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Maria Clara Pacheco, campeã mundial de taekwondo, compartilhou sua trajetória e bastidores da conquista em entrevista ao Olimpicast, podcast esportivo do Portal No Ataque, do Jornal Estado de Minas.

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#Taekwondo #Olimpicast #NoAtaque #JornalEstadoDeMinas

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Esportes
Transcrição
00:00Estamos chegando para o terceiro episódio do OlympiCast, eu sou João Vitor Marques,
00:05sub-editor do portal No Ataque do Estado de Minas.
00:08Tive a honra de ter ao meu lado o repórter Pedro Bueno e nós conversamos com ninguém mais,
00:13ninguém menos que Maria Clara Pacheco.
00:16Clara Pacheco, como ela prefere ser chamada, campeã mundial de taekwondo.
00:21A gente conversou bastante com ela, a gente aqui do Brasil, ela lá da China,
00:24os horários bastante complicados, né Pedro? Mas o papo foi muito bom, né?
00:27Olá a todos, foi um prazer enorme estar nessa entrevista com você, João, e com a Clara,
00:33que é uma personagem incrível do esporte olímpico.
00:37Neste ano ela foi inacreditável o que ela fez.
00:41Toda a luta que ela fez, ela ganhou, foi campeã de Grand Prix, agora ganhou o Mundial,
00:47primeira campeã desde a Natália Falavínia, então assim, foi um bate-papo incrível também
00:51que vocês vão escutar agora.
00:54Pronto.
00:55Tá bem?
00:55Então vamos lá.
01:00Maria Clara Pacheco nasceu em São Vicente, São Paulo, no dia 16 de julho de 2023,
01:07campeã do Grand Prix de Mujú, campeã do Grand Prix de Charlotte,
01:11oito títulos só em 2025.
01:14Sim, nós estamos com uma campeã mundial.
01:17Maria Clara é a primeira brasileira campeã do mundo desde Natália Falavinha, em 2005.
01:21Tudo isso aos 22 anos.
01:25Clara, seja muito bem-vinda ao Olympique Cash, é um prazer enorme ter você conosco.
01:32Prazer é todo meu. Obrigada aí pelo espaço, pelo convite.
01:35Claro, a gente que já te conhece, antes de passar a palavra ao meu companheiro Pedro Bueno, que está fazendo a entrevista comigo,
01:46queria nos conhecer um pouco mais da sua história, a gente que está acompanhando o esporte há mais tempo,
01:53a gente já sabe da sua trajetória, a gente conhece o seu potencial, sabe o que você tem feito desde antes de Paris,
01:59mas tem muita gente que está te conhecendo agora, pelos resultados impressionantes desse ano,
02:05pelo título mundial recentemente.
02:08Eu queria começar lá de trás, antes de falar do taekwondo, antes de falar quem que é a Clara Teta,
02:14queria que você contasse um pouco pra gente sobre sua história.
02:17Onde que você cresceu, quem que são seus pais, o que que você gostava de fazer quando você era criança,
02:21e aí depois a gente fala um pouquinho de taekwondo.
02:23Então, eu sempre fui uma criança muito ligada ao esporte, mas de uma maneira mais recreativa, mais divertida, né?
02:35Então, eu vim de uma cidade, eu nasci em Santos, na verdade, mas eu morei em São Vicente a minha vida inteira,
02:42realmente só o quarto ali foi em Santos, mas eu vim de um bairro muito pequeno ali em São Vicente,
02:50bem um pouquinho afastada do centro, então eu estudei em uma escola de bairro, pequena, particular,
02:57mas bem pequenininha mesmo, bem familiar ali, e eu cresci com as mesmas pessoas desde os três anos de idade,
03:04desde que eu entrei ali na primeira série ali do Prezinho, eu cresci com as mesmas pessoas, os mesmos professores,
03:11e a minha infância foi meio que assim, com aquele mesmo círculo de amizades, com o mesmo círculo familiar,
03:17estudando e praticando esportes diferentes, eu fiz jazz, fiz balé, fiz capoeira,
03:24eu iniciei no esporte ali com cinco anos, e desde pequenininha minha vida era essa,
03:28era estudar, ficar junto com a minha família e treinar todo dia, mas era diversão,
03:33então não era no alto rendimento como passou a ser com o taekwondo.
03:36E justamente esse gancho, né, Clara, como que o taekwondo surgiu na sua vida?
03:44Então, como eu falei, eu fazia esportes diferentes ali, e aí um dia eu decidi que eu queria fazer uma luta,
03:52uma arte marcial, que eu fazia capoeira, mas como era na escola ali, e a gente era criança,
03:58a pessoa mais novinha, não tinha realmente contato físico, a gente não encostava,
04:02era só o treino dos chutes ali, jogava, fazia os batizados, mas não tinha realmente toque,
04:08que não encostava na pessoa, e eu queria bater em alguém. E aí eu assistia a uma série que tinha,
04:13que passava na, acho que era na Disney XD, que era um grupinho de adolescentes que estudavam ali,
04:21mais ou menos da minha idade na época, que faziam karatê, e aí eles lutavam com o pessoal lá,
04:28e eu gostava muito de assistir, e aí quando eu vi eu falei, ah, eu quero fazer isso,
04:32aí eu falei pra minha mãe, mãe, eu quero fazer karatê, ou alguma outra coisa que, né, seja parecida,
04:36que eu chute as pessoas, eu quero fazer isso. E aí, perto de um mercado que a gente sempre frequentava,
04:43minha mãe costumava ver um pessoal passando com uma roupinha branca, que era um dobô, né,
04:47que é a roupa que a gente usa hoje, mas a gente achava que era um kimono de karatê,
04:52e aí a gente foi lá pra esse mercado no dia, tinha uma barraquinha de pastel,
04:59a gente saiu do mercado, ficou comendo pastel, esperando o horário do pessoal passar.
05:03Aí quando o pessoal passou, a gente foi e seguiu eles até a academia onde eles treinavam,
05:08e aí lá a gente encontrou meio que um projeto social, assim, onde tinha umas aulas de taekwondo,
05:15só que eu não sabia o que era taekwondo, né, não sabia o que era aquilo,
05:18e aí eu cheguei pro mestre latim e falei, ah, aqui que é karatê?
05:22Aí ele falou, não, é taekwondo, mas você pode fazer uma aula experimental e ver se você gosta.
05:27Aí eu fiz, e aí eu gostei, aí eu comecei a fazer duas vezes por semana,
05:30depois três vezes, depois todos os dias, e aí virou história, né?
05:35Que história incrível, Clara.
05:38Que idade você tinha?
05:41Eu tinha 11 anos.
05:4211 anos.
05:43Você lembra que série que era essa?
05:46Você gostava do nome?
05:47Eu não lembro o nome, era bem, era aquelas séries que passavam, que acabaram muito rápido, sabe?
05:54Que não dava audiência.
05:57Mas eu vou ver se eu pesquiso, e depois qualquer coisa eu mando pra você.
06:01Não dava audiência, mas inspirou uma campeã do mundo.
06:04Deixa eu te perguntar, Clara, em relação ao próprio taekwondo,
06:08você começou aos 11 dessa forma um pouco mais lúdica, querendo chutar alguém,
06:13quanto que você percebeu que você era boa naquilo mesmo?
06:16Enquanto que você percebeu que, pô, acho que eu tenho um futuro aqui.
06:23Então, eu sempre escutei das pessoas que eu era muito boa.
06:26Desde que eu entrei, o mestre, que foi meu primeiro professor da época,
06:31falava que eu tinha potencial e tudo,
06:33só que ele não era um técnico, um treinador ali de alto rendimento,
06:37ele era um mestre, faixa preta, professor, que dava aula ali pra criança e tudo.
06:42E aí, no meu primeiro exame de faixa, pra faixa amarela,
06:44o mestre desse professor veio fazer o exame, né, aplicar o exame.
06:49E aí, ele me conheceu e ele me viu chutando.
06:51E eu era muito flexível, chutava muito alto, principalmente por causa do balé,
06:54que eu fazia desde pequena.
06:56Então, eu tinha ele uma certa facilidade, mesmo com pouco tempo de treino.
07:00E aí, ele viu que eu tinha um potencial e falou,
07:02essa menina tem futuro, posso levar ela pra lá?
07:05Aí, o professor falou que podia, perguntou se eu queria,
07:09só que aí, essa academia desse mestre, eu morava em São Vicente,
07:11e a academia dele era em Santos,
07:13que são cidades ali da Baixada Santista, que são vizinhas,
07:16mas era uma certa distância ali.
07:18Então, normalmente, eu pegava duas horas de ônibus pra ir,
07:20duas horas pra voltar todos os dias depois da escola.
07:23Então, eu estudava, ia pra Santos, passava o dia inteiro lá,
07:26treinava e voltava à noite, todos os dias, durante anos, isso.
07:29E eu falei, não, eu quero, eu quero, vamos.
07:32Aí, eu fui, e aí o pessoal falava que eu tinha potencial,
07:35mas eu ainda não tinha dimensão do que era aquele potencial,
07:39do que realmente eu era capaz.
07:42E aí, em 2017, com 14 anos, eu entrei na Seleção Brasileira Cadete,
07:47foi a primeira vez que eu ingressei na Seleção,
07:49mas eu ainda não tinha dimensão.
07:50Eu entrei na Seleção Brasileira, pra mim, tá bom.
07:53Era um campeonato como mais outro.
07:55E aí, essa competição, quando eu entrei na Seleção,
07:59me deu vaga pro Campeonato Mundial Cadete,
08:02que foi enchar meu shake no Egito.
08:04E aí, eu fui pra lá sem ter a mínima ideia do que tava acontecendo.
08:07Eu não tinha noção de que era um campeonato mundial,
08:09do que era um campeonato mundial.
08:11Eu ouvi o nome, eu falei, é um campeonato mundial, tá bom.
08:14Essa é a minha primeira competição internacional.
08:17E eu não tinha dimensão, acho que porque eu era muito nova,
08:19não sei, não sei o que passou na minha cabeça,
08:21sei que eu fui pra minha mãe, mãe, eu quero muito ir.
08:22E precisava ser tudo pago, né, do nosso bolso,
08:26porque a Seleção não ia arcar com os custos na época.
08:29Então, minha mãe falou, Clara, é muito dinheiro,
08:31é o Egito, a gente nunca saiu do Brasil,
08:34a gente nunca saiu nem de São Paulo.
08:37Aí eu falei, não, mãe, mas eu quero ir lá, você quer?
08:39Então, tá bom.
08:39Aí a gente fez vaquinha, fez rifa,
08:41minha mãe passava a madrugada pintando pano de prato pra vender.
08:44E aí, foi o maior rolê,
08:46e eu não tinha nem dimensão do que tava acontecendo ali,
08:48eu só, ah, eu vou pro Egito, que legal.
08:50Aí a gente foi pra competição,
08:51minha mãe conseguiu dinheiro tanto pra eu ir quanto pra ela,
08:55porque ela não ia deixar eu ir sozinha, eu tinha 14 anos,
08:57e a gente não ia fazer a viagem junto com a Seleção,
08:59com nenhum responsável ali, a viagem era cada um por si.
09:02Então, minha mãe falou, não, eu vou com você,
09:05eu não vou te deixar sozinha.
09:07E aí a gente conseguiu o dinheiro da passagem,
09:09fui eu e ela,
09:10e eu tava super feliz,
09:11andando de camelo,
09:13conhecendo o Egito,
09:15vi o mar vermelho, falei, nossa, que legal.
09:17E aí cheguei na competição,
09:18e fui medalha de bronze.
09:19E eu não tinha a menor noção do que era uma medalha de bronze
09:22no Campeonato Mundial,
09:23cadete, que era a catedrinha de base ali,
09:26mais baixa da,
09:29mais nova, né,
09:30do geral.
09:31E aí, quando eu ganhei,
09:32o pessoal falou,
09:32claro, você foi a primeira brasileira a conquistar essa medalha.
09:36Ninguém nunca conseguiu.
09:38Eu, ué, como assim?
09:39Não, ninguém nunca conseguiu.
09:40Você é a terceira melhor do mundo,
09:42e a brasileira mais nova conseguiu isso,
09:44com 14 anos.
09:44Aí, eu falei, ah,
09:46ah, então, é, dá pra conseguir isso tudo?
09:50Eu tenho capacidade disso?
09:53E foi aí que começaram a surgir
09:55a oportunidade de ganhar ali uma bolsa atleta,
09:58de ter algum salário,
09:59e aí foi que eu e a minha família,
10:01a gente viu que realmente dava pra viver disso,
10:03que era trabalho.
10:04E foi aí que eu me dei conta,
10:05e tive dimensão do que era
10:07o esporte de atendimento,
10:09decidi que eu queria aquilo ali pra minha vida.
10:13Incrível.
10:14E, assim, ainda nessa,
10:15você falou sobre São Vicente,
10:19e aí eu vi a postagem até da, acho,
10:24falando da Vicentina,
10:26e também vi postagem, agora,
10:27depois do Campeonato Mundial,
10:30a própria universidade que você estuda postando,
10:33falando da estudante,
10:34e eu queria perguntar pra você,
10:35você é universitária,
10:37conta essa história pra gente,
10:38como que é conciliar os treinos com a faculdade,
10:40e por que você escolheu Ciências Contábeis?
10:42Então, eu comecei com...
10:45Eu não sabia a série que eu queria,
10:46nunca decidi, assim,
10:48ah, essa aqui é a minha paixão,
10:49eu quero fazer isso,
10:50porque a minha paixão realmente foi o esporte,
10:52e eu sabia que eu precisava ter uma formação,
10:54que eu precisava aproveitar esse tempo
10:56que eu tenho como atleta
10:58pra me profissionalizar,
10:59pra, né,
11:00seguir ali com pós-carreira,
11:01depois do Taekwondo.
11:02Então, assim que eu terminei o ensino médio,
11:04eu comecei numa faculdade de arquitetura e urbanismo,
11:07em Santos,
11:08onde eu treinava,
11:09e eu gostava muito,
11:10eu...
11:11É algo que eu realmente gostei,
11:12e...
11:13Consegui ir levando ali por um tempo,
11:17mas foi na época da pandemia,
11:19então,
11:20era meio difícil de conciliar os treinos
11:22e ir pra faculdade,
11:24porque era presencial,
11:25mesmo,
11:27né,
11:27porque a pandemia toda estava acontecendo,
11:28era difícil a locomoção,
11:29por eu morar em São Vicente,
11:30e ir estudar e treinar em Santos,
11:33e acabou ficando muito puxada a rotina,
11:35não consegui me adaptar,
11:36e calhou de,
11:37no final do ano,
11:38eu ter essa mudança de cidade
11:39de Santos pra São Caetano.
11:41Então,
11:42eu tranquei a faculdade,
11:43e fiquei um bom período sem estudar,
11:44me dedicando só ao Taekwondo.
11:46E aí, agora,
11:47nesse ano,
11:47eu decidi que eu voltaria a estudar,
11:49e aí eu revisei ali os cursos,
11:50vi o que eu gostaria mais,
11:52e eu sempre me dei bem ali com números,
11:54eu gostava bastante de matemática na escola,
11:56e meu pai começou agora com...
11:59com uma empresa dele,
12:02que antes ele trabalhava como gerente
12:03de um estabelecimento,
12:05e ele teve a oportunidade de comprar,
12:07de adquirir ele,
12:08esse estabelecimento,
12:09e virar o dono,
12:10e aí virou meio que uma empresa familiar,
12:12muito pequena ali,
12:13que está muito no começo,
12:14mas que realmente só trabalha ele,
12:15meus irmãos,
12:16minha madrasta,
12:17então é algo bem familiar,
12:18bem pequeno ali,
12:19que hoje eu não posso participar,
12:21infelizmente,
12:21porque eu vivo viajando,
12:23e moro bem longe deles,
12:25mas que eu quero poder participar no futuro,
12:27então minha contribuição aí vai ser com o contador,
12:30eu acredito,
12:30eu espero,
12:31e aí foi por isso que eu acabei escolhendo o curso.
12:37Boa.
12:37A gente conheceu um pouco da sua trajetória,
12:40conhecemos um pouco do seu pós-competição,
12:43pós-competição,
12:44não é,
12:45fora de competições e de treinos,
12:46enfim,
12:47queria voltar,
12:49desculpa,
12:50queria voltar um pouco para a rotina de treinos,
12:53de competições e para um momento muito marcante na sua trajetória,
12:59que foi a Olimpíada de Paris em 24,
13:02você chegou com alguma expectativa de medalha,
13:06pelos anos anteriores,
13:08a 2024 que você fez,
13:11conquistou medalha em campeonato mundial,
13:14enfim,
13:14e as coisas não saíram exatamente como você esperava,
13:19só que logo depois de Paris,
13:23você deu um salto enorme
13:25em termos de desempenho,
13:27em termos estratégicos até,
13:29até vi algumas entrevistas suas falando que
13:31depois de Paris,
13:33a percepção que você teve é que
13:35estrategicamente
13:36você consegue lidar melhor
13:39com determinados tipos de adversários,
13:40são adversários às vezes muito mais altos que você,
13:44mas eu queria saber,
13:46te escutar,
13:47o que que mudou afinal de contas,
13:50o que que você mexeu na comissão técnica
13:52e por que que essas mudanças foram tão importantes
13:54e tão impactantes assim?
14:00Então, foi exatamente isso que você falou que aconteceu,
14:04eu tinha ali uma expectativa de medalha para a Olimpíada,
14:06que não era ali uma chance tão alta,
14:08tão real, assim,
14:09de, ah, ela vai ser medalha,
14:10mas eu queria muito,
14:12então eu acreditava muito,
14:13mas hoje eu vejo que eu estava distante ali da medalha,
14:17eu não estava perto de estar preparada
14:19em todos os sentidos,
14:21tanto de experiência,
14:22quanto mentalmente,
14:24fisicamente,
14:24estrategicamente,
14:26eu acredito que eu dei o meu melhor com o que eu tinha na época,
14:28porém eu não tinha o nível,
14:30não estava preparada o suficiente
14:31para conquistar aquilo que eu queria,
14:33então acredito que realmente
14:35não foi o momento certo,
14:38mas graças a Deus eu sou muito nova,
14:40então eu vou ter outras oportunidades,
14:42vou ter outras chances,
14:44e foi exatamente isso que eu pensei
14:45depois que passaram os Jogos Olímpicos,
14:47de que eu não podia desperdiçar as próximas,
14:49já que eu não estava me sentindo preparada,
14:50já que eu vi que o meu nível ali
14:51não estava subindo,
14:54eu não estava melhorando,
14:55eu sentia que eu não estava evoluindo já há algum tempo,
14:57eu precisava mudar algumas coisas,
14:59então eu mudei tudo e nada,
15:02entre aspas,
15:03porque meu plano era realmente sair de São Caetano,
15:06que era onde eu estava treinando na época,
15:07onde eu treino hoje,
15:09e voltar para Santos,
15:11e treinar só eu com o meu atual treinador,
15:13que é o José Carlos,
15:15só que eu ainda não sabia como ia ser isso,
15:17porque eu não queria voltar para a minha equipe de Santos,
15:20eu não queria ir para outra cidade,
15:22que não fosse a cidade ali onde minha família estava,
15:25para realmente voltar para perto de casa,
15:27então eu não sabia o que eu ia fazer ao certo,
15:29eu sabia que eu precisava mudar,
15:30eu só não sabia o quê,
15:31e aí foi que eu tomei a decisão,
15:34e isso já aconteceu duas vezes na minha vida,
15:36que foi para ir para São Caetano e para sair de São Caetano,
15:40que foram decisões que eu tomei sem planejamento algum,
15:44eu só falei,
15:45isso aqui não está bom,
15:46eu preciso melhorar,
15:46eu vou fazer isso,
15:47eu vou para São Caetano,
15:49e como vai ser lá,
15:49eu não sei,
15:50e aí as coisas aconteceram,
15:52e a mesma coisa para sair,
15:53não está legal,
15:54não estou feliz,
15:55vou sair,
15:55vou voltar para Santos,
15:56o que vai acontecer,
15:57eu não sei,
15:57mas vamos desenrolar,
16:00e aí a minha decisão foi de voltar para Santos,
16:03eu cheguei a ficar uma semana lá treinando sozinha com o meu treinador,
16:06e aí a gente recebeu uma proposta de voltar para São Caetano,
16:09sendo ele o treinador oficial da equipe de São Caetano,
16:12com os meus antigos parceiros de treino,
16:13que houve uma cisão ali na equipe,
16:15os antigos treinadores saíram com alguns atletas,
16:18e tinha ficado coordenador junto com a minha atual equipe,
16:21e convidou a gente para voltar,
16:22com o meu atual treinador sendo o coach principal ali,
16:26e aí a gente pensou,
16:27pensou,
16:28pensou,
16:28não sabia,
16:30a gente não queria realmente sair de Santos de novo,
16:32mas a gente falou,
16:33tá bom,
16:33vamos voltar,
16:34vamos voltar pelo pessoal,
16:35vamos voltar pela equipe,
16:36vai ser bom para a minha carreira,
16:38vai ser bom por a gente estar perto de pessoas que a gente gosta,
16:41e a gente voltou,
16:42e a gente formou essa equipe,
16:43e aí foi que começaram realmente as mudanças,
16:47primeiramente foi o treinador,
16:49depois a gente também contratou outro preparador físico,
16:52a gente começou a trabalhar com um preparador físico,
16:53que é o Thiago Pereira,
16:55que eu acredito que foi uma das coisas que melhor fizeram ali a diferença na minha carreira,
17:01o treinador e o preparador físico,
17:02porque eu acredito que eu estou em outro nível,
17:05tanto físico agora,
17:07de ter muito mais força,
17:09muito mais resistência na luta,
17:10eu acredito que o meu desempenho realmente melhorou muito,
17:12com uma preparação física adequada,
17:15e o meu treinador aqui realmente entrou nessa parte tática,
17:18e ele conseguiu pegar o que eu tinha de melhor,
17:20e que eu não estava usando,
17:21o que eu não estava aproveitando,
17:22e colocar ali,
17:23ele conseguiu criar a estratégia certa para lutar com as meninas que são mais altas,
17:27conseguiu me colocar em um nível que eu não coloco mais o meu pior contra o melhor de outra pessoa,
17:32que era o que realmente estava acontecendo,
17:33eu queria lutar,
17:34igual as meninas lutavam comigo,
17:36sendo que elas tinham 1,80m e eu 1,68m,
17:39então ele conseguiu ali realmente aproveitar o que eu tinha de melhor,
17:43e acredito que ele foi a melhor decisão que eu tomei na minha carreira,
17:46e hoje eu consigo sentir que a cada competição que passa,
17:49eu estou melhorando,
17:50eu não estou,
17:51ah, eu cheguei no meu auge,
17:52por isso eu estou ganhando tudo,
17:53não, eu estou ganhando tudo porque eu vou em uma competição,
17:56eu luto com as melhores,
17:57eu estou ali com um profissional que confia em mim,
17:59e que realmente consegue extrair o meu melhor,
18:02ver o que eu errei na luta,
18:03e consegue corrigir isso,
18:06melhorar e me aperfeiçoar para a próxima competição,
18:09então cada competição que eu vou,
18:10eu sinto que eu estou performando melhor,
18:12tanto taticamente,
18:13quanto fisicamente,
18:14e tecnicamente.
18:17Você falou aí durante a sua resposta do José Carlos,
18:20que está te acompanhando há bastante tempo,
18:22e até acompanhando suas redes sociais,
18:24as redes sociais dele,
18:26acho que foi ontem,
18:27anteontem,
18:28não lembro que eu vi nos seus stories,
18:30que alguém te perguntou na caixinha de perguntas do Instagram,
18:34quem que é a sua inspiração,
18:36acho que foi algo assim,
18:38aí você falou dele,
18:39que está te acompanhando tanto profissionalmente,
18:41quanto na vida pessoal também,
18:43vocês estão juntos,
18:43eu queria que você me falasse um pouquinho
18:45dessa sua relação com ele,
18:47e como que ele tem te ajudado também nesse processo de evolução,
18:52principalmente de um ano para cá,
18:54embora ele já esteja com você já há mais tempo.
19:00Então, como eu falei lá na minha resposta,
19:02ele realmente é uma inspiração para mim,
19:03porque eu conheci ele há bastante tempo atrás,
19:06a gente começou ali a se conhecer em 2021,
19:12em 2021,
19:13em 2021,
19:14não,
19:15em 2019,
19:17em 2019,
19:18vão fazer sete anos já,
19:20e eu conheci ele como atleta,
19:22e a gente treinava na mesma equipe em Santos,
19:24e foi exatamente o que eu postei ali nas minhas redes sociais,
19:27eu sempre admirei muito ele,
19:29por essa persistência que ele tinha ali,
19:31eu nunca vi ele desistir para nada,
19:32ele baixava peso para 68,
19:34pesando 80 e tantos quilos,
19:36e desidratava 6 quilos no dia,
19:38e ele não desistia,
19:40às vezes eu queria desistir de perder peso,
19:42de desidratar,
19:43ou em um treino,
19:44em uma competição,
19:45e ele era totalmente o oposto,
19:46então eu sempre admirei muito isso nele,
19:49antes de qualquer coisa,
19:51e durante todos esses anos,
19:52desde 2019 para cá,
19:54ele sempre foi uma peça fundamental na minha carreira,
19:56e na minha vida pessoal,
19:58ele é meu parceiro,
19:58e ele me ajudou sempre em tudo,
20:02a perder peso,
20:03a fazer a dieta,
20:04a treinar,
20:06nas competições,
20:09com dicas ali,
20:10só que ele não trabalhava oficialmente comigo,
20:12ele não era técnico,
20:14ele não era nada,
20:14ele só realmente me apoiava ali,
20:16mas eu sentia que ele tinha esse potencial
20:18de trabalhar profissionalmente comigo,
20:20e eu sabia que ele era uma pessoa que eu confiava,
20:22e que realmente iria dar a vida ali
20:24para a gente conseguir essas medalhas,
20:27conseguir ali o que eu sonhava,
20:29que era essa medalha de ouro do campeonato mundial,
20:31então ele me ajudou por muito tempo,
20:34em 2022 a gente fez um circuito europeu,
20:38de cinco competições lá,
20:40e aí fomos só eu e ele,
20:41foram mais uns dois ou três atletas
20:43nas duas primeiras competições,
20:44mas depois a gente ficou sozinho lá,
20:46e aí treinava só eu e ele,
20:47ele que passava os treinos,
20:49ele que me ajudava,
20:50ele que me ajudava ali nas lutas
20:51como técnico de fora, né,
20:53da arquibancada,
20:54e aí eu vi, pô,
20:55ele está me ajudando muito,
20:56ele está realmente fazendo a diferença
20:59para eu ganhar uma luta,
21:00realmente a dica que ele está dando
21:01está funcionando,
21:03e foi quando eu comecei a ver potencial nele,
21:05profissionalmente,
21:07e aí em 2021,
21:09depois a pós-olimpíada,
21:12foi que eu confiei minha carreira nele,
21:15ele era a pessoa que eu mais confio profissionalmente,
21:18hoje em dia,
21:19e é um profissional que,
21:21mesmo tendo pouco tempo, né,
21:23como treinador,
21:25conseguiu se adaptar muito bem,
21:26e, né,
21:27trouxe todos esses resultados para a gente,
21:29ele realmente fez a diferença para a minha carreira,
21:30ter esse salto tão grande,
21:32de um ano para cá,
21:32e até ano passado ele era atleta,
21:36e aí no final do ano,
21:37quando eu pedi para ele trabalhar comigo,
21:39nesse sentido,
21:40e teve o convite para trabalhar com a equipe de São Caetano,
21:43ele começou a carreira como técnico,
21:45e eu acredito que deu bastante certo, né?
21:52E como deu certo, né?
21:54E como deu certo.
21:55É muito interessante ver isso,
21:57e até na sua fala sobre essa mudança pós-Paris,
22:03você falou sobre ainda não viver o seu auge,
22:06era uma das perguntas,
22:08porque, assim,
22:08a gente vai estudar,
22:09a gente vai fazer um roteiro para entrevistar você,
22:12e não tem como falar dessa temporada, né?
22:14A temporada foi perfeita.
22:16Onde você lutou, você ganhou.
22:18Então, é impressionante,
22:21e você já falou que ainda não está no seu auge.
22:25Mas eu queria perguntar uma coisa muito simples para você,
22:28pouco mais de uma semana depois,
22:30a ficha já caiu que você é campeã do mundo?
22:35Então, eu acho que essa ficha não vai cair,
22:39de verdade, não caiu.
22:42Eu acho que eu esperava que eu fosse sentir mais,
22:47que eu fosse,
22:47que minha vida fosse mudar,
22:48que fosse acontecer,
22:50e realmente não mudou,
22:51não aconteceu nada.
22:52Foi uma competição que eu fiquei muito,
22:54muito, muito feliz quando eu venci.
22:56Foi uma alegria, assim, surreal,
22:57você vê nos vídeos que eu estou com um sorriso de orelha,
22:59orelha, assim,
23:01olhando para todo mundo,
23:02sorrindo e dando tchau para todo mundo.
23:04Então, eu fiquei muito feliz,
23:05eu consegui viver a magia desse momento.
23:06Mas eu acho que esse título mundial não foi conquistado há uma semana atrás.
23:12Ele foi conquistado durante todo esse ano,
23:14durante todo esse período de mudança e tudo.
23:17E eu digo isso não para dizer algo bonito sobre a preparação nem nada,
23:20mas em questão de sentimento mesmo.
23:23Eu fui me sentindo campeã mundial,
23:25eu fui me sentindo a melhor do mundo ao longo do ano,
23:28conforme eu ganhei o primeiro GP,
23:30aí eu ganhei da menina que eu tinha perdido na Olimpíada.
23:32Então, eu já me senti melhor,
23:35eu senti que eu evoluí.
23:36Depois eu fui e ganhei da campeã olímpica,
23:38isso já me deu ali mais confiança,
23:40me deixou mais feliz,
23:41mais satisfeita com o meu desempenho.
23:43Depois, eu ganhei da campeã olímpica,
23:45então, eu tenho potencial para ser a próxima campeã olímpica.
23:48Depois desse GP da Coreia,
23:50que eu ganhei da campeã olímpica,
23:51eu assumi a liderança do ranking mundial e olímpico.
23:54Aí, ali também, eu me senti a melhor do mundo,
23:57eu estou no topo do ranking,
23:58eu estou a melhor entre os melhores.
24:00Então, eu fui sentindo isso aí ao longo das competições
24:04e das conquistas que a gente teve ao longo do ano.
24:07Então, quando chegou no campeonato mundial,
24:09eu não tive essa sensação de,
24:10pô, eu não era nada, né?
24:12Eu não tinha nada e agora eu sou a campeã mundial.
24:15Eu senti isso já ao longo de todas as conquistas
24:18e os títulos que a gente foi tendo ao longo do ano.
24:21Então, eu acredito que essa ficha não vai cair,
24:23mas me deixa muito feliz de saber que eu estou no caminho certo.
24:27e dei mais um checkzinho lá na lista dos notas
24:31com todas as competições que eu quero ganhar.
24:35Clara, essa foi uma trajetória muito importante sua ao longo do ano,
24:41principalmente com o mundial,
24:42mas o mundial foi impactante para o taekwondo brasileiro como um todo.
24:47Afinal de contas, foram quatro medalhas, né?
24:49Teve o seu ouro, o ouro do Henrique, as pratas da Milena e do Netinho.
24:54Como que foram esses dias para vocês?
24:59Internamente mesmo, como grupo, a gente vê que vocês trocam muito,
25:03vi várias fotos suas com a Milena, principalmente.
25:07Então, eu queria saber de você, os bastidores desse período aí,
25:11imagino que muito feliz.
25:12e mais do que isso, mais do que esses bastidores,
25:16o que que essa campanha histórica do Brasil,
25:18que foi a melhor campanha desde sempre do país em mundiais,
25:23significa para o taekwondo brasileiro?
25:30Então, essa semana foi bem feliz para a gente aqui.
25:34Foi uma ação bem leve, bem prazerosa de participar.
25:39Eu já tenho o costume, em todas as ações que a gente fez ao longo desse ano,
25:44e dos últimos anos também,
25:46de já trabalhar com essas pessoas,
25:48de já estar aqui junto com a Milena, junto com o Netinho, com o Henrique,
25:52e com todos os outros atletas da seleção.
25:54Praticamente todos os atletas que integraram essa seleção,
25:57eu já estive com eles em seleções e em outras edições.
26:02Tanto o pessoal mais velho, que já integrou a seleção brasileira comigo,
26:04quanto o pessoal mais novo, que já integrou a seleção universitária,
26:07projetos sub-21.
26:11Então, eu já conhecia muito bem esse pessoal.
26:13Então, foi um período gostoso ali, divertido,
26:17da gente estar junto,
26:17e que a gente conseguiu realmente torcer ali por todo mundo.
26:21A gente conseguiu vibrar e ficar feliz pelas conquistas de cada um.
26:24Eu lutei no primeiro dia, então eu cheguei, eu abri,
26:27eu ganhei a medalha, todo mundo já ficou muito feliz,
26:30e os próximos dias foram uma história ali.
26:31Cada dia a gente ia avançando mais e mais,
26:34a gente teve muitos atletas que avançaram até a disputa de medalha também,
26:39além dos medalhistas.
26:41Então, foi uma campanha, assim, absurda.
26:44Eu lembro de ficar na arquibancada e ver o Henrique ganhar a medalha de ouro,
26:48e ficar assim, cara, absurdo, absurdo.
26:51Eu ficava na arquibancada falando, isso é absurdo.
26:52A gente vai estar no top 3,
26:55a gente vai estar entre os melhores do mundo,
26:57o Brasil, a potência.
26:58Isso nunca tinha acontecido, se eu não me engano,
27:00acho que a melhor campanha que o Brasil teve
27:02foi ter ficado ali em quinto lugar,
27:04no ranking geral,
27:05e dessa vez a gente subiu ao pódio três vezes,
27:08com os títulos coletivos, né,
27:14por equipes.
27:16Então, a gente subiu em segundo lugar com o feminino,
27:19em terceiro com o masculino,
27:20e em terceiro lugar no geral.
27:21Então, o Brasil está no topo do mundo,
27:23a gente está ali entre os três melhores do mundo,
27:26o país, a potência.
27:27Isso nunca aconteceu.
27:29E isso me deixa muito feliz,
27:31não só pelos atletas em si,
27:32que são muito amigos meus e que eu torço muito de coração,
27:35mas pelo Brasil realmente estar sendo reconhecido dentro do esporte,
27:39dentro do taekwondo.
27:40O taekwondo brasileiro está sendo visto,
27:42não só pela comunidade brasileira,
27:45mas também pelo resto do mundo.
27:47Como a gente teve várias reuniões aqui,
27:48que foi muito falado sobre isso,
27:50sobre a gente estar treinando,
27:52e técnicos de outras equipes,
27:54de outros países,
27:55virem falar com a gente,
27:57virem filmar o nosso treino,
27:58perguntar para os nossos treinadores
28:00o que vocês fazem,
28:01qual é a diferença,
28:03como você passa esse treino,
28:04o que fulano faz para ser tão bom,
28:06o que ciclano faz para ser tão forte,
28:08convites para campings internacionais,
28:12pedir para vir treinar com a gente no Brasil.
28:14A gente está sendo reconhecido e as pessoas estão curiosas para saber o que a gente faz,
28:18qual é o nosso trabalho,
28:19porque a gente está realmente tendo uma crescente ali,
28:23uma evolução dentro do cenário internacional muito, muito grande e muito rápida.
28:28Então, eu fico muito, muito feliz por isso,
28:29porque eu sei que isso significa mais reconhecimento para o esporte,
28:32mais reconhecimento ali para o taekwondo,
28:34no nosso dia a dia ali,
28:37no cenário brasileiro.
28:40Eu espero que um dia as pessoas possam,
28:42o pessoal mais novo,
28:43possam olhar para a gente e falar,
28:44eu quero fazer isso,
28:45eu quero ser atleta de taekwondo um dia,
28:47como fazem com o futebol e com outros esportes.
28:52É muito interessante você falar isso, Clara,
28:55porque já estão sendo vistos como referência,
28:59só que é um olhar, assim,
29:04é um reconhecimento total,
29:06vocês estiveram agora no Mundial com os prêmios também
29:08e dos próprios companheiros ali de Mundial.
29:11Mas o que falta, na sua opinião,
29:12o que falta para o torcedor brasileiro acompanhar mais o taekwondo no Brasil
29:16e até para ele, até para o torcedor reconhecer também
29:19todo esse esforço de vocês e todas essas glórias que vocês estão conquistando?
29:23E algumas mudanças já estão sendo feitas,
29:31o taekwondo já está sendo incluso em muitas plataformas,
29:35em muitas mídias.
29:37Dessa vez a gente teve transmissão pela Esporte TV,
29:42isso nunca aconteceu,
29:43a primeira vez que transmitem um Campeonato Mundial de Taekwondo assim na TV,
29:47então já foi um passo muito grande.
29:49e eu acredito que realmente em questão dos meios de comunicação,
29:54das mídias,
29:56e isso já está crescendo muito.
29:59Minhas redes sociais estouraram no sentido de eu estar em várias páginas diferentes
30:05que eu nunca esperei que eu fosse estar.
30:08Globo, no Jornal Nacional, a gente apareceu
30:11e acredito que isso já é bastante
30:15para que taekwondo possa ser mais visto,
30:17porque os resultados estão aí, né?
30:19A gente já está trazendo os resultados e também busca dessa visibilidade
30:22para que realmente o pessoal possa se identificar,
30:25para que os pais possam falar
30:25nossa, que legal, vou pôr meus filhos lá.
30:28E isso já está acontecendo,
30:29eu estou recebendo muitas mensagens de muitas pessoas
30:31que estão se inspirando e realmente estão querendo seguir esses passos
30:34de entrar no taekwondo,
30:36que é uma arte marcial linda
30:37e que é um esporte que realmente muda vidas, né?
30:40Eu queria projetar algo que não tem como não falar sobre,
30:44que são os Jogos Olímpicos de Los Angeles.
30:46Você mesmo, você mesmo, durante a resposta, já comentou.
30:51Então, queria te perguntar, como que está esse planejamento?
30:54É muito difícil um atleta, independentemente de qual modalidade for,
31:02se manter no auge durante um ciclo inteiro,
31:05porque são quatro anos, enfim.
31:07Então, queria te perguntar, como que está esse planejamento seu
31:11para chegar em um alto nível lá em Los Angeles?
31:16Se, eventualmente, você imagina manter esses próximos anos todos no ápice,
31:22ou você pensa em, eventualmente, em algum ano,
31:25dar uma segurada, se preservar um pouco
31:27para conseguir alcançar esse pico novamente lá em 28?
31:32Conta para a gente o seu planejamento e a sua expectativa também.
31:36Trabalho ali em ciclos de um ano, temporada de um ano.
31:39Então, o nosso ano começa em fevereiro com a seletiva para a seleção brasileira.
31:43Depois disso, a gente tem o evento principal do ano,
31:47que, no caso desse ano, foi o Campeonato Mundial.
31:49No ano que vem, vai ser o Campeonato Pan-Americano.
31:52E algumas etapas de Grand Prix, né?
31:53A gente teve esse ano, o Grand Prix Challenge.
31:54No ano que vem, os Grand Prix mesmo, oficiais.
31:57Grand Prix 1, 2, 3 e o final.
32:00E aí, a gente faz essa temporada inteira.
32:02E aí, no final do ano ali, em dezembro,
32:04a gente realmente pega algumas férias ali,
32:06alguns mesezinhos entre dezembro e janeiro.
32:08E volta ali no meio de janeiro, para o final, para o começo de fevereiro.
32:12E isso, eu acredito que já é um bom descanso,
32:16que eu consigo voltar mais recarregada, com mais energia.
32:20E é isso que eu venho fazendo nos últimos anos.
32:22Claro que dando ênfase às competições principais ali
32:25e me resguardando um pouco
32:27e evitando algumas outras competições que não sejam tão necessárias.
32:30Até porque o ranking vai zerar agora de novo.
32:33Então, eu vou ter que refazer tudo isso.
32:35O ranking zero é no final de maio do ano que vem.
32:38Então, a partir de junho, começa o ranking de classificação olímpica.
32:41Então, eu não posso ficar para trás.
32:42Eu não posso me dar esse luxo de pegar ali um ano
32:45para maneirar um pouco mais nas competições.
32:48Porque eu realmente preciso alcançar esse topo de novo.
32:52Porque o meu objetivo realmente é voltar ali
32:54para o top 3 do ranking mundial e olímpico
32:56no próximo ranking, na próxima temporada.
33:00para poder ganhar a classificação para os Jogos Olímpicos
33:03direto pelo ranking.
33:05E, assim, esses próximos meses...
33:07Você ainda está na China.
33:08Nos próximos meses, o que a Clara tem ainda
33:11para o torcedor brasileiro?
33:16Então, agora, na semana que vem já,
33:20no dia 6, eu já luto aqui na China de novo.
33:23A gente vai lutar a Copa do Mundo por equipes.
33:25O time sou eu, a Milena e a Nívia, no feminino.
33:29E o netinho, o Henrique e o Paulo Ricardo, no masculino.
33:33Então, é um grupo misto.
33:35Nós seis vamos lutar ali contra a China, Coreia, aqui em Uchi.
33:42E é um título que a gente quer ganhar de novo.
33:45A gente já é bicampeão mundial.
33:48No por equipes a gente ganhou em 2023.
33:51E no final do ano passado.
33:53Então, a gente quer, né, conseguir assistir lá de novo.
33:56É difícil.
33:57A gente vai ter lutas bem difíceis com grandes potências do taekwondo.
34:01Mas a gente está empolgado.
34:02É uma competição muito divertida.
34:03É muito gostosa ali de acompanhar.
34:06É muito mais dinâmica do que a luta individual em si.
34:09Então, normalmente, o pessoal tende a gostar um pouco mais de assistir.
34:14E aí, quando eu voltar para o Brasil,
34:15eu vou ficar só uma semana treinando bem forte ali na reta final
34:19para poder viajar no dia 16 para a Tailândia, que aí eu luto no dia 24,
34:24a última, a terceira e última etapa de Grand Prix que tem esse ano.
34:28Aí eu encerro o meu ano, pego ali um recesso para voltar no ano que vem.
34:35Pegar as férias merecidas, né, Clara?
34:36É isso, é isso.
34:41Essa foi a Clara Pacheco.
34:44Queria agradecer aqui também no podcast.
34:45Muito obrigado, Clara, mais uma vez por ter atendido a gente.
34:48Com certeza, vamos voltar a conversar com seus próximos resultados.
34:52Afinal de contas, Los Angeles é logo ali.
34:54Bem, queria aproveitar o final do podcast para pedir para você se inscrever,
34:58deixar o joinha, compartilhar com seus amigos.
35:01A gente sabe que o esporte olímpico não é só no ano da Olimpíada,
35:05então é muito importante para fortalecer não só a atleta, mas a gente aqui também.
35:09É isso, agradeço e mês que vem tem mais.
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