Título Original: Os princípios do Libertarianismo e do Anarcocapitalismo no Espiritismo Publicado em OS, 18 de Setembro de 2020 ; BC, First published at 23:28 UTC on September 18th, 2020. Créditos: Rafael, Marco Batalha, Jaraguá, Alexsander Bard, Visão Libertária, ANCAP.SU Publicação Original | Vídeo : https://odysee.com/@ancapsu:c/os-princ-pios-do-libertarianismo-e-do:f Publicação Original | Descrição ou Thumbnail : https://old.bitchute.com/video/aKiz67DH4stp/
As idéias e os conceitos do libertarianismo têm raízes plantadas há alguns séculos, com pensadores como John Locke, Frédéric Bastiat e Lysander Spooner. Porém, seu amadurecimento ocorreu com Murray Rothbard, nas décadas de 1950 e 1960. Rothbard era discípulo de Ludwig Von Mises, o principal expoente da Escola Austríaca de Economia. Juntando os ideais libertários às idéias econômicas da Escola Austríaca, Rothbard formulou uma teoria libertária anarcocapitalista extremamente consistente. Fundamentada no direito natural à propriedade privada, ela nos leva ao Princípio da Não-Agressão, segundo o qual ninguém pode violar ou ameaçar violar a propriedade privada de terceiros. ... https://www.youtube.com/watch?v=OV_0NqKfOd4
00:00Os princípios do libertarianismo e do anarcocapitalismo no espiritismo.
00:06A doutrina espírita e o libertarianismo têm muito em comum.
00:10Este é o Visão Libertária, sua fonte de informações descentralizadas e distribuídas.
00:15Esse artigo foi sugerido e escrito por Rafael,
00:18revisado por Marco Batali de Araguá e narrado por Alexander Bard.
00:22As ideias e os conceitos do libertarianismo têm raízes plantadas há alguns séculos
00:27com pensadores como John Locke, Frederic Bastiat e Elisander Spooner.
00:32Porém, seu amadurecimento ocorreu com Murray Rothbard nas décadas de 1950 e 1960.
00:39Rothbard era discípulo de Ludwig von Mises, o principal expoente da Escola Austríaca de Economia.
00:46Juntando os ideais libertários às ideias econômicas da Escola Austríaca,
00:50Rothbard formulou uma teoria libertária anarcocapitalista extremamente consistente.
00:55Fundamentada no direito natural à propriedade privada,
00:59ela nos leva ao princípio da não-agressão,
01:02segundo o qual ninguém pode violar ou ameaçar violar a propriedade privada de terceiros.
01:07Agora, o interessante é que boa parte das conclusões a que Rothbard chegou na segunda metade do século XX
01:13já haviam sido reunidas em uma outra obra publicada bem antes, em 1857.
01:19Essa obra é o Livro dos Espíritos, escrito por Allan Kardec, um pseudônimo de Hippolyte Lyon-Denisade Rivalle.
01:28Abordaremos aqui onde estão esses conceitos no livro, que é a obra fundadora da doutrina espírita.
01:33Em formato de perguntas e respostas, o livro organiza bem as informações, abrangendo diversos assuntos.
01:40Começaremos pelo capítulo 10, da Lei de Liberdade.
01:44Entre as perguntas 825 e 872, Kardec discute a liberdade e suas consequências.
01:52Ele diz que a liberdade absoluta não existe, dado que há outras pessoas com que nos relacionamos
01:58e com as quais devemos nos preocupar.
02:00É aquela história, sua liberdade termina quando começa do outro.
02:04Por exemplo, você é livre para atear fogo no pasto de sua fazenda para estimular a rebrota da grama,
02:10mas você não é livre para deixar esse fogo invadir a fazenda do vizinho e prejudicar, digamos, sua cultura de milho.
02:19Nesse mesmo capítulo, é abordada a escravidão apontada por Kardec como uma aberração à lei natural, isto é, a lei divina,
02:27e que iria desaparecer gradualmente à medida que a sociedade progredisse.
02:32Ele também discute a liberdade da consciência e de credo, deixando bem claro que todos devem ser livres para acreditar
02:40ou deixar de acreditar no que quiserem.
02:43O capítulo subsequente aborda diretamente a lei de justiça, mostrando que esta é uma lei natural.
02:49Embora a justiça seja um sentimento inato ao homem, muitos a entendem de modos diferentes.
02:55Segundo Kardec, isso ocorre porque as pessoas misturam paixões que acabam por adulterar esse conceito,
03:02dando a elas uma falsa compreensão do que é a justiça.
03:05Quando o livro se propõe a buscar a verdadeira justiça, ele traz o conceito central da justiça defendida pelo libertarianismo.
03:13Notem nas perguntas seguintes como Kardec critica o justpositivismo e defende, como os libertários, a aplicação da lei natural.
03:21Pergunta 875A
03:23Como podemos definir a justiça?
03:26A justiça consiste em cada um respeitar os direitos dos demais.
03:31Pergunta 875A
03:34O que determina esses direitos?
03:36Duas coisas, a lei humana e a lei natural.
03:39Como os homens formularam leis apropriadas a seus costumes e características,
03:44elas estabeleceram direitos variáveis com o progresso das luzes.
03:48Vejam-se hoje as suas leis, aliás, imperfeitas, consagram os mesmos direitos que as da Idade Média.
03:55Entretanto, esses direitos antigos, que agora parecem monstruosos, pareciam justos e naturais naquela época.
04:03Então, o direito que os homens indicam nem sempre é de acordo com a justiça.
04:07Além do mais, este direito regula apenas algumas relações sociais,
04:12quando é certo que, na vida particular, há uma imensidade de atos unicamente da alçada do tribunal da consciência.
04:20Pergunta 876A
04:22Posto de parte o direito que a lei humana consagra, qual a base da justiça, segundo a lei natural?
04:29Diz-se o Cristo, queira cada um para os outros aquilo que gostariam para si mesmo.
04:34Deus imprimiu no coração do homem a regra da verdadeira justiça, fazendo com que cada um deseje ver os seus direitos respeitados.
04:42Na incerteza de como deva proceder com o seu semelhante, em dada circunstância,
04:47trate o homem de saber como quer que com ele procedam, em circunstância idêntica.
04:51Deus não poderia ter dado guia mais seguro do que a própria consciência.
04:56Nas questões citadas, ficam bem claros os princípios de justiça intrínsecos ao princípio da não-agressão do libertarianismo,
05:03que pode ser extraído facilmente como conclusão lógica desses conceitos.
05:07Logo mais, nesse mesmo capítulo, temos ainda mais duas questões que destituem qualquer forma coercitiva de poder instituída pelo Estado.
05:16Assim como no libertarianismo, isso não é aceito no espiritismo.
05:20Ao contrário, essas formas coercitivas de poder são mostradas como algo não natural.
05:26Pergunta 878
05:28Podendo o homem se enganar quanto à extensão de seu direito, o que o fará conhecer o limite desse direito?
05:35O limite do direito será sempre o de dar aos seus semelhantes o mesmo que quer para si, em circunstâncias iguais e reciprocamente.
05:44Pergunta 878a
05:47Mas, se cada um atribuir a si mesmo direitos iguais aos de seu semelhante,
05:52que virá a ser da subordinação aos superiores?
05:55Isso não seria a desarrumação de todos os poderes?
05:58Os direitos naturais são os mesmos para todos os homens, desde os de condição mais humilde até os de posição mais elevada.
06:07Deus não fez uns de material mais puro do que o de que se serviu para fazer os outros, e todos são iguais aos seus olhos.
06:14Esses direitos são eternos.
06:16Aqueles que o homem estabeleceu perecem com as suas instituições.
06:20Ademais, cada um sente bem a sua força ou a sua fraqueza, e saberá sempre ter certa deferência para com os que o mereçam, por suas virtudes e sabedoria.
06:31É importante acentuar isto para que aqueles que se julgam superiores conheçam seus deveres a fim de merecer essas deferências.
06:39A subordinação não se achará comprometida quando a autoridade for deferida à sabedoria.
06:45No próximo tópico deste capítulo, Kardec aborda o direito de propriedade.
06:50Pergunta 880
06:51Qual o primeiro de todos os direitos naturais do homem?
06:55O de viver.
06:56Por isso é que ninguém tem o de atentar contra a vida de seu semelhante, nem de fazer o que quer que possa comprometer-lhe à existência corporal.
07:04Pergunta 881
07:06O direito de viver dá ao homem o direito de acumular bens que lhe permitam repousar quando não possa mais trabalhar?
07:13Dá, mas ele deve fazê-lo em família, como a abelha, por meio de um trabalho honesto e não como egoísta.
07:20Há animais que lhe melhor dão o exemplo de previdência.
07:24Pergunta 882
07:25O homem tem o direito de defender os bens que tenha conseguido juntar pelo seu trabalho?
07:31Disse Deus
07:32Não roubarás
07:33E Jesus exclamou
07:34Dai a César o que é de César
07:36Tão sagrado quanto de trabalhar e de viver.
07:40Pergunta 883
07:42É natural o desejo de possuir?
07:45Sim, mas quando o homem deseja possuir para si somente e para sua satisfação pessoal, o que há é egoísmo.
07:52Pergunta 883a
07:55Entretanto, não será legítimo o desejo de possuir, uma vez que aquele que tem de que viver não é um fardo para ninguém?
08:02Há homens insaciáveis que acumulam bens sem utilidade para ninguém ou apenas para saciar suas paixões.
08:09Julgam que Deus vê isso com bons olhos?
08:12Aquele que ao contrário junta pelo trabalho, tendo em vista socorrer os seus semelhantes, pratica a lei de amor e de caridade e Deus abençoa o seu trabalho.
08:20Pergunta 884
08:22Qual o caráter da legítima propriedade?
08:25Propriedade legítima só é aquela que foi adquirida sem prejuízo dos outros.
08:30Vemos aqui que se toma por base o primeiro de todos os direitos naturais, que é o direito à propriedade privada, incluindo não só a propriedade de seu corpo, como também a propriedade de bens, frutos do seu trabalho e adquiridos sem prejuízo do próximo.
08:44Garante-se também o direito a defender esses bens. Vejam, esses conceitos são justamente aqueles defendidos pelo libertarianismo.
08:52Entretanto, o espiritismo aponta que em tudo deve haver um equilíbrio e que o desejo em demasia de possuir tudo leva ao egoísmo, uma das chagas da humanidade que origina muitos males.
09:05Como um pequeno adendo, também iremos expor algo que tanto no libertarianismo quanto no espiritismo não é buscado, a igualdade das riquezas.
09:14Pergunta 811. Será possível e já terá existido a igualdade absoluta das riquezas?
09:22Não, nem é possível. A isso se opõe a diversidade das capacidades e do caráter dos homens.
09:29Pergunta 811a. No entanto, há homens que julgam que esse é o remédio para os males da sociedade.
09:35O que os espíritos pensam a respeito?
09:38Os que pensam assim são sistemáticos ou ambiciosos, cheios de inveja.
09:43Não compreendem que a igualdade com que sonhos seriam em curto prazo desfeita pelas forças das coisas.
09:49Combatam o egoísmo, que é a sua chaga social, e não corram atrás de ilusões.
09:55Ou seja, vemos aí um ataque direto ao pensamento socialista que utiliza o poder da coerção para uma distribuição forçada e igualitária das riquezas.
10:04Kardec aponta o real sentimento por trás desse pensamento, a inveja.
10:09Portanto, nesses pequenos trechos, gostaria de apresentar tanto aos libertários os locais onde as ideias centrais dessa filosofia
10:17já haviam sido pregadas quanto aos seguidores da doutrina espírita, onde estão nela os conceitos do libertarianismo.
10:24Claro que o libertarianismo tem por objetivo ser um arranjo ético da sociedade, e a doutrina espírita abrange, além desse ponto,
10:32a busca do aprimoramento moral, a continuidade da consciência e a pluralidade dos mundos habitados.
10:38Porém, podemos ver as interseções de conceitos que auxiliam a criar uma sociedade justa,
10:44com uma real igualdade de direitos e que tem por premissa a liberdade da ação do indivíduo,
10:50dado livre-arbítrio, garantido por Deus e limitando-se no direito do próximo.
10:55Obrigado por sua audiência.
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