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Em quanto se vende ao Centrão, o presidente Jair Bolsonaro investe em decretos para flexibilizar o porte de armas, em uma tentativa de agradar a militância. No Papo Antagonista, Felipe Moura Brasil comentou a medida.
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NotíciasTranscrição
00:00Muito bem, o presidente Jair Bolsonaro disse ontem que o povo está vibrando com a flexibilização das regras sobre o uso de armas.
00:09Mais uma vez, ele confunde o seu entorno com o povo brasileiro que está tentando sobreviver física e economicamente durante a pandemia da Covid-19,
00:22quando não morre, porque já são mais de 240 mil mortes por Covid-19, mas o presidente está preocupado com outras coisas.
00:32Na sexta-noite, ele assinou quatro decretos que facilitam a compra de armamentos no Brasil.
00:38As novas regras estabelecem, por exemplo, que o laudo psicológico que comprova a aptidão para portar uma arma não precisa mais ser feito por um profissional ligado à Polícia Federal.
00:49Os decretos também permitem o aumento no número de armas e munições permitidas por cidadão e amplia a lista de categorias profissionais que têm direito a adquirir armas.
01:00O PCdoB confirmou que deve entrar com uma ação no STF até quarta-feira para derrubar os decretos.
01:07Segundo o partido, Bolsonaro usurpou as competências do Congresso.
01:12Os decretos têm por função apenas regulamentar leis.
01:15Bolsonaro alega que os decretos das armas são válidos porque regulam o Estatuto do Desarmamento.
01:22O deputado Daniel Coelho, do Cidadania, um partido, Cidadania, protocolou um projeto para tentar anular os decretos.
01:30O presidente da Câmara, Arthur Lira, afirmou que o presidente não invadiu a competência da Casa.
01:36É o que eu já tinha comentado há um ano passando a escalada aqui das manchetes.
01:39Ele está ali eleito com o apoio do presidente e nessas questões mais amplas isso já estava no cálculo.
01:47Já fazia parte do acordo para eleger o Arthur Lira que ele não colocasse obstáculos em alguma migalha de suposto direitismo
01:59que o Bolsonaro iria querer emplacar para tentar garantir ali a sua base mais fiel.
02:06Eu apontei exaustivamente isso no programa e falei inclusive que essa medida deveria ter a ver com armas,
02:15que seria alguma medida nesse sentido.
02:17O que poderia, aqui em termos de análise geral da população, é gerar vários desgastes também,
02:24porque há divisões no eleitorado a respeito desse assunto, dependendo também da medida.
02:31Mas é claro que armas são mal vistas pelo campo da esquerda e, portanto, um decreto como esse,
02:38ainda mais atropelando o poder legislativo, pelo menos não passando por ele,
02:43ainda que possa ser aceito numa discussão levada ao Supremo Tribunal Federal,
02:49gera, tudo isso gera, uma polarização entre o Bolsonaro e partidos mais à esquerda, como o PCdoB,
02:57os comunistas lá do PCdoB.
03:00E o Bolsonaro, claro que gosta disso para manter a sua base fiel.
03:05Acontece que o Brasil está passando por um momento macabro, um momento triste,
03:11em que muitas famílias, centenas de milhares de famílias, estão velando pessoas queridas,
03:18estão enterrando pessoas queridas.
03:20E o presidente, que deu aquele discurso, desde lá da gravação revelada pelo ministro Celso de Mello,
03:28da reunião ministerial de 22 de abril, mas outras vezes, agora recentemente também,
03:33que tem que armar a população para que ela possa reagir a um eventual ditador.
03:39Sendo que o que ele considerou ditadura desde o começo da pandemia foram medidas restritivas,
03:48como o distanciamento social, isolamento social, em determinadas localidades e em razão do risco,
03:57entre outros, de superlotação, de sobrecarga no sistema de saúde.
04:02São medidas que foram adotadas, inclusive em países cujos governantes são aliados do Jair Bolsonaro.
04:10A gente já vai falar sobre o caso do Spray, que eu citei aqui em cima do lance na sexta-feira,
04:15em maiores detalhes, que ele está lá negociando com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu,
04:20e o Netanyahu impôs lockdown lá em Israel três vezes.
04:26Você teve lockdown no Reino Unido também três vezes, em determinados lugares, em determinadas circunstâncias,
04:33não é para sempre, não é fechar tudo eternamente, tem uma razão de ser.
04:39Portugal também fez, outros países fizeram certas políticas a depender da localidade e da situação urbana,
04:47urbana, da situação do sistema de saúde.
04:50Agora, ele colocou sempre as coisas de uma maneira binária, que é ou fecha ou abre,
04:56se fechar é porque está prejudicando a economia, independentemente do nível de propagação do coronavírus,
05:03do nível de superlotação dos hospitais.
05:06Então, quer dizer, essa medida que faz cair em todo o mundo civilizado,
05:12e em qualquer lugar onde ela é adotada, devidamente adotada,
05:16é claro, é bom que se diga, o número, o nível de contágio e, por consequência,
05:24o número de casos de morte, ela é uma medida que é achincalhada, distorcida pelo bolsonarismo.
05:34Quando eu falo pelo bolsonarismo, é pelo presidente da república, pelo seu entorno político
05:39e pela claque bolsonarista microfonada por aí e sabotando o combate à pandemia desde o começo,
05:45com todas aquelas alegações que já foram refutadas pelos fatos, pelos estudos,
05:51por todas as principais autoridades no assunto,
05:57inclusive as autoridades políticas dos países que contam com os seus médicos,
06:02com os seus cientistas, na hora de tomar as devidas medidas sanitárias.
06:07Então, voltando, o Bolsonaro tratou como ditadura esse tipo de restrição pontual
06:14por determinado período e aí associou isso às armas e deu um jeito de empurrar logo,
06:20porque ele não tem medidas à direita para apresentar para a população de um modo significativo,
06:28porque ele compactuou com o centrão que o general Augusto Heleno e o Eduardo Bolsonaro,
06:35naquele comitê do PSL em 2018, atacavam, chamavam o general Heleno,
06:42cantando a música eternizada na voz do Bezerra da Silva, de ladrão.
06:46Se gritar pega centrão, não sobra um, meu irmão, não fica um, meu irmão.
06:50A frase original, o verso original da música é ladrão no lugar de centrão.
06:54E o Bolsonaro, contrariando suas promessas de campanha, se aliou ao centrão.
07:01Ele disse que se a única maneira de governar fosse pelo Tomalá da Calha, ele estaria fora.
07:07Estou fora, disse ele.
07:09Incorreu nisso também.
07:11Disse que iria privatizar, extinguir estatais.
07:14Inclusive a EBC de comunicação não fez isso.
07:20A EBC está sendo usada para propaganda bolsonarista, para exaltar o presidente o tempo todo.
07:27O gente do seu governo aparece lá, dá aquelas entrevistas e tal, ficam lá para isso.
07:34É cabidão de emprego e serve para propaganda bolsonarista também.
07:39O Paulo Guedes, ministro da Economia, disse que ia privatizar quatro grandes estatais em 90 dias.
07:46Passaram os 90 dias, não privatizou nenhuma.
07:49Todas as promessas foram sendo adiadas, eventualmente até diminuídas, alargadas no seu prazo,
07:56para ver se em algum momento acontece alguma coisa que justifique esse tipo de declaração.
08:04Então o Bolsonaro não tem muito o que entregar.
08:06Ele sabotou o combate à corrupção.
08:08Isso vocês que acompanham esse programa já estão carecas de saber.
08:10se uniu não só ao Centrão, mas o PT está lá gostando de tudo que o Bolsonaro está fazendo nesse aspecto.
08:16Escolheu um procurador-geral da República da turma deles.
08:20Escolheu para o STF, para o Supremo Tribunal Federal, o Cássio Marques, da turma do Centrão.
08:26Nosso Cássio do Ciro Nogueira, que sempre foi aliado lá dos petistas lá atrás, assim como o Arthur Lira.
08:31Então ele precisa mostrar alguma migalha para o sujeito que está lá, ativista de rede social,
08:39que brigou durante a campanha com todo mundo, que é para manter a chama acesa de que, olha,
08:46são a direita contra a esquerda.
08:49Como se casos complexos, problemas vitais, se reduzissem a esse embate de correntes ideológicas.
08:58E não se reduzem.
09:00O vírus não está nem aí se é direita, se é esquerda, se é centro, se é tucano.
09:05Não interessa para o vírus.
09:08Lembrando que o PSDB, tradicionalmente, centro-esquerda, lá, esquerda, o PT que jogava o PSDB para a direita.
09:14É sempre bom registrar.
09:17Então o Bolsonaro não consegue realizar nada.
09:20A gente viu, quem leu a denúncia, como a gente analisou aqui contra o Flávio Bolsonaro,
09:25a gente viu que rachadinha é uma realização que algum Bolsonaro, pelo menos, consegue fazer.
09:33Porque o Flávio Bolsonaro recebia ali os repassos do Fabrício Queiroz,
09:38tinha suas despesas pessoais e familiares pagas pelo operador do esquema de desvio de dinheiro público.
09:43Agora, a realização mesmo da família, no governo, até no parlamento, aqueles que têm mandato, a gente não vê.
09:51Então ele precisa decretar alguma coisa aí para acalmar os ânimos.
09:57E isso vem numa hora que você se pergunta, as armas vão matar o vírus?
10:03Elas vão matar a Covid-19?
10:06Vão servir para isso?
10:08Eu não sou da turma da esquerda que tem uma aversão completa a qualquer tipo de flexibilização da posse
10:17e, eventualmente, até do porte, claro que de uma maneira mais restrita, de armas.
10:23Tem um monte de artigos publicados a respeito desse assunto.
10:27Mas nem sou uma figura caricata como Jair Bolsonaro para ficar falando em armamento deliberado da população
10:34e para colocar certas questões de uma maneira desprovida de nuances e sem a devida responsabilidade
10:42sobre as suas possíveis consequências que precisam ser debatidas.
10:46E está aí uma das razões pelas quais é importante que se passe pelo crivo também do Congresso Nacional,
10:53apesar de ser esse Congresso Nacional que a gente tanto critica aqui e tanto criticou agora,
10:59inclusive, durante a eleição na Câmara e no Senado Federal.
11:04Há questões que vão além desse binarismo no qual investem todos aqueles ativistas
11:12que estão microfonados aí durante o governo Bolsonaro, lucrando com a passada de pano.
11:18Então, armas, é preciso ver se elas realmente vão servir para a legítima defesa
11:24e não vão causar maiores problemas, se os criminosos de verdade que têm acesso a armas ilegais,
11:32e é claro que em razão disso há uma defesa pela flexibilização para determinadas pessoas
11:40em determinadas circunstâncias, se eles não vão se usar de outras pessoas para obter armas
11:48por esse caminho também, há uma série de questões que precisam ser devidamente debatidas,
11:55devidamente expostas.
11:56E o Bolsonaro chega logo com um decreto, num tema sensível, num momento sensível,
12:01que é para gerar justamente esse tipo de reação no campo da esquerda.
12:06Ele pode posar direitista, pode dizer que tentou fazer aquilo,
12:10mas aí veio a esquerda e tal e impediu,
12:13porque o bolsonarismo se alimenta muito mais da propaganda, do discurso,
12:18do que de medidas específicas e da preocupação com a solução de problemas existentes.
12:24Então, tudo isso precisa ser devidamente avaliado.
12:28E eles fazem tudo dessa maneira mais caricata e tentando dividir entre nós e eles
12:35e tentando se limpar na sujeira dos outros e acobertar as suas próprias incompetências,
12:40suas próprias negligências, seus próprios boicotes ao combate tanto à pandemia quanto à corrupção.
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