- há 5 semanas
Vamos entender melhor os casos e saber como evitar e descobrir mais cedo.
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NotíciasTranscrição
00:00E aqui no nosso estúdio, eu recebo a médica oncologista do Neon, gente, doutora Carla Loz.
00:06Obrigada pela sua participação, doutora.
00:07Obrigada pelo convite.
00:08Seja bem-vinda.
00:09E também recebo, gente, a Juliana Paduani, que vai contar pra gente a história dela com o câncer de mama.
00:16Ju, obrigada, que honra recebê-la aqui no programa.
00:19Eu que agradeço a oportunidade.
00:21Conta pra gente como é que foi que você descobriu que você...
00:25Então, eu tava morando na Inglaterra e em fevereiro de 2017, eu num dia de folga, tava ali assistindo televisão,
00:34de boa, de repente eu fui me coçar, assim, perto da mama e senti um carocinho.
00:38E quando eu senti esse carocinho, eu achei muito estranho quando meu marido chegou do trabalho.
00:42Falei assim, vê aqui se você também tá sentindo, tipo, será que sou eu que tô sentindo, que eu nunca
00:46tive nada, né?
00:47Aí ele foi, não, tem alguma coisa aí, vai no DP, que é a clínica médica que a gente procura,
00:53né, lá na Inglaterra, de primeira vez, assim.
00:55E aí cheguei no médico, falei, olha, tô sentindo esse negócio aqui e tal, aí ele falou, olha, vamos examinar,
01:02você tá sentindo muita dor, então fica tranquilo, porque o câncer não dói.
01:05E você tava sentindo dor?
01:07E eu tava sentindo dor.
01:08E então eu falo assim que isso é mentira, que o câncer dói, e muito.
01:11E eu senti dor em todos eles, todos eles, porque eu tive mama, fígado, ossos do quadril, ossos da coluna
01:18e do externo.
01:19Em todos eu senti dor.
01:20Então não tem esse negócio de...
01:22E depois na cabeça, quando foi pra cabeça também, eu senti muita dor de cabeça.
01:26Então foi a primeira coisa.
01:27Aí ele falou, ah, você é muito nova, 31 anos eu estava, né, também é outra balela.
01:33Igual a gente viu ali na reportagem, né?
01:34Igual a gente viu na reportagem, exatamente.
01:36E também não tem histórico na família, que segundo ele, o histórico teria que ser em linha reta.
01:42Até em Londres, a escola fez um estudo, né, do meu caso, pra verificar e realmente não era genético, né?
01:50O meu caso não é genético.
01:52Então aí, com isso daí, o médico foi falando que não era nada, que não era pra me preocupar.
01:58Ah, vamos trocar o anticoncepcional e troca, e o negócio vai aumentando.
02:01E no exame também, ele descobriu um outro também mais embaixo.
02:05E aí eu tinha que ficar tomando remédio pra dor, né, porque eu ficava sentindo muita dor.
02:11Chegou um ponto que eu já não conseguia mais dormir do lado esquerdo, já que era a mama esquerda afetada.
02:16E aí eu continuei insistindo com os exames, e o exame, exame, ia no médico, não, tem que esperar.
02:23Falei, olha, esse anticoncepcional pode ser maravilhoso pra outras mulheres.
02:26Pra mim, não está sendo.
02:27Porque se fosse pra resolver, estaria pelo menos estável e não está estabilizando.
02:31Está só aumentando.
02:32Então eu preciso que seja investigado novamente.
02:35Então eu fui insistindo, entendeu?
02:37Até que em agosto...
02:39Isso lá fora, hein?
02:40Onde a gente acha, né?
02:41Isso lá fora, é.
02:41País de primeiro mundo.
02:44Até o meu oncologista aqui falou que muito provavelmente aqui também seria a mesma coisa
02:47por causa dessa crença, da idade, né, da dor, né, essas coisas, da questão genética e tudo mais.
02:54E aí ele falou, aí eu fui fazer a biópsia e na biópsia deu, né, que era realmente o câncer,
03:02o carcinoma.
03:03Aí, doutora, você me corrige, porque eu só sei falar no inglês.
03:05É o HER2 positivo, que é o HR2 positivo, né, que eles chamam assim, eu não sei como chama aqui.
03:12E aí fui encaminhada para a oncologista, para então dar início ao tratamento.
03:19E aí começou uma nova saga, porque daí novos exames e a pergunta que não queria calar, né?
03:25Você está grávida, você não está grávida, não pode engravidar, não sei o quê, e de repente eu desculpo que
03:29eu estou grávida.
03:30Gente, imagina, como é que foi viver esse misto de sentimentos, né?
03:35De um lado uma notícia devastadora e do outro a notícia mais feliz da vida que você vai ser mãe.
03:41Daqui a pouquinho você conta para a gente como é que foi conciliar esses sentimentos.
03:45Doutora, vamos só tocar num ponto muito importante, é isso mesmo, cada vez mais a gente tem visto mulheres jovens,
03:5231 anos.
03:53Essa outra moça também da reportagem, na faixa dos 30 anos também. Por quê? O que explica isso?
03:58E por vezes até menos de 30 anos. Eu tenho até inclusive pacientes de 18 anos, 20 anos, 25 anos.
04:06Então, isso é um dos debates que a gente tem hoje em dia.
04:10Não só no câncer de mama, que hoje a gente está falando do outubro rosa, mas outros tipos também, até
04:15de intestino, de estômago.
04:17Então, está vindo um alerta muito grande, principalmente no nosso dia a dia, né?
04:23Hoje em dia, a nossa rotina, o que a gente faz para a nossa saúde.
04:27Como é a nossa alimentação, se estamos sedentários ou não, como é que está a questão da atividade física, a
04:33nossa dieta, o que a gente está ingerindo.
04:36Então, isso tudo são fatores que antigamente não se levava tanto em conta.
04:40Muitos, hoje em dia, a gente comenta em jovens, primeiro ponto, histórico familiar.
04:46Ah, se você não tem histórico familiar, você não se enquadra. Não é muito bem assim.
04:50Os fatores são inúmeros, né?
04:53Então, hoje o debate é cada vez maior de tentar compreender por que mais jovens.
05:00Eu não tenho um único fator, é multifatorial mesmo.
05:04E para você, Ju, como é que foi, então, lidar com esse misto de sentimentos?
05:08Porque cada vez que você ia fazer um exame, você recebia essa pergunta, né?
05:12Você está grávida?
05:13Exatamente.
05:14Nossa, era um negócio.
05:16Porque toda vez que eu ia no hospital, e eu já vinha, estava indo praticamente todos os dias, né?
05:20Para poder fazer todo o controle inicial, para iniciar, então, o tratamento, né?
05:25Então, toda vez era a mesma pergunta.
05:26E aí, tem alguma chance de você estar grávida?
05:28Tem alguma chance de você estar grávida?
05:29Aí eu disse, não, gente, eu não estou, eu não estou, eu não estou.
05:31Aí, como eu tinha que fazer o PET scan, né?
05:34Então, não podia, de forma alguma, estar grávida.
05:36E aí, a médica falou assim, olha, se você estiver grávida, não pode fazer, não sei o que.
05:40Eu falei, não, Ju, eu não estou grávida.
05:42Aí eu falei, quer saber?
05:43Só por desencargo de consciência, eu vou fazer um teste de farmácia, para eu poder
05:48falar para eles, olha, eu fiz o teste.
05:50Para, tipo assim, eles pararam me perguntando, sabe, aquela coisa assim?
05:53Aí eu falei, não, eu vou fazer o teste.
05:54Aí eu fiz o teste de farmácia.
05:56Aí deu negativo, era um falso negativo.
05:58E aí eu fui para o PET scan, eu ainda anotei, eu lembro até hoje, eu anotei na minha ficha
06:02lá que eu estava preenchendo, teste de gravidez negativa, anotei.
06:07Aí o rapaz, ah, não, tudo bem, então vamos fazer.
06:10Aí fiz o PET scan, beleza.
06:11Foi daí que eu descobri que eu tinha metástase óssea e tinha o ponto no fígado, porque
06:16até então eu só sabia do câncer de mama.
06:18Então eu já tinha enraizado para outras áreas.
06:21Então, aí eu, quando eu fui para a oncologista, ela falou assim, olha, já deu metástase,
06:28então a gente precisa iniciar o tratamento o mais urgente possível.
06:31E aí, como eu continuei trabalhando, porque eu não quis parar, porque eu era pessoa acelerada,
06:36aí eu fui, eu continuei trabalhando, aquele negócio todo eu travei da coluna.
06:39Eu lembro que eu dei um mau jeito e eu já não estava conseguindo andar mais.
06:44E aí, com isso, tomando mais medicação ainda, que era proibido no caso de estar grávida, né?
06:50E aí eu fui lidando com isso daí, tudo, até que eu fui fazer a radioterapia,
06:54porque ela falou, vamos começar então pela radioterapia para desinflamar esses ossos,
06:58para ver se você volta a andar mais rápido.
07:00Aí fui fazer a radioterapia, aí a enfermeira me chamou para o assessment,
07:04que seria aquela consulta prévia, né?
07:06E aí eu fui fazer, ela me perguntou novamente da gravidez, eu falei,
07:10não, eu não estou grávida, mas se você quiser, faz aí o que você quiser, meu sangue está aí.
07:13E aí, tipo assim, ainda fui meio ignorante com ela, sabe?
07:16Eu já estava de saco cheio da pergunta.
07:17Aí ela, tá bom, eu vou pedir aqui.
07:19No outro dia, quando eu fui fazer a radioterapia, a enfermeira me perguntou novamente.
07:24Aí eu falei, olha só, engraçado, que essa noite eu sonhei com uma criança,
07:26e de fato eu tinha sonhado com uma neném.
07:28E aí ela falou, sim, é mesmo?
07:30Aí eu falo assim, que Deus conversa com essas pessoas, né?
07:32Os anjos que vai lá e tem aquele estalo, né?
07:35Ela falou, hum, espera aí que eu vou olhar seu exame.
07:37Vai lá para a radioterapia.
07:39Eu fui, quando cheguei lá, os enfermeiros me prepararam na maca,
07:43a enfermeira que estava me coordenando ali chegou, já assustada.
07:48Falou, para tudo, para tudo, que a gente não pode fazer mais nada.
07:50Você tem uma grande chance de estar grávida.
07:52Aquilo mesmo, a vista chegou a escurecer, ainda bem que eu estava deitada, senão eu tinha caído.
07:56Doutora, para para pensar.
07:58Assim, desse jeito.
07:58O que acontece numa hora dessa?
08:00E aí, porque você não pode fazer o tratamento, né?
08:03Não é indicado, né, doutora?
08:04Não, não é indicado.
08:05Nessas situações, a gente tem que avaliar muito bem, né?
08:09Essa questão, principalmente, uma gestação recente, nova, que alguns medicamentos, principalmente a radioterapia, é contraindicado.
08:18Então, tem que chegar num consenso, né, analisar como um todo e ver o melhor momento também de iniciar.
08:25Exatamente.
08:26Então, daí eu comecei o tratamento com 15 semanas, que foi quando eles foram analisando, eu fazia acompanhamento semanal com
08:34eles, né?
08:35Eu traçava um de cada 15 dias, para ir vendo como estava.
08:39E aí, também tinha que saber se o neném estava vivo ou não, porque eu já tinha feito tudo que
08:41eu não podia, né?
08:42E aí, o neném estava vivo, graças a Deus.
08:45E aí, eu falo assim, né, é coisa de Deus, é o improvável dando certo, né?
08:49E aí, doutora, pegando o caso dela como exemplo, então, é importante que a mulher, antes de engravidar, faça todos
08:55os exames, já que a gente está vendo isso acontecer mais cedo também?
08:59Sim, temos, não temos recomendações formais, né?
09:03Mas, compreendendo casos e casos, a gente recomenda, assim, esse rastreio, como é que está a saúde da mulher, né?
09:11E, durante a gestação, acabo descobrindo outras doenças, até mesmo hipertensão, diabetes, dentre outros.
09:18Então, sim, tem que fazer esse acompanhamento.
09:19Olha só, vou convidar aqui para o nosso bate-papo, calma que a história da Juliana não acabou não, tá?
09:24Calma, fica sentada aí.
09:26Vou convidar aqui para o nosso bate-papo a Larissa Belo, que também descobriu o câncer de mama, só que
09:31o dela foi no final da gestação.
09:33Como é que foi enfrentar esse momento tão difícil e, ao mesmo tempo, estar recebendo ali nos seus braços o
09:39maior presente da vida?
09:41Boa tarde, Larissa.
09:43Boa tarde, tudo bom?
09:46Olha, da última vez que eu te vi, você estava com o cabelo pequenininho, baixinho, está toda cabeluda, gente!
09:52Que bênção!
09:53Toda feliz agora, olha, tudo deu certo, graças a Deus.
09:58É um prazer voltar aqui para falar com você novamente também, Roberta, obrigada.
10:05Bom, foi o que todas as meninas aí falaram, né?
10:09É um sentimento, assim, de deserto muito grande, um verdadeiro desespero.
10:14A gente perde o chão, não sabe o que vai ser dali para frente.
10:18Eu falo, sim, que é uma escuridão.
10:20Mas, ao mesmo tempo, o meu foco era todo na Laura, que era a minha filhinha que estava chegando.
10:26Quando eu recebi o diagnóstico, a Laurinha estava com 10 dias de vida, né?
10:30Eu senti o cara, assim, bem no finalzinho mesmo da gravidez.
10:34Fiz a biópsia ainda grávida e, aí, quando ela estava com 10 dias, saiu esse resultado.
10:40Foi esse momento muito difícil, mas eu confesso que Deus foi muito bom por ter me mandado ela.
10:46Eu não tenho palavras, assim, para agradecer mesmo, porque foi o meu maior motivo de querer encarar e querer enfrentar,
10:56né?
10:56O tratamento que tem suas intercorrências, tem seus altos e baixos, suas dificuldades.
11:01Mas eu sempre estava muito otimista e muito confiante, principalmente pela Laura, né?
11:07Por querer aproveitar o máximo possível ali com ela.
11:09Ela foi toda a sua força?
11:12Completamente.
11:13Eu falo que essa história a gente escreveu juntas, eu e ela.
11:18Eu estou lançando até um livro agora.
11:21Eu consegui escrever, assim, durante dois anos, né?
11:24Já se passaram dois anos desde o início.
11:27E aí, com muitas noites em claro, aí eu fui relatando tudo isso,
11:31porque vai ser o meu maior legado para ela.
11:34Ela precisa saber, e as pessoas também, né?
11:37Da importância e da força que ela teve nesse processo junto comigo.
11:42Que bacana.
11:43A gente está aqui com os olhos cheios de lágrimas, tá?
11:45O mais bacana é a gente ver, tanto você, Larissa, quanto a Juliana,
11:50e muitas outras mulheres estão se tratando, como isso mostra a importância da gente se cuidar, né?
11:56E da gente descobrir o quanto antes.
11:59Estamos aqui com histórias.
12:00Sim, muito importante.
12:01É muito importante, né, Larissa?
12:03E isso foi crucial também para você, né?
12:07Foi, sem dúvida nenhuma.
12:09Apesar de eu ter sentido...
12:11Era muito pequenininho, eu jamais poderia imaginar que seria um nódulo maligno, né?
12:17Como eu falei, eu estava no final da gravidez, então eu imaginei alguma possibilidade de glândula.
12:23E aí o obstetra falou, não, isso não é uma glândula, vamos investigar.
12:27E de cara, foi tudo muito rápido.
12:29Assim, em uma semana eu já estava com a biópsia feita.
12:33Então, assim, eles aceleraram muito.
12:35Já era um câncer de grau 3.
12:37Então, ele já tinha dado metástase na axila também.
12:42E era um triplo negativo.
12:44O da colega que falou antes de mim era um HER2, né?
12:47Positivo.
12:48Cada pessoa tem o seu tipo.
12:50Então, assim, até uma coisa que eu falo no livro é que cada tratamento é um tratamento.
12:55Eu contei o meu relato, mas, assim, em base no que eu vivi.
12:59O ideal mesmo é que cada pessoa procure o seu médico de confiança, uma equipe que faça mesmo ela acreditar
13:05que, seguindo aquelas orientações ali, é que vai dar certo.
13:09Eu acredito muito que o pensamento positivo e crer, principalmente em Deus, né?
13:15E na equipe médica é fundamental para o sucesso do tratamento.
13:20Acho que reflete no nosso corpo físico.
13:22A Juliana também está aqui falando.
13:24Já sou fã, já.
13:26Obrigada pela sua participação.
13:27E quando você tiver para lançar o seu livro, conta com a gente, tá bom?
13:31Pode deixar, com certeza.
13:33Tá certo.
13:33E a gente conte um beijo.
13:35Dá um beijo na Laura.
13:37E a gente continua esse bate-papo.
13:38Não acabou ainda não, viu?
13:39Primeiro, eu quero tocar nesse assunto com você, doutora.
13:42Que muitas das vezes, né?
13:44As mulheres pensam, ah, o que vai acontecer com uma?
13:46Acontece com a outra?
13:47O que aconteceu?
13:48Não.
13:48Cada um, inclusive, tem até um tratamento diferente, né?
13:51Sim, sim.
13:52O tratamento é individual.
13:54Hoje a gente já ouviu aqui três relatos, né?
13:58E cada um teve a sua história para contar.
14:00Por vezes, algumas histórias são parecidas, mas o tratamento é de acordo com o tipo.
14:06Hoje em dia a gente já sabe o subtipo, o medicamento que tem resultado.
14:11E a gente trata de acordo com isso.
14:13Então é muito importante cada um compreender.
14:16Essa troca é legal, é bacana.
14:19Cada um dividir suas experiências.
14:21Mas que o resultado é individual de cada um.
14:24E que confie também na sua equipe.
14:26Você confiou na sua equipe, a outra colega também.
14:30Porque é para estar todo mundo junto no mesmo barco.
14:32Então é para remar todo mundo junto.
14:33O que tem de mais moderno?
14:35O que tem de novidade no mercado para a gente combater o câncer de mama, doutora?
14:39Olha, o câncer de mama tem evoluído cada vez mais, né?
14:43A cada ano tem descoberto novos medicamentos.
14:46Infelizmente não disponível, por vezes não no SUS, infelizmente também trabalho no SUS.
14:52Ainda não, ainda não ainda, desculpa.
14:55Até mesmo em planos de saúde.
14:58Então, no caso, também temos medicamentos novos para combater o HER2.
15:02Temos medicamentos novos para tratamento também com receptor de hormônio positivo.
15:09E tratamento de triplo negativo também, que é o advento da imunoterapia.
15:14Então, para cada situação está tendo novas drogas, novos medicamentos.
15:18Você tocou um ponto muito importante.
15:19As barreiras que as mulheres que são tratadas pelo SUS, as barreiras que elas encontram, né?
15:24Que a gente sabe que se não é fácil, para quem tem plano de saúde, quem dirá para quem não
15:29tem, né?
15:30Exatamente.
15:31Há alguns anos atrás, eu já participei em auxiliando e mutirão de ultrassom de mama no interior do estado, inclusive.
15:39Tinha pacientes que estavam aguardando há mais de anos.
15:41Um exame de rastreamento.
15:43Teve momentos que teve o diagnóstico ali.
15:46Então, isso poderia ser evitável.
15:48Agora, vamos lá, você aí de casa, que está prestando atenção, está sentada aí no sofá.
15:53Você também tem muitas dúvidas, né?
15:55Eu confesso que eu também tinha, estou tendo ainda, mas estou aqui para esclarecer.
15:59A partir de qual idade, a partir de que momento que a gente precisa fazer a mamografia,
16:04o autoexame ajuda realmente, pode ser também uma ferramenta?
16:08Com certeza, é uma ferramenta, mas ela não é sozinha.
16:12Então, número um é conhecer seu próprio corpo.
16:16Parar de ter esse tabu, esse medo, esse receio.
16:20Então, conhecer o seu corpo, fazer o autoexame.
16:23Em segundo lugar, acompanhamento médico.
16:25Então, no exame médico, o paciente vai ser examinado também por um especialista.
16:30Então, ele também vai avaliar, vai fazer uma anamnese, conhecer seu histórico
16:35e avaliar se tem a necessidade ou não.
16:38Por quê?
16:38Igual a doutora Virginia falou mais anteriormente,
16:43essa idade do jovem ainda está descoberta.
16:45As recomendações do Ministério da Saúde é acima de 50 anos.
16:51Da nossa sociedade, de 40.
16:53E no jovem?
16:54E cada vez mais a gente tem visto essa necessidade, né?
16:59De a gente se atualizar, rever conceitos, rever diretrizes.
17:03Então, o autoexame é essencial também.
17:07Ele não é sozinho, mas ele é essencial.
17:10Ju, agora vamos mostrar aqui para o pessoal de casa, que eu disse para vocês que a história
17:14dela ainda não acabou por ali, não.
17:16Ela, inclusive, lançou um livro em maio desse ano.
17:20Estou vendo aqui, olha só o tamanho do Leonardo.
17:23Está com quatro anos.
17:25Quatro anos.
17:26Queria que você contasse a importância dele na sua vida e nesse processo que você está
17:31enfrentando ainda, mas que eu tenho certeza que com a sua alegria você já está curada,
17:37viu?
17:37Você está no caminho certo.
17:38Estou no caminho certo.
17:40O Leonardo, vamos dizer assim, ele é tudo.
17:44Porque muita gente falava no início que seria impossível, que ele, tipo, essa gravidez
17:51tiraria minha vida e tudo mais.
17:53Mas, para mim, ele veio como uma forma de salvação, porque por ele eu lutei.
17:58Até me emociona um pouco falar dele.
18:00E eu ainda luto até hoje.
18:04Então, assim, tenho cinco anos, eu brinquei até com a doutora, porque eu falei, já estou
18:07até vencida, porque já me deram cinco anos de vida, eu já superei esses cinco anos,
18:11né?
18:11Então, eu já venci aí.
18:13E eu, cada vez mais, assim, ultrapassando, né, as barreiras da medicina, né, as coisas
18:18que os médicos falam e tal, que às vezes falam, ah, porque vai durar tanto tempo, ah,
18:22porque você tem meses de vida.
18:24O médico chegou para falar para mim que no Natal passado eu não estaria mais aqui, né?
18:28Então, eu sempre me seguro nele, ele é tudo na minha vida.
18:31Assim, é por ele que eu luto até hoje, porque eu sei que é uma criança que ninguém
18:36vai amar ele como eu, assim, entendeu?
18:38Então, é tudo.
18:39E essa entrega é incrível, né?
18:42Eu vi nas fotos de vocês, estou vendo aqui na capa do livro.
18:46É, é tudo.
18:47Acho que é um negócio, é uma relação que só quem é mãe consegue entender.
18:54Porque mesmo que eu não conhecesse ele ainda, ele dentro da minha barriga, ele me dava
18:57força, sabe?
18:59Por ele eu lutava.
19:00Então, eu falava, não, por ele eu tenho que conseguir, vai ter que dar certo.
19:03Eu ia aguentar, eu aguentei, assim, comi o pão que o diabo amassou, mas eu aguentei
19:08até o final.
19:09E enquanto a médica falava, não, Juliana, se acontecer alguma coisa, a nossa prioridade
19:13é você, tipo, você que a gente vai salvar.
19:16Se na hora do parto, né, tivesse algum problema com ele, a gente salvaria, eles iriam me salvar.
19:22Eu falava com ela assim, não vai precisar, vai salvar eu e vai salvar ele.
19:24Eu tinha convicção, sabe?
19:26Tinha certeza, era uma coisa que eu sentia, assim, que ele ia vir.
19:29E ele aí, tá aí.
19:30Uma história de superação, porque depois de diagnosticado, então, do câncer de mama,
19:36deu metástase, não é isso?
19:38Conta pra gente, então.
19:39É, começou com a mama, aí eu fiz o PET scan, aí deu metástase óssea e o fígado.
19:44Aí, depois, logo depois eu descobri a gravidez.
19:47Aí, tive que parar tudo, refazer toda a programação, né, do tratamento.
19:51E aí, tivemos que esperar.
19:53Então, eu fui pra uma clínica de pacientes terminais, né, o hóspice, que era pra controlar
19:57a minha dor, porque eu já não andava mais, já não conseguia mais levantar da cama, tomar
20:01banho sozinha, essas coisas, não fazia mais nada.
20:03Então, fiquei lá até conseguir.
20:05Eu tomava morfina 24 horas por dia e por aí vai.
20:08E vomitava e tudo mais.
20:10E aí, quando controlou tudo, que eu consegui voltar a andar com o andador, aí, então,
20:15eu voltei pra casa.
20:16Era véspera de Natal, aí fui, passei o Natal com a minha família, já carequinha, já tinha
20:20perdido os cabelos, tudo.
20:23Aí, depois, o Leonardo nasceu.
20:24Em abril de 2018, o Leonardo nasceu.
20:27Antes do tempo também, porque o bichinho é pra frente, entendeu?
20:29Quis nascer antes da hora prevista da médica.
20:31Deixou todo mundo maluco.
20:33Aí, nasceu, né, foi um parto cesárea, né, não podia ter parto normal, né, por causa
20:38do câncer no quadril.
20:40E aí, foi assim.
20:42Aí, ficamos uns dias lá no hospital, superamos a medicina de novo, com Deus, né, agindo,
20:47que os médicos achavam que a gente ia ficar uns três meses no hospital com ele na incubadora,
20:52ele ficou três dias.
20:53Aí, deu tudo certo.
20:55Eita, família guerreira!
20:57Família guerreira.
20:58Ali é.
20:58Ali é.
20:59E não acabou ainda?
21:00Não acabou ainda?
21:01Não acabou ainda, mas tem muita coisa.
21:02Se deixar, a gente fica até amanhã.
21:03Agora, de tudo isso que você contou, eu já senti desde quando a gente conversou no telefone
21:08a sua energia positiva, o quanto você é alta astral, o quanto você leva isso com leveza.
21:13Doutora, pesquisas mostram que isso realmente influencia, né, no tratamento?
21:20Influencia tanto no tratamento, quanto os efeitos colaterais do tratamento.
21:25Então, aquela frase, corpo sã, medição, né?
21:28Então, a gente sabe quando a gente vai com mais leveza, com uma certa esperança, tirando
21:37alguns sentimentos de dúvidas, questionamentos, encarando ali, vai um pouco mais leve.
21:43A batalha é difícil, mas vai um pouco mais leve.
21:47É o que eu costumo dizer, que eu acho que é muito importante a gente falar para quem
21:50está ouvindo aqui o programa, é como a doutora estava falando, confia na sua equipe.
21:56Todas as pessoas que me procuram, né, para conversar sobre o assunto, assim, eu tenho
22:00conversado com muitas pessoas, a primeira coisa que eu falo é isso.
22:04Primeira coisa de tudo, descobrir, né, receber o diagnóstico, procura uma equipe da sua
22:09confiança.
22:10Geralmente, é uma equipe multidisciplinar, né, doutora, que a gente precisa, não só
22:13o médico-oncologista, a gente precisa de uma série de profissionais, né?
22:18Então, procura uma equipe que te dê segurança, porque isso é fundamental, para que a gente
22:22consiga, tipo assim, ter essa cabeça positiva, né?
22:25Porque senão, como é que você vai acreditar no que o médico está te falando para você
22:28fazer, se você não está confiando nela, né?
22:30Então, é isso.
22:31Tá certo.
22:31Obrigada, doutora.
22:33Obrigada.
22:33Pela sua tranquilidade, essa serenidade em tratar desse assunto, que a gente precisa
22:37levar esse alerta para todas nós mulheres.
22:39Os maridos que estão acompanhando, cobrem também, estimulem as suas esposas.
22:44Agendou a consulta, agendou a mamografia, amor?
22:47Cadê?
22:47Quero ver, vou com você.
23:01Né?
23:03Isso, isso aí.
23:04O livro está aí para quem é paciente oncológico, acompanhantes, que às vezes não sabe como
23:08agir com a situação, quer ajudar.
23:10Tem muitas dicas aí, tanto para paciente como para acompanhante.
23:13Obrigada, viu?
23:15Obrigada.
23:15Obrigada a você.
23:16Volte aqui no Fale Espírito Santo.
23:18Volto.
23:18Para dar a notícia mais maravilhosa da sua vida.
23:21Estou curada.
23:22Você estará curada, em nome de Deus, tá bom?
23:24Em nome de Jesus.