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  • há 4 semanas
O câncer de intestino, que antes era visto como uma doença da terceira idade, está aparecendo cada vez mais cedo e já é o 3º mais comum no Brasil. No Check-up Saúde, um oncologista explica para Alice Sarcinelli de forma simples tudo o que você precisa saber para se proteger e cuidar da sua saúde intestinal.

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Transcrição
00:00Olá, bom dia! Começa agora o nosso Check-Up Saúde, o programa que coloca você frente a frente com os
00:07maiores especialistas em saúde do Espírito Santo.
00:11Uma forte dor no estômago levou Carla à emergência do hospital.
00:17Eu tinha um desconforto abdominal, como se fosse uma cólica.
00:22Só que era um pouco diferente, parecia que estava torcendo.
00:24Aí eu até pensei que fosse uma gastrite na época, né?
00:31Aí eu passei no médico na emergência e a médica falou, ah, você comeu alguma coisa que não te fez
00:37bem e me deu um antibiótico para tomar.
00:39Tomei um antibiótico, não resolveu de nada.
00:41Aí voltei no médico, aí quando eu voltei no médico pedi uma tomografia.
00:46Aí eu fiz essa tomografia, aí na hora, acho que o médico já percebeu que tinha alguma coisa errada,
00:51e ele falou, você vai ficar internada, aguardando vem o cirurgião.
00:55Só que ele não me falou exatamente o que era, ele falou, você está com uma obstrução.
00:58Mas quando você não entende exatamente o que é, até aí você acha que é uma coisa mais simples.
01:04Era câncer no intestino.
01:06Na época, ela tinha 35 anos de idade.
01:11Quando eu recebi o diagnóstico, foi muito difícil.
01:14Não vou dizer que foi fácil.
01:15O chão se abre, né, você não vê, você acha que você vai morrer ali.
01:21A doença estava em estágio avançado.
01:24Carla fez a cirurgia de emergência para retirar parte do intestino.
01:30Obstruiu o intestino e não sei falar exatamente em termos técnicos,
01:35mas estava inchado e pode romper, né?
01:40E se romper, vai fezes para o organismo e você pode ter mais complicações.
01:45O caso foi tão grave que ela precisou usar bolsa de colostomia
01:49e, por dois anos, parou de trabalhar para cuidar da saúde.
01:55É difícil, é difícil.
01:57Porque você se vê, um dia você está normal, perfeita.
02:02No outro dia, você se vê dependendo dos outros para tudo.
02:07Então, para você sair de casa, você está preocupado.
02:09Você vai ter um banheiro adaptado para você poder limpar a bolsa.
02:13E muda tudo, muda toda a sua rotina.
02:16A Carla entrou para uma estatística cada vez mais comum.
02:20A Sociedade Americana de Câncer revelou que adultos entre 29 e 43 anos
02:26têm mais riscos de desenvolver um tumor maligno do que gerações anteriores.
02:32Fatores como má alimentação, obesidade, sedentarismo, álcool e cigarro
02:38são umas possíveis causas.
02:41Para acontecer o câncer, a gente precisa do fator genético e do fator ambiental.
02:45A maior parte do câncer não é hereditário.
02:49Ou seja, a gente não herda esse gene da família.
02:53Possivelmente, a mutação da célula para formar um câncer
02:56venha de fatores como alimentação, peso, sedentarismo.
03:01A gente sabe que a obesidade aliada à alimentação, ao sedentarismo,
03:07deixa a pessoa com uma doença metabólica.
03:09Então, uma alteração de glicemia, de colesterol, pró-inflamatórias.
03:14E isso provavelmente gere mais câncer.
03:17Os pesquisadores estudaram 24 milhões de pacientes durante 20 anos
03:22e descobriram que 17 dos 34 tipos de câncer mais comuns
03:28estão se tornando mais prevalentes em jovens.
03:32Entre eles estão o câncer de intestino, rim, mama e pâncreas.
03:38No caso do câncer de intestino,
03:41pessoas nascidas na década de 90, por exemplo,
03:44têm entre duas e três vezes mais possibilidades
03:48de desenvolver a doença do que as nascidas nos anos 50.
03:53O médico explica que o consumo de alimentos ultraprocessados,
03:58como salsicha, salame, bolacha e outros industrializados,
04:03aumentam os riscos para os mais jovens.
04:06Se a gente for pensar a vida nos últimos 30 anos,
04:09o padrão alimentar, os ultraprocessados, os embutidos,
04:14que nós fomos expostos desde a infância,
04:17vão se somando ao longo dos anos
04:19e favorecendo a formação de mutações celulares e tumores.
04:24E também uma sociedade que a gente sabe
04:27que claramente está ficando cada vez mais obesa.
04:31Carla mudou completamente a alimentação após o diagnóstico.
04:35Hoje a refeição dela é preparada em casa.
04:39Refrigerante, praticamente não tomo mais.
04:42Como mais fruta, que antes eu comia menos.
04:44Eu comi bastante fruta, bastante verdura, legumes.
04:48Então eu achei que era necessário fazer essa mudança.
04:52Tiveram alimentos que você cortou completamente da sua rotina?
04:56Sim. Salsicha, não como mais.
05:00Linguiça, são coisas que praticamente eu não como mais.
05:03O câncer dela está em remissão há três anos.
05:07Sempre que eu faço os exames está tudo perfeito, graças a Deus.
05:12Descobrir um câncer na fase inicial pode salvar vidas.
05:16Mas prevenir é ainda mais fundamental.
05:20No momento que você toma consciência
05:23de como você deve se alimentar,
05:25que você deve fazer atividade física,
05:27que você precisa de ajuda profissional,
05:29porque estamos falando de uma doença.
05:31Quando a gente fala de obesidade, sobrepeso,
05:34estamos falando de doença,
05:36com ajuda profissional,
05:38cuidando melhor da alimentação,
05:40buscando atividade física,
05:41emagrecimento, regulação metabólica,
05:44isso acontece.
05:45E não é tão demorado se você tem uma assistência adequada.
05:48Então com certeza vale a pena
05:50e dá tempo sim de reduzir danos.
06:05O câncer de intestino,
06:07também chamado de câncer coloretal,
06:10já é o terceiro mais comum no Brasil.
06:12Já são mais de 45 mil novos casos por ano.
06:16Tradicionalmente, ele atinge pessoas acima dos 50 anos,
06:19mas estudos mostram que os diagnósticos entre os mais jovens
06:22estão aumentando, principalmente entre quem nasceu após 1980.
06:29Sedentarismo, obesidade,
06:30dietas ricas em carne vermelha e ultraprocessados,
06:34além do baixo consumo de fibras,
06:36são fatores de riscos importantes.
06:38Mas com prevenção, hábitos saudáveis e exames regulares,
06:42é possível reduzir muito a mortalidade.
06:46Para falar sobre esse assunto tão importante,
06:48recebemos hoje a oncologista doutora Luana Pescuic.
06:53Seja bem-vinda, doutora.
06:55Obrigada, Alice, pelo convite.
06:57Doutora, começa esclarecendo para a gente
07:00por que o câncer de intestino tem crescido tanto nos últimos anos,
07:05inclusive, como a gente falou agora na introdução,
07:08em pessoas mais jovens.
07:11Então, nas pessoas mais jovens,
07:13a gente não tem uma causa totalmente definida
07:16de por que essa incidência está aumentando.
07:18Mas a gente entende que todos os fatores predeterminantes
07:22do desenvolvimento do câncer de cólon,
07:24eles estão mais presentes na sociedade.
07:27O sedentarismo, alimentos ultraprocessados,
07:31a gente sabe que, por exemplo,
07:33salsicha, presunto,
07:35são alimentos em que estão muito presentes no nosso dia a dia,
07:38mas que, de fato, eles não são saudáveis para o cólon.
07:40É prático, desconfia, né, doutora?
07:43A gente abrir pacote, não é legal.
07:45É melhor estar com a geladeira cheia do que com a dispensa, não é isso?
07:48Sim, e essa praticidade também, né,
07:50de a gente pedir uma comida pronta,
07:53que não é feita em casa, né,
07:54sem todo aquele controle de qualidade
07:56que a gente tem de um alimento mais fresco.
07:59Cheio de pozinho misterioso.
08:01Exato, e que a gente sabe, de fato,
08:03como que foi preparado aquele alimento, né,
08:06mas não seria somente isso.
08:08A gente tem a questão do sedentarismo, né,
08:12em que a gente vê que o dia a dia,
08:14as pessoas muito presas em casa, né,
08:17Netflix, esses hábitos em que a gente fica
08:21em menor movimento, na verdade, né,
08:23então a gente sabe que muitos tumores,
08:25inclusive o próprio tumor de cólon,
08:27o exercício físico, ele é um fator protetor.
08:29Agora, a gente falou como sendo
08:32o terceiro câncer mais incidente na população, né,
08:35muita gente em casa pode ficar de cabelo em pé,
08:37mas quais são os sintomas?
08:38Para quem está nos ouvindo,
08:39como identificar, desconfiar,
08:42sem que o câncer tenha avançado, né,
08:44que você pode ter um câncer no intestino?
08:47Inicialmente, a gente nota mais, né,
08:50nos relatos dos pacientes,
08:51isso de uma forma mais prática, né,
08:53fugindo um pouquinho do que está na literatura,
08:56no nosso dia a dia, a gente percebe
08:57que a queixa principal do paciente
08:59é a alteração do hábito intestinal.
09:01Um paciente que tinha um hábito mais regular,
09:03de ir ao banheiro.
09:05De ir ao banheiro.
09:06Então, o paciente que tinha um hábito
09:08de ir no banheiro todos os dias
09:09passa a ter uma alteração,
09:12ele passa a ter os intervalos mais alongados,
09:15então, ele passa a ir no banheiro
09:19três, uma vez a cada três dias,
09:21por exemplo, uma vez por semana,
09:23fezes mais ressecadas em menor volume,
09:25e alguns pacientes fazem o contrário,
09:28eles têm um aumento do ritmo intestinal
09:30e eles passam a ter diarreia.
09:33E é uma diarreia de caráter paroxístico,
09:35então, é uma diarreia que vai e volta.
09:37E, em alguns momentos,
09:38pode intercalar também com constipação.
09:41Muitos pacientes trazem também o relato
09:43no nosso dia a dia de sangramento nas fezes,
09:45o que muitas vezes é confundido
09:47com o quadro de doença hemorroidária.
09:49Então, o paciente, ele acaba postergando
09:51procurar o médico, achando que é uma doença benigna,
09:55o que, na verdade, é um dos primeiros sinais
09:58que esse paciente pode apresentar
09:59para um diagnóstico de um tumor de colo.
10:02Além disso, pode também ter cólica abdominal,
10:05desconforto abdominal,
10:07intolerância a alguns alimentos mais processados,
10:11por exemplo.
10:12Então, é uma queixa, na verdade,
10:14que ele vai desenvolvendo.
10:16E o paciente, ele tem que estar muito atento
10:19às mudanças da própria fisiologia dele,
10:23que ele já se conhece, né?
10:25E é algo que tem que ter um pouco de atenção.
10:27É o autoconhecimento.
10:29Doutora, e como é que funciona a prevenção?
10:32Colonoscopia é mesmo o exame mais eficaz?
10:34Eu sei que muita gente foge, né?
10:36Até do preparo da colonoscopia.
10:38Vamos desmistificar isso aqui para a nossa audiência.
10:41A colonoscopia é o exame padrão ouro
10:43para o diagnóstico, né?
10:45Porque a gente consegue, de fato,
10:46visualizar o tumor através do exame.
10:49Mas existem outros exames
10:50que podem levantar a suspeição
10:52e um exame muito acessível
10:54é o sangue oculto nas fezes.
10:56Então, às vezes, o paciente vai
10:58num exame de check-up
10:59e ele tem presença de sangue oculto nas fezes,
11:03o que pode levar a um médico
11:04a indicar a colonoscopia.
11:07Recentemente, houve uma redução
11:09da idade de indicação da colonoscopia
11:12para 45 anos, justamente
11:13pelo aumento da incidência...
11:15Para homens e mulheres?
11:16Homens e mulheres.
11:1745 anos já é...
11:19A partir de 45 anos já é indicação
11:22de iniciar o rastreio do câncer de colo
11:25através da colonoscopia.
11:26A redução da idade de 50 anos previamente,
11:30quando se começava a fazer o rastreio,
11:32agora para 45 anos,
11:34se justifica exatamente
11:36por conta dessa incidência
11:37crescente nos pacientes mais jovens.
11:40Então, já se inicia a partir dos 45 anos,
11:43é a indicação mais atual.
11:45E, doutora, você falou um ponto importante.
11:48Muita gente vai fazer exame de sangue,
11:50vai fazer o seu check-up,
11:52deixa o exame de urina e o exame de fezes
11:54para lá, né?
11:55Coleta, aí leva o potinho para casa,
11:57não leva de volta para o laboratório,
11:59achando que é só a verminose
12:01que é pesquisada ali.
12:02Então, é muito importante, de fato,
12:04num check-up antes dos 45 anos,
12:06antes da colonoscopia,
12:08dar atenção para o exame de fezes.
12:10Sim, e muitas das vezes,
12:11alguns pacientes desenvolvem
12:13quadro de anemia
12:13sem ter alteração de ritmo intestinal
12:16ou qualquer outra queixa abdominal
12:18e pode ser o primeiro sinal
12:20de um sangramento oculto nas fezes,
12:24de fato,
12:24e esse paciente já está manifestando
12:27um dos sintomas do câncer de cólon também.
12:29Então, propriamente, as anemias,
12:31elas também devem ser olhadas
12:33pelo médico com atenção,
12:35principalmente nos pacientes mais idosos,
12:38onde a incidência de câncer de cólon
12:39é mais proeminente.
12:41Vamos às dúvidas
12:42dos nossos telespectadores.
12:44Na minha família,
12:46já teve casos de câncer de intestino.
12:49Isso aumenta o meu risco?
12:50O que eu devo fazer?
12:53Pode ser que sim,
12:54que tenha um risco aumentado.
12:56Então, é um paciente
12:57que deve ser olhado com maior cuidado
12:59pelo médico que faz o acompanhamento.
13:01Existem algumas doenças
13:03em que elas aumentam
13:05a chance de desenvolvimento
13:06de câncer cólon retal,
13:08como síndrome de Lynch,
13:10polipose adenomatosa familiar,
13:11mas são doenças de caráter genético.
13:15Então, no caso,
13:17a gente baixaria um pouquinho
13:19a idade de rastreio.
13:22Mas, todo tipo de câncer
13:24em que ele é muito comum
13:25num lado familiar,
13:28ou do pai, ou da mãe,
13:29ou de ambos os lados da família,
13:32de fato, pode ter uma chance
13:34mais significativa
13:37do desenvolvimento do tumor.
13:38Doutora, e se diagnosticado cedo,
13:41qual é a chance de cura
13:42do câncer de intestino?
13:44O câncer de intestino,
13:46o tratamento dele inicial,
13:47nos casos em que a gente faz
13:49um diagnóstico precoce,
13:50a indicação é cirúrgica.
13:53Porém, na abordagem do médico,
13:56o oncologista,
13:57ele procede com exames
13:58de estadiamento,
14:00ou seja, faz uma classificação
14:02de quão avançada a doença está.
14:04Então, nos casos avançados
14:05em que o paciente tem possibilidade
14:07de ressecção cirúrgica
14:09de caráter curativo,
14:11a cirurgia é indicada.
14:13Em alguns casos,
14:14os pacientes,
14:15eles perdem a oportunidade
14:16de fazer uma ressecção cirúrgica
14:18e em outros cenários também
14:20eles já se apresentam
14:22a doença com metástase,
14:24que seria a disseminação
14:25para outros órgãos e tecidos.
14:27E a partir daí,
14:28o oncologista tem um papel primordial
14:30de indicação do melhor tratamento
14:32para ele.
14:33E vamos agora conhecer
14:35quem passou por esse tipo de câncer,
14:38os desafios,
14:39a lição que se tira dessa situação.
14:45Para a Nádia,
14:46os primeiros sinais
14:47de que havia algo de errado
14:48com a saúde
14:49vieram na forma
14:50de dores de barriga.
14:51Mas foi difícil chegar
14:53a um diagnóstico preciso
14:54do que estava acontecendo com ela.
14:56Eu ficava indo no banheiro
14:57três, quatro, cinco vezes ao dia
14:59e eu achei que isso não era normal.
15:01Procurei um médico
15:01e ele disse que eu estava
15:02só com dor de barriga.
15:04E eu não aceitei.
15:05Foi assim que esse prognóstico
15:06estava errado.
15:08Cheguei, falei com ela,
15:10olha, eu achei isso.
15:11Aí comecei a analisar as fezes,
15:12que é importantíssimo
15:14a gente sempre analisar
15:15se a gente estiver em dúvida.
15:17Com um filho autista,
15:18que na época tinha menos de dois anos,
15:21foi como se o mundo dela
15:22tivesse desabado.
15:24Eu fiquei muito em estado de choque.
15:25Se eu ficasse,
15:26eu acho que eu desmaiava.
15:28Aí levou para minha mãe.
15:29Minha mãe ficou sabendo.
15:31Aí ela falou comigo,
15:32olha, é câncer.
15:33Então rodei o mundo inteiro
15:35e consegui ver se era câncer mesmo.
15:40E foi dito e feito,
15:41foi câncer.
15:42Encontrar forças
15:43foi o primeiro passo.
15:45O câncer se espalhou para o fígado,
15:47o que impediu uma cirurgia.
15:49Para tratar só com quimioterapia.
15:51Os tratamentos são duas vezes na semana.
15:54Eu tenho um tratamento de duas séries.
15:56Um dia,
15:57hoje eu vou,
15:58hoje eu fui,
15:59amanhã eu vou de novo.
16:01Aí,
16:02a semana que vem,
16:03aí já vão marcando para o mês que vem.
16:05Marcando,
16:06aí já,
16:07em 15 dias eu faço de novo.
16:08Em 15, 15 dias,
16:09duas vezes eu vou lá fazer.
16:10A Nádia mora no segundo andar de uma casa.
16:13E por causa dos efeitos colaterais da quimioterapia,
16:16até mesmo subir a escada para chegar até aqui
16:19se tornou algo cansativo.
16:22Além disso,
16:23tarefas básicas do dia a dia,
16:25como preparar uma refeição
16:26ou lavar uma louça,
16:28se tornaram quase impossíveis de serem executadas.
16:32É isso, Nádia?
16:32É um cansaço que você sente?
16:34Explica para mim.
16:35Hoje,
16:36ao dia a dia,
16:37eu já não consigo fazer.
16:38Toda vez que eu vou fazer quimioterapia,
16:40eu fico 10 dias sem poder fazer nada,
16:42nem colocar,
16:43nem lavar a mão.
16:4410 dias,
16:44fico ruim,
16:45sinto um cansaço.
16:47E depois de 3 dias,
16:49depois do finalzinho,
16:50que eu posso fazer alguma coisa.
16:51Mas entre esses 11 dias,
16:53eu não posso fazer nada.
16:54Segundo o Instituto Nacional de Câncer,
16:56mais de 45 mil casos de câncer de intestino
16:59são registrados por ano no Brasil.
17:02A maioria atinge mulheres,
17:04como a Nádia.
17:05O assunto preocupa as autoridades de saúde,
17:08uma vez que estudos apontam
17:09que esse deve ser o tipo de câncer
17:11com maior crescimento no número de casos
17:13até 2030.
17:15Nádia tem histórico de câncer,
17:16inclusive de intestino, na família.
17:18O fator genético pode ter sido
17:20um dos responsáveis pelo caso dela,
17:22mas ela admite que a alimentação
17:24também pode ter uma parcela de culpa.
17:27Comer batatinha, comer hambúrguer,
17:29comer essas coisas,
17:30é gostosa demais.
17:31Mas a consequência vem depois.
17:33Você tinha dificuldade para deixar de comer essas coisas?
17:37Tinha, tive.
17:38Eu gosto de um cachorro-quente,
17:40que olha, eu amo o cachorro-quente.
17:42E hoje ter deixado o cachorro-quente
17:44e ver ele, eu chego a salivar de tanta vontade.
17:48A gente tem vontade, a gente tem desejo.
17:50Para Ana Carolina, que é nutricionista,
17:52esse pode mesmo ser um fator a ser levado em conta.
17:55Hoje a gente tem uma alimentação muito rica
17:58em ultraprocessados e industrializados no geral.
18:01Então acaba que uma alimentação mais limpa,
18:04uma alimentação muito rica em fibras,
18:06acaba ficando muito pobre.
18:07Então acaba comprometendo a saúde intestinal.
18:10Ela diz que não existem alimentos
18:12que previnam o câncer de intestino especificamente.
18:15Mas uma boa alimentação pode ajudar a saúde
18:18de diversas formas.
18:19A alimentação limpa mesmo,
18:22vegetais, frutas de modo geral,
18:24verduras, legumes, isso tem que existir.
18:27Não é questão de não gostar,
18:29é questão de ter que comer de fato,
18:32de saúde mesmo.
18:33Fora hábitos também como atividade física,
18:39ingestão de álcool muito alta também é prejudicial,
18:45tabagismo também é prejudicial, enfim.
18:47Mesmo com dificuldades,
18:49Nádia segue com muita fé de que conseguirá se curar.
18:56Doutor, e existe diferença na evolução da doença
18:59entre idosos e jovens?
19:02Sim, existe.
19:03Quando o tumor incide em pacientes mais jovens,
19:07a gente percebe que são tumores de comportamento natural
19:10mais agressivo do que nos idosos.
19:12Quando acontecem alguns idosos,
19:15a gente percebe também que pode haver uma agressividade,
19:19mas mais relacionado à reserva fisiológica do paciente,
19:22em que o paciente mais idoso é um paciente mais fragilizado.
19:26Então, a gente pode encarar os dois cenários.
19:29Mas, tradicionalmente, o câncer, propriamente dito,
19:32é uma doença que se manifesta com mais frequência em idosos.
19:35O tratamento hoje é mais eficaz e menos agressivo do que no passado, doutora?
19:42O que a pessoa que tem um diagnóstico de câncer de intestino
19:44deve esperar após receber a notícia?
19:49Então, esse paciente, a princípio, tem que ter a sua jornada traçada
19:52por um oncologista experiente, competente,
19:56e a partir daí a gente propõe os tratamentos.
19:59A partir do cenário, então, pode ser um paciente inicial
20:03com indicação cirúrgica de caráter curativo,
20:07que pode ser complementado ou não com quimioterapia,
20:11e algumas terapias-alvo também,
20:13elas são indicadas nos casos mais avançados,
20:16em que se faz necessário testes moleculares,
20:19para que a gente possa identificar o paciente
20:21que vai ter o benefício de indicação de drogas específicas,
20:24conforme o resultado dos testes moleculares.
20:27com um prognóstico que pode variar.
20:30Algumas alterações genéticas, a gente sabe que a doença
20:34tende a ser um pouco mais agressiva,
20:36mas com o avançar da oncologia,
20:38temos propostas de tratamento hoje
20:40que promovem maior controle de doença minimamente.
20:43E o paciente consegue conviver com a doença
20:46e o tratamento com maior qualidade de vida.
20:49Doutora, vamos a mais uma dúvida da população?
20:52Oi, bom dia, meu nome é Jaciane e eu queria saber
20:56quais alimentos que ajudam no intestino
20:58e quais alimentos que a gente deve evitar?
21:01Os alimentos protetores tradicionalmente são frutas, verduras,
21:06alimentos mais de cunho caseiro,
21:09que a gente sabe de fato que são preparados,
21:12são alimentos frescos.
21:14Peixes, a gente sabe que o ômega 3 também presente nos peixes
21:19é protetor para o câncer de intestino
21:22e os alimentos ultraprocessados.
21:24Tudo que é fabricado, ele tem um caráter mais agressivo
21:28para a mucosa intestinal.
21:30O câncer, de uma forma geral, é um tumor inflamatório.
21:33Então, se a gente consegue fazer uma proteção
21:36evitando alimentos que vão causar inflamação ao intestino,
21:39é a melhor opção.
21:41Corantes também, doutora?
21:42Sim.
21:43Tudo que é químico, a gente deve evitar.
21:45Ele deve evitar.
21:46No próximo bloco, vamos esclarecer os mitos e verdades
21:50sobre o câncer de intestino.
21:52Fica aqui com a gente que eu volto já já.
22:05Estamos de volta com o Checkup Saúde.
22:08Agora é hora de mitos e verdades sobre o câncer de intestino.
22:12Doutora, conta pra gente.
22:14Câncer de intestino só acontece em idosos.
22:17Mito ou verdade?
22:19Mito.
22:20Câncer de intestino, a gente sabe que tem aumentado
22:23sua incidência nos pacientes mais jovens,
22:26apesar do câncer, de uma forma geral,
22:28ser uma doença tradicionalmente de idosos.
22:31Doutora, se for diagnosticado no início,
22:33a chance de cura é alta.
22:35Mito ou verdade?
22:36Na verdade, nós temos possibilidade de promover
22:39um tratamento cirúrgico pra esse paciente
22:41de uma forma definitiva, com caráter curativo.
22:45A alimentação é fundamental na prevenção?
22:48A alimentação, sim.
22:49Ela tem um grande papel na prevenção dos tumores de cólon.
22:52A gente pretende sempre orientar o paciente
22:55a evitar alimentos ultraprocessados
22:58e dar preferência a alimentos mais frescos e naturais.
23:02Sangue nas fezes nunca deve ser ignorado.
23:06Mito ou verdade?
23:07Verdade.
23:08Não podemos ignorar sangramento nas fezes.
23:10Pode estar relacionado com doenças benignas,
23:13proctológicas, como doença hemorroidária
23:16ou uma fissura anal, que pode causar um sangramento
23:18e não tem relação com presença de neoplasia.
23:21Mas sangramento nas fezes nunca é normal.
23:24Segundo o Instituto Nacional do Câncer,
23:27são mais de 600 novos casos por ano aqui no Estado.
23:31A César reforça que ao perceber qualquer sintoma,
23:34a pessoa deve procurar a unidade básica de saúde mais próxima,
23:38onde será avaliada e encaminhada para o tratamento adequado.
23:42E assim a gente termina mais um Check-Up Saúde.
23:45Você pode rever este programa no YouTube do Folha Vitória
23:48e semana que vem tem mais Check-Up Saúde, às 10h30.
23:52Eu te espero. Obrigada, doutora.
23:55Eu que agradeço.
23:56Um bom domingo a todos.
24:01Um bom domingo a todos.

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