem encontros,
23:51né?
23:52Os bispos,
23:54os cardeais
23:55ficam reunidos,
23:57né?
23:57E depois partem
23:58para o conclave,
24:00propriamente dito.
24:01E ali é muita conversa,
24:02muita interação
24:03entre os cardeais.
24:06Sim,
24:06tem aquilo que nós
24:07chamamos do
24:08pré-conclave,
24:09que são as congregações
24:10gerais,
24:11onde todos os cardeais
24:12falam,
24:13onde todos os cardeais
24:14têm direito de falar,
24:15mais ou menos
24:16cinco,
24:16sete minutos,
24:17geralmente é,
24:18depois que eu cheguei
24:19se determinou
24:20mais ou menos
24:20cinco minutos.
24:21E se colocam
24:22como candidatos?
24:24Não,
24:24ninguém se coloca
24:25como candidato.
24:26E como é o processo?
24:28O processo é assim,
24:29devagar,
24:29é com tranquilidade,
24:31vão despontando nomes,
24:32e assim,
24:35não é,
24:35de conversas,
24:37de grupo,
24:37vai ser,
24:38naturalmente,
24:39vão surgindo nomes,
24:41mas assim,
24:42não é que tem
24:43campanha
24:44entre os cardeais,
24:46voto em fulano,
24:47voto em ciclano,
24:48aquela coisa.
24:49Mas vão se colocando
24:50e vão formando
24:51as lideranças,
24:52seria o,
24:53as ideias,
24:55né?
24:55Eu diria que assim,
24:57quer dizer,
24:57pelo menos nesse conclave,
24:59é uma coisa assim,
25:00por exemplo,
25:02o nome do Leão XIV,
25:05do cardeal Robert Prevost,
25:07não se falava,
25:09não é,
25:09se sabia,
25:10eu sabia que ele era
25:12um possível candidato,
25:15assim,
25:16que ele,
25:16mas assim,
25:17em momento algum,
25:18ele disse que era candidato,
25:19em momento algum,
25:20me lembro de cardeal,
25:21ter me pedido voto
25:22para ele.
25:23Eu torci pelo senhor,
25:26achei que o senhor ia ser
25:26de lá,
25:27papo,
25:29se ele tivesse votado no senhor,
25:31mas um cardeal,
25:33que não foi senhor,
25:34outro cardeal,
25:34me disse que
25:35é uma grande responsabilidade,
25:37Capela Sistina,
25:38com aquele afresco,
25:40com aquele clima,
25:42é muito pesada
25:43a responsabilidade
25:44da escolha
25:44de um comandante,
25:46de um pastor
25:47para a igreja.
25:48É uma responsabilidade
25:49muito grande,
25:50isso pesa sobre nós,
25:52mas ao mesmo tempo
25:53um clima tranquilo.
25:55Nós tínhamos consciência,
25:57isso vários cardeais falaram,
26:01nós queríamos escolher
26:02aquele que estava
26:03no coração de Deus.
26:05Isso tinha,
26:06assim,
26:06era um pouco
26:07o sentimento
26:08dos cardeais.
26:10Nós queríamos escolher
26:12aquele que estava
26:13no coração de Deus.
26:15E com naturalidade,
26:17foi aparecendo,
26:17e com rapidez até,
26:20não é,
26:21se percebeu
26:21aquele que estava
26:22no coração de Deus.
26:23O senhor assistiu
26:23o filme O Conclave,
26:25né?
26:27Reproduz ali
26:27a realidade
26:28do que acontece ali?
26:29Eu acho, assim,
26:30que o filme
26:31é um pouco pobre
26:32de cenário,
26:33assim mesmo,
26:35é...
26:35É tudo muito mais
26:36suntuoso, né?
26:37Não, eu não diria
26:38assim suntuoso,
26:39eu diria que é o Vaticano,
26:40né?
26:40O Vaticano tem história,
26:42tem aqueles palácios,
26:43aquelas coisas,
26:44assim,
26:45onde tem história,
26:47tem...
26:47o cenário do filme
26:49eu já achei,
26:50assim,
26:50até as fachadas,
26:52aquela coisa um pouco...
26:53Decadente.
26:53Um pouco decadente.
26:55Não é que não é o Vaticano.
26:57O Vaticano não é decadente.
26:58As coisas são bonitas,
26:59são sóbrias,
27:00mas bonitas.
27:00são...
27:01Mesmo a Santa Marta,
27:02a casa onde os cardeais
27:04ficam hospedados.
27:06É uma espécie de hotel, né?
27:07É, sim,
27:08é uma casa que tem lá,
27:09qualquer uma pessoa
27:10que vá a Roma
27:10pode ficar hospedada lá.
27:12É uma casa muito digna,
27:14um hotel muito digno,
27:16muito...
27:17Onde tudo com muita dignidade,
27:20né?
27:20E tem aquela politicagem
27:22que o filme mostra?
27:24Não.
27:24Não.
27:25Não tem?
27:25Não tem aquele clima
27:27de politicagem,
27:28aquela coisa, não.
27:29É um clima muito sóbrio,
27:31assim,
27:32onde se vai buscando
27:33perceber
27:34quem poderia guiar
27:35a igreja
27:37naquele momento.
27:38Ninguém se lança
27:39como candidato,
27:40ninguém se coloca
27:41eu sou candidato.
27:42Ninguém faz articulação,
27:43me apoia,
27:43alguma coisa?
27:44Não, não, não.
27:45Assim, uma coisa
27:46muito tranquila.
27:47Os senhores escolheram bem,
27:48quer dizer,
27:48o Espírito Santo
27:49transmitiu bem,
27:51o senhor acha que hoje
27:52olhando assim...
27:53Eu sou convencido
27:53que sim,
27:54que sou convencido
27:54de que o Papa Leão
27:56é um homem que escuta,
27:58um homem tranquilo,
27:59um homem que tem
28:00muita consciência
28:00da igreja,
28:01tem consciência
28:02de que é importante
28:03unir a igreja,
28:05um homem que tem
28:05consciência muito
28:06da unidade da igreja,
28:09tem consciência
28:09de que antes de tudo
28:10ele é um pastor
28:11para a igreja,
28:13não é?
28:13é claro, tem toda a relação
28:15com o mundo,
28:15que ele procura fazer bem
28:16também,
28:18toda a questão das guerras,
28:19a questão dos problemas
28:20do mundo,
28:20que ele procura fazer bem,
28:22e faz bem,
28:23mas está em consciência
28:24de que é um pastor
28:25para a igreja.
28:26Acho que nós escolhemos
28:29aquele que estava
28:30no coração de Deus
28:31e tenho certeza
28:33que já é um grande
28:35pastor para a igreja,
28:36que será um grande Papa.
28:37O nome que ele escolheu
28:38de Leão,
28:40não é?
28:40Relembra bem
28:41Leão XIII,
28:42que foi um Papa
28:42das questões sociais,
28:44daquele tempo
28:44da revolução industrial
28:47ali,
28:48não é?
28:49Acho que ele vai também
28:50tratar essas questões,
28:51principalmente a questão
28:52da inteligência artificial,
28:54novas questões sociais
28:55que estão aí,
28:56não é?
28:56E que precisam também
28:57de uma palavra iluminadora
28:59da igreja.
28:59O Cardeal Dom Paulo César,
29:02muito obrigado,
29:03eu gostei muito
29:04da nossa conversa
29:05aqui no Ponto Final.
29:06É muito importante
29:07traduzir e falar
29:08o que se passa
29:10na igreja católica.
29:11Muito obrigado,
29:12Dom Paulo.
29:13Eu que agradeço,
29:13Zé Maria,
29:14foi uma grande alegria
29:15estar aqui com você,
29:17conversando sobre a Ucrânia,
29:18sobre os problemas
29:19da atualidade,
29:20também colocando um pouco
29:22a vida e caminhada
29:23da igreja.
29:24Muito bem.
29:26Pois é,
29:26o Ponto Final,
29:27assim,
29:27traduzindo diretamente
29:28daqui dos estudos,
29:29da Jovem Pan,
29:31no coração do poder,
29:32Brasília.
29:33É isso aí,
29:34muito obrigado
29:35e continue aqui na Pan.
29:42A opinião
29:43dos nossos comentaristas
29:44não reflete necessariamente
29:46a opinião
29:47do Grupo Jovem Pan
29:48de Comunicação.
29:53Realização Jovem Pan
29:55do Grupo Jovem Pan
29:56do Grupo Jovem Pan
29:57do Grupo Jovem Pan
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