- há 1 semana
Entrevista com Rafaele Cé
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NotíciasTranscrição
00:00Começa agora, na Pan News, Vitória, Valores, com Edu Copernic.
00:08Olá, seja muito bem-vindo ao programa Valores, um espaço de discussão sobre o desenvolvimento do Espírito Santo,
00:15sobre como pensam os principais agentes que movem a nossa economia.
00:20E hoje a gente abre a discussão sobre o mercado de petróleo e gás no Espírito Santo.
00:25A gente conversa com o Rafael Sé, presidente da Rede Petro ES, uma associação capixaba formada por empresas fornecedoras de
00:33bens e serviços para o setor de óleo, gás e energia.
00:37Tudo bom, Rafael? Seja bem-vindo.
00:39Obrigado pelo convite, Edu. Sempre é bom conversar sobre óleo e gás, principalmente no Espírito Santo.
00:43Legal. A Rede Petro ES é uma instituição que liga as pontas entre o setor produtivo de gás e de
00:52petróleo no Estado.
00:53Liga fornecedores a produtores e tem tido cada vez mais relevância por causa de uma mudança na forma de explorar
01:01petróleo no Estado.
01:03A Petrobras deixou de explorar petróleo em terra, cedeu para empresas privadas.
01:08E com isso a gente teve um aumento expressivo de produção aqui no Espírito Santo, nesse caso, nesses postos de
01:15petróleo em terra.
01:16Rafael, como é que ceder essa exploração em terra mexeu com o nosso mercado?
01:21Como é que você viu isso e como é que é o panorama hoje?
01:23É muito interessante, Edu, porque toda vez... São Mateus é o grande centro de exploração de petróleo e gás em
01:30terra no Espírito Santo.
01:32E toda vez que eu vou para São Mateus, tenho ido de 15 em 15 dias lá visitar as empresas
01:37de lá.
01:38Nós estamos preparando um seminário lá em São Mateus.
01:41E é muito interessante ver, a cada vez que a gente vai lá, como realmente está movimentado.
01:46Os macacus mudaram de cor, né? Antes era o laranja, agora passaram a ser azuis, né?
01:50Laranja da Petrobras.
01:51A Petrobras passou a ser azul por causa da Seacrash, né?
01:54Mas assim, a movimentação está muito grande.
01:56É legal você falar disso, porque a Seacrash é uma empresa gigante, uma multinacional que está lá em São Mateus.
02:03Mas isso significa que só tem espaço para empresas gigantes, assim, nesse setor lá na exploração em terra?
02:09A Seacrash é a principal, né? Ela que comprou os polos da Petrobras, né?
02:14Porém, tem outras empresas como a Imetame, que também é pequena, que não é tão pequena, né?
02:19A BGM, que também está lá, a Vipetro, né?
02:22A Mandacaru, a Tarmar.
02:25Então, são várias empresas que compraram pequenas concessões e que estão avançando.
02:30No último leilão agora que teve em dezembro, entrou uma outra empresa agora também que comprou mais de 120 concessões,
02:36inclusive 7 ou 8 concessões aqui no Estado.
02:39Então, deve mais uma empresa a explorar petróleo aqui no Estado.
02:44Antes, era uma empresa só.
02:46A Petrobras, que é responsável por explorar o petróleo offshore, né?
02:50Em mar, grandes profundidades às vezes, e também em terra.
02:54E como é que... e agora são, sei o que, dezenas de empresas, né?
02:58São muitas empresas diferentes explorando, né?
03:01Como é que isso mudou o eixo de oportunidade da cadeia do petróleo no Espírito Santo?
03:05Eu acredito que realmente ficou mais próximo, né?
03:07Você consegue ter mais acesso à empresa, à Secrash, que é não regueza, mas a base dela é em São
03:13Mateus, né?
03:14Então, as pequenas e médias empresas que são de São Mateus conseguem ter mais acesso.
03:20Então, o fornecimento ficou mais local.
03:22Ainda está em adaptação, porque as empresas têm que se preparar para atender o mercado de óleo e gás,
03:28que não é um mercado fácil, mas que estando próximo e com a ajuda da Secrash lá...
03:33Então, a gente vê, por exemplo, desenvolvimento de novos produtos, novos equipamentos, novas ideias,
03:38sendo criadas de sonda, de perfuração.
03:42Então, realmente, é um grande pool de ideias e de mercado que eu acho que São Mateus está vivendo nesses
03:47últimos anos aí.
03:50Gera dinheiro isso?
03:51Como é que é o mercado no Estado para esse novo momento na exploração?
03:55É, a Secrash, ela gira em torno de um bilhão ano, né?
04:00Mais ou menos assim que é o...
04:01Um bilhão de dinheiro?
04:03Um bilhão ano, que é mais ou menos o faturamento, assim, pegando produção pelo preço do petróleo, né?
04:08Quanto ela produz mais ou menos.
04:09Então, você colocando aí que talvez 20% ou 30% disso se desenvolva no mercado local, né?
04:15E nas empresas que estão por ali, porque ela conservou um pouco de terceirizar muitos serviços.
04:20Então, ela conservou a ideia da Petrobras de não primarizar tudo, de realmente terceirizar.
04:26Então, ela tem hoje praticamente 700, 800 funcionários e mais de mil terceirizados.
04:31Então, realmente, para as empresas locais, isso é uma grande oportunidade.
04:35As empresas de São Mateus estão olhando isso e estão se aproximando cada vez mais.
04:40A gente vê, realmente, uma proximidade muito grande e uma abertura da Secrash para isso.
04:45Petrobras é uma empresa gigante.
04:46Secrash é uma multinacional, uma empresa de fora, gigante também.
04:50Mas você acha que...
04:51Você citou algumas outras empresas, né, Leonores?
04:54Você acha que só tem espaço para as grandes ou as pequenas também têm espaço nesse mercado diferente,
05:01por exemplo, de explorar petróleo em mar, que tem um custo muito maior, por exemplo?
05:06É, o mar já é um passo um pouquinho maior, né?
05:09Então, por exemplo, nós vamos ter um evento com a PetroRio, semana que vem, não.
05:13Então, dia 8 agora, né, na FINDES, justamente, que a PetroRio é uma empresa junior oils, né, vamos chamar das
05:21novas, né, que realmente focou na exploração offshore.
05:24Mas ela tem hoje uma produção acima de 100 marris, 100 mil barris dia.
05:29A Secrash, por exemplo, tem na faixa de 8 a 10 mil barris dia em terra, né?
05:33Dez vezes menos.
05:34Dez vezes mais.
05:35Então, a PetroRio se especializou nisso e ela vem crescendo muito.
05:40Então, hoje, das juniors, ela é a principal offshore, né, mas é uma empresa que fica com base no Rio.
05:47Ela está fazendo um projeto no Espírito Santo, no sul do Espírito Santo, que pega a base de que se
05:53chama Wahoo, né?
05:54Então, vai ter uma exploração maior em mar no Espírito Santo, justamente da PetroRio, né?
06:01É, você falou que é uma junior, é isso?
06:04É.
06:04O que que são?
06:04O que que significa esse tema?
06:06As majors, né, as majors, que são as Shell, que provém das sete irmãs, né, daquela época, são as grandes
06:14empresas, né?
06:15E as juniors não são tão juniors assim, né?
06:17Então, se eu pensar que uma empresa que produz 10 mil barris dias fatura um bilhão, uma empresa que fatura
06:24100, fatura 10.
06:25Exatamente.
06:26Então, por exemplo, na proporção.
06:27Então, são realmente volumes bem expressivos de giro de valor.
06:32Mas essas juniors são empresas bem menores do que essas gigantescas que a gente conhece.
06:36Sim, são mais acessíveis, né?
06:38Então, você conhece o dono, você consegue conversar com o dono.
06:41Não, eles estão, eles circulam nas feiras, você traz eles para seminários, você tem mais acesso ao planejamento, até a
06:49cadeia de supply deles, né?
06:51Por que que isso é importante?
06:53Conhecer o dono, falar com ele?
06:55Ah, porque aproxima, né?
06:57Porque aproxima, você consegue ter mais, assim, visão do que realmente a pessoa está pensando, né?
07:01Ou seja, da estratégia é muito interessante.
07:04Essas pessoas, elas têm uma visão, elas têm um conhecimento, têm um alcance, uma visão mais de cima, né?
07:10Então, você consegue enxergar um ambiente, um mercado que normalmente, assim, as pessoas que estão mais no operacional não conseguem
07:19enxergar, né?
07:19Então, a visão que é muito bacana.
07:21Teve uma palestra do pessoal da origem, né?
07:24Deu o Luiz Coutinho, ele falou, foi sensacional na Bahia, né?
07:29Ele fala justamente, ele começa a ter uma visão, poxa, você não pode, a questão da transição energética, né?
07:36A transição energética, você não pode pegar o modelo do mundo e trazer isso para o Brasil.
07:41Você tem que pensar isso como um modelo de Brasil.
07:44Talvez aquilo que é importante para o mundo, aquilo que se coloque no mundo como transição, no Brasil seja diferente.
07:50E não funciona no Brasil como um modelo.
07:51Não funciona do mesmo jeito.
07:52Isso é uma cadeia mundial.
07:53Então, cada estado, cada região tem a sua particularidade.
07:57Então, isso, a forma de explorar no Espírito Santo é diferente da forma de explorar em Mossoró, no Rio Grande
08:03do Norte, em terra.
08:04São coisas completamente diferentes.
08:05Aqui o poço é mais profundo, aqui precisa de injeção de vapor, lá não precisa.
08:10Então, cada local tem um custo, tem uma maneira de trabalhar, tem um tipo de serviço.
08:17Isso que é interessante fazer pensar diferente.
08:20Todos eles são lucrativos sempre? O petróleo é sempre lucrativo?
08:23Nem sempre. Eu acredito que nem sempre, entendeu?
08:26Acho que há uma movimentação muito grande nos bastidores.
08:31As concessões de óleo e gás, elas acabaram, as melhores já foram vendidas.
08:38E hoje o que acontece no mercado é que algumas empresas que entraram não conseguem tornar operacional aqueles poços,
08:46ou por incapacidade operacional, falta de conhecimento.
08:50E acaba realmente, existe um mercado hoje de venda de concessões no segundo plano, vamos dizer assim.
08:56Gente que não conseguiu tocar.
08:58Não consegue. Não é tão fácil, não, quanto se imagina, não.
09:02Existem várias...
09:03Não vai transformar o dono do poço num barão, não.
09:05Não, não. A média de quando você perfura um poço de petróleo, um onshore, é de 30 barrigias.
09:15Você furou um poço, é 30 barrigias.
09:17Tem alguns que você fura que dá 100, que dá 200, 500.
09:21Então, quando você acerta um desses, você vai bem, né?
09:27Mas, às vezes, você erra, né?
09:29Então, a empresa de petróleo, quanto mais ela investe, quanto mais ela arrisca, claro, dentro daquilo que ela conhece,
09:36ela precisa sempre demandar investimento.
09:38Quanto mais ela investe, mais o retorno.
09:41Entendeu?
09:41Então, por exemplo, às vezes, essas empresas que estão entrando no mercado hoje,
09:47elas acabam tendo que gastar tanto dinheiro na compra da concessão,
09:50que depois acaba faltando para investir.
09:52Falta fôlego, né?
09:53Falta fôlego para investir.
09:54Então, precisa ter fôlego.
09:57Rafael, aqui no Programa Valores, a gente tem uma série de quadros.
10:00O primeiro quadro deles é o Dica de Valor.
10:07Rafael, na sua opinião, qual investimento tende a dar o melhor retorno aqui no Estado?
10:15A cadeia de óleo e gás.
10:17Como? E de que forma?
10:19Eu acho que a cadeia de óleo e gás, ele vai continuar, entendeu?
10:24Eu acho que a transição, ela é necessária.
10:26Sim, ela é necessária.
10:27Porém, as oportunidades que estão surgindo justamente com esse desinvestimento,
10:31é realmente uma oportunidade de se buscar novos players, novas empresas.
10:40Existem oportunidades, sim, no setor de óleo e gás.
10:42Ainda é uma cadeia que pode fornecer muito.
10:45Como é que você identifica os pontos fortes do segmento de exploração de petróleo onshore aqui no Estado?
10:53Eu acho que o onshore, como ele é um pouco mais fácil, vamos dizer assim,
10:58ele permite que pessoas, que empresários que queiram entrar no setor de óleo e gás possam iniciar pelo onshore, né?
11:07Ou seja, são investimentos expressivos, né?
11:11Mas que, às vezes, não são tão fora da realidade do que normalmente se investe numa fábrica ou algo em
11:18torno disso.
11:19Vamos falar em números, talvez em torno de 10, 15, 20 milhões,
11:23você já consegue começar a operar um poço ou começar a se tornar um produtor de óleo e gás.
11:31Mas isso com o retorno?
11:32Então, você tem a garantia de retorno desse investimento?
11:35Porque não é um investimento pequeno, né?
11:36Não.
11:37O menor que seja para o setor não é um investimento pequeno.
11:39O óleo e gás é sempre um risco, né?
11:41Você tem sempre a...
11:43Claro que hoje em dia as sísmicas, né?
11:47As investigações de solas avançaram muito.
11:49Mas, realmente, há um risco.
11:51Você pode acertar como pode errar.
11:52Existe uma média, né?
11:54Mas existe realmente um risco.
11:56Então, quem entra nesse mercado, eles têm que estar ciente disso.
11:59Então, quando nós buscamos investidores,
12:02por exemplo, quando você busca, por exemplo, um investidor no Texas, em Houston,
12:06que nós fomos para lá, eles falam muito mais a língua, né?
12:09Eles falam, poxa, tem investimento em óleo e gás.
12:11É muito mais fácil de conversar do que um empresário, um investidor,
12:14que, às vezes, não tem a ideia de como funciona o setor de óleo e gás.
12:18Quais são esses pontos positivos que você enxerga nessa exploração?
12:22Um choro aqui no Espírito Santo.
12:23Eu acho que a proximidade da cadeia produtiva,
12:29eu acho que as empresas do Espírito Santo estão preparadas.
12:33Já existe uma cadeia de fornecedores que está ativa.
12:37Então, realmente, é dar continuidade nessa cadeia,
12:41reforçar a cadeia,
12:42é buscar alguns fornecedores que eram carterizados da Petrobras
12:46e trazer eles para dentro do sistema,
12:50melhorando um pouquinho a questão da gestão
12:52e, realmente, inflar um pouquinho.
12:55Hoje em dia, por exemplo, tem uma grande oportunidade
12:58com a questão da Energiza, né?
13:00Que comprou a S-Gás, né?
13:02Então, há uma forte expansão, por exemplo, na rede de gás, né?
13:05Então, a gente conversa muito com a S-Gás também
13:08e ele fala, poxa, nós vamos expandir.
13:10Nós vamos expandir a rede, tanto veicular como a rede residencial.
13:13Vamos entrar em Guarapari.
13:15Então, eles estão com essa vontade de, realmente, ampliar
13:20e trazer o gás um pouquinho mais para a matriz energética do Espírito Santo.
13:24E como é que isso faz diferença para a nossa economia aqui no Espírito Santo?
13:27Eu acho que circula a questão dos empresários, né?
13:33Serviço de mão de obra, empregos, né?
13:38Acho que lá em São Mateus eu estava conversando também
13:41com o pessoal da Bracervia, que é uma empresa de perfuração.
13:44Então, hoje, por exemplo, não existe mais sondas disponíveis no Brasil
13:48para perfuração em terra.
13:49Não existe mais mão de obra.
13:53Qual o curso?
13:54Onde você se forma como operador de sonda?
13:57Não existe isso, né?
13:58Isso é formado na prática, né?
14:00Então, hoje, com o elevado número de perfurações em terra, não se tem mais isso.
14:05Então, existe, por exemplo, em São Mateus, agora o Abracervia está lançando um curso lá
14:09para formar operadores de sonda.
14:11Então, buscar, realmente, a formação.
14:13Ah, o pessoal de São Mateus, das empresas de perfuração,
14:17me falam que lá está faltando mão de obra justamente
14:20porque a demanda está grandiosa e vai aumentar.
14:24É mais um setor que tem, que vive um apagão de mão de obra?
14:28Eu digo que...
14:30Não digo um apagão, mas eu acredito que a velocidade com que se está crescendo,
14:37a geração de mão de obra não é suficiente para suprir.
14:41Entendeu?
14:42Porque, realmente, a velocidade de perfuração é muito grande, né?
14:45Então, a Seacrest está querendo furar 300 poços em dois anos, né?
14:52Então, isso é cinco, seis sondas trabalhando de forma simultânea.
14:56Isso eu acho que nunca teve na história da Petrobras.
14:59É muita coisa?
14:59É muita coisa, entendeu?
15:01Cada... um furo.
15:02Para você fazer um furo, você demora em torno de 10 a 15 dias.
15:06Uma perfuração.
15:07Para fazer uma perfuração.
15:09Então, uma sonda dessas vai fazer em torno de 20 a 20...
15:1320 furos, 25 furos por ano.
15:16Vamos botar assim, né?
15:17Eles querem fazer 150, ou seja, são seis sondas trabalhando de forma simultânea.
15:22Cada sonda dessa, 50, 60 funcionários trabalham 24 horas, porque não pode parar.
15:28E mais toda a sistemática que tem de apoio.
15:32Então, a gente estima que, realmente, a Seacrest vai criar em torno de 3 a 4 mil empregos
15:38nos próximos anos, focados em óleo e gás.
15:41Como é que o empresário deve encarar esse ambiente de negócios que a gente está falando?
15:46Eu acho que é uma oportunidade única.
15:51O pessoal fala que essa é a segunda onda do petróleo.
15:54A primeira onda foi com a Bacia de Campos, que teve a exploração da Bacia de Campos,
16:00que o Brasil saiu ali de 500, 800 mil barris de dia e foi para 2 milhões, 2 milhões e
16:05meio.
16:05Então, hoje, eu estava olhando a notícia, o Brasil hoje já produz mais de 4 milhões de barris
16:10de óleo equivalente, o Brasil.
16:12E a intenção, a projeção é que se chegue a 5 milhões, 5,2 milhões, 5,3 milhões, juntando tudo,
16:21né?
16:22Ou seja, vai subir.
16:25Então, muitas pessoas, por exemplo, de São Mateus, que trabalhavam no onshore da Petrobras,
16:30acabaram migrando para o offshore, ou embarcam via São Mateus para as plataformas.
16:34Então, o mercado de óleo e gás é um mercado que não é onshore ou offshore, não.
16:38É um mercado único ali.
16:40Então, você trabalhando ali na área, claro que cada um tem as suas especificidades,
16:45mas falta realmente, assim, a Petrobras lançou agora também um concurso justamente para suprir a falta de mão de obra,
16:55principalmente de operadores, técnicos, lá na base mesmo.
17:00A gente falou de pontos fortes.
17:02Quais são os pontos fracos desse setor que você identifica hoje?
17:07Eu acho que é o risco, né?
17:09O risco a dar certo, a dar errado.
17:14Os valores são expressivos, né?
17:16Se perder, perde muito.
17:18Se perder, perde muito.
17:19Então, é um mercado que não é para amadores.
17:24Então, quanto mais você avança dentro desse mercado e você vai avançando, por exemplo, para a área offshore,
17:30para a área de desenvolvimento, né?
17:31Que tem o centro do SEMPES, da Petrobras, você vai ver que a coisa não é brincadeira, né?
17:37Quando você tem um vazamento, quando você tem alguma coisa que realmente tem risco,
17:43porque existe um risco operacional, é realmente algo que tem que ser pontuado, né?
17:49Que é uma coisa complicada.
17:51Você acha que esses são os principais pontos fracos?
17:54O risco de perder dinheiro no negócio e o risco de um acidente, por exemplo?
17:59É, a questão do óleo, né?
18:02A questão do óleo e da questão da transição também, né?
18:06Ou seja, até que ponto vale a pena você investir, né?
18:09Porque, às vezes, são investimentos de um pouco de longo prazo, né?
18:13Então, um posto desses tem uma vida útil, às vezes, de 3, 4, 5, 10 anos, né?
18:19E a concessão, ela é válida, às vezes, por 25, 30 anos, para justamente compensar o investimento inicial.
18:25Então, essa insegurança ou essa... não saber realmente para onde isso vai, né?
18:32Até onde o petróleo vai, né?
18:34Ou seja, a energia elétrica, a energia eólica vai realmente entrar, não vai entrar?
18:39Então, todo mundo fica meio com dúvida, então...
18:41Então, vai valer a pena continuar explorando, porque...
18:44É, às vezes, tem alguma resistência, por exemplo, de novos investidores, quem não é muito do óleo e gás, né?
18:50E que não entende um pouco do óleo e gás, tem um pouco de dificuldade de entender que, realmente, isso
18:56pode continuar ou não pode continuar.
18:58Novos entrantes, hoje, têm uma maior dificuldade.
19:00Rafael, vamos ao próximo quadro nosso, quadro Valores Inegociáveis.
19:09Valores Inegociáveis
19:11Rafael, quais são os valores que um executivo precisa sustentar, independente do momento?
19:17Ética.
19:18É o único valor?
19:19É o mais importante, é para mim, eu acho.
19:22Porque eu acho que se baseia em tudo.
19:24Acho que tudo, tudo vai da maneira como você se relaciona com os outros empresários,
19:31como você se relaciona com os seus funcionários, como se relaciona com o mercado,
19:36se você não tiver uma ética profissional, se você não tiver, realmente, valores de familiares,
19:44de, realmente, cumprir aquilo que você fala, ou tentar buscar o melhor,
19:48ou não realmente achar que uma negociação de momento pode ser, pode mudar a sua vida.
19:55Não, eu acho que é uma construção.
19:57Então, eu acho que eu tenho para mim que a ética é um dos principais pilares do empresário, entendeu?
20:06Eu chego num mundo que a gente sabe das questões como foram da Petrobras,
20:10que foram envolvidas, e teve a questão da Lava Jato,
20:14e que a gente estava ali dentro do ambiente de petróleo e gás,
20:20e via muita coisa acontecer,
20:23e você estar ali e realmente se sustentar dentro de um ambiente desse,
20:28sem fazer parte disso,
20:30eu acho que é uma coisa que pode te dar constância,
20:33que realmente te leva para frente.
20:35Rafael, como é que você passou a enxergar esse mercado com tantas possibilidades assim?
20:42Como é que é para você, como presidente da Rede Petro S,
20:46enxergar isso?
20:46O que você vê nesse mercado de possibilidades da exploração de petróleo,
20:50principalmente essa exploração onshore?
20:52Quando eu me formei, o meu primeiro emprego foi óleo e gás,
20:56então foi na construção de um gasoduto, o GasBol,
21:00então trazendo o gás da Bolívia para o Brasil,
21:04isso lá em 2005, há muito tempo atrás.
21:08Quase 20 anos.
21:09Quase 20 anos, né?
21:10E uma pena também,
21:12porque se formou uma mão de obra especializada em construção de dutos no Brasil,
21:17e que acabou se perdendo isso com o tempo.
21:18Os investimentos em dutos no Brasil, eles baixaram muito.
21:23Então, eu acho que isso é uma coisa que a gente tem que investir mais em estrutura de dutos,
21:28transporte de dutos, gás, e isso envolve também grandes investidores.
21:33Eu acho que agora com a entrada da TAG, da END,
21:36também que foram privatizados os gasodutos,
21:38com essa ideia de realmente difundir o gás como um produto para impulsionar a economia,
21:46eu acho que pode ter uma mudança nesse sentido aí.
21:49O que você acha que é preciso para ser bem sucedido nesse segmento?
21:55Eu acho que a persistência, resiliência, né?
21:59Às vezes já nem tudo é fácil, né?
22:01Às vezes você apanha, às vezes você ganha, né?
22:07Às vezes você ganha um contrato, às vezes você perde, né?
22:11Então, a questão de realmente segurar as pancadas dos empresários,
22:20que não é fácil ser empresário, né?
22:22Ou seja, a gente está muito suscetível aos novos governos.
22:27Então, às vezes entra um governo, vai para um lado,
22:29entra outro governo, vai para o outro, né?
22:30Isso gera oportunidades, mas às vezes você está numa gangorra
22:35que você não sabe direito para onde vai, né?
22:37Mas você não acha que isso é muito choradeira de empresário, não?
22:40Cara, não.
22:41O empresário está sempre chorando, né?
22:42Não, mas reflete, cara.
22:44Reflete, reflete.
22:45Quando você tem, por exemplo, assim, isso te traz insegurança, né?
22:48Vou dar um exemplo bem claro, né?
22:52Havia um desinvestimento da Petrobras,
22:54o próprio desinvestimento da Petrobras de São Mateus,
22:59que ele foi iniciado há cinco, seis anos atrás, né?
23:03E quando mudou agora, o governo, quando entrou o novo presidente, o Jean Paul, né?
23:08Houve realmente um movimento de dizer, não, nós não vamos mais vender, né?
23:13E o mercado conseguiu segurar, pelo menos, aquilo que tinha contrato assinado, né?
23:19Existiam alguns contratos em negociação, por exemplo,
23:22Petro Recôncavo na Bahia não foi para frente, entendeu?
23:26O processo foi parado no meio, né?
23:29Interrompido.
23:30Foi interrompido.
23:31Então, volta a Petrobras para a Bahia, né?
23:33Então, para onde vai, né?
23:36Ou seja, a Petrobras, porque a Petrobras é a nossa principal.
23:39Ela guia muito para onde ela vai, né?
23:41Se ela vai para um lado, a gente vai atrás das migalhas, vamos dizer assim, né?
23:46Das oportunidades.
23:47Das oportunidades, porque ela é uma empresa muito grande.
23:49Então, quando ela sai de um lado e vai para o outro,
23:52a gente fica um pouco assustado, a gente não sabe direito para onde vai, né?
23:56Então, no momento que ela conserva, pelo menos, a linha dela, né?
24:01Os investimentos, por exemplo, da Petrobras, esse ano, quando foi o plano de investimento,
24:05ele seguiu uma linha, certo?
24:07Apesar de conversar, vamos para a transição, na parte de exploração e produção, eles seguiram a linha, né?
24:14Os valores de investimento vão na linha, a produção vai crescer.
24:17Tanto é que a Petrobras e o Jean Paul também, ele quer a margem equatorial, né?
24:22Ele quer, por exemplo, Pelotas no Rio Grande do Sul.
24:25Ele está procurando novas fronteiras exploratórias porque justamente ele sabe
24:29que o caminho da Petrobras para se sustentar é o óleo e gás.
24:33Pode fazer eólica? Pode fazer solar? Pode.
24:35Mas como um produto a ser desenvolvido, não como carro-chefe da Petrobras.
24:40Que é o que dá o retorno imediato hoje.
24:42Que é o que vai dar a sustentação para se criar novas, para se fazer a transição.
24:47Então, eu acho que isso, ontem eu vi também, acho que foi uma entrevista que ele deu na Boomerang,
24:53lá em Londres, né? Que eu estava escutando hoje também, que justamente ele veio nessa linha.
24:58Poxa, mas o Brasil está no PEP? Não, só olha, o Brasil, ele está seguindo a linha
25:03porque o Brasil hoje não é um grande exportador de óleo e gás.
25:05Praticamente, o que nós produzimos, nós consumimos.
25:09Não somos um grande, somos uma Arábia Saudita.
25:11Nós consumimos praticamente aquilo que nós, nós produzimos aquilo que nós consumimos, né?
25:17Então, essa linha de, ó, nós vamos manter isso por enquanto, eu acho que é interessante.
25:23Vamos fazer um pequeno intervalo agora.
25:25Você que está com a gente, continua com a gente, que a gente volta rapidinho.
25:28Daqui a pouco a gente está de volta com o programa Valores.
25:32Valores, volta já!
25:34Volta já!
25:38Valores, Valores, está de volta!
25:43Voltamos com o programa Valores e hoje conversando com o Rafael Iseque,
25:48que é o presidente da Rede Petro ES.
25:50Rafael, a Rede Petro ES é muito voltada à exploração mineral, não necessariamente o petróleo e o gás.
25:58A gente tem algumas outras oportunidades aparecendo lá no norte do estado, principalmente.
26:03A gente teve muito comentado recentemente o Salgema, por exemplo, uma jazida muito grande.
26:09E a gente tem um importante centro logístico em São Mateus também, que a gente está citando,
26:14que é tudo baseado principalmente em São Mateus, que é o porto lá de São Mateus, que é o Petrocítio,
26:20não é isso?
26:21Isso.
26:21Como é que você faz para reconhecer novas oportunidades e como é que o Salgema,
26:27como é que o porto podem ajudar na hora de reconhecer essas oportunidades?
26:31O Salgema é uma novidade para nós.
26:36Nós estamos tentando aprender um pouquinho, mas o que a gente conseguiu entender nesse primeiro momento
26:43é que as atividades de exploração de Salgema são muito semelhantes, mas usam a mesma mão de obra
26:50e equipamentos muito parecidos do que são, por exemplo, a exploração de petróleo e gás.
26:57Então, perfuração, por exemplo, as ondas de perfuração, injeção de água, de captação, são muito parecidas.
27:04Então, trazer a exploração de Salgema para um local onde tem exploração de petróleo,
27:12me parece que é interessante em função...
27:15É compatível.
27:15É compatível pelo tipo de mão de obra, pelo tipo de profissional que é envolvido nas operações.
27:22Existe hoje um movimento, o Márcio Félix vai estar conosco aqui em março.
27:27Márcio Félix, que foi já secretário de Estado de Desenvolvimento,
27:32foi executivo da Petrobras aqui também no Espírito Santo.
27:35Gerente-geral da Petrobras.
27:36Exatamente.
27:37Gerente-geral da Petrobras.
27:38Tem muito conhecimento.
27:40Muito conhecimento e eles adquiriram uma concessão de Salgema.
27:43Eles têm uma das áreas lá.
27:44Então, eles abraçaram essa ideia para entender como funciona,
27:51até para a gente conhecer um pouquinho melhor também quais são os riscos,
27:54como que é a exploração de Salgema.
27:56Nós estamos trazendo esse próprio seminário para explicar um pouquinho para nós
27:59e até mesmo captar e impulsionar um pouco esse desenvolvimento de Salgema.
28:04O PetroCity vem junto com isso, ou seja, é um projeto de porto.
28:12Estava ontem com o pessoal do PetroCity conversando com eles sobre,
28:16eles falam que realmente o projeto da ferrovia já está bem adiantado.
28:20Então, eles já estão...
28:23Só para posicionar as pessoas que estão escutando e estão vendo a gente.
28:27O PetroCity é um projeto de porto, como você falou, em São Mateus,
28:30que também tem um projeto de ferrovia que vai ligar Minas ao porto de São Mateus.
28:35Não é isso?
28:35Perfeitamente.
28:36Então, tem uma estação, por exemplo, de recebimento de gás.
28:39Então, você pode trazer gás de navio de fora, importar e colocar uma válvula e colocar isso em terra.
28:49Então, junto com o projeto, tem uma termoelétrica.
28:52Então, acho que é 1.8 gigawatt, é gigantesca isso.
28:56Então, a capacidade de importar o gás, realmente jogar na linha e tornar isso um produto é muito grande.
29:04O projeto realmente é muito grande.
29:06E a questão da ferrovia também é muito interessante, porque falam nesse projeto de trazer a ferrovia do Oceano Atlântico
29:13Pacífico,
29:14de ir até o Chile, mais ou menos seria essa rota que faria.
29:19Então, já vem...
29:21Mas começando devagarinho, por aqui, indo de Minas para cá.
29:24É, o projeto é...
29:26Ele começa a se adaptar e começa a se encaixar, né?
29:29Ele começa a ser interessante por causa disso.
29:31Para o setor, para o seu setor de petróleo e gás, como é que isso é...
29:35Por que isso é interessante?
29:37Ah, porque movimenta a região, né?
29:38Ou seja, fica um polo ali de...
29:41Você tem mais energia, você tem gás, você tem salgêmea.
29:45Então, para a criação de um polo, fala-se como um polo cloroquímico, né?
29:50Então, para justamente, além da exploração, você começar a trazer indústrias.
29:54Claro que é um projeto um pouco para frente, mas é uma viabilidade.
29:57A logística é importante.
29:59Então, por exemplo, você pode importar gás com a ferrovia, você pode colocar o gás dentro de vagões e jogar
30:05isso para Minas, entendeu?
30:06Então, a logística é toda integrada.
30:09Então, além, é claro, da importação do gás, de trazer a ferrovia, né?
30:15Principalmente nesse foco, se fala também em comunicações, então, linhas de telecomunicação do lado da via.
30:22Então, é um projeto realmente grande.
30:24Eu acho ele bem interessante, assim, em termos de desenvolvimento regional.
30:30Legal. Agora a gente vai para mais um quadro, Rafaelio.
30:33O quadro Busca de Valores.
30:35Busca de Valores.
30:39Rafael, na sua opinião, o que a dinâmica atual do mercado exige de profissionais bem-sucedidos?
30:47O que?
30:48O que é a dinâmica do mercado, a dinâmica do seu mercado, como as coisas acontecem no seu mercado?
30:53O que isso exige do profissional que está trabalhando nessa área?
30:57É, eu acho que conhecimento, né?
30:59Eu acho que muito mais de...
31:02Cada vez, hoje, você é mais especialista em algo, né?
31:06Então, hoje as empresas começam a se especializar e vão se especializando, especializando e acabam realmente sendo muito especialistas em
31:16muitas coisas.
31:17Você acaba, como empresário, realmente focando em produtos muito específicos, né?
31:23E quando você começa numa associação, por exemplo, né?
31:29E você começa a captar vários empresários, várias ideias, né?
31:33Você começa a enxergar o todo.
31:35Consegue ter a imagem do todo.
31:37E quando você começa a enxergar o todo, você começa a ver quantos especialistas, quantas pessoas, elas vão se restringindo
31:43conhecimento e avançando em determinado setor.
31:46Então, hoje, realmente, pessoas que conseguem enxergar de uma forma, que têm tempo para se dedicar a enxergar de uma
31:57forma mais macro, eu acho que o mercado precisa um pouquinho mais disso.
32:02Eu acho que de reconhecimento.
32:05Você sair muito do operacional e realmente pensar.
32:09Então, o empresário que sai, que tem o conhecimento de fazer operação, mas que tenha tempo para pensar na estratégia.
32:16Eu acho isso importante.
32:17É, você está falando de algo muito específico, né?
32:20E formações muito específicas.
32:23A gente tem lideranças técnicas nesse setor aqui no Estado?
32:27Como é que elas fazem a diferença?
32:28Isso é uma questão importante, entendeu?
32:31Porque, às vezes, o empresário não gosta muito da política, né?
32:36Mas a política, ela é necessária, né?
32:38Então, você levar alguns empresários que queiram realmente encarar a política, né?
32:45Como realmente um exercício e trazer experiência realmente do setor produtivo para dentro da companhia, é interessante.
32:56O Jean Paul é um exemplo, né?
32:58O Jean Paul, se você olhar o Jean Paul, ele domina a área técnica, entendeu?
33:02Ele é um cara que veio de mercado e está na Petrobras.
33:05Então, ele conhece, entendeu?
33:07Ele sabe onde ele está transitando.
33:09Tem muita gente por baixo?
33:11Tem.
33:11Mas, assim, é uma pessoa que eu entendo como um ótimo representante para estar hoje na Petrobras.
33:19Mas aqui no Espírito Santo, a gente tem lideranças técnicas, referência para esse mercado?
33:24Porque a demanda do mercado, pelo que você está falando, é muito grande, né?
33:27Para a área de perfuração, futuramente para a área de salgema, para essa área logística, com a criação desse polo
33:33lá, referente ao porto Petrocite, ao complexo todo Petrocite.
33:39A gente tem referências técnicas aqui no Estado?
33:41Eu acho que o Espírito Santo, ele é muito voltado para mineração e siderurgia, né?
33:45Ou seja, a cadeia pela Vale, pela Arcelor, acabou demandando muita gente para esse setor.
33:52O setor de óleo e gás, no Espírito Santo, eu acho que não é muito visado pelos empresários.
33:57Ainda está se conhecendo um pouco e se entendendo como isso funciona.
34:01Nós que estamos dentro da cadeia, nós vamos passar, assim, inúmeras oportunidades que passam pela gente,
34:08que nós, como empresários, poderíamos abraçar no Estado, mas em que, infelizmente, não se tem essa visão.
34:15Então, você começar a provocar isso, dizendo assim, olha, é um mercado de óleo e gás, é um mercado interessante,
34:21tem muita oportunidade, foquem nele.
34:24Eu acho que isso é um trabalho e isso é uma construção.
34:26Então, aos poucos, a gente vem desenvolvendo esse trabalho e trazendo, né?
34:32Basicamente, a Rede Petro é uma associação de micro e pequenas, que foi formada pelo Sebrae,
34:37mas que hoje começa já a abraçar algumas médias e, talvez, porque não, algumas grandes empresas do Espírito Santo
34:43e começar realmente a fazer um ambiente de óleo e gás e de oportunidade de óleo e gás.
34:49Mas aí a gente tem condição de formar pessoal técnico para operar o óleo e gás no Espírito Santo?
34:56A operação, sim.
34:57Eu acredito que, por exemplo, a questão da operação, técnico, válvula, soldagem, a questão operacional, eu acho,
35:06é uma questão que não é muito diferente do que a cadeia de mineração da Vale usa, da siderurgia usa.
35:18Agora, realmente, a questão da gestão, de como trabalhar, que é um pouquinho diferente a maneira de se trabalhar.
35:26É aquela coisa de ter que ter a visão do todo, como você falou.
35:29Exatamente. É um mercado global, entendeu?
35:32Ele funciona, está tudo interligado, né?
35:35Então, é interessante, por exemplo, você começar a conhecer empresários que trabalham...
35:40Petrobras, você tem que aprender a trabalhar com a Petrobras.
35:42A Petrobras é uma grande empresa.
35:46Então, começa a trabalhar com a Petrobras, com o Odec, com o SBM,
35:49então, trabalha com as gringas.
35:51Então, esse mercado, cada um ajuda um pouquinho e começa a fazer uma formação de empresas que eu acho bem
35:56interessante ali.
35:58Legal. E como é que é a relação dessa cadeia de petróleo com o poder público?
36:02E aí, a gente fala do poder público local aqui do Estado e também com o poder público federal.
36:06Até municipal também, né?
36:08É.
36:08Bem mais localizado.
36:09Eu acho que ainda um pouquinho distante, né?
36:14Eu acho que a gente tem que ter, assim, um pouquinho mais de, talvez, de aproximação, né?
36:19A gente, nós como feira e como representação, por exemplo, na Feira do Rio,
36:28às vezes a gente tem um pouquinho de dificuldade de colocar um stand, de representar o Espírito Santo, né?
36:34O SEBRAE nos ajuda muito como micro e pequena empresa, então, nós vamos para Mossoró, nós vamos para Bahia,
36:42nós vamos para o Rio de Janeiro, então, no Rio acontece muita coisa, a gente precisa estar lá.
36:48Então, quando nós nos organizamos e vamos com o stand do Espírito Santo, né?
36:52Levando a bandeira do Espírito Santo, nós vamos para Houston, levamos a bandeira, tiramos foto lá, entendeu?
36:58Trazendo, justamente, o Espírito Santo para o mercado de óleo e gás.
37:01E as coisas acontecem lá.
37:02É um mercado que as pessoas que transitam no Rio, em Houston, na OTC, em Mossoró, são praticamente as mesmas.
37:10Então, você tem que estar nesse ambiente.
37:13Então, às vezes, poxa, o que as empresas, o que uma micro e pequena empresa vai fazer em Mossoró e
37:18na Bahia?
37:19Vai lá conversar com os donos das empresas, porque eles vão estar lá, né?
37:23Então, a representatividade, você ter uma feira, você ter ambientes, seminários que falem sobre o óleo e gás no Espírito
37:34Santo,
37:35eu acho que é algo que é muito interessante e a gente precisa melhorar isso.
37:38E como é que você vê essas iniciativas do governo para impulsionar o desenvolvimento do setor de petróleo e gás
37:45aqui no Estado?
37:46É, nós estamos caminhando ainda, né?
37:50A passos curtos.
37:52Eu acho que a questão, por exemplo, de captação de empresas, eu acho que a gente poderia melhorar um pouco.
38:00Em questão, por exemplo, de trazer essas majors, por exemplo, para o Espírito Santo, né?
38:06Então, por exemplo, uma SBM, uma MODEC, essas empresas que realmente operam e que têm uma PetroRio, entendeu?
38:15Então, realmente, esticar, fazer, correr atrás, dar valor, né?
38:20E dizer, poxa, por que vocês não se instalam aqui, né?
38:22E já existe um movimento, por exemplo, de algumas subcontratadas das empresas de se instalar aqui.
38:28Então, a DeepSea, que fornece para a PetroRio, se instalou aqui.
38:31Então, esse movimento de, poxa, vamos botar o porto aqui, vamos fazer movimentação, vamos abrir as portas para vocês, né?
38:40Ah, tem que baixar a ISS, né?
38:42Porque, basicamente, todas essas empresas, elas emitem as notas fiscais onde são a base dela, né?
38:50Então, ter a base no Estado do Espírito Santo é muito importante.
38:55E qual é o ponto de maior atenção no momento da economia do Estado?
39:00E a gente fala de uma forma geral da economia e como isso afeta diretamente o setor que é abarcado
39:07ali pela Rede PetroAS.
39:10O setor de óleo e gás, se você olhar, a maior empresa, das 200 maiores empresas do Espírito Santo é
39:17a Petrobras.
39:18Então, se você olhar a Royalties, o Fundo Soberano, o Caixa do Estado...
39:23É dinheiro do petróleo.
39:24É muito dinheiro, é tudo dinheiro do petróleo, né?
39:26Então, essa questão, por exemplo, às vezes, de tratar o petróleo como algo que não deva ser falado, né?
39:33Ou que é algo contra o que o mundo está pensando, né?
39:39É um pouco...
39:42Não é muito interessante para quem tem petróleo, né?
39:45Poxa, quem não tem petróleo, tudo bem, né?
39:47Agora, a Minas vai falar que não pode explorar minério?
39:51Não, né?
39:51Você tem que defender um pouco aquilo que o seu Estado tem, o recurso natural do seu Estado tem.
39:57Então, explorar o petróleo, trazer o petróleo para a cadeia produtiva, eu acho que é 25 bilhões...
40:04Não, 42 bilhões de faturamento da Petrobras no ano passado aqui, né?
40:09Quase 5% do faturamento é óleo e gás no Espírito Santo.
40:14Então, é uma cadeia.
40:15Quando começa a diminuir o royalty do petróleo, todo mundo começa a ficar assustado, né?
40:22É verdade.
40:23E você acha que tem saída para isso?
40:25Qual é a saída para isso?
40:26Eu acho que a questão...
40:29Existem, por exemplo, algumas ações que dependem, por exemplo, de governo, né?
40:34Vou dar um exemplo, né?
40:37Vai ter uma exploração da Equinor, que foi... de gás, que foi feita aqui, que vai ser feita ali na
40:45Bacia de Campos, né?
40:47E que vai ter muito gás, né?
40:50E esse gás, ele está sendo direcionado para Cabeunas, para o Rio de Janeiro.
40:55Está sendo feito um duto novo para o Rio de Janeiro.
40:58E as nossas estações de tratamento no Espírito Santo estão sendo fechadas porque não tem gás para processamento.
41:05Então, você tem duas estruturas já montadas, prontas, trabalhando com 25%, 30% no caso de capacidade, mas que não
41:15tem gás, né?
41:17Então, você ir lá, né?
41:19Conversar, poxa, traça o gás para cá.
41:21Ah, porque é mais longe e tal.
41:22Então, essa articulação que o Rio de Janeiro faz muito bem, né?
41:26De realmente puxar para lá.
41:28Então, são projetos que realmente dependem, que nós como empresários não conseguimos alcançar.
41:34Mas, talvez, o governo do Estado, o TG Sul, por exemplo, em Anchieta, ela está hibernando.
41:42Ela não tem mais gás.
41:43Ela está praticamente parada, porque não tem mais recebimento de gás.
41:47Então, vai estar sendo desviado para outros locais.
41:49Então, é uma estrutura que está lá, que poderia ser aproveitada.
41:52Então, é, Jean Paul, Petrobras, o que vamos fazer com lá?
41:55Vamos transformar aqui, vamos fazer uma hidrogênio, vamos fazer uma solar, vamos movimentar.
42:00Então, esse movimento de trazer a Petrobras para cá é importantíssimo.
42:05E isso depende de uma articulação direta de governo.
42:08Sim, sim.
42:08Isso o empresário não consegue fazer, não.
42:11Entendeu?
42:11Isso realmente é bater na porta, é correr atrás, entendeu?
42:15A gente está correndo atrás.
42:17Acho que o sindicato, nós tivemos um evento na Petrobras,
42:21que o sindicato do Sindipetro, que é o sindicato dos funcionários da Petrobras,
42:25se uniu, o sindicato dos empresários, junto, nós vamos...
42:29Poxa, vamos lá, entendeu?
42:30Vamos provocar, vamos reanimar, vamos lá, vão lá no Jean Paul,
42:34pede para ele botar gás, trazer o gás aqui para Linhares, né?
42:39Então, é esse movimento que realmente depende de um pouquinho...
42:43Porque a Petrobras ainda é estatal, né?
42:46Ela depende muito da conversa.
42:49E da política do governo.
42:50O que é necessário.
42:52Rafael, vamos para mais um quadro Valores do Futuro.
42:57Valores, Valores de Futuro.
43:01Rafael, qual é o investimento realizado agora,
43:04que vai dar resultado real, daqui no ambiente de negócio, daqui a 25 anos?
43:09Se você soubesse, me fala.
43:12Se você soubesse, me fala.
43:13Essa é a grande pergunta, né?
43:15Ou seja, o que...
43:18A elétrica vai dar certo, né?
43:20Vai ter...
43:21Então, nós somos do setor de óleo e gás, então, roda muita informação, por exemplo,
43:26negativa do setor de energia elétrica, dos carros elétricos dentro dos nossos grupos, vamos dizer assim, né?
43:36Então, é falta de material, que não vai ter lítio suficiente, que a bateria não vai ter ponto de recarga.
43:42Então, é alguma coisa que tem que ser trabalhada.
43:44Eu acho que, por exemplo, a energia solar já é um fato.
43:48Essa não volta mais.
43:49Eu acho que já caiu no gosto de todo mundo.
43:51Então, é uma coisa...
43:52É algo que realmente vai pra frente, né?
43:55A eólica se fala muito.
43:57A eólica terrestre aqui no Brasil está muito avançada, principalmente no Nordeste, né?
44:03Então, tem muita coisa.
44:05A eólica offshore ainda é uma incógnita, né?
44:08Então, países que não têm terra, por exemplo, estão usando, mas trabalhar em mar é realmente muito complicado, né?
44:17Mas tem um estudo pra cá, pro Espírito Santo, disso, inclusive, né?
44:21Tem, né? Existe, mas eu acredito que enquanto tiver espaço em terra, né?
44:26Ele não vai...
44:27Não vai pro mar, né?
44:27Não vai pro mar, né?
44:28Claro, que se você tiver uma plataforma que gera energia, que tá precisando gerar energia pra abastecer a própria plataforma,
44:36alguma coisa local, agora, se você colocar 50, 60 quilômetros da costa, trazer um cabo pra terra, né?
44:42Toda logística de barco pra ir pra lá, né?
44:45O ambiente corrosivo, é...
44:47No meu ponto de vista, ainda é um investimento que precisa ser muito bem estudado, né?
44:54Eu acho que nós não...
44:55Eu acredito, no meu ponto de vista, tá?
44:58Que o Espírito Santo, tanto pra grandes volumes de painéis solares, como pra eólica, não é o principal foco do
45:07Espírito Santo, tá?
45:08No meu ponto de vista.
45:09Legal. E o que tem do executivo, Rafael e Cé, à frente da Rede Petro S?
45:17O que tem?
45:18O que tem do executivo, da pessoa, do Rafael, à frente da Rede Petro?
45:23Eu não sabia que eu conhecia tantos problemas.
45:29É muito problema.
45:30É muito problema.
45:31Então, e os problemas se repetem com todo mundo, né?
45:34Com todas as empresas, né?
45:36Então, você chega assim, isso é muito parecido, né?
45:39Então, o ambiente, realmente, dos associados, quando você vai no almoço, ou quando você tem uma conversa, é muito bom.
45:47É muito bom, porque todo mundo se identifica ali.
45:49É muito bom ter esse monte de problema?
45:51Porque você se identifica com o problema do outro.
45:53Você sabe que só você não tem aquilo, entendeu?
45:55Então, você diz, poxa, não estou tão errado assim, né?
45:58Eu também tenho problema.
45:59Como é que você conserta?
46:01Qual foi a sua estratégia?
46:04Para onde você foi?
46:06Você buscou dinheiro aonde?
46:08Qual o banco é bom?
46:09Tal não é.
46:10Como que é?
46:11Investimento?
46:11Onde é que você busca?
46:13Então, essas funcionárias, onde é que você treina?
46:15Então, essas experiências que dentro do ambiente do associativismo, que são interessantes.
46:21E o que o empresário do ramo de petróleo e gás precisa ter para prosperar?
46:25Coragem.
46:27É suficiente?
46:28Coragem, porque realmente é uma atividade de risco, né?
46:32É uma atividade que você tem que realmente acreditar naquilo que está ali.
46:37Você tem que acreditar no seu geofísico, você tem que acreditar no seu geólogo, né?
46:43Você tem que acreditar no pessoal que vai perfurar a sonda.
46:46Porque realmente os investimentos e a sua base de informação é...
46:51Você perfura poços a mil, mil e quinhentos metros.
46:54Você não sabe o que tem lá embaixo, né?
46:56É uma...
46:57Todo mundo, quando perfura o poço, fica na peneira esperando se vai sair óleo ou não, né?
47:02Então, é uma grande incógnita.
47:04E só realmente quem tem...
47:06Quem conhece o ramo e que aposta nisso, eu acho que tem que ter coragem para entrar.
47:15Eu acho que essa que é...
47:16Legal.
47:17Rafael, vamos ao último quadro do programa.
47:20O quadro Valor Pessoal.
47:23Valor.
47:23Valor.
47:24Pessoal.
47:25Pessoal.
47:27Qual o aspecto da sua vida pessoal que é essencial para que você tome as melhores decisões para o futuro?
47:37Poxa, não vou repetir a ética porque a gente já falou, né?
47:39Mas assim, acho que a confiança, a resiliência, né?
47:44O entender que realmente você está no caminho certo, né?
47:48Que acreditar naquilo que você está fazendo, acreditar nos seus valores.
47:54Eu acho que isso que acaba produzindo na gente a oportunidade de conseguir seguir em frente, né?
48:01E tentar passar esses valores para os seus funcionários e realmente formar uma equipe que seja coesa
48:07para que impulsione para frente, eu acho que aqui é fundamental.
48:12Eu sempre falo com os meus funcionários que eu nada mais sou do que um representante do trabalho deles.
48:17O que eu faço é pegar o que eles fazem de melhor e vendo um grupo para uma pessoa maior.
48:25Então, eu não vendo o meu serviço, eu vendo o serviço deles.
48:28Se eles não fizerem um bom serviço, se eles não forem rentáveis a ponto de nós não sermos mais competitivos
48:36do que a empresa que está ao nosso lado, nós não vamos prosperar.
48:40Então, o que eu estou representando pela minha empresa é um grupo de pessoas que unidas fazem um trabalho
48:47que eu vou para algum lugar vender.
48:49E eu tento vender isso da melhor forma possível.
48:52E eu converso com eles, mas se a base não nos ajudar, se a base não acreditar naquilo que o
48:58representante da empresa
49:00está oferecendo, eu acredito que a empresa não prospera.
49:04Então, levar isso para os funcionários, fazer com que os funcionários entendam que o representante,
49:10o empresário que está ali não é um explorador, não é uma pessoa que está contra eles,
49:16mas sim uma pessoa que está pegando o que eles sabem, juntando com outros conhecimentos
49:21e levando isso para um terceiro, porque esse terceiro não tem a capacidade, não tem a paciência
49:29de poder juntar cada uma pecinha.
49:31E você junta essas peças e acaba levando para um projeto maior.
49:37Beleza.
49:37Rafael Cé, presidente da Rede PetroAS.
49:40Muito obrigado pela conversa com a gente aqui no programa Valores.
49:43Muito sucesso e tomara que esse setor prospere no Espírito Santo.
49:49Eu acho que tem um caminho, né?
49:51Eu acho que as coisas não explodem de uma hora para outra, mas com muito trabalho,
49:55eu acho que com dedicação a gente vai conseguir prosperar não só no Espírito Santo,
50:00mas que as empresas do Espírito Santo consigam abraçar o Brasil.
50:03Legal.
50:04Rafael Cé, muito obrigado pela entrevista, muito obrigado pelo papo.
50:07E é você que nos acompanhou até agora aqui no programa Valores.
50:10Muito obrigado pela companhia.
50:12Até a próxima.
50:13Tchau.
50:15Você ouviu Valores com Edu Copernic.
50:19Até o próximo.