- há 7 meses
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Ilan Ejzykowicz, morador de Holon, em Israel, relata como está a cidade após os ataques iranianos e descreve a rotina dos israelenses durante os bombardeios. Segundo ele, a defesa do país está mais eficiente, tornando o processo de fuga mais seguro para os cidadãos. Ilan também explica como funcionam os alertas enviados à população.
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NotíciasTranscrição
00:00Convidar agora para se juntar a nós nesta cobertura o morador de Olom, que é a cidade no sudeste de Tel Aviv, Ilan.
00:10Ilan, eu quero que você pronuncie o seu sobrenome, por favor, para não incorrer em nenhum erro aqui.
00:15E me diga, por favor, como estão as coisas por aí neste momento, fim de noite, de domingo, no país de Israel. Bem-vindo.
00:25Olá, muito obrigado pelo convite. Boa tarde para vocês no Brasil.
00:29Meu nome é Ilan Ezekovic, um pouco difícil mesmo.
00:33Nesse momento as coisas aqui estão relativamente tranquilas.
00:35A gente teve como noticiado por vocês um ataque um pouco mais cedo, há algumas horas,
00:41com um volume de míssil muito inferior do que aconteceu no dia anterior e no dia anterior a ele também.
00:48E a gente vai agora dormir com a expectativa de que não venhamos a ser acordados à noite com mais ataques iranianos.
00:59A sua cidade aí está há quanto tempo de Tel Aviv, Ilan?
01:04É a cidade fronteíça do Tel Aviv. É a região, cidade dormitória, mais ou menos.
01:08Então a gente faz divisa com Tel Aviv.
01:10Perfeito. Uma peculiaridade deste conflito que a gente tem visto é que o Irã não tem aguardado a madrugada em específico para fazer os seus ataques.
01:18A gente teve nesse domingo aí em Israel, à luz do dia, os ataques acontecendo também.
01:24Mas ainda assim há uma expectativa de que tudo se intensifique durante a madrugada.
01:29Na madrugada de ontem para hoje aí em Israel, exatamente às três da manhã, a gente estava em cobertura aqui ao vivo na Jovem Pan.
01:36Então foi um momento em que, novamente, os ataques aconteceram, o sistema de defesa funcionando em Israel, alarmes tocando, ainda assim com pessoas que vieram a ser atingidas e que faleceram.
01:47Eu quero saber como é que você agora, se preparando para entrar na madrugada, aí são 11 horas da noite, 11h30 aproximadamente, não é isso?
01:56Como é que você vai dormir em paz? Você consegue?
01:59Há muitas pessoas que a gente tem entrevistado que já dormem no quarto protegido, no bunker.
02:06Explica para a gente essa realidade aí em Israel, Ilan.
02:09Bem, essa foi a primeira vez, na verdade, desde o primeiro ataque do Irã, que começou ano passado, não pode esquecer, que eles atacam no meio do dia.
02:19Normalmente eles preferem atacar à noite, era algo ciente que seria à noite também, quando a gente começou a nossa empreitada contra o regime teocrático desatorial do Ayatollah.
02:29Mas, em todo caso, cada vez mais a defesa israelense, no sentido de proteção dos seus cidadãos, vem se especializando e ficando mais confortável, se eu posso dizer assim, para os cidadãos.
02:42Se no início da guerra a gente tinha uma sirene que tocava, hoje nós temos alguns passos no processo de informação à comunidade civil que o míssil está se aproximando,
02:54uma sem um alarme muito, um alarme propriamente dito, só uma mensagem que é enviada por aplicativo, depois os telefones tocam e aí sim vem a sirene.
03:03Então, desde a primeira mensagem até o míssil chegar aqui, a gente já conseguiu chegar no local apropriado, que no caso do meu prédio é no subsolo,
03:12a gente já conseguiu chegar no lugar apropriado e se preparar mentalmente para os mísseis que a gente escuta as explosões, em sua maioria deles, ainda no ar.
03:21São poucos os casos de mísseis que conseguem atingir o seu alvo, como a gente tem visto, foram uns 300 mísseis enviados desde o início da operação
03:31e uma pequena porcentagem conseguiu penetrar a defesa israelense atingindo algum alvo efetivamente estratégico para o Irã e não casas de civis.
03:42E os cidadãos de Israel levam muito a sério esses alarmes, porque a notícia que a gente vai recebendo é que boa parte desses que vieram a falecer nos ataques
03:52que se iniciaram agora, nessa última leva de ataques do Irã, foram pessoas que não se dirigiram aos bunkers, foram pessoas que não se dirigiram aos locais de maior proteção.
04:04Então, há um consenso entre toda a população e atender a todos os tipos de alertas, de alarmes, de sirenes tocando, há uma mobilização popular a respeito desse respeito, né?
04:17Exatamente, principalmente nos prédios mais antigos como o meu, o bunker é comunitário no subsolo, então hoje à tarde quando tocou, entrou gente da rua também para se abrigar
04:27e a gente acaba criando algum tipo de vínculo com as pessoas, quando alguém quer subir o outro já impede, porque a gente tem uma notificação também
04:35para voltar às nossas residências ou à nossa vida rotineira, quando o ataque já foi superado.
04:43Então, há uma comoção para que as pessoas fiquem no bunker, porque além dos ataques, além dos mísseis, tem os fragmentos,
04:50e a gente não pode esquecer que eles vão cair em algum momento, né? Inclusive, alguns deles, quando muito grandes, tem outros foguetes que explodem eles, né?
04:57O foguete do Irã não vai ser o domo de ferro, né? Que a gente tem, que vai explodir, mas os pedaços pequenos deles às vezes são destruídos por esse mecanismo de defesa.
05:06Então, a gente tem toda a preocupação, porque cai em pedaços, é inerente que vai cair.
05:11Então, a gente fica protegido e, claro, seguindo as orientações ou amanhã, até amanhã, a gente tem uma recomendação do Pico da Hora,
05:20que seria talvez a defesa civil, algo análogo a isso, para não se aglomerar lojas que não sejam obrigatórias, fiquem fechadas.
05:27Tudo isso para preservar a vida do cidadão, que é algo que a gente tem muita noção, que o governo tem o interesse de nos resguardar,
05:35diferentemente de outros lugares do mundo, que capitalizam a morte dos seus civis.
05:39Israel não. Ele tenta nos preservar desse tipo de acontecimento.
05:45Tem bânkers na rua que a gente pode se abrigar em qualquer momento, tem várias medidas que vão nos proteger.
05:50Ilan Escovics, que fala conosco diretamente lá da cidade de Olon, que é a cidade limítrofe de Tel Aviv.
06:01Segue com a gente aqui na programação.
06:03Ilan, você aguarda só um momentinho, que eu vou chamar agora o professor Furriella e também o Robson Farinazo, que estão conosco.
06:09O professor Furriella tinha uma pergunta para o Robson Farinazo a respeito do conflito, não é isso?
06:14Professor Furriella, com a palavra.
06:16Isso aí. Boa tarde, novamente.
06:18Nós sabemos que há uma distância geográfica grande entre Israel e o Irã.
06:25Eles não têm fronteira um com o outro, além dessa distância que eu mencionei.
06:30E a guerra tem sido organizada por ataques aéreos, principalmente organizados pelos mísseis.
06:37Há alguma maneira que o senhor imagine, dentre algumas opções em questão de logística militar,
06:45desse confronto ser diretamente organizado entre forças terrestres, entre os exércitos de ambos os países?
06:55Professor Furriella, obrigado pela pergunta, um grande abraço para o senhor, abraço também para o pessoal de Israel, o senhor Recovitch, que está aqui falando conosco.
07:06Professor, eu acredito no seguinte, eu acho que a intenção principal do Netanyahu é conseguir atrair os Estados Unidos para uma guerra contra o Irã.
07:16Aí os Estados Unidos fariam diversos bombardeiros, destruiriam algumas instalações estratégicas no Irã e em seguida se abririam negociações.
07:23Eu não acho que nem os Estados Unidos, nem Israel pensariam num ataque terrestre contra o Irã.
07:31Eu lembro que entre os anos de 1980 e 1988, Saddam Hussein, que tinha o quinto maior exército do mundo, tentou sem sucesso invadir o Irã.
07:40Eles conseguiram morder uma franja ali, mas depois acabaram aí tendo que partir para uma negociação.
07:48Então eu não acho que a coisa evoluiu nesse sentido.
07:50Agora, se o Netanyahu conseguir atrair o Trump para essa guerra, os Estados Unidos, aí eu acho que ele tem um avanço estratégico.
07:59Não vou nem dizer que é uma vitória estratégica dele, porque a gente não sabe como é que vai acabar isso.
08:03Mas eu acho que esse é o principal objetivo dele.
08:06Só que o Donald Trump é naturalmente avesso a iniciar outras guerras.
08:12Assim, a gente está trabalhando num terreno de muitas incertezas, né, professor?
08:17Quer complementar, professor Furriella?
08:19Não, é só realmente isso.
08:21Porque, veja só, são forças armadas poderosas, as forças terrestres iranianas também consideráveis ali na região,
08:29uma potência regional, né, a gente sabe que tem esse distanciamento geográfico,
08:34mas era mais uma questão de logística militar, né, a visão do comandante sobre isso, já que é um homem das forças armadas.
08:41Eu quero trazer de volta...
08:43É, a preocupação...
08:44O Coba, é só um minutinho, só para complementar.
08:47A preocupação dos Estados Unidos é que eles têm bases no Kuwait, base no Qatar, base na Arábia Saudita, base no Iraque, na Síria, etc.
08:54E todas essas bases podem ser atingidas pelos mísseis e drones do Irã, né.
09:00Então, o presidente Trump, ele está com uma cautela muito grande com relação a isso, né.
09:05É uma situação bastante...
09:07Além do que, nós nunca podemos esquecer.
09:10Se a situação se agravar, a gente não sabe como é que vai ficar a situação do petróleo, né.
09:14Eu quero trazer de volta aqui para a nossa conversa o Ilan Ezekovics, que fala diretamente de Israel.
09:19É, o Ilan, eu quero justamente entender o clima aí entre os moradores de Israel em relação a essa ação de Israel de ataque ao Irã.
09:27Há apoio da população para essa medida de Israel?
09:32Eu acho que o sentimento maior é o orgulho, que a gente pode dizer em relação a isso.
09:36Por mais que ainda, em relação à guerra de Gaza, tenha muito descontentamento por parte da população,
09:42que acha que já deu o que tinha que dar, em relação ao ataque ao Irã, é o contrário.
09:47A gente sabia da ameaça, sempre o Irã deixou bem claro esse interesse em destruir Israel e varrer do mapa.
09:53E a maneira como foi procedida, principalmente no início da guerra, eliminando as lideranças,
09:59tanto militares quanto científicas do Irã, todo o processo feito em loco no Irã,
10:06que até agora está acontecendo, com carros explodindo, a gente sabia exatamente onde estão as lideranças.
10:10Mas eu acho que penche a população israelense de orgulho do seu exército, principalmente mais do que os seus políticos.
10:18A gente vê que realmente o braço do Mossad está presente, de maneira muito presente lá no Irã,
10:26e isso é algo que nos conforta saber que é algo bem organizado.
10:31Claro que existe uma tensão, a gente sabe que pode acontecer ataques aqui em Israel a qualquer momento,
10:37o sistema de defesa israelense não é hermético, como nenhum é,
10:40mas ao mesmo tempo o histórico desses quase dois anos de guerra mostram que as vítimas de ataques de mísseis
10:47são mínimas comparados ao potencial que poderia ter,
10:52e são principalmente daqueles que não seguem as orientações do governo de se manter em local seguro.
10:56A gente atualiza a informação de que um membro da Guarda Revolucionária havia sido morto,
11:02a gente estava falando do chefe da inteligência da Guarda Revolucionária,
11:06Mohamed Kazemi, e seu vice que haveria sido morto, os dois morreram neste domingo,
11:13segundo a agência iraniana, lembrando que o chefe da guarda, não o chefe da inteligência agora,
11:18o próprio chefe, o comandante da Guarda Revolucionária, Hussein Salami,
11:22já havia sido morto nos primeiros bombardeios.
11:25Então, comandante Farinazo, há de fato aí uma situação muito clara,
11:31de atingir as lideranças, em especial as lideranças da Guarda Revolucionária lá do Irã.
11:39Sim, Goba, mas a gente tem que olhar como cada sociedade percebe isso daí.
11:44Para o Ocidente, para a sociedade israelense, isso é visto como uma grande vitória.
11:49Para a sociedade iraniana, as pessoas vão ser vistas como mártir.
11:54Quanto isso impacta na cadeia de comando de uma organização grande,
11:58como uma Guarda Revolucionária iraniana, eu não sei precisar para você.
12:04Lógico que sempre que você mata uma liderança, você também destrói as conexões que ela tinha.
12:10Mas a gente tem que lembrar o seguinte, na estrutura militar,
12:14toda vez que morre, você perde uma liderança, uma liderança é baixa,
12:17você tem o que se segue e já assume as funções dele.
12:23Eu não sei, sinceramente, eu não tenho condição de dizer para você
12:26até há quanto tempo, assim, qual vai ser o impacto.
12:32O general Meir Dagan, que foi já falecido, que foi chefe dos serviços de inteligência de Israel,
12:37ele costumava dizer o seguinte, né?
12:39Para que você vai... um automóvel tem de mais de 25 mil peças?
12:42Por que você vai destruir 100 peças dele?
12:44Você mata o motorista.
12:45Era essa a filosofia, né?
12:47Mas, ao longo dos anos, diversos cientistas do programa nuclear iraniano,
12:52do programa de mísseis foram assassinados e os programas continuam aí.
12:56Então, assim, eu não tenho condição de dizer para você
12:59qual é o percentual de impacto que esses assassinatos têm na conjuntura geral.
13:05Eu quero saber a opinião do professor Manuel Furriella,
13:09porque isso gera uma grande diferença, né, professor Furriella,
13:12entre quem são os alvos de Israel,
13:15na comparação com aqueles que têm sido os alvos do Irã.
13:19A gente está falando aqui de autoridades militares, né?
13:21A Guarda Revolucionária é o braço mais poderoso do exército do país
13:26e que, portanto, têm esta condição de ser força militar,
13:31pessoas que se colocam e que são treinadas para a guerra lá no Irã,
13:36à medida em que os mortos até agora em Israel são civis,
13:41são pessoas do povo e isso tem a sua diferença.
13:44Eu quero a sua análise, professor Manuel Furriella.
13:46Bom, a gente tem duas diferenças aí grandes, né, nas abordagens.
13:51No caso israelense, por conta da sofisticação do seu serviço secreto
13:56e por conta de equipamentos muito precisos que têm à sua disposição,
14:01eles têm capacidade de atingir essas principais lideranças.
14:05Então, não é que o Irã também não buscaria tentar matar Netanyahu,
14:11tentar matar altos comandantes israelenses.
14:15Sim, esse também seria um objetivo, né?
14:18Mas há uma dificuldade muito maior de um lado do que do outro
14:21em relação à sofisticação que você tem dos serviços que eu apresentei.
14:27Esse é um dos aspectos.
14:28Tanto é verdade que quando você tem tentativas de assassinato
14:33de lideranças de Israel, isso já aconteceu,
14:36aliás, até já teve algumas baixas, não no volume que você tem no Irã,
14:40mas já aconteceu, você tem, através ou mediante ataques terroristas,
14:45ataques pontuais de pessoas infiltradas dentro do próprio país.
14:50Essa distância tem uma demanda tecnológica e de serviço de informação
14:55que aí só Israel realmente vai conseguir organizar nesse volume, né?
15:00Pega aí a quantidade de lideranças iranianas mortas desde,
15:05se a gente quiser pegar um período aí de almoçagem,
15:07dos ataques terroristas organizados a Israel em outubro de 2023.
15:14E se a gente pegar também esta semana, né?
15:16Realmente muito numeroso e muito representativo.
15:19Esse é um dos lados.
15:20O outro é o que eu falei também do Irã,
15:22ele busca atemorizar ou criar impacto dentro de Israel,
15:27atacar os alvos civis também favorece nesse objetivo.
15:31Então acho que é uma composição dos dois.
15:32Agora, em relação às perdas, elas são, sim, consideráveis no meu entender.
15:38Então, você tem uma questão de desmotivação dentro do Irã.
15:44Imagine só as principais lideranças do país sendo mortas à distância
15:48pelo serviço israelense.
15:50Cria-se, sim, uma apreensão,
15:52cria-se, sim, uma insegurança em relação às lideranças do país.
15:56Eu acho que o fator desestabilização, ele é representativo neste caso.
16:02E se a gente pegar também o projeto nuclear, né?
16:06Aqui, historicamente, ou analisando em outros que já foram organizados,
16:12os cientistas em projetos nucleares, eles são peças-chave no desenvolvimento.
16:19Um projeto nuclear, principalmente de artefatos,
16:22principalmente com o objetivo de produção de uma bomba,
16:25é de uma sofisticação tal que você precisa de um conjunto de cientistas
16:31que estejam ali permanentemente nesse trabalho e com grande capacidade
16:36e trabalhando em conjunto.
16:38Digo isso pelos modelos que a gente encontrou na história,
16:42só para a gente não pegar o projeto Manhattan nos Estados Unidos,
16:46a gente pode pegar a espionagem que a União Soviética fez à época,
16:51que a levou a ter também armamentos nucleares,
16:53e outros como o Paquistão, que conseguiu ali trazer alguns cientistas
16:58para dentro do seu país, levando conhecimento.
17:00Então, atingir os cientistas, sim, é representativo em termos de debilitar
17:08ou atrasar o projeto nuclear iraniano.
17:12Então, eu quero agradecer demais a participação do professor Manuel Furriella
17:15desde os primeiros momentos dessa cobertura especial da Jovem Pan,
17:18a respeito do conflito entre Israel e Irã, nos ajudando a entender todas as questões envolvidas.
17:23Professor Furriella, mais uma vez, muito obrigado pela sua participação.
17:27Parabéns pelo programa e principalmente por essa ampla cobertura.
17:31Seguimos aqui nessa cobertura, continuo aqui com o comandante Robson Farinazo
17:36e com o Ilan Ezekovics, que é morador de Israel.
17:40Eu quero voltar com o Ilan.
17:43Ilan, conta para a gente um pouco mais de você.
17:44Você mora há quanto tempo aí em Israel?
17:47Você tem filhos? Tem crianças?
17:49Como é que você tem lidado nas suas questões em relação a este conflito?
17:56Você tem crianças que deixaram de ir para a escola?
17:58Você tem trabalhado nesses últimos três dias?
18:01Qual é a sua realidade nesse momento?
18:06Eu me mudei para Israel há quase oito anos, vim do Rio de Janeiro.
18:11E desde que eu cheguei aqui, eu me dedico à área do turismo.
18:13Uma área que foi atacada, primeiramente, com o corona e agora com o conflito.
18:17Então, desde o dia 7 de outubro, claro, teve uma queda no turismo.
18:20Ele começou a se reerguer, caiu de novo, voltou a se reerguer.
18:24Depois de cessar fogo, teve uma pequena queda com o foguete dos Ruts,
18:29que caiu próximo ao aeroporto.
18:30Estava se reerguendo novamente.
18:32Eu terminei um grupo na quinta-feira, deixei eles no Egito.
18:38E voltei para casa e à noite começou o ataque.
18:42Então, especificamente, a área do turismo é a primeira área
18:47sofrer algum tipo de dano e a última se reerguer.
18:50Então, eu, até segunda ordem, estou em casa desempregado, digamos assim,
18:57até que o aeroporto, pelo menos, volte a funcionar
19:00e a gente tem um pouco mais de tranquilidade.
19:02Porém, é importante frisar que nesse período de guerra
19:04sempre houve grupos de brasileiros vindo para cá das mais diversas formas,
19:08via aérea ou terrestre, via Jordânia ou Egito,
19:11mostrando o amor que o brasileiro médio tem com o Israel.
19:17Você é guia em Israel, ou é lá isso?
19:21Exatamente.
19:22Sou guia de turismo aqui em Israel.
19:23Perfeito.
19:24E há esse grande interesse aí do mundo todo no turismo em Israel,
19:29comprometido naturalmente pelas questões que você nos traz.
19:32Como é que você vê a projeção aí, os próximos meses?
19:35Porque quando o conflito com o Hamas se instalou,
19:40a guerra com o grupo terrorista,
19:42havia uma expectativa de quanto tempo duraria.
19:45E durou muito tempo, assim como tem ainda operações acontecendo na faixa de Gaza.
19:51Como você projeta o conflito com o Irã
19:54para que as coisas voltem ao normal em Israel?
19:58Olha, o governo israelense diz que o conflito com o Irã,
20:00por mais que seja mais belicoso, digamos assim,
20:04mais perigoso, talvez,
20:06ele não tende a se estender por muito tempo.
20:08A gente tem prognóstico de duas semanas, um mês,
20:11até por conta de limitações do Irã de atacar a gente.
20:14Ele tem um arsenal limitado de mísseis
20:16que tem o potencial de percorrer essa distância até Israel.
20:21Não tem aeronaves que possam atacar a gente dessa mesma forma.
20:25Então, a gente realmente não sabe quanto tempo vai demorar,
20:29mas talvez seja até mais rápido do que imaginava.
20:31Vide que as autoridades israelenses também estão surpresas
20:34com a facilidade que a gente conquistou o domínio aéreo sobre o Irã,
20:39fazendo ataques hoje, inclusive, próximos à fronteira com o Turcomenistão.
20:42Então, talvez isso leve a um fim das hostilidades iranianas a Israel,
20:48pelo menos dos mísseis, não com os drones, de uma maneira mais rápida.
20:51Inclusive, a gente pode acompanhar nitidamente
20:54a queda do número de projetos enviados pelo Irã a cada ataque que faz.
20:58Quando fez, em outubro, foram duas levas de 200.
21:02O primeiro ataque foi de 150 mísseis.
21:05E agora, o último, foram 28 mísseis enviados.
21:08Isso, com certeza, é resultado, isso é fruto do exímio trabalho
21:12que a nossa Força Aérea, o nosso Exército, vem fazendo
21:15na destruição não só dos foguetes, como também dos lançadores de foguetes.
21:19Afinal, se eles têm 2 mil, 5 mil ou milhão de foguetes,
21:24se eles não têm lançadores, não têm como lançar,
21:26eles não têm como atingir a gente.
21:28E prova disso, inclusive, são as notícias que saíram,
21:33e a gente não tem confirmação oficial,
21:35de que havia, inclusive, o contato do Irã com o Paquistão
21:39para que fossem fornecidos alguns foguetes para o Irã,
21:41porque realmente mostra que os ataques israelenses
21:45estão impondo uma dificuldade no Irã em retalhar.
21:48Eu quero falar sobre isso com o comandante Farinazo,
21:51que está com a gente aqui.
21:52Comandante Farinazo, dá um panorama geral
21:55sobre os materiais bélicos envolvidos neste conflito,
22:00se são próprios todos de Israel ou do Irã.
22:04Quem é que ajuda Israel?
22:05Quem é que pode ajudar o Irã neste conflito que se instala?
22:12Bom, Cobr, o Israel tem material em boa parte fornecido pelos Estados Unidos e Alemanha.
22:17São os maiores fornecedores de material para Israel,
22:20mas todo o resto da Europa, praticamente, apoia Israel também.
22:24A gente acredita que outros países forneçam matéria-prima.
22:27Mas eu acho que, no momento, o Israel é mais dependente dos Estados Unidos
22:32porque as fábricas israelenses estão sob grande pressão.
22:36No caso do Irã, eles têm uma produção autóctone.
22:39Eles fabricam muita coisa ali,
22:41inclusive, alguma expertise de drones do Irã foi repassada para a Rússia
22:47e os russos aperfeiçoaram.
22:49E essa coisa é sempre biunívoca, essa relação.
22:52Você envia armamento, o seu aliado aperfeiçoa
22:56e aí você fica ciente desses aperfeiçoamentos.
22:59O seu armamento original é aperfeiçoado também nas suas fábricas.
23:03Agora, um grande aliado pouco conhecido do Irã
23:06e que lhe forneceu muita expertise
23:09foi a Coreia do Norte, principalmente com relação a tecnologias de mísseis
23:15e talvez alguma tecnologia nuclear.
23:18eu não subestimaria a capacidade dos sistemas de mísseis do Irã, tá, Coba?
23:27Provavelmente são os melhores do Oriente Médio.
23:30Então teria a possibilidade de uma relação entre Coreia do Norte e o Irã?
23:35Que são...
23:36Não, possibilidade não. Ela existe.
23:38Existe?
23:38Ela existe.
23:39Isso já está com troca de expertise entre os dois países
23:44e muita coisa que deve acontecer também que nós não sabemos.
23:48Muita coisa que deve acontecer porque esse terreno é sempre nebuloso.
23:53Nunca é...
23:53O desenrolar real de uma guerra nunca é aquilo que vem ao público.
23:58Ele sempre tem uma camada muito...
24:00É um iceberg.
24:01O público vê aquela parte de cima, mas embaixo tem muita coisa acontecendo aí.
24:06É uma situação preocupante essa que nós temos hoje em dia.
24:09Comandante Farinaz, o que nos leva a nos preocupar ainda mais com a questão nuclear, né?
24:14Porque daí a gente não trata mais apenas as questões nucleares envolvendo o Irã,
24:18enriquecimento de urânio, os armamentos nucleares iranianos,
24:22mas também se pensarmos nessa parceria no que pode vir da Coreia do Norte.
24:28Isso gera preocupação?
24:32É, gera, né?
24:33Eu acredito que o Irã não desenvolveu armas nucleares ainda até o momento
24:39por alguma restrição interna deles.
24:42Esse tempo todo que eles estão trabalhando no projeto nuclear,
24:45você já poderia ter concluído mesmo.
24:46Por que não concluíram ainda? A gente não sabe.
24:49Havia uma fatua do Ayatollah Khomeini
24:53proibindo o uso de armas nucleares pelo Irã.
24:56Dizem que o Kamenei suspendeu essa fatua.
24:58Nós não sabemos disso.
24:59É muito difícil saber o que acontece efetivamente nesses altos círculos do Irã.
25:04Mas eu penso, Koba, que dependendo de como as coisas andarem,
25:10dependendo das decorrências dessa guerra,
25:12nós vamos para um mundo mais perigoso e talvez haja nuclearização do Oriente Médio.
25:16Se o Irã adquirir capacidade nuclear, as coisas não vão parar por aí.
25:20A Turquia também vai por esse caminho.
25:22Acredito que a Arábia Saudita, né?
25:24E as coisas vão ficar realmente bastante complicadas no futuro.
25:28O Ilan, que é morador de Israel, está com gente aqui na nossa cobertura.
25:32Ilan, o fato de haver agora também essa questão envolvendo o armamento nuclear
25:37preocupa ainda mais o povo de Israel?
25:39Olha, as informações que a gente tem até o momento é que as instalações que desenvolviam
25:45o armamento nuclear foram danificadas em certo ponto que atrasaria ou impossibilitaria
25:52a criação de uma arma nuclear nesse futuro próximo.
25:55Esse, inclusive, foi o principal argumento que o governo de Israel passou para a sua população
26:02e ter apoiado por alguns governos internacionais do ataque ao Irã, tendo em vista as ameaças
26:08recorrentes que eles faziam a gente.
26:11As informações que nós temos até agora é que nenhuma arma nunca chegou a ser produzida,
26:15estiveram próximo dela e que os ataques feitos principalmente à usina Inatandes
26:20levaram a danos significativos, fora, como foi comentado aqui, a morte dos cientistas
26:25que eram parte importante desse quebra-cabeça de desenvolvimento nuclear.
26:30Agora, em relação à Coreia do Norte, pelo menos aqui no noticiário de relência,
26:33a gente não vê muita informação a respeito da relação dela com o Irã, apesar de ser
26:39nitidamente algo que existia, mas o único aliado efetivo que se mostrou pró-Irã até
26:46o momento, mesmo assim não de maneira oficial, é o Paquistão.
26:52Os outros países aqui da região, a maioria deles são sunitas e eles sabem que Israel é
26:57primeiro da fila. Depois de Israel, vem os sunitas. Então, eles estão, de certa forma,
27:03acredito eu, bem satisfeitos, digamos assim, com esse atraso no desenvolvimento de uma arma
27:08nuclear por parte do Irã, porque o problema xiita-sunita acontece desde o início do Islã
27:16e Israel só aparece agora, sendo um outro problema a eles. Mas a rixa que existe entre as duas comunidades
27:25islâmicas é muito grande e muito antiga. Então, não seria a surpresa que o rei da Arábia Saudita,
27:33rei da Jordânia e os demais líderes políticos aqui da região estejam indo dormir bem contentes
27:38com o serviço que Israel está fazendo a eles também.
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