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A redução na produção de fábricas chinesas, impulsionada pelas tarifas de Donald Trump, já afeta setores como brinquedos e artigos esportivos. Kelly de Souza Ferreira, doutora em relações internacionais, explicou como o desemprego e a busca por novos parceiros impactam a recuperação econômica da China.

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Transcrição
00:00Fábricas chinesas estão reduzindo a produção, dando folga para funcionários e buscando novos mercados
00:07em resposta às tarifas de Donald Trump.
00:10Sobre esse assunto, eu converso agora com Kelly de Souza Ferreira,
00:15doutora em Relações Internacionais e diretora de Relações Internacionais da PUC Campinas.
00:21Kelly, boa noite para você. Obrigado pela disponibilidade em conversar aqui com a gente.
00:25Bom, esse movimento na China está acontecendo, por exemplo, na indústria de brinquedos,
00:29na indústria de artigos esportivos. Que impacto isso pode ter para a economia chinesa nesse momento, Kelly?
00:37Boa noite, Fábio. Muito obrigada pelo convite.
00:41Realmente, todos esses layoffs, todas essas demissões estão ocorrendo em diversos setores.
00:47Nos setores públicos, talvez eles venham para uma estratégia um pouquinho diferente,
00:52que seria um ajuste de salários, de uma redução.
00:54E o impacto na economia chinesa é gigantesco, porque há já um tempo nós não temos muita certeza
01:01sobre os dados com relação ao desemprego na China.
01:04Isso porque o governo chinês, quando começou a aparecer vários rumores,
01:09várias notícias sobre a geração mais jovem, a geração Z, está ficando desempregada,
01:15os chineses começaram a desaparecer com algumas estatísticas,
01:17depois ela voltou, mas que eles alegaram que era uma nova dinâmica, uma nova metodologia.
01:24Com essas demissões, já vai ficar muito mais difícil de observar qual é o real desemprego chinês.
01:32E uma economia que já está fragilizada, isso não é um bom sinal e muito menos facilita o governo do Xi Jinping.
01:40A população já está apresentando sinais de insatisfação e um grande ponto da economia chinesa
01:49é conseguir fazer a população consumir.
01:52Uma forma de substituir, por exemplo, as importações americanas
01:56é justamente conseguir fazer com que o mercado chinês absorva essa demanda.
02:02Só que com desempregos, com insegurança econômica,
02:06os chineses, que já são uma população poupadora, passam a consumir menos ainda.
02:13Agora, qual a resiliência da economia chinesa, Kelly, para fazer frente a um momento como esse?
02:20Até no sentido de buscar novos parceiros, redirecionar os produtos para outros lugares,
02:25absorver essa produção excedente de alguma forma,
02:28realocar a legislação trabalhista para realocar esses trabalhadores.
02:32Enfim, que elasticidade a economia chinesa tem para reagir a isso?
02:37A elasticidade chinesa vem até da própria característica do povo chinês,
02:43justamente da poupança.
02:44Xi Jinping terá de desembolsar um pouco do que ele tem ali reservado para emergências
02:49para conseguir ativar essa economia e fazer com que a China continue a consumir.
02:55Além disso, Xi Jinping já está fazendo movimentos de circulação
02:59para tentar encontrar novos parceiros e construir forças.
03:02Nós vimos, semanas atrás, reuniões junto à China e Coreia do Sul,
03:07no qual a chave daquela reunião foi justamente previsibilidade.
03:11Várias vezes o governo chinês usou essa palavra para colocar que o acordo entre eles
03:16não era uma questão de paz ou de aproximação, mas era uma questão de manter economias previsíveis.
03:21também fez uma viagem ao sudeste asiático, ali, Vietnã, Camboja,
03:26colocando junto a esses países um pouco de solidariedade.
03:29Ele estava já perdendo o mercado.
03:32A produção que antes era feita na China já estava sendo escoada para a Vietnã e Camboja,
03:37porque eles têm taxas mais competitivas para os produtos.
03:41E foram países que foram altamente taxados.
03:45E, no caso, a China foi ali mostrar um suporte e também mostrar formas de reforço.
03:49Mas nós temos de lembrar que a economia americana é responsável por 15% da produção,
03:56da exportação chinesa, o que não é algo fácil de se realocar.
04:01Mesmo com a China tendo uma população muito grande,
04:03mesmo tendo novos parceiros,
04:05não é possível você realocar essa quantidade de exportações tão grandes assim.
04:09A elasticidade é limitada e não é tão grande também quanto a americana,
04:17mas existe alguma elasticidade, porém bem limitada.
04:23Agora, Kela, a gente está falando aqui de consequências já sentidas na China,
04:26mas o outro lado da guerra também está sentindo.
04:28A gente trouxe mais cedo, aqui nessa edição do Radar, por exemplo,
04:32as reclamações do pessoal do agro americano de que estão vendendo menos para a China.
04:38Então, trouxemos até a informação de um carregamento de 12 mil toneladas de carne de porco
04:43que a China recusou e foi a maior recusa de carne de porco desde a pandemia, desde 2020.
04:49Na sua leitura, quem sofre mais, Estados Unidos ou China?
04:55É interessante porque ambos vão sofrer.
04:57Nessa guerra não tem como ter vencedores.
04:59Ambos sofrerão, mas de maneiras diferentes.
05:01No caso da China ser uma autocracia, o Xi Jinping ainda tem uma segurança política
05:06de conseguir governar e fazer algumas medidas mais drásticas,
05:10sejam elas econômicas, políticas ou algumas aproximações com diversos outros países.
05:15Os Estados Unidos, em comparação, não têm essa facilidade.
05:19Nós já vemos os índices de aprovação do governo Trump, por exemplo, caindo,
05:23o que não é interessante nem para o governo Trump, muito menos para os republicanos,
05:27que no ano que vem tem uma eleição para eleger Congresso e Senado.
05:32Também em uma democracia você sempre tem a questão do impeachment ali de fundo.
05:37E várias mídias, a própria mídia americana já começou a ter contagens regressivas
05:42para o fim do governo Trump.
05:45Além disso, a economia americana também vai sofrer.
05:48Essa parte de produtos não é só com uma falta de abastecimento.
05:51Como você colocou, o agro está sofrendo bastante
05:54e o agro tem uma particularidade que a China não tem.
05:58A China exporta produtos manufaturados que podem ser armazenados,
06:01que podem ser escoados depois.
06:03No caso do agro, você não tem isso.
06:05São produtos perecíveis que têm uma data até quando você pode escoar esses itens.
06:11Além disso, uma vez estabelecidos canais mais baratos,
06:15é muito difícil que a China queira voltar para os Estados Unidos.
06:18Os Estados Unidos vão precisar fazer um enorme esforço.
06:20E com a política que o Trump vem colocando, taxando todos os países, basicamente,
06:26ele acaba isolando os Estados Unidos, enquanto a China acaba construindo aliados.
06:31Kelly de Souza Ferreira, doutora em Relações Internacionais,
06:35diretora de Relações Internacionais da PUC Campinas.
06:38Obrigado, Kelly, pela sua análise aqui.
06:40Boa noite e boa semana.
06:42Boa noite e obrigada.
06:43Obrigado.
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