- há 9 meses
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NotíciasTranscrição
00:00Na primeira parte do programa, a gente comentou a parte política envolvendo a reforma tributária.
00:04Agora temos um convidado para fazer uma análise mais técnica da proposta.
00:07Vou dar boa noite aqui para o economista Paulo Rabelo de Castro,
00:11ex-presidente do BNDES, do IBGE, que participa agora do Papo Antagonista.
00:15Seja muito bem-vindo, Paulo. Muito obrigado pela disponibilidade.
00:20Eu que agradeço, Felipe. Prazer estar com vocês hoje
00:24e com todos os internautas que acompanham o Papo Antagonista.
00:28Muito obrigado. O prazer é nosso.
00:30E eu também vou dar boa noite para o Rodrigo Oliveira, apresentador do Morning Call,
00:33que está aqui com a gente, sabe tudo de economia, para participar dessa entrevista.
00:37Salve, salve, Rodrigo.
00:42Que não apertou o botão do microfone, né? Cadê o botãozinho do microfone para a gente ouvir o Rodrigo?
00:46Ah, mas aí o pessoal me sabotando aqui.
00:49Esse aí eu não controlo.
00:52Boa noite aí. Boa noite para todo mundo.
00:53Muito bem. Eu começo, então, querendo saber, obviamente, uma impressão geral do Paulo Rabelo de Castro
00:59a respeito desse texto aprovado na Câmara.
01:01A gente tem vários senadores, inclusive, nesse momento, dando declarações públicas,
01:05falando em alterar algumas partes.
01:08Eu convidei o Paulo porque, obviamente, é uma figura muito experiente
01:13e que atua com racionalidade sobre essa questão.
01:16Quer dizer, tem uma defesa da importância de uma reforma tributária do Brasil.
01:21No entanto, tem diversas críticas pontuais ao texto.
01:25Eu queria que abordasse, inclusive, na sua primeira avaliação, a questão das alíquotas.
01:31Porque se fala ali em diversas exceções, numa lista que começou com saúde e educação,
01:39e aí se vai descontando ali tributos de um monte de áreas e fica a questão.
01:46Então, outras vão acabar pagando mais impostos e isso, no final, pode ser ruim?
01:52Porque tem aquela tese alegada pelo governo de que não vai haver aumento de carga tributária,
01:57a arrecadação não vai ser alterada.
01:59Então, se se tira de um lado, vai se aumentar de outro.
02:02Isso pode ser prejudicial ao consumidor.
02:04Qual é a sua avaliação?
02:05Pois é, Felipe, eu agradeço a oportunidade de conversar com vocês,
02:14até porque quem tem trabalhado no tema como nós temos desde os anos 90,
02:22para não ir mais longe durante o período constituinte,
02:27que acompanhamos também a modificação que na época foi feita,
02:31nós temos uma alegria muito grande de ver que esse tema está realmente sendo levado a sério agora.
02:43O fato de nós termos tido uma votação bastante atropelada na Câmara dos Deputados,
02:50e foi atropelada porque, embora o debate venha de longas décadas,
02:56o texto é fundamental em matéria tributária.
03:02Aliás, o texto de uma emenda em nível constitucional,
03:07e até a vírgula, nesse caso, conta,
03:10é sempre algo que precisa ser disponibilizado com o tempo
03:14para que haja um debate, como você falou, racional.
03:18Neste caso, prevaleceu um atropelo político, por assim dizer,
03:23porque o presidente da Câmara ouve por bem não deixar que, vamos dizer assim,
03:32aquele circuito de negociações em torno do relator e em torno do relatório
03:41se estendesse, porque eles, não tendo muita segurança, a meu ver,
03:47sobre o que de fato queriam e aonde queriam chegar,
03:53estavam muito expostos a pressões políticas de todos os lados.
03:58Neste caso, essa intuição do Arthur Lira foi no sentido de dizer
04:04vamos votar, vamos votar logo,
04:07capturou as principais concordâncias
04:10e teve o texto aprovado por 382 votos, portanto, por larga maioria,
04:16e agora parte para o Senado.
04:19É natural, você comentava aí que alguns senadores já falam
04:23em debater e até procuram alterações do texto,
04:27quero dizer que é muito natural,
04:30até porque o debate está pela metade do caminho.
04:35O pintor já pegou as tintas, já fez um esboço do que quer pintar,
04:42estou falando como se a reforma tributária no Alalogia
04:46pudesse ser comparada a uma pintura,
04:49mas a pintura ainda está pela metade,
04:53não é só uma questão de retoques finais.
04:58E podemos, então, prosseguir comentando
05:01o que seriam os aspectos críticos desse momento
05:05a serem enfrentados pelo Senado Federal
05:08para, de fato, concluir essa pintura a contento.
05:13Por enquanto, ela está mais para um esboço borrão,
05:19sujeito, inclusive, a ser bastante remodelado
05:24para ganhar os contornos que o país precisa
05:28nesse momento em que se associa a reforma tributária
05:32à retomada do crescimento econômico do país.
05:35Perfeito.
05:36Paulo, só para não perder o gancho da minha pergunta,
05:38já vou passar a palavra aqui para o Rodrigo,
05:40mas qual o senhor acredita que vai ser a alíquota padrão
05:43do IVA, do imposto sobre valor agregado?
05:46Que muita gente diz que só se sabe isso agora no chute.
05:49Havia uma previsão de que fosse 25%,
05:51mas com essa retirada de um lado pode aumentar do outro.
05:56Isso está indefinido ainda?
05:58Eu não fugi da pergunta que você me fez.
06:03Eu apenas quis situar o nosso internauta
06:07sobre o que é que está em jogo
06:10e qual é o calendário dessa discussão
06:14para que ninguém fique comemorando
06:16o que ainda é incerto e que ainda é sujeito à alteração.
06:20O que se sabe é que essa alíquota
06:24nunca foi adequadamente calculada.
06:29Havia projeções por parte do grupo do Bernardo Api
06:35e falava ele pessoalmente em 25%.
06:39Mas ele falava em 25% como eu,
06:43em debate com o próprio Bernardo Api,
06:45um pouco antes dessa última rodada
06:49que vem do ano passado para cá,
06:52em 2019, por exemplo,
06:54há uns quatro anos atrás,
06:56o Bernardo falava em 20%.
06:58Ele foi adaptando para cima
07:01essa alíquota e, portanto,
07:05isso me gerou a mim
07:07e gerou a quem quer que o ouvisse
07:10muita insegurança,
07:11porque algo que pode ser 20%
07:14não pode, assim,
07:16de uma hora para outra,
07:17virar 25%.
07:18O que importa é que alguns,
07:20da própria equipe do Bernardo
07:23ou ligados ao IPEA,
07:25já falavam em 27%.
07:27E quando nós,
07:28no Atlântico,
07:29que é um instituto que você conhece,
07:32acompanha,
07:32um instituto de ação cidadã
07:34e que tem feito propostas
07:36para a previdência,
07:37para a reforma tributária,
07:39não agora,
07:40mas desde os meados dos anos 90,
07:43nós estamos inseridos
07:44nesse debate
07:45e, quando agora,
07:47recentemente,
07:48recalculamos isso
07:50dentro da nossa equipe técnica,
07:53chegamos a uma alíquota
07:55mais parecida com 29%.
07:58Portanto, para mim,
07:59nunca foi surpresa
08:02o que agora passa a ser
08:03uma surpresa para a imprensa,
08:06porque o próprio API
08:09disse que com todas essas exceções
08:11de 30% não passa.
08:14O professor Marcos Sintra
08:15já rodou um exercício,
08:18um mero exercício,
08:19também muito estimativo
08:21para eliminar,
08:22mas chegou a 33%.
08:25Na realidade,
08:27isso vai depender
08:27do conjunto de exceções
08:29a uma alíquota média
08:32que, se fosse única,
08:35ela estaria,
08:36realisticamente,
08:38numa faixa entre 25% e 29%,
08:41podemos começar a falar
08:43em 27%.
08:44O que nós precisamos passar
08:47para quem nos está acompanhando aí
08:49é que 27% é uma alíquota
08:52que, se fosse única,
08:54ela igualaria em tamanho
08:56às maiores alíquotas
09:00praticadas no mundo.
09:02Ou seja,
09:03apenas a Hungria
09:04e mais um outro país europeu
09:06praticam essa alíquota
09:09muito forte de 27%.
09:11Agora, você imagina
09:12a cesta básica alimentar
09:15do país
09:16sendo cobrada
09:17em 27%.
09:19Uma dúzia de ovos
09:21é o preço sem imposto,
09:22mais 27%.
09:24O litro de leite,
09:25mais 27%.
09:27O quilo de açúcar
09:29ou de arroz,
09:30mais 27%.
09:31A matrícula mensalidade
09:34da escola,
09:36do seu filho,
09:37na creche,
09:38no ensino fundamental,
09:40o valor,
09:41mais 27%.
09:42O seu plano de saúde,
09:44mais 27%.
09:45Eventualmente,
09:47a venda do seu carro usado,
09:49o valor,
09:49mais 27%.
09:50Impossível.
09:52Por quê?
09:52Onde é que está o erro?
09:54Nos 27%.
09:55O fato de nós termos
09:57uma carga tão pesada
10:00sobre a circulação
10:03de mercadorias e serviços,
10:05ou seja,
10:05sobre o consumo.
10:07Somos um país
10:08que tributa relativamente
10:09a renda
10:10e a propriedade,
10:12relativamente,
10:13porque também temos
10:14alíquotas elevadas,
10:16mas tributamos
10:18pesadamente,
10:20realmente temos
10:21uma alíquota
10:22que se aproxima,
10:24quando nós fazemos
10:25uma aproximação
10:27por uma alíquota única,
10:28a alíquota maior do mundo.
10:30Nada para em pé,
10:32nenhuma reforma
10:33pode dar certo,
10:35certo se nós
10:36não tivermos,
10:38vamos dizer,
10:38o equilíbrio,
10:39dizer,
10:40não,
10:40a cesta alimentar
10:41tem que ser tratada
10:43de uma forma
10:44seletiva,
10:47devido à sua
10:48absoluta
10:49essencialidade.
10:50Aí começaram
10:51a fazer
10:52aquilo que está
10:53se chamando
10:53de exceção,
10:54mas são
10:55as modificações
10:57e as alterações
10:58em torno
10:59de uma alíquota única
11:00que a grande maioria
11:02dos países
11:03faz.
11:04Todos os países
11:05praticam
11:07uma taxa
11:07que prevê
11:08essencialidade
11:09para alguns itens,
11:11a menos
11:12que você tenha
11:13um país
11:13que por ter
11:14uma alíquota
11:16muito mais
11:17moderada,
11:19por exemplo,
11:19na faixa de 10%,
11:21que é mais ou menos
11:22a média,
11:2312%
11:24é a média
11:25dos países
11:26que praticam
11:26alíquota única.
11:27Se fosse 12%,
11:29ainda seria tolerável
11:31então
11:31falar-se
11:32de uma alíquota única.
11:34Portanto,
11:35o API
11:35e os seus
11:36colaboradores
11:38sempre falaram
11:39em alíquota única
11:40e eu nunca
11:40acreditei,
11:41porque a nossa
11:42proposta é,
11:44se nós tivéssemos
11:45trabalhar desde o início
11:46com cinco alíquotas,
11:48nós teríamos obtido
11:50uma simplificação
11:51geral,
11:52uma calibragem
11:53em torno
11:54daquilo que
11:55cada segmento
11:56já paga,
11:58o que
11:58diminuiria
12:00os ruídos
12:00e nós teríamos
12:01a possibilidade
12:02de acelerar
12:03essa reforma
12:04tributária
12:05que está datada
12:06para ser concluída
12:08só daqui
12:09a dez anos.
12:11Nós deveríamos
12:11tratar
12:12desse aspecto
12:14também
12:14que saiu
12:15da votação
12:16da Câmara
12:16dos Deputados.
12:18Uma
12:18implementação
12:20de reforma
12:21extremamente
12:23morosa
12:23e
12:25que praticamente
12:27pode
12:28levar
12:29a essa
12:31reforma
12:32ser modificada
12:34depois de aprovada
12:35pelo Senado
12:36porque ela
12:37não terá
12:37entrado em vigor
12:38mas todo mundo
12:39vai estar olhando
12:40para ela
12:41e criticando
12:42seus eventuais
12:43falhos.
12:44Perfeito,
12:44Paulo.
12:44Só complementando
12:45para quem está
12:46assistindo aqui
12:46porque a gente
12:47está falando
12:47em exceções
12:48então vamos dar
12:48as informações
12:49básicas
12:50para todo mundo
12:51entender
12:51do que a gente
12:51está falando.
12:52Por exemplo,
12:52tem nove grupos
12:53de serviços
12:53e mercadorias
12:54que vão ter
12:55alíquota reduzida
12:56de acordo
12:56com esse texto
12:57aprovado na
12:58Câmara dos Deputados.
12:59Essa alíquota
13:00vai ser 40%
13:01da alíquota
13:03padrão.
13:03Portanto,
13:04menos da metade
13:05entre esses grupos
13:06estão serviços
13:07de educação
13:07e saúde,
13:08transporte coletivo,
13:09produtos e insumos
13:10agropecuários,
13:11alimentos e até
13:12atividades desportivas
13:14como futebol.
13:15Essa proposta
13:16também cria
13:18cinco regimes
13:19tributários específicos
13:20isso inclui
13:21combustíveis,
13:22serviços financeiros,
13:23imóveis,
13:23hotelaria,
13:24parques de diversão
13:25e restaurantes
13:26e ainda houve
13:27ali no finalzinho
13:28na calada da noite
13:29no apagar das luzes
13:30como se gosta
13:30de falar
13:31a ampliação
13:32da imunidade
13:33tributária
13:34das igrejas,
13:35uma emenda
13:35que acabou
13:36apelidada
13:36de Cavalo de Troia.
13:38Então,
13:38tem muita exceção,
13:40tem regime diferenciado,
13:41a coisa continua
13:42complexa,
13:43mas vamos ver
13:43se vai sair
13:43mais simples
13:44no final.
13:45Rodrigo Oliveira
13:45tem a sua
13:46consideração
13:47e a sua pergunta
13:48para o Paulo Rabelo
13:49de Castro.
13:49Diga lá,
13:49Rodrigo.
13:51Vamos lá,
13:52doutor Paulo,
13:52vou direto para a pergunta
13:53que é para facilitar
13:54aqui,
13:54eu tenho três perguntas.
13:56Primeiro,
13:57vou fazer uma parte
13:57de advogado do diabo,
13:59essa demora,
14:00essa lentidão
14:01para virar o sistema
14:04para o sistema
14:06de imposto de valor agregado,
14:08de imposto único,
14:10será que isso
14:11não poderia ser
14:12favorável,
14:15já que você vai conseguir
14:16calibrar melhor
14:17toda essa nova
14:20organização tributária?
14:23Porque o que a gente
14:24sentiu falta
14:25durante toda essa discussão
14:26foi justamente
14:27o que o senhor falou
14:27aí no começo.
14:28Não apareceram
14:29as contas,
14:30não apareceu
14:31o impacto.
14:33Na época
14:33da Previdência,
14:35a gente ouvia
14:36o Paulo Guedes
14:37reclamar,
14:38olha,
14:38se mudar isso aqui
14:39vai gastar mais
14:40não sei quantos bilhões,
14:41se aumentar não sei o que
14:42fica quantos bilhões a menos.
14:44E dessa vez
14:45a gente não teve isso.
14:46Deixa eu só emendar
14:47as outras duas perguntas
14:48e aí eu paro
14:49de falar para você
14:50me deixar,
14:50eu falo mais
14:51que o senhor
14:51vai ser uma coisa terrível.
14:54As duas coisas
14:55que eu acho
14:55que são
14:56muito graves
14:57nessa reforma tributária,
14:58os dois pontos
14:59são muito graves,
15:00são o imposto seletivo,
15:02porque ele é
15:03meio que
15:03uma abertura
15:05para você criar
15:06um imposto
15:08específico
15:09sobre coisas
15:10que você
15:10de alguma forma
15:12pretende
15:13para compor
15:14a arrecadação,
15:15pelo menos
15:15na minha visão
15:16desse governo,
15:17que é um governo
15:17que está muito
15:18atrás da arrecadação,
15:20não vai ser utilizado
15:21como uma ferramenta
15:22de justiça,
15:23tributária,
15:24qualquer outra coisa,
15:24mas sim
15:25a impressão
15:26que eu tenho
15:26é que vai ser
15:27uma válvula
15:29de escape
15:29para que você
15:30precisar de mais
15:30arrecadação.
15:31Imposto seletivo,
15:32para quem
15:32não está sabendo,
15:34é um imposto
15:35que você pode
15:36então tributar
15:37diferentemente
15:38alguns setores
15:39que você considera
15:41que são nocivos
15:42à saúde
15:42ou ao meio ambiente,
15:43aí você pode
15:44colocar qualquer coisa,
15:45plástico,
15:46refrigerante,
15:47cigarro,
15:47bebida alcoólica,
15:48aí vai
15:49da criatividade
15:51de cada um
15:51de achar aquilo
15:52nocivo ou não.
15:53E a terceira pergunta
15:54é sobre profissionais liberais,
15:57tem uma massa grande
15:58de PJtinhas,
16:00que a gente chama
16:01de pessoas
16:01que viraram PJ,
16:03jornalistas,
16:04advogados,
16:05médicos
16:05e outras classes,
16:07que agora
16:08vão ter
16:08a alíquota
16:09majorada.
16:11Acho que tem
16:12um texto de vocês
16:13da consultoria do senhor
16:15que diz até
16:15que é triplicada,
16:17eu queria que o senhor
16:17entrasse um pouco
16:18nesse assunto
16:19que isso vai,
16:20acaba que talvez
16:21até tem um impacto
16:22inflacionário.
16:25Exatamente.
16:28Eu
16:28diria para você,
16:32Rodrigo,
16:33que
16:33os três objetivos
16:35de uma reforma
16:36tributária,
16:38vamos falar
16:38do consumo,
16:39porque não estamos
16:40tratando de renda,
16:41essa já é uma limitação,
16:43quando a gente
16:43fala de consumo
16:45e estamos falando
16:46de 27 estados
16:47que tributam
16:48atualmente
16:49ICMS,
16:505.570 municípios
16:52que tributam
16:54via o ISS,
16:55que é o Imposto
16:56Sobre Serviço,
16:57que esse aí
16:58que se refere
16:58aos PJs,
17:00que são os prestadores
17:01de serviço
17:02nas mais diversas
17:03atividades
17:04e profissões,
17:06são hoje
17:0727 legislações
17:08diferentes,
17:095.570
17:12legislações
17:13de ISS
17:14distintas,
17:15ou seja,
17:16é um perfeito
17:17pandemônio,
17:18é um manicômio
17:18tributário,
17:19como a gente
17:20costuma
17:20chamar.
17:22Então,
17:22a ideia
17:23realmente seria
17:23aglutinar
17:24essas categorias
17:25tributárias,
17:27nacionalizando
17:28a legislação
17:30de forma
17:30que não impere
17:32a dúvida
17:34de quem
17:34trabalha,
17:35por exemplo,
17:37entre
17:37circulando
17:39produtos
17:40ou prestando
17:41serviço
17:41entre estados,
17:43entre municípios,
17:44institucionalizados.
17:45Então,
17:45seria importante
17:46nesta
17:47simplificação,
17:49que é
17:50o primeiro
17:51conceito,
17:52simplicidade,
17:53obter
17:54a nacionalização
17:56dessas
17:56legislações,
17:59e isso
17:59corresponde
18:00a uma outra
18:00PEC
18:01que não foi
18:02considerada,
18:03não foi levada
18:04em conta,
18:04como deveria
18:05me ouvir,
18:06que é a tal
18:06PEC 46.
18:08Mas,
18:08além da simplicidade
18:09que não foi
18:10obtida,
18:11nós não
18:12temos a
18:13necessária
18:14velocidade
18:15de implementação
18:16e tem
18:17a ver
18:18com aquela
18:19transição
18:20demorada
18:21que você,
18:22bancando o
18:22advogado,
18:23diabos,
18:23bom,
18:24essa transição
18:25não é demorada
18:26porque,
18:27pela incerteza
18:28dessa
18:29alíquota
18:30padrão
18:31que vai
18:32balizar
18:33as demais
18:33alíquotas,
18:34eu não
18:35precisaria
18:35de tempo
18:36para fazer
18:37essa
18:37calibragem?
18:39Já respondo.
18:40E terceiro
18:41conceito
18:42é o conceito
18:43de neutralidade.
18:46Ninguém
18:46deu mandato
18:47ao Congresso
18:49Nacional,
18:50creio eu,
18:50ninguém,
18:51quando eu digo
18:51a sociedade,
18:53ela crê
18:53que não
18:54esteja
18:54preparada
18:55para
18:56rediscutir
18:57quem
18:58deveria
18:59pagar
18:59mais
19:01para que
19:02alguns
19:03sejam
19:04menos
19:04tributados.
19:05Quando eu digo
19:05alguns,
19:06alguns setores,
19:07como a indústria,
19:08que se prevê
19:09que deva ser
19:10menos onerada
19:11e essa
19:12seria uma
19:13ideia boa
19:14se a gente
19:15pudesse
19:15reformular
19:16o sistema
19:16tributário
19:17sem onerar
19:19ao lado
19:20do serviço,
19:21sem onerar
19:21a cesta básica,
19:23sem onerar
19:24a agropecuária
19:26e assim por diante.
19:27Então,
19:27se a gente
19:27tiver simplicidade,
19:29velocidade
19:30e neutralidade,
19:31a gente
19:32estaria no rumo
19:33de uma
19:34reforma
19:35tributária
19:35que já é mais
19:36do que um esboço,
19:37ela já estaria
19:38pronta para ser
19:39finalizada.
19:40O que nós
19:41vemos é que
19:41nós,
19:42com esse texto,
19:43não atingimos
19:44ainda a necessária
19:46simplicidade.
19:47Por quê?
19:49Porque nós
19:49temos hoje
19:50cinco tributos,
19:52piscofins,
19:53que vale,
19:54na realidade,
19:56poderiam,
19:57são como
19:58tributos gêmeos,
19:59caminham
20:00como contribuições
20:01gêmeas,
20:02a gente conta
20:03como um.
20:04Piscofins,
20:05portanto,
20:05o IPI,
20:06que é o Imposto
20:07sobre Produtos
20:07Industrializados,
20:09o ICMS,
20:10que é o grande
20:10imposto,
20:11como eu disse,
20:11estadual,
20:13e o ISS,
20:14que é o grande
20:14imposto municipal,
20:17quatro tributos
20:18vão se tornar,
20:21lá na frente,
20:22quando em
20:222033,
20:23finalmente,
20:25chegarmos ao novo
20:26sistema,
20:27um IVA dual,
20:28que se vende
20:29como um tributo,
20:30mas,
20:31na realidade,
20:31são dois tributos,
20:33embora tenham
20:35a mesma base
20:36de cálculo
20:37e algumas simplicidades
20:38de atuarem
20:39em conjunto.
20:40Então,
20:40você nota
20:41que um é o
20:42IBS,
20:43uma parte
20:44desse IVA dual,
20:45que é o Imposto
20:45sobre Bens e Serviços,
20:47está aí substituindo,
20:48basicamente,
20:49o ICMS
20:50junto com o ISS,
20:53e a CBS,
20:54que está substituindo
20:56a Piscofins.
20:57E nós temos,
20:58e você fez a crítica,
21:00também um imposto
21:01seletivo,
21:02sobre o qual
21:03pouco se falou,
21:04mas tem uma
21:05grande vocação
21:06para ser um
21:07grande tributo
21:08intervencionista,
21:10porque o
21:11legislador
21:12ordinário,
21:13no futuro,
21:14poderá interpretar
21:15como passível
21:16de tributação
21:17qualquer coisa
21:18que alguém
21:20perceba
21:23dentro do governo
21:24que seja
21:24nocivo à saúde
21:25e nocivo
21:27ao meio ambiente.
21:29A gente diria,
21:30bom,
21:30mas taxar
21:32a poluição
21:32é importante.
21:34Sim,
21:34mas na hora
21:35em que a gente
21:35começa,
21:36por exemplo,
21:37a lembrar
21:37que o plástico
21:38é um elemento
21:40poluidor da natureza,
21:41como de fato é,
21:43qual é o limite
21:43da taxação,
21:45da utilização
21:45de tudo
21:46que utiliza
21:47plástico
21:48e que poderá
21:50vir a ser
21:50uma tributação
21:51extremamente
21:53intrusiva
21:54em todas
21:55as atividades
21:55econômicas?
21:56É esse tipo
21:57de conceito
21:59que me leva
22:00também a concordar
22:01com você
22:02que esse imposto
22:02seletivo
22:03poderia tranquilamente
22:05estar sendo
22:06trabalhado
22:07como uma parte
22:09superior
22:11de uma alíquota
22:12mais elevada
22:13do próprio
22:13IVA.
22:15E aí nós não teríamos
22:16uma nova categoria.
22:18E, além do mais,
22:19não quero entrar
22:20nesse detalhe,
22:21mas se deu
22:22a abertura
22:24no artigo 20
22:25do texto
22:26que foi aprovado
22:27para um
22:28uma
22:30C-I-O,
22:33aliás,
22:34uma C-O-I,
22:36que seria um
22:37COI,
22:37uma contribuição
22:39sobre obras
22:41de infraestrutura,
22:43algo que alguns
22:44estados praticam
22:45como um fundo
22:46estadual
22:46de infraestrutura
22:48e que poderia
22:49se transformar
22:51com a,
22:51se corroborar
22:53esse artigo 20
22:54pelo Senado,
22:55numa nova
22:56contribuição.
22:58Então, quando você
22:58soma
22:59CBS,
23:00IBS,
23:01Imposto Seletivo
23:02e essa COI,
23:04essa enigmática
23:05COI,
23:06nós temos
23:06quatro tributos.
23:08Ora, nós tínhamos,
23:09na realidade,
23:09quatro tributos antes.
23:11Então, qual a simplificação?
23:14Nesse sentido,
23:15praticamente nenhuma.
23:16Nós temos
23:17exceções,
23:18nós temos
23:19alíquotas
23:20diferenciadas,
23:21portanto,
23:22eu antevejo
23:23a perda
23:24da simplicidade
23:25que seria
23:26um aspecto
23:27fundamental
23:28dessa legislação.
23:30Além do mais,
23:30não temos velocidade
23:31porque a implementação
23:33é praticamente,
23:36a gente tem que tomar
23:37aí muito remédio
23:38para não
23:39ficar mal
23:41e manter a saúde
23:42para poder ver
23:43essa reforma tributária
23:44finalmente
23:45implementada.
23:46E há um aspecto
23:48sobre o qual
23:48não falamos,
23:49eu menciono agora
23:50gravíssimo,
23:51que é
23:51também
23:52esse conselho federativo
23:54que, a meu ver,
23:55é um chute
23:56na canela
23:57da Federação
23:58Brasileira.
23:59Mas concluo
24:00dizendo que
24:01a PJ,
24:03que é
24:04aquela
24:04pessoa jurídica
24:08que é utilizada
24:09por prestadores
24:10individuais,
24:11em geral,
24:12via MEI,
24:13e que paga
24:14um ISS
24:15mais
24:17a PIS
24:18Cofins,
24:19de modo
24:20cumulativo,
24:20se o ISS
24:21que é pago
24:22por essa PJ,
24:23por esse prestador
24:24de serviço,
24:25é um ISS
24:26cheio,
24:27da ordem
24:27de 5%,
24:29você acrescenta
24:30na sua nota
24:31de prestação
24:32de serviço
24:325%
24:34de ISS,
24:355%,
24:35mais 3,65%
24:38referente
24:39a PIS Cofins.
24:40Então,
24:40você paga
24:418,65%.
24:45Não é uma
24:45alíquota barata
24:47para um prestador
24:48de serviço,
24:48ela já é
24:50uma alíquota
24:50significativa.
24:52Ora,
24:52se você pegar
24:538,65%
24:55e multiplicar
24:56por 3,
24:58a gente chega
24:59a um número
25:01parecido
25:01com 27%,
25:03só pegar,
25:04arredondar 9,
25:053 vezes 9,
25:0627,
25:06seria um 27%,
25:08ou seja,
25:09a proposta
25:10hoje,
25:11que está
25:12aprovada
25:12na Câmara,
25:14multiplica
25:14por 3,
25:16a alíquota
25:17cheia
25:17hoje paga
25:18os seus
25:19colegas
25:20jornalistas
25:21quando tiram
25:22nota
25:22via
25:23SAPJ,
25:24por nós
25:25economistas,
25:26por advogados,
25:28por prestadores
25:29de serviços
25:30de consulta
25:31médica
25:32e assim
25:33por diante.
25:33Todo mundo
25:34hoje
25:35terá
25:35essa alíquota
25:36triplicada.
25:38Eu vejo
25:38isso como
25:39impacto
25:39de pressão
25:42sobre custos
25:43desse serviço
25:44muito ruim
25:45e isso
25:46precisaria
25:47ter um
25:48outro
25:48tipo
25:48de tratamento,
25:50eis a
25:50motivo
25:50pelo qual
25:51essa
25:53pintura
25:53de reforma
25:54tributária
25:55ainda não
25:55passa
25:55realmente
25:56de um esboço
25:57e tem
25:57que ser
25:57muito
25:57aperfeiçoada.
25:59Paulo,
26:00Carlos Graeb
26:00está aqui
26:01no estúdio,
26:01tem uma
26:01pergunta para o senhor,
26:02diga,
26:03Carlos.
26:04Como vai,
26:04Paulo?
26:05Boa noite,
26:06né?
26:07Boa noite,
26:08Carlos.
26:08Tudo bem?
26:09Eu queria lhe
26:10perguntar
26:10sobre
26:11guerra
26:11tributária.
26:14Enfim,
26:15a gente sabe
26:16que guerra
26:17tributária
26:17é uma coisa
26:18que acaba
26:19distorcendo
26:20as decisões
26:21de investimento,
26:24cria diversos
26:25problemas
26:25para o país.
26:27Vai acabar
26:28a guerra
26:28tributária
26:29com essa
26:29reforma
26:30ou não?
26:32É uma
26:33ótima
26:34pergunta.
26:35O
26:36país,
26:36Carlos,
26:37ele é
26:38instituído
26:40politicamente
26:42como uma
26:42federação.
26:43São 27
26:44estados
26:45e,
26:46diferentemente
26:46do que acontece
26:47em vários
26:48países,
26:49onde
26:50essa força
26:51federativa
26:52é menor,
26:54nós,
26:55em parte
26:55porque temos
26:56um território
26:57de dimensão
26:58continental
26:59e eu
27:00concordo
27:01que esse
27:02é um bom
27:02arranjo,
27:03não é um arranjo
27:04ruim,
27:04demos muita
27:05força também
27:06a uma
27:07terceira esfera
27:08administrativa
27:09que ganhou
27:11também
27:11competência
27:12tributária
27:13que é
27:13o município.
27:15O município,
27:16e somos
27:175.570 municípios,
27:20contando com o
27:21Distrito Federal,
27:22ou seja,
27:23é uma
27:24constelação
27:26de administrações
27:27locais
27:28que até hoje
27:29se valem
27:31do IPTU,
27:33que é o Imposto
27:33Sobre Propriedade
27:35Urbana,
27:36e do ISS,
27:37que é o Imposto
27:37Sobre Serviço,
27:38como os dois
27:39grandes tributos
27:40que o município
27:42recebe.
27:43E o ICMS,
27:45que é o
27:45referente aos
27:46estados,
27:47é o que hoje,
27:48através da parte
27:50que é recolhida
27:51pelo estado
27:52de origem
27:53da produção,
27:54e nessa origem
27:55ficam
27:567%
27:57ou 12%
27:58da alíquota
28:0018 do ICMS,
28:02é com esses
28:02tributos
28:03que estados
28:05e municípios
28:06de alguma forma
28:07competem
28:08para ter
28:09nos seus
28:10territórios
28:10as produções
28:12industriais
28:13ou as prestações
28:14de serviços
28:15que são importantes
28:16para a geração
28:18de empregos.
28:19E, apesar
28:19das inúmeras
28:20críticas que
28:21incentivos fiscais
28:23têm tido,
28:24das eventuais
28:25distorções
28:26apontadas,
28:27o fato é
28:28que, se não fosse
28:30por esses
28:30incentivos,
28:32muitas das
28:33produções
28:33que hoje
28:34estão localizadas
28:35em áreas
28:36que já estão,
28:37vamos dizer assim,
28:38consolidadas
28:39e que têm
28:40indústrias
28:41se movimentando
28:42com
28:43largueza
28:45e com
28:45competitividade,
28:48nós não teríamos
28:49tido
28:49o deslocamento
28:50necessário
28:51dessas indústrias
28:53que estariam
28:53completamente
28:54concentradas
28:55apenas nos
28:56polos
28:56tradicionais.
28:58O que está
28:59acontecendo
29:00que merece
29:01ser, de certa
29:02forma,
29:03calibrado
29:04é o tamanho
29:06desse incentivo.
29:07Quando nós
29:08temos hoje,
29:09na origem,
29:10o ICMS
29:10sendo capturado
29:12pelo Estado
29:13produtor,
29:14por assim dizer,
29:15da ordem
29:16de 7% a 12%,
29:18numa faixa
29:19total de 18%,
29:21que é a alíquota
29:22média do ICMS,
29:24nós temos
29:24uma parte
29:25relativa
29:26da produção
29:27muito grande
29:28em relação
29:29àquilo que é
29:31capturado
29:31pelo Estado
29:32de destino,
29:33para onde vai
29:34a mercadoria
29:35ou para onde
29:35vai prestar
29:36o serviço.
29:36Essa turma
29:38que fez a proposta
29:39de reforma
29:39tributária
29:40leu nos livros
29:41textos,
29:42e os livros textos
29:43estão corretos
29:44em tese,
29:45e o IVA
29:46é um imposto
29:47destinado
29:48a ser
29:49para o destino.
29:50Então,
29:51de uma penada,
29:52estão trazendo
29:53essas alíquotas
29:55de tributos
29:57que são hoje
29:58capturadas
29:58pelos Estados,
29:59pelos municípios
30:00de origem
30:01da produção
30:02para serem
30:03100%
30:05tributadas
30:06no destino.
30:07Eu antevejo
30:08muita complicação
30:09nessa passagem
30:11de uma hora
30:12para outra
30:13da origem
30:15para o destino.
30:16Muito mais interessante
30:17seria se a gente
30:18tivesse
30:19calibrado
30:20eventualmente
30:21em 4 pontos percentuais,
30:23em 4%,
30:24a retenção
30:26pelo Estado
30:27de origem,
30:28porque isso
30:28daria
30:29suporte
30:30para esse Estado
30:31ou eventualmente
30:32até o município,
30:34vamos dizer,
30:34dispor
30:35dessa quantidade
30:36de recursos,
30:38fazer com que
30:39fosse desnecessária
30:41essa COE
30:43que está se inventando
30:44no artigo 20,
30:46que é a contribuição
30:47para obras
30:47de infraestrutura,
30:49que de certa forma
30:50é o quantitativo
30:52que o Estado
30:53sente que precisa
30:54para realizar
30:55suas obras
30:56de infraestrutura.
30:57Dou um exemplo
30:58do nosso Estado
30:59lá no Mato Grosso
31:00que teria
31:02e vai ter
31:02uma pancada
31:03muito grande
31:04de redução
31:05de arrecadação
31:06se o COE
31:07dele,
31:07que se chama
31:08FETAB,
31:09for extinto.
31:12Então,
31:12nós temos hoje
31:13uma,
31:14vamos dizer assim,
31:15uma proposta
31:17mal calibrada
31:18entre a extinção
31:21da guerra,
31:22da suposta
31:23guerra fiscal
31:23e o mínimo
31:25de competição
31:26que os Estados
31:28de desenvolvimento
31:29ainda menos avançado
31:31precisam ter
31:32para oferecer
31:34alguma vantagem
31:36de distância
31:37para cobrir
31:39o maior custo
31:41de transporte
31:42e que esses 4%
31:44seriam
31:44bastante suficientes
31:46para acomodar
31:47essa desvantagem.
31:50De forma que
31:51eu quero dar
31:51para os nossos
31:52internautas
31:53a seguinte percepção.
31:55Vocês não devem
31:55estar entendendo
31:56grande coisa
31:57porque esse assunto
31:57é extremamente técnico,
31:59mas a grande verdade
32:00é que nós teríamos
32:02soluções
32:03bem mais
32:03pragmáticas,
32:05pragmáticas,
32:06levando em conta
32:07que aqui o município
32:08tem que manter
32:09capacidade tributária,
32:11senão nós vamos ter
32:125.570 pedintes
32:15em Brasília
32:16e isso aí
32:18volto a bola
32:19para o Felipe,
32:19do ponto de vista
32:20político, Felipe,
32:22nós nem começámos
32:23ainda a perceber
32:25o grau de centralização
32:27administrativa,
32:29financeira
32:30e fiscal
32:31que o país
32:32vai
32:33entrar
32:35a partir
32:35de 2033.
32:37Nós vamos ter
32:38muito mais Brasília
32:40e muito menos Brasil.
32:42eu acho
32:42que a maior parte
32:43da comunidade brasileira
32:45gostaria
32:46de que isso
32:47fosse o contrário,
32:48nós tivéssemos
32:49um fortalecimento
32:51da Federação
32:52Brasileira
32:52e realmente
32:54essa reforma
32:55no atual desenho
32:56ela vai
32:57para a centralização
32:58e isso pode
33:00favorecer
33:01uma escorregada
33:03para o
33:04autoritarismo
33:05político,
33:06que hoje
33:06no Brasil
33:07já não é pouco.
33:08Exatamente,
33:09aliás,
33:09foi esse ponto
33:11contra o qual
33:12o Tarcísio de Freitas
33:13nos últimos dias
33:14lutou,
33:15preocupado
33:15que estava
33:16com o Conselho
33:17Federativo,
33:18preocupado
33:19em que os estados
33:20perdessem
33:20autonomia,
33:21a gente tratou disso
33:22em detalhes
33:23aqui no programa,
33:24a gente já
33:24ultrapassou o tempo,
33:25Paulo,
33:25mas eu não resisto
33:26a uma última
33:26perguntinha,
33:28que é sobre o setor
33:28de serviços,
33:29desde o começo
33:29houve um embate
33:30entre indústria
33:32e serviços,
33:33chegou-se a falar
33:34que haveria um desconto
33:35de imposto
33:35para a indústria
33:36anualmente
33:36de 500 bilhões
33:37de reais
33:38e quase isso
33:39a se onerar
33:41no setor
33:42de serviços
33:42que estava
33:43insatisfeito
33:44e era um dos grupos
33:45descontentes
33:46que o próprio Tarcísio
33:48reuniu no momento
33:49em que estava
33:49confrontando determinados
33:51pontos dessa proposta.
33:53O relator
33:53chegou a alegar
33:55que, olha,
33:55embora um salão
33:56de cabeleireiro,
33:57por exemplo,
33:58venha a pagar
33:58mais imposto,
33:59ele vai acabar
34:00pagando menos
34:00em produtos
34:01como shampoo,
34:02etc.,
34:03no fim vai ficar
34:04mais ou menos
34:04equilibrado.
34:05Quer dizer,
34:06como é que o senhor
34:07avalia esse texto
34:08da perspectiva
34:09do setor de serviços?
34:10Eles vão continuar
34:11insatisfeitos?
34:12Eles foram compensados
34:13de alguma forma?
34:15O setor de serviços,
34:18ressalvado aqueles
34:19de educação,
34:21saúde e transportes
34:23que foram mencionados
34:25por você
34:25que estão sendo agora
34:26contemplados
34:29com uma alíquota
34:30que seria
34:3040%
34:31da alíquota cheia,
34:33mas sempre lembrando,
34:3440%
34:35de uma coisa
34:36muito grande
34:37ainda é
34:39muito grande.
34:40Então,
34:41o setor de serviços,
34:42mesmo que fosse
34:43contemplado
34:44com apenas
34:4540%
34:46dessa alíquota
34:47cheia,
34:49se ela for
34:4930%,
34:503 vezes 4,
34:5112,
34:52a alíquota
34:53dos serviços,
34:54se eles todos
34:55fossem contemplados
34:56com a alíquota
34:56reduzida,
34:58que não estão
34:58sendo ainda
34:59enquadrados
35:00na reduzida,
35:02vão pagar
35:0212%,
35:03quando hoje
35:04pagam no máximo
35:06os tais
35:068,5%.
35:08E por que,
35:09Felipe?
35:10Numa linha,
35:11embora a gente
35:12ache que a indústria
35:13precise ser
35:14desonerada,
35:15realmente é um
35:16fator de perda
35:17enorme de
35:18competitividade
35:18para o Brasil,
35:20isso exigiria
35:21que a gente
35:21ampliasse o escopo
35:23da reforma tributária
35:24para ela não ser
35:25do consumo,
35:26porque no início
35:27da nossa conversa
35:28eu disse,
35:29o problema central
35:30aqui, foi aliás
35:31na minha primeira
35:32resposta,
35:32me alonguei
35:33para dizer,
35:34tributamos demais
35:35o consumo,
35:36portanto,
35:37não adianta
35:37deslocar a carga
35:39da indústria
35:39para o serviço
35:40ou para a água
35:41precária,
35:42arrumar,
35:43por assim dizer,
35:43um outro pato
35:44para pagar a conta,
35:46quando nós
35:47precisamos
35:48aumentar a progressividade
35:50do imposto
35:51de renda,
35:53também olhar
35:53para o lado
35:54da propriedade,
35:55ou seja,
35:56fazer uma mudança
35:57de escopo
35:58mais corajosa,
36:00que seria,
36:01em princípio,
36:01até desenhada
36:03para o DNA
36:05de um PT
36:06que se apresenta
36:08como um governo
36:09de corte popular,
36:10mas, curiosamente,
36:12ele não quis
36:13discutir distribuição
36:15de renda e riqueza
36:17no país
36:17e deu
36:18carta branca
36:21para a Câmara
36:23dos Deputados
36:24fazer uma reforma
36:25que é do consumo,
36:27que é tipicamente
36:28uma atividade
36:30tributária
36:32que exige
36:33parcimônia.
36:35Nós precisamos
36:36chegar a uma alíquota
36:38que não podia
36:38ser superior
36:39a 20%
36:40quando cheia.
36:42E, na área
36:42de serviço,
36:43com isso eu concluo,
36:45nós temos
36:46que levar
36:47em conta
36:47que o serviço
36:49tem uma característica,
36:50como o próprio nome diz,
36:52muito personalista.
36:54não é só a manicure,
36:55é também o médico.
36:57Em qualquer nível
36:58de saber,
37:00de preparação profissional,
37:03é uma relação
37:04muito personalizada,
37:05ou do professor
37:06que também presta
37:07o serviço magistério.
37:09Então, na realidade,
37:10qual é a grande
37:11contribuição
37:12numa tarefa
37:15que é econômica,
37:17sim,
37:17que é comercial,
37:18você vende
37:19o serviço
37:19de manicure,
37:21de médico,
37:22de magistério,
37:23mas você vende
37:24com a sua energia
37:26e, portanto,
37:27diz respeito
37:28a uma prestação
37:30personalizada
37:31sua
37:31e dos seus colaboradores.
37:34Portanto,
37:34nós teríamos
37:35que olhar
37:35para quê?
37:36Para um outro
37:38tributo
37:38que ficou escondido
37:39nessa reforma,
37:40que já devia ter sido
37:41colocado
37:43para dentro
37:43da pintura,
37:45que é
37:45a contribuição
37:46previdenciária.
37:47A nossa
37:48é a maior
37:48do mundo também.
37:51E, portanto,
37:51na realidade
37:52não é correto
37:54dizer
37:54que o prestador
37:56de serviço
37:56paga só
37:578,65%.
37:59Ele paga
38:008,65%
38:02como prestador
38:04no ato
38:04da prestação,
38:06mas ele
38:06traz junto
38:07também
38:08já os
38:09ônus
38:09que dizem
38:11respeito
38:12ao seu próprio
38:13serviço
38:14quando ele
38:15paga o tributo
38:16previdenciário
38:17e quando
38:18ele paga
38:18o tributo
38:19previdenciário
38:20na folha
38:20de pagamentos
38:21dos seus
38:22colaboradores.
38:23Isto não
38:24foi atacado
38:26pela reforma
38:26tributária
38:27e essa é a razão
38:28pela qual
38:29querem onerar
38:30passar de 8%
38:32para 24%,
38:3327%,
38:3430%.
38:34Não vai dar certo.
38:36Isso não vai acontecer.
38:38Na hora que essas pessoas
38:39que prestam serviço,
38:40que são milhões
38:41e milhões
38:42no Brasil,
38:43tiverem condição
38:44de começar
38:44a perceber
38:45coisa que não viram
38:47isso ainda,
38:48que vão pagar
38:49extremamente
38:51mais,
38:52eu acho
38:53que vão ter
38:54uma revolução
38:54no país.
38:56Greb,
38:56queria fazer
38:57uma última
38:57pergunta rapidinho
38:58para terminar,
38:59vamos lá.
38:59Rapidinho.
39:00A gente ficou
39:00com a impressão
39:01de que tinha sido
39:02um feito histórico
39:03a reforma
39:04da Previdência
39:05que passou
39:05na semana passada,
39:07mas depois de conversar
39:07com o senhor
39:08eu fico com a impressão
39:09de que foi uma reforma
39:10ruim.
39:12Afinal,
39:12a gente teve
39:13um avanço histórico
39:14ou não?
39:14Nós,
39:17na realidade,
39:19Greb,
39:20nós tivemos
39:22um feito
39:24histórico
39:25de encarar
39:28pela primeira vez
39:29a votação
39:30de uma reforma
39:31tributária
39:32que antes
39:34não chegava
39:35nem a plenário
39:36para ser votada.
39:37Nesse sentido,
39:39eu não quero desencantar
39:40nem a você,
39:41nem a todos
39:42que ficaram
39:43comemorando
39:43o fato
39:44de que a gente
39:44conseguiu chegar
39:46a um texto
39:46para ser agora
39:48examinado
39:49no Senado
39:49e essa é toda
39:50a razão
39:51da minha crítica.
39:52A minha crítica,
39:53embora o programa
39:54seja curta,
39:55ela foi pontuada
39:56por uma série
39:57de lampejos
39:59dizendo
39:59aqui tem solução,
40:01lá tem solução.
40:02A questão da federação
40:03também tem solução.
40:05Eu não falei
40:05sobre um operador
40:06nacional
40:07de distribuição
40:08de arrecadação
40:08que seria uma
40:09Câmara de Compensação
40:10que substituiria
40:12completamente
40:13a necessidade
40:14desse Conselho
40:14Federativo.
40:16Por quê?
40:16Porque o programa
40:17de vocês
40:17não é para fazer
40:18uma nova proposta
40:20de reforma tributária,
40:22mas o Senado
40:23eventualmente
40:23vai encarar isso,
40:25o Atlântico
40:26vai se encarregar
40:27de conversar
40:28com os senadores,
40:29o esboço
40:31da pintura
40:31não passa de esboço,
40:33não está concluído
40:34e a gente,
40:35se a gente
40:36é uma comunidade
40:37inteligente,
40:38a gente não pode
40:39simplesmente
40:40comemorar isso,
40:41olha,
40:41concluímos uma votação,
40:43isso é uma coisa
40:43maravilhosa
40:44e eu estou
40:46muito feliz.
40:47Nós temos que ter
40:48a necessidade
40:49de encarar
40:50a realidade
40:51tal como
40:52ela se apresenta.
40:53Ainda bem
40:53que tem um papo
40:54antagonista
40:55que permite
40:56que a gente
40:57consiga rever
40:59ainda a tempo
41:00coisas que estão
41:01borradas
41:02nesse quadro
41:03e a gente
41:04vai ter coragem
41:06de aperfeiçoar.
41:07Demos um passo
41:08à frente,
41:09conseguimos
41:10votar alguma coisa,
41:11mas se você quiser
41:12que eu dê
41:13uma nota
41:14assim,
41:15generosa
41:15como professor,
41:16eu diria
41:17cinco.
41:17Cinco,
41:18sabia.
41:19Para não chorar.
41:21Muito bem,
41:22essa conversa
41:23com o Paulo Rabelo de Castro
41:24mostra que os senadores
41:29têm trabalho
41:30a fazer
41:31na Casa Alta,
41:32na Casa Legislativa
41:33do Congresso Nacional
41:34e o vídeo
41:35vai ficar disponível
41:36aqui
41:36no YouTube
41:37do Antagonista,
41:38na playlist também
41:39Papo Antagonista
41:40com Felipe Moura Brasil
41:41para que os senadores
41:42consultem
41:43as opiniões,
41:44as avaliações
41:45do Paulo Rabelo de Castro,
41:46ex-presidente do BNDES
41:48e do IBGE.
41:49Agradeço demais
41:50a sua participação.
41:51Boa noite,
41:51bom trabalho.
41:52Espero que você
41:52diga, Paulo.
41:56Eu acho que vai dar tempo,
41:59em agosto
42:00retoma-se
42:01essa discussão
42:02e acho que vai ficar,
42:04eu acho que o
42:05presidente do Senado
42:06não vai atropelar
42:08que nem o Lira.
42:09Eu acho que ali
42:10os próprios senadores
42:12vão querer fazer
42:13um debate
42:14mais aprofundado
42:15e vocês vão ter
42:16a oportunidade
42:16de fazer vários
42:17outros encontros
42:19esmiuçando,
42:20detalhando,
42:21explicando melhor
42:22contos que foram
42:23muito interessantes,
42:24que foram objetos
42:25de perguntas
42:26e que eu teria
42:26muito interesse
42:28em voltar
42:29a ser convidado
42:30por vocês.
42:31Extraordinário
42:31a conversa,
42:33a oportunidade,
42:34parabéns pelas perguntas
42:35inteligências.
42:36Muito obrigado,
42:37Paulo,
42:37já fica aqui o convite
42:38então,
42:39a gente retoma
42:39essa conversa
42:40quando tramitar
42:41no Senado,
42:42seja um pouco antes,
42:43seja um pouco depois
42:43para a avaliação final.
43:05e aí
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