Rússia e Ucrânia voltaram à mesa de negociações após três anos e discutiram cessar-fogo, troca de prisioneiros e reconstrução. O apresentador Marcelo Favalli analisou o impacto econômico da guerra: mais de US$ 170 bilhões em perdas e o interesse estratégico global nas terras raras da Ucrânia.
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00:00Representantes da Ucrânia e da Rússia se encontraram hoje na Turquia em uma reunião que, apesar de não ter resultado em uma solução para o conflito, facilitou avanços importantes para um possível cessar-fogo.
00:10Os países também negociaram uma troca de prisioneiros.
00:15A primeira reunião direta entre Rússia e Ucrânia em mais de três anos, realizada nesta sexta-feira em Istambul, não trouxe uma solução para o conflito.
00:24Ao final do encontro, foram feitos três anúncios. A possibilidade de estabelecer um cessar-fogo, uma das principais demandas de Kiev e seus aliados, uma possível reunião entre os presidentes Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky e uma troca de prisioneiros.
00:42Discutimos o cessar-fogo, discutimos as trocas, o resultado é a troca de mil pessoas por mil. Este é o resultado da reunião de hoje.
00:54O negociador-chefe russo se disse satisfeito e disposto a continuar os contatos com a Ucrânia.
01:01Vladimir Medinsky indicou que Moscou queria falar sobre as causas profundas do conflito e esta reunião acabou por ser a continuação das negociações de 2022, que terminaram fracassadas.
01:11Concordamos que cada lado apresentará sua visão de um possível cessar-fogo futuro, explicada em detalhes.
01:19Tendo apresentado essa visão, consideramos apropriado e também concordamos em continuar nossas negociações.
01:28Uma fonte diplomática ucraniana afirmou que os negociadores russos apresentaram demandas inaceitáveis, que vão além do que havia sido discutido antes da reunião.
01:37As exigências incluiriam a retirada das forças de Kiev de grandes partes do território ucraniano, como pré-condição para o estabelecimento de um cessar-fogo da Albânia, para onde viajou para uma cúpula europeia.
01:50Zelensky pediu a seus aliados uma reação forte e sanções contra Moscou, se as discussões terminarem em fracasso.
01:58Sobre conflito, eu falo agora com o apresentador do Conexão, Marcelo Favalli.
02:02Boa noite para você, Favalli. Além da questão óbvia humanitária envolvendo esse conflito aí, tem muito interesse econômico também, né?
02:09Gigantescos, Marcelo Torre, e passa pelas chamadas terras raras, como as negociações que nós vimos recentemente do presidente Donald Trump.
02:20Mas para a gente entender o quão valiosa é a Ucrânia, num segundo momento, depois da paz e uma eventual reconstrução, nós temos que olhar o que sobrou da Ucrânia.
02:34Para isso, eu e Carol Rangel, a editora que compartilha aqui esse esforço de colhermos esses dados, fomos atrás para entender o tamanho presumido da destruição.
02:46E vamos tentar interpretar esses dados além das cifras, porque nós estamos falando de pelo menos uma geração perdida.
02:54Já chego lá.
02:54Olha, danos totais na casa dos 170 bilhões de dólares.
03:00Isso que foi somado.
03:01Mas a reconstrução de um país do porte da Ucrânia, que tinha uma grande central metalúrgica para a Europa Oriental,
03:09é um polo de fornecimento de energia elétrica com a extinta usina nuclear de Chernobyl, para todo mundo ter uma ideia,
03:16mas Zaporizia, que é uma das maiores usinas nucleares do mundo.
03:21Mas vamos além disso, só citei para todo mundo entender o tamanho da Ucrânia, esse país que a gente fala majoritariamente nos últimos três anos, por causa da guerra.
03:30O conflito com a Rússia levou a uma perda de 60 bilhões do setor imobiliário de residências destruídas.
03:39Então, para reabrigar as pessoas que fugiram da guerra e tiveram seus apartamentos, as suas casas e até os seus comércios bombardeados,
03:49seria necessário, no mínimo, 60 bilhões de dólares.
03:53Mais de 236 mil moradias, residências de diferentes tamanhos, estão completamente perdidas ou severamente danificadas,
04:03a ponto que ninguém pode morar se ela ainda tiver alguma coisa de pé.
04:07Nos transportes, isso aqui é importante quando a gente colocar o componente Estados Unidos,
04:12quase 40 bilhões de dólares a reconstrução de transportes, em todos os sentidos,
04:19desde ruas vicinais, avenidas, estradas e o sistema de ferrovias e portos.
04:25Eu vou chegar em terras raras e isso tudo vai fazer sentido.
04:28Quase 40 bilhões de dólares, perdas de mais de 10 bilhões na agricultura,
04:34tendo o fato de que a Ucrânia produz, por exemplo, os minerais fundamentais para fertilizantes,
04:43a gente entende também que o setor agrícola é muito importante porque o terreno na Ucrânia é muito fértil.
04:514 mil instituições de ensino, desde escolas infantis até cursos universitários, foram perdidos.
04:59E aí a gente começa a entrar numa outra camada de prejuízo, que não é só a perda da estrutura física.
05:07Nós estamos falando de milhares de crianças, jovens e adultos que não vão ter o mesmo acesso à educação.
05:15E isso se reflete em gerações consequentes de baixo aprendizado e mão de obra menos qualificada.
05:234 bilhões e 300 milhões em saúde.
05:26Não é pela falta de atendimento, é de hospitais, clínicas, centros de atendimento que foram perdidos,
05:33perdas na educação também na casa dos 7 bilhões e mais de 14 bilhões,
05:4014 bilhões e 600 bilhões em perda de energia, que é fundamental para a indústria.
05:44Eu tenho repetido essa coisa de infraestrutura, indústria, porque no próximo mapa as coisas vão fazer mais sentido.
05:51Os Estados Unidos, na figura de Donald Trump, ainda na campanha, ele havia prometido acabar com a guerra,
05:57no estalar de dedos, como se fosse um passe de mágica, mas tinha um fator aí no meio, as chamadas terras raras.
06:04Este mapa, se a guerra acabar hoje, presumidamente, muito provavelmente o contorno vai ser esse.
06:11A Rússia fica com essa meia-lua já conquistada e o que sobrou da Ucrânia um dia retoma, então, para os ucranianos.
06:21Estas manchas coloridas estão aqui, grafite, lítio, titânio, zircônio e os chamados metais de terras raras.
06:29Este setor aqui, este item, é fundamental para empresas de alta tecnologia, chips de grande capacidade, semicondutores.
06:42Este aqui é o coração da inteligência artificial.
06:45Titânio passa pelo setor de segurança, também de alta capacidade.
06:52Lítio, fundamental para as baterias de carros elétricos, até de celulares e notebooks, que todo mundo aí tem a um curto alcance.
07:00E grafite, então, é uma gama gigantesca de utilizações na indústria.
07:06Mas aqui, nós estamos falando de indústrias de alta tecnologia.
07:09Donald Trump, então, já assinou um pré-acordo com o presidente Volodymyr Zelensky para ter acesso a esses metais aqui valiosos.
07:18Algo em torno de 500 bilhões de dólares, numa conta que, para os americanos, foi o que custou ou o que custaria essa ajuda de reconstrução.
07:27Agora, a segunda pergunta é, os Estados Unidos teriam como fazer essa extração num país em que tem mais da metade da infraestrutura destruída?
07:37Aí, no outro gráfico, eu chamei a atenção, quase 40 bilhões de dólares de investimentos para infraestrutura.
07:44Por quê?
07:45Uma coisa são cavar o lítio, o titânio, os metais raros e não ter condições de levá-los por trens, por estradas, para portos, que também estão destruídos.
07:56E aí, embarque para os Estados Unidos, por exemplo.
08:01Ou seja, para chegar em ter algum benefício aqui, nós estamos falando de médio a longo prazo, mas antes da escavação e da extração, tem a reconstrução de toda uma infraestrutura.
08:15A resposta é, esses 500 bilhões aqui, ainda haveria um investimento americano para eles conseguirem fazer essa extração.
08:22Do outro lado da moeda tem a Rússia.
08:25Para finalizar, eu vou pedir a última arte para a gente entender que o Ocidente fechou as portas para a Rússia, União Europeia, Estados Unidos e o Canadá acompanhou essa decisão.
08:37Outros países também, mas majoritariamente as potências ocidentais.
08:40Só que isso não afundou a Rússia como se planejava, porque a Rússia foi e se apoiou em duas boias de salvação, a Índia e a China.
08:51E não é coincidentemente aqui a China no traço azul, a Índia em traço cinza.
08:58É óbvio que não coincidentemente as duas parcerias comerciais, elas decolam, a balança comercial Rússia-China e Rússia-Índia sobe exponencialmente justamente depois da guerra,
09:13porque foram os países que passaram a alimentar a Rússia financeiramente, comprando insumos que deixaram de ser vendidos para o Ocidente.
09:22Gás, petróleo, minérios e fertilizantes, só para dar uns exemplos.
09:27Quando a gente fala de economia internacional, a gente tem que andar de mãos dadas com a geopolítica, porque tudo está interligado numa grande malha.
09:38Marcelo Torres, a gente vê que essas negociações de paz que iam, acabaram não indo, será que virão um dia?
09:47Mas o quadro está muito claro que nós temos um país arrasado e outro que está sobrevivendo por causa de duas potências ascendentes.
09:56O mundo é muito complicado mesmo.
09:58É, o mundo anda muito complicado, como diria o Renato Russo, faz tempo.
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