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  • há 2 dias
Entrevista com Neyla Tardin

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Transcrição
00:00Começa agora, começa agora, na Pan News, Vitória, Valores, com Edu Copernic.
00:07Olá, seja muito bem-vindo ao programa Valores, um espaço de discussão sobre o desenvolvimento do Espírito Santo.
00:15Sobre como pensam os principais agentes que movem a nossa economia.
00:20E hoje aqui com a gente, uma executiva que buscou a academia, se especializou e agora usa o conhecimento na
00:27gestão pública.
00:28É a secretária da Fazenda de Vitória, Neila Tardem.
00:32Bom, ela define os rumos da cidade com a maior receita da grande Vitória.
00:37Para se ter ideia, no ano passado, no ano de 2022, na verdade, no ano retrasado, a arrecadação total da
00:44capital foi de 2,6 bilhões de reais.
00:49Neila, tudo bom?
00:50Tudo bem, meu pai.
00:50Seja muito bem-vinda.
00:51Obrigada, Edu.
00:52Legal.
00:53E como é que faz para administrar tanto dinheiro assim?
00:57Você é a mulher do dinheiro na Prefeitura de Vitória.
01:00Edu, não é fácil, é desafiador.
01:02Acho que a gestão pública, para quem especialmente veio da iniciativa privada, é bem desafiadora.
01:10Porque na iniciativa privada a gente tem muita flexibilidade gerencial.
01:14A gente consegue mover a máquina, a empresa com mais facilidade.
01:20Você tem menos enforcement legal, digamos assim.
01:23Você tem leis a cumprir.
01:24E ações a cumprir, não é isso?
01:26Você tem mais flexibilidade, você tem mais discricionariedade sobre as decisões.
01:31Quando você vai para o poder público, você tem um arcabouço legal para cumprir.
01:36O Brasil é um país cold law, você tem que cumprir o que está dentro da lei.
01:40E você tem reguladores muito atuantes, o que eu concordo que tem que ser assim.
01:45O Tribunal de Contas do Espírito Santo, o Ministério Público do Espírito Santo.
01:49Então, o gestor público, ele tem esse papel de prestar contas, de estar sempre colocando os reguladores em linha com
01:59o processo decisório que acontece dentro do executivo, dentro da administração pública.
02:03Mas você não acha que isso inviabiliza o seu trabalho, por exemplo?
02:08Não, mas tem que levar por caminhos...
02:11São estilos de gestões diferentes, né?
02:15Quando você toma uma decisão na iniciativa pública, você move muitas instâncias da sociedade.
02:22E tem que ser assim, é natural que seja assim.
02:24Isso é parte do debate político, né?
02:26Você conversa com a base, conversa com a liderança comunitária, conversa com os vereadores.
02:31Aí você chega no nível de governança e toma uma decisão que afeta, às vezes, milhares de pessoas.
02:38Então, é natural que a engrenagem seja mais pesada.
02:41É natural, ok?
02:42E tem que ser assim, né?
02:43A gente tem que sofrer, entre aspas, né?
02:46Estar sujeito a esse monitoramento.
02:48Mas, e como é que você faz para atender tantas expectativas e tantas necessidades que uma cidade do Porto de
02:55Vitória exige?
02:56É uma capital, né?
02:57Olha, o papel da fazenda é cuidar do financeiro da cidade, né?
03:02A gente faz o orçamento público, né?
03:05Que nada mais é do que uma consolidação dos orçamentos de cada unidade gestora.
03:10Cada secretaria é como se fosse uma mini-empresa dentro da prefeitura, né?
03:14Existe uma desconcentração administrativa.
03:17Então, o ordenador de despesa, que é o secretário, tem autonomia sobre as decisões daquela secretaria ligada à hierarquia do
03:25prefeito, né?
03:27E a fazenda é uma secretaria meio. Ela não é uma secretaria finalística que entrega para a população como saúde,
03:35educação, assistência social.
03:36Então, a gente processa todas as informações e consolida por meio de demonstrações financeiras.
03:43Aí tem a subsecretaria de contabilidade. A gente tem uma excelente contabilidade dentro da prefeitura.
03:48É uma contabilidade modelo, que recebeu o prêmio nacional na Secretaria de Tesouro Nacional.
03:52A gente faz o orçamento dentro da subsecretaria de finanças. A gente consolida o orçamento, manda o projeto de lei
03:59para o legislativo.
04:00O legislativo avalia essa peça e aprova ou propõe modificações.
04:07E a gente tem a subsecretaria de receita e de tecnologia.
04:11A de receita é a secretaria que coleta impostos, que são de atribuição do município, né?
04:17Destaco aqui ISS, PTU e TBI, que são os três principais aí, tribos municipais.
04:23E, por fim, a subsecretaria de tecnologia, que também é uma secretaria meio dentro da estrutura organizacional da prefeitura de
04:30Vitória,
04:31que acaba atendendo todas as outras secretarias, né?
04:34Os sistemas de saúde são produzidos pela subTI.
04:38Os contratos de tecnologia de terceiros também são direcionados ou iniciados dentro da subsecretaria de tecnologia.
04:47Então, assim, a responsabilidade é grande.
04:50E o papel da fazenda é sempre fazer as coisas acontecerem, né?
04:55É fluir, fazer a máquina girar com eficiência, com responsabilidade e tentando fazer, gerar a eficiência que o prefeito espera
05:05que a gente tem.
05:06Neila, você tem uma história, um histórico um pouco diferente.
05:12Porque sua primeira formação é jornalismo, né?
05:15E depois você acabou enveredando pela contabilidade, acabou fazendo várias formações,
05:23até chegar ao ponto de deixar o jornalismo de lado e assumir essa função tão importante que é a função
05:29da fazenda, né?
05:30Como é que essa formação foi importante para você conseguir entender como é que funciona?
05:36Não só, como é que funcionam as finanças no meio privado e como é que foi esse impacto para você,
05:43a partir da academia, passando pela iniciativa privada, até chegar no poder público em uma prefeitura,
05:49num cargo tão importante já?
05:51É, assim, eu me formei inicialmente como jornalista profissional.
05:55Eu costumo dizer que a minha alma é de jornalista.
05:58Eu admiro demais os jornalistas profissionais,
06:01porque foi nessa profissão que eu aprendi a ser curiosa, a buscar soluções,
06:07a não me satisfazer com as primeiras versões que a gente ouve,
06:11a buscar respostas, né?
06:13Essa profissão me ensinou isso, né?
06:16Não sei se eu busquei ela porque eu sou assim ou se ela me ensinou a ser assim,
06:20mas no fim do dia o jornalismo me trouxe esse espírito.
06:25E esse espírito também me levou a buscar outra profissão, né?
06:30No jornalismo eu cheguei a um ponto que eu achei que eu não conseguiria crescer mais profissionalmente
06:36e resolvi virar a chave.
06:39Eu trabalhava na época na editoria de economia de um grande jornal
06:42e me interessei muito pela área.
06:46Fui buscar uma graduação na área de negócios, me formei em contabilidade.
06:51Havia, e ainda há muita demanda por profissionais, por contadores de qualidade hoje,
06:56você tem IFRS, novo padrão contábil, relato integrado,
07:00você tem muitas mudanças na contabilidade ao longo do ano.
07:03Me formei nessa área, fiz um mestrado,
07:06fiz um doutorado, parte desse doutorado fora, na Rice University,
07:11e voltei com viés muito acadêmico, né?
07:14E nesse meio tempo, sendo professora acadêmica,
07:19eu também trabalhei muito em consultoria de iniciativa privada.
07:23Trabalhei muito em câmara de arbitragem, né?
07:25A câmara de arbitragem é uma entidade independente
07:27que ajuda a resolver litígios entre empresas.
07:30Elas discordam entre si sobre determinada precificação.
07:33Aí os peritos contratam uma equipe técnica
07:37para a gente fazer laudos, pareceres, cálculos,
07:40enfim, para compilar essas divergências e tentar amenizá-las, né?
07:45Isso acontece num âmbito, às vezes, extrajudicial,
07:48dentro da câmara de arbitragem.
07:50Então, eu trabalhei também muito com isso,
07:53me aprofundei muito em ciência de dados,
07:56porque hoje contabilidade é basicamente dado.
08:00Hoje muitas profissões estão migrando para isso, né?
08:03Então, a gente mexe com programação,
08:07tem um pezinho lá em ciência de dados, né?
08:10A gente meio que...
08:11Os dados estão muito em massa, né?
08:14A gente lida hoje com big data, né?
08:16Então, a gente tem que pegar esses dados,
08:18interpretar, fazer inferência e tomar decisão.
08:21Então, a gente faz isso.
08:21É um jornalismo dos números.
08:23Exatamente.
08:24É o que a gente estava conversando antes.
08:26O jornalismo e a contabilidade, para mim,
08:27tem muito em comum, né?
08:29O que muda é a linguagem.
08:31Você não deixa de capturar a informação,
08:35consolidar ela numa linguagem específica,
08:38no caso do jornalismo, um texto do jornalismo,
08:40no caso da contabilidade, uma demonstração financeira.
08:43E você evidencia para o usuário final,
08:45o leitor do jornal e o usuário da contabilidade,
08:49que é o gestor, o investidor, o trabalhador.
08:53E como é que você usa isso hoje, do seu ponto de vista,
08:59como uma gestora de uma pasta importante que lida com alguns milhões de reais?
09:05Eu acho que essa formação me ajudou a entender bem de números e de pessoas, né?
09:15Porque você gerir informações não é só lidar com planilhas, né?
09:21Você tem que lidar com o incentivo por trás da produção daquele número.
09:26Aí isso parte da pessoa, né?
09:27E gerenciar pessoas não é fácil.
09:30Produzir planilhas é bem mais fácil.
09:33É a maior dificuldade hoje?
09:34Eu acho que de qualquer gestor.
09:36Você gerar incentivos corretos para que as pessoas se comportem da maneira que você espera.
09:42As pessoas produzam e entreguem resultados que são esperados.
09:47Acho que esse é o maior desafio de qualquer gestor.
09:49Na iniciativa pública ou privada.
09:52Legal, Neila.
09:52A gente tem alguns quadros aqui no jornal,
09:54no jornal não, aqui no programa Valores,
09:57falando de jornalismo, sempre, a gente sempre pensa assim.
10:00E a gente vai ao primeiro deles agora.
10:02Vamos ao primeiro quadro agora,
10:04que é o quadro Dica de Valor.
10:08Dica de Valor.
10:12Neila, na sua opinião, qual investimento tende a dar o melhor retorno aqui no Estado?
10:18Você está falando para um investidor privado?
10:21De qualquer forma que você quiser imaginar.
10:23Pode ser um investidor privado.
10:25Da sua posição, um investimento do poder público.
10:28O que você acha que dá retorno aqui no Estado?
10:31Olha, o Espírito Santo, a cidade de Vitória, é um celeiro de oportunidades.
10:36É difícil eu dizer qual, até porque eu não tenho a dica de ouro para dar.
10:43Mas assim, o fato de Vitória ter muito espaço para crescer,
10:47e eu não estou me referindo a espaço físico,
10:49espaço de crescimento de ambiente e negócios,
10:52faz de Vitória uma cidade muito útil para crescimento econômico.
10:57A gente tem hoje o melhor ambiente de negócios do Estado.
11:02Mas o que significa isso?
11:03Ter um melhor ambiente?
11:04Isso significa facilidade na abertura de empresas.
11:07Hoje a gente consegue abrir uma empresa em cinco horas, correto?
11:11Isso significa um ambiente de tributação amistoso para o empreendedor.
11:16A gente tem incentivos fiscais especiais no centro de Vitória,
11:21redução de SS, redução de PTU.
11:26Recentemente, a gente teve o projeto Retrofit,
11:29que existe uma isenção de PTU por cinco anos para o empreendedor
11:33que abrir uma empresa no centro de Vitória
11:36e reformar a fachada de um prédio histórico.
11:39A gente sabe que não é barato fazer essa reforma,
11:42é um patrimônio público.
11:43Aí a gente sentou com os bancos e perguntou,
11:47existe uma forma de financiar o empreendedor,
11:50de fazer uma linha subsidiada, mais barata,
11:53para ajudar o empreendedor também,
11:55além da isenção que o poder público dá,
11:57qual vai ser o papel da iniciativa privada
11:59para ajudar esse empreendedor a fazer isso?
12:02Então, assim, o diálogo da gestão com a iniciativa privada
12:07e o que a gestão pode fazer em termos de desoneração,
12:10ela tem feito.
12:12Isso faz com que o ambiente fique muito favorável.
12:15E tem também o ambiente macro.
12:16A indústria do Estado cresceu muito e a indústria gera serviço.
12:22Existe uma cadeia de fornecedores em torno da indústria.
12:26Isso favorece a arrecadação de ISS sob a perspectiva do coletor de impostos.
12:30E se o ISS está crescendo,
12:33o sinal é que você tem mais serviço sendo gerado na cidade.
12:36Mais atividade.
12:37Mais atividade, né?
12:39Existem desafios, né?
12:41Existe uma reforma tributária por vir, existem desafios, né?
12:45Mas acho que o ambiente de negócio está muito favorável.
12:48Legal, então tem que investir em Vitória.
12:50Mas você é suspeita para falar com você.
12:52É, eu estou.
12:52É secretária de Vitória.
12:54Como é que você identificou ou identifica os pontos fracos e os pontos fortes de Vitória
13:01dessa perspectiva de finanças?
13:04De onde você está agora?
13:06Olha, a gente tem uma saúde financeira que historicamente ela é notável para a cidade, né?
13:14Isso não é função só do comportamento da arrecadação, é função também do controle de gastos,
13:20que é uma pedra fundamental nessa gestão, né?
13:25Existiu, antes de eu chegar até a pasta, uma reforma administrativa,
13:32renegociação de contratos, redução de folha de pagamento.
13:35E essa reforma administrativa, redução de cargos comissionados,
13:40essa reforma administrativa deu fôlego para a gestão pública poder investir.
13:45Você acha que esse é um ponto forte do seu ponto de vista?
13:48Esse é um ponto forte, com certeza.
13:50Hoje a cidade tem fôlego para investimento.
13:54Isso é muito bom, porque isso faz com que a gente consiga olhar a cidade
13:58sob perspectiva macro e fazer grandes obras, obras estruturantes, né?
14:04Como a orla do Pontal de Cambori, a orla de São Pedro.
14:09Então, assim, a visão da atual gestão é colocar a cidade de frente para o mar.
14:14A gente tem essa vantagem competitiva.
14:17É uma ilha que está ali, conectada ao mar.
14:21Então, muitas obras estruturantes estão no entorno da capital ali, na orla mesmo,
14:27justamente para reforçar essa vantagem competitiva que a cidade tem, né?
14:32E, assim, um ponto fraco é uma limitação geográfica.
14:36Vitória é uma ilha.
14:37Isso é, Vitória é uma ilha.
14:39O que acaba sendo uma vantagem é a gente não consegue crescer em espaço físico, né?
14:44A gente não consegue montar uma grande indústria, receber uma grande indústria,
14:49às vezes, por limitação de espaço físico.
14:52Aí a gente tem que pensar a cidade.
14:54Em que pontos a gente consegue verticalizar, em que pontos a gente tem que manter a cidade horizontal.
15:00Então, isso torna desafiador e a gente tenta buscar o que temos para oferecer de melhor, né?
15:06Do ponto de vista de quem já esteve do lado da iniciativa privada e de quem está agora com poder
15:12público,
15:13como é que você acha que o empresário deve encarar o ambiente de negócios do município?
15:19Olha, eu, quando eu saí da iniciativa privada e fui para a iniciativa pública,
15:25eu mudei um pouco a minha opinião sobre a gestão pública, né?
15:29Eu achava que a gestão pública era bastante inacessível.
15:33Inacessível em que sentido?
15:35É difícil dialogar com o poder público.
15:37E hoje eu não vejo dessa forma, né?
15:40Eu, como secretário, recebo do líder comunitário ao empresário representante de banco no meu gabinete.
15:49Entendeu?
15:50Então, assim, esse diálogo tem que ser estreito.
15:54Porque a gente, dentro do poder público, a gente tem uma visão do que acontece.
16:00Mas aí quem está lá na ponta, quem está lá empreendendo, quem está lá necessitando de mão de obra,
16:05quem está lá precisando desburocratizar processos, às vezes teme o poder público, né?
16:11A mão do poder público é pesada.
16:13Eu acho que é bater na porta mesmo.
16:16Chegar lá e falar, olha, eu tenho esse problema, como é que a gente resolve?
16:19É, e você deve ouvir muito pedido também, se você recebe tanta gente assim.
16:24Claro, claro.
16:24E você é a favor de concessão, você falou um pouco, agora há pouco, sobre incentivos fiscais.
16:29Você é a favor de conceder incentivos fiscais para atrair empresas?
16:33Olha, a minha postura sempre é de desoneração.
16:37É de redução da mão pesada do Estado para deixar a iniciativa privada agir.
16:43Eu não acho que é o poder público que tem que gerar emprego.
16:46Eu acho que é a iniciativa privada que tem que gerar emprego.
16:49E o poder público tem um papel essencial, essencial,
16:54para permitir que esse ambiente seja favorável à geração de emprego.
16:59Então, assim, a desoneração, ela é bem-vinda, mas ela tem que ser feita com responsabilidade.
17:06Porque existe uma máquina pública para fazer gerar.
17:09Não é desonerar 100% dos tributos, não é apagar o Estado.
17:16O Estado, o que eu falo, é o governo, a gestão pública.
17:20A gente tem que reconhecer a importância do poder público,
17:24mas entender que não cabe ao poder público empregar, por exemplo.
17:29Cabe ao poder público gerar um ambiente favorável ao emprego e à geração de renda.
17:36Você acha que esse é o maior obstáculo?
17:38É um peso do governo hoje para tornar Vitória capaz de arrecadar mais e gastar menos?
17:47Eu acho que não é um obstáculo, não.
17:49Eu acho que é uma filosofia dessa gestão.
17:54Acho que essa gestão pensa, sim, e eu compactuo com esse pensamento.
17:58Eu não vejo isso como um obstáculo.
18:01Mas é difícil diminuir o tamanho do poder público.
18:04Eu vejo como um desafio.
18:07É difícil.
18:08A gente tende a ter uma visão conservadora de coletor de imposto mesmo.
18:13A gente tende a ter essa visão.
18:14Até os reguladores, como a gente está sob observação todo o tempo,
18:19a gente tende a tomar decisões conservadoras por conta disso.
18:24Mas eu não vejo isso como um obstáculo.
18:26Eu vejo isso como uma perspectiva.
18:28Mas aí como é que uma executiva com a cabeça...
18:31Você vem da academia, você vê todos os processos mais modernos.
18:35Você teve na iniciativa privada.
18:37Como é que uma pessoa com essa cabeça chega num poder público com essa cabeça
18:41e tem todas as limitações do poder público?
18:43E o que você está fazendo para mexer com isso?
18:46Você acha que é possível fazer isso?
18:47Olha, eu acho muito difícil a gente incorporar 100% da cultura da iniciativa privada ao poder público.
18:58Eu vou te dar um exemplo.
19:00A estrutura de custos de uma empresa, ela é flexível.
19:03Eu consigo demitir, contratar a qualquer momento.
19:06Aumentar salário, se eu quiser reduzir, eu demito e reduzo.
19:12Existe uma legislação trabalhista, mas existe flexibilidade.
19:16Quando você vai para o poder público, eu preciso de um decreto, de um projeto de lei,
19:22de uma portaria, de um instrumento legal que me permita fazer isso.
19:26E esse instrumento, previamente, é discutido com o legislativo.
19:30É discutido com a sociedade.
19:32Então, eu não tenho a mesma velocidade, a mesma fluidez.
19:39O mercado de iniciativa privada, ele é fluido, ele é líquido, ele tem liquidez.
19:44Você vai na iniciativa pública, você não consegue ter essa velocidade de ação.
19:52Isso, para mim, foi um baque quando eu entrei, porque a gente vive no 220 na iniciativa privada.
19:57E quando a gente chega na iniciativa pública, a gente tem que entender que muitos processos passam por muitas instâncias
20:03e que isso é a velocidade natural que a lei nos impõe.
20:08Mas você acha que tem que ser assim?
20:10Eu acho que talvez possa ser um pouco melhor, mas é um processo de longo prazo.
20:17O Brasil, como eu disse para você, o país todo, isso não acontece só na prefeitura.
20:21A estrutura legislativa nossa, ela é code law, tudo tem que estar na lei.
20:28Existem países, por exemplo, que são common law.
20:31Nem tudo está na lei.
20:32Existem diretrizes, princípios na lei e vale a jurisprudência, o juiz, a decisão judicial.
20:39Então, como tudo está na lei, eu tenho que seguir a lei.
20:43Não é um excesso de formalismo, mas a gente tem que seguir a lei.
20:47O que não está na lei, eu não posso fazer, eu não tenho essa discricionariedade.
20:53Então, é uma característica do sistema legal brasileiro.
20:56E eu não consigo mudar o sistema legal brasileiro.
20:59Eu consigo me adaptar e tentar buscar, dentro do sistema legal, formas de tornar o processo mais ágil,
21:06sem gerar insegurança jurídica.
21:09Uma tarefa fácil, né?
21:10É, nossa, super.
21:12Neila, vamos para mais um quadro agora, quadro Valores Inegociáveis.
21:20Valores Inegociáveis.
21:21Quais são os valores que um executivo precisa sustentar, independente do momento?
21:28Valores pessoais?
21:30Valores de uma forma geral.
21:31Pessoais.
21:33Princípios, exatamente.
21:35Olha, eu tenho uma visão muito particular do que é liderar um time, né?
21:40Eu gosto de trabalhar com pessoas sempre melhores do que eu.
21:44Eu vejo o líder como uma pessoa que está disposta a servir.
21:49Eu vejo dessa forma, né?
21:51É, ao mesmo tempo, a liderança não pode ser muito operacional, né?
21:58Ela tem que, mas ela não pode ser só maestro, né?
22:01Ela tem que, às vezes, botar a mão na massa no sentido de compreender o processo,
22:07mas delegar a pessoas algumas decisões e acompanhar essas decisões sem microgerenciamento.
22:14Mas acompanhar.
22:16Eu acho que confiança é algo essencial no trabalho.
22:20É muito difícil para mim, como gestora, trabalhar sem confiança,
22:24porque quando você delega, você confia no processo, confia no agente e monitora, né?
22:31Então, confiança é um valor que, para mim, é crítico, né?
22:36E a humildade de reconhecer, olha, eu errei aqui, vamos aprender com esse erro e vamos acertar e fazer diferente.
22:43Acho que essa humildade é importante.
22:44Você acha que isso não é um pouco difícil em um ambiente político?
22:48Porque você é uma técnica, claramente.
22:50Você não é uma política, mas você está em um ambiente político.
22:53A gente está em um ano eleitoral, inclusive, né?
22:55É difícil, não é fácil, não.
22:58Porque é muito da política, são narrativas construídas, né?
23:07O que eu faço, como eu sou uma agente político com perfil técnico, né?
23:11O que eu faço é me portar da forma mais técnica possível.
23:15Quando a gente chega na Câmara de Vereadores, por exemplo, essa é a minha postura.
23:21Eu respondo questões que são relativas à minha pasta.
23:24E, às vezes, são feitas questões que não são, não têm relação nenhuma com a fazenda, né?
23:29Então, as questões técnicas relativas à pasta, do processo decisório, eu estou apta a responder.
23:35Aquelas outras questões têm que ser perguntadas a quem cabe responder, né?
23:40Então, assim, o meu papel, eu tento manter muito a integridade técnica do processo, né?
23:46Esse é o esforço que eu tenho.
23:48E como é que foi virar a chave do jornalismo para as finanças?
23:53Ah, foi, foi, não foi trivial, mas foi, foi tranquilo no sentido de que eu já atuava em economia, né?
24:03Então, eu tinha uma proximidade com a área, eu tinha um interesse...
24:07Você já estava num processo de transição, na verdade, né?
24:10Transição, isso.
24:11Assim, o ferramental foi mais difícil, mas a gente aprendeu e estamos aí.
24:18Legal, Neila, agora a gente vai fazer uma pequena pausa, daqui a pouco a gente volta com mais Programa Valores.
24:24E lembrando que a gente hoje recebe Neila Tardem, que é secretária da Fazenda do município de Vitória.
24:30Não sai daí, voltamos já.
24:32Valores, volta já!
24:34Volta já!
24:39Valores, está de volta!
24:43Estamos de volta com o Programa Valores, que hoje recebe a secretária da Fazenda de Vitória, a Neila Tardem.
24:50Neila, o que dos seus estudos você enxergou quando chegou à Secretaria da Fazenda de Vitória?
24:56O que você viu?
24:57Eu já vi isso, eu conheço isso aqui porque eu já estudei.
25:00E como é que foi esse impacto, né?
25:02Na verdade, quando eu cheguei à Fazenda, eu encontrei uma equipe bastante afinada, né?
25:08A equipe que estava lá na Fazenda já estava há anos ali trabalhando no processo.
25:15E me debrucei sobre o orçamento, né?
25:18Porque eu cheguei no início do ano e estava na época de fechamento de balanço também, né?
25:23E a consolidação do balanço, eu fiz...
25:26Na verdade, eu deixei os contadores trabalharem, me debrucei primeiro no orçamento.
25:30E aí, quando eles fecharam o balanço, a gente começou a conversar sobre como se dava o processo.
25:36Mas o desafio inicial foi construir o orçamento, né?
25:40Que tem que enviar o projeto de lei no meio do ano, para ir para a Câmara dos Vereadores.
25:45Tem a burocracia do orçamento, né?
25:47É, existe o conjunto, o rito legal da construção do projeto de lei, que é uma peça orçamentária, né?
25:54Tem a LOA, que é a Lei Orçamentária Anual, e tem a LDO, Lei de Diretrizes Orçamentárias.
25:59E você tinha que cumprir esse rito legal, né?
26:02Então, esse foi o meu primeiro desafio.
26:05E entender, construir ali um BI de dados, para a gente entender como é que estava a saúde financeira
26:12em alguns indicadores que não necessariamente estão na contabilidade.
26:15Indicadores que na contabilidade é evidenciada publicamente, mas naqueles indicadores gerenciais.
26:21Bom, você falar isso, porque a gente vai para a próxima pergunta, que é como é que você faz,
26:26e como é que você fez, nesse caso, para reconhecer as oportunidades que o município pode oferecer,
26:32do ponto de vista da fazenda.
26:34Do ponto de vista de incentivo para atração de empresas, para aumento de arrecadação,
26:40para melhorar a eficiência da Secretaria da Fazenda, e, por consequência, também eficiência do município.
26:47Como é que você fez para reconhecer? Os números conversavam com você, ou conversaram com você,
26:52para te mostrar essas oportunidades?
26:54Os números são sintomas, né?
26:57Os números, eles mostram onde estão as possíveis deficiências, né?
27:02Mas os números já estavam muito bons quando eu cheguei.
27:05O que eu tentei fazer na fazenda, e busco fazer na fazenda hoje, é melhorar processos.
27:13E quando eu falo de processos, são rotinas, tarefas.
27:17É entender que determinadas decisões não necessariamente precisam correr dez instâncias para serem tomadas, né?
27:26Sem perder segurança jurídica.
27:29Respeitando os ritos lá, as burocracias da Poder Cúbico.
27:33Eu não aceitava, por exemplo, dar um tempo de resposta para o contribuinte de sete a quatorze meses,
27:38como eram alguns ritos lá.
27:40A gente tem um Conselho Municipal de Recursos Fiscais, que às vezes demorava sete a quatorze meses
27:45para dar uma resposta para o contribuinte sobre um pedido que ele fazia.
27:48Às vezes é cobrado um tributo, ele discorda da cobrança, ou do valor, ou da forma,
27:54ele entra com o protocolo, pedindo a revisão, aí corre as instâncias todas, né?
27:58Existem leis, decretos que regulamentam esse processo.
28:03Então, isso me incomodava.
28:04Eu tentava fazer, me incomoda ainda, a gente vai acertando devagarzinho.
28:10Tentando dar resposta rápida, celere para o contribuinte, sem perder essa segurança jurídica,
28:16no sentido de que não é porque ele pediu que ele vai ter o sim,
28:20mas ele precisa dar resposta, ou sim ou não, para ele tomar uma decisão sobre...
28:25o mais rápido possível.
28:26Exatamente. Então, esse nível de atendimento ao contribuinte é algo que me preocupa.
28:31Ainda te preocupa?
28:33Sim, é algo que a gente está corrigindo diariamente, né?
28:36Só que a correção não é feita num processo decisório que você toma de forma individual.
28:41É feita por meio de um instrumento legal.
28:44Portarias, decretos, projetos de lei, a gente vai corrigindo, discutindo com as partes,
28:50convencendo e ouvindo outras versões para até chegar a mudança daquele procedimento.
28:55Vamos para mais um quadro, Neila.
28:57Quadro Busca de Valores.
28:59Busca de Valores.
29:03Na sua opinião, Neila, o que a dinâmica atual do mercado exige de profissionais bem-sucedidos?
29:12Olha, vou falar muito do setor de serviços aí, que é um setor crítico para a economia, né?
29:19O setor de serviços, ele carece de capital humano de qualidade, digamos assim.
29:24A gente tem muito capital humano, que às vezes até tem uma titulação, mas não tem a capacitação...
29:31Não entrega.
29:33Não entrega, é.
29:34Então, capital humano de qualidade é algo escasso.
29:38A gente vê isso em qualquer setor, iniciativa pública e privada.
29:42E assim, como gestor, eu sempre preferi trabalhar com poucos e bons.
29:48Eu prefiro ter uma equipe enxuta, remunerá-las muito bem dentro das atribuições que lhes competem
29:55e exigir delas o retorno esperado.
29:59Eu prefiro trabalhar com uma equipe de capital humano de alto nível.
30:04Eu sei que a coisa vai funcionar assim, eu vivi isso.
30:07A minha experiência me traz isso, né?
30:09E hoje é com você, funciona desse jeito?
30:11A sua equipe é assim hoje?
30:12Eu tenho uma equipe muito afinada, né?
30:15No poder público a gente tem excelentes profissionais ali na Prefeitura de Vitória.
30:20Gente que tem 20 anos de casa e que tem influência, enfim, no Congresso, influência que eu falo, influência técnica,
30:29tá?
30:29De participação de decisões, de instrução normativa, que envolvem o Congresso lá em cima.
30:36Que envolvem Receita Federal, Secretaria de Tesouro Nacional.
30:39Então, tem uma equipe bem afinada.
30:42E como é que você acha que lideranças técnicas podem fazer a diferença na gestão pública?
30:47Eu acho que é essencial.
30:50É essencial.
30:51E eu vejo essa tendência na iniciativa pública.
30:56Eu vejo essa tendência de tentar buscar o técnico, uma visão, talvez, da iniciativa privada, dentro da iniciativa pública,
31:03respeitando-se as especificidades da esfera pública.
31:07Eu vejo essa tendência, né?
31:09Eu sou uma prova dessa tendência.
31:11É, exatamente.
31:12Porque você é estritamente técnica, né?
31:15Mas como é que os gestores públicos podem fazer o trabalho, executar o trabalho com a cabeça do mercado privado?
31:23Dá pra fazer isso?
31:23Você conhece os dois lados.
31:25Dá pra fazer isso, mas não dá pra importar 100% da cultura da iniciativa privada pra iniciativa pública.
31:33Por que que isso não pode acontecer e isso é bom ou ruim?
31:38Não acho que juízo de valor cabe.
31:41Eu acho que são culturas diferentes, né?
31:44Se você pegar uma empresa de tecnologia, a cultura daquela empresa de tecnologia é melhor do que a cultura de
31:50uma empresa de sidelogia?
31:51São culturas diferentes.
31:53Então a gente tem que olhar pra cultura organizacional.
31:58E não adianta você chegar num ambiente que tem uma cultura construída ali por séculos e tentar distorcer ela no
32:07curto prazo.
32:08Isso é muito caótico.
32:10Você não consegue fazer isso.
32:11Isso é uma mudança paulatina, de longo prazo mesmo.
32:14Mas eu vejo isso.
32:16Eu vejo uma...
32:17Até na própria contabilidade.
32:19A contabilidade pública, ela tem importado muitas normas da contabilidade comercial pra si.
32:24O patrimoniamento, a forma de você patrimoniar imobilizado, isso vem da cultura da iniciativa privada.
32:32A contabilidade pública, que tem normas bem específicas, ela incorporou essa cultura.
32:37Ela tem incorporado, respeitadas as diferenças.
32:41Então, assim, existe esse movimento de uma contabilidade global, de uma forma de gestão que seja mais unificada.
32:51Só que algo é uma construção de longo prazo.
32:54E caminha devagar por causa das características da iniciativa pública, como você tem falado aqui.
33:01Como é que você vê as iniciativas do governo, e a gente fala de governo do Estado, de governo de
33:06uma forma geral,
33:07pra impulsionar o desenvolvimento da economia aqui no Espírito Santo?
33:11Como é que você vê isso como gestora pública também, secretária da Fazenda de Vitória,
33:16e também como uma pessoa que vê o mercado como um todo?
33:20O governo do Estado, ele tem se empenhado aí em fazer investimentos, né, pra promover a economia estadual.
33:30Recentemente ele aumentou a alíquota de ICMS, depois recuou.
33:34Aumentou em reação à reforma tributária, né?
33:37Isso.
33:39Mas reconheceram que o aumento foi temerário e recuaram, o que eu achei ótimo, né?
33:43E recuaram pra alíquota que havia antes.
33:48Eu acho que o governo tem caminhado e trabalhado pra fazer o melhor que ele pode, tecnicamente, né?
33:58Eu conheci o anterior secretário da Fazenda Estadual, o Marcelo Altoé,
34:03aí depois mudou de secretário e não tive a oportunidade de conhecer o novo secretário ainda.
34:08Mas sei que é um auditor fiscal de carreira, conhece bem os processos,
34:12e tem sido bem elogiado no mercado.
34:16E qual que você acha que é o ponto de maior atenção no momento da economia do Estado?
34:22A gente tem aí, você citou a reforma tributária, você acha que esse é um ponto de atenção?
34:26Eu acho que esse é um ponto crítico.
34:28Tanto pro Estado quanto pro município, né?
34:31A reforma, depois de 2027, 2029, ela vai começar a ter efeitos concretos,
34:38mas a gente tem que começar a preparar nossos processos pra esse novo modelo, né?
34:44Porque hoje o município de Vitória, especificamente, ele, a principal fonte de receita do município são os repassos.
34:51Mas, embora o ISS tenha crescido muito em representatividade no bolo de arrecadação,
34:57e tem crescido mesmo, a gente é, a gente depende dos repassos estaduais, né?
35:05E quando o Estado foca ali, né, a máquina pra tentar repensar os incentivos fiscais,
35:13ele tá mexendo no bolo de ICMS que ele vai arrecadar.
35:17Porque a reforma tributária, ela tenta evitar esses incentivos fiscais
35:22que o Estado, historicamente, se manteve com eles, né?
35:26Exatamente.
35:26Então isso é crítico.
35:27E depende deles, né?
35:28Exatamente.
35:29E depende deles.
35:30Isso é crítico. Então, como nós dependemos por transitividade dos repasses,
35:36as decisões que o Estado tomar a respeito de arrecadação vão impactar também os cofres da Prefeitura.
35:43Mas aí não dá pra pensar numa alternativa, em outras fontes de receita,
35:48em algumas formas de reduzir o custo da máquina de Vitória, por exemplo, enxugar um pouco mais?
35:53Isso, assim, isso é um fato.
35:56Isso é algo que tende a acontecer pra manter responsabilidade fiscal e sustentabilidade no longo prazo.
36:02A máquina tende a diminuir mais ainda.
36:06Mas o que me preocupa é mais como que essas populações mais carentes, lideranças comunitárias,
36:13populações ali de periferia vão ser atendidas.
36:17Porque a Prefeitura que se presta nesse papel, né?
36:20A Prefeitura que atende esse público, a demanda da praça, da rua, do poste, da iluminação pública,
36:27ela acontece dentro da Prefeitura, não dentro do Estado.
36:32E quando você diminui o papel da Prefeitura nisso, como é que essas demandas vão ser atendidas?
36:38É essa preocupação, né?
36:40A preocupação é a perda de autonomia do município, da gestão municipal.
36:45De ficar completamente dependente.
36:48Não completamente, mas um pouco mais refém desses repasses, né?
36:53De uma certa forma.
36:54Então, a autonomia fiscal do município, com o cenário atual, tá?
36:59A preço de hoje, né?
37:00Tem muita lei complementar pra vir.
37:02Ela vai ficar um pouco cerceada com a reforma tributária.
37:06E essa é uma questão que tem sido tratada na Associação Brasileira dos Secretários da Fazenda,
37:11a Brasf, na Frente Nacional dos Prefeitos, a FNP.
37:16A gente tem um servidor lá da Prefeitura de Vitória lotado num grupo de trabalho da FNP
37:22pra construir lá as leis complementares também.
37:26A gente participa dessa discussão, mas a gente sabe que muita coisa já tá vencida, né?
37:33A gente vai ter uma perda de autonomia, né?
37:35A gente espera isso, né?
37:37Já tá dentro desse pacote.
37:40Isso.
37:41Neila, vamos a mais um quadro.
37:43Quadro Valores do Futuro.
37:46Valores, Valores de Futuro.
37:50Pra você, e essa é uma pergunta importante, porque você tem familiaridade com esse mercado,
37:54vindo da academia, você ajudou a montar o hub lá da FUCAP, inclusive,
37:59sabe tudo de investimento, pelo que tá no seu histórico.
38:02Bom, qual é o investimento realizado agora que vai dar resultado real
38:07no ambiente de negócios do Espírito Santo daqui a 25 anos?
38:11Edu, você tá me fazendo pergunta muito difícil.
38:14Daqui a 25 anos...
38:16Olha, você é mestre, é doutora, estudou pra caramba.
38:18Mas eu não sou vidente.
38:20Mas no que você apostaria?
38:22Olha, eu sou investidora, né?
38:25Eu tenho meu portfólio de investimentos, né?
38:29E a gente constrói expectativas sobre o futuro.
38:32A chance de eu construir uma expectativa e acertar o que vai acontecer no próximo mês
38:37ou no final do ano é muito maior do que a chance de eu construir uma expectativa
38:41e acertar o que vai acontecer daqui a 25 anos.
38:44Mas, assim, pro Espírito Santo, vou falar de gestão pública de forma geral, né?
38:50O Espírito Santo, ele tá crescendo muito na região metropolitana.
38:54Existe um movimento pra incorporar a Aracruz pra região metropolitana.
38:58A Aracruz tá crescendo muito, teve maior valor adicionado fiscal, maior delta de valor.
39:05A gente tá com a formação da ZPE, vai ser em Aracruz.
39:08Isso, exatamente por isso.
39:10O porto da Imetame, exatamente.
39:11Tá crescendo muito pra aquela região ali.
39:13Vila Velha também tá crescendo pra lá, pro sul.
39:16Isso.
39:17Serra pra cá.
39:18Então, assim, a região metropolitana tá se expandindo.
39:21Isso é bom.
39:22Isso é bom pro estado todo, né?
39:24E isso também acaba tendo uma disputa pelas riquezas, né?
39:28Entre os municípios.
39:29Uma disputa que é saudável, é natural, né?
39:35E empreender no Brasil não é fácil.
39:37A gente sabe disso, né?
39:38Tem que ter muita coragem, muita resiliência, muita expectativa que daqui a 5 anos
39:45você pode ter lucro, ou seja, às vezes você passa 5 anos tentando manter o negócio
39:49de pé pra ele começar a dar lucro no sexto.
39:52É, e muita gente não tem nem essa preparação e nem a paciência de esperar 5 anos.
39:58Às vezes, no meio do caminho falta dinheiro, acaba o dinheiro, né?
40:01É capital de giro, financiamento.
40:03E a gente tem que ter a sapiência de saber quando é que o projeto não vai dar certo mesmo.
40:09Às vezes a gente abre um negócio, vai à falência, aprende com isso, abre outro e por conta
40:16daquela falência você consegue ser bem sucedido.
40:18É isso aí.
40:19Uma segunda alternativa.
40:20Você me enrolou pra caramba, mas você não falou, né?
40:22Não, porque eu não consigo te responder isso.
40:25Mas aí, pensando nessa região metropolitana expandida, é o que?
40:33Apostar em investimento em imóveis, por exemplo, mais nas periferias, por exemplo, dessa região?
40:41Isso é uma pergunta que muito, quando eu falava na rádio, num programa de finanças,
40:45muitos ouvintes me perguntavam, puxa, investir em imóvel é bom, né?
40:49Aí a resposta sempre é padrão, depende, né?
40:53Às vezes você compra um imóvel no local e consegue vender ele por três vezes o valor
40:58e não teve nenhum dispêndio pra manter ou reformar o imóvel.
41:02Isso é um bom negócio.
41:04Ah, eu prefiro comprar fundo imobiliário que eu vou ter um dividendo, uma renda a partir desse fundo.
41:10Tem mais liquidez, é mais fácil de passar.
41:11Tem mais liquidez, também depende, né?
41:14Você vê a saúde financeira de muitos fundos imobiliários e você vê que, às vezes, é complicado.
41:20Você vai ler os balanços dos fundos, é complicado você dizer que aquele fundo tem sustentabilidade.
41:26Então, assim, não existe uma receita de bolo, Edu.
41:30O que existe é encontrar...
41:32Você sempre tem que comprar barato e vender caro.
41:35E as oportunidades, elas são fluidas.
41:38Às vezes, você compra barato hoje, daqui a uma semana tá caro, daqui a duas voltam a ser barato.
41:44Então, isso não é fácil de definir, né?
41:48A gente tenta, mas não é fácil.
41:50Se você tivesse um dinheirinho hoje pra colocar em alguma coisa que você fosse tirar daqui a 25 anos,
41:54aonde você colocaria o seu dinheirinho?
41:55Você quer que eu diga a composição do meu portfólio de investimentos?
41:59Não, é só umzinho, é só uma sugestão, é só uma...
42:02Não, eu tenho um portfólio, por conta do meu perfil de investidora, muito focado em renda variável.
42:09Mas esse é o meu perfil.
42:11O meu perfil é arrojado.
42:13Porque você sempre, quando você entra numa conta em corretora, eles fazem uma classificação do seu perfil.
42:18Isso aí.
42:18Aí você constrói seu portfólio de acordo com aquilo que você tá...
42:23O risco que você tá disposto a pagar.
42:25Né?
42:26Aí, meu portfólio tá bem, muito obrigado, mas já esteve mal.
42:31Né?
42:31Então, assim, tem gente que prefere comprar CDI, renda fixa, e ficar lá.
42:36E existem muitos estudos que mostram que, em comparação a muitos portfólios de renda variável,
42:41o CDI supera, ainda mais no Brasil.
42:43O Brasil é o país da renda fixa.
42:45Né?
42:46Você tem uma taxa de juros muito alta e a renda fixa faz...
42:51Gera uma sensação de segurança, de fato é o investimento mais seguro.
42:54E a gente não tem a cultura da Bolsa de Valores.
42:57A Bolsa de Valores, a minha avó falava, não, isso é cassino.
43:01Bota seu dinheiro na caderneta de poupança.
43:05Então, assim, o brasileiro não tem essa educação financeira da Bolsa de Valores,
43:09não entende que a Bolsa de Valores é um meio de financiamento das empresas.
43:15É pra isso que serve a Bolsa.
43:17Então, eu gosto do mercado de capitais, eu me arrisco no mercado de capitais com o meu CPF,
43:24não com o CNPJ da Prefeitura, porque aí eu não posso.
43:27Legal você falar que o seu perfil é arrojado e você investe com o seu CPF.
43:31E o que tem do seu CPF na Secretaria da Fazenda?
43:34O que tem da Neila na Secretaria da Fazenda de Vitória?
43:37Nada, princípio da entidade.
43:39Eu tenho que separar o meu CPF do meu CNPJ.
43:42Não, ok, beleza.
43:43Mas o que tem, porque é impossível você dissociar, né?
43:46Porque você é a Neila.
43:48E o que tem de você, da sua personalidade na Secretaria...
43:51Ah, da personalidade de escolhas.
43:52Isso na Secretaria da Fazenda de Vitória.
43:56Eu tenho que fazer uma gestão de tesouraria dos recursos da Prefeitura.
44:00Tesoureira da Prefeitura.
44:02Não, tesouraria é o dinheiro em caixa de disponibilidade que você coloca em aplicações financeiras
44:09dentro de limites legais.
44:10Só que essa gestão de tesouraria não me permite, até por imposição legal, ser arrojada.
44:16Entendi.
44:17A legislação diz que eu tenho que aplicar em bancos oficiais.
44:20Existe uma discussão sobre o que é um banco oficial, tá?
44:24Mas a interpretação geral é que um banco oficial é um banco público.
44:28Então a gente aloca parte da tesouraria em bancos...
44:32Parte não, toda a tesouraria em bancos oficiais, por imposição legal.
44:38O que a gente faz é fazer o rebalanceamento dessa carteira.
44:43É olhar a performance da tesouraria e, puxa, ó, tá caindo, vamos ajustar.
44:47Aí a gente ajusta e aloca, muda os percentuais.
44:52Aí eu tenho 30% no fundo A, 40% no fundo B, mais 30% no fundo C.
44:58Aí você muda as composições se a tesouraria cai de performance, né?
45:02Isso é um rebalanceamento de carteira, é um acompanhamento mensal.
45:07Não vejo necessidade de ser mais do que isso, mas quando a gente vê a tesouraria...
45:13Na época, por exemplo, do problema das americanas, havia muitos fundos DI,
45:21são fundos altamente conservadores, com um grau de exposição mínimo nas lojas americanas,
45:27antes do problema de governança que a empresa teve.
45:30E as ações da empresa despencaram.
45:33Então, prefeituras que tinham na sua tesouraria investimentos nesse fundo,
45:40que tinham um grau de exposição a lojas americanas, elas sofreram um baque,
45:45porque a base de cálculo da tesouraria é muito alta, são milhões de reais.
45:49Então, se cai 0,1%, é um impacto considerável.
45:55Então, em um dia, eu vi a tesouraria cair, eu falei, opa, vamos realocar.
45:59Aí você toma essa decisão, realoca, a tesouraria volta a subir.
46:03Então, é isso que a gente faz no dia a dia, mas dentro de diretrizes legais.
46:11Neila, o que a secretária da Fazenda hoje, de Vitória, falaria para aquela Neila jornalista lá atrás,
46:18que nunca imaginou, nunca pensou que fosse fazer, se formar em contabilidade,
46:23ou se formar numa área diferente de jornalismo, fosse estudar tanto, e hoje estaria onde está?
46:31Eu acho que vai que vai dar certo.
46:35Simples assim?
46:36É, assim, eu olho para trás com muita humildade de entender que eu aprendi com os meus erros,
46:45que eu não vou deixar de errar, que eu vou continuar errando, mas que eu espero errar diferente.
46:52E eu acho que o que eu falaria para a Neila aí de 20 anos atrás é que, parabéns,
46:59eu acho que você foi bem, acho que você está indo bem, continua.
47:04Legal, Neila, vamos para o último quadro do programa Valores, que é o quadro Valor Pessoal.
47:10Valor, Valor, Pessoal.
47:14Neila, qual o aspecto da sua vida pessoal que é essencial para que você tome as melhores decisões para o
47:21futuro?
47:22O que eu faço na minha vida privada é o que me faz ficar bem dentro do meu trabalho.
47:27O tempo com a minha família.
47:29Eu tenho uma filha de 7 anos que é a minha alegria, né?
47:34Você tem filha, já está grande, você sabe disso.
47:37Bem grande, é verdade.
47:38A minha filha é maravilhosa, né?
47:40Foi super engraçado, outro dia que a gente foi na inauguração do Parque Moscoso,
47:45que tinha as luzes de Natal, e ela sabe que eu sou secretária da Fazenda,
47:50ela não sabe o que isso significa, mas ela sabe que eu sou.
47:53E alguém disse para ela que eu cuidava do dinheiro da prefeitura,
47:57e ela passou a ser a patrulha dos parquinhos, né?
48:03Ela olha para o parquinho e fala, mamãe, quebrou, tem que mandar consertar.
48:07Entendeu?
48:07Então é engraçado isso, né?
48:09Porque ela fala com as amiguinhas dela, olha, minha mãe manda consertar isso aqui,
48:12eu não mando consertar nada, né?
48:14Mas ela acha que sim.
48:17Então ela é minha alegria, é um prazer enorme ser mãe.
48:20Legal, Neila Tardem, muito obrigado.
48:22Pela entrevista no Valores, muito obrigado por ter estado aqui
48:26e ter passado essa experiência para as pessoas muito ricas.
48:28Eu que agradeço, obrigado, Edu.
48:30Legal, e para você que acompanhou o programa Valores,
48:33muito obrigado pela sua companhia.
48:35Você sabe, né?
48:35A gente se vê da próxima vez, na próxima semana,
48:38aqui no programa Valores.
48:40Muito obrigado, até a próxima.
48:41Tchau.
48:43Você ouviu Valores com Edu Copernic.
48:47Até o próximo.

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