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  • há 8 meses

Categoria

Pessoas
Transcrição
00:00Olá, bom dia! Ontem foi comemorado o Dia do Imigrante e o Paraná conhece muito bem essa história.
00:15O Estado foi formado por gente vinda dos quatro cantos do mundo.
00:19É o Estado brasileiro com uma das maiores diversidades de nacionalidades.
00:24No meu Paraná de hoje, vamos mostrar que estes imigrantes continuam chegando por aqui o tempo todo, apesar da pandemia.
00:31A origem deles mudou muito, porque o mundo não é mais o mesmo.
00:35Agora, o que motiva essa decisão de uma mudança tão radical é a mesma que trouxe nossos antepassados para cá
00:41e que estimula muitos brasileiros a tentar a vida lá fora, a busca por novas oportunidades e por melhores condições de vida.
00:50Atualmente, quem lidera essa lista de novos imigrantes que chegam ao Paraná são os venezuelanos.
01:00A vida agora anda mais doce, colorida.
01:04As mãos fazem laços cheios de detalhes e bilhetinhos de carinho.
01:09São horas de trabalho junto a chocolates e frutas, que são vendidos como presentes nessa loja em Curitiba.
01:15Mas quem acha que ganhou mesmo um presente foi a Mari Elvia, o presente de recomeçar a vida em um novo lugar.
01:30Imagine você ter que vender tudo o que tem e se aventurar num país desconhecido para sobreviver.
01:37A Mari, que é da Venezuela, fez isso.
01:39A chefe da loja onde a Mari trabalha também já foi imigrante.
02:04Foram oito anos nos Estados Unidos.
02:07Agora, ela dá a oportunidade da mesma forma que um dia também recebeu.
02:12Eu sei muito bem da dificuldade de você estar longe de casa, você não falar a língua, você estar longe da tua cultura, da tua comida,
02:20de tudo aquilo que você gosta e que te traz aquele conforto, né?
02:24E eu me vi lá, há anos atrás, quando eu tinha três empregos, meu marido também tinha três trabalhos.
02:31Então, assim, eu sei do esforço que ela está tendo, né?
02:37Para poder recomeçar, né?
02:40Era dezembro de 2018.
02:43O dinheiro da venda da casa deu para comprar uma caminhonete bem antiga.
02:47Dentro dela, roupas, a Mari, um amigo, as duas filhas, os dois cachorrinhos e uma vontade enorme de mudar de vida.
02:55E quando nós passamos a fronteira e vimos em Pacaraima, sabonete, papel higiênico, todas essas coisas, chorávamos da alegria e da tristeza ao mesmo tempo.
03:13De Caracas, capital da Venezuela, a Curitiba, foram 6.260 quilômetros, sete estados brasileiros.
03:25E essa viagem não foi nada fácil.
03:27A caminhonete estragou inúmeras vezes pelo caminho.
03:31Faltou peça para o conserto, faltou dinheiro para abastecer, quase dois meses acampados num posto à beira da estrada.
03:38E como a minha filha mais nova era que melhor falava português, ela estava estudando língua em Venezuela,
03:46ela e o Manuel foram falar com os motoristas que estavam nesse posto onde ficamos.
03:51Foi muito difícil para mim como mãe, sabe?
03:55Que a filha fosse pedir dinheiro para continuar a viagem.
04:01De Mato Grosso do Sul, só conseguiram chegar ao Paraná pela boa vontade de quem eles encontraram no trecho.
04:07Um motorista colocou a caminhonete estragada dentro de um caminhão e deu carona para todos.
04:13E assim, há quase três anos, a família chegou a Curitiba.
04:18Hoje a caminhonete antigona deu lugar a um carro mais econômico e que não dá tanta dor de cabeça.
04:24A casa ainda é alugada, mas o trabalho é com carteira assinada.
04:29E a venezuelana agora é curitibana de coração.
04:33Vou beber aqui um pouquinho de café.
04:34E a gente foi recebido para essa conversa com o café da manhã, com um prato típico da culinária venezuelana.
04:42Isso aqui é uma arepa, que é um bolinho, a massa é feita de farinha de milho e você pode rechear com o que você quiser.
04:49Com presunto, com frango, enfim.
04:52Mari, esse aqui o recheio é do quê?
04:53Esse é frango com abacate.
04:56Nós, em Venezuela, comemos abacate salgado.
04:58Salgado.
04:59E aqui, doce.
05:02O abacate não fica doce, ele mistura com o gosto do salgado do frango, né?
05:06Muito bom.
05:06O que você espera daqui pra frente?
05:08Quisiera ter minha casa aqui.
05:12E eu me sinto aqui como em casa.
05:14Tenho saudade do meu país, da minha família também.
05:18Mas é difícil voltar sem nada lá.
05:24E só quem passou por tanta dificuldade que valoriza cada ajuda recebida nesse caminho todo.
05:32A Mari hoje criou uma página nas redes sociais pra ajudar outros venezolanos, outros imigrantes que estão chegando aqui ao Brasil sem nada como ela chegou.
05:40Ela arrecada com a comunidade vários tipos de doações.
05:43E aqui tá uma parte disso, olha, tem roupas, tem calçados, fralda, material de higiene, brinquedos.
05:49E ela arrecada e ajuda a fazer também até um pequeno enxoval pras grávidas, as gestantes que chegam aqui no Brasil pra tentar uma nova vida com seus filhos que estão por vir.
05:59Pensávamos que dar uma mão no outro era uma forma de ajudar.
06:05E assim como nós que recebemos tanta ajuda, decidimos compartilhar também.
06:09O Brasil tem um povo muito solidário. Eu agradeço toda a minha vida, toda vou agradecer ao Brasil.
06:18Não só por receber nós, a minha família, mas todos os venezolanos.
06:24É, o nosso estado tá cheio de novos idiomas, novas caras, mas os sonhos são muito parecidos.
06:31O Paraná é terra de imigrantes. É um dos estados do Brasil que mais tem diversidade de etnias.
06:40No passado, o nosso estado recebeu milhares de imigrantes vindos principalmente da Europa, em busca de melhores condições de vida.
06:48É por isso que hoje a gente tem várias cidades, museus, parques, memoriais, pra homenagear esses povos.
06:54Pessoas que ajudaram a construir a nossa história, a desenvolver a nossa economia e a formar a nossa população.
07:02E hoje, essa história se repete.
07:06O Paraná é o estado que mais recebeu venezuelanos no ano passado, por meio de um programa do governo federal.
07:13Foram mais de 8.600 pessoas do país vizinho.
07:16Quando esses imigrantes chegam ao Paraná, as opções de trabalho se dividem.
07:22Infelizmente, muitos acabam ficando na informalidade.
07:26E quem consegue uma assinatura na carteira de trabalho ou vai pro comércio ou pra construção civil.
07:32E muitos acabam vindo pra indústria.
07:36Na linha de produção, os sonhos andam juntos.
07:40Nas duas esteiras, lado a lado, a rotina de trabalho se mistura aos planos fora da fábrica.
07:48Como é que vocês se imaginam daqui a uns 5 anos, estando aqui?
07:51Daqui a 5 anos já tem todo o sonho realizado, né?
07:54Uma casa, tenho um carro, um filho, se Deus quiser.
08:03Mike e Francis são casados.
08:06Vieram da Venezuela há um ano e três meses.
08:08Lá, ele era gerente de uma rede de lanchonete.
08:11O salário lá é quase 60 reais aqui.
08:15Com isso, eu comprava a carne, um cartão de ovo.
08:19Mas nada.
08:20Só que eu vivia com minha mãe, minha pai.
08:23Eles também trabalhavam.
08:25E juntávamos tudo.
08:27A fábrica onde eles trabalham produz embalagens para alimentos e tem sede na Colômbia.
08:32Na unidade de Curitiba, são 25 refugiados que foram contratados nos últimos meses.
08:37Num programa de inclusão.
08:39É a indústria quebrando o preconceito de que o imigrante tira a oportunidade de trabalho de quem é daqui.
08:46A empresa está crescendo.
08:47Há espaço, há mercado para todo mundo.
08:51E o fato de você integrar, essas pessoas indo para cá, elas fazem parte da comunidade.
08:56A gente não tem essa diferenciação de onde a pessoa nasceu.
09:01Ela faz parte da comunidade local.
09:03O marino está gostando tanto das oportunidades que Curitiba deu para ele que, já já, o resto da família está chegando.
09:10Vão vir os pais, a irmã, o cunhado e o sobrinho.
09:13Todos da Venezuela para tentar a vida no Paraná.
09:17Tenho agora meu vale alimentação.
09:20E, graças a Deus, posso comprar o que eu não podia na Venezuela.
09:23Cesta básica, arroz, frango, o básico.
09:26Quando eu peguei meu primeiro salário, me senti emocionado.
09:32É mais do que uma cidade inteirinha e nova para se desbravar.
09:37É como se fosse um mundo novo.
09:39Nunca imaginei que eu ia ficar num lugar assim, tudo grande, tudo bonito.
09:51Eu gosto muito.
09:52Os olhos que brilham para a cidade nova são de Darian.
09:56E, graças a Deus, o que eu vou fazer?

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