- há 7 meses
Claudio Dantas analisa o depoimento dos delegados Maurício Valeixo, Ricardo Saadi e Alexandre Ramagem no inquérito que apura interferência política de Jair Bolsonaro na PF.
E ainda: Osmar Terra vem aí, Covidão gera investigações em todo o país e o cartão corporativo entra em cena novamente.
E ainda: Osmar Terra vem aí, Covidão gera investigações em todo o país e o cartão corporativo entra em cena novamente.
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NotíciasTranscrição
00:00Boa noite, bem-vindos ao Gabinete de Crise, segunda-feira, 11 de maio.
00:22Vamos começar já com o balanço do Ministério da Saúde.
00:26Temos ele aí no sistema?
00:30Vamos lá.
00:36Bom, 396 novos óbitos registrados nas últimas 24 horas, 5.632 novos casos.
00:45Isso depois daquele pico de mais 700 óbitos e mais de 10 mil casos em 24 horas.
00:54Isso acontece, é bom que se diga, pela subnotificação do fim de semana.
01:02Então isso aqui não é motivo para a gente relaxar, ficar, comemorar nem nada disso,
01:07porque infelizmente isso aqui é a subnotificação, é a tendência.
01:11Isso sempre acontece às segundas-feiras.
01:13Então, ao todo, temos 11.519 casos, registramos aí no fim de semana, ultrapassamos os 10 mil.
01:22Felizmente o Bolsonaro cancelou o churrasco, disse até que não era, que era uma fake news.
01:29Agora é isso.
01:30Coloca uma pauta na rua, depois dizem que, depois de antes da repercussão negativa,
01:35desmente a própria pauta.
01:37Bom, vamos em frente.
01:38Em função da situação, desta grave situação, no Maranhão,
01:44no Maranhão, a Justiça decretou o lockdown.
01:49A gente registrou isso na semana passada.
01:52E aí, para vocês terem uma ideia,
01:54as mortes pela Covid saltaram de 3 para 275 em abril.
02:01Então, isso mostra que a síndrome respiratória aguda grave,
02:07mostra, inclusive, uma comparação com o mesmo mês de 2019, do ano passado.
02:14Então, saiu de 3 para 275.
02:20No ano passado foram apenas 3.
02:22Em abril de 2019, uma das 3 vítimas foi diagnosticada com H1N1
02:30e outras duas não tiveram a síndrome.
02:32No mês passado, então, aí, 271 por Covid e apenas 4 por H1N1.
02:39Vamos para o próximo.
02:44Bom, muita gente comentou, a gente vem falando sobre a questão da cloroquina,
02:49subiu da pauta, agora voltou a pauta.
02:51E aí, o Nelson Teich, na coletiva mais cedo,
02:55rebateu a crítica que tem recebido de bolsonaristas, né?
02:59Que pedem o ministro para liberar o uso da cloroquina.
03:02E aí, ele explicou que o uso da cloroquina está liberado.
03:06O Ministério da Saúde não proíbe o uso de medicamentos.
03:09Os medicamentos são prescritos pelos médicos, tá?
03:14Então, ele acrescentou aqui, ó,
03:16existe uma diferença entre você restringir o uso, proibir e você não recomendar.
03:21Recomendar é quando você tem certeza, com estudos clínicos,
03:24que aquilo é o melhor para as pessoas.
03:26Quando você não tem essa certeza, o que você faz é, idealmente, um estudo clínico.
03:31Porque você vai acolhendo informações sobre o resultado.
03:33Ou seja, o Ministério da Saúde mantém a mesma posição,
03:37o Teich mantém a mesma posição do Mandetta
03:39e não faz uma recomendação do uso da cloroquina.
03:43Os protocolos estão sendo estudados.
03:45O que se faz é deixar que os médicos, é liberar, autorizar o uso
03:51e deixar que os médicos apliquem esse protocolo.
03:55A gente já sabe que tem protocolo para casos graves.
03:59O problema é o seguinte, gente.
04:01Diante dessa situação do Teich, né?
04:06Quem está ganhando força de novo e voltando para a pauta
04:10é o Osmar Terra.
04:12O Osmar Terra é que queria o lugar do Mandetta, acabou não conseguindo,
04:15perdeu para o Teich.
04:16Agora parece que o Teich já está sendo fritado nas redes sociais pelos bolsonaristas.
04:22Então, está enfraquecido.
04:24Ele vem mantendo uma política muito parecida com a do Mandetta
04:28e parece que não está agradando, então, ao Jair Bolsonaro,
04:31que gostou muito, aliás, do desempenho do Osmar Terra
04:35num debate com o Mandetta no fim de semana.
04:39Vamos botar lá aquela entrevista?
04:43Freitas.
04:49Eu fico uma comparação com o que tinha acontecido com o H1N1.
04:55E, certamente, é muito difícil no começo do meu epidemia
04:58você prever o número exato que vai ter.
05:00Mas, certamente, a minha margem de erro vai ser muito menor
05:03do que dessas duas previsões.
05:05Agora, eu vejo a imprensa sempre me cobrar isso
05:07de quem prevê para menos
05:09e não cobra de quem prevê para mais.
05:12Essas previsões internas do Ministério da Saúde,
05:16embora com algum grau de diferença,
05:19ela está se executando exatamente dentro daquilo
05:22que a gente imaginava que queria executar.
05:25não só está iniciando o seu processo de subida,
05:30como esse processo de subida vai atravessar o mês de maio,
05:35ele vai atravessar o mês de junho subindo,
05:38ele vai ter uma tendência, conforme for o nosso comportamento,
05:41a um certo platô no mês de julho, agosto,
05:46para a gente começar uma descida de casos
05:48na segunda quinzena de agosto,
05:50para começar a tentar chegar a um ponto de melhor equilíbrio em setembro.
05:55Isso falando em termos globais do país,
05:57porque serão situações, serão momentos diferentes,
06:01de diferentes cidades.
06:02Com todo respeito ao Osmar,
06:04eu também fui secretário e enfrentei a H1N1 aqui,
06:07não guarda nenhuma relação com a H1N1.
06:10A H1N1 nós tínhamos o Tamiflu,
06:11a H1N1 não veio com essa competência de transmissão.
06:16Essa é uma virose que vem fazendo aí um estrago mundo afora,
06:21e não vai ser diferente.
06:22Eu rezei muito no começo para termos um país tropical,
06:25para que o vírus não transmitisse aqui,
06:27para que o calor fosse maior,
06:29mas ele, até o momento, não deu nenhum sinal
06:32de ter nenhum tipo de consideração pelo nosso país, não.
06:36Então, o vírus veio através dos portadores assintomáticos,
06:40se espalhou muito antes do Carnaval.
06:43O Carnaval, o governo decretou, inclusive,
06:45ainda o ministro Armandeta e o presidente Bolsonaro assinou um decreto,
06:50se não me engano, dia 2 de fevereiro,
06:53alertando, decretando emergência na área de saúde,
06:55e mesmo assim o Carnaval não foi suspenso.
06:58O Carnaval foi o maior momento de disseminação do vírus.
07:03E até ali, a imprensa não assustava a população.
07:06Até ali, o vírus era uma gripezinha,
07:08dito pelo pessoal da grande mídia,
07:10por formadores de opinião, não era pelo presidente Bolsonaro.
07:16Quando tu fecha essas pessoas em casa,
07:18o vírus acaba indo para dentro de casa.
07:20Ele não está na rua, ele não está atrás do vidro da janela.
07:24Se tu não abrir a janela, o vírus não entra.
07:26Então, a circulação do vírus prévio acontece,
07:30o vírus já fica em toda parte.
07:32Qual é o risco que tu tem de comprar em uma loja do shopping?
07:35Tu acha que é maior que o risco que tu tem de ir no supermercado?
07:39Tu tem que ir no supermercado.
07:40Chega lá no supermercado, tu bota a mão em uma latinha
07:42que 50 pessoas botaram a mão naquela latinha
07:44para olhar os ingredientes.
07:45Qual é o risco?
07:46Tu tem que ter protocolos.
07:48Tu tem que ter protocolos rígidos nas lojas.
07:52Pode abrir as lojas, deve abrir.
07:53Tu tem que ter protocolos rígidos na escola.
07:55Protege muito mais as crianças do que deixá-las soltas na rua,
07:58jogando videogame com os amigos,
08:00jogando futebol na praça.
08:02Tu tem que ter protocolos rígidos no local de trabalho.
08:05Tem que testar, testar, testar.
08:07Qualquer suspeita, testar, testar.
08:08O teste é fundamental.
08:10Nós devíamos estar com uma produção gigantesca de testes.
08:13E eu acho que nós temos que...
08:16Isso é que se fez em todas as epidemias.
08:19É tomar os cuidados individuais do grupo que não é de risco
08:22e levar a vida o mais normal possível.
08:25E o grupo de risco está super protegido.
08:27Que bom que está todo mundo bem protegido.
08:31Só faltam os testes, não é por quê?
08:34A tese, a nova tese exposta pelo Osmar Terra depende de testes,
08:38que sempre foi o ponto, desde lá de trás, o ponto que a gente sempre bateu aqui.
08:42Sem teste você não tem como diagnosticar a situação da Covid no Brasil.
08:47Então, quando a gente repete aqui esses números, inclusive,
08:51a gente sabe que tem subnotificações, que tem muita defasagem aí.
08:55E provavelmente até em lugares em que a gente olha, assim, estados,
09:00você olha e vê uma incidência bem menor.
09:03Você olha assim, pô, o que esse governador está fazendo?
09:05Na verdade, muitas vezes ele não está fazendo aquilo que é necessário,
09:08que é testar a população.
09:09Então, sem testes, e olha que já foram comprados aí,
09:13já foram doados, mais de 20 milhões de testes.
09:16Mas o Ministério da Saúde continua enfrentando um problema logístico
09:19de distribuir isso pelo país.
09:21Os estados precisam aplicar esses testes, os municípios.
09:24Então, o Brasil é um dos países com menor índice de testagem
09:29dos seus cidadãos em relação à Covid.
09:33Então, sem o teste, sem diagnóstico.
09:35Sem diagnóstico, você não tem como prescrever nada, nenhuma solução.
09:39Bom, o fato é o seguinte, Osmar Terra está de novo cotado,
09:44o discurso dele se alinha ao discurso do Bolsonaro,
09:47que hoje, inclusive, já liberou, já incluiu, na verdade,
09:51na sua lista de atividades essenciais, barbearias,
09:56salões de beleza e academias de ginástica.
10:01A partir de agora, elas estão entre as atividades essenciais
10:03que poderão funcionar durante a pandemia.
10:06Saúde é vida.
10:07Quem está em casa agora como sedentário, por exemplo,
10:11está aumentando o colesterol dele, problema de estresse,
10:14um monte de problemas acontecem.
10:16Se ele puder ir em uma academia, logicamente, de acordo com as normas
10:19do Ministério da Saúde, ele vai ter uma vida mais saudável.
10:23A questão do cabeleireiro também, fazer as unhas, cabelo, etc.
10:27A questão de higiene vai ter de malhar com a máscara e de luva.
10:35Não é fácil, é complicado.
10:37Eu acho que os governadores não... nem todos vão...
10:41Aliás, o Rui Costa já avisou que não vai aplicar as novas...
10:44Essa nova lista aí, divulgada pelo Bolsonaro.
10:49E, claro, muita gente tem medo.
10:51Tem medo até de ir para a academia, malhar numa situação dessa,
10:54em que você realmente não tem segurança de nada.
10:58Bom, o que surpreendeu e que justifica essa nossa fala aqui
11:05sobre o Osmar Terra ganhando força e o Nelson Teixe sendo fritado.
11:10A publicação desta nova lista, com essas novas atividades essenciais,
11:16o presidente nem consultou o Nelson Teixe.
11:19Inclusive, nós reproduzimos o documento, saiu em edição extra do Diário Oficial
11:24e não constava também da assinatura do Nelson Teixe.
11:28Então, o ministro praticamente está fora do jogo.
11:31Vamos agora para outra pauta do dia aqui, o Covidão.
11:38Se vocês não viram, nós disponibilizamos a íntegra do debate com os conselheiros
11:44dos tribunais de contas, procurador, advogado, pessoal que está se dedicando
11:48a fiscalizar esses desvios que agora virou uma farra geral.
11:55Inclusive, um dos conselheiros até disse, olha, Cláudio, vai ter material aí
11:59para mais de cinco lava-jatos.
12:00Eu não tenho dúvidas.
12:02Inclusive, na conversa com esses conselheiros que está disponível à íntegra
12:06aqui no nosso canal no YouTube, eles fizeram, traçaram um panorama absurdo,
12:13um panorama que realmente deixaria qualquer um maluco.
12:19Vocês imaginam que prefeituras aí, pelo país inteiro, executando esses orçamentos,
12:27fazendo compra, tudo sem licitação, sem fiscalização de nada.
12:31Todos os protocolos estão abertos, foram revisados.
12:34Agora tem de pagar antes para poder receber.
12:38Foi autorizado isso na semana passada.
12:41Para você concorrer no mercado internacional, quer dizer, muitos dos fornecedores
12:45são internacionais, são na China, por exemplo, e para você concorrer.
12:49Você tem que pagar antes.
12:51Então, isso coloca um cenário de descontrole total das contas, não só na área de saúde,
12:56mas todas as contas, as prefeituras, os governos.
12:59Então, é um cenário absolutamente caótico.
13:04Então, recomendo o debate aí para vocês.
13:08E a gente tem aqui uns dados, né?
13:11Freitas, 410 procedimentos de investigação abertos,
13:17isso no âmbito do Ministério Público Federal, tá certo?
13:22As investigações se espalham por pelo menos 11 estados.
13:26E aqui também no Distrito Federal,
13:28várias desses casos aí denunciados por nós aqui no Antagonista.
13:32desde fevereiro, como acabamos de dizer aqui,
13:35a legislação permite que gestores comprem, sem necessidade de licitação,
13:38bens e serviços e insumos destinados ao combate à Covid.
13:44Só hoje, PF investiga aluguel de ambulâncias em Ribeirão Preto.
13:49Contrato de R$ 1,1 milhão.
13:51Por aí vai.
13:53Passa a próxima.
13:56Outro contrato, R$ 1,8 milhão.
13:58A MAPAR também, empresa aqui, prestação de serviço de limpeza no combate ao coronavírus.
14:06Isso sem contar o superintendente de saúde lá do Rio, que foi preso, né?
14:11Superintendente de logística, que foi preso.
14:13A exoneração dele só saiu agora.
14:15O Gustavo Borges.
14:17O caso lá da Mercadores do Caos, né?
14:19Que trata de respiradores.
14:21E falando em respiradores, outro escândalo.
14:26Santa Catarina, aí vocês viram no fim de semana, pagamento antecipado do governo aqui de R$ 33 milhões.
14:35E aí o secretário Douglas Borba, que era o chefe da Casa Civil lá de Santa Catarina,
14:41apresentou aí no domingo ontem um pedido de exoneração justamente,
14:45porque ele é apontado como responsável por indicar a empresa Veigamed para a compra dos respiradores.
14:52Então, para vocês terem uma ideia de como é isso, né?
14:55Na prefeitura é R$ 1 milhão, R$ 1,5 milhão, R$ 2 milhões.
14:58Nos estados já vai para R$ 30 milhões, R$ 40 milhões.
15:01Pode passar.
15:04R$ 40 milhões.
15:05São Paulo aqui, pelo menos quatro contratos, o Ministério Público.
15:14Um deles é o de R$ 500 milhões de respiradores lá, comprados pelo governo do João Dória.
15:20Então, assim, tem aquele dos aventais, que eles suspenderam depois da denúncia que nós fizemos.
15:28Na verdade, os deputados, os deputados que estão fazendo esse controle lá.
15:31Isso que tinha que acontecer em todo o estado, todos os estados, todos os municípios, né?
15:36Os parlamentares que têm esse papel, essa atribuição, eles fiscalizarem os gastos do executivo.
15:44Então, tá aí.
15:46Fizeram a denúncia, apresentaram ao TCE, a Secretaria de Saúde, primeiro informou,
15:51a gente publicou em primeira mão isso aqui no antagonista, a Secretaria de Saúde entrou em contato,
15:55falou, não, tá tudo bem, não tem problema nenhum.
15:57E aí, acabou suspendendo o contrato.
16:00Quer dizer, se estava tudo bem, o problema é que já se pagou, né?
16:03Já pagaram aí uma boa parte do contrato, já mandaram fazer coisa numa empresa que não tinha expertise nenhuma,
16:08ela subcontratava outras.
16:09Então, é essa zona que está no país inteiro, então vocês já podem esperar.
16:14São Paulo, não à toa, o pessoal está fazendo buzinaço.
16:17Temos aí o vídeo.
16:21Os caminhoneiros pressionando aí o governo do Dória.
16:30Bom, e falando em corrupção, em falta de controle, falta de transparência, olha quem voltou para o noticiário.
16:47Cartão corporativo.
16:50Quem acompanha a política sabe, né?
16:53Nós já tivemos tantos casos, tantas denúncias.
16:57Olha, o governo de plantão, seja ele qual for, sempre se enrola com essa história do cartão corporativo.
17:03Isso tinha que acabar.
17:04Cartão corporativo foi feito para pequenas despesas emergenciais ali,
17:08aquelas despesas que você não precisa licitar, porque é tão pequeno o negócio do dia a dia ali,
17:14questões às vezes administrativas, e você então usaria esse cartão corporativo.
17:19Mas não, o pessoal está usando cartão corporativo para qualquer coisa.
17:23E o pior, a gente não sabe para que está usando.
17:26Os cartões, o gasto do cartão corporativo do governo, por exemplo, ele da presidência da república, é sigiloso.
17:34É sigiloso.
17:35Cadê a transparência?
17:37Aliás, sempre foi sigiloso.
17:39O Bolsonaro manteve o sigilo.
17:40O problema é que o gasto de cartão corporativo do Bolsonaro também está até mais alto do que os dos seus antecessores.
17:46A gente tem uma reportagem especial do CD Silva contando esse episódio.
17:52Por que você não faz uma matéria comigo com cartão corporativo?
17:56Os gastos com cartão corporativo da presidência, usado para bancar despesas sigilosas do presidente Bolsonaro,
18:03dobraram de janeiro a abril de 2020, na comparação com a média dos últimos cinco anos.
18:09A fatura nos primeiros quatro meses deste ano foi de 3,76 milhões de reais, cerca de 940 mil reais por mês.
18:19O valor é lançado mensalmente no portal da transparência do governo,
18:23mas o detalhamento da maioria das despesas ainda é sigiloso.
18:27Se a gente levar em conta os primeiros 16 meses do governo Bolsonaro, a média foi de mais de 700 mil reais por mês,
18:35uma alta de 60% em relação ao governo Michel Temer e de 3% em relação ao governo Dilma, em valores corrigidos pelo IPCA.
18:45Os dados são do portal da transparência, que publica informações a partir de 2013.
18:50A Secretaria-Geral da Presidência da República informou que o número de familiares do presidente é maior do que o de seus antecessores,
18:58o que acarreta no incremento de despesas para as atividades, sobretudo as de segurança institucional.
19:04Na manhã desta segunda-feira, o presidente Bolsonaro fez outra alegação.
19:09Disse que o aumento nas despesas se explica pela operação de resgate de brasileiros em Wuhan, na China, em fevereiro.
19:16À tarde, no Twitter, disse que a operação custou quase 740 mil reais.
19:21A imprensa, como sempre, criticando o cartão corporativo.
19:25Só que os caras são tão mau caráter que não dizem que parte da operação da China, três aviões da Força Aérea,
19:31por ser avião militar, foi financiado por cartão corporativo meu.
19:35O problema é que não é possível verificar o que a Secretaria-Geral e a Presidência dizem exatamente por causa do sigilo.
19:42Em agosto do ano passado, Bolsonaro prometeu abrir o sigilo sobre os gastos, o que nunca aconteceu.
19:48Vamos fazer uma matéria amanhã, vou abrir o sigilo do meu cartão.
19:51Não precisa quebrar o sigilo, vou abrir o sigilo do meu cartão.
19:54Para vocês tomarem conhecimento, quanto eu gastei de janeiro até o final de julho.
20:02Então, quem imprensa? Vamos fazer uma matéria legal?
20:04Em 2008, durante o governo Lula, estourou o escândalo dos cartões corporativos.
20:09O Congresso instalou uma CPI mista e o relator Luiz Sérgio, do PT, assou uma pizza, com um texto que não pediu o indiciamento de ninguém.
20:18Nessa mesma época, o então PPS entrou com uma ação no STF para suspender o sigilo das despesas confidenciais.
20:26Esse sigilo está previsto em um decreto-lei de 1967, ou seja, da ditadura militar.
20:33Com a velocidade que lhe é característica, o Supremo levou apenas 12 anos para tomar uma decisão.
20:40Em novembro de 2019, julgou procedente a ADPF do Cidadania, novo nome do PPS, e declarou o dispositivo incompatível com a Constituição.
20:51Só que o governo Bolsonaro não abriu o sigilo do cartão.
20:54Para isso, se vale, quem diria, da lei de acesso à informação, que entrou em vigor depois da ação do PPS no Supremo.
21:04O texto da LAI tem regras para a classificação de informações como sigilosas, mas a única vez em que aparece a palavra despesas
21:12é no artigo 8º, que prevê o dever dos órgãos públicos de divulgar informações de interesse coletivo.
21:18O deputado federal Elias Vaz, do PSB de Goiás, ingressou com mandado de segurança no Supremo,
21:25cobrando do Palácio do Planalto a divulgação dos gastos com cartão corporativo.
21:30Ele falou com exclusividade ao antagonista.
21:32Bom, isso é importante, primeiro, pelo princípio que impera na administração pública, que é o princípio da transparência.
21:40E já há uma posição do STF, onde foi julgado um decreto que existia ainda na década de 60,
21:52que considerou esse decreto como inconstitucional, porque ele afeta esse princípio que é o princípio da transparência.
22:00O presidente precisa entender que, primeiro, nós não estamos levantando nenhuma acusação de irregularidade,
22:08do ponto de vista do que foi gasto, até porque a gente não sabe onde foi gasto.
22:12O presidente, agora, ele tem a obrigação, se ele se queixa que a imprensa tem sido injusta,
22:17porque não explica direito onde é que ele gastou, é porque a imprensa não tem bola de cristal.
22:24E nenhum deputado aqui, inclusive, que tem como atribuição fiscalizar os atos do executivo,
22:30não tem bola de cristal, nós precisamos saber, efetivamente, aonde foi gasto cada centavo de dinheiro público.
22:36Porque o presidente gosta de dizer que é uma pessoa simples, que é uma pessoa que tem uma vida muito simples,
22:44que não ostenta.
22:46Não usa toalha de mesa, come pão com leite condensado.
22:50Eu sempre estou achando que uma média de um milhão, mais de um milhão por mês,
22:54dá para comprar muito miojo e muito leite condensado.
22:57Pão com leite condensado, quer dizer, é um valor exagerado.
23:00Então, sinceramente, fica parecendo que o presidente tem mais uma retórica,
23:06mas na vida, de fato, eu penso que a transparência desses dados pode revelar de verdade quem é o presidente no dia a dia.
23:16O presidente Bolsonaro também tem lutado para garantir o sigilo do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril,
23:22já entregue ao STF, e seus exames para o novo coronavírus.
23:26Embora fale muito em João 8,32, se comporta mais como agente secreto.
23:39Mais uma promessa quebrada, né?
23:42Jair Bolsonaro aí prometendo divulgar os gastos do cartão corporativo e não o faz.
23:47Como bem disse o deputado, nada como essa divulgação para mostrar quem é o presidente no dia a dia.
23:53Aliás, o CD ressaltou bem essa necessidade de esconder as coisas.
24:01Exame, vídeo, agora também os gastos do cartão corporativo, que aliás, já vem com esse problema aí desde lá de trás.
24:11Há pedidos até no STF, há um pedido do MBL, a gente divulgou isso tem algumas semanas,
24:17para a divulgação, respeitando a LAI, divulgação dos gastos do cartão corporativo.
24:23Vamos ver se há alguma medida também no plano lá do legislativo.
24:27De qualquer maneira, gente, Bolsonaro resolveu responder, mas nunca a resposta é clara e objetiva.
24:35É sempre uma meia resposta.
24:37Ele ali na frente do Alvorada hoje, já tinha falado, aí foi lá e tuitou.
24:43Três aviões da FAB vinculados à presidência foram à China buscar brasileiros em Wuhan.
24:49Na operação foram gastos R$ 739.598 com cartão corporativo, ou seja, R$ 740.000, cartão corporativo,
25:00para resgatar os brasileiros em Wuhan.
25:02Aí ele diz aqui, ao contrário do noticiado, retirando despesas extraordinárias,
25:06nossos gastos seguem abaixo da média de anos anteriores.
25:10Não é verdade, não é verdade.
25:12Inclusive, tirando isso aí, R$ 3.700.000, tira os R$ 700.000, ficam R$ 3.000.000.
25:19Continua sendo um gasto ainda superior aos dos seus antecessores.
25:24Então, realmente, é mais uma que a gente não vai conseguir saber a verdade,
25:32a menos que se abra, porque se depender do governo, não vai abrir.
25:36Está devendo, quem não deve não teme, a verdade vos libertará.
25:41Então, que se divulgue, que se divulgue como foi prometido, inclusive em discurso lembrado pelo CD.
25:47Bom, vamos aqui agora para a pauta mais quente do dia, que foi o depoimento dos delegados
25:59Maurício Valeixo, o Ricardo Saad e o Alexandre Ramalho.
26:04Os três depuseram hoje lá na Polícia Federal.
26:07A gente obteve aí mais cedo, que terminou mais cedo, o depoimento do Maurício Valeixo.
26:12Também pegamos do Ricardo Saad, estamos publicando no site neste momento e ainda estamos aguardando do Ramagem.
26:20Mas eu já vou comentar com vocês aqui o do Valeixo.
26:23Obviamente, os bolsonaristas já começaram a falar assim, ah, não tem nada, é uma besteira, etc.
26:28Não tem besteira nenhuma, muito pelo contrário, é um depoimento técnico,
26:32um depoimento que corrobora várias das questões colocadas pelo Sérgio Moro
26:37no seu depoimento do sábado, daquele sábado passado, retrasado no caso.
26:43E dá mais, vamos dizer assim, mostra ainda mais a necessidade de se apurar com rigor
26:51toda essa suspeita de interferência na Polícia Federal.
26:56Então vamos aos trechos aqui do depoimento do Maurício Valeixo.
27:02Temos aqui primeiro o Valeixo dizendo o seguinte, que o Bolsonaro virou para ele e disse que queria
27:12um diretor-geral na Polícia Federal com mais afinidade, é uma questão de afinidade, pode mudar.
27:19Ele disse isso, a gente comprovou aqui no depoimento, publicamos o trecho do depoimento,
27:28ele disse o seguinte, não tenho nada contra você, Valeixo, mas é uma questão de afinidade.
27:34E aí, obviamente, a PF lá, o pessoal que estava questionando lá, o Valeixo, perguntou,
27:40mas o que é essa afinidade?
27:42Olha, eu não sei, tem que perguntar para o presidente.
27:44O Bolsonaro tampouco apresentou as razões para a troca dos superintendentes do Rio de Pernambuco.
27:51E aí ele confirmou aquilo que o Moro já havia dito, da obsessão do Bolsonaro com a troca
27:57do superintendente do Rio de Janeiro, tá?
28:03Disse que por duas vezes foi informada a intenção do presidente em trocar o superintendente,
28:08informado pelo Sérgio Moro.
28:10E que de forma menos contundente, também o Sérgio Moro comunicou a ele a possibilidade
28:16de troca do superintendente de Pernambuco, mas, em nenhum dos casos, foi apresentada a razão
28:21que justificasse a substituição, uma vez que não havia nenhuma reclamação sobre a condução
28:27dessas superintendências.
28:29Muito pelo contrário.
28:31E isso aqui demole, destrói a argumentação do Bolsonaro.
28:35A PF do Rio havia se destacado em produtividade quando o Bolsonaro pediu a troca.
28:41O Saad, inclusive no depoimento dele, a gente não tem aqui ainda, mas estamos publicando
28:46no site, eu já peguei aqui, ele diz o seguinte, olha, a gente saiu, ele conseguiu tirar a superintendência
28:52do Rio da posição, da 24ª posição em termos de produtividade e elevou para a 4ª posição
29:01em termos de produtividade.
29:02Ou seja, o Ricardo Saad vinha fazendo um trabalho excelente acima de qualquer questionamento.
29:10E aí o Valeixo disse claramente, ao contrário do que foi falado pelo presidente da República,
29:15a superintendência do Rio de Janeiro teria se destacado naquele ano conforme índices
29:19de produtividade operacional.
29:21Eles fazem esse tipo de medição, tendo subido diversas posições em relação ao ano anterior.
29:26Então, e aí o Saad, no depoimento dele, detalha isso subindo para a 4ª posição.
29:33E o Valeixo, obviamente, também disse que o presidente não solicitou nenhuma informação
29:38sobre inquéritos no Estado e disse desconhecer interesse específico de Bolsonaro sobre alguma
29:43investigação no Rio.
29:44Esse é um detalhe, pode passar para o próximo, Freitas, que é justamente a gente detalha em outro
29:51post, dizendo que o Bolsonaro nunca pediu relatórios de inteligência e informações de inquérito.
29:55Aí eu estou vendo o pessoal nas redes aí, está vendo, olha aí, fofoqueiros, fake news,
30:00gente, isso aqui está dentro de um contexto.
30:05É preciso ter um pouquinho, os analfabetos funcionarem não vão conseguir entender.
30:10Mas o Valeixo, quando questionado, ele disse o seguinte, primeiro ele foi questionado
30:15o que ele considera interferência política.
30:19Aí ele disse o seguinte, quando há uma indicação com interesse específico
30:23numa investigação específica.
30:26Aí ele disse que, sob o ponto de vista dele, que está ali abaixo do ministro, isso nunca
30:31aconteceu.
30:32O presidente nunca tratou diretamente sobre a troca de superintendente, nunca lhe pediu
30:37relatórios de inteligência ou informações sobre investigações ou inquéritos policiais.
30:41Primeiro que se o Valeixo tivesse dito isso e sem ter comunicado um possível crime do
30:48Bolsonaro, ele teria prevaricado, está certo?
30:51E aí o próprio Moro, no depoimento dele, disse, deixou muito claro que o Bolsonaro tratou
30:58de eventuais demandas de relatórios de inteligência pela primeira vez na reunião do dia 22.
31:05E ele se demitiu dois dias depois, quer dizer, quando começou o processo de demissão dele,
31:09é assim, já para final, finalmente era aqui.
31:13Então ele passou desde agosto passado, pode trocar para o próximo, ele começou a pressionar
31:21o Moro, essa pressão não era direto no Valeixo, ela era uma pressão no ministro Sérgio
31:30Moro, ministro da Justiça, e ele então repassava essa pressão ao Valeixo.
31:36Então essa pressão começou no dia, começou em agosto do ano passado, e aí ele não justificava
31:42porque que queria trocar, nunca justificou, voltou essa pressão em janeiro deste ano,
31:47também não justificou, e aí voltou agora em abril, mais intenso ainda, e foi quando
31:52aconteceu aquela reunião do dia 22, está aqui, está dia 22, né, dia 22, em que ele
31:59ameaça demitir o Moro se não trocasse o superintendente.
32:03E aí ele questiona justamente porque ele não recebia informações de inteligência,
32:08porque ele diz que saía tudo na frente, tudo na imprensa, e que ele não recebia, então
32:12que ele queria ter essas informações.
32:14Então dentro desse caldo aqui é que o Moro entendeu que realmente não tinha mais como
32:18permanecer no carro.
32:20E aí o Valeixo explica que nunca pediu a exoneração, nunca se antecipou a exoneração,
32:27ele diz aqui, inclusive na videoconferência, aí sim, do dia 23, antes de tratar assuntos
32:33que seriam temas daquela reunião, ele abordou de forma geral o desgaste que vinha sofrendo
32:36desde agosto, e mencionou que não tinha apego ao cargo, o qual se encontra sempre, né,
32:42o qual se encontra e sempre esteve à disposição do ministro e do presidente da república.
32:46Então ele diz, olha, não houve qualquer antecipação sobre a exoneração e tampouco
32:51comunicou na reunião que iria pedir exoneração.
32:56Tem um outro trecho que não está aqui, mas que ele diz o seguinte, ele fala que o Moro
33:04questionou ele, né, e o Bolsonaro ligou para o próprio Valeixo para falar que, olha,
33:09vai ser exoneração a pedido, não deu nenhuma alternativa para ele, mas dentro do combinado
33:13com o Moro, essa exoneração a pedido, ela aconteceria caso a substituição dele fosse
33:19pelo número 2, o Disney Rossetti, o secretário executivo da Polícia Federal.
33:24Então essa era a combinação do Moro, que tinha, ele tinha passado essa combinação
33:29para ele, que então ele, quando o Bolsonaro liga para ele e diz que vai ser, ele disse
33:32sim, porque ele estava naquela intenção de que, olha, vai ter, vai ter uma troca, ok,
33:37e desde sempre, desde o início do ano, desde a troca, desde a mudança do ano, ele se antecipou
33:44e falou para o Moro, olha, eu não vou ficar aqui criando problema para você, se você
33:47acha que a minha troca, a minha substituição vai melhorar a sua relação com o Bolsonaro,
33:52você fique à vontade.
33:53Uma gentileza de alguém que não tem apego ao cargo e que, obviamente, foi nomeado pelo
33:58Moro e teve essa postura profissional de dizer, olha, fique à vontade, estão querendo
34:03o meu cargo, o presidente está querendo o meu cargo, está falando por aí na imprensa
34:07que quer o meu cargo, então fique à vontade, eu não tenho apego nenhum.
34:10E aí o Moro disse, não, você vai ficando até eu buscar uma solução interna que eu
34:16coloque para o Bolsonaro, que o Bolsonaro aceite.
34:18O problema é que o Bolsonaro nunca aceitou esta solução proposta pelo Sérgio Moro.
34:23Então, essa é a situação.
34:26E aí ele confirma o telefonema, diz que ele não pediu para sair, né?
34:32Ele, na verdade, estava cansado, era do assédio do Palácio do Planalto.
34:36Pode mudar.
34:36Aí tem uma coisa interessante nesse depoimento, que é o seguinte, ele confirma a versão
34:46do Moro de que teve uma reunião no Palácio do Planalto para expor as conclusões do inquérito
34:51do caso Adélio, isso a pedido do próprio Moro, ele estava lá junto com o superintendente
34:56de Minas, com o delegado responsável pelo inquérito, e, óbvio, o Moro considerou fazer
35:01essa apresentação em razão do presidente ser vítima, né?
35:04Ter quase aí morrido em função do ataque do Adélio, tratando o assunto como de segurança
35:10nacional.
35:11Para quem não lembra, o Bolsonaro não questionou as conclusões do inquérito.
35:17Então, quando ali agora diz que, ah, o inquérito do Adélio, não sei o que, sei lá, nunca
35:21questionou as conclusões do inquérito, tampouco pediu para substituir o delegado ou o superintendente
35:27de Minas, tá?
35:29Ele estava realmente fixado lá, aficionado no superintendente do Rio de Janeiro.
35:35E aí ele lembrou, o Valeixo, de uma outra requisição feita pelo Moro, a PGR, para apuração
35:41daquela versão lá do porteiro do condomínio do Bolsonaro na Barra da Tijuca, né?
35:45Que teria autorizado a entrada do Elcio Queiroz, comparsa do Rony Lessa.
35:50Aí saiu aquela informação primeiro de que ele teria pedido para ir para a casa do
35:55Bolsonaro e depois teria ido à casa do Lessa.
35:58Então, diante de toda a repercussão disso envolver o presidente da República, ainda
36:03que ele fosse deputado na época, né?
36:05Mas o Moro pediu à PGR a apuração do caso.
36:08E isso culminou, segundo o Valeixo, na instauração de um inquérito policial na superintendência
36:13do Rio.
36:15E aí logo de cara, ele disse que logo no início da investigação, nos primeiros depoimentos
36:21colhidos, ficou esclarecido que o porteiro não... aí é a versão do porteiro, que havia
36:27se confundido e que não teria tido a tal ligação para a residência do então deputado
36:34federal, não havia ocorrido, tá?
36:36Não foi... isso aqui não foi solicitado pelo presidente da República.
36:41Isso foi solicitado pelo Moro.
36:44Quer dizer, em nenhum momento o presidente também pediu para reportar essas informações
36:49desse inquérito.
36:50Ele não sabe se a investigação foi concluída, mas isso aqui também derruba a tese de que
36:56o Moro não fez nada de interesse do presidente no sentido de buscar o esclarecimento de
37:06casos, obviamente, de assuntos aí importantes que envolveriam o presidente da República,
37:13né?
37:13Questões de segurança nacional.
37:15Próximo.
37:16E aí, dentro desse contexto, aí surgiu uma informação nova, o Valeixo dizendo que houve
37:22uma consulta informal para apoio da PF àquela captura do miliciano, do capitão, ex-capitão
37:28da PM, o Adriano da Nobre, que acabou sendo morto pela polícia na Bahia.
37:32E o Valeixo revela nesse depoimento que houve uma consulta informal por parte do superintendente
37:39da Polícia Federal no Rio de Janeiro, o delegado Jairo Souza da Silva, que foi superintendente
37:44no Rio de Janeiro.
37:45Ele é hoje superintendente no Espírito Santo.
37:48E aí o ex-diretor-geral disse que essa consulta foi por um canal não apropriado, via Secretaria
37:54de Operações Integradas do Ministério da Justiça, e que o pedido se tratava de eventual
37:59apoio aéreo a uma operação na Bahia, ele não sabia exatamente qual era.
38:03E o Valeixo, sempre aí dentro das normas, disse, olha, Jairo, qualquer pedido nesse sentido,
38:09o pessoal da Polícia Civil lá, do Rio, quiser cooperação, esse pedido tem que ser feito
38:14via canal de inteligência, para avaliação realmente desse apoio.
38:19Só que ele diz o seguinte, que no entanto esse pedido nunca foi formalizado.
38:23Então não houve uma formalização de um pedido para ajudar nesta captura aí que acabou
38:30resultando na morte do miliciano.
38:32Tem mais um?
38:35Não.
38:36Bom, então encerramos por aqui.
38:41Nós temos ainda...
38:44O Celso de Mello acabou de determinar aqui também, dentro desse inquérito, né?
38:52Estou aqui pegando aqui a informação que está chegando para mim.
38:55O Celso de Mello autorizou a perícia da Polícia Federal no vídeo da reunião ministerial.
39:00A gente comentou isso na sexta-feira, né?
39:03A presidência acabou entregando esse vídeo para o Celso de Mello, mandou para a PGR.
39:09Amanhã o Moro, inclusive, vem à Brasília para assistir esse vídeo.
39:14Eles estão querendo liberar apenas a parte que interessa ao inquérito, a parte do Sérgio Moro, ok.
39:19E só que o Moro vai poder dizer se está íntegra da discussão, né?
39:24Onde teve todo esse tensionamento no debate aí, na conversa, nessa reunião ministerial com o Bolsonaro,
39:31que teria ameaçado ele, etc.
39:32Então, a divulgação é importantíssima.
39:36A perícia, mais ainda, porque ela pode verificar se houve ou não edição.
39:40A gente vem com essa suspeita em função justamente da mídia, né?
39:45Que foi apagada, fizeram um backup e todo o rolo que vocês já estão cansados de saber envolvendo isso aí.
39:52E ficamos assim.
39:55Nós temos aí também algumas suspeitas do que pode acontecer com o engavetamento precoce desse inquérito,
40:03que se houve aqui nos bastidores, é que o Augusto Aras vai engavetar,
40:07independentemente do que surja, em troca aí de uma indicação para o Supremo.
40:12Então, aqui é sempre essa politicagem, né?
40:14A gente vai continuar pressionando para que a investigação realmente seja feita de forma técnica.
40:20Existem outros profissionais envolvidos, tanto da PGR como da Polícia Federal.
40:23Tenho certeza que nenhum deles vai permitir que isso seja direcionado, que essa investigação seja manipulada.
40:30Então, todos os advogados estão participando.
40:32É um inquérito que está sem sigilo.
40:36Então, isso é muito importante para a fiscalização também da imprensa, da sociedade, de uma maneira geral.
40:41Então, vamos acompanhar, obviamente, para ver no que vai dar.
40:47Um registro de final aqui.
40:49André Mendonça, o novo ministro da Justiça, que substituiu o ouro,
40:52continua fazendo trocas lá no Ministério da Justiça.
40:55Hoje fez várias trocas lá em funções mais burocráticas.
40:59Estamos atentos nas funções estratégicas operacionais.
41:03E amanhã, encerro o programa, lembrando que amanhã teremos o depoimento dos ministros militares
41:11que foram convocados, citados pelo Celso de Mello, justamente para que possam depor sobre essa reunião,
41:20lá do dia 22, essa reunião ministerial e todo o contexto das conversas que o Moro cita,
41:26a atuação do Heleno, Heleno que está aí nas redes sociais, dizendo que a hora do Celso de Mello vai chegar.
41:34Olha, tem que ter muito cuidado com esse tipo de coisa.
41:37A gente tem que pacificar essas relações para que as coisas funcionem dentro da ordem, dentro da lei.
41:45E que isso não seja manipulado politicamente.
41:48Nós estamos vendo aí essa politização de tudo, da pandemia, de tudo que acontece.
41:55Então, mais uma vez, esse inquérito precisa ser apurado, precisa avançar e ir sempre dentro das normas com a nossa fiscalização.
42:03Bom, encerramos por aqui o nosso gabinete de crise.
42:08Com bastante informação para vocês, todo mundo está convocado já para quarta-feira, com entrevistas, com muita coisa bacana.
42:19E deixem o seu like, não deixem de se inscrever no canal também, é de graça, você recebe a notificação de todos os vídeos,
42:26tanto do gabinete, como toda a nossa produção audiovisual, que é muito intensa ao longo do dia.
42:34E, claro, a gente conta sempre com a audiência de vocês para replicar, para disseminar esse jornalismo independente
42:40para o maior público possível.
42:43Um abraço e a gente se vê na quarta.
42:56E aí
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