00:00Vamos lá, seguindo adiante aqui pelo seguinte, o próximo tema aqui é daqueles que a gente começa a se perguntar
00:06se o Brasil realmente não tá vivendo uma espécie de episódio apocalíptico digno de Mad Max,
00:11ou realmente é daqueles casos que a gente percebe que chegamos numa espécie de fundo do poço moral enquanto sociedade
00:18e lá tinha um cadafalso pra cair ainda mais fundo.
00:21Olha o absurdo que aconteceu num hospital de urgência de São Bernardo do Campo, pessoal, na Grande São Paulo.
00:27Nesse caso aqui, um segurança agrediu um paciente com empurrões e chutes.
00:32A vítima, no caso, estava com o pescoço imobilizado por um colar cervical e usava cadeira de rodas.
00:39Cadeira de rodas, pessoal.
00:41A cena tá aí, posta pra todos verem, escancarada pra gente, enfim, expor essa maldade.
00:46Foi registrada pelo circuito interno das câmeras de segurança do hospital.
00:50E é claro que a Prefeitura de São Bernardo, o mínimo que poderia ser feito, veio a público e por meio da própria Secretaria de Saúde, pessoal,
00:57repudiou os atos de violência praticados por dois seguranças terceirizados contra um paciente no hospital de urgência.
01:04A empresa de segurança teria sido notificada e os seguranças foram desligados e serão reforçadas as orientações de treinamentos
01:10pra todos os colaboradores de segurança e controladores de acesso.
01:14A Prefeitura de São Bernardo vem reiterando também que não compactua com nenhum tipo de violência e que todas as medidas administrativas
01:21estão sendo tomadas pra essa triste situação, pra que ela não possa se repetir e pra que os envolvidos sejam exemplarmente punidos.
01:28É o mínimo? É o mínimo.
01:29Mas pelo menos essa empresa terceirizada também fazendo o mínimo de afastar esses alucinados aí que fizeram essa maldade.
01:36Claro, enfim, é o tipo da situação que a gente nem precisa saber o contexto pra já condenar moralmente, né?
01:43David Dittasso, minha dupla David Dittasso, juntando a nós aqui na bancada do Morning Show.
01:47Pois é, Marinho, é lamentável a gente ver episódios como esses, né?
01:50Ainda mais num ambiente onde a pessoa busca atendimento médico, tava ali numa cadeira de rodas,
01:55com colar cervical e ainda assim foi agredido por dois seguranças.
02:00E a gente vê com frequência também esses episódios, infelizmente, acontecendo nos mais diferentes hospitais do país,
02:06onde a pessoa tá ali indignada porque às vezes fica duas, três, cinco horas até pra receber um atendimento,
02:14pra conseguir ser de fato, ao menos entrar ali na sala do médico e não conseguem muitas vezes.
02:20E aí quando se irrita ou até provoca alguma reação, realmente a pessoa acaba ali entrando numa discussão,
02:27mas nada justifica uma agressão como a gente viu em São Bernardo do Campo.
02:31Inclusive, David Dittasso aqui com a palavra, pessoal.
02:33Estamos de volta pra todos vocês ouvindo o Morning Show aqui ao vivaço.
02:37E o tema da vez é um daqueles que, assim, só segue aprofundando esse caos.
02:42Parece que os mínimos laços aqui de respeito ao próximo, de uma mínima de cultura comunitária,
02:47vai se esfarelando no Brasil dia após dia.
02:50O caso absurdo, seguranças de uma empresa terceirizada num hospital público em São Bernardo do Campo,
02:54agredindo fisicamente um cadeirante com ali um...
03:00Na verdade, não é cadeirante, tá, Marinho?
03:02Ele tá na cadeira perfeitamente.
03:04Estava numa cadeira de rodas, sendo tratado, mas, obviamente, um baita de um problema na cervical imobilizada,
03:09o que por si só, enfim, claro, não é um portador de tetraplegia ou paraplegia, que fique claro,
03:15mas estava ali sendo cuidado e, de qualquer modo, é de uma maldade, de uma desumanidade atroz.
03:20Mano Ferreira.
03:21Pois é, Marinho, eu queria separar em duas partes.
03:24Primeiro, é claro que a atitude desses seguranças, absurda e abjeta,
03:28não representa o comportamento habitual dos seguranças que trabalham por aí nos hospitais.
03:35Isso a gente precisa separar as coisas.
03:38Mas agora eu vou pra segunda parte.
03:40Também é sintoma de como a gente precisa repensar a forma de gestão do serviço público no Brasil.
03:49de como a gente precisa, retomando a pauta que a gente conversou no primeiro bloco,
03:54fazer com que a avaliação de servidores, sejam eles contratados diretamente pelo Estado
04:01ou por meio de empresas terceirizadas, leve em consideração a satisfação do usuário do serviço,
04:10a satisfação do cidadão que paga a conta.
04:12A gente está no século XXI.
04:14Hoje, qualquer corrida por aplicativo, qualquer pedido de entrega, você consegue avaliar o que você achou do serviço.
04:24Você coloca lá cinco estrelas.
04:26Por que nós não conseguimos ouvir a voz do cidadão na avaliação do serviço público?
04:35Isso precisa ser colocado no centro de um redesenho do sistema público brasileiro.
04:42Porque se a remuneração da equipe do hospital dependesse, de alguma forma, da avaliação dos pacientes,
04:52eu duvido que casos como esse continuassem acontecendo com o volume que acontecem hoje.
04:58Porque por mais que essa atitude não represente a forma como os seguranças trabalham no Brasil inteiro,
05:05obviamente, o fato é que muitas vezes a gente acaba relatando aqui notícias de maus tratos,
05:13de destrato ao cidadão na hora que precisa...
05:16Mas muitas vezes também chega a ser desumano, né, mano?
05:18A questão dos funcionários que ali têm que lidar com a falta de infraestrutura, falta de profissionais.
05:24Aí, lógico, que vai sobrecarregar o sistema, as pessoas demoram para ser atendidas.
05:28Então, falta muitas vezes também, não estou citando só o Hospital de São Bernardo do Campo,
05:32onde a gente viu esse episódio e nada justifica a agressão.
05:35Mas em muitos outros do país, onde as pessoas esperam por horas por falta de infraestrutura.
05:40Às vezes tem um médico para atender uma população de 200 pacientes por período.
05:45Então, é assim, uma sobrecarga muito grande.
05:46Eu concordo com o Mano nessa avaliação, mas, Mano, é completamente diferente a avaliação do serviço público do setor privado.
05:55O índice de desempenho de avaliação do serviço público, ele tem alguns critérios específicos.
06:01Por exemplo, a lucratividade, eu sou completamente contra.
06:04Quando você está no serviço público, você sabe que você presta um serviço para se doar ao serviço público.
06:11Então, a gente vai dar produtividade para prisão.
06:13Quanto mais você prender, mais você ganha.
06:16Isso é completamente contra senso.
06:17Por quê?
06:18Porque a polícia está justamente para preservar a ordem.
06:22A polícia, ela deveria ganhar, então, quanto menos ela prender.
06:25Quanto mais ordem existir na sociedade.
06:27Então, a gente tem que ter critérios específicos para cada atividade de serviço público,
06:33para que ela seja avaliada.
06:35Tinha uma época muito bizarra, um passado muito recente, em que policiais tinham metas a serem atingidas de flagrante.
06:45Aí você fomenta, infelizmente, flagrantes abobalhados.
06:51Eu vou falar nesse sentido.
06:52Porque se você está ali para ganhar, quanto mais você prender,
06:56olha a arbitrariedade, o abuso de ilegalidade que você pode cometer.
07:01Então, tem que ser muito criterioso e muito avaliado esse índice de produtividade no setor público.
07:08Mas nesse caso aqui...
07:10Mas o meu ponto é só que a satisfação da população precisa ser levada em conta.
07:15E nunca pode ter o critério de remuneração.
07:18Sim, sem dúvida, sem dúvida.
07:20Agora, nesse caso aqui que está posto, pessoal,
07:21é um daqueles casos, para finalizar, que nem cabe perguntar o contexto.
07:25Porque a covardia é tamanha, a agressão é tamanha,
07:29que realmente o que a gente pode fazer aqui é só expor,
07:32esperar que realmente essas providências sejam tomadas
07:34e para a gente não ver uma maldade dessa acontecer.
07:3711 horas e 26 minutos.
07:38Falamos tanto aqui agora, enfim, no contexto de um aparelho ali do setor privado,
07:43como o Hospital Público ali em São Bernardo do Campo.
07:45Não, não, não, não, não.
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