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  • há 1 ano
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00:00Pode começar.
00:01Então, na estação penal 505-49-32-38, depoimento do Sr. Fernando Sampaio Barbosa.
00:09Sr. Fernando, o senhor foi enrolado nesse processo como testemunha?
00:12Na condição de testemunha, o senhor tem um compromisso com a Justiça em dizer a verdade
00:16e responder as perguntas que lhe forem feitas, certo?
00:19Sim, senhor.
00:20Vou advertir o senhor, por força de lei, se o senhor faltar com a verdade, o senhor
00:24fica sujeito a um processo criminal, certo?
00:28Sim, senhor.
00:28Dito isso, eu vou passar a palavra à defesa do Sr. Marcelo Odebrecht, que arrolou o senhor
00:33como testemunha.
00:34Aqui, doutor?
00:35Olá.
00:36Então, com a palavra.
00:38Boa tarde, bom dia, Sr. Fernando.
00:41Bom dia.
00:42Sr. Fernando, quais as suas atividades no Grupo Odebrecht de 2010 até 2015?
00:49Bom, em 2010, eu era diretor-superintendente da Construtora Norgata Odebrecht, responsável
00:58pelo mercado de construção de plataformas offshore, equipamentos de petróleo.
01:05Em 2011, ao final do ano de 2011, com a constituição da empresa Estaleiro, ICA da Paraguaçu, que
01:14posteriormente se tornou ICA da Indústria Naval ICA, eu fui nomeado presidente desta empresa e cargo que eu mantenho até hoje, até 2015 e até hoje.
01:27Sr. Fernando, executivos e conselheiros da Odebrecht, óleo e gás e do Estadeiro Iniciado do Paraguaçu, eles discutiram durante um período intensamente a questão dos navios-sondas pela SET Brasil, inclusive por e-mail.
01:44Sr. Fernando, você poderia explicar o contexto dessas discussões, por favor?
01:49Sim.
01:52Houve uma licitação promovida pela Petrobras, que se prolongou de 2009 até 2011.
02:03E, nessa licitação, nós participamos ainda como um consórcio, constituído pela CNO, pela UTC e pela OAS, e sendo que a proposta desse consórcio, ela não foi vencedora.
02:20O vencedor foi um outro Estaleiro.
02:26Como a nossa proposta ficou em níveis de preço mais elevados do que o vencedor, e a gente tinha consciência que, em função da complexidade do projeto, os nossos valores não poderiam ser reduzidos,
02:43se discutiu, a nível da Odebrecht, a possibilidade de se transformar um preço de face de construção dessa unidade em um preço de taxa diária, ou seja, a possibilidade de você ofertar, em vez de ofertar somente a construção,
03:05ofertar também todo o processo de operação, ou seja, o afretamento.
03:10Essa foi uma discussão que durou muito pouco tempo, menos de três semanas, porque se verificou da inviabilidade dessa alternativa.
03:23A ideia inicial era como, para você formar o preço final de afretamento, você tem outras variáveis, a título de financiamento, tempo de contrato, custo de operação,
03:37ou remuneração do operador, etc., se estudou a possibilidade de, incluindo essas variáveis, se tornar o preço mais atrativo.
03:51Rapidamente se verificou da impossibilidade de se prosseguir nessa alternativa e o assunto foi descartado.
04:00Não foi levado nem aos demais sócios do empreendimento.
04:04Essa discussão, essa alternativa que o senhor comenta, ela se tornava inviável também por se tratarem de empresas diferentes dentro de um mesmo contexto?
04:18Tem esse aspecto também, porque o consórcio construtor que estava bidando a construção das ondas,
04:29era constituído por três empresas, sendo que duas dessas não tinham a qualificação de operador.
04:36A Aldebrecht tinha uma outra empresa, chamada Aldebrecht Oligais, que era operadora,
04:43e como os escopos são diferentes, os players são diferentes, os sócios são diferentes,
04:50esse também foi um fator que impediu dessa alternativa ir para frente.
04:57O senhor sabe se essa alternativa, se essa discussão, em decorrência dela,
05:05houve algum pedido de ação política frente a agentes públicos ou políticos em relação a essa discussão,
05:11mantida entre os executivos?
05:13Não, não foi falado nada, porque essa alternativa não vingou, ela não foi para frente.
05:19O senhor tem conhecimento se houve alguma combinação entre estaleiros com relação a licitações de navios-sondas ao SET Brasil?
05:28Não, não houve nenhuma combinação, foi uma proposta extremamente competitiva,
05:32foram sete ofertantes, com um processo muito longo de recursos entre os vários players,
05:43mais de seis meses, até a abertura comercial, então não houve nada disso não.
05:48Ok, muito obrigado, senhor Fernando Barbosa.
05:52Sem mais perguntas.
05:53Os demais defensores têm questões?
05:57Eu tenho perguntas, excelência.
06:00Tem a palavra, então, só declino o nome do cliente, por gentileza.
06:04Claro, estou apenas me aproximando do microfone.
06:07Meu nome é Felipe Nascimento, advogado do senhor Rogério Araújo.
06:11Senhor Fernando, eu queria fazer apenas algumas perguntas.
06:14Por que não?
06:14Se na condição de presidente do estaleiro de Ceariada, o senhor teve contato com o executivo Rogério Araújo?
06:21Sim, tive contato com ele.
06:22Você pode me explicar como é que foi essa relação, essa interface, no âmbito dos navios-sondas,
06:28se discutiu temas com o senhor Rogério Araújo?
06:30Sim, o Rogério, ele era diretor comercial, está certo?
06:34Da costura Norberto Aldebrecht, e ele tinha os contatos comerciais com a Petrobras.
06:40Então, dentro do nosso processo de elaboração da proposta, estratégia, etc., nós tivemos diversos contatos.
06:49O senhor participou de trocas de e-mail com o senhor Rogério Araújo?
06:51Sim, participei.
06:53Esses e-mails, algum deles tratavam de temas exclusos? Qual era o objetivo desses e-mails?
06:58Nenhum deles tratava de objetos exclusos. Como ele era o diretor comercial, ele tinha a responsabilidade de fazer toda a inteligência comercial no projeto.
07:13Então, ele obtinha, naturalmente, nos contatos que ele tinha no nível do cliente, no nível de mercado,
07:19as informações, quer dizer, normais que um diretor comercial tem que obter, e ele repassava para o nosso grupo, está certo?
07:27Para que a gente fosse formulando as nossas estratégias.
07:32Na condição de diretor comercial, o senhor Rogério participou, em nome da companhia Aldebrecht,
07:37de alguma reunião ocorrida no âmbito do Palácio do Planalto,
07:41a pedida do Ministério da Casa Civil com várias outras empresas, uma reunião aberta, pública?
07:46Sim, em 2008, em data bem anterior ao processo da licitação,
07:55a ministra, na época do governo Lula, na época a ministra Dilma Rousseff,
08:02ela convocou todas as associações de classe que estavam envolvidas no processo de construção e operação de sondas e afretamento,
08:13juntamente com as empresas que ou construíam ou operavam sondas,
08:20onde ela questionou a capacidade da indústria brasileira de construir sondas no Brasil,
08:27porque naquele momento estavam sendo contratadas pela Petrobras,
08:3312 sondas, se eu não me engano, com empresas brasileiras,
08:39e essas sondas foram financiadas, ou seriam financiadas, e construídas do exterior.
08:47Como o governo tinha uma determinação, tinha um programa industrial de fazer esses projetos de petróleo no Brasil,
08:58e o governo questionou, porque gostaria que fossem feitas todas no Brasil.
09:04E nessa reunião, tanto as entidades de classe, como a maioria das empresas,
09:11informaram ao governo que, no momento, o Brasil ainda não estava capacitado para fazer esse tipo de equipamento,
09:20que são os equipamentos muito sofisticados, com um nível de risco de engenharia muito elevado,
09:28e não havia capacitação ainda tecnológica para se fazer isso no Brasil.
09:34E foi esse o objetivo dessa reunião.
09:37Essa reunião aconteceu, acho que, em um dia só, no Planalco.
09:40Eu não participei, mas a pessoa designada para participar pela construtora foi o senhor Rogério Araújo.
09:47O senhor Rogério Araújo, em algum momento, ao longo desse período,
09:52teve mandato para agir em nome do estado de lerenciada?
09:55Não, ele não tinha mandato.
09:59Depois do estaleiro foi constituído, o estaleiro tinha a sua estrutura própria.
10:04O senhor Rogério jamais teve ingerência sobre o estado de lerenciada?
10:07Não.
10:08Alguma vez ele fez algum pedido de pagamento de vantagem devida,
10:11quem quer que seja, para o estado de lerenciada, para algum agente?
10:15Não, nunca recebi nenhum pedido do doutor Rogério.
10:18Ok.
10:18Sem mais perguntas.
10:20Outro defensor.
10:21O Tônio Palocci tem perguntas.
10:24O senhor Fernando.
10:26Oi, não.
10:27O senhor mencionou aqui que houve uma reunião pública
10:31entre os virtuais licitantes deste projeto
10:36e a então ministra, chefe da Casa Civil do governo, então, existente.
10:48Além desta reunião, houve alguma outra com outros agentes públicos,
10:53outros representantes do governo?
10:55Não, tenho nenhum conhecimento de nenhuma reunião depois dessa.
10:58Essa reunião foi uma reunião, não foram só excitantes,
11:02foi toda a comunidade e associações de classe, foi uma reunião pública.
11:06O senhor, além, o senhor conheceu algum outro agente político daquele governo,
11:15naquela época, a respeito ou para tratar de assuntos relacionados a este projeto da Sônia?
11:22Não, meus contatos não chegavam a contato de oficiais do governo.
11:35Foi, não.
11:36O senhor conhece o senhor Antônio Palocci Filho?
11:40Conheço de imprensa, televisão.
11:44Pessoalmente, não?
11:45Não.
11:45Nunca tratou com ele sobre este assunto?
11:49Nunca.
11:49Nunca tive com ele?
11:50Qualquer outro assunto?
11:52Nunca tive com ele.
11:53Obrigado.
11:54Estou certo.
11:56Outros defensores sem indagações?
12:03Não?
12:04O Ministério Público.
12:06Sem perguntas, silêncio.
12:08Senhor Fernando, examinando aqui essa denúncia, na folha 59 da denúncia,
12:31tem alguns e-mails trocados entre o senhor e outros executivos do Odebrecht.
12:41Um e-mail enviado em 21 de fevereiro de 2011, na folha 59 da denúncia,
12:51do senhor Marcelo Odebrecht para Fernando Barbosa, Rogério Araújo, Márcio Faria da Silva e Roberto Ramos.
12:57O senhor se recorda desse e-mail, por exemplo?
13:27Sim, o e-mail está aqui na minha frente, o IECOR.
13:32Eu suponho que essa informação tenha surgido a nível do governo,
13:44porque em determinado momento, nós que estávamos conduzindo toda a questão da licitação,
13:52que não é só a licitação da construção, você tem a licitação da construção,
13:56mas tem um investimento elevadíssimo que os acionistas estavam fazendo na construção do estaleiro,
14:03que se qualificaria para se fazer isso.
14:05E nesse processo é conhecido as dificuldades de licença ambiental.
14:12E nós enfrentávamos uma dificuldade enorme, porque o nosso licenciamento,
14:19ele era um licenciamento a nível federal,
14:22enquanto que a maioria dos estaleiros, o licenciamento se dá no âmbito estadual.
14:27No nosso caso, por haver próximo, na região onde nós estamos instalados,
14:35uma reserva extrativista,
14:38todo o processo de licenciamento nosso se deu através do IBAMA.
14:42E é conhecido as dificuldades que a gente enfrenta no Brasil
14:51para licenciar grandes empreendimentos.
14:54E a gente tinha dificuldades muito grandes,
14:57e o licenciamento prévio era condição importante para o edital
15:05quando estava sendo construído pela Petrobras.
15:07Em função dessas dificuldades, o Estado de Pernambuco fez uma oferta
15:16para os investidores de levar o estaleiro para Pernambuco.
15:23E esse assunto foi discutido no âmbito nosso e no âmbito dos acionistas
15:28sobre a possibilidade de levar esse estaleiro para Recife.
15:33Mas isso também foi um assunto que não vingou muito tempo
15:38e provavelmente deve ter sido isso que transpirou a nível do governo federal.
15:46Certo.
15:48E o que quer dizer ali?
15:49Ele tem claro que a linha vai ser na compensação via tarifa de arrendamento.
15:55Olha, eu não sei o que nesse contexto,
15:58porque deve estar ligado a essa questão que a gente vinha discutindo internamente,
16:05a possibilidade de você fazer uma oferta através de taxa de afetamento.
16:13E logo em seguida morreu esse assunto.
16:18Eu até acho que depois desse e-mail o assunto morre, não vai para frente.
16:24E quem é o italiano aqui no referido do e-mail?
16:30Bom, a gente sabia que o italiano era o Palocci.
16:33A gente sabia quem?
16:35Eu sabia.
16:36Eu tinha sido informado pelo Márcio Faria.
16:40E por que chamava ele de italiano?
16:43Não chamava pelo nome?
16:44Não sei.
16:44Não sei.
16:48Italiano, quando se faz referência então nessas e-mails da Odebrecht,
16:52é Antônio Palocci?
16:54Eu tinha esse conhecimento.
16:57E ele estava envolvido nesse processo?
17:00Como?
17:01O senhor pode me esclarecer na questão dessas sondas?
17:03Olha, eu...
17:05Desculpe, meritíssimo.
17:06Eu não tinha contato com...
17:09Não fazia parte do meu escopo esse contato.
17:12Então, provavelmente, era a relação que o Marcelo tinha com ele.
17:17Mas eu não participava nem sugerir nenhuma estratégia nesse sentido.
17:24Num e-mail um pouco mais adiante, de 29 de janeiro de 2011,
17:39também é um e-mail enviado pelo Rogério Araújo,
17:42e o senhor estava copiado.
17:47Ele faz uma afirmação na folha 62 da denúncia.
17:51Não sei se o senhor tem aí.
17:54Temos sim, meu senhor.
17:55Aí tem no ponto 5 ali uma referência.
17:58Nossa grande co-preocupação é justamente estar sendo definido na Petrobras
18:02um valor teto de R$ 6,63 por sonda,
18:07muito inferior ao nosso, de R$ 7,58,
18:09que já é apertado.
18:13Você recorda e saberia me explicar?
18:15Pois não, excelência.
18:17Se eu explicar, sim.
18:19O nosso preço, dentro do processo de solicitação,
18:24ele foi, se eu não me engano, R$ 758 milhões por cada unidade.
18:29O preço vencedor é exatamente esse número que está aqui,
18:34R$ 663 milhões.
18:36Agora, nós tínhamos, por mais de um ano,
18:44trabalhado com diversos consultores e tudo,
18:48nós sabíamos que esse preço, na nossa ótica,
18:52ele era inexequível.
18:54Então, nós não tínhamos como chegar nesse preço.
18:58Acredito que, como tinha havido a licitação,
19:02e esse foi o preço vencedor,
19:03esse foi o patamar que se estabeleceu naquele momento.
19:08E aí foi que, provavelmente, esse meio aqui anterior,
19:11as discussões aí que foram nesse sentido do afretamento,
19:16ele se começou a pensar internamente no grupo da Aldebrecht
19:22na possibilidade de transformar o nosso preço de R$ 758
19:27num preço de afretamento,
19:28porque, como eu falei anteriormente,
19:29esse preço, você agrega variáveis diferentes
19:33que podem tornar uma taxa diária mais competitiva.
19:40Ou seja, principalmente as condições de financiamento,
19:44o tempo de aluguel desse equipamento,
19:49os custos de operação,
19:50a remuneração do operador.
19:53Então, tudo isso poderia fazer com que esse preço
19:55transformado em taxa diária se tornasse mais competitivo.
20:00Essa foi uma ideia que se discutiu
20:02para tentar achar uma estratégia comercial
20:06de achar um preço mais competitivo.
20:10E depois se verificou que não funcionaria
20:14pelos aspectos que eu já falei aqui, né, Tiz?
20:16Também nesses e-mails na Folha 61 tem uma referência
20:22entre uma briga na Petrobras
20:23entre o setor de exploração e produção e de engenharia.
20:30O senhor saberia me contextualizar isso?
20:34É, imagino que, bom,
20:36pela vivência que a gente tem num processo desse,
20:40a Petrobras, ela tem algumas áreas, né,
20:45uma área de exploração e produção,
20:48a outra área de engenharia.
20:49A área de exploração e produção,
20:51ela conduzia as licitações de sondas afretadas.
20:56E a área de engenharia conduzia a licitação
20:58de sondas contratadas para a construção.
21:04e pelo que se depõe desse e-mail
21:09e era conhecimento do mercado
21:12é que haviam divergências entre os grupos
21:15do chamado EIP, exploração e produção,
21:19e a área de engenharia
21:21com relação a esse processo licitatório.
21:28Na Folha 69 dessa denúncia tem um e-mail também?
21:35Enviado do senhor Marcelo Bahia Odebrecht
21:37para os executivos da Odebrecht,
21:40inclusive o senhor,
21:41que está datado de 30 de abril de 2011.
21:46O senhor Marcelo Bahia Odebrecht faz uma referência.
21:50Se nós soubermos o que queremos,
21:52construção ou afretamento,
21:54posso passar para o italiano.
21:56O senhor se recorda desse e-mail?
21:58Não sei se o senhor tem ele aí.
22:00É, esse e-mail aqui,
22:02se eu não me engano,
22:04acho que foi o último e-mail
22:05onde é tratado esse assunto,
22:07porque nesse momento
22:10se constatava, Mertíssimo,
22:12que não era possível,
22:15não era viável se fazer
22:16essa questão do afetamento.
22:18Então, provavelmente,
22:19ele está questionando os seus executivos
22:21para definir o que é que o grupo
22:26responsável pelo projeto
22:29ele ia definir.
22:32E, no fim, se definiu
22:34porque essa opção de afetamento
22:35não era viável.
22:38Não foi para a frente.
22:39E o italiano referido
22:40nessa mensagem eletrônica
22:42seria quem?
22:44Acredito que sim,
22:44como eu falei anteriormente.
22:46seria o senhor Antônio Palocci.
22:52Tem uma mensagem também
23:03na folha 74
23:04desse mesmo processo
23:06que é de 4 de abril de 2011.
23:10Não tem problema, não sei.
23:11E é do senhor Rogério Araújo,
23:16dirigida
23:16a executivos da Odebrecht,
23:19entre eles
23:19o senhor.
23:23Aí começa assim,
23:24não sei se o senhor tem ele aí,
23:25estive hoje diretor Duque.
23:31O senhor poderia repetir a página,
23:32senhora, para a gente mostrar um...
23:33Página 88 da denúncia.
23:41Não sei se recuperaram aí.
23:45Estive hoje diretor Duque.
23:52Estão ainda construindo
23:53o processo da 19 sondas
23:55para afetamento.
23:57Indicação,
23:58são na linha que não serão contratadas.
24:00Exploração e produção
24:01precisa declarar preços excessivos.
24:05Caso não ocorra uma saída,
24:06seria
24:07novo bid com participação
24:11da SETI.
24:15Depois está mencionado lá,
24:16neste caso,
24:17permanece a estratégia
24:18da Petrobras
24:19orientar SETI
24:20para negociar
24:20as 21 sondas
24:21com GA,
24:23JKF
24:24e EEP.
24:27O senhor se recorda
24:28dessa mensagem?
24:32Sim.
24:33Saberia me explicar?
24:36Sim,
24:36sim, senhor.
24:37é que é o desenvolvimento
24:41da inteligência comercial
24:43do processo.
24:46Como ele é o diretor comercial
24:47e tinha os contatos
24:49com a Petrobras,
24:50ele relata
24:50o desenvolvimento
24:53do processo.
24:55A data em que abriu
24:56de 2011
24:57fazendo um pouco
25:02aqui a memória,
25:04a SETI
25:05ela foi,
25:07a Petrobras
25:08fez a sessão
25:09todo o processo
25:11de licitação
25:12que foi conduzido
25:16pela Petrobras,
25:18se eu não me engano,
25:19em fevereiro
25:20ou janeiro
25:21de 2011
25:21para a SETI.
25:22Então, a SETI
25:25passou a conduzir
25:27esse processo
25:28e em fevereiro,
25:29se eu não me engano
25:29aqui as datas,
25:30mas acho que foi em fevereiro,
25:32a SETI
25:33declara vencedor
25:35o EAS
25:35para as sete sombras.
25:37Está certo?
25:38E
25:38a demanda
25:41que a Petrobras
25:42sinalizava
25:45e essa sinalização
25:47ela era pública
25:48em diversas apresentações
25:50feitas ao mercado,
25:51ela sinalizava
25:5328 sondas.
25:55Então,
25:56se sete foram
25:57declaradas vencedoras,
26:00a S
26:01foi declarada
26:01vencedora,
26:02então,
26:0321 sondas
26:04seriam necessariamente
26:06ser contratadas
26:07pela SETI.
26:09Está certo?
26:09Aí,
26:10o que acontece,
26:11como a SETI
26:12assumiu
26:13todo o processo
26:14e ela sendo
26:15uma empresa privada,
26:17ela inicia
26:18todo o processo
26:19de negociação
26:20negociação
26:21com os players
26:22que ficaram
26:23no processo,
26:24que são
26:25esses que estão
26:26listados aqui.
26:27No caso,
26:28nós somos
26:29o EEP.
26:30Está certo?
26:30Então,
26:31esse processo
26:32ela começou a fazer
26:33negociação.
26:34Mas eu não entendi
26:35aqui a estratégia
26:36da Petrobras
26:37em orientar a SETI
26:38para negociar
26:38as 21 sondas
26:40com os estaleiros.
26:41Então,
26:41a Petrobras
26:42é que tinha gerência
26:43na SETI
26:43para fazer,
26:44orientar essa
26:45contratação?
26:45Eu não sei
26:48dos detalhes
26:49da relação
26:50da Petrobras
26:51com a SETI,
26:51mas o que eu sei
26:52é que a SETI,
26:54a Petrobras
26:54fez uma licitação
26:55onde a SETI
26:57se tornou vencedora
26:58e adquiriu
27:01o,
27:01vamos dizer assim,
27:04o poder,
27:07adquiriu
27:09a necessidade
27:11de contratar
27:12mais 21 sondas.
27:14Então,
27:15eu entendo
27:16que como
27:17tinha havido
27:18essa licitação
27:19que já estava
27:19na mão da SETI,
27:20a SETI
27:21naturalmente
27:22ia seguir
27:22todo o processo
27:23licitatório
27:24negociando
27:26com esses
27:27outros players
27:28aqui que eram
27:29os remanescentes
27:30de todo o processo.
27:33Também tem
27:34uma frase ali
27:35no item 6,
27:36mencionou,
27:37com a referência
27:38aqui ao diretor Duque,
27:39que tem compromisso
27:40com o PT
27:41de ficar
27:42no cargo
27:43de diretor
27:43até solucionar
27:45a contratação
27:46dessas 21 sondas.
27:48O que o senhor
27:48entendeu
27:49com essa afirmação?
27:51O senhor sabe
27:51me explicar?
27:52Mentíssimo,
27:53eu entendi
27:53o que está escrito
27:54aqui.
27:55Pela hora,
27:56senhora.
27:57Nós testemunhas
27:57depois sobre o fato,
27:59não sobre o que ela acha
28:00ou o que ela entende.
28:01Só que fica impugnada
28:02essa pergunta
28:03de V. Exª
28:03e já acrescento
28:05o fato de que,
28:06tendo em vista
28:07que há uma resposta
28:08de V. Exª,
28:08a testemunha
28:09disse que,
28:10por ouvir dizer
28:11sobre que italiano
28:12era palócio,
28:13essa defesa
28:14insiste no direito
28:16de fazer
28:16essa pergunta
28:18novamente
28:19à testemunha.
28:20Certo.
28:21Como ele é destinatário
28:22do e-mail,
28:23doutor,
28:23a pergunta é pertinente.
28:24Então,
28:25eu reitero a pergunta
28:27e depois
28:28de eu terminar
28:28eu...
28:29Com devido respeito,
28:31com devido respeito,
28:33o testemunha
28:34não pode achar nada,
28:35a não ser que aí
28:36haja um outro
28:36código de processo penal.
28:38De acordo com o
28:39código de processo penal
28:40brasileiro,
28:40a testemunha depois
28:41sobre fatos
28:42e não opina,
28:44de modo que eu não
28:44vou aceitar
28:45essa violência
28:45contra a letra
28:46do código de processo penal.
28:48Com devido respeito.
28:49Só que a questão
28:49já foi indeferida,
28:50então,
28:51eu reitero a pergunta
28:52da testemunha.
28:54A testemunha
28:54tem conhecimento
28:55dos fatos,
28:56já que é destinatária
28:57da mensagem.
28:59Se ela não souber,
29:00ela pode dizer
29:00que não sabe.
29:01Mas ela não pode achar
29:03que sim.
29:03Doutor,
29:03a sua questão
29:04está indeferida.
29:05A defesa adverte
29:06a testemunha
29:06que ela está
29:07proibida de depor
29:08sobre o que ela acha.
29:09A lei impõe
29:09que ela depõe
29:10sobre fatos.
29:11Doutor,
29:11o doutor faça
29:12concurso para o juiz
29:13e assuma,
29:14então,
29:14a condição da audiência,
29:15mas quem manda
29:15uma audiência é o juiz.
29:16A ordem dos advogados
29:18do Brasil,
29:18excelência.
29:19Cada um aqui
29:19cumpre o seu papel.
29:21Está certo?
29:21A sua questão
29:22está indeferida,
29:23doutor.
29:23Eu estou perguntando
29:24a testemunha.
29:26O que o senhor
29:27entendeu com essa mensagem?
29:28O que o senhor
29:29sabia sobre esses fatos?
29:31Olha,
29:31eu simplesmente li
29:33o que está escrito aqui,
29:34mas eu não tinha
29:36nenhuma opinião formada,
29:38porque isso aqui
29:38é uma informação
29:39que ele colocou.
29:40Eu não tinha
29:40nenhuma relação
29:41com o Duque,
29:42nem com o PT,
29:42para saber se o cara
29:44ia ficar lá ou não.
29:45Simplesmente li
29:47o que está escrito aqui.
29:49Está certo.
29:49Eu vou interromper
29:51aqui o tamanho do áudio
29:52e nós já terminamos
29:53e finalizamos
29:54a inquireção.

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