O preço do petróleo Brent voltou a ultrapassar os US$ 80 no mercado asiático nesta segunda-feira (23), após os Estados Unidos bombardearem instalações nucleares do Irã. Investidores temem que o Irã reaja bloqueando o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo global. A tensão reacende alertas sobre a segurança energética mundial. Marcus Vinícius de Freitas comentou. Reportagem: Camila Yunes Comentarista: Marcus Vinícius de Freitas
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00:00Em mais um desdobramento da guerra, a semana começa com novas incertezas sobre como fica o funcionamento do Estreito de Hormuz.
00:09Acompanhe os detalhes com Camila Yunis.
00:12O petróleo abriu a semana em alta após o parlamento iraniano aprovar no domingo o fechamento do canal por onde passa até 30% de todo o petróleo comercializado no mundo.
00:22Há décadas o Irã trata o Estreito de Hormuz como arma diplomática.
00:27E mais uma vez, ameaça um bloqueio marítimo como retaliação aos Estados Unidos pelos ataques às instalações nucleares iranianas.
00:36O canal fica entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Oman.
00:40É uma área estratégica e uma das principais rotas marítimas.
00:44Assim como já ocorreu em outras disputas no Oriente Médio, o grande receio é a elevação do preço do petróleo.
00:51Desde o início do conflito entre Irã e Israel, o valor do Brent já oscilou até 13%.
00:58Apesar de atingir todos os países, nesse primeiro momento, o mais afetado deve ser a China.
01:04Como explica o professor de Relações Internacionais do IBMEC do Rio de Janeiro, Lier Ferreira.
01:10Um fechamento total ou parcial do Estreito de Hormuz impacta a economia global como um todo, impacta a economia chinesa, mas concretamente a China tem sim alternativas a lançar para que ela sinta um pouco menos esses impactos.
01:27E a Rússia, nesse momento, é um parceiro estratégico que pode prover à China de uma parcela expressiva do óleo que eventualmente faltar da produção do Oriente Médio.
01:38E o Brasil não ficará imune a esses impactos. A oscilação do petróleo vai afetar não só o preço dos combustíveis, mas também o dólar.
01:47E pode pressionar ainda mais a inflação brasileira.
01:50O economista Alex André explica como a situação afeta o Brasil.
01:55Para nós brasileiros, no dia a dia, a gente vai acabar tendo um preço da gasolina mais caro, do diesel mais caro.
02:01E se a Petrobras não repassar isso para o consumidor, a conta vai ficar no bolso da Petrobras.
02:06Ou seja, a Petrobras vai pagar por esse prejuízo que a gente chama de paridade de preço.
02:10Quanto que o petróleo está se negociando lá fora e quanto que a Petrobras repassa de preço aqui no Brasil.
02:15O movimento geopolítico acaba sendo um fator adicional de risco aqui no Brasil.
02:21O economista André Perfeito diz que se o conflito se estender, o mundo pode registrar alta de até 40% no preço do barril de petróleo.
02:30Assim como uma disparada na moeda americana.
02:33De acordo com ele, o cenário para o Brasil é ruim, mas deve ser ainda pior em outros países.
02:39É óbvio que vai sofrer todo mundo, mas o Brasil tem uma espécie do que a gente chama de rede natural.
02:46O Brasil produz petróleo, de um lado.
02:48O Brasil está longe geograficamente dessa questão.
02:52E o Brasil, dado a confusão que o mundo está, não quero dizer de forma alguma que esteja tranquilo o Brasil.
02:57É quase como a gente se ganhasse para o WO.
03:00Porque o mundo está muito estranho e o Brasil, em termos relativos, não está tão estranho.
03:03Então, o Brasil é que sim vai ter um efeito, mas sim pode ser mitigado por esses atenuantes no caso do Brasil.
03:10O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, disse em entrevista a Fox News
03:15que o fechamento do Estreito de Hormuz seria um suicídio econômico para o Irã.
03:22E a gente já traz aqui para a análise o professor Marcos Vinícius de Freitas,
03:28que também está conosco nesta manhã de segunda-feira.
03:30Professor, vamos falar um pouco a respeito dessa possibilidade de fechamento do Estreito de Hormuz,
03:35aprovado pelo Parlamento, mas precisa ser chancelado lá pela alta autoridade iraniana.
03:40O que é que isso significa?
03:42E o que é que o senhor espera, né, nesse início de semana,
03:45desse conflito que, aparentemente, não tem uma solução diplomática?
03:49Bom dia.
03:50Bom dia, Nonato.
03:51Prazer estar com você e com a Soraya hoje.
03:54É uma situação bem interessante, né, nesse processo todo,
03:58porque, em princípio, a guerra deveria ter chegado ao fim,
04:03mas o que a gente notou é que o próprio primeiro-ministro de Israel
04:09afirmou que existem outros objetivos ainda que pretendem que sejam alcançados,
04:16e isso faz com que esta guerra, paulatinamente, vá se transformando numa guerra de atrito,
04:22que não é interessante nesse processo todo, porque nós vemos essa instabilidade no mercado de petróleo,
04:29e particularmente no Oriente Médio, sendo prolongado.
04:32O ideal seria que isso se resolvesse da maneira mais rápida possível.
04:36E, claro, quando nós falamos ali da possibilidade de o Irã tomar alguma ação no Estreito de Hormuz,
04:44obviamente que todos ficávamos preocupados, porque ali passa uma grande parte do petróleo mundial,
04:51e se aumenta o preço do petróleo para a China, necessariamente aumenta para o mundo inteiro,
04:57porque a China é a grande fábrica do mundo.
05:00E nós não podemos esquecer disso.
05:02Toda situação que a gente observa, que gera hoje em dia problemas também afetando a China,
05:09geram problemas para o mundo inteiro.
05:11Afinal, a China é o grande produtor de tudo aquilo que nós consumimos no mundo inteiro.
05:16Então, isso é uma preocupação, e é por isso que eu acho difícil que o Irã venha adotar esse tipo de medida,
05:23porque é um tanto suicida, tanto no seu relacionamento com a China,
05:27que tem ali, já tem uma ferrovia estabelecida dentro da nova rota da seda,
05:32mas que não é suficiente para transportar todo o consumo que tem da região.
05:38Então, isso afetaria também os parceiros regionais, os países daquela região,
05:45e que certamente viriam aí com maus olhos ainda piores à situação do Irã.
05:52Então, essa é uma preocupação que o Irã deve levar em consideração antes de tomar alguma medida,
05:58até porque afetar os Estados Unidos, que tem ali uma reserva enorme de petróleo,
06:02é muito difícil, porque hoje em dia os Estados Unidos são o grande produtor mundial de petróleo.
06:07A grande questão desta semana, e hoje que foi surpreendeu, viu, Soraya,
06:11é que Israel voltou a atacar aquela instalação de Fordow.
06:19Então, o que significa é que, de fato, pode não ter sido tão bem realizado o ataque como se esperava.
06:26Professor Marcos, muito bom dia para o senhor, boa semana para nós.
06:30Entre as possibilidades, então, de retaliação por parte do Irã,
06:34além do fechamento do Estreito de Hormuz,
06:37fala-se que o Irã poderia atacar bases militares americanas.
06:43O que isso significaria?
06:45Mesmo enfraquecido, o Irã teria ainda essa capacidade para reagir dessa forma?
06:50Veja, Soraya, do ponto de vista estratégico, seria aí um tiro no pé do Irã.
06:58Porque você entrar numa guerra com os Estados Unidos não significa que os Estados Unidos vão vencer a guerra.
07:05Mas os Estados Unidos estão do outro lado do mundo,
07:09são protegidos tanto pelo Oceano Pacífico como pelo Atlântico,
07:13têm bases militares não só ali naquela região, mas em toda a Europa,
07:16e podem fazer com que a situação do Irã deteriore muito.
07:21Eles podem fazer um ataque mais ou menos combinado com os americanos,
07:25de atingir alguma base nesse processo todo.
07:28Mas a guerra, se o Irã pretende aí ter e se garantir nesse processo,
07:34claro que faz muito mais sentido para o Irã a questão de tornar esta guerra
07:40uma guerra de atrito com o Israel, porque isso geraria um desgaste enorme
07:46para o primeiro-ministro Netanyahu, em razão da ação que ele pretende empreender no país.
07:52Então você vê, por exemplo, hoje os alarmes tocaram por quase 35 minutos em Jerusalém,
07:58ao que consta, e foi o tempo mais longo, em Jerusalém não, em Israel, em Tel Aviv,
08:04e foi o tempo mais longo que você ouviu os alarmes tocando.
08:07Então, esta guerra de atrito é que seria ali o que o governo iraniano deveria perseguir,
08:16porque se ele entrar numa guerra com os Estados Unidos,
08:20aí ele vai sofrer todas as consequências de somente poder fazer ali um ataque
08:26que atinja uma ou duas bases americanas, mas vai sentir ali também toda a situação
08:32e todo o poderio militar dos Estados Unidos.
08:35Não poderia contar, obviamente, com os parceiros, a não ser que Rússia entrasse mais a fundo,
08:40e aí nós estaremos numa situação extremamente complicada, globalmente falando.
08:44São muitos aspectos ainda para a gente analisar.
08:47Obrigada, professor Marcos Vinícius.
08:49Daqui a pouco a gente volta a falar mais da guerra no Oriente Médio.