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Felipe Moura Brasil e Mario Sabino entrevistam a economista Zeina Latif para discutir os movimentos do governo no sentido de burlar o teto de gastos.
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NotíciasTranscrição
00:00Doutora, nessa introdução evidentemente há vários aspectos políticos que a gente comenta no site, nesse programa também, mas em relação aos aspectos econômicos há vários temas aí para a gente explorar.
00:10A questão das tentativas de driblar o teto de gastos e o Paulo Guedes agora tentando colocar um limite nisso, a questão do financiamento do Renda Brasil pelo desvio de dinheiro do Fundeb, por exemplo, e o atraso nos precatórios, que foram questões muito contestadas na semana passada.
00:29Como é que a senhora está vendo esses movimentos, toda a reação que houve àquele primeiro anúncio do governo federal e agora essa discussão se estendendo aí para dentro e por fora do governo?
00:42Bom, primeiro pode me chamar de você, até prefiro.
00:45Olha, eu acho muito ruim o fato de ter um esforço do Ministério da Economia baseado em estudos e fazendo recomendações ao presidente de como permitir essa renda cidadã, remanejando recursos de outros programas, enfim.
01:06Essa foi a proposta com mais visibilidade, mas o ponto é que é muito negativo o presidente não ouvir as recomendações do seu time técnico.
01:19E seria muito importante a gente tentar encaixar essa nova despesa, eliminando outras que são menos efetivas, então está certa essa visão do Ministério da Economia.
01:31Algumas políticas sociais, ainda que meritórias, elas não focalizam como deveriam as camadas mais vulneráveis da sociedade.
01:43Esse é um ponto importante.
01:44A outra coisa é que a regra do teto é importante que a gente entenda como um mecanismo que não é de ajuste fiscal,
01:52mas é de forçar a sociedade, os governantes a repensarem as políticas públicas.
01:58A gente sabe que o Brasil tem muita política pública que não funciona bem, que representa desperdício de recursos.
02:07Então, a gente simplesmente abrir mão dessa discussão, quer dizer, falar em flexibilizar o teto, mudar o teto, romper teto, enfim,
02:18sem antes esgotar, ou pelo menos tentar avançar nessas agendas, acho que a gente está perdendo uma oportunidade tremenda.
02:26A sociedade precisa discutir não só essas políticas sociais como a Bono, que é algo, tem um problema sério de focalização.
02:34São muitas pessoas recebendo que não deveriam ter essa proteção, mas tem coisas do tipo universidade gratuita,
02:42universidade pública gratuita, e ela é majoritariamente frequentada por pessoas de renda mais elevada.
02:48Quer dizer, como reduzir a gratuidade daqueles que estão na universidade pública e não precisariam dessa ajuda do Estado?
02:57Então, aqui eu estou dando um exemplo, porque tem várias coisas nessa linha.
03:00A própria reforma administrativa, ela, ainda que haja méritos em trazer a discussão sobre
03:07a questão da estabilidade do funcionalismo, limitar para a carreira de Estados,
03:14gerar ali algum tipo de meritocracia, reforçar, né, ou gerar meritocracia para se conquistar essa estabilidade,
03:22é, assim, difícil defender uma reforma que tem méritos, mas perde a oportunidade de mexer com os atuais funcionários públicos.
03:33Então, realmente, eu vejo que o Ministério da Economia tinha que ser mais ouvido, né,
03:41não me parece que o presidente da República, ele está disposto a avançar nessa agenda,
03:46que não é uma agenda fácil, mas que seria essencial.
03:49Não poderíamos perder a oportunidade de fazer esse questionamento das políticas públicas.
03:55Certo. Mário Sabina.
03:56Boa noite, Zena. Tudo bem?
03:59Tudo bom.
03:59Tudo bem.
04:00Escute, toda essa questão que você levanta, eu concordo com você,
04:04mas tem um pano de fundo, que é a reeleição para a presidência da República.
04:09Que, na minha visão, e não só na minha, é o grande mal do Brasil.
04:14Então, toda essa discussão da sociedade em relação às prioridades brasileiras,
04:20elas ficam pálidas diante da vontade de um presidente da República, seja qual for, de se reeleger.
04:28Eu queria lhe perguntar o seguinte, até que ponto é possível ter política econômica no Brasil
04:33quando a questão política, ela se sobrepõe a qualquer tentativa de estabelecer prioridades econômicas no país?
04:45Olha, eu vejo um país que foi passando por alguns testes de maturidade.
04:53O Brasil de hoje não é aquele de quando eu era jovem.
04:57Então, é claro que a gente teve alguns testes importantes, é só olhar a vizinha argentina.
05:02como ainda a discussão de inflação, ela é tão presente, questão da solvência externa.
05:10Então, claro que nós tivemos avanços importantes.
05:14Mas vejo ainda, primeiro, muito paternalismo, muito paternalismo,
05:21e uma dificuldade de avançar em questões que são,
05:27não, quer dizer, o seu olhar tem um problema, vamos avançar, a tendência da gente é criar,
05:32para corrigir uma distorção, criar outra.
05:36E eu acho assim, cada presidente precisa deixar de alguma forma,
05:42algum legado nesse avanço que a gente tem, ainda que muito lento.
05:46Por esse aspecto, eu não acredito que o presidente Bolsonaro vá simplesmente rasgar todos os manuais
05:56e a gente ter uma total irresponsabilidade fiscal, em função da eleição.
06:03Eu não acredito.
06:05Eu acho que a gente teve alguns avanços importantes, inclusive do ponto de vista institucional.
06:10fazendo aqui uma provocação, hoje, se a gente estivesse no governo Dilma,
06:16a Dilma não ia conseguir repetir o que ela fez em 2014, por exemplo,
06:21em que rasgou-se a lei de responsabilidade fiscal,
06:25e aí os problemas não eram apenas as pedaladas, foi algo maior que isso.
06:30E hoje não conseguiria, porque hoje você tem os órgãos de controle muito mais atentos,
06:38instituições, como o Tribunal de Contas, muito mais atentas,
06:41é a própria disciplina dos mercados.
06:44Então, uma coisa que me causava preocupação lá atrás,
06:47eu pensava, puxa vida, a gente está vendo ali um retrocesso institucional no país
06:51e as instituições não reagem, e de uma forma, eu estou falando de uma forma ampla,
06:57não é só instituição de controle, eu estou falando de uma forma ampla,
06:59inclusive pensando na disciplina dos mercados.
07:02Então, houve uma leniência muito grande.
07:05Hoje, esse espaço não existe.
07:07E penso que o presidente Bolsonaro, ele tem lá um certo pragmatismo.
07:12Então, eu acho que ele vai fazer alguma, tudo isso para dizer o seguinte,
07:14ele vai fazer alguma coisa no meio do caminho.
07:16Esse é o cenário que eu imagino, não rasga completamente os manuais,
07:20até porque ele não conseguiria,
07:22mas eu acho que a tendência é fazer alguma flexibilização da regra do teto
07:26para atender esse objetivo eleitoral.
07:30O que eu lamento, o que eu lamento é porque, de fato, é um enfraquecimento do nosso regime fiscal.
07:38Então, de novo, se a gente estivesse falando em flexibilizar a regra do teto,
07:41mas depois de ter esgotado outras opções aí para acomodar, por exemplo, renda cidadã,
07:51eu acho que até ficaria mais fácil.
07:54Agora, temos uma regra, regra do teto, primeiro, assim, não existe política pública ideal,
08:00mas ela cumpriu um papel importante e foi aprovada outro dia.
08:04Quer dizer, para as instituições, por exemplo, um mecanismo como esse da regra do teto,
08:09de fato, atingir os seus objetivos, ele tem que ser minimamente durador.
08:13Se você falar, não, mas desse jeito eu não gosto, vamos dar uma furada nesse regime aqui,
08:18eu me comprometi a fazer um regime, mas está muito difícil, vamos dar uma furadinha aqui,
08:22tudo bem, você pode fazer isso, agora aceite as consequências.
08:25A consequência é você enfraquecer um instrumento importante,
08:29e, portanto, a gente está falando de outro equilíbrio para a taxa de juros,
08:33a gente está falando de um outro ambiente macroeconômico.
08:36Então, respondendo a sua pergunta, alguma influência do ciclo político,
08:41isso sempre existe, isso sempre existe, não é algo que é algo específico do atual governo.
08:48Mas, acho que dessa vez, diante da gravidade das contas públicas,
08:53diante da importância de preservar essa sinalização de disciplina fiscal,
09:01eu vejo que é um risco, quer dizer, é uma oportunidade e, ao mesmo tempo, um risco que é relevante.
09:08De novo, acho que vai ficar alguma coisa no meio do caminho.
09:11Certo, diga mais.
09:13Mais uma pergunta para vocês, ainda.
09:16Nós temos um país politicamente confuso, apesar das instituições estarem funcionando,
09:22e eu nunca sei, quando eu digo esta frase, se isso é bom ou se isso é ruim, depende do ponto de vista.
09:27Você tem um país politicamente complicado, você tem um país com uma taxa de juros de 2%,
09:35um dólar nas alturas, e com a possibilidade de dar mesmo que uma furadinha no teto de gastos.
09:45Se você fosse vender o Brasil para um investidor estrangeiro, como é que você venderia o país?
09:52Venderia no sentido de atrair investimentos, obviamente.
09:54Sim, sim, sim.
09:55Olha, o Brasil, as coisas nunca são branco e preto, né?
09:59Tem uns cinza ali, né?
10:01E aí a gente tem hora que está mais claro, tem hora que está mais escuro.
10:04O Brasil continua podendo atrair investimentos em função de mercado consumidor.
10:12bem ou mal, temos ali, né, alguma, uma estabilidade política, apesar de tudo.
10:19Então, tem, dá pra, dá pra contar uma história aqui do Brasil.
10:24Mas algo que vale pro investidor lá fora, vale também aqui.
10:30Tem que ter pé no chão, né?
10:32É um país que tem um ciclo econômico acidentado em função dessa pouca convicção
10:36em relação a agendas de cunho mais liberal e a importância da disciplina fiscal.
10:43É um país de um ambiente de negócios muito difícil e que com alguma frequência a gente tem retrocessos.
10:52A gente viu o que aconteceu agora no Rio de Janeiro, na questão ali das concessões, né, de rodovia.
10:59Então, tem sempre o risco de chegar um governante e rasgar um contrato.
11:03Então, é um país difícil.
11:04Não, não, não, não dá pra, não dá pra simplesmente contar uma história pro Brasil sem fazer esses alertas, né,
11:13sem fazer esses alertas da insegurança jurídica que existe no país e do risco também de um ciclo econômico mais acentuado, né.
11:23Aqui só deixando um ponto claro, porque a gente fala muito da responsabilidade dos governos, é claro, né,
11:30isso é inequívoco, mas nós como sociedade falemos muito, né.
11:36E muitos debates no Brasil, eles não estão suficientemente maduros.
11:42A própria questão da importância da disciplina fiscal, eu percebo que esse é um debate que precisa amadurecer mais.
11:50O que eu lamento é que é tudo tão lento, né, você vê a reforma da Previdência, foram duas décadas ali pra gerar consenso,
11:57precisou acabar o bônus demográfico e o problema explodir na nossa cara, né, pra gerar um consenso.
12:07E aí, diante desse consenso, mínimo, né, de consenso, a classe política reagiu.
12:12Então, isso é importante, porque a gente tem o mau costume de colocar a culpa o tempo todo na classe política,
12:19não que ela não tenha a sua responsabilidade, claro que tem, a política faz diferença, né,
12:24mas a gente precisa entender, a gente também precisa encarar ali quem nós somos como sociedade.
12:32Zeina, agora, você falou da questão das despesas, como é importante reduzir despesas,
12:39programas que não estão com, posso usar a expressão que você usou, com a focalização correta,
12:45dinheiro, portanto, saindo pelo ralo, muitas vezes, sem ter o objetivo definido e correto.
12:50Tem também a questão da reforma administrativa, que você disse que precisa ser mais dura,
12:56inclusive com o funcionalismo atual, não só com o futuro.
12:59Agora, tudo isso é suficiente, nesse momento, pra suprir as demandas que tem o país,
13:05e até que tem o governo, evidentemente, às vezes até maiores do que as que o país tem?
13:10Ou é necessário, nesse momento, é a questão que eu queria colocar,
13:13também trazer novos impostos, porque a gente fica com esse fantasma da CPMF rondando o tempo todo?
13:20Qual é a sua opinião a respeito?
13:22Vamos lá.
13:23Não existe bala de prata pra gente arrumar as contas públicas, né,
13:27pra gerar essa percepção de que, olha, lá na frente, não muito longe,
13:34a gente vai ter de volta superávites orçamentários e, portanto,
13:38a estabilização da relação dívida pública PIB, né,
13:42que são variáveis aqui, essenciais, pra gente trazer essa perspectiva de um regime,
13:47desculpa o economês, né, mas um regime fiscal estável,
13:51que vai permitir os juros ficarem baixos,
13:53que a gente não vai ter dor de cabeça da inflação ficar esquisita de novo,
13:56como a gente viu no governo Dilma e coisa e tal.
13:59Isso vai ter que ser uma construção, né,
14:02então a reforma da Previdência, ela foi uma reforma muito importante,
14:07e um passo largo, passo importante,
14:09mas as reformas daqui pra frente, elas não têm a mesma potência, né,
14:14então a gente vai ter que avançar em várias frentes, né,
14:17então isso é importante.
14:20Aqui, me perdoe fazer só uma pequena digressão,
14:22que é a seguinte, já que é assim, já que não dá pra fazer tudo,
14:26já que é uma agenda pra este governo, pros próximos,
14:29isso é um movimento natural, né,
14:32de cada um que vier vai ter que fazer um esforço,
14:36esse que é o ponto principal,
14:38a gente passar pro investidor,
14:40e a investidor, todos nós que tem algum investimento lastreado em título público, né,
14:47às vezes parece que é uma pessoa distante, um estrangeiro,
14:51não, não, são os nossos fundos de pensão,
14:53é o nosso investimento, né,
14:55todos nós que de alguma forma somos credores do governo,
14:58mas enfim, passar pro credor a percepção de que,
15:02olha, a gente vai ter rombo por um tempo,
15:05a gente vai ter dívida pública crescente por um tempo,
15:08ainda mais agora com as respostas que o país precisou dar à pandemia,
15:13mas tem um plano, né,
15:16tem algo que está consolidado,
15:19que é o compromisso com a disciplina fiscal,
15:22de tal forma que qualquer que seja,
15:24quaisquer que sejam os próximos presidentes,
15:27vai ter esse compromisso.
15:29De certa forma, a gente viu um pouquinho disso na campanha de 2018,
15:34em que nenhum candidato relevante
15:36negou a necessidade de uma reforma da Previdência,
15:39a gente não sabia se ia conseguir fazer boa reforma, né,
15:44mas ninguém negou a necessidade,
15:46isso é importante,
15:47porque daí o investidor falou,
15:48opa, tudo bem,
15:49eu posso comprar um título da dívida pública de longo prazo,
15:53não preciso me preocupar com uma liquidez imediata,
15:56porque eu sei que esse é um valor do país,
15:58é um, sei que é um valor,
15:59qualquer governante que vier vai atender a isso.
16:05Isso dito, quer dizer,
16:06o que a gente precisa é,
16:10com base em estudos técnicos,
16:12primeiro é enxergar o que deveriam ser as prioridades do ponto de vista técnico,
16:17e aí, claro, a decisão é da política.
16:20Mas esses diagnósticos,
16:21tal programa é bom, tal programa não é bom,
16:24esse aqui a gente precisa reformular,
16:26esse aqui a gente precisa extinguir,
16:28essa estatal a gente tem que fechar,
16:31essa outra aqui é privatizar,
16:33quer dizer, ter esses diagnósticos é muito importante,
16:37e, obviamente, para poder fazer essa sinalização.
16:40Então, isso eu estou sentindo falta do governo,
16:42eu acho que o Paulo Guedes,
16:45apesar dele ter esse vigor,
16:47apesar de muitas vezes tocar em temas importantes,
16:50essas falas agora que vocês colocaram,
16:53olha, não pode simplesmente rasgar a disciplina fiscal
16:55para vencer a eleição,
16:57é uma fala corajosa,
16:59agora eu sinto que o Paulo Guedes
17:01tem uma grande dificuldade de convencimento interno,
17:06então isso é um problema,
17:08não é à toa que o mercado financeiro fica nervoso.
17:12Então é isso,
17:12a gente precisa ter
17:13a consolidação desse valor
17:16pelo regime fiscal estável,
17:20independentemente,
17:21mas vai começar pela reforma administrativa,
17:23ou vai ser a outra e tal.
17:25Sobre o aumento da carga tributária,
17:27eu acho que seria um tremendo equívoco,
17:29por várias razões,
17:30não é só porque ela é alta,
17:31mas a gente está falando também porque ela é alta,
17:34nós temos uma estrutura produtiva muito cara no Brasil,
17:39seria penalizar ainda mais,
17:42fazer aumento da carga tributária
17:44no atual regime tributário,
17:46mais grave ainda,
17:48porque você vai estar exacerbando ainda mais
17:50os problemas que a gente tem,
17:52de uma estrutura tributária
17:54que tira a competitividade do país,
17:56gera distorções alocativas,
17:58então seria um tremendo equívoco,
18:00o aumento da carga tributária,
18:02muitas vezes,
18:03é mais uma justificativa
18:06para a gente empurrar com a barriga
18:07a agenda de cortar despesas,
18:09então você fala,
18:10já aumentou mesmo,
18:11então deixa para lá,
18:13vamos discutir esse assunto depois,
18:14sociedade aceitou mais impostos
18:17e vamos embora e tal,
18:18então eu acho,
18:20eu acho que seria um tremendo equívoco
18:22e algo que está para lá de consolidado,
18:24ajuste fiscal,
18:26não dá mais para a gente fazer
18:27com o aumento da carga tributária,
18:28ele é ineficiente
18:30do ponto de vista de crescimento econômico,
18:32ainda mais num país como o Brasil,
18:35meu palpite é que vamos
18:37enfrentar resistência no Congresso
18:39para o aumento da carga tributária,
18:41meu palpite é que não vai ser,
18:44não é um passeio no parque não,
18:47eu acho que vai ser uma disputa forte aqui,
18:51e finalmente,
18:52desculpa falar demais aqui,
18:54aumentar a carga tributária
18:55não resolve a questão do teto,
18:57o teto é o teto,
18:58o teto é limite para despesa,
18:59você pode fazer aumento da carga tributária,
19:01mas o teto está lá,
19:03o aumento da carga tributária,
19:05ele vai ajudar,
19:06equilibrar as contas e tal,
19:09mas em princípio não é
19:10para ajudar do lado da despesa.
19:13Mário.
19:15Até que ponto
19:16a gente aguenta um dólar tão alto?
19:19Porque as pessoas,
19:21elas acham que é só para ir para a Disney,
19:24aliás,
19:24essa foi uma fala,
19:26na minha opinião,
19:26muito infeliz do Paulo Guedes,
19:28quando o dólar ultrapassou os cinco reais.
19:31nós esquecemos,
19:33por exemplo,
19:33que a indústria,
19:34que continua a ser penalizada no Brasil,
19:37ela depende muito de insumos importados,
19:40então a gente,
19:41quando fala em dólar alto,
19:42olha só o lado bom,
19:43que é a exportação aumentando,
19:45e não olha a inflação,
19:47e não olha os custos crescentes da indústria.
19:52Você não acha que essa taxa de juros de 2%
19:57está um pouco baixa demais?
20:00Porque a gente tende a olhar a taxa de juros,
20:02quando a gente,
20:03assim,
20:03é quase que automático,
20:04a taxa de juros baixou,
20:06oba!
20:07Obviamente tem um lado positivo,
20:09mas como essa taxa de juros,
20:10essa taxa básica de juros,
20:11não se reflete tão fortemente lá no crédito,
20:15afinal,
20:16a gente não precisa ser economista para verificar isso,
20:18basta entrar em uma loja,
20:19eu tendo a crer que essa taxa de juros
20:22está um pouco fora do que seria o melhor.
20:27A minha pergunta é essa,
20:29como fazer para que o dólar baixe
20:32para um nível mais aceitável,
20:35e se para isso teríamos que mexer na taxa de juros
20:39aumentando ela um pouco?
20:41Bom, vamos lá.
20:44O problema não é exatamente o patamar do dólar,
20:47o problema principal é a sua elevada volatilidade,
20:52porque isso dificulta muito tomada de decisão
20:55no setor produtivo.
20:57Se põe no lugar de um exportador,
20:59de um importador,
21:01de alguém que de alguma forma
21:02os seus preços são vinculados ao dólar,
21:04tomada de decisão é difícil,
21:06se você erra,
21:07você pode ter uma perda de capital terrível
21:10em viabilizar o seu negócio.
21:11A gente vê isso muito claramente,
21:16o quanto machuca a atividade produtiva,
21:18essa volatilidade.
21:20A volatilidade atual,
21:22ela está elevada demais
21:24em relação ao padrão histórico da nossa moeda,
21:27que é mesmo mais volátil
21:28quando a gente compara o real com outras moedas,
21:31é mesmo,
21:32pela própria volatilidade da nossa economia,
21:35enfim,
21:36está mais,
21:37está mais do que era o esperado,
21:39está mais do que era o sugerido
21:41pelo cenário internacional.
21:43Porque tem alguma volatilidade das moedas lá fora?
21:46Tem,
21:46mas a nossa está destoando
21:49a própria o Banco Central,
21:50fala, olha,
21:50a gente está investigando o que está acontecendo.
21:55Todos os preços de ativos
21:56têm alguma volatilidade,
21:57mas a taxa de câmbio está maior.
22:01A minha avaliação é que isso está associado
22:03ao patamar da Selic.
22:05O patamar da Selic
22:07é muito baixo em termos reais,
22:09ou seja,
22:09descontada a inflação.
22:11A gente está falando de uma taxa negativa,
22:14não compensa nem a inflação,
22:16e isso gera
22:17uma postura mais errática
22:20ali no mercado de câmbio.
22:23Bom,
22:24por esse aspecto,
22:25quer dizer,
22:25eu acho que a gente vai colecionando sinais
22:28de que a taxa de juros
22:31talvez esteja realmente
22:33num patamar complicado já.
22:34tem uma discussão importante
22:37no mercado financeiro
22:38que diz respeito
22:40não só ao comportamento do dólar,
22:42mas também o comportamento
22:44dos papéis do governo.
22:46A taxa de juros embutida,
22:50o preço que as pessoas
22:52compram título público
22:55pós-fixado,
22:56desculpa, economês,
22:58tem deságio,
23:00exatamente para ter
23:02uma rentabilidade maior,
23:04ou seja,
23:06os investidores estão falando,
23:08olha,
23:08essa Selic está muito baixa,
23:10para eu manter meus recursos
23:11aqui no Brasil.
23:13Então,
23:13está tendo,
23:14o que a gente está observando?
23:15Juros baixos,
23:16com ambiente
23:17de incerteza,
23:19principalmente do lado fiscal,
23:21está gerando concentração
23:22da dívida pública,
23:24está gerando
23:24esses prêmios no mercado,
23:26na curva de juros,
23:28ou nos papéis do governo,
23:29e gerando volatilidade
23:31do dólar.
23:33Eu acho que esticou
23:34um pouco demais a corda,
23:36eu acho que esticou
23:37um pouco demais.
23:38É grave?
23:39Não,
23:39porque o Banco Central
23:40se reúne
23:41a cada 45 dias,
23:44agora é claro que
23:45ter que subir
23:47mais rápido
23:49do que imaginado
23:50a Selic
23:51não é uma boa notícia.
23:53Então,
23:53assim,
23:53o mercado foi
23:54com muita sede ao pote,
23:56não,
23:56Selic tem que ir
23:57para patamar muito baixo,
23:59tem que ir
23:59para zero,
24:01corta essa Selic,
24:02mas a gente tem
24:03que lembrar
24:03que não existe
24:05milagre na economia,
24:06se aperta de um lado,
24:07de alguma forma,
24:09você vai ter
24:09consequências,
24:10então eu preferiria
24:11que o Banco Central
24:12tivesse ido
24:12mais devagar,
24:14avaliando aos poucos
24:15as consequências
24:16dessa taxa
24:17de juros negativa,
24:18exatamente
24:19para não ter que
24:20gerar
24:21uma alta da Selic
24:23mais cedo
24:23do que a gente gostaria.
24:25então,
24:27como se não bastasse
24:28a questão fiscal,
24:30tem uma discussão
24:30de política monetária
24:32que não é grave,
24:33mas é um fator
24:34adicional
24:35de incerteza.
24:37Mário,
24:37tem a última pergunta
24:38aqui,
24:39Zena,
24:39diga lá.
24:39Zena,
24:40o que você teria
24:40a dizer
24:41para os brasileiros,
24:42milhões de brasileiros
24:43que correram
24:43para a Bolsa
24:44de Valores
24:44para tentar
24:45obter ganhos
24:46que às vezes
24:46já não tem mais
24:47nos fundos
24:49que mantinham
24:50tradicionais?
24:51Obviamente,
24:54eu imagino
24:54que boa parte
24:55deles
24:56entenda
24:56que há um risco
24:57nisso,
24:58mas qual a perspectiva
24:59na sua opinião
25:00no médio prazo
25:00para eles?
25:02Olha,
25:03eu falaria
25:04o que eu tenho
25:05falado
25:06esses últimos anos,
25:08é claro
25:09que os juros
25:10mais baixos
25:11geram uma necessidade
25:12para aquelas pessoas
25:14que querem
25:15carteiras
25:15com mais rentabilidade,
25:17gera uma busca
25:18natural
25:19pela renda variável
25:20e de fato
25:21a gente é
25:21um mercado
25:22que estava
25:23muito,
25:23vamos dizer assim,
25:25inacessível
25:26ao cidadão,
25:30aos investidores
25:32e que bom,
25:33que bom
25:33que gerou
25:34essa demanda.
25:35Agora,
25:36é muito importante
25:37lembrar
25:38que tem uma
25:39volatilidade lá
25:40que não é brincadeira,
25:42a pessoa tem que
25:42estar preparada,
25:43eu, Zeina,
25:44eu aguento
25:45essa volatilidade?
25:46Não,
25:46eu não aguento,
25:47quer dizer,
25:47é muito importante
25:48a pessoa
25:49identificar o seu perfil,
25:50qual a tolerância
25:52a riscos,
25:53se aguenta
25:54esse sobe
25:56e desce,
25:57nós não somos
25:59um país fácil,
26:00não é um país
26:01nada fácil,
26:02então,
26:03conhecer o produto
26:04financeiro
26:05é essencial,
26:07não dá para achar
26:08que não,
26:08mas imagina
26:09com esses juros baixos,
26:10é líquido e certo,
26:11que vou ganhar
26:12um dinheirão
26:13na bolsa,
26:13não é bem assim,
26:15tem um risco danado
26:16que precisa
26:18ser considerado,
26:20a perspectiva
26:21é de valorização?
26:23É,
26:24tem muita liquidez
26:25mundial,
26:26tem uma percepção
26:27de uma economia
26:28que a gente pode
26:30discutir se vai andar
26:31mais rápido,
26:32mais ou mais devagar,
26:33eu acho que é mais devagar,
26:34mas enfim,
26:35mas é de uma volta,
26:37ainda que lenta,
26:39temos,
26:39a bolsa,
26:42ela representa,
26:44vamos dizer assim,
26:45um filé mignon
26:45do setor produtivo,
26:47não é o PIB,
26:49são justamente
26:50as empresas
26:50que estão em setores
26:52que são mais competitivos
26:53mesmo,
26:55empresas que têm
26:56um porte um pouco maior,
26:58conseguem diluir
26:59um pouco mais
27:00esse custo Brasil,
27:01mas em setores
27:02que muitas vezes
27:03são mais blindados,
27:05então,
27:05não é o PIB,
27:07então,
27:07mais uma razão,
27:08então,
27:09faz sentido sim
27:10ter uma posição
27:11em bolsa,
27:11mas é muito importante
27:13que o investidor
27:14conheça o seu perfil,
27:15defina o quanto
27:16aguenta de desaforo
27:18e na hora
27:19que dá a chacoalhada
27:20não é para sair
27:21que nem desesperado,
27:23tem que entender
27:25que é uma volatilidade
27:26e pensar
27:29num horizonte
27:30um pouco mais longo,
27:32esse cuidado é essencial,
27:33isso na verdade
27:34vale para qualquer
27:36produto financeiro,
27:37é muito importante
27:37as pessoas
27:38conhecerem
27:38o que elas estão comprando.
27:40Maravilha,
27:41Zeina Latif,
27:42consultora econômica,
27:43muitíssimo obrigado
27:43pela sua participação
27:44aqui no Papo Antagonista,
27:46obviamente teríamos
27:46muito mais perguntas,
27:48mas fica para uma
27:48próxima oportunidade,
27:49você é muito bem-vinda,
27:50boa noite,
27:51bom trabalho.
27:52Obrigada,
27:53obrigada,
27:53até uma próxima.
27:55Um abraço,
27:55tchau.
27:56E enquanto a produção
27:57conecta ali o Matheus Spies,
27:59da Empiricus,
27:59que vai falar
28:00sobre o fechamento
28:01do mercado
28:01para a gente completar
28:02essa pauta econômica
28:03antes do abraço
28:04do Jair Bolsonaro
28:04e do Dias Toffoli,
28:05sobre o qual a gente
28:06vai falar muito ainda
28:07nesse programa,
28:08eu só queria fazer
28:08uma observação mais
28:10sobre algo interessante
28:10que ela falou,
28:11que o Jair Bolsonaro
28:12não conseguiria fazer hoje
28:14o que a Dilma Rousseff fez
28:16e isso ocorre
28:17justamente em razão
28:19da vigilância
28:20e do desenvolvimento
28:22da fiscalização
28:23que se atingiu
28:25no Brasil
28:25em razão
28:26justamente do trabalho
28:28das pessoas
28:29que fizeram isso,
28:30como o Júlio Marcelo,
28:31procurador do Ministério Público
28:32de Contas
28:33que esquadrinhou ali
28:34a questão das fraudes
28:36fiscais
28:36da Dilma Rousseff,
28:37isso acontece também,
28:39era a analogia
28:39que eu queria fazer
28:40em relação
28:41à própria corrupção,
28:42porque quando vem
28:43a Lava Jato
28:45e mostra tudo,
28:46fica,
28:47gera
28:47mais motivos
28:49de dissuasão
28:50para o corrupto
28:52cometer aqueles crimes,
28:53no entanto,
28:54sempre tem toda
28:55uma articulação
28:57das pessoas
28:58que querem
28:59burlar as regras
29:01para voltar
29:02ao status quo
29:03e tudo poder
29:04ser feito novamente
29:05e a gente
29:06tem de fazer
29:07a nossa parte
29:08sempre que é
29:08manter a vigilância
29:09para que aquela sujeira
29:11que aconteceu
29:12no passado
29:12não possa acontecer mais.
29:15Concordo com você,
29:17na história brasileira
29:19sempre se pensou
29:20que isso não pode
29:21acontecer de novo
29:23e sempre acontece,
29:25então é bom
29:26mantermos
29:26a mesma vigilância.
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