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  • há 2 dias
Entrevista com Cris Samorini

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Transcrição
00:00Começa agora, começa agora, na Pan News, Vitória, Valores, com Edu Copernic.
00:08Olá, seja muito bem-vindo ao programa Valores, um espaço de discussão sobre o desenvolvimento do Espírito Santo,
00:15sobre como pensam os principais agentes que movem a nossa economia.
00:21Hoje a gente fala de um setor-chave para qualquer economia, e mais ainda, para os arranjos produtivos aqui no
00:27Espírito Santo.
00:28A indústria movimenta nada menos do que 38% da produção de todas as riquezas do nosso Estado.
00:36Isso números mais recentes. Não é pouca coisa, não.
00:39Em reais, isso significa mais ou menos, um pouco mais de 68 bilhões de reais. Muito dinheiro.
00:46E um setor tão representativo assim, precisa saber que rumo tomar,
00:51que práticas adotar nesse turbilhão de medidas de governo, mudança de tributação,
00:57alterações de medidas econômicas.
00:59Quem olha com o olhar da indústria para tornar o ambiente mais propício ao desenvolvimento
01:05é a Federação das Indústrias do Espírito Santo.
01:08E à frente dessa entidade tão tradicional, fundada lá atrás, nos anos 1950,
01:14está hoje a Cris Samorini.
01:16Cris está aqui com a gente. Seja muito bem-vinda ao programa Valores, Cris.
01:19Muito obrigada. Agradeço imensamente o convite.
01:21Legal. A Cris é do setor gráfico. Começou a trabalhar no negócio da família muito cedo
01:27e decidiu se tornar a voz da indústria no Estado.
01:30Assumiu a FINDES em 2020 e logo de cara pegou uma pandemia pela frente aí.
01:35Teve que administrar uma das maiores crises da história do mundo.
01:39Não é só do Espírito Santo, não.
01:40E que afetou diretamente o setor produtivo.
01:43E olha que a Cris é a primeira a assumir a presidência da FINDES em 65 anos.
01:48É a primeira porque é a primeira mulher.
01:50Bom, Cris, o início da nossa conversa não pode ser diferente.
01:54Como foi logo de cara encarar uma pandemia?
01:58Você assumiu e começou a pandemia, né?
02:00Ou você já assumiu e já tinha uma pandemia andando no país todo
02:04e aqui no Espírito Santo não foi diferente. Como é que foi isso?
02:06Na verdade, a eleição aconteceu logo no início da pandemia.
02:10De uma forma de a gente ter que organizar a gestão anterior,
02:13organizar toda a mudança, que era habitual estar presencial
02:18e nem constava em estatuto fazer uma eleição virtual.
02:21Então, foi uma mudança muito abrupta do que a gente estava vivendo
02:26já em relação ao que estava sendo esperado, projetado.
02:29Ou seja, quando eu montei o meu plano de trabalho em 2019,
02:34foi baseado em coisas que estavam no rumo certo.
02:39Ou seja, como é que eu iria iniciar aquela gestão com esse turbilhão,
02:43sendo que o plano já estava desatualizado?
02:45Eu iniciei com um nível de necessidade diferente,
02:49além das necessidades das nossas entidades,
02:51para lembrar que o sistema FINDES cuida do SESI e do SENAI,
02:54não somente com o olhar de defesa institucional das indústrias do Estado de Espírito Santo,
02:59mas nós temos as nossas obrigações.
03:01Ou seja, não foi somente a cuidar de todos esses impactos
03:05que a gente estava tendo naquele momento em relação ao setor industrial.
03:08Como é que a gente ia cuidar dos nossos alunos?
03:11Nós estamos falando de uma escola, a maior escola privada do Espírito Santo,
03:16em torno de 10 mil alunos,
03:17e também algo que para a gente é extremamente essencial,
03:20que é a formação profissional.
03:22Ou seja, foram fatores, e assim, não tinha nada previsto.
03:27A gente foi utilizando de artifícios ali possíveis naquele momento.
03:33Contou muito com uma federação que já estava vindo muito bem ajustada,
03:38com uma direção bem compreendida,
03:41e com isso a gente foi reformulando,
03:43com onde que a gente agora atua.
03:45De forma emergente, a gente teve que atuar,
03:48principalmente dando apoio a muito da sociedade,
03:50ao governo estadual, secretaria de saúde,
03:54prefeituras, doações,
03:56porque a indústria tem uma condição
03:58de também movimentar muito mais do que simplesmente arrecadações simples.
04:03Então a gente também teve que dar apoio de trazer,
04:06por exemplo, oxímetros de uma hora para outra.
04:09Nada estava previsto como um plano de gestão,
04:12mas a gente contou com muitos atores importantes.
04:15Então a indústria do Espírito Santo tem uma força,
04:18deu o apoio que a gente precisou,
04:19a gente teve muito diálogo com o governo do Estado,
04:22atuando muito próximo, principalmente, aos municípios.
04:26Tanto que quando começou a ter a disponibilidade das vacinas,
04:29eu lembro que um dos fatores críticos era justamente
04:32quem que tem a prioridade,
04:34porque naquela época todo mundo apareceu com prioridade.
04:38E como o setor da indústria foi um dos poucos setores que fechou,
04:41deixou de fechar,
04:42a gente trabalhou a todo momento aqui no Estado do Espírito Santo,
04:45a gente teve outros estados que sim,
04:47tivemos fechamento de indústria,
04:49e a gente batalhou muito para que, de forma prioritária,
04:52os trabalhadores da indústria também tivessem essa vacina.
04:55E isso daí foi um acompanhamento muito intenso
04:58da que a gente estava fora da nossa normalidade.
05:01Apesar da gente cuidar da saúde do trabalhador da indústria,
05:05era um pleito que a gente devia encontrar um caminho que não estava previsto.
05:09Mas foi um desafio, sim, muito bem apoiado por todas as indústrias,
05:14em especial, olhando do SESI,
05:18a gente teve uma condição muito rápida de virar a parte digital de assistência.
05:23Obviamente, a gente não conseguiu, assim, tão de imediato,
05:27eu tinha presencialmente acompanhado outras situações com outras escolas privadas,
05:32e o SESI respondeu muito rápido.
05:34Então, acabaram as coisas ficando sendo,
05:39de uma forma modelada ali, da melhor forma possível no momento.
05:42O que a gente sofreu mais, principalmente, foi na formação profissional,
05:46porque o SENAI, ele tem como tradição fazer formação,
05:50principalmente física, ali dos nossos laboratórios,
05:54da aprendizagem, realmente, dentro das escolas.
05:56Isso foi algo que a gente ficou praticamente um ano,
06:00que era um grande destaque da minha gestão,
06:03porque é algo que eu sempre acreditei muito,
06:05a formação profissional através do SENAI.
06:07Então, ou seja, eu tinha um projeto de ampliar rapidamente a oferta de educação profissional.
06:14Estou dando exemplo do quanto que impactou o início da gestão
06:17e a gente ter que ter mudança de trajetória para saber escolher as prioridades.
06:21E o SENAI foi um, em especial,
06:24porque a gente sabia que havia uma carência grande de formação,
06:28uma necessidade, porque as indústrias estavam fazendo já planos de investimento,
06:32e com isso tudo, isso simplesmente deixou de existir de uma hora para outra.
06:36Como é que isso mudou, como é que esse período mudou a indústria aqui no Espírito Santo?
06:41Primeiro, assim, a questão do impacto no Estado foi muito mais rápido do que o restante do Brasil,
06:48porque o Estado do Espírito Santo tem uma característica que tudo que acontece no cenário global
06:53acontece primeiro no Espírito Santo em relação aos demais.
06:57Porque nós somos muito ligados à exportação.
07:01O nosso resultado em relação à exportação tem uma representatividade muito grande.
07:07Nós somos um mercado, uma indústria hoje que tem muita relação com o mercado externo.
07:13Nós vamos pegar um que é de conhecimento de todos,
07:16sem ser a parte de minério que é conhecida, mas de rochas ornamentais.
07:20A gente não sabia qual era o comportamento dos principais mercados de consumo.
07:24Além de tudo, toda aquela desconexão que teve, cargas, problemas de frete,
07:32toda aquela questão de disponibilidade de rota, container.
07:36Ou seja, imediatamente atingiu, antes de atingir de fato o consumo,
07:42que claro, a gente teve uma redução na parte de alimentos, talvez uma redução menor,
07:47mas, por exemplo, de exportação foi algo muito sensível.
07:50Celulose, por exemplo, que é um mercado para a gente de exportação muito importante.
07:53Foi extremamente impactado, principalmente pela dificuldade.
07:57Depois teve um crescimento exponencial.
08:00Depois que voltou essas possibilidades.
08:03Qual que você acha que foi um impacto sobre a indústria?
08:05A indústria teve que aprender a lidar com isso?
08:07Como é que a indústria aprendeu a lidar com isso?
08:09Aprendeu a lidar com isso em relação a ter melhores parcerias,
08:14talvez não mais a longa distância, encontrar outros mercados
08:17que não ficassem numa dependência, principalmente de questões que tinham não decisão,
08:21por mais que a gente tenha uma indústria com capacidade aqui no Espírito Santo
08:24de produção, por exemplo, celulose,
08:27mas se houvesse realmente uma ruptura grande de aquisição, por exemplo, da China,
08:33ele ia ficar com um impacto muito grande.
08:35Então, acabou sendo necessário desenvolver outros mercados mais próximos,
08:39para que isso conseguisse ser, de certa forma, menos impactado a qualquer momento.
08:43Porque isso metia um sinal, principalmente quando a gente começou a precisar de elementos
08:49que eram de necessidade, inclusive para a nossa indústria.
08:52A gente tem aqui a entrada de muitos insumos que fazem parte do nosso processo de produção.
08:57Isso começou a gerar um outro nível de problema.
09:00Ou seja, começou a abrir as oportunidades de ter mercado mais próximo para ter abastecimento
09:05e também mercado mais próximo para ser o receptor das nossas exportações.
09:10Esses números que eu citei no início da nossa entrevista aqui,
09:1338% de todo o PIB do Espírito Santo está na indústria,
09:1768 bilhões de reais não é pouco dinheiro, é bastante dinheiro por ano.
09:22Você acha que esses números indicam que a gente deu a volta por cima
09:25e a atividade industrial voltou ao auge agora, no início de 2024?
09:31A importância da indústria se demonstra em relação à posição dela no ranking.
09:35Então, o Espírito Santo retornou uma posição de segundo estado mais industrializado,
09:39o que para a gente já demonstra, através de números que a gente acompanha,
09:43ao que a gente já sabia.
09:44Os resultados têm sido assim.
09:47Em 2023 a gente cresceu em torno de 7% e em 2024 a gente já tem uma projeção
09:53de crescimento de 6% do setor industrial.
09:55E o que aconteceu ao longo desses últimos anos?
09:58A indústria não parou de investir.
10:00Mesmo logo na sequência da pandemia, que esse é um grande fator que a indústria
10:05traz como contribuição para o desenvolvimento não só do Espírito Santo,
10:08mas de todo o Brasil, é porque é necessário de forma constante fazer investimento
10:12em tecnologia, aprimoramento, mais produtividade, porque a gente tem um impacto
10:16muito severo nos nossos custos, conhecido como custo Brasil, dentro do setor industrial.
10:22Acho que esse é um trabalho que demonstra que por mais que a gente tenha
10:26que se manter competitivo, não deixamos de investir.
10:30O exemplo que eu trago é em relação aos investimentos que a indústria tem anunciado.
10:34Até 2028 nós estamos falando em torno de 50 bilhões, mas se eu pegar o resgate
10:39desde 2020 da pandemia, os investimentos não pararam.
10:43Nós tivemos que, por exemplo, atualizar a fábrica.
10:45Logo na sequência da pandemia, a garota estava anunciando uma automação de uma área
10:49que estava completamente sem utilização.
10:52Ou seja, isso demonstra um compromisso, principalmente se manter de forma constante
10:57fazendo os investimentos, mas com a intenção de crescer, principalmente no Estado
11:01que está recuperando uma posição. E isso é muito importante, porque o Estado do Espírito
11:06Santo é olhado no cenário nacional como um Estado pequeno, mas muito industrializado.
11:11Isso favorece o debate, principalmente para a gente, a todo momento, estar reforçando
11:16a importância de ter adensamento de cadeia, atrair novas indústrias para dentro do Estado
11:22do Espírito Santo. Esse é um grande desafio que a gente atua constantemente.
11:25Cris, a gente tem quadros no programa e a gente vai ao primeiro deles agora, que é o quadro
11:29Dica de Valor.
11:31Dica de Valor.
11:35Cris, na sua opinião, qual investimento tende a dar o melhor retorno no Estado?
11:45Olha, dentro do Estado a gente está acreditando nos investimentos que a gente está considerando
11:52como disponibilidade de crédito para o setor industrial.
11:55Isso é algo que a gente batalhou por bastante tempo e vai vir a acontecer daqui por diante.
12:02Olhando para o setor industrial, é algo que a gente tem como maior desafio, disponibilidade
12:06de crédito a longo prazo.
12:08Então, assim, no Estado isso é uma conquista que a gente vai ter ao longo de 2024 já.
12:14Mas eu, assim, eu arrisco a colocar como os próximos investimentos que a gente tem de plantas
12:23industriais, sendo com expansão e crescimento, nós vimos aí um anúncio importante do reuso
12:30da água em especial, uma parceria que aconteceu com a Cezan e uma nova empresa que dentro da
12:37da Bolsa foi adquirente do espaço, são os novos espaços que a gente tem que o Espírito
12:46Santo pode atrelar como diferencial no cenário como um todo, de disponibilidade.
12:52Legal.
12:52Cris, como é que você vê os impactos da reforma tributária do jeito que está posta
12:56hoje aqui para o Espírito Santo, para a indústria do Espírito Santo?
12:59Nós batalhamos muito por essa reforma.
13:02O setor industrial batalhou muito por essa reforma, apesar de que até mesmo dentro da
13:08indústria a gente não tenha a totalidade de concordância, e não acontece só no Espírito
13:13Santo, acontece no cenário nacional, principalmente que nós temos estados e também temos setores
13:19que têm benefícios, incentivos fiscais, que é de extrema importância, mas olhando ele
13:24com a certeza que já estava para acabar em 2032, e a gente tendo a certeza que ao longo
13:30desses últimos 30 anos foi o setor que mais carregou carga tributária, nós estamos falando
13:36que olhando uma indústria que não tenha incentivo nenhum dentro da complexidade da carga tributária,
13:43nós estamos falando um setor que carrega 40%.
13:46Ou seja, a gente está nesse momento caminhando para uma redução importante, mesmo que não
13:52seja no percentual que estava previsto, a gente pleiteou muito que ficasse em torno
13:57de 22%.
13:58Obviamente a questão da reforma administrativa era de extrema importância acontecer, mas
14:04no Brasil não acontece nada tão fácil, então vamos com o que a gente tem de condição
14:09significativa.
14:10Mas tem fatores ali dentro que trazem para o Espírito Santo um diferencial muito grande,
14:14principalmente a desoneração das exportações.
14:17Se a gente tem um estado que está vocacionado para exportação, até mesmo pelos mercados que
14:22a gente já conhece, a gente já atua e tem expansão, por exemplo, portuária, isso
14:27traz um diferencial enorme.
14:28A reforma tributária acerta exatamente essa vertente.
14:31Mas temos riscos.
14:33No imposto seletivo que não está bem descrito o texto, nós temos as questões que podem
14:38ter impacto pela parte de mineração, por exemplo, porque ficou muito aberto o texto.
14:42Nós estamos trabalhando para que isso seja mais bem compreendido, que o problema do Brasil
14:46são os espaços que alguém, em algum momento, pode gerar um problema maior.
14:51Mas, sem dúvida nenhuma, a gente tem dados, estudos, olhando o cenário, na complexidade
14:57da carga tributária para uma indústria que hoje carrega esses 40% e ao longo de uma cadeia
15:04mais longa, às vezes as pessoas perguntam assim, Cris, pelo amor de Deus, eu pago só
15:0918%.
15:10É porque ele não enxergou a cadeia toda.
15:13Então, a gente tem que percorrer...
15:14Os acumulativos, os efeitos cascados...
15:15Tudo que está perdido ao longo da cadeia e o que fica acumulado é algo que gera, no
15:22final, um acúmulo.
15:23O que é isso?
15:25O final é um produto mais caro para o consumidor.
15:28Isso é fato real.
15:29E a projeção é de crescimento de 12% do PIB.
15:33Criando todo, mesmo com todos os desajustes que ocorreram.
15:38Foram muitas concessões.
15:40Chegar no meio termo foi muito complicado.
15:43Mas, para a indústria, sem dúvida nenhuma, a gente tem muito ganho.
15:46É uma reforma mais positiva para a indústria?
15:49Você acha que o alvo dessa reforma tributária foi a indústria?
15:52Muitos especialistas falam que o setor de serviço perde muito, mas a indústria ganha muito.
15:57A indústria carregou 30 anos o maior custo tributário.
16:00Ou seja, quem é que faz os maiores investimentos em tecnologia?
16:05Quem é que é o maior gerador de riquezas no país em relação, por exemplo, à distribuição
16:12de renda quando você tem, quando você olha a média do salário em relação ao setor
16:18industrial ou a outro setor, o setor industrial é muito maior.
16:21Quando você pega a cada um real, a indústria coloca quase R$ 2,90 de volta para a própria
16:29economia.
16:30Em geração de riqueza.
16:31Ou seja, não tem como comparar o quanto que a indústria pode agregar de crescimento
16:37para o país.
16:38E isso, sem dúvida nenhuma, quando a gente olha o crescimento de 12%, previsto com a
16:44redução dessa carga tributária para o setor industrial, equalizando.
16:48Na verdade, a gente está equalizando o custo do Brasil para todo mundo.
16:52A indústria puxa um crescimento importante, gera realmente um volume importante de emprego,
16:58é uma massa de emprego importante, há uma previsão de em torno de 12 milhões de
17:04empregos novos, novos empregos, assim, ao colocar a economia realmente para crescer.
17:10Então, assim, a gente está ajustando o que veio sendo desajustado ao longo desses últimos
17:1530 anos.
17:15Estamos dividindo o problema do Brasil para todos.
17:18não era a solução.
17:19A solução era primeiro a reduzir o custo do Brasil.
17:22Mas concorda que eu olho o setor industrial que perde competitividade para a China, nós
17:28temos um problema, assim, simples para qualquer um entender.
17:31Fizeram uma escolha de deixar mercadoria externa entrar no Brasil sem a taxação, que no caso
17:39o imposto, os tributos federais, até 50 dólares.
17:4350 dólares é um ticket médio de 250 reais, concorda?
17:47Que é muito bom para a média de consumo do brasileiro.
17:53Vestuário, cosméticos, até outros itens, porque isso já ampliou tanto.
17:57O que fizeram?
17:58Antes era pessoa física ou pessoa física.
18:01Só que fizeram um crescimento tão absurdo dessa possibilidade.
18:07Nós estamos falando que antes estava entrando um milhão e meio de pacotes de pessoa física
18:12ou pessoa física.
18:13Ou seja, encontraram um mercado no Brasil de muito consumo pelo ticket médio.
18:19Se eu considero uma indústria no Brasil com toda a carga tributária, esse mesmo 50 dólares
18:26vai chegar numa...
18:27Nem vou colocar num shopping, assim, de classe média alta no Estado.
18:32Classe normal, média para baixo, vai chegar no mínimo em torno de 350 reais.
18:37Qual é a indústria têxtil que suporta se manter nessa descompetitividade de valores?
18:44É muita carga.
18:45Então, e aí para piorar a situação, então agora a gente vai oficializar.
18:50Quem é PJ assina aqui a remessa conforme, que agora pode mandar para o Brasil sem pagar
18:57tributos federais, vai só fazer arrecadação de CMS.
19:00Ou seja, agora a gente normalizou, oficializou a renúncia fiscal e a gente não queria que
19:07aumentasse o custo para o brasileiro, a gente só queria ter a mesma isonomia de carga tributária.
19:11Ou seja, isso tem massacrado não só a indústria, também o comércio.
19:17Esses dias eu fiz como exemplo, falaram o seguinte, Cris, por que você não comprou isso no marketplace e tal?
19:22Eu falei assim, não, porque eu fui no shopping tal no domingo, era 17 horas e tinha um quiosque
19:28funcionando com dois empregos, duas pessoas trabalhando.
19:32Se a gente só fizer a compra pelo quiosque, pelo marketplace, daqui a pouco a gente não
19:37tem mais esse quiosque, a gente não tem mais essa geração de emprego.
19:40Nós estamos minando o potencial, porque o mercado de consumo é exatamente esse médio
19:45para baixo, 250 reais, ticket médio.
19:47Ou seja, há um descompasso, reforma tributária não resolve especificamente isso, a gente está
19:54tratando de uma forma segregada, mas o quanto que a indústria carrega os custos ao longo
19:59desses últimos anos.
20:00Isso é um exemplo simples para você ver como que a gente não ter competitividade, a gente
20:06impacta nesse momento, inclusive, o próprio comércio.
20:09Isso é muito preocupante.
20:11Vamos agora ao quadro Valores Inegociáveis.
20:17Valores Inegociáveis.
20:18Cris, quais são os valores que um executivo precisa sustentar, independente do momento?
20:24Olha, primeiro, eu não abro mão de ter de forma contínua a ética no trabalho, sendo
20:33algo como valor número um.
20:36a gente não pode atrelar riscos nenhum a ter escolhas pessoais em benefício próprio
20:44que possa impactar no caso, vou mencionar no caso da federação, algo que seja de ganho
20:50para mim, em detrimento a mim, para o benefício de algo que é o valor que eu estou representando,
20:57que é defender todos os interesses do setor industrial.
21:00E, além disso, eu vejo a questão de ter persistência e ser mais atuante com profundidade, atuar
21:11com mais verdadeiro nos temas.
21:13Eu percebo muito a diferença de quando a gente tem executivos que se dedicam a fundo, daqueles
21:19que querem simplesmente passar um pouco mais rápido aquele problema na mesa mais adiante.
21:26e outro fator que eu tenho aprendido muito enquanto federação, porque a federação
21:31ela tem uma característica importante que hoje é um conselho de administração, então
21:35a gente teve que aprender a ser uma federação que trabalha dentro de um modelo de uma empresa
21:43com condições de boas práticas de gestão.
21:47É trabalhar com valores verdadeiros e o propósito sempre na mesa de forma clara.
21:53Como é que você avalia que foi, que está sendo a sua gestão na FINDES?
21:57Está na reta final, né? Daqui a pouco você está entregando essa gestão.
22:00Como é que você avalia esse seu período à frente da FINDES?
22:03Eu tenho um pouco de dificuldade de falar da crise em relação à frente da FINDES,
22:09mas eu tenho muito orgulho de falar dos números que a FINDES tem contribuído para o Estado
22:15do Espírito Santo no todo.
22:18Nós estamos falando de uma federação, de um sistema, né?
22:22Eu falo FINDES, mas aí a gente tem que pegar os nossos principais destaques, que é SESI e SENAI.
22:28Nós estamos falando que em 2020 a gente, logo após a pandemia, assim, no retorno, outubro, novembro,
22:35com 1.300 funcionários e estamos com 2.300 colaboradores hoje.
22:41Nós estamos falando que naquele momento que o meu maior, meu plano número 1 de expansão
22:49era na oferta profissional.
22:50Mesmo com todo o desafio, né? Passada a pandemia, em 2023 nós colocamos 56 mil ofertas de capacitação profissional
23:00no Espírito Santo e esse ano nós estamos colocando 60 mil.
23:04Ou seja, o SENAI tem tanta representatividade que a cada 10 pessoas que formam pelo SENAI,
23:109 têm emprego garantido.
23:13Então isso é algo que a gente intensificou muito.
23:17Nós direcionamos todos os nossos investimentos em 2021 e 2022,
23:22não vou considerar 2020 que é um ano perdido praticamente,
23:26em torno de 108 milhões do que a gente investiu, mais de 90 milhões foi para a educação.
23:34Laboratórios, reformas, fizemos a nova escola SESI de referência de Jardim da Penha,
23:37fizemos a escolha e fomos o primeiro estado da região sudeste a investir em uma escola de referência SESI
23:44e faremos em todas as demais.
23:45Esse é um compromisso que eu deixei ajustado dentro do Conselho de Administração,
23:49que não seja somente a escola que recebeu o investimento inicial,
23:53todas têm que seguir essa sequência.
23:56Nós crescemos muito, principalmente na inovação e na tecnologia,
24:00ou seja, nós viemos em 2019 de um projeto, trouxemos a solução na gestão do Léo,
24:06a questão do espaço acima da federação.
24:10O Fim de Slebe hoje.
24:10O Fim de Slebe hoje com um nível de reputação nacional,
24:14inclusive sendo exemplo e levando modelos de como trazer inovação
24:19com muitos resultados significativos.
24:21A gente não tinha resultado praticamente nenhum em 2019 sobre inovação e tecnologia.
24:26Hoje a gente desponta, já passou mais de 30 milhões em torno de projetos, desafios que a gente atua.
24:33E todas as nossas atuações, principalmente olhando a federação,
24:37a nossa articulação de defesa da indústria.
24:40Primeiro a gente parou de ter medo de falar que a gente defende os interesses da indústria.
24:44A gente atua isso dia e noite.
24:47E o aperfeiçoamento que essa gestão deixa, nesse eixo em especial,
24:52é justamente ter as nossas câmaras, os nossos conselhos,
24:55que seja para o debate de infraestrutura, tributário, ambiental,
24:59com especialistas que trazem dados com consistência, números bem analisados.
25:05E aí a gente trouxe o observatório da indústria,
25:08que também foi uma realização de aperfeiçoamento,
25:12que já veio da gestão anterior, mas nessa virou um mecanismo mais evidente de destaque no Estado.
25:18Tanto que a todo momento alguém me consulta,
25:20Cris, pede lá o time do observatório da indústria para analisar esses dados para a gente.
25:25E isso foi muito do que a gente escolheu realmente lá atrás.
25:28O eixo de defesa de interesse é o papel da presidência da federação, a qualquer tempo.
25:35O SESI e o SENAI, eles são as ferramentas,
25:37eu falo que eles são as nossas principais ferramentas de transformação,
25:41principalmente pela educação.
25:42Nós chegamos nos 78 municípios através da saúde e segurança.
25:46Até 2020 a gente estava em torno de, sei lá, 20% desse número.
25:51Então a gente teve que fazer toda uma reformulação e hoje a gente está nos 78 municípios.
25:56A gente cresceu muito também para conseguir dar um apoio no desenvolvimento da micro e pequena empresa,
26:03indústria, no caso, para estar mais inserida dentro da cadeia de fornecedores.
26:07E a gente cresceu os resultados principalmente no que é o tema petróleo, gás e energia,
26:13que seja através desse eixo, que lá dentro tem um fórum,
26:16ou seja, de algo que a gente viu que levar com consistência,
26:20principalmente os dados, bem claro, quando a gente tem um debate com os poderes,
26:24em especial, seja estadual, municipal, legislativo,
26:28o diálogo muito bem consolidado e construído com a pauta muito clara,
26:32gerou muito resultado positivo.
26:34Vamos falar sobre isso daqui a pouquinho no próximo bloco,
26:36porque a gente faz uma paradinha agora no programa Valores daqui a pouco.
26:40Valores, volta já!
26:51Estamos de volta com o programa Valores, que hoje recebe a presidente da FINDES, Cris Samorini.
26:56Cris, como é que foi a sua relação com o governo do Estado durante o seu mandato
27:01e como é que você avalia a condução das políticas econômicas aqui no Espírito Santo?
27:06Eu tenho muito a agradecer toda a relação com o governo do Estado,
27:10desde a gestão anterior do Casa Grande e essa atual,
27:14principalmente tendo o nosso vice-governador sendo secretário de desenvolvimento,
27:20mas não somente ao governo do Estado.
27:24Nós tivemos um papel muito importante da atuação da Assembleia Legislativa,
27:29entendendo o debate da indústria, a importância dele para o cenário do Espírito Santo,
27:34e também junto ao Ministério Público, muitas ações importantes que a gente teve,
27:39principalmente municipal, de forma municipal.
27:41Ou seja, tratamos...
27:43Eu fiz questão, Edu, desde o início, dessa relação muito próxima com os poderes,
27:50principalmente que era a primeira mulher a assumir a federação,
27:53isso foi um questionamento muito lá atrás,
27:55será que ela vai conseguir a conversar?
27:58Porque eu fiz uma escolha, primeiro, que ninguém levava nenhuma mensagem
28:02do que era importante para o setor industrial sem que não fosse por mim.
28:07E nada seria debatido se eu não tivesse condições plenas de levar algo a ser debatido
28:13com informações mais bem consolidadas.
28:15Então, isso foi demonstrando que a federação não tinha em nenhum momento
28:19a atuação que tivesse análise política, política partidária.
28:24A todo momento, com o olhar para o desenvolvimento do Estado do Espírito Santo.
28:28A todo momento, a fim de se...
28:30Não só a Cris, no caso, mas os meus vice-presidentes
28:35e todos os nossos presidentes de câmaras e conselhos.
28:38Nós temos câmaras, as câmaras temáticas,
28:42que é moveleira, vestuário, mineração, indústria de base, construção civil.
28:47Nós temos os nossos conselhos, que é de infraestrutura, tributário,
28:52trabalhista, meio ambiente, responsabilidade social.
28:54Todos esses têm um presidente.
28:56Sempre coloquei também eles, todos eles como atores importantes
29:00nos debates que eram de forma de interesse a cada conselho.
29:04Então, a gente construiu, principalmente, essa relação sem ser de posicionamento político.
29:10A federação recebeu a todo momento a qualquer um que pedia, por exemplo,
29:14para entender, conhecer, e isso foi muito bem consolidado.
29:18No caso mais recente, principalmente com o governo do Estado,
29:22ter o Ricardo Ferraço assumindo a Secretaria de Desenvolvimento,
29:27eu falo, você facilitou muito o meu trabalho,
29:29porque como ele vivencia a dificuldade,
29:33e muitas das vezes ele tem até uma interlocução antes da nossa,
29:37com alguma indústria, ele demanda de uma forma muito direta,
29:43assim, o que a federação poderia estar analisando em relação a essas questões possas.
29:48Então, sempre foi uma demanda, assim,
29:50eu acho que a federação pode contribuir no olhar de trazer um especialista para o tema,
29:54porque a gente entende que o setor público tem uma dificuldade, às vezes,
29:58de contratar na velocidade e na qualidade para ter um resultado que vai gerar alguma eficiência.
30:04E nós tivemos muitos, muitos êxitos.
30:07A gente pode falar, assim, nessa relação, ganhou o Estado como inteiro,
30:11principalmente, assim, nas questões de aprovação,
30:15de medidas que tinham que passar pela Assembleia Legislativa.
30:18Então, foi algo que a gente agradece, eu agradeço a todo momento,
30:23todo esse respeito em todos os poderes que a gente trabalhou.
30:26Vamos agora para o quadro Busca de Valores.
30:30Busca de Valores.
30:33Ô Cris, na sua opinião, o que a dinâmica atual do mercado exige de profissionais bem-sucedidos?
30:40Eu vou, um ponto para mim, assim, que em qualquer tempo sempre será necessária atitude.
30:46Vejo também como diferencial a persistência ou resiliência nos temas,
30:51mas, em especial, hoje, eu vejo um espaço que precisa, né,
30:57são poucos os profissionais, que trazem com consistência o conteúdo.
31:02De uma forma, primeiramente, a ter sido trabalhado com profundidade,
31:06às vezes, a profundidade que eu digo, às vezes, eu recebo textos enormes,
31:11no final, não sei nem o que está querendo dizer, sabe,
31:14não tem a simplicidade de passar objetivamente, né,
31:17às vezes, eu só acho que ter muito conteúdo gera um resultado ótimo.
31:21Eu tenho uma prática completamente diferente.
31:24Eu acho que quanto mais simples e mais direto, a gente consegue melhores resultados.
31:29Então, por exemplo, profissional que tenha uma linha de atuação mais direta,
31:33sem querer dar muita volta para aparentar que tem muito conteúdo,
31:39mas, na verdade, não tem, acho que isso é um diferencial.
31:42São poucos, hoje, eu vejo que tem esse diferencial.
31:45Legal. Nós temos lideranças técnicas na indústria, aqui no Estado,
31:49como é que elas podem fazer a diferença?
31:52Esse é um mercado que a gente percebeu que precisa ser desenvolvido.
31:56Tanto é que a gente lançou a Academia Fins de Negócio,
32:00que é justamente, pega, vamos chamar, a média gerência,
32:04ou seja, um diretor industrial, um gerente industrial,
32:07um gestor do negócio de uma empresa que está num momento de crescimento,
32:12que é justamente esse profissional que a gente tem escassez.
32:15não vou dizer que a gente não tenha dificuldade do que a gente estiver me escutando da indústria,
32:20reclamo o tempo todo comigo.
32:22Cris, precisamos de mais profissionais da linha de produção,
32:24isso é a todo momento.
32:25Mas esse médio, dessa média gerência, mas que, na verdade, tem uma posição e um cargo muito de representatividade,
32:33principalmente considerando pequenas e médias empresas,
32:37isso é um mercado muito importante que precisa ser desenvolvido no Estado do Espírito Santo.
32:41A gente perdeu, e o risco do Espírito Santo perder cada vez mais capital humano nos próximos anos é muito
32:48significativo.
32:49Então, imagina 2032, quando o Espírito Santo não tiver mais incentivo em relação à mudança da reforma tributária,
32:58não só o Espírito Santo, mas todos os demais Estados.
33:00O que o Espírito Santo terá de diferencial?
33:03Capital humano é um diferencial, principalmente desse que cuida, por exemplo,
33:08de uma indústria que está em expansão, em crescimento.
33:12Mas como é que a indústria segura esse profissional?
33:14É dinheiro? É pagar mais? É dar melhores condições? É o quê?
33:18Obviamente, sempre tem uma questão de combinados de diversos fatores.
33:23O Espírito Santo, eu falo assim, você já tem um ganho muito grande,
33:26que você está morando no Espírito Santo, a gente já sai na frente de diversos Estados.
33:32Mas as indústrias caminham para aperfeiçoar, inclusive, o seu modelo de gestão
33:36para ter participação dos resultados.
33:40Esse diretor industrial, vamos dizer assim, um gerente de produção,
33:44que é exatamente isso que falta no mercado,
33:48hoje vai porque, na verdade, é escasso no Brasil todo.
33:51Então, as indústrias são agressivas.
33:53Onde que alguém desenvolve e gera resultado, vem de fora e pega.
33:57Acho que o modelo é que a gestão venha trabalhando num combinado de elementos
34:04para realmente reter.
34:05Esse é um talento hoje que o Espírito Santo tem escassez,
34:08e a gente está acreditando como um fator importante de contribuir
34:12para as indústrias do Espírito Santo, desenvolvendo essa capacidade aqui mesmo.
34:16Na sua opinião, qual é o ponto de maior atenção no momento da economia no Estado?
34:21Tem algum alerta que a indústria precisa ficar ou ter?
34:25Sim.
34:26Eu tenho um tema que ele está sendo tratado com muito cuidado.
34:30Foi passado, assim, no último momento da reta final do ano,
34:35uma medida provisória, que na época era 1185,
34:39e hoje ela virou lei, que é justamente a subvenção sobre os incentivos.
34:44O que quer dizer isso?
34:45Tinha uma brecha, o ministro Haddad viu como uma importante oportunidade
34:53de melhorar o resultado deficitário do governo federal,
34:57através de um ato que estava com medida provisória, virando lei,
35:03que é justamente apurar resultados em cima de algo que as indústrias
35:09que aportaram, por exemplo, investimento ou o que seja custei,
35:13não tinha o incentivo que o Espírito Santo dava em cima de investimento,
35:18por exemplo.
35:19O governo federal agora quer ganhar em cima desse incentivo,
35:23que no caso, quando a indústria decidiu fazer algum investimento,
35:26não tinha essa previsão de custo federal tributado em cima disso.
35:30Estou resumindo, mas um pouco mais complexo.
35:32Não dá para sintetizar aqui tão simplesmente.
35:35Isso é um problema.
35:36Na verdade, o governo federal quer uma parte desse dinheiro
35:39que foi pactuado para investimento, mas que lá atrás,
35:42quando as indústrias fizeram o planejamento, não contavam com esse...
35:45E que o Estado abriu mão.
35:46O Espírito Santo, assim, outros estados, Goiás, Pernambuco...
35:50Em nome do desenvolvimento.
35:51Em nome do desenvolvimento.
35:52Qual é o desafio agora?
35:54O secretário Ricardo Ferraço sabe, a gente está batalhando.
35:57Ficou meio que igual.
35:59A indústria que estava para vir para cá, porque o Estado tem incentivo,
36:02agora o custo do tributo federal em cima desse investimento...
36:05Espera aí, eu não sei se eu vou para o Espírito Santo.
36:07Estão reavaliando.
36:08Até mesmo porque a Receita ainda, a Receita Federal,
36:11não está com a questão tão bem detalhada.
36:15E isso gera um risco, porque os valores são enormes.
36:19Os investimentos que o setor industrial faz de investimento,
36:21principalmente, em relação ao que deixa, por conta do incentivo,
36:26de recolher, é por conta de deixar recolher que ele consegue fazer o investimento.
36:31E como é que isso vai ser como exemplo?
36:33Eu tenho uma média empresa que falou que o impacto anual é em torno de 20 milhões
36:40com essa lei implementada.
36:4220 milhões.
36:44Ou seja, tirou da capacidade de injetar na própria empresa 20 milhões
36:48para contribuir com a parte deficitária do governo federal,
36:53de algo que lá atrás, inclusive o STJ, é contrário a isso.
36:58O STJ tem uma posição, isso a gente está aguardando esse julgamento.
37:03Ou seja, é aquela famosa fala, né?
37:05No Brasil, nem o passado a gente agora tem mais garantia.
37:09É mais ou menos esse fato.
37:10Isso é um risco para o Espírito Santo.
37:12A gente está orientando, e a federação vai sair com essa orientação,
37:16inclusive hoje, justamente para que as empresas façam realmente a entrada
37:20de forma judicial, porque isso é um enorme rombo e é difícil de conter,
37:27porque a gente não sabe, inclusive, como é que vai ser calculado isso.
37:31Cris, vamos ao próximo quadro.
37:32É o quadro Valores do Futuro.
37:39Cris, qual é o investimento que você acha que, realizado agora,
37:42vai dar resultado no ambiente de negócios do Espírito Santo daqui a 25 anos?
37:48Pode ser mais de um?
37:50Pode.
37:51Sem dúvida nenhuma, é infraestrutura.
37:55Ferroviária, infraestrutura.
37:58Se eu vou botar numa ordem, que não que eles precisam acontecer nessa ordem que eu estou colocando.
38:04Ferroviária é fundamental, fundamental.
38:07A melhoria da malha ferroviária, que ela se torne mais competitiva,
38:12para a gente realmente ter um Estado que, no final, vai ter mais competitividade,
38:16porque eu escutei muito isso.
38:18Ah, mas a gente tem ansiosidade, mas nós temos competitividade.
38:22O fato é que, para a gente se tornar competitivo no cenário,
38:25principalmente localizado em cadeias mais curtas,
38:29a gente ter uma malha ferroviária conectada aos portos,
38:33em expansão no Estado, ou os que estão em melhorias,
38:37vai ser fundamental.
38:38A parte de infraestrutura de gás, que é algo que a gente debate há bastante tempo,
38:44uma oferta maior, ou conectando o Espírito Santo dentro de novos mercados
38:49para distribuir gás, que reduz consideravelmente a questão do custo da matriz elétrica
38:56e também da emissão de gás carbono em muitas das situações,
39:00é algo que eu acredito que passa dos 25 anos como essencial para o Estado do Espírito Santo.
39:08Esses são dois pontos muito relevantes.
39:11E, obviamente, a gente não pode deixar de falar da expectativa que a gente tem
39:15enquanto que as duas rodovias que a gente tem tratado como principais,
39:19101 e 262, sendo uma solução,
39:24eu tenho esperança que a 101 realmente saia mais rapidamente,
39:27262 é um combinado de elementos que eu não sei em quanto a gente vai ter esse resultado.
39:33sem dúvida, coloca o Espírito Santo para que em 2032,
39:37quando não tiver mais incentivo,
39:38todos continuem olhando o Espírito Santo como sendo realmente competitivo.
39:42A gente tem que olhar os elementos que vão colocar o Estado como diferencial.
39:47O diferencial é ter um porto que já está,
39:49por exemplo, o porto que vai sair da Imetama,
39:51ele já vem numa configuração que já nasce mais competitivo,
39:56e se ele nasce mais competitivo, eu tenho que ter a malha mais competitiva.
39:59Para chegar até o porto, né?
40:01Chega, mas está ocioso.
40:02Mas, claro, não tem porto.
40:03Então, assim, é aquela coisa.
40:05Vamos ficar o dia, a vida toda falando que não temo e temo.
40:08O que está posto é, o porto nasce com mais competitividade.
40:13Então, não tem nenhum sentido a gente não ter uma malha ferroviária
40:18que realmente traga competitividade junto.
40:20E a gente resolver definitivamente essa questão de oferta de gás,
40:23não só para o Estado do Espírito Santo.
40:25A gente também tem que levar esse gás que é produzido aqui,
40:29fica, às vezes, inclusive, assim, reinjetado,
40:31e cada um fala uma coisa, não dá para entrar nesse detalhe,
40:35como, por exemplo, um mercado próximo.
40:37Por que não Minas?
40:38A gente perde essas oportunidades.
40:41Enquanto isso, estão sendo feitos investimentos de infraestrutura,
40:43de conectar o Brasil a outros países levando gás.
40:47Bolívia, principalmente, né?
40:47Que, inclusive, a escolha da Bolívia, olha como é que a gente tem oportunidade na mão.
40:53A Bolívia tem uma condição de, daqui a alguns anos, ou dois, ou três,
40:57eu não vou chutar, mas em pouco tempo, não ter mais disponibilidade do gás para o Brasil.
41:02O Espírito Santo está aqui.
41:04E tem?
41:05Sim, tem.
41:05A gente está tendo o caso, por exemplo, da Prio, que vai fazer o investimento no sul do Espírito Santo,
41:14um potencial, assim, enorme de realmente fazer extração e realmente distribuição.
41:21Mas precisa ter um nível de infraestrutura.
41:24Isso não vai sozinho.
41:25Precisa de, realmente, muita atuação.
41:28Então, isso transforma o Estado.
41:29Legal.
41:29O que tem da Cris Samorini, aquela que começou cedo na Gráfica da Família, lá atrás, na FINDES, hoje?
41:38O que tem de você na FINDES?
41:40Ah, eu acho que a parte mais...
41:43que eu não deixei de ser espontânea nas minhas análises, né?
41:52De botar, realmente, a realidade como eu acho.
41:57Obviamente, na Gráfica, eu ainda tenho um pouco mais de liberdade, vamos dizer assim, né?
42:01Às vezes eu posso falar de outra forma, um pouco mais.
42:05Mas eu nunca deixei de ser a Cris verdadeira de cuidar das pessoas, olhar para as pessoas, querer conversar.
42:11Talvez eu tenha menos tempo de fazer isso hoje, muito menos do que eu gostaria.
42:15Mas eu sempre, sempre também, na minha vida, e eu disse isso para o meu irmão esses dias,
42:20eu falei assim, talvez a minha falha é que eu não consigo entrar no negócio e não ser 100%.
42:24Eu não consigo ser mais ou menos.
42:26Eu não consigo aceitar as coisas que chegam para mim, que não vão me levar a nada e me trazem
42:32um pouco de informação.
42:35Então, eu sou sempre muito questionadora.
42:38Eu sempre fui questionadora no bom sentido.
42:40Vamos trabalhar um pouco mais.
42:42Às vezes, quando a gente está fazendo reunião, o pessoal fala, vamos esperar qual vai ser a pergunta da Cris.
42:47Então, eu nunca deixei de ser assim.
42:49Eu sempre fui assim, né?
42:51Sempre no interesse de fazer o melhor sempre.
42:55Eu acabo sendo sempre muito exigente.
42:58Só não sou mais porque a fim de não me dar tempo de ser mais.
43:01Então, eu acho que em julho de 2024, eu acho que eu volto a ser mais exigente.
43:06Legal, julho de 2024, né?
43:08Quatro anos depois, desde que você assumiu, teve uma pandemia no meio do caminho,
43:11teve uma disputa polarizadíssima de uma eleição presidencial.
43:16No meio do caminho, a gente tem discussões sobre reformas no meio do caminho.
43:21Muita coisa no meio do caminho.
43:23O que você deixou e o que você leva da FINDES?
43:27Olha, a FINDES, por mais impressionante que possa parecer,
43:32que eu já participo da FINDES há mais de 20 anos.
43:35Eu comecei muito nova, não só na gráfica, eu comecei também nova,
43:38porque uma das primeiras funções que meu pai fez é participar do sindicato
43:42e entender do sociativismo.
43:45Eu tive um aprendizado muito grande, principalmente de experimentar profissionais
43:50de mais qualidade ao meu lado, né?
43:51De poder trazer pessoas que já tinham uma condição de contribuir a mais com o sistema.
43:58Ou seja, eu tive a oportunidade de trazer profissionais para dentro de uma empresa,
44:03que talvez uma empresa familiar, você não consiga isso a todo momento,
44:06mais uma empresa que tenha condições orçamentárias, que já estava caminhando para bons resultados.
44:13Pessoas que façam realmente a diferença.
44:17Isso é um aprendizado que eu vou levar, quanto que isso faz diferença para quem está fazendo gestão,
44:23quem está à frente.
44:24Ter boas pessoas e bons profissionais realmente ao executar.
44:28E delegar.
44:30Aprendi a delegar, que foi uma maravilha.
44:32Eu não quero mais largar isso na minha vida, que é justamente...
44:36Eu delego, claro que aqueles pontos principais eu acompanho, mas aprendi.
44:41Isso você está levando da FINS. O que você está deixando na FINS?
44:44Eu acho que eu deixei um ambiente, assim, implementado novamente, que é a importância do diálogo.
44:55Escutar bastante e trazer os atores de uma forma, entender a diversidade,
45:02principalmente de um setor industrial que nós temos aí em torno de 92% de mil pequenas empresas,
45:08que é dependente de escutar as oportunidades de diversas formas.
45:12Então eu deixo para a FINS a importância do diálogo, de levar isso de uma forma bem séria,
45:19e não simplesmente de ficar fazendo reunião à toa.
45:22Como é que esse trânsito de deixar algumas coisas e levar algumas coisas da FINS,
45:26como é que isso afeta a sua vida e vai afetar a sua vida a partir de agora,
45:31a Cris, como empresária do ramo gráfico?
45:34A FINS me ajudou muito a olhar o meu negócio de outra forma.
45:39Sem deixar de ser a Cris, de brincar, falar a verdade da forma espontânea que às vezes...
45:47Às vezes eu levo uns brigueiros aí da Beatriz, que ela justamente fala assim,
45:51não, a Cris tem que conter, vamos ver o que ela vai falar.
45:56Mas, bom, aí não sei, é difícil falar do que na sequência.
46:03Mas muda, né? Mas é diferente a partir de agora, vai ser diferente.
46:06Muda, é outra visão. Já tem sido uma visão diferente.
46:09Quando eu chego na... Às vezes eu chego lá na FINS e falo, aqui é uma grafituzona.
46:13Eu chego lá na grafituz, pelo amor de Deus, preciso voltar para a FINS.
46:17Porque tem uma diferença você querer executar numa velocidade que, assim,
46:22quando você tem uma empresa que é familiar, você acaba tendo um pouco de engessado.
46:27Mas eu estou levando mudanças de prática de conduta, de boas práticas de gestão.
46:32De implementar, por exemplo, resultado, análises diferenciadas, um nível mais elevado.
46:38Sem dúvida nenhuma.
46:39Último quadro do programa, quadro Valor Pessoal.
46:43Valor. Valor. Pessoal. Pessoal.
46:47Cris, que aspecto da sua vida pessoal é essencial para que você tome as melhores decisões para o futuro?
46:56Informação e dados consistentes.
47:00Por quê?
47:01Porque eu experimentei que isso faz muita diferença.
47:06E também, assim, tem um fato que eu também aprendi muito na federação,
47:12é que conversar um pouco mais com os atores diferentes do que você está habituado a somente escutar.
47:18Porque, quando você entra por uma federação, é muito comum você só escutar o que você quer.
47:24As pessoas têm muito essa...
47:25Você está com o presidente ali e, às vezes, você só vai escutar o que é mais fácil da pessoa
47:31falar para você e não ir contra.
47:34E eu aprendi que eu tenho que conversar com diversos atores diferentes e estar sempre muito alerta às informações que
47:43cruzam e geram riscos de algo que você planejou.
47:48Principalmente que, às vezes, a gente vai ter que fazer num momento estratégico, algum posicionamento que tenha relevância institucional.
47:55Ou seja, isso é algo que é muito importante para mim hoje.
47:59A informação realmente faz bastante diferença.
48:02Muita diferença.
48:03E isso, eu acho que fica muito claro com o tratamento que você dá para a informação que circula na
48:07FINDES e que é disponibilizada na FINDES.
48:09É verdade.
48:10O observatório é uma prova disso?
48:12O observatório é uma situação dessa gestão que eu também vou carregar com muita felicidade de termos feito essa escolha.
48:21A presidência era aquele oitavo andar que, para você, chegava na presidência.
48:25Então, tinha aquele...
48:26Eu vivi a FINDES por muitos anos sem ir no oitavo andar, vamos chamar assim.
48:32E sendo a parte importante, porque a base da decisão da federação são os sindicatos, são as indústrias.
48:38Então, sempre estava próximo, mas estava distante.
48:41A primeira coisa que a gente fez é deixar o ambiente acessível.
48:44O que a gente fez?
48:46Levou o observatório da indústria.
48:48Primeiro, que o time trabalha lá muitas das vezes, recebe atores além da indústria, que seja o governo do Estado,
48:56outras entidades.
48:57E a gente tornou disponível a todo momento.
48:59Apreisado que quer fazer uma reunião, apreisado que quer receber não sei o quê, quer os dados, posso levar.
49:04Então, a presidência virou um local que todos os empresários serão sempre...
49:10Não que não eram bem-vindos.
49:11Eu quero dizer que havia uma distância por ser presidência, sempre tem aquele aspecto.
49:15A gente mudou visualmente o ambiente para ter essa questão mais próxima, porque o empresário precisa realmente se sentir ali
49:26representado.
49:26Porque ele não vai a todo momento conseguir conversar com o presidente da FINDES.
49:30Não vai.
49:31É muita agenda o dia todo, porque é conselho, conselho de SES, conselho de SENAI, conselho de IDES, conselho...
49:36Tem muitos conselhos, tem as nossas obrigações, tem as nossas representações no Conselho Nacional da Indústria.
49:42Enfim, então isso aproximou e facilitou e a gente acha que isso gera muito valor para o empresário.
49:48Se sente mais bem representado.
49:51Legal.
49:51Cris Samorini, presidente da FINDES por enquanto, porque está acabando o mandato.
49:55Muito obrigado pela sua presença aqui no programa Valores.
49:57Eu que agradeço.
49:58Por compartilhar essas informações todas com a gente.
50:00Obrigado.
50:01Muito obrigada.
50:01Obrigada pela oportunidade.
50:02Valeu.
50:03E é para você que acompanhou a gente até agora.
50:05Muito obrigado pela sua companhia.
50:06O programa Valores de hoje fica por aqui.
50:09A gente conta com a sua audiência em todos os nossos canais.
50:12E também até a próxima, até o próximo programa Valores.
50:16Muito obrigado mais uma vez pela companhia.
50:18Até a próxima.
50:19Tchau.
50:21Você ouviu Valores com Edu Copernic.
50:25Até o próximo.

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