00:002020 não foi ano só de pandemia, mas de eleições municipais e certamente o Brasil que emerge das urnas é bem diferente daquele de 2018.
00:20A onda bolsonarista que elegeu deputados, senadores e até o presidente da república virou uma marolinha e o petismo foi tragado definitivamente para o fundo do mar.
00:32O eleitor mostrou que está cansado dos extremos e quer políticos que criem menos confusão e mais solução, especialmente para os problemas que afligem a todos no dia a dia das cidades.
00:44O problema é que o sistema político que está aí não privilegia o gestor eficiente, mas o tradicional fisiologismo.
00:52O cardápio de candidatos ainda é indigesto e oferece poucas opções para o avanço do país.
00:59O eleitor votou de máscara pela covid e torcendo o nariz para os políticos de maneira geral.
01:06Prevaleceu a velha fórmula do voto no menos pior.
01:09Aí o Centrão fez a festa. PP e PSD ganharam capilaridade recorde, enquanto DEM, PSDB e MDB fixaram bandeira em metade das capitais.
01:23Bolsonaro, que entregou o governo ao Centrão na expectativa de consolidar o seu poder, saiu diminuído.
01:30A maior parte dos candidatos que apoiou não se elegeu, com destaque para as derrotas de Celso Russomano em São Paulo,
01:37ainda no primeiro turno, e Marcelo Crivella, no Rio, onde Eduardo Paes garantiu a volta à prefeitura no segundo turno.
01:46A reeleição de Bruno Covas, em São Paulo, inclusive, deu novo fôlego para o projeto presidencial de João Dória.
01:53Lula, mesmo livre, não projeta mais a influência que teve um dia.
01:58O PT, pela primeira vez na história, não conseguiu eleger um só prefeito nas capitais.
02:04A esquerda foi nocauteada.
02:07Em Recife, no duelo entre primos deputados, João Campos derrotou a petista Marília Reis
02:13e confirmou a hegemonia do PSB na capital pernambucana.
02:18Em Porto Alegre, a comunista Manuela Dávila foi parada no segundo turno por Sebastião Melo, um deputado estadual do MDB.
02:26Na capital mineira, que já foi terreno petista, Alexandre Calil mostrou quem manda, sendo reeleito em primeiro turno com discurso contra os extremos.
02:37Calil, que disse estar no jogo para 2022, aliás, é um exemplo de que um dos maiores cabos eleitorais destas eleições foi o coronavírus.
02:47O prefeito de BH adotou o lockdown, não aderiu ao movimento pela cloroquina, em suma, defendeu a ciência contra o negacionismo.
02:56As eleições deste ano também mostraram que o tamanho do fundo eleitoral não compra a consciência do eleitor.
03:03PT e PSL, os dois partidos que mais receberam esses recursos públicos, minguaram.
03:08Um exemplo foi Joyce Halsman, que foi eleita deputada em 2018 com mais de um milhão de votos, mas desta vez não reuniu 100 mil para a prefeita de São Paulo.
03:20O enfraquecimento dos extremos é um importante sinal para a corrida presidencial de 2022, mas ainda são pequenas as chances de formação de uma frente ampla, que reúna centro-esquerda e centro-direita.
03:33Sem alternativa, Bolsonaro pode até levar a melhor daqui a dois anos, caso, é claro, não seja derrubado antes pela covid e a falta de vacina.
03:44O certo é que, como escreveu Mário Sabino em O Antagonista, pode-se até comemorar a derrota do PT e o aborto do bolsonarismo,
03:52mas haverá sempre um DEM e outras siglas do coronelato para imobilizar o Brasil, onde o país está há muito tempo.
04:02É preciso começar, desde já, uma outra campanha, a da reforma política.
04:32Mário Sabino em O Antagonista
04:44Mário Sabino em O Antagonista
04:46Mário Sabino em O Antagonista
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