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  • há 2 semanas
Uma mulher, que sofreu violência doméstica por décadas, compartilhou sua traumática experiência de ser jogada do segundo andar de um prédio pelo marido. Além das sequelas físicas, como a fratura na perna que resultou em cirurgias, ela enfrentou torturas psicológicas e verbais, sendo constantemente ameaçada de dependência emocional e financeira. Casos de violência contra a […]

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Transcrição
00:00Ser jogada do segundo andar de um prédio pelo próprio marido.
00:04Uma lembrança traumática que não se apaga.
00:07Ele me jogou do segundo andar do apartamento onde a gente morava na época.
00:12Me jogou e ficou lá de cima ainda, olhando eu lá embaixo, agonizando, indo para a morte mesmo.
00:22E não chamou socorro, não prestou socorro.
00:25Ele me deu vários remédios, então quando ele me jogou eu já estava dopada.
00:30A mulher, que preferiu não mostrar o rosto, sofreu com a violência doméstica por décadas e acumulou sequelas.
00:37Fiquei um ano sem andar na cadeira de roda, eu fiquei sem andar devido a perna que quebrou a minha
00:44perna.
00:45Hoje eu tenho aqui na minha perna parafuso, pratina, tenho ferro na minha perna, que eu convivo com ele com
00:52muita dor.
00:53Porque quando esfria dói, quando faz calor dói demais também.
00:57E ele fazia tortura na minha cabeça também, psicológica, verbal, sexual também.
01:04Porque ele dizia na tortura psicológica que eu não ia conseguir viver sem ele, que eu dependia dele para me
01:12comer.
01:13Ele conseguiu encaixar isso dentro da minha mente.
01:16Casos como esse de violência contra a mulher tem sido cada vez mais frequentes aqui no Espírito Santo.
01:21Só para se ter uma ideia, em janeiro de 2025 já foram registrados cinco casos de feminicídio aqui no Estado.
01:30Esse número, mesmo antes de o mês acabar, já iguala os meses de janeiro mais violentos dos últimos anos.
01:37A maior parte das vítimas de violência doméstica vive em comunidades carentes, periféricas.
01:43Cada dez mulheres que são assassinatas, sete são mulheres negras de periferia.
01:48Esse perfil, ele acontece por quê?
01:51Porque a mulher de periferia, ela não tem condições financeiras de sair do processo de violência como uma mulher, né?
01:59Que não tem a situação de vulnerabilidade como elas.
02:02Gerente de proteção à mulher da Secretaria de Segurança Pública, Michele Meira admite que se trata de um desafio para
02:08o Estado.
02:08O grande desafio que a gente tem foi um desafio em 2024, vai ser um grande desafio em 2025 e,
02:16na verdade, vai ser um grande desafio por algum tempo.
02:19Porque para a gente mudar o que está acontecendo hoje, essa morte de mulheres, pelo simples motivo de ela não
02:26querer manter um relacionamento amoroso e uma morte ligada ao gênero,
02:30A gente vai precisar trabalhar muito a questão da cultura, trabalhar a conceitização para que a gente possa chegar realmente
02:38à prevenção.
02:39O número de feminicídios, de uma forma geral, cresceu no Espírito Santo de 2023 para 2024.
02:46Para Roseli, é importante que mulheres que vivem em situação de vulnerabilidade social contem com uma rede de apoio.
02:52Nesse sentido, o que a gente tem discutido, Gabriel?
02:55Que é necessário pensar redes de fortalecimento para essas mulheres.
03:00Se nós sabemos qual é o público que está morrendo mais, nós precisamos pensar que ações precisam ser implementadas.
03:07Que essa mulher consiga caminhar em todos os serviços com mais facilidade e na segurança pública especificamente, porque nós também
03:16fazemos parte dessa rede.
03:18A nossa ideia é estar cada vez mais estruturando melhor o nosso atendimento, humanizando esse atendimento, capacitando os nossos policiais,
03:27para que a gente consiga cada vez mais acolher essa mulher que é vítima de violência, para que ela se
03:34sinta confortável.
03:35Quem já sentiu na pele a dor da violência doméstica, sabe o quão difícil é um processo de separação e
03:42de recomeço.
03:43Eu vivi esse tempo devido às condições financeiras e por ter um filho especial.
03:51O meu casamento hoje é muito saudável, é muito bacana.
03:56O meu esposo tem um relacionamento muito bom com o meu filho especial, tanto que ele chama o meu esposo
04:03de pai.

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