00:00O pessoal tem esse fetiche por urna, pode, pode, tudo pode, mas eu acho que, não sei, eu vejo aqui hoje um esforço, inclusive até um esforço estatal de alguns países, a gente viu isso acontecer nas eleições do Trump lá em 2016,
00:21né, a eleição que teve, que depois se comprovou, é que a Rússia conseguiu interferir, conseguiu de alguma maneira manipular a opinião pública nos Estados Unidos,
00:37e aí sim, que eu acho que o grande problema que a gente está vivendo hoje, que talvez seja muito mais efetivo do que você criar todo um, tentar, né, de alguma forma violar a urna,
00:47você manipular a opinião pública, e é tão fácil, né, assim, não precisa ser um hacker para fazer, mas os hackers também usam, também trabalham, também são contratados para esse tipo de coisa,
00:58pode falar um pouquinho disso? Quer dizer, hoje a gente tem uma manipulação tamanha, através de todas essas plataformas, redes sociais, vários tipos, né, de interferência,
01:11inclusive a própria meta, né, o Facebook, uns meses atrás, denunciou a atuação de uma empresa israelense, que é a Cognit,
01:23que é, que estaria, a ex-Verint, né, Systems, que teria criado uma forma de capturar aí a atenção de usuários do Facebook,
01:36e a partir daí começar a simular conversas, e até conseguir que esses usuários entregassem os seus dados, né, de uma forma voluntária, né,
01:48eu acho que essa sofisticação, ela precisa ser debatida, né, porque passa ao largo aí do debate público,
02:00a gente tem aí robôs, tem todo tipo de, tem Mavis, né, vários tipos de atuação, de estratégias e ambientes virtuais,
02:09que hoje acabam impactando na opinião pública, e o sujeito, pô, se a gente hoje já compra coisas,
02:18a gente já é levado ao consumo a comprar coisas que a gente nem precisa, e a gente nem sabe o que está comprando,
02:25imagina votar em pessoas que a gente não sabe nem por que está votando nelas.
02:29Eu, com certeza, a gente vê isso muito, inclusive, na guerra Rússia-Ucrânia, a Rússia, antes da guerra,
02:37antes de declarar oficialmente a guerra, começou a atuar nesse campo, assim, debaixo, nos bastidores, vamos dizer assim,
02:47e atuou justamente nisso, construíram todo um sistema de hacking e já prepararam para invadir pontos estratégicos do governo ucraniano
03:01para justamente causar esse pânico, né, e desinformação, então, existem várias técnicas que realmente hackers mal intencionados
03:09são chamados para justamente ajudar nessa guerra, que é uma guerra psicológica, mais uma vez, o fator humano que a gente falou,
03:17que está sujeito a essa manipulação, e sim, sem dúvida nenhuma, os hackers, por serem justamente criativos e terem esse pensamento
03:25fora da caixa, são chamados muitas vezes para atuar, e aí pode ser invadir pontos estratégicos, invadir o site do governo,
03:36invadir certos lugares e começar a colocar campanhas ou começar a colocar informações indevidas
03:43para capturar a atenção pública e tentar, como você mesmo falou, tentar, talvez, moldar ou tentar mudar a opinião pública
03:53em relação a determinada coisa, a determinada órgão, determinada sujeito e assim por diante,
04:00a gente vê essa guerra psicológica nesse ramo, né, do hacking muito interessante, muito intensa,
04:07a gente viu a Rússia, por um lado, tentando atacar a Ucrânia, o grupo Anonymous tentando tomar o lado da Ucrânia
04:15e tentando defender, contra-atacar e assim por diante, então, sem dúvida nenhuma, é um ponto muito interessante
04:21onde pegam também o hacking e essa engenharia social, essa manipulação psicológica
04:28para atingir metas e objetivos que podem ser, não necessariamente, crimes cibernéticos de forma direta,
04:36mas, como você falou, talvez, moldar e mudar a opinião pública a respeito de certo governo,