Gabi é a primeira convidada do Olimpicast, novo videocast de entrevistas do No Ataque. O programa vai ao ar nesta quarta-feira (20/8) em NoAtaque.com.br, e você também pode acompanhá-lo nas plataformas de áudio e vídeo.
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00:00Bom dia, boa tarde, boa noite a você que nos acompanha aqui no OlimpCast, o novo videocast
00:06de entrevistas do No Ataque. Nessa nossa primeira edição, entrevistamos ninguém mais, ninguém
00:11menos que a ponteira Gabi Guimarães, a filha do Deus do vôlei. Gabi Guimarães esteve com
00:16a gente para uma entrevista de mais ou menos 30, 35 minutos e ao meu lado estiveram os
00:21repórteres Rafael Cirne e Pedro Bueno. Rafa, queria que você comentasse para mim o que
00:26que você achou de ponto alto dessa nossa conversa com a Gabi, seja muito bem-vindo.
00:30Oi João, primeiramente uma honra estar aqui do seu lado e do lado do Bueno estreando o
00:33OlimpCast e uma honra também entrevistar a Gabi, que dispensa apresentações. Acho que
00:38o ponto alto foi como ela falou sobre, como ela se blinda do ambiente tóxico das redes
00:41sociais e também sobre como ela lida com a pressão por grandes títulos na seleção.
00:46E Rafa, primeiramente uma boa tarde, um bom dia, boa noite para todos vocês que estão
00:50aí nos assistindo, nos ouvindo. Foi um prazer falar com a Gabi e entrevistar porque
00:55o Mundial está batendo na porta. Sexta-feira o Brasil estreia no Mundial e ela quer essa
01:01medalha de ouro. Ela está com essa obsessão, a medalha de ouro, no Mundial, na Olimpíada.
01:06Então foi muito bom ouvir ela e ouvir toda essa preparação dela para esse próximo ciclo
01:13até Los Angeles, 2028.
01:14É isso. Então, sem mais delongas, vamos para a nossa conversa com a Gabi Guimarães.
01:18Gabriela Braga Guimarães, Belo Horizontina, 31 anos, multicampeã pelos clubes em que
01:26passou. Prata em Tóquio 2020, Bronze em Paris 24, consolidada como a melhor ou uma das melhores
01:34do mundo, líder, capitã da seleção brasileira. Ufa! O que ainda falta para você conquistar
01:40na sua carreira, Gabi? Seja muito bem-vinda, é um prazer ter você aqui com a gente.
01:44Poxa, obrigada primeiramente por essa apresentação. Obrigada pelo carinho.
01:53Acho que o meu maior sonho, desde criança, na verdade, foi representar a seleção, sempre
01:58foi representar a seleção brasileira. E eu acho que o que falta aí seria uma medalha
02:02de ouro olímpica, medalha no Mundial também. Acho que são os dois grandes sonhos que eu
02:06tenho aí na minha carreira. Espero realizá-los agora nesse ciclo.
02:12Bom dia, Gabi. Primeiramente, é um prazer falar com você.
02:14Gabi, você é daquelas atletas que é fissurada pelo alto rendimento, né? Então você cuida
02:18perfeitamente da preparação física, técnica, tática, da alimentação, você sempre comenta
02:22muito disso. Aí eu queria que você falasse um pouco com a gente como é que é um dia
02:25na vida da Gabi, assim. O que é que você faz, sua rotina? Você tem day off? Como é que
02:30você consegue descansar a sua cabeça?
02:32É, eu desenvolvi esse lado, acho que durante os anos da minha carreira, na verdade, né?
02:37Eu não tinha essa consciência quando eu era mais nova, mas à medida que eu fui conquistando
02:43algumas coisas da minha carreira, subindo alguns degraus, principalmente, eu fui entendendo
02:48realmente a necessidade, né? De... dos cuidados, da disciplina, da alimentação, da recuperação,
02:55principalmente. E principalmente por eu ser uma teta baixa, né? Pensando aí pros padrões
03:01internacionais, né? Então...
03:03A partir do momento que eu estive na seleção brasileira, eu fui jogar fora do país, principalmente
03:07nos anos ali no Vaquif, eu entendi que o buraco era um pouquinho mais embaixo, então
03:10pra dar conta de conseguir performar no meu melhor em alto nível o tempo inteiro, eu realmente
03:15precisava mudar algumas coisas da minha carreira. Então...
03:19Eu já começo a diger meditando, café da manhã sempre na dieta, né? Carboidrato, sem açúcar,
03:26muita proteína, principalmente.
03:28E aí já vai pro treino, volta, suplementação. Então é basicamente isso o meu dia, né?
03:33Pensando sempre em oito horas de sono, principalmente, que é muito importante.
03:39Então eu duro mais ou menos aí nove, dez horas por noite, mas pra conseguir ter realmente
03:43oito horas de qualidade de sono de recuperação.
03:47E é interessante, porque depois que eu entendi, né? Eu tive mais essa consciência e tenho
03:52esses cuidados. A minha recuperação muscular, a minha recuperação no dia a dia, as minhas
03:56lesões diminuíram muito as minhas dores, principalmente. E acaba que eu consigo dar
04:00conta, né? Dessa batida que é clube-seleção. Eu, nos últimos anos, acabei escolhendo jogar
04:06por clubes que jogaram todas as competições, praticamente, que tem a possibilidade de disputar,
04:11né? Mundial, Champions League, Sul-Americano no Brasil. Então, realmente, eu passei pros
04:16últimos dez anos num calendário bem extenso e com poucas folgas, principalmente. Então,
04:20acho que tem sido um diferencial muito grande pra minha carreira, principalmente em termos
04:24de lesões de, nesses últimos anos, não ter tido tantos problemas físicos.
04:28Gabi, e nesse alto nível ainda, na VNL, no Rio, eu estava lá e você não estava
04:36com o merecido descanso que você esteve, mas eu falei com o Egonu sobre você. Recentemente,
04:41ela deu outra entrevista e falou também sobre você. Vocês jogaram junto. Mas como que é
04:46enfrentar ela e essa disputa pelo posto de melhor do mundo entre vocês duas?
04:51A Paula tem um lugar especial no meu coração. A gente teve a oportunidade de jogar junto
04:56no Vakif, a gente se aproximou bastante, a gente tem um contato muito grande hoje em dia.
05:01Pra mim, é uma surpresa muito grande, acho que essa comparação com ela,
05:04eu nem digo que existe uma certa divisão de posto de melhor do mundo, eu acho que
05:09não passa muito por mim essa divisão desse posto, principalmente uma jogadora como a Egonu.
05:16Mas é um diferencial muito grande, não é fácil jogar contra ela, é muito melhor jogar junto.
05:21Eu brinco bastante com ela, que prefiro me ver jogar ao lado dela do que jogar contra.
05:25A gente já teve grandes embates aí no passado, provavelmente teremos outros no futuro.
05:31Mas é uma jogadora diferenciada, uma pessoa incrível, principalmente, que quer muito aprender,
05:35que é muito fã do vôleibol brasileiro, ela fala muito do José Roberto Guimarães,
05:40que ela gostaria muito de ser treinada por ele. Ela tem muita vontade de jogar no Brasil,
05:43gosta muito da torcida brasileira. E essa atleta é fenomenal,
05:46que na minha opinião é uma das melhores no mundo hoje, sem dúvida.
05:50Gabi, na sua primeira resposta, você falou sobre esse desejo de ser campeã olímpica
05:55e de conquistar também uma medalha no Mundial.
05:58E você vai ter essa oportunidade muito em breve.
06:02E eu queria relembrar uma declaração sua na volta da VNL.
06:06Eu estive nas coberturas de Paris, de Tóquio, e sempre quando a gente falava sobre
06:13que a seleção perdeu, mas conquistou a medalha, aquele pódio enche e enche vocês de orgulho.
06:19Na volta da VNL, eu senti que vocês estavam orgulhosas, mas tinha ali em você aquele sentimento de
06:28nossa, batemos na trave de novo.
06:30Foi isso mesmo? Você sentiu isso mesmo?
06:34E você falou, acho que está faltando alguma coisinha ali para na hora da decisão a gente conquistar.
06:41Você conseguiu nesse período identificar o que está faltando para essa medalha de ouro chegar?
06:47Acho que perder uma final nunca é bom.
06:49A gente que é muito competitiva, eu sou muito competitiva, eu gosto sempre de ganhar.
06:52Então, logo após a partida, é difícil estar feliz mesmo, porque a prata seja muito importante.
06:59Eu sempre falo muito sobre isso, a gente não pode de maneira alguma desvalorizar o trabalho.
07:03Não é fácil conquistar uma medalha, não é fácil estar em pódios, principalmente com o nível internacional
07:08que a gente vê hoje.
07:09Mas eu acho que foi mais difícil ainda, porque a gente teve a oportunidade, a gente começou a ganhar no jogo,
07:15mas a gente não conseguiu fazer um bom jogo, principalmente no ataque.
07:18Então, o nosso sistema defensivo, eu acredito que funcionou em muitos momentos,
07:22mas tivemos muitas dificuldades na virada de bola no contra-ataque,
07:25em alguns momentos no side-out também não funcionou tão bem.
07:28Então, eu acho que essa dor, vamos dizer assim, de entender que a gente teve uma grande oportunidade
07:33contra uma grande seleção, a gente conseguiu bater de frente em muitos momentos.
07:36Então, é isso. A gente queria muito jogar com a Itália.
07:39Eu acho que era a oportunidade que a gente tinha também de entender o parâmetro,
07:43onde o nosso time estava. Hoje a grande seleção é ser batida.
07:46A gente não pode desmerecer também o trabalho que elas têm feito.
07:50Você vê que elas terminam aí a partida com o time reserva, mas jogando um alto nível ainda assim.
07:56Mas para a gente foi muito importante.
07:58Bater de frente ali com a seleção hoje que é imbatível e que vem ganhando tudo.
08:03Essa sequência de vitórias é realmente incrível.
08:07E é o que a gente está fazendo agora.
08:08Entender o que a gente precisa melhorar é bola alta, é o contra-ataque,
08:11é ser mais efetivo em momentos de dificuldade.
08:14E esse é o nosso objetivo mundial.
08:16A gente não tem essa mentalidade de vamos baixar a guarda.
08:19Muito pelo contrário, a gente sai desses momentos ainda mais fortalecidos
08:22para buscar o nosso objetivo.
08:24E sabe, a gente precisa ser trabalhada.
08:26A gente tem uma comissão técnica muito bem preparada,
08:29que já conversou com a gente logo depois da VNL.
08:32Então, a gente já montou um planejamento de treinamentos.
08:35Então, tem sido muito importante também esse momento aqui no Japão
08:38de preparação, de aclimatação também, de fuso horário.
08:42Então, eu vejo que a nossa seleção já teve uma evolução muito grande
08:46desde a VNL e a gente espera implementar isso na primeira fase de grupos.
08:51Gabi, nessa questão da pressão por resultados,
08:56recentemente você deu uma entrevista e falou sobre o ambiente tóxico,
09:00que existe redes sociais e é uma cobrança exagerada em vocês.
09:05O que precisa ocorrer para o vôlei deixar de ser esse ambiente tóxico?
09:10Cada vez mais com a visibilidade das redes sociais, principalmente,
09:13a gente vê um clima tóxico em muitos esportes,
09:16no vôlei, no futebol e outros esportes também.
09:18A gente entende esse favoritismo,
09:19que todos querem que o Brasil esteja sempre no topo,
09:22na busca pela medalha de ouro.
09:24Mas eu sinto que a nossa seleção está muito blindada.
09:25A gente mesmo não sai satisfeito em muitos momentos com alguns resultados.
09:29A gente se cobra bastante.
09:30Como eu disse, nós somos muito competitivas.
09:31Eu acho que a gente tem em mente que nós temos condições de brigar pelo ouro,
09:35brigar pelo título.
09:37É muito triste realmente ver um ambiente tóxico,
09:39mas a gente também recebe muito apoio, muito carinho.
09:42Você vê nas etapas que a gente joga no Brasil,
09:44o carinho que a torcida tem com a gente, comparece.
09:47Então, é isso que a gente leva.
09:49Acho que a cobrança, as críticas, esse ambiente tóxico,
09:51infelizmente ele vai fazer parte.
09:53Mas o mais importante é a gente saber do que a gente precisa fazer ou não,
09:57como são técnicos principalmente.
09:58A cobrança que a gente tem internamente.
10:00E essa cobrança externa, ela vai fazer parte, infelizmente não tem muito jeito.
10:04Talvez pior ainda mais com o tempo, com o crescimento das redes sociais e o alcance que se tem.
10:09Mas a gente está muito focado no processo, no trabalho, em se ajudar aqui dentro.
10:13E o mais importante é isso, a gente saber o que precisa ser feito.
10:16E a nossa dedicação 100% todos os dias aqui dentro.
10:20Com certeza.
10:20Mas ainda nessa falta de, como você falou, a questão da rede social em si,
10:25eu comparei muito a sua situação, a situação da seleção de vôlei com a seleção feminina de futebol.
10:32A Marta é muito cobrada por um ouro.
10:35Você acha que essa falta de reconhecimento por parte brasileira é pela falta de um ouro?
10:38Ou é algo, tem algo a mais que provoque essa cobrança?
10:42Eu não sei te dizer, para ser muito sincera, eu não acompanho tanto essas críticas, essa cobrança.
10:49Eu vejo o pessoal falando bastante, porque eu tento me blindar muito.
10:53Há muitos anos, eu acho que assim, quando eu comecei minha carreira,
10:56eu já era uma promessa desde sempre, então sempre existiu essa cobrança.
10:59Quando eu era um pouco mais alta, eu sofri um pouco mais, eu não conseguia entender
11:02muito o porquê dessa cobrança, dessas críticas, desse ambiente tóxico.
11:05Mas, enfim, quanto conhecimento, com muita terapia, também a gente entende o que realmente é importante.
11:11Acho que a própria autoavaliação, né, tanto...
11:15Qual é a crítica que é a mais importante, né?
11:16Qual é a cobrança que é a mais importante?
11:18É do técnico, das companheiras, do nosso dia a dia,
11:20a gente mesmo sair de uma partida e entender o que precisava ser feito ou não.
11:24Então, eu tento levar muito mais para esse lado,
11:27e é o que eu tento passar para as mais novas também,
11:28esse cuidado que a gente tem que ter das redes sociais,
11:31de dizer exatamente o porquê.
11:34Eu não tenho muita certeza.
11:35Mas é triste de ver, né?
11:37A gente vê muitas atletas, não só no vôlei, mas em outros esportes também,
11:40sofrendo muito essa questão mental das redes sociais, por ser um ambiente muito tóxico.
11:44Então, o que fica é o meu conselho aí, realmente, essa blindagem,
11:48o autoconhecimento, eu acho, ele é muito importante,
11:50e focar no objetivo, né?
11:52O Bernardo, ele fala muito isso, né?
11:54Tapar, né?
11:55Não prestar atenção nos ruídos, focar no trabalho, o que tem que ser feito,
11:58e depois de uma derrota, fazer uma autoanálise,
12:01conversar com técnicos, né?
12:03O que precisa ser feito e o objetivo é esse.
12:05Gabi, retornando um pouco ao assunto do Mundial,
12:09a Gabi, para o Mundial, já é a versão da temporada regular?
12:13Você acha que você já conseguiu retomar totalmente o ritmo?
12:16Sim, sim, com certeza.
12:19Tinha muito tempo que eu não tinha esse tempinho de folga, né?
12:21Então, é normal que ali nas primeiras etapas
12:24foi um pouquinho difícil para voltar ao ritmo, né?
12:27Mas já me sinto completamente integrada com a equipe,
12:29principalmente fisicamente, a gente teve um tempo,
12:31e depois a Vianel também de voltar para o Brasil,
12:34conseguir focar ainda mais na parte física,
12:36a parte técnica e tática.
12:38Então, já me sintei preparada, 100% preparada junto com o time
12:42para dar meu 100% no Mundial.
12:45Sei que não vai ser fácil, mas estou muito animada, motivada.
12:47Como disse o feminino, a gente não conseguiu conquistar esse título ainda.
12:51A gente sabe que não vai ser fácil,
12:52não somos as favoritas,
12:54mas passo a passo, acho que construindo a nossa trajetória,
12:58principalmente que a gente vai ter jogos difíceis aí na fase de grupo.
13:01Eu acho que tem tudo para a gente começar o Mundial bem.
13:05E ainda nessa parte de seleção,
13:07Thaisa já parou no passado,
13:11Carolina ficou fora esse ano e aposentou também.
13:14E você já perdeu algumas ex-companheiras de seleção.
13:18Você tentou convencer elas a ficar um pouco mais,
13:20ou como que foi isso?
13:21A gente sempre tenta, não tem jeito.
13:24Não tem como a gente não tentar convencer uma Thaisa, uma Carol,
13:27essas meninas a ficarem um pouquinho mais.
13:30Então, são jogadoras extremamente importantes.
13:34Voltou, Caio?
13:35Voltamos agora.
13:37Mas enfim, são jogadoras,
13:39Carol, Thaisa, são jogadoras extremamente importantes.
13:41Não tem como a gente não tentar,
13:43poxa, não, só mais um pouquinho, só mais um ano.
13:46Mas faz parte do processo,
13:47são jogadores que já se entregaram tanto,
13:50durante tantos anos para a seleção brasileira.
13:53Então, acho que deixaram um legado incrível aí para a gente.
13:57E faz parte, faz parte do processo.
13:58A gente vem com uma leva grande aí de renovação também.
14:02Você vê as meninas jogando muita bola,
14:03querendo realmente brigar pelo espaço
14:06e brigar por essa vaga.
14:07Então, a gente sem dúvida nenhuma sente muita falta,
14:10mas vê também a oportunidade aparecendo
14:12e essas meninas aproveitando bastante.
14:14E é isso que a gente precisa.
14:16Gabi, vou te fazer uma pergunta aqui
14:19com até um tanto de medo da resposta,
14:22aproveitando esse seu retorno em relação a Thaisa, Carolina.
14:26Você já tem um planejamento nesse sentido também?
14:31Ou por enquanto não?
14:32Você está com a seleção e é isso daí?
14:34Ou você tem, ah, daqui tantos anos,
14:37acho que eu vou precisar dar uma descansada um pouco maior?
14:40Enfim, ou ainda não passa pela sua cabeça?
14:42Esperamos que não.
14:45Eu não penso muito em aposentadoria, vamos dizer assim.
14:48Eu penso sempre ano a ano.
14:49O Zé já me deu nesse ciclo a oportunidade
14:51de ter um período de descanso agora,
14:53que foi importantíssimo para mim.
14:54Então, eu até conversei com ele,
14:56não é importante talvez eu tenha esse início
14:57para que depois eu não precise de outros momentos
15:00com um período de folga maior.
15:02Então, é isso.
15:03É ano a ano, entendendo também
15:04como é que vai ser a minha temporada de clube, seleção.
15:08Mas estou muito animada e 100% disposta
15:10a fazer o ciclo inteiro até Los Angeles.
15:13Esse é o meu grande objetivo.
15:15Mas sempre pensar na ano, né?
15:16Me cuidar sempre para estar bem no clube,
15:19não ter lesões,
15:20para que eu consiga desempenhar o meu papel bem
15:23e estar 100% à disposição da seleção
15:25nesses anos até Los Angeles.
15:28Gabi, você mencionou esse processo de renovação
15:30que está sendo feito na seleção.
15:32O que você acha que essa nova geração
15:33se entende de diferente?
15:34E você, assim, de alguma forma aponta
15:36alguma possível sucessora para você no futuro?
15:38É, gente, sucessora já temos várias, né?
15:41Você pega aí a Ninha assumindo o papel
15:44com muita maestria,
15:45a Ju também que fez um ano incrível,
15:48a Helena agora que foi para o Super 21,
15:49ela assim jogando muita bola,
15:51vem a Aline também.
15:52Então, eu acho que na posição de ponteira
15:54a gente está muito bem servida
15:55para os próximos anos.
15:58E uma geração que vem com uma mentalidade incrível,
16:00assim, realmente batendo de frente
16:02com as grandes seleções.
16:03Você vê as meninas jogando dentro da Turquia,
16:05o ginásio lotado e com muita personalidade,
16:08chamando bola e chamando jogo,
16:10não, eu quero jogar, eu gosto de jogar jogo assim.
16:13Então, você vê que elas realmente têm essa mentalidade.
16:16E não só dentro de quadra,
16:17mas fora de quadra também.
16:19Tanto que elas querem, pô,
16:20vamos falar um pouquinho mais sobre dieta,
16:22sobre descanso, recuperação,
16:24meditação, yoga, saúde mental.
16:27Então, é uma geração que vem com muita consciência.
16:29E eu acho que a gente vai colher esses frutos aí
16:32nos próximos ciclos,
16:34porque é uma geração que realmente vem
16:36com muita força de vontade,
16:38com a mentalidade de realmente querer
16:40conquistar o espaço e mostrar o serviço,
16:43mas com muita consciência também fora de quadra,
16:45que eu acho que isso é importantíssimo,
16:46pensando para o futuro, né?
16:47A longevidade delas principalmente, né?
16:49Como eu disse, não é fácil você aguentar
16:52um calendário tão extenso de clube e seleção.
16:55Então, você vê, como eu disse,
16:56eu na idade delas, ali com 18, 19, 20 anos,
16:59eu não tinha essa consciência.
17:01Então, se elas já tiveram essa consciência
17:03desde então, tendo suas meninas aí
17:05por três, quatro, cinco ciclos,
17:07a gente sabe que vai ser uma geração
17:09que vai trazer muitas medalhas de ouro.
17:13Gabi, você, a gente falou bastante
17:16de quadra, de preparação,
17:18mas eu queria uma análise sua
17:20um pouco mais estrutural do vôlei, assim,
17:23porque a gente, observando a sociedade em geral,
17:26e os outros esportes,
17:28a gente percebe uma clara desigualdade
17:30entre, especialmente, o que é pago para homens,
17:32o que é pago para mulheres,
17:33o que é valorizado para os homens
17:36e não é valorizado para as mulheres.
17:38E o vôlei me parece
17:39uma bolha que se diferencia um pouco
17:44em alguns aspectos,
17:45especialmente se a gente pensa
17:46no mais alto nível,
17:47em que o feminino tem mais patrocínio,
17:50tem uma valorização maior dos atletas,
17:54tanto de visibilidade,
17:55quanto de pagamentos de salários mesmo,
17:57a gente sabe que é uma bolha,
17:58mas eu queria sua avaliação estrutural
18:02em relação a isso,
18:03o que o vôlei fez certo,
18:04que as outras modalidades precisam fazer também,
18:07para que, eventualmente,
18:08a gente consiga uma paridade maior.
18:10É muito bacana ver o vôlei feminino,
18:12o crescimento que tem tido
18:13nos últimos anos, principalmente.
18:16Eu acho que isso se dá também
18:17a ligas muito fortes,
18:18você vê um investimento muito grande
18:19na Turquia,
18:20a Liga Italiana,
18:22na Ásia também,
18:22você vê um clamor realmente muito grande
18:26dos fãs,
18:26a gente quando vai jogar na Ásia,
18:28é realmente uma loucura.
18:30A gente fica muito feliz
18:30que principalmente,
18:31é recente ainda,
18:33principalmente as premiações
18:34da Federação Internacional,
18:36elas serem iguais,
18:37tanto para homens quanto para mulheres.
18:40E em questão do salário,
18:41a gente vê que hoje no feminino,
18:43muitas atletas recebem mais do que os homens,
18:46mas eu acho que principalmente
18:48por investimento nas ligas
18:50serem cada vez maiores,
18:52você vê grandes ligas aí no feminino
18:54sendo muito fortes,
18:56a Rússia também,
18:57posso acrescentar a Polônia,
18:58no Brasil também,
18:59sempre teve um diferencial muito grande
19:01e a gente espera que isso só cresça,
19:04essa competição aí das grandes ligas
19:06pelas atletas,
19:08isso acaba valorizando,
19:09melhorando o salário dos atletas
19:10e eu acho que esse é o diferencial
19:11que a gente tem hoje.
19:13Gabi, falando um pouco
19:14sobre o ambiente do vôlei,
19:15na verdade o ambiente dos esportes
19:17no geral no Brasil
19:18e o vôlei acho que está incluso nisso,
19:20ainda é muito conservador
19:21em relação a certas coisas.
19:23Você já se posicionou
19:24em alguns momentos
19:25sobre coisas que você acredita,
19:27você sente falta que mais atletas
19:28se posicionem
19:29sobre temas importantes no Brasil?
19:32É difícil,
19:33eu acho que vai da individualidade
19:35de cada um,
19:36porque a gente realmente tem
19:39um dia a dia,
19:40uma rotina muito difícil,
19:41a cobrança é muito grande também,
19:43então de uma certa maneira
19:43eu entendo,
19:45mas eu vejo atletas
19:46se posicionando,
19:47eu acho que isso é muito importante,
19:48cada vez mais dependendo
19:49da pauta dos assuntos,
19:51mas eu acho que passa
19:52realmente de cada um
19:53que realmente se sente confortável
19:55e disposto a realmente
19:57falar sobre assuntos difíceis.
20:00Voltando para as quadras,
20:03você está na Itália,
20:04já está um tempo
20:04fora do Brasil
20:06e tem mercado onde quiser,
20:08pela atleta que você é
20:10e pela carreira que você construiu,
20:11eu queria saber de você
20:12se você já pensa
20:14em quanto tempo
20:16você pretende ficar na Europa
20:17ou se pretende ficar por lá
20:18o tempo inteiro
20:19até o restante da carreira
20:20ou se pretende voltar ao Brasil
20:22e se voltar ao Brasil
20:23teria alguma preferência
20:24Rio de Janeiro,
20:25Minas?
20:28Eu sinto muita falta no Brasil,
20:29eu tive anos incríveis
20:31em casa,
20:32primeiro em Belo Horizonte,
20:33depois fiquei muitos anos
20:34no Rio de Janeiro,
20:36depois passei uma temporada
20:37no Minas,
20:38então eu realmente sinto muita falta,
20:40mas estou muito feliz na Itália,
20:41a Itália realmente me impressionou
20:43bastante, claro,
20:44com o time que eu joguei esse ano,
20:45foi um ano muito especial,
20:47mas estou muito feliz na Itália,
20:48pretendo continuar mais alguns anos,
20:50não sei,
20:51eu sou uma atleta que,
20:52eu tento fazer um planejamento
20:53assim de dois, três, quatro anos,
20:55a gente nunca sabe
20:56o que realmente vai acontecer,
20:57eu lembro,
20:58o primeiro ano quando eu saí
20:59fui para o Vakif,
21:00eu pensava que eu ficaria
21:01uma ou duas temporadas só,
21:03acabei ficando cinco
21:04e agora já vou para a minha
21:05sexta temporada fora,
21:07para a minha sétima temporada fora,
21:08na verdade,
21:08meu segundo ano na Itália,
21:10mas eu pretendo ficar
21:12pelo menos dois, três anos
21:13aqui fora se eu tiver
21:14essa oportunidade,
21:15provavelmente na Itália,
21:16mas é isso,
21:17a gente não sabe muito
21:18como vai estar o mercado,
21:19os times principalmente,
21:21mas eu tenho muita vontade
21:22de encerrar minha carreira
21:23no Brasil,
21:23sem dúvida nenhuma,
21:25eu tenho esse planejamento
21:26de voltar,
21:26pelo menos jogar uma,
21:27duas, três temporadas talvez,
21:29e aí não sei também
21:30como voltar os times,
21:31como vai estar o mercado,
21:32mas eu tenho esse sonho
21:33de voltar e me apresentar
21:34no Brasil,
21:35pertinho de casa.
21:36E ainda nessa questão de quadra,
21:40ao montar o roteiro,
21:41eu falei,
21:41eu preciso perguntar isso
21:42para a Gabi,
21:42porque o dia que ela fez isso
21:43eu fiquei impressionado,
21:45como que é possível
21:46fazer aquele bloqueio
21:47com uma mão só,
21:48que nem você fez
21:49e virou um zó?
21:50Pois é,
21:52o bloqueio nem é
21:53uma das minhas grandes,
21:55grandes, grandes características,
21:57uma das minhas grandes forças,
21:58mas é algo que eu treino bastante,
22:00porque às vezes eu passo
22:01um pouquinho na marcação
22:02e aí eu abro ou abro o braço
22:05ou tento esticar um pouquinho
22:08o chaco com uma mão
22:10ou pegar com uma mão,
22:11já tinha feito um bloqueio,
22:12um ponto de bloqueio sim na Turquia,
22:14é difícil de acontecer,
22:15às vezes eu treino no treinamento,
22:17mas é difícil,
22:18mas acho que vem muito também
22:19pelo que eu disse,
22:21são muitos anos que eu sei
22:23que eu preciso treinar
22:24o meu bloqueio,
22:25então são muitos anos
22:26fazendo um pouquinho de extra
22:27e trabalhando muito
22:28essa parte técnica no bloqueio
22:29e um pouquinho de sorte também,
22:31não vamos mentir também
22:32que ele voltou um pouquinho a mão
22:34e conseguiu bloquear,
22:36mas enfim,
22:37de tudo um pouquinho,
22:38vamos dizer assim.
22:40Gabi,
22:40agora voltando um pouco
22:41para essa questão do ambiente,
22:43do vôlei,
22:44a gente conhece um pouco
22:45os vôlei fãs,
22:46e a gente sabe que eles gostam,
22:47são muito apaixonados
22:48pelo esporte,
22:49mas eles também gostam muito
22:50de falar sobre a vida pessoal
22:51de todos os atletas,
22:53assim,
22:54e aí como você,
22:55assim como todos os outros atletas,
22:57lida com as especulações,
22:58assim,
22:58a todo momento
22:59sobre a vida pessoal e tal?
23:00Eu lido muito bem,
23:03eu lido muito bem,
23:04primeiro porque eu não estou muito
23:06nas redes sociais,
23:07então às vezes é um amigo ou outro
23:08que manda um meme,
23:09alguma coisa engraçada,
23:10mas aquilo,
23:11eu separo muito
23:11do que eu quero mostrar,
23:13do que é a minha vida pessoal,
23:14do que é a minha vida de atleta,
23:16e eu gosto de ter a minha vida pessoal
23:17muito bem reservada,
23:18você vê que eu não posto muito
23:19na minha família,
23:20relacionamento,
23:20essas questões,
23:21é uma coisa que eu priorizo muito,
23:25e eu tento colocar
23:26muitos limites nisso,
23:29e é isso,
23:30eu acho que é dar a liberdade
23:31para o Volefã,
23:32eu interajo um pouquinho
23:34nas minhas redes sociais,
23:35mas eu acho que a minha vida privada,
23:36a minha vida privada,
23:37eu tenho todo o direito
23:38de mostrar aquilo que eu quiser
23:39no momento que eu quiser.
23:41Claro.
23:42Gabi,
23:42lá em Paris,
23:44a gente viu uma espécie de
23:46reunião de superstars,
23:49digamos assim,
23:50porque a gente tem
23:51alguns personagens
23:53da cena olímpica brasileira
23:55que são muito marcantes,
23:57você,
23:59Isaquias,
24:01Rebeca,
24:02Thorben Grael,
24:03Lars Grael,
24:04enfim,
24:04essa galera,
24:05cada um no seu nível,
24:09que são lendas,
24:10digamos,
24:11do esporte brasileiro,
24:12do esporte olímpico brasileiro,
24:14e durante Paris,
24:16pelo menos foi quando
24:17a gente percebeu
24:18uma aproximação entre,
24:19talvez,
24:19duas das principais lendas,
24:21assim,
24:22desse momento atual
24:23do esporte brasileiro,
24:24você e a Rebeca,
24:25a Rebeca veio até aqui ao Brasil,
24:27se encontrou com outras
24:29atletas de vôlei,
24:30enfim,
24:31e aí,
24:33eu sempre vejo vocês falando
24:35sobre quem que inspira vocês,
24:38assim,
24:38no esporte,
24:39em outras modalidades,
24:40entrevistando-nos,
24:42inclusive,
24:42a Rebeca,
24:43e ela comentou sobre essa vinda
24:45para Belo Horizonte,
24:46queria que você falasse um pouquinho
24:48dessa amizade,
24:50e se estar mais próxima
24:53dessas pessoas,
24:54que são tão relevantes
24:55nas modalidades delas,
24:56ajuda,
24:57incentiva,
24:59serve como um espelho também,
25:00ainda que você já esteja,
25:01obviamente,
25:02no mais alto nível.
25:03Total,
25:04é incrível.
25:05Eu sempre falo que
25:06Jogos Olímpicos
25:07é um momento muito especial,
25:08porque você tem a oportunidade
25:09não só de realizar um sonho
25:10de representar o seu país,
25:12mas de estar em um ambiente
25:13de alta performance
25:14e você conhecer
25:15os principais atletas no mundo,
25:16né?
25:17A gente brinca que
25:18na delegação do Brasil
25:19é ainda mais incrível,
25:21porque você encontra
25:21com todos os atletas
25:22ali no dia a dia
25:23e todo mundo torcendo,
25:25tem sempre uma televisão
25:26ali na recepção
25:28do nosso prédio,
25:30né?
25:30Então,
25:31é uma torcida,
25:32assim, diária,
25:32a gente assiste,
25:33para e torce,
25:34troca muita ideia.
25:35E nesses três ciclos
25:37que eu participei,
25:38Rio,
25:39Tóquio e Paris,
25:40eu tive a oportunidade
25:41de conhecer muitos atletas,
25:42a Rebeca foi uma delas,
25:44conheci a Bia também,
25:45a Raíssa também,
25:47agora a gente se aproximou
25:48um pouquinho mais.
25:50Cabe que você mantém
25:50esse carinho,
25:51essa amizade muito forte,
25:52né?
25:53E a Rebeca,
25:53ela teve uma importância
25:54muito grande
25:55ali na derrota
25:57contra os Estados Unidos,
25:58então,
25:59a gente,
26:00ela estava num momento especial,
26:01aí passei aquela derrota
26:02que a gente conversou,
26:03e até hoje a gente conversa
26:04muito sobre o dia a dia,
26:06né?
26:07A performance,
26:08a pressão do dia a dia,
26:09a gente tem que dar
26:10o nosso máximo
26:10o tempo inteiro
26:12de lesões,
26:12as lesões que ela teve.
26:14Então,
26:15você poder ter pessoas
26:16perto de você
26:17que passam
26:18pelas mesmas situações,
26:19é completamente diferente.
26:20É claro que a gente tem a família,
26:21tem os amigos,
26:22mas você tem um amigo,
26:24um parceiro ali
26:24que realmente entende
26:27o que é o alto nível,
26:28realmente a pressão
26:29de você jogar uma Olimpíada,
26:30você competir,
26:31querer sempre estar
26:32entre os melhores,
26:33é realmente muito legal.
26:34Então,
26:34acho que essa troca
26:35com os atletas,
26:36a gente tem ali na Olimpíada,
26:37a gente acaba depois
26:38levando para a vida
26:38também essa amizade,
26:40é muito importante.
26:41Rebeca é uma pessoa
26:41muito especial,
26:43e a gente tem essa troca
26:43muito legal fora de quadro,
26:45assim,
26:45e como é que você está,
26:46como é que estão os treinos,
26:47a gente fica,
26:47não,
26:48estou morta hoje,
26:48estou cansada.
26:49Ela fala,
26:50pô,
26:50Chico,
26:50acabou comigo hoje,
26:51eu falo,
26:51olha,
26:51o Zé,
26:52hoje acabou com a gente,
26:53mas vamos embora,
26:54esse é o grande objetivo,
26:56eu fico no pé dela,
26:57eu fico,
26:57você tem que ir para Los Angeles,
26:59pelo amor de Deus.
27:00Então,
27:00a gente tem essa troca,
27:02tem essas brincadeiras
27:03super saudáveis,
27:04e é uma puxando a outra
27:05sempre para cima,
27:06mas também é uma forma
27:07de apoio muito grande,
27:08é um diferencial muito grande.
27:10Fico feliz de você estar
27:12puxando a Rebeca
27:12para ela ir para Los Angeles.
27:14Eu vou junto com todo mundo,
27:15você não pode aposentar não,
27:17pelo amor de Deus.
27:19Eu agradeço em nome
27:20do torcedor brasileiro
27:22esse pedido seu.
27:24Gabi,
27:24caminhando aqui
27:25para a reta final,
27:26porque o seu tempo
27:27já deve estar estourando,
27:28e uma sexta-feira à noite,
27:30vamos respeitar isso,
27:32mas aí eu vou fazer
27:32um ping-pong com você,
27:34aquelas respostas curtas,
27:35assim,
27:36você responde
27:37sem ficar em cima do muro,
27:39hein, Gabi?
27:39Por favor.
27:41Melhor jogadora
27:42que já atuou junto?
27:45Melhor jogadora
27:46que eu já atuei junto?
27:49Fofão.
27:50Melhor jogador
27:51fora de série.
27:51Melhor jogador
27:53que gostaria
27:54de ter atuado,
27:55mas não atuou?
27:57Melhor jogador
27:57que gostaria
27:58de ter atuado,
27:59mas não atuou?
28:00Ah,
28:00mas pode ser
28:01da geração antiga?
28:03Pode.
28:04Ana Mose.
28:05Melhor treinador
28:06da carreira?
28:08Melhor treinador
28:09da carreira.
28:10O Delicelli,
28:11o meu primeiro treinador,
28:13que ele foi,
28:14assim,
28:15eu não posso nem falar
28:15porque eu já treinei
28:16com os melhores treinadores
28:17do mundo, né?
28:18Mas eu falo do Delicelli
28:20porque ele foi
28:20o meu primeiro treinador,
28:21foi quem realmente
28:22acreditou em mim.
28:24Assim,
28:25não joguei vôlei,
28:27não sabia nada
28:28e ele viu
28:29um potencial ali
28:30e foi uma das pessoas
28:31que mais me ensinou,
28:32assim,
28:32no início da minha carreira.
28:33Foi bem nessa resposta.
28:36Ela saiu bem, né?
28:37É,
28:37ela ficou em cima do muro
28:39e saiu bem.
28:40Saiu bem.
28:42O título que mais comemorou?
28:43O título que eu mais comemorei
28:46foi o meu primeiro título
28:47da Superliga.
28:48Contra Osasco,
28:50a gente perdeu de 2 a 0,
28:51aí vira,
28:52entra no Pirapuera,
28:53ginásio lotado,
28:54meu primeiro final
28:55da Superliga,
28:55que ele foi muito especial.
28:58Bloqueio,
28:59ataque ou ace?
29:03Bloqueio.
29:04Vai,
29:04depois desse bloqueio
29:05com a mão que eu dei,
29:06coloca,
29:06essa sensação é boa.
29:08Esse aí,
29:09não tem como falar.
29:10A jogadora adversária
29:11que mais te assustou?
29:13A jogadora adversária
29:15que mais me assustou?
29:17A Gamova,
29:18a primeira vez
29:19que eu joguei contra ela,
29:20acho que eu só joguei
29:20uma vez contra ela,
29:21na Copa Yeltsin.
29:23Tacava por cima,
29:24assim,
29:24aí eu passava,
29:25olhava pra trás fora,
29:26e todo mundo,
29:26Gabi,
29:27foi no meio da quadra,
29:28por cima de você
29:28e no meio da quadra.
29:31É um nível diferente.
29:33É absurdo.
29:34Seleção adversária
29:35que te dá mais medo
29:37de enfrentar?
29:38Que dá mais medo?
29:39Não vou dizer medo,
29:41mas o Japão é irritante,
29:43né?
29:43o Japão.
29:46A seleção que dá
29:47mais dor de cabeça,
29:48aquela que a preparação
29:49é mais nossa,
29:50enche a sua cabeça.
29:51É o Japão.
29:53É,
29:54é,
29:54porque não é fácil,
29:56não é fácil,
29:57a gente sabe
29:57que vai ser um jogo duro,
29:58e é mexida,
29:59e defende,
30:00a bola volta.
30:01Acho que qualquer jogadora
30:03que você perguntar
30:03na geração
30:04vai responder o Japão.
30:05a seleção das grandes
30:07que dá mais tranquilidade
30:09para enfrentar,
30:10aquela que você
30:10se sente confiante,
30:11não,
30:11essa aí a gente
30:12sempre ganha.
30:13Das grandes?
30:15Difícil,
30:15você pergunta,
30:15não tem?
30:18Acho que a gente
30:19não está com,
30:20para falar isso não,
30:21não sei.
30:22Olha o muro,
30:24Gabi.
30:26Mas é porque assim,
30:26tentando pensar,
30:27realmente não tem,
30:28né,
30:28alguma seleção
30:28que a gente ganha
30:29assim com facilidade.
30:33Essa,
30:34essa fala.
30:35É,
30:35se tivesse eu falaria,
30:38né,
30:38mas...
30:40Medalha em Los Angeles
30:42que você mais deseja
30:43fora o vôlei.
30:45Medalha?
30:46Em Los Angeles
30:48que você mais deseja
30:49fora o vôlei.
30:50de outro esporte,
30:52você diz?
30:52Isso,
30:53isso.
30:57É...
30:57Do tênis.
31:03Medalha de ouro do tênis,
31:04eu sou apaixonada
31:04por tênis,
31:05ele é incrível.
31:06Boa.
31:07Tem o João Fonseca,
31:08a Bia Haddad,
31:09muito ser fã.
31:10Bom,
31:10eu sou fã demais,
31:11eu comprei muito,
31:12torcendo muito por aí.
31:15O esporte que você
31:15mais gosta
31:16fora o vôlei?
31:17Tênis.
31:18Apaixonada.
31:20o atleta que você
31:21ainda não conheceu,
31:23mas gostaria?
31:25O Nadal,
31:26não consegui conhecer ele ainda,
31:28gente,
31:28meu sonho.
31:29Não,
31:29com três Olimpíadas,
31:31eu não consegui
31:32encontrar com ele.
31:33Gabi,
31:33eu vou te contar uma coisa,
31:35eu fiz entrevista
31:35recentemente
31:36com a Carol Gattaz
31:37e com o Bruninho,
31:38os dois responderam
31:39a mesma pessoa.
31:40Mentira,
31:41tá vendo?
31:41O Nadal,
31:42a gente vai ter que dar um jeito
31:43de trazer o Nadal,
31:44tem que conhecer o outro aí.
31:46Eu tava lá em Maiorca agora,
31:47tava lá na terrinha dele,
31:48fui no centro de treinamento dele,
31:50mas não consegui encontrar.
31:52Eu acho que a gente
31:52tem que fazer esse encontro,
31:54Nadal,
31:54assistir um jogo de vôlei
31:55desses ícones.
31:56Por favor.
31:59Um ídolo fora do esporte?
32:01Um ídolo fora do esporte?
32:05Boa pergunta.
32:07A maioria dos meus ídolos
32:07são dentro do esporte?
32:11Difícil essa pergunta.
32:14É que a gente fica
32:15tão focado no esporte
32:16que os ídolos nossos
32:17são aqui, né?
32:18É, muito.
32:18Mas tem alguma
32:19personalidade,
32:21alguma inspiração, assim?
32:24Sabe alguém que eu conheci,
32:25que, assim,
32:26já conheci,
32:27mas me aproximei agora,
32:28que mexeu muito comigo?
32:29O Ícaro.
32:31Drag Queen,
32:32poxa,
32:32fiquei, assim,
32:33apaixonado por ele.
32:34Muito incrível.
32:35Um famoso
32:37que ainda não assistiu,
32:39mas você gostaria
32:39que assistisse um jogo seu?
32:43Não, não, gente.
32:44Está repetindo?
32:44Vou colocar o Federer.
32:45Vou colocar o Federer.
32:49Daqui a 30 anos,
32:50como a Gabi Guimarães
32:51se imagina?
32:53Eu imagino
32:54com uma família linda,
32:55com muitos cachorros
32:56numa casa,
32:57pertinho da minha mãe também,
33:00realizada com a medalha de ouro,
33:02a minha medalha de ouro
33:03na Olimpíada,
33:04da minha medalha de ouro
33:04no Mundial.
33:07E é isso.
33:08E se Deus quiser,
33:09trabalhando com esportes ainda.
33:11No que?
33:12No esporte?
33:13Você pensa?
33:14Essa eu ainda não tenho certeza,
33:15mas eu quero trabalhar
33:16com esporte com certeza.
33:18Devolver, talvez,
33:19para o vôlei,
33:19tudo isso,
33:20tudo que o vôlei
33:20tem me dado
33:21durante a minha carreira,
33:22minha vida.
33:23E para finalizar
33:24esse ping-pong,
33:26futebol,
33:27aqui em BH,
33:28você é cruzeirense
33:29e durante o Mundial
33:30vai estar atlético e cruzeiro.
33:31Vai acompanhar,
33:33vai torcer.
33:34E o outro jogo é,
33:35logo depois do fim do Mundial,
33:36vai estar aqui?
33:37Como é que vai estar isso?
33:39Eu provavelmente não volto
33:41para o Brasil,
33:42mas eu acompanho,
33:43fica naquela zoeira eterna,
33:45principalmente com a Carol,
33:46que é atleticana,
33:48mas vai ter que descansar,
33:49não tem jeito,
33:50provavelmente vai ser o momento
33:51aqui na madrugada,
33:52mas eu acordo,
33:52a primeira coisa que eu vejo,
33:53já mando uma mensagem
33:54para a Carol,
33:55ou não pego no telefone,
33:57mas assim,
33:57não vamos perder,
33:58a gente vai ganhar com certeza,
33:59mas é a zoeira
34:01que nunca acaba.
34:02E para a gente finalizar
34:03e te liberar,
34:04Gabi,
34:05aquela pergunta óbvia,
34:07que todo mundo faz,
34:08mas assim,
34:09e você,
34:09sem ficar em cima do muro,
34:11monte a sua escalação,
34:12o time ideal da sua carreira.
34:162008,
34:16eu sempre falo isso,
34:17a seleção de 2008.
34:18Não,
34:20que você jogou assim.
34:22Aqui eu joguei junto.
34:23Isso,
34:24isso.
34:25Tá,
34:25pessoas que eu joguei.
34:27É.
34:28Melhor líder,
34:29melhor oposto.
34:31Tá,
34:32Jaqueline,
34:35com a Natália,
34:36com a Natália,
34:39que eu joguei junto,
34:42coloco a Bela,
34:45Paula,
34:46as duas,
34:46vou colocar a Bela,
34:48com a Fabizinha.
34:53Eu dei sorte, né, gente?
34:54Eu joguei com muita gente craque.
34:56Sorte.
34:57Fofão.
34:59Fofão.
35:01Thaís e a Fabiana,
35:02não tem jeito.
35:05É um time,
35:06é um time leve, né?
35:10É um time...
35:10Não tem peso nenhum.
35:12Não tem jeito.
35:13Maravilha, então, Gabi.
35:14Te agradeço demais,
35:16em nome de toda a equipe do No Ataque,
35:18do Estado de Minas,
35:19pelo seu precioso tempo,
35:21por ter atendido a gente.
35:23Enfim,
35:23a entrevista ficou incrível.
35:25Muito obrigado,
35:26e ótima sorte,
35:28aí no Japão,
35:28no Mundial.
35:29Tomara que dê tudo certo.
35:31Obrigada.
35:32Obrigada,
35:32por ter um prazer.
35:34Obrigado, Gabi.
35:34Obrigado, Gabi.
35:35Foi um prazer.
35:36Então,
35:37essa foi a nossa entrevista
35:38com a Gabi Guimarães,
35:40no nosso primeiro episódio
35:41do Olimpicast,
35:42um podcast mensal do No Ataque.
35:44Até a próxima.
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