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NotíciasTranscrição
00:00Agora nós recebemos aqui nos estúdios, a gente já tinha anunciado para vocês, o Tiago Pavinato, que é doutor em Direito Civil pela Faculdade de Direito da USP, é colunista na imprensa aqui de São Paulo, é um dos fundadores do MBL, tudo bom Tiago?
00:19Estou ótima, e você querida? Tudo bem, e bomba na imprensa, bomba na imprensa não, bomba nas redes sociais, porque na imprensa bombava-se no passado, agora nós somos todos youtubers, novos tempos, e eu trouxe você aqui por quê?
00:37Porque semana passada a gente falou aqui de uma pesquisa da Fundação Perseu Abramo, mostrando que o PT, ele próprio, a Fundação Perseu Abramo é do PT, e ela descobriu que o PT não é o dono dos pobres, mostrou que os pobres pensam diferente,
01:00Aí a Fundação Perseu Abramo emitiu aí uma resposta no final de semana, órgãos de imprensa e blogs conservadores, porque não fomos só nós aqui no Antagonista que divulgamos, a perfis do Twitter, e aí a grande imprensa descobriu, divulgou como se fosse novidade, e aí nós vamos aqui comentar, já que ressuscitaram a notícia, né?
01:27Já que ressuscitaram a notícia, já que requentaram, já que requentaram, vamos servir, vamos, ah, o assunto é bom, requentaram, nós que levantamos, vambora.
01:37Queria dizer primeiro que eu estou muito feliz, queria agradecer a Fundação Perseu Abramo por falar que eu sou conservadora, que eu já dei print, mandei no WhatsApp da minha família.
01:45Não é uma honra, ser ofendido por qualquer pessoa ligada ao PT é uma honra, hoje em dia.
01:52Não, mas também não é isso, porque assim, pensa bem, pra você e pra mim, a gente, o que passa na família, quando alguém fala você é conservador, você mostrar isso pra sua família,
02:04e falar assim, olha aqui, eu tenho um atestado de que eu sou uma pessoa conservadora, olha pra minha cara.
02:08Não, é, é, a gente passa a ser um atestado de boa conduta.
02:12De boa conduta, pra mim isso foi um atestado de boa conduta.
02:15Essa pesquisa, ela, na verdade, ela tem dois problemas, né, de início, que quase ninguém percebeu.
02:24A Fundação Perseu Abramo, ela não, ela não disse, né, no material que ela pariu, né, pra mostrar pra todo mundo, né, essa percepção da periferia de São Paulo,
02:37qual foi o método de seleção da amostragem.
02:41Foi uma quali aquilo, né, mas ele não falou qual foi o método, né.
02:45Ela não menciona, e também não fala se foi, é, como é que foi feita a amostragem, se foi aleatório.
02:51Ele não disse se foi aleatório.
02:53Então, pelo número de entrevistados, e por não dizer se foi aleatório, a única coisa que permite a gente dizer que tem algum sentido o resultado dessa percepção da Fundação Perseu Abramo
03:10é porque ela culmina, o resultado dela é o senso comum, né, basta conversar com qualquer pessoa da periferia, basta ter qualquer vivência com a periferia de São Paulo
03:25que a gente chega, a gente chega nesse resultado, né, esse é um ponto falho.
03:31E o segundo ponto falho da periferia, esse é o pior ainda, é a premissa, né, a hipótese inicial dessa pesquisa.
03:38Qual é a hipótese inicial?
03:41Considerando que nos governos, Lula e Dilma, a população que era pobre ficou menos pobre, e depois do governo Lula e Dilma,
03:51esses pobres que ficaram menos pobres passaram a ser mais pobres do que quando eram pobres, essa foi a premissa deles.
03:58Ah, que tá no comecinho.
03:59É a maldadezinha, né, Lula e Dilma, eles ficaram menos pobres, depois eles voltaram a ser pobres e ficaram mais conservadores, né,
04:08eles ficaram mais individualistas, né, com o sentimento, com menos sentimento associativo, né, de grupo,
04:20então essa foi a premissa que a Fundação Perseu Abramo usa, né, maldosamente, né, porque o resultado foi tão horrível para o ideal petista, né,
04:33que essa premissa eu acho que eles quiseram salvar alguma coisa.
04:37O que você vê, por exemplo, você já foi, tá afastado das suas atividades de professor, mas lida muito com jovens, fez parte da Fundação do MBL,
04:49Essa coisa de que um ideal mais alinhado à esquerda é mais associativo e um ideal mais conservador é mais individualista,
05:02não é o que a gente tá vendo agora.
05:05A gente tá vendo as pessoas se associando para construir coisas muito longe desse ideal da esquerda.
05:12Sem dúvida nenhuma.
05:13Acontece o seguinte, a gente percebe, não é, no mundo hoje, quando as pautas, elas vão se sofisticando,
05:24que foi o que Shecker falou na entrevista da última manifestação do dia 26, não é, foi uma manifestação desastrada,
05:34esse é o meu ponto de vista, eu acho que, por coesão, essa manifestação não deveria ter existido, mas existiu,
05:45e foi o que o Shecker falou, as pessoas se embananaram porque a pauta não era binária, né,
05:52então aí nós chamamos o povo todo de binário, né, não era fora de uma, não era, não quero petrolão,
06:00era uma pauta extensa, uma pauta que muita gente não entendia do que se tratava,
06:06por exemplo, o fim do foro privilegiado.
06:09O foro privilegiado, do jeito que é hoje, é uma, é uma cinte, né, a lógica judicial, né,
06:18não é foro privilegiado, é o foro especial prerrogativa de função, né,
06:22ele, do jeito que é hoje, não dá, mas assim, dá pra, é, dá pra advogar o fim do foro privilegiado
06:31num país do tamanho do Brasil e com mais de quase 2 mil juízes federais, procuradores federais, não dá.
06:36O foro especial por prerrogativa de função tem que ser reformado profundamente,
06:42agora o fim é mais fácil, então a gente tá tentando binarizar temas polêmicos, temas complexos, temas sofisticados,
06:50e isso mostrou muito que a população, ela não entende bem esses conceitos de direita e de esquerda,
06:58que a pesquisa da Fundação Perseu Abramo mostrou.
07:01O povo não tem tempo pra ficar preocupado com questões de política,
07:06ah, jura, claro, o povo trabalha o dia inteiro, gasta 4 horas pra ir, 4 horas pra voltar,
07:12então a preocupação política dele é o imediato, né, é o pragmático,
07:17é o que tá ali na vida dele, não é aquilo que o PT diz, né, a ideia de associação.
07:23As pessoas, a partir dos anos 70, quando a gente começa, o mundo começa com uma sociedade de consumo,
07:33as pessoas, elas começam a almejar coisas diferentes, elas começam a almejar ter,
07:40elas começam a almejar ser individualmente alguma coisa, né, é um processo sociológico muito longo.
07:45E pra gente finalizar, você vê, por exemplo, que hoje as pessoas estão mais interessadas
07:51nas questões judiciais, porque a gente vê que todas as pautas são ligadas às judiciais,
07:58a pesquisa Ipsos que saiu, as personalidades mais admiradas, são do mundo jurídico,
08:03são o Moro, são a Carmen Lúcia, são o Joaquim Barbosa,
08:06o refúgio do Brasil é o judiciário, o refúgio do brasileiro.
08:10É, sem dúvida nenhuma. Ele vê no judiciário a última tábua de salvação.
08:15Ou a única?
08:16O legislativo não goza de credibilidade popular nenhuma já faz tempo.
08:22O executivo, hoje, nós temos um presidente legítimo, que é o Michel Temer,
08:28mas que a popularidade dele ultimamente caiu de 13 para 10.
08:31O que, assim, pessoalmente, isso não me preocupa, não é?
08:35A popularidade do Temer é 10%.
08:37Quem é que avaliou o governo dele? O povo.
08:40Que povo? É o povo que reelegeu o Lula, no Mensalão,
08:43e é o povo que reelegeu a Dilma Rousseff, levando esse país à petição de miséria,
08:48à beira da catástrofe.
08:49Se não é que a gente já não chegou à catástrofe,
08:52e ainda os dados não estão totalmente claros para a gente.
08:55Então, o judiciário acabou sendo o poder de salvação do povo.
09:02E o povo assistindo as redes sociais, lendo as notícias das redes sociais,
09:11a televisão, os jornais, seja lá o que for,
09:14vê quem é que está atuando para transformar o Brasil.
09:20É o poder judiciário e uma instituição que nem poder é,
09:25que é o Ministério Público.
09:26Isso é um grande perigo, porque o judiciário, ainda mais...
09:30Eu acho que a lei do abuso de autoridade, ela não seria nem a lei anti-Moro.
09:34A lei do abuso de autoridade, para mim,
09:37ela seria mais uma lei anti-Ministério Público do que anti-Moro.
09:41É que o nome anti-Moro é melhor.
09:42É, pega mais.
09:44Ele pega mais, ele é mais bacana.
09:46É mais bacana, é bonito.
09:47Mas, assim, o Ministério Público, ele tem exacerbado demais, não é?
09:54Mas, é o que eu digo, eu costumo dizer isso em um artigo do Estado de São Paulo,
09:59o povo hoje, ele tem uma coisa que se chama direito telúrico, não é?
10:02Aquilo que ele entende como justo e como injusto, na cabeça dele,
10:06pela vivência pessoal dele, mesmo que não tenha nada a ver com as regras
10:10do Estado Democrático de Direito, não é?
10:12Se o povo quer um linchamento, se na cabeça dele o certo é um linchamento,
10:16vamos linchar, vamos linchar, vamos linchar.
10:19E o Ministério Público, ele tem feito coisas do arco da velha,
10:23do tipo estabelecer penas que não existem no direito brasileiro
10:28para as pessoas que decidem fazer a delação premiada, não é?
10:33Pode-se fazer a delação premiada, mas, seja dentro da lei,
10:36o Ministério Público tem inventado coisas e a Carmen Lúcia tem homologado coisas.
10:41Então, a gente tem que ter um pouco de receio também.
10:43O Brasil se judicializou muito, o Judiciário e o Ministério Público,
10:47que nem poder é, é uma instituição a látere dos três poderes,
10:50mas não é um poder, eles são os protagonistas dessa revolução que o Brasil está vivendo,
10:58mas a gente tem que tomar cuidado porque essa revolução e esse clamor popular
11:03pelos juízes, pelos promotores, ele tem dado muita confiança
11:11e esses poderes têm extrapolado, sim, os limites do Estado Democrático e de Direito.
11:17Você tem royalty para falar essas expressões? Estou brincando.
11:24Enfim, esse é o Tiago Pavinato, que é professor, doutor em Direito.
11:29Tiago, muito obrigada por ter vindo aqui.
11:32Obrigado.
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