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Álvaro Machado Dias analisou os avanços da IA, como o AlphaEvolve da Google DeepMind, e discutiu a possibilidade de uma consciência artificial emergente. Sistemas como o ChatGPT estão cada vez mais complexos e autônomos.

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Transcrição
00:00A inteligência artificial, como a gente sabe, está avançando rapidamente,
00:04permitindo que sistemas como o chat GPT não apenas respondam perguntas,
00:08mas também se melhorem e resolvam tarefas complexas.
00:12Recentemente, o Google DeepMind apresentou o AlphaEvolve,
00:16um modelo que aprimora algoritmos fundamentais desenvolvidos há décadas.
00:20Para entender essas transformações e discutir, inclusive,
00:22a possibilidade de uma consciência artificial emergente,
00:26a gente conversa agora com um dos notáveis do nosso canal,
00:28que é o professor Álvaro Machado Dias.
00:31Professor, seja bem-vindo.
00:32Obrigado, Marcelo.
00:34Explica para a gente, então, o que exatamente o AlphaEvolve faz ou diz que faz?
00:38Claro.
00:39Legal.
00:40O AlphaEvolve é um algoritmo da linha do DeepMind.
00:43Lembrando que DeepMind é um dos laboratórios precursores no aprendizado por reforçamento.
00:50Lançou o AlphaFold, que foi a ferramenta que, em última análise,
00:55levou ao Prêmio Nobel para o Demis Hassabis, uma ferramenta de química que modela proteínas,
01:01ou seja, vem trazendo contribuições importantes para a ciência
01:05e também para a evolução de toda a estrutura de algoritmos de inteligências artificiais do Google.
01:11A novidade agora é um algoritmo que tem duas propriedades.
01:16A primeira é que ele tende a se melhorar.
01:21Como isso é feito?
01:22O AlphaEvolve, o que ele tem de mais particular é a capacidade de fazer uma coisa chamada destilação,
01:29que foi usada pelo DeepSeek,
01:31que é o uso de uma versão menor do algoritmo para aplicações específicas.
01:36No caso, esse algoritmo novo da DeepMind, ele seleciona os melhores desempenhos.
01:44Então, como se ele criasse filhos que são melhores do que o pai, é isso, ou que a mãe.
01:50Então, ele está lá fazendo essas seleções evolutivas.
01:53Do outro lado, ele foi treinado para melhorar algoritmos, funções matemáticas
02:00e outras grandes realizações intelectuais das exatas.
02:05O que o coloca num ponto diferente dos algoritmos até aqui,
02:08porque ele está efetivamente melhorando o trabalho daquela ponta do iceberg dos cientistas humanos,
02:15como um algoritmo chamado algoritmo de Strauss,
02:17que é de 1967 até hoje estava sendo usado.
02:21Com a nova ferramenta, o Google alega ter reduzido quase 1% do seu gasto energético com servidores,
02:27o que significa muito dinheiro no longo prazo, talvez até bilhões,
02:32além de ter um caminho para desenvolver chips melhores.
02:34Ou seja, parece que finalmente algoritmos de inteligência artificial estão chegando na ciência de ponta.
02:40Se você pensar de uma maneira futurista, e essa é a sua especialidade, porque você é um futurologo,
02:44como é que você vê a possibilidade das IAs se aprimorarem sozinhas
02:48numa escalada em direção a algo que a gente possa chamar de uma super inteligência?
02:53Então, essa é uma grande pergunta e eu acho que é importante a gente separar duas coisas.
02:59Se eu programo uma inteligência artificial para que ela selecione os seus melhores resultados
03:04e use seus melhores resultados num treinamento, numa segunda camada dessa mesma inteligência artificial,
03:10então num treinamento dela própria e assim por diante,
03:13eu vou terminar com algo que é muito mais poderoso do que o produto inicial.
03:17Esse é um caminho que eu vejo como inevitável, simplesmente, não é?
03:21Só que ele é possível. Ele vai acontecer com certeza e eu acho que aqui a gente está vendo uma primeira semente.
03:28Uma outra coisa totalmente diferente é o algoritmo decidir algo que não estava previsto na sua estrutura
03:37e que envolve uma evolução dele próprio.
03:40Por exemplo, imagina que o algoritmo decide que agora ele vai se plugar a um corpo robótico
03:46para poder usar sensores e captar sinais do mundo e assim por diante.
03:51Não há qualquer indício desse tipo de autonomia ganhando contornos no momento atual.
03:58E o Demis Hassabis, que está na frente do Google DeepMind, diz isso também.
04:02Então a gente tem que olhar esse cenário de uma maneira realista e não ficar desesperado achando que a máquina está ganhando vida.
04:09Mas e se você programar uma máquina, sei lá, não sei se isso já existe ou se será possível no futuro,
04:15mas se você programar, por exemplo, um supercomputador para ter a personalidade X.
04:20Olha, você é um cientista interessado em descobrir a cura do câncer de mama.
04:26Haja de maneira autônoma e, sei lá, se programe sozinho baseado na personalidade XYZ.
04:35Tem um caminho aí?
04:36Essa pergunta é ótima e, de fato, no artigo em que essa nova ferramenta AlphaEvolve foi divulgada,
04:46está exatamente este debate.
04:49Olha só o que é dito e que eu acho que é muito verdadeiro.
04:52O ser humano, ele tem uma capacidade criativa, uma capacidade intencional que é única.
05:00Por outro lado, o ser humano é um especialista em geral.
05:04Quando a gente está falando de áreas técnicas muito difíceis, ele é um especialista numa coisa.
05:09É como se a gente tivesse vários morrinhos e no topo de cada morrinho tem um grupo de especialistas
05:16que está tentando tudo para solucionar aquele problema.
05:20Já o algoritmo, quando ele vai se colocar nesse papel do cientista,
05:26ele não vai se colocar no papel de quem está em cima de um morrinho,
05:28mas ele vai tentar atirar para todos esses lados ao mesmo tempo,
05:34selecionando as melhores estratégias para tentar evoluir.
05:38Nesse sentido, há uma expectativa de que descobertas científicas comecem a ser somadas,
05:45a escalar usando algoritmos.
05:48Primeiro ponto.
05:49Agora, será que se a gente falar algoritmo, vai lá e desenvolve uma cura do câncer,
05:55desenvolvendo em você mesmo uma capacidade, uma nova estratégia matemática ou computacional
06:03para descobrir essa tal cura?
06:06Esse processo que parece que não é possível no momento,
06:10porque essa habilidade criativa de inventar algo do zero
06:14não está nos horizontes conhecidos das redes neurais que a gente hoje em dia desenvolve.
06:22Ou seja, não há nenhum indício na prática de que isso vai acontecer tão cedo.
06:27Então, até agora, a inteligência artificial parece com mais aptidão para ser um bom colega de trabalho
06:33e não ser o chefe, né?
06:34Excelente ponto de vista, Marcelo.
06:36E uma coisa que as pessoas se perguntam muito, Álvaro,
06:39a inteligência artificial, você acha que vai chegar num ponto no futuro
06:43em que ela vai adquirir consciência?
06:45Porque consciência é uma coisa muito profunda, né?
06:47Sim, esse é um bom ponto e realmente muita gente se pergunta isso.
06:51Olha só, a gente pode ver a consciência de duas formas conectadas.
06:56Eu diria só que a gente pode, é importante a gente ver de duas formas.
07:00Uma forma é a seguinte,
07:01a consciência é aquela capacidade de focar alguma coisa.
07:07É quando a gente diz
07:08tal assunto me surgiu a mente,
07:11ou as coisas estão no palco da consciência.
07:13Isso lembra muito atenção.
07:15Esse desenvolvimento da atenção,
07:17ele já existe no mundo dos sensores.
07:20Quando a gente fala de um carro autônomo,
07:23a perspectiva é que ele tenha essa atenção ao mundo lá fora,
07:26que ele selecione estímulos e assim por diante.
07:28Um outro sentido de consciência é a experiência de si mesmo.
07:33É quando você fecha os olhos e sente você mesmo.
07:36Ou quando você olha a realidade e fala
07:37eu sinto que tem alguma coisa minha nessa projeção de realidade.
07:42Esse tipo de coisa envolve áreas especializadas do cérebro
07:46que são dotadas da capacidade de sentir
07:49e o uso do corpo como uma plataforma
07:52para a gente processar esses sentidos.
07:55Então a gente tem sistema autonômico com um eixo simpático
07:58que é da adrenalina, do coração batendo rápido,
08:01da tensão muscular e um parasimpático que é do relaxamento
08:04e tudo isso, a respiração, dilatação pupilar
08:07entra nessa nossa experiência da consciência.
08:11Não é viável imaginar,
08:13não faz sentido imaginar uma inteligência artificial
08:15que desenvolva a consciência nesse sentido da experiência
08:18sem que ela tenha essas especializações cerebrais
08:21e esse corpo dilata conectado a esse cérebro digital
08:26de uma forma que lembre a humana e a das outras espécies.
08:31Então, portanto, eu diria que a consciência no sentido mais profunda
08:34não é algo que é esperado da inteligência artificial atual,
08:38o que não significa que não possa ser da do futuro.
08:42Isso nos remete a uma formulação filosófica bastante antiga,
08:45da Grécia antiga ainda, né?
08:46Que é, no nosso caso humano, penso, logo existo.
08:50No caso da IA até agora, está assim,
08:52a gente pensa, logo ela existe, né?
08:54Genial.
08:55Obrigado, professor.
08:56Genial, adoro conversar com você.
08:57Muito bom.
08:59Obrigado, pessoal.
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