- há 1 ano
Felipe Moura Brasil exibe e comenta a linha do linha do tempo do combate à corrupção e da sabotagem dele, destacando os líderes de ambas as iniciativas. Assista.
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NotíciasTranscrição
00:00No sábado 18 de julho de 2020, eu, Felipe Moura Brasil, apresentei no Antagonista um resumo, um quadro geral das relações recentes entre Sérgio Moro, Lava Jato, Polícia Federal, STF, Bolsonarismo, Petismo, PSDB, MDB e Centrão.
00:16Antes de acrescentar os desdobramentos, é fundamental registrar esse conteúdo em vídeo, até mesmo para que você, leitor do site e espectador deste canal, youtube.com.br, o Antagonista,
00:26possa compartilhar com seus amigos e familiares que, bombardeados por WhatsApp, redes sociais e veículos de comunicação com conteúdos atomizados e dispersos,
00:35incluindo a desinformação disparada pela militância de grupos políticos, perdem de vista a cadeia lógica dos fatos na sequência natural do tempo.
00:452014, Jair Bolsonaro e Carlos fazem campanha para Aécio Neves, do PSDB, pedindo votos nas ruas com adesivos do Tucano em suas camisetas.
00:53Carlos publica no YouTube o vídeo Aécio barra Bolsonaro contra a cubanização do Brasil com cenas da campanha conjunta.
01:01As imagens estão disponíveis para quem quiser ver e, inclusive, fazem parte do meu outro vídeo neste canal, o Bolsonarismo Tucano.
01:09Dilma Rousseff é reeleita derrotando Aécio.
01:132015, Sérgio Moro, juiz da Lava Jato, em Curitiba, decreta prisões preventivas de Marcelo Odebrecht.
01:19O ex-tesoreiro petista João Vacari Neto é preso e acaba sendo condenado cinco vezes por Moro.
01:25Manifestações antipetistas ganham corpo nas ruas.
01:282016, Odebrecht fecha a delação premiada.
01:31Lava Jato prende João Santana, marqueteiro do PT.
01:35Moro manda prender Antônio Palocci, ex-ministro de governos do PT.
01:38Dilma Rousseff é empichada por fraudes fiscais e o vice Michel Temer assume a presidência.
01:44Moro manda prender e depois condena Eduardo Cunha, do MDB, por propina em esquema na Petrobras.
01:512017, Moro condena Lula à prisão, no caso do sítio de Atibaia, propina do Petrolão.
01:58Joesley e Wesley Batista, proprietários da JBS, fecham delação premiada no âmbito da Lava Jato.
02:04Vem à tona um áudio comprometedor de Joesley com Aécio e outro com Temer.
02:08Temer escapa do impeachment, mas segue alvo de investigações, sendo depois preso em 2019 e solto.
02:13Aécio fica protegido pelo foro privilegiado de senador no STF e, em 2018, mesmo desgastado,
02:20é eleito deputado federal, mantendo a prerrogativa e a liberdade.
02:252018, TRF4 mantém condenação e aumenta a pena de Lula no caso do Triplex.
02:31Lula é preso.
02:32José Dirceu também é preso no âmbito da Lava Jato, mas é novamente solto pela segunda
02:36turma do STF, com votos de Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes.
02:41Jair Bolsonaro, um mês após ser alvo de facada de Adélio Bispo, é eleito presidente, pregando
02:47o combate à corrupção e apoio à Lava Jato.
02:50Moro aceita convite do presidente eleito para ser ministro da Justiça e Segurança Pública.
02:54Bolsonaro lhe promete carta branca no Ministério, inclusive para escolher o diretor-geral da
02:59Polícia Federal, como diz em entrevista na TV.
03:01Rachadinha no gabinete de Flávio Bolsonaro vem à tona pelo COAF, no âmbito da Operação
03:07Furna da Onça, desdobramento da Lava Jato.
03:10O ex-assessor Fabrício Queiroz, amigo de Jair, ganha o noticiário.
03:14Jair tenta explicar o depósito de Queiroz na conta da futura primeira-dama como quitação
03:19de um empréstimo que lhe teria feito, mas sobre o qual não revela detalhes.
03:232019, Gabriela Hart, que assume o lugar de Moro em Curitiba, condena Lula no caso do
03:29sítio de Atibaia, com base, entre outros elementos, na delação da Odebrecht.
03:34João Vacari Neto, porém, é solto, beneficiado por indulto natalino de Michel Temer.
03:39TRF4 mantém condenação e aumenta a pena de Lula no caso do sítio.
03:44Alexandre de Moraes censura Cruzoé e o antagonista no âmbito do inquérito aberto por Dias Toffoli
03:50contra supostas fake news, ameaças e ofensas ao STF.
03:54Bolsonaro endossa o, aspas, direito garantido, fecho aspas, no regimento interno do STF
04:01de Toffoli abrir o inquérito, como defendeu o AGU André Mendonça, escolhido por ele.
04:07Toffoli suspende investigações baseadas em dados do COAF, como a que atinge Flávio Bolsonaro.
04:12Enquanto Toffoli segura a investigação de Flávio, até o plenário liberá-la quatro meses depois,
04:18a família Bolsonaro faz campanha contra a CPI da Lava Toga, que investigaria Toffoli,
04:24inclusive pela abertura do inquérito contra supostas fake news, ameaças e ofensas.
04:30CPI é enterrada.
04:32Bolsonaro tenta trocar o superintendente da PF do Rio de Janeiro após inquérito eleitoral
04:37sobre Flávio Bolsonaro avançar na PF do Rio, primeiro atrito com Moro sobre o tema.
04:43Bolsonaro indica Augusto Aras, aliado de petistas e detrator da Lava Jato, para a PGR.
04:48ignorando a lista tríplice do MPF.
04:51Aras, assim como Mendonça, defende o inquérito das fake news, aberto por Toffoli.
04:56Bolsonaro manda apagar de seu Twitter defesa da prisão em segunda instância no primeiro
05:02dia de julgamento da medida no STF, depois derrubada pelo plenário com voto de desempate
05:07de Toffoli. Em consequência da decisão do Supremo, Lula é solto.
05:12Bolsonaro sanciona a criação da figura do juiz de garantias, além de restrições a
05:17prisões preventivas e a delações premiadas. Três itens defendidos pelo PT.
05:222020. Bolsonaro sanciona a lei que transfere o COAF, antes alocado na pasta de Moro, que
05:28queria mantê-lo, ao Banco Central. Bolsonaro desdenha da pandemia de coronavírus, que avança
05:34pelo país, matando mais de 80 mil pessoas. Dois ministros da saúde, que são médicos,
05:40deixam o cargo, recusando-se a seguir o negacionismo do presidente. Por pelo menos dois meses, fica
05:46como interino general Eduardo Pazuello, com quem Bolsonaro só se reúne duas vezes. Moro
05:51deixa o governo, em 24 de abril, apontando interferência de Jair Bolsonaro na PF. PGR
05:57abre inquérito para apurar, deixando margem para enquadrar Moro por denunciação caluniosa.
06:02Bolsonaro troca diretor-geral da PF. O primeiro escolhido, para a vaga, tem a nomeação suspensa
06:08por Alexandre de Moraes, mas o segundo entra e imediatamente troca o superintendente da PF
06:12no Rio, como queria Bolsonaro. Vídeo da reunião ministerial, de 22 de abril, mostra
06:18Bolsonaro dizendo, eu não vou esperar foder minha família e amigo meu. E olhando para
06:22Moro, vou interferir. Mensagens anteriores e posteriores à reunião, reveladas por Moro,
06:29confirmam a intenção de Bolsonaro de trocar diretor-geral da PF em razão de investigações
06:34sobre bolsonaristas. Por causa dessa comprovada motivação, Moraes blinda delegados da PF
06:41atuante no inquérito das fake news, para que não sejam trocados pelo novo indicado por
06:45Bolsonaro. André Mendonça, ex-AGU, vira ministro no lugar de Moro. Bolsonaro escolhe
06:51José Levi, cuja esposa é assessora de Dilmar Mendes, para a AGU.
06:55Bolsonaristas viram alvos de batidas policiais no âmbito do inquérito das fake news e também
07:00de outro aberto pelo PGR, que apura atos antidemocráticos. Também avançam investigações sobre funcionários
07:07fantasmas em gabinetes de Jair, Flávio e Carlos, bem como sobre a militância virtual
07:12anônima e remunerada com dinheiro público no gabinete de Eduardo Bolsonaro, como identificou
07:17a CPMI das fake news. Facebook confirma a existência de contas sem transparência,
07:23administradas por militantes virtuais lotados em gabinetes bolsonaristas, como mostrou
07:28Cruzoé em reportagem de outubro de 2019. A plataforma decide derrubar as contas e a CPMI
07:34pede acesso ao relatório. Bolsonaro, contrariando promessa de campanha, faz toma lá da cá com
07:40Centrão em busca de apoio contra eventual processo de impeachment. Bolsonaro, após declarações
07:45como acabou porra, tenta baixar a tensão com o STF. Com base nas investigações decorrentes
07:51da delação da Odebrecht, Lava Jato de São Paulo denuncia José Serra, do PSDB, e indicia
07:57Geraldo Alckmin, também do PSDB. Fabrício Queiroz é preso em sítio de advogado de Jair e Flávio
08:03Bolsonaro, Frederico Wassef. Sua mulher é dada como foragida. O senador Flávio
08:08Bolsonaro ganha do TJ do Rio foro privilegiado retroativo relativo ao mandato de deputado
08:14estadual. MP do Rio pede ao STF que o caso volte à primeira instância. Pedido cai com
08:19Gilmar. Presidente do STJ, João Otávio de Noronha, que disputa indicação de Bolsonaro
08:25ao STF, manda Queiroz e sua mulher foragida para prisão domiciliar. Gilmar acusa militares
08:31de se associarem a um genocídio e eles reagem com reclamação na PGR, tentando enquadrá-lo
08:37não por acaso em lei usada por Moraes para enquadrar bolsonaristas. Bolsonaro busca colocar
08:42panos quentes na relação com Gilmar, relator do caso Flávio. PGR escolhido por Bolsonaro
08:48tenta obter dados sigilosos da Lava Jato. Toffoli autoriza. O establishment comemora.
08:54O bolsonarismo, assim como o PT e o Centrão, ataca Moro e Lava Jato e tenta esvaziar a PEC
09:00da prisão em segunda instância. A PEC do fim do foro segue deixada de lado na Câmara.
09:05Cinicamente, bolsonaristas também acusam Moro de proteger o PSDB, atingido graças à
09:10delação, para a qual seu trabalho como juiz da Força-Tarefa em Curitiba foi decisivo.
09:16Se quiséssemos proteger alguém, tínhamos matado a delação da Odebrecht na origem,
09:20diz Moro ao antagonista. Há pelo menos seis meses, o governo, Planalto incluído,
09:26sabe que a Procuradoria-Geral da República guarda informações desabonadoras sobre ministros
09:32de tribunais superiores, diz a Cruzoé. O entorno de Jair Bolsonaro recebeu bem a notícia.
09:38Segue o jogo em Brasília com a busca e a exploração de informações comprometedoras,
09:42reais ou inventadas, sobre potenciais adversários eleitorais e potenciais aliados na blindagem
09:49recíproca e coletiva, conhecida como Acordão.
09:52Muito bem. 20 de julho, dois dias depois da publicação desta Minha Linha do Tempo,
09:56intitulada Moro e Lava Jato Incomodam o Establishment, o Estadão reforçou sua essência
10:00com a reportagem Medo de Sérgio Moro levou o Centrão a apoiar Bolsonaro.
10:04Na verdade, medo de cadeia. Mais que a busca de cargos ou verbas, o grupo volta-se agora
10:09para iniciativas que lhe garantam sobrevivência política e afastem o ex-ministro da disputa
10:14presidencial. Na matéria se lê que o Centrão teme que um eventual afastamento de
10:18Bolsonaro fortaleça a eleição do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro ao Palácio do Planalto
10:23caso Bolsonaro tenha o mandato interrompido ou em 2022. Quando era juiz da Lava Jato,
10:28Moro foi algoz de vários dirigentes do Centrão. A matéria também cita várias decisões e
10:33sanções de Bolsonaro contrárias à pauta anticorrupção, como a criação da figura
10:37do juiz de garantias. E enfatiza, políticos às voltas com tribunais fizeram de tudo para
10:42aprovar esse projeto que divide a análise de processos criminais entre dois juízes.
10:47Como apontei várias vezes aqui, o jornal relembra que em novembro de 2018, após ser eleito
10:52presidente, Bolsonaro se valeu da imagem de Moro para passar a mensagem de que o ex-juiz
10:57teria autonomia no enfrentamento de irregularidades. Parabéns à Lava Jato. O recado que eu estou
11:02dando a vocês é a própria presença do Moro no Ministério da Justiça, com todos os
11:06meios, inclusive o COAF, para combater a corrupção. É integralmente dele o Ministério. Sequer
11:11influência minha existe em qualquer cargo lá. O compromisso que eu tive com ele é carta
11:15branca para o combate à corrupção, afirmou Bolsonaro. Desde então, no entanto, o discurso
11:21foi um e a prática outra. Como episódio emblemático, o jornal lembra que o Planalto
11:25fez acordo com o Centrão para tirar o COAF de Moro, o que foi inclusive relatado a mim
11:29pelo deputado federal Júnior Bozella, do PSL, em entrevista para o antagonista disponível
11:34neste canal. Mas é claro que os líderes do Centrão, que em 2018 sentaram em torno de
11:39Geraldo Alckmin, em aliança então criticada por Bolsonaro, não confessam motivações
11:45inconfessáveis. A moda Renan Calheiros dizem que tudo é em nome do país, claro.
11:50Arthur Lira, do Progressistas, disse que os partidos que formam o Centro sempre atuaram
11:54para o equilíbrio e a governabilidade. Seu correligionário, Ciro Nogueira, disse ter
11:58uma identificação muito grande com o que o presidente defende para o Brasil.
12:02Marcos Pereira, do Republicanos, disse que a política econômica do governo está em
12:06sintonia com a do partido. Logo, não há porquê não apoiar uma política que pode
12:10proporcionar reformas estruturantes e melhorar o ambiente de negócios para a geração de
12:15empregos. Arthur Lira e Ciro Nogueira são réus
12:18desde junho de 2019 por organização criminosa no caso do quadrilhão do PP, acusados de
12:23desviar dinheiro da Petrobras. Em fevereiro de 2020, no âmbito da Lava Jato, a PGR ainda
12:29denunciou Ciro Nogueira por corrupção passiva e lavagem de dinheiro em decorrência da
12:33delação da Odebrecht. O senador é acusado de ter recebido da empreiteira R$ 7,3 milhões
12:38em vantagens indevidas. Em junho de 2020, também no âmbito da Lava Jato, a PGR denunciou
12:45Arthur Lira por corrupção passiva. O deputado federal é acusado de ter recebido R$ 1,6 milhões
12:50em propina da empreiteira Queiroz Galvão. Já Marcos Pereira é aquele bispo licenciado
12:55da Igreja Universal e ex-ministro do governo de Michel Temer, que entregou o cargo quando também
13:00passou a ser investigado em decorrência da delação da Odebrecht. Executivos da empreiteira
13:05disseram ter repassado R$ 7 milhões ao presidente do então PRB, hoje republicanos, a pedido da
13:11campanha de Dilma Rousseff em 2014, para fechar o apoio da legenda à reeleição da petista
13:16na chapa com Temer. Para completar o novo time de patriotas do bolsonarismo, o condenado no
13:22mensalão petista Roberto Jefferson, que garantiu a boquinha de Eduardo Bolsonaro na liderança
13:27do PTB em Brasília aos 18 anos enquanto fazia faculdade no Rio, agora diz que a direita está
13:33unida por Cristo e Messias Bolsonaro é nosso líder. De fato, Bolsonaro hoje lidera até onde pode
13:39a sabotagem do combate à corrupção feito por Moro, Lava Jato e demais forças-tarefas.