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  • há 2 semanas
Entrevista com Paulo Baraona

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Transcrição
00:00Começa agora, na Pan News, Vitória, Valores, com Edu Copernic.
00:07Olá, seja muito bem-vindo ao programa Valores, um espaço de discussão sobre o desenvolvimento do Espírito Santo,
00:13sobre como pensam os principais agentes que movem a nossa economia.
00:18Hoje a gente fala de uma máquina de gerar riqueza aqui no Espírito Santo, que é a indústria.
00:24Esse é um setor recheado de indicadores positivos e com possibilidades de futuro,
00:30quando a gente olha a partir dessa segunda metade de 2024.
00:34E temos dados fresquinhos, hein?
00:36O PIB do país teve um crescimento de 1,4% no segundo trimestre do ano.
00:42E quem puxou esse crescimento foi a indústria, alta de 1,8%, isso no Brasil.
00:48Segundo o IBGE, o crescimento na indústria se deve principalmente aos desempenhos positivos
00:54das atividades de eletricidade e gás, água, esgoto e gestão de resíduos, construção civil e indústrias de transformação.
01:04Para se ter ideia, só citando um exemplo, a construção civil está em franca ascensão
01:09e já projeta oferta de mais empregos para o futuro, pelo menos essa é uma realidade local, aqui do Espírito
01:16Santo.
01:17A capacidade de operação no Estado chegou a 76%.
01:21Ou seja, de toda a capacidade construtiva do Estado, 76% estão sendo usados.
01:28E à frente dessa organização, dessa federação que cuida da indústria no Espírito Santo,
01:36recém-impossado este ano, está o nosso convidado do Programa Valores de hoje, que é o Paulo Baraona.
01:41Tudo bom, Paulo? Seja muito bem-vindo ao Programa Valores.
01:44Muito obrigado e obrigado pela oportunidade, é extremamente importante a gente estar sempre dialogando
01:49e passando boas notícias, preferência, né?
01:52Legal, legal. Passando informação é o mais importante.
01:55O Paulo Alexandre Gales Pereira Baraona, esse nome cumprido e você já percebeu pelo sotaque,
02:01ele é português de nascimento, formado em construção civil em Lisboa e sócio fundador das 5 estrelas,
02:07que é uma construtora, que atua no mercado capixaba desde 1986.
02:1386, é isso mesmo?
02:1486, é isso mesmo.
02:15Bastante tempo, né?
02:15É, 38 anos.
02:17É. Bom, ele já foi presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil
02:21e também já atuou na organização e fundação da Câmara Portuguesa de Negócios do Espírito Santo.
02:28A gente está falando muito da sua área aqui, da área de construção civil, né?
02:32A gente vive, a partir dessa área, uma retomada da atividade da indústria, principalmente nesse pós-pandemia.
02:39A gente teve um período difícil durante a pandemia, deu aquela patinada um pouco depois,
02:45mas parece que agora as coisas estão se encaminhando. É isso que você percebe?
02:49Sim, eu acho que a pandemia, quer dizer, um pouco antes da pandemia, puxando um pouquinho mais atrás,
02:54a gente tem que lembrar que nós vivemos um período muito difícil,
02:57que foi aquele período de 16, 17, até 18, 19, nós estávamos, os indicadores estavam começando a subir
03:05e veio a pandemia em 2020.
03:07Então, assim, nesse período houve, digamos que é uma reinvenção de todos os setores,
03:13não só da construção civil, mas, de um modo geral, todos os setores.
03:16E as empresas, nessa época, elas tiveram que meio que se reinventar.
03:21Então, quando a pandemia começou a diminuir a intensidade e as pessoas puderam começar a ter uma vida quase normal
03:29logo ali em 2021, 2022, nós tivemos, de fato, uma mudança grande,
03:35houve uma concentração de demanda grande nesse período que acabou deslanchando
03:40e acabou gerando, de fato, um crescimento ou uma recuperação,
03:45eu diria que uma recuperação de todos os setores.
03:48E a construção civil, evidentemente, que é um motor grande da economia,
03:52também passou por isso e continua ainda com uma recuperação novamente boa.
04:02Você acha que isso se aplica a toda a indústria, não só à construção civil,
04:06a toda a indústria do Espírito Santo?
04:08Sim, como eu disse, a indústria passou pela pandemia num processo difícil,
04:15e um processo em que o setor industrial, ele também compreendeu que houve uma velocidade
04:21na inovação, nas novas tecnologias, na requalificação e capacitação de mão de obra.
04:27Então, houve uma visão de que era necessário se criarem novas ferramentas
04:32para que a indústria ficasse cada vez mais competitiva.
04:34E a pandemia, de certa forma, acelerou o que já vinha sendo visto.
04:39E como hoje, nós continuamos nesse processo, é um processo que cada vez mais toma corpo
04:45e que há necessidade do empresário verificar e entender hoje o novo mercado,
04:53os novos mercados, as novas demandas, e especialmente inovar cada vez mais
04:59para ter uma maior produtividade e agregar valor ao seu produto.
05:03Que esse é um ponto fundamental.
05:05Legal você falar isso, porque a gente tem siderurgia, mineração, rochas aqui no Espírito Santo,
05:10são fatores muito fortes.
05:12Qual é o próximo passo da indústria do Estado?
05:17E aí a gente pode falar um pouquinho também da nova indústria Brasil,
05:20que é uma referência, um norte, para a indústria, não só no Espírito Santo,
05:24mas no Brasil inteiro, né?
05:26Com certeza.
05:26Eu acho que a Nib, a nova indústria do Brasil, é um arco, assim,
05:32para o setor industrial, porque há muitos anos nós não tínhamos uma política industrial.
05:37Então, isso vem, de fato, agregar muito a esse novo tempo de reindustrialização.
05:45O Brasil está se reindustrializando, assim como muitos países que também tiveram um processo
05:52de desindustrialização lá atrás e estão agora, de fato, voltando da mesma forma.
06:00Então, a Nib é um passo extremamente importante e, por isso, a indústria está cada vez mais
06:08olhando para o futuro e olhando para pautas como o ISD, pautas de novas tecnologias,
06:15pautas de recapacitação de funcionários.
06:17Afinal de contas, nós temos essas novas inovações, essas novas tecnologias,
06:22vêm criando novos empregos.
06:24Então, é uma pauta bem grande, mas uma pauta que a Federação está muito atenta,
06:29junto com os empresários e junto com todos os sindicatos que compõem a Federação.
06:33Com essa atenção toda e com esse nível de informação que a FINDES tem,
06:37como é que você identifica os pontos fortes da indústria do Estado e, para você, quais são eles?
06:43Bem, nós temos vários pontos fortes, mas um dos pontos principais é que,
06:47nas últimas duas décadas, nós temos tido uma interação muito forte com o setor público.
06:54O setor público e o setor privado têm sido um diferencial que criou esse ambiente de negócios
07:00que nós temos hoje no Espírito Santo.
07:01essa discussão republicana de melhorar o ambiente, melhorar a burocracia,
07:07melhorar vários setores da indústria.
07:10O outro ponto, de fato, é como eu já falei, é a inovação e tecnologia.
07:14A Federação também tem estado muito atenta a isso.
07:17E nós temos uma pauta na Federação, que chama-se Defesa de Interesse,
07:21onde a gente está muito atento a esse setor.
07:24E as nossas casas, o SESI e o SENAI, especialmente o SENAI na requalificação.
07:29E o outro ponto importante são o que eu chamo dos nossos acionistas da Federação,
07:34que são os 38 sindicatos que compõem a Federação.
07:37E que a gente está fazendo com que os sindicatos cada vez fiquem mais fortes.
07:44Em consequência, a gente está disseminando muito o associativismo.
07:48O associativismo para a Federação é também um fator grande e importante.
07:51E isso é uma pauta também na minha gestão.
07:54Quais são as áreas da indústria que devem crescer nos próximos anos?
07:59Bom, é uma pergunta um pouco difícil.
08:02Mas, assim, do modo geral, a indústria está crescendo bastante.
08:06Eu acho que o setor de alimentos, o setor do petróleo e gás,
08:11vários setores estão com grandes investimentos.
08:14E são setores, por exemplo, no caso do setor do petróleo e gás,
08:18é um setor que puxa um universo grande de outros setores da indústria.
08:24Como o caso da alimentação, como o caso de serviços da área da construção civil também,
08:29da área do setor metalomecânico.
08:32Então, eu acho que nós temos aí uma pujança grande de grandes investimentos
08:35que acabam puxando...
08:37A indústria, na verdade, ela complementa quase todo o setor da economia.
08:41E como é um setor que paga os maiores salários,
08:44também é um setor, normalmente, em que a tecnologia fica mais predominante,
08:50em que desenvolve mais tecnologia,
08:52até pelo fato da indústria precisar de mais tecnologia do que a maioria dos outros setores.
08:58Legal.
08:59Baraona, vamos agora ao primeiro quadro do programa Valores,
09:02que é o quadro Dica de Valor.
09:05Dica de Valor
09:08Paulo, qual é o ativo do Estado que tende a dar um bom retorno?
09:14Eu também gostaria de ter a certeza disso.
09:18Mas eu acho assim, no modo geral,
09:21nós temos aí grandes investimentos no setor de petróleo e gás
09:27e no setor também de extrativos.
09:30Então, assim, são ativos que vêm criando,
09:36vêm ganhando um grande espaço no Espírito Santo.
09:42E também, evidentemente, o setor de confecção,
09:50o setor de alimentação,
09:53são setores, como eu disse, são setores muito integrados.
09:56A indústria, ela é muito integrada.
09:58Então, com o crescimento que o nosso Estado tem demonstrado nos últimos anos,
10:02e os números estão aí,
10:04evidentemente que eu acho que a indústria, do modo geral, é um bom investimento.
10:08Tá certo.
10:08Puxou a sardinha para a indústria, claro, né?
10:10Qual é a relação da indústria do Estado com a logística?
10:14Como é que é possível aproveitar esse momento que todo mundo aponta que é tão favorável no mercado?
10:19Todo mundo fala assim,
10:20a bola da vez no Espírito Santo é a logística.
10:23Como é que dá para aproveitar esse momento?
10:24É, a logística, na verdade, é um problema de Brasil, né?
10:28E nós, no Espírito Santo, não somos diferentes nisso aí.
10:32Evidentemente, nós temos uma localização já que é fundamental.
10:35Nós estamos hoje a 1.200 quilômetros, 60% do PIB nacional,
10:40e das maiores cidades do Brasil.
10:42Então, o Espírito Santo já tem uma logística,
10:44uma localização logística privilegiada,
10:47e que foi, eu digo, brinco dizendo,
10:50foi descoberta há pouco tempo, né?
10:53E o Brasil, quer dizer, o Espírito Santo investiu em vários portos.
10:57Nós hoje temos aí vários portos,
10:59alguns em construção ainda, outros já funcionando.
11:02E, assim, nós precisamos, de fato, olhar para esse gargalo que a gente ainda tem
11:07entre ferrovias e a parte de viária, né?
11:13Com as demandas, você acha que esses gargalos podem se transformar,
11:17podem se transfigurar em oportunidades para a indústria, inclusive?
11:20Com certeza, com certeza, sim.
11:23Eu acho que a gente tem feito, o governo do Estado,
11:25junto com a Federação das Indústrias, tem feito um trabalho grande,
11:28exatamente, na defesa dessa melhoria dessa malha,
11:33dessa malha viária e ferroviária.
11:36E, claro, tudo gera oportunidades,
11:39até porque quando você melhora uma determinada malha viária,
11:44assim, você cria oportunidades no entorno daquilo.
11:47E nós temos aí, hoje, vários portos já funcionando,
11:53com áreas de reserva importantes, né?
11:57Então, acho que é um setor, assim,
11:59o Espírito Santo vive um momento diferenciado do Brasil.
12:03Você falou dessa relação da FINDES com as empresas do Sistema S.
12:10Como é que é a relação da indústria capixaba com a formação de mão de obra?
12:14Qual é o foco da formação?
12:15Qual que tem que ser o foco da formação agora,
12:18pensando nessas oportunidades que surgem e vão surgir no futuro?
12:22Bom, total, assim, nós temos a nossa casa, o Senai,
12:26especialmente o Senai, tem o SESI também,
12:27mas o Senai na formação de mão de obra capacitada.
12:31A gente tem feito muitos investimentos na capacitação de mão de obra.
12:35Temos interagido muito com os setores, com os vários sindicatos.
12:40Como nós, como eu disse, a indústria tem mudado muito,
12:43por consequência, a gente precisa se atualizar nessas mudanças.
12:46Como exemplo, recentemente, nós inaugurávamos ali na Beira-Mar
12:52um laboratório de carros elétricos,
12:55formação de profissionais para carros elétricos,
12:58que não tem, é uma coisa muito recente,
12:59inclusive o nosso Estado é campeão em...
13:03Recebendo os carros elétricos.
13:04Recebendo a importação de carros, recebendo mais de 200 mil carros, quer dizer...
13:08Então, e também na Serra, inaugurámos também um laboratório
13:13de energias renováveis, novas matrizes energéticas, fotovoltaicas,
13:18sempre com a parceria de várias empresas do setor.
13:23Então, assim, nós estamos muito atentos,
13:25porque nós não podemos perder investimentos por falta de mão de obra.
13:29Então, esse é um papel que a gente, junto com o Governo do Estado,
13:33tem ficado bastante atento.
13:35Falando de perder investimentos, que esse é um medo de todo mundo, né?
13:38Ninguém quer perder investimento.
13:40Quais são as nossas maiores carências hoje aqui no Estado?
13:43Quais são as maiores carências da indústria no Estado hoje?
13:47Bom, é uma das ameaças, que é essa da mão de obra que eu acabei de falar,
13:52é uma ameaça a nível de Brasil.
13:55Mas eu acho que a gente tem um...
13:58O ambiente que nós temos no Estado
14:01tira algumas das carências que, de uma forma geral, acontecem.
14:06Que é exatamente a interação que a gente tem com o Governo do Estado.
14:08Nós temos um governo aí que tem o Fundo Soberano criado,
14:12tem uma interação grande de discussão saudável com a indústria,
14:17tanto no judiciário quanto no legislativo.
14:20Eu acho que isso é um atrativo grande e o resultado está aí.
14:26Nós temos hoje o nosso Estado,
14:27é um dos Estados mais industrializados do Brasil
14:30e também a quantidade de indústrias diferentes,
14:34diversificadas que nós temos no Estado, mostra isso.
14:37Qual é o impacto desses gargalos que a gente está falando de infraestrutura
14:41e que a gente tem no Estado,
14:43para o desenvolvimento da indústria por aqui?
14:45Você percebe isso?
14:47A indústria esbarra nessas questões de não ter infraestrutura,
14:53de lidar com uma rodovia que é ruim,
14:55de lidar com um porto que não tem a capacidade de receber navios maiores,
14:58por exemplo, a indústria se ressente disso?
15:00Como é que é isso?
15:01Sim, isso é sempre um dificultador grande,
15:04porque afinal de contas, uma indústria é uma edificação estática,
15:09ela é feita em um determinado lugar,
15:11diferente dos outros setores,
15:13você não pode carregar uma indústria e levar para outro lugar.
15:15Então, evidentemente que a logística da distribuição dos produtos,
15:22seja de exportação, de importação,
15:24seja de venda interna no próprio Brasil,
15:28interno, ele precisa de uma logística fácil e rápida.
15:33E isso, infelizmente, nós temos uma carência grande ainda,
15:37especialmente da parte do governo federal,
15:40da parte das ferrovias e da parte das rodovias federais.
15:45Temos aqui no Espírito Santo a 101 e a 262 e também o problema das ferrovias,
15:51seja da parte do centro-leste que vem lá da Serra do Tigre,
15:55seja a parte aqui da F-118 do Sul.
15:57Então, são pautas que a gente está discutindo,
16:00elas não estão paradas, o governo do Estado tem sido bastante ativo,
16:03a federação tem sido muito ativa nessa pauta
16:08e é uma pauta que a gente carrega, sim, com uma necessidade grande de solução.
16:13Essa vinda do porto privado, da Inetame,
16:16que começa a operar no ano que vem,
16:18isso é um alento para a indústria?
16:20Como é que a indústria espera por isso
16:22e como é que deve receber esse porto privado
16:25e essas possibilidades em volta dele?
16:27Com certeza, isso é extraordinário para o Espírito Santo,
16:31assim como lá, junto você tem a Porto Céu,
16:34você tem a Barra do Riacho,
16:35Porto Céu também está fazendo investimentos de ampliação,
16:41a Inetame tem sido um investimento muito bom, extraordinário,
16:45é importante a gente ver um empresário capixaba investindo dessa forma
16:50e acreditando no Estado,
16:52então a indústria não só tem que apoiar,
16:53como tem que estar junto na defesa exatamente desse ativo importantíssimo para o Estado,
17:00como tem o Porto Central lá no Sul também,
17:03tentando se desenvolver, enfim.
17:05Eu acho que nós vivemos um momento bastante interessante
17:08e como eu disse, pela nossa localização logística,
17:11se a gente conseguir melhorar muito a nossa malha,
17:15a nossa infraestrutura de ferroviária e rodoviária,
17:21com certeza o Espírito Santo passa a ser um lugar diferenciado no Brasil.
17:25Já é, né?
17:26Sim, já é, já é.
17:27Dá para melhorar mais ainda.
17:29Mais ainda.
17:29Legal.
17:30Vamos ao próximo quadro do programa,
17:32o quadro Valores Inegociáveis.
17:38Valores Inegociáveis.
17:40Paulo, quais são os valores que um executivo precisa ter e sustentar,
17:44independente do momento?
17:45Eu acho que o principal é apostar na educação, né?
17:49Acho que a educação é o fator principal em qualquer momento, né?
17:54E acho que esse é um grande, também um gargal que nós temos,
17:58porque educação significa também capacitação
18:01e nós precisamos investir o máximo possível na educação dos nossos jovens
18:08e dos nossos colaboradores, né?
18:11Esse é um ponto crucial que a gente tem que trabalhar bastante neles.
18:16E nós temos a nossa casa, que é o SESI, né?
18:18Que trabalha bastante nisso e a gente investe muito nisso.
18:23Legal.
18:24Como é que você pretende direcionar a sua gestão à frente da FIMS?
18:28Quais são os pontos que você acha que tem que ser atacados?
18:32Eu acho que o principal deles, como eu falei há pouquinho,
18:35é a gente dar força aos nossos acionistas,
18:40que são os nossos 38 sindicatos.
18:42A gente precisa muito conectar a indústria com a federação do modo geral.
18:46Nós temos aí 19 mil empresas no Estado,
18:49que geram quase 250 mil empregos diretos, né?
18:53E a gente precisa dar aos sindicatos uma condição de eles poderem crescer e se fortalecer, né?
19:01Como eu disse, são 38 sindicatos, de 38 setores diferentes da indústria
19:06e cada sindicato muitas vezes representa vários outros segmentos da indústria.
19:10Então, é um universo muito grande e a gente precisa fortalecer
19:14e essa é uma das minhas pautas principais, fortalecer isso.
19:18E as outras pautas são pautas que estão aí também extremamente importantes,
19:22como a pauta do ESG, que as empresas e a indústria estão muito atentas,
19:30assim como pautas ambientais, como a de carbonização, né?
19:33E a pauta da defesa de interesses, que eu já falei há pouco,
19:37que é a pauta exatamente da infraestrutura, né?
19:39Para que o Estado possa se desenvolver mais rápido.
19:42A FIM desenvolveu, vem desenvolvendo ao longo dos anos,
19:45um processo de interiorização muito grande,
19:52disseminando essa cultura da indústria para municípios do interior do Estado.
19:55Isso continua? Tem que continuar? O que você acha disso?
19:58Com certeza. Foi bom você me lembrar que eu esqueci de falar dessa pauta,
20:01que também faz parte do meu projeto desse período de 24 a 28.
20:07A interiorização é extremamente importante.
20:10Até porque hoje, se você tirar as grandes empresas como o Vale, a Arceló,
20:15aqui do A Grande Vitória, a indústria não está na Grande Vitória,
20:19ela está no interior.
20:20Então, nós precisamos exatamente, estamos atentos a isso,
20:24para capacitar pessoas, levar de novo educação,
20:27levar qualificação técnica para o interior,
20:30para que o interior possa, de fato, ter a gente requalificar
20:34e qualificar as pessoas que moram nessa região,
20:37para poder atender as indústrias que hoje permeiam o nosso interior quase como um todo.
20:43É um processo que continua?
20:45Você acha que tem que ser?
20:46Como é que tem que ser esse processo de interiorização?
20:49Eu acho que esse processo é extremamente importante,
20:52a interiorização, porque, primeiro, você leva desenvolvimento
20:56a várias áreas do Estado que não tem,
20:59como a gente tem visto aí, especialmente no norte do Estado,
21:02ali de São Mateus, Soretama, Linhares, Aracruz, então, nem se fala.
21:07Então, assim, são regiões que, de repente,
21:10adquirem uma capacidade de desenvolver,
21:13especialmente, melhorar a qualidade de vida daquelas regiões.
21:17Como eu disse, a indústria é o setor que paga os melhores salários
21:21e é o setor também que desenvolve maior tecnologia.
21:25Então, assim, estamos falando em empregos de ponta, né?
21:29Então, é importantíssimo para o interior a gente conseguir fazer isso.
21:33Você tem falado, ao longo da entrevista aqui,
21:35da parceria da FINDES com o governo, de uma forma geral,
21:38de alinhamento de pautas, alinhamento de metas.
21:41Como é que deve ser a relação da FINDES com os governos?
21:45Não só o governo do Estado, mas os governos municipais,
21:47o governo federal.
21:48Como é que tem que ser essa relação?
21:50Como é que você pretende conduzir isso?
21:52E como é que tem sido até agora?
21:54Bom, tem sido até agora da mesma forma como eu vou conduzir para a frente.
21:59Eu acho que essa é uma relação republicana,
22:02uma relação que tem que ser de braços dados,
22:05uma relação que tem que ser saudável, clara, objetiva.
22:10E porque é um ganha-ganha.
22:12Na hora que você consegue, o governo interage
22:15e vira parceiro do setor econômico,
22:18não só da indústria, mas todo o setor econômico,
22:21você tem aumento, tem um ambiente de negócios criado,
22:24como nós temos no Estado, um ambiente de negócios diferenciado.
22:27Nossa relação com o governo do Estado, com os três poderes,
22:30é uma relação extremamente importante.
22:32E é isso que tem sido o sucesso do nosso Estado.
22:34Você gera emprego, você gera renda, você gera tributos.
22:38E você cria um ambiente diferenciado aqui no Estado.
22:42Então, essa relação precisa ser uma relação cada vez mais comprometida
22:48com o desenvolvimento e mais comprometida com o ambiente de negócios no Estado.
22:54Qual a relação disso, desse relacionamento que a FINDES tem com os governos,
22:59com a segurança jurídica?
23:01Porque todo mundo fala que faz uma diferença gigante a segurança jurídica
23:05para investidores, para quem quer apostar no Espírito Santo.
23:08Bem, nós temos uma relação, temos três instâncias, municipal, estadual e federal.
23:16Do ponto de vista da relação municipal e estadual,
23:20nós temos uma abrangência maior aqui no Estado e a relação é muito saudável
23:24também com os prefeitos, juntamente com o governador e o governo do Estado.
23:29Do ponto de vista federal, é um pouco mais complicado.
23:31Nós temos a nossa CNI, que é a nossa confederação,
23:36que congrega as 27 federações de todo o Brasil, de todos os estados.
23:40E a gente tem trabalhado através da CNI.
23:43Claro, nós temos uma burocracia ainda muito grande,
23:48temos uma insegurança jurídica, temos uma legislação complexa.
23:52E eu acho que é um trabalho que a gente está fazendo,
23:56mas ainda estamos longe ainda de um cenário ideal.
24:02Legal. Paulo, vamos fazer uma pequena pausa no programa Valores agora.
24:05Um intervalinho rapidinho, você que está acompanhando a gente,
24:08não sai daí, daqui a pouquinho a gente volta.
24:11Valores, volta já!
24:17Valores, está de volta!
24:22Estamos de volta com o programa Valores,
24:24que hoje recebe o presidente da Federação das Indústrias do Estado,
24:28Paulo Baraona, assumiu esse ano, está fresquinho no cargo.
24:32Paulo, o que é preciso para ser bem-sucedido na indústria?
24:37Bom, volto de novo ali à educação, à capacitação,
24:43à visão de negócios, que o empresário precisa estar sempre atento.
24:50E, especialmente, poder se cercar de bons quadros.
24:56Eu costumo dizer que a gente tem que se cercar de gente
24:59que é mais capacitada do que a gente, né?
25:02Então, você tem que se cercar de um quadro que seja capacitado.
25:06E ter visão, uma abertura grande, um grande diálogo.
25:11A forma de ser gestor hoje, ou de ser dirigente,
25:17ela passa por uma coisa que eu considero muito importante,
25:21e aprendi muito isso com o meu pai,
25:24que se chama ter respeito.
25:27Respeito pelas pessoas, respeito por quem está do seu lado.
25:30E isso faz toda a diferença para que você crie um ambiente bom em torno de você.
25:35Então, assim, não tem muitos segredos.
25:38O segredo é sempre o respeito, a interação e saber formar uma boa equipe.
25:43Trabalhar bastante também, né?
25:45Com certeza.
25:46Essa aí é sempre, né?
25:47E é um trabalho que dá retorno, um trabalho na indústria?
25:51Sim.
25:52O empresário, de um modo geral,
25:54ele é uma pessoa que assume riscos desde o momento que ele toma a decisão de ser um empreendedor.
26:02O empreendedor, ele toma todos os riscos para si.
26:06Então, avaliar esse ambiente é sempre uma decisão complexa, né?
26:13Mas dá resultados, na maioria das vezes.
26:16Nem sempre a gente acerta.
26:18O fato de ser empresário não significa que você vai acertar sempre.
26:22A nossa vida, eu costumo dizer, é um pouco uma montanha russa, né?
26:26Mas eu acho que tem as suas qualidades.
26:30Eu não tenho nenhum arrependimento por isso.
26:34Porque você acaba tendo uma visão um pouco diferente do universo que te cerca.
26:41Legal.
26:41Vamos ao quadro Busca de Valores.
26:44Busca de Valores.
26:48Paulo, na sua opinião, o que a dinâmica atual do mercado exige de profissionais bem-sucedidos?
26:56Bom, a dinâmica do mercado exige hoje pessoas muito relacionadas com inovação e tecnologia.
27:02Eu acho que hoje é a dinâmica do mercado e também com a pauta ambiental.
27:07São duas pautas hoje que estão muito na frente, especialmente das grandes empresas,
27:14que acabam contaminando as médias e pequenas empresas.
27:18Até porque, se a gente pensar que hoje a terceirização dentro das grandes empresas é enorme, né?
27:25Do ponto de que foi uma prática que começou há alguns anos e cada vez está mais disseminada.
27:31Então, assim, toda a cadeia que fica em torno de grandes setores e de grandes empresas,
27:36ela acaba tendo a mesma pauta.
27:38Então, eu acho que hoje a gente ter um olhar diferente do ponto de vista de gestão e de inovação,
27:48que quando a gente fala em inovação, não é só um programa novo, uma máquina nova, um equipamento
27:53ou alguma ferramenta, não.
27:55Inovação é simplesmente uma mudança do conceito de como você está gerindo.
28:00Até a própria localização do seu funcionário dentro de uma sala,
28:04de repente você mudar ele para debaixo de uma janela, por exemplo, né?
28:08Eu tenho um exemplo interessante no Senai que eu vi há um tempo atrás
28:11e eram dois funcionários que faziam uma caixa de madeira
28:16e a mesa estava praticamente no chão, então o sujeito ficava curvado.
28:21A gestão que foi feita nisso foi levantar a mesa numa altura em que eles trabalhassem quase em pé.
28:26Então, são fatores pequenos, mas são fatores muito preponderantes
28:30e que muitas vezes a gente não dá atenção.
28:33E isso tem toda a diferença, marca toda a diferença na produtividade.
28:38O empresário quer a palavra produtividade e qualidade.
28:41É isso que faz o faturamento dele.
28:43Como é que tem essa visão?
28:44Como é que chega a essa visão de inovação de coisas tão simples assim?
28:48Pois é, você tem que...
28:50Eu brinco lá na Fint que a gente não tem que sair da caixa, não.
28:53A gente tem que chutar a caixa e pensar diferente.
28:57Especialmente, voltando àquilo que eu falei há pouquinho,
28:59você tem que trazer pessoas que tenham visões diferentes da sua,
29:02visões mais inovadoras.
29:06E o empresário não é o dono da verdade.
29:09O dono da verdade é aquilo que dá resultado e que faz dar certo.
29:12Então, eu acho que essa visão desprendida de você ser o dono ou o gestor,
29:18a visão tem que ser uma visão macro, uma visão que você possa trazer esses atores no seu entorno
29:25para eles olharem aquilo.
29:26É numa obra, acontece isso muito, sabe?
29:28Eu sou da engenharia, você tem o engenheiro da obra,
29:31ele passa todos os dias e ele não vê aquele defeito.
29:33Você vai uma vez na obra, você vê aquele defeito.
29:36Então, é isso aí.
29:37Você precisa trazer novas ideias, novos atores para perto de você.
29:41Legal.
29:42Como é que as lideranças técnicas da indústria fazem a diferença?
29:47Bom, aí voltamos à educação e à capacitação e à inovação.
29:53Eu acho que, eu estou sendo um pouco repetitivo,
29:56mas o fato é que hoje, na velocidade que o mundo se desenvolve,
30:01na velocidade que as empresas se desenvolvem,
30:02na velocidade que as inovações acontecem do ponto de vista tecnológico,
30:09é um processo em que a gente não consegue acompanhar isso diariamente
30:14com a quantidade de informações.
30:16Então, o seu quadro técnico no seu entorno,
30:20ele precisa poder atualizar você sistematicamente dessas mudanças.
30:27E são mudanças grandes, de todos os pontos de vista.
30:31Hoje, nós estamos, por exemplo, na pauta da descarbonização,
30:34que é uma coisa que o setor, especialmente o mercado internacional,
30:38começa a exigir cada vez mais que as empresas pratiquem isso.
30:43Então, estamos falando de pautas que constantemente vão aumentando
30:47e vão dando necessidade à indústria, de um modo geral.
30:51O que o técnico precisa aprender para colocar em prática na indústria?
30:57Bom, o técnico, ele precisa ter a mente aberta para começar,
31:02e precisa estar muito atualizado.
31:04Nós vivemos num mundo globalista, globalizado, e online 24 horas.
31:11Não é fácil esse processo hoje.
31:15A gente é bombardeado de muita coisa, muitas informações.
31:19Então, há que haver um foco grande hoje nas matérias da indústria,
31:25nas matérias daquilo que você está fazendo.
31:28Então, esse foco é para você não se perder e você não sair de uma forma,
31:37se perdendo naquilo, num monte de informações que você tem,
31:41é extremamente importante.
31:42Então, o técnico, ele precisa ter foco e precisa ter atualização.
31:46Legal. Qual o ponto de maior atenção no momento da economia do Estado hoje?
31:51Como é que você avalia isso?
31:54Bom, é assim, o Estado vem num processo já de, acho que 2012, de nota A no Tesouro.
32:02Isso tem sido um grande diferencial do ponto de vista até de investimentos,
32:08até de empréstimos e, enfim, das empresas sentirem uma segurança grande,
32:17que o Estado também é um grande contratante e o Estado também investe na infraestrutura.
32:21Então, as empresas têm se instalado acreditando nessa capacidade de investimento que o Estado tem tido
32:27e tem, a cada ano, essa capacidade de investimento vem aumentando.
32:31Então, um dos pontos é que a gente precisa estar atento nessa capacidade que vai se mantendo.
32:37Então, a gente precisa fazer de tudo para que esse status se mantenha.
32:42E o outro ponto é o ponto da infraestrutura que nós falamos há pouquinho,
32:46que é uma coisa que não depende do Estado, depende do governo federal,
32:49que a gente precisa, de fato, ter um olhar junto com a nossa bancada federal,
32:53que é uma bancada unida para a defesa da infraestrutura aqui do Estado.
32:59Tem se mostrado, tem mostrado isso.
33:01Então, é um trabalho, são dois pontos que eu acho que são extremamente importantes
33:06para a continuação desse ambiente que nós temos.
33:09Como é que você vê os impactos da reforma tributária para a indústria do Estado?
33:14Todo mundo falando da reforma tributária, muita gente com medo, muita gente esperançoso.
33:20Muita gente que passou por aqui falou, do jeito que está, é difícil operar.
33:23Se a gente tiver uma simplificação, já vai ser um grande caminho.
33:27Mas tem muita gente também que fala que a indústria vai ser muito beneficiada com a reforma tributária.
33:32Como é que está essa expectativa?
33:34Como é que a FINDES vê isso?
33:35A indústria, logo do início, a FINDES e a CNI, quando a reforma tributária começou,
33:43apoiaram, logo num primeiro momento, a reforma tributária exatamente pela simplificação do processo.
33:51Nós iríamos ter dois impostos.
33:53Então, assim, foi uma forma da gente adquirir segurança jurídica e uma desburocratização geral do que é hoje a política
34:04tributária da indústria.
34:07Mas estamos muito atentos porque de lá para cá houveram muitas mudanças, foram criadas algumas outras alternativas.
34:15Temos agora a problemática do Estado produtor e do Estado consumidor.
34:21Foi criado um núcleo federal que vai administrar isso.
34:24Então, assim, nós estamos muito atentos a essas alterações e depois também o fato da regulamentação dessa legislação que for
34:37aprovada, que ainda não foi.
34:41Então, nós ainda estamos num processo.
34:43Confesso que estamos todos bastante atentos e um pouco ansiosos para ver como termina essa pauta.
34:50Mas, obviamente, a FINDES está se movimentando.
34:52Quais são esses movimentos?
34:53Tem grupos de estudo?
34:55Como é que está esse movimento da FINDES?
34:57Não, a Federação tem grupos de estudo junto com a CNI.
35:01Todos os estados, na verdade, os 27 estados em torno da CNI, a gente tem participado ativamente dessas discussões.
35:08Temos alertado algumas dificuldades que têm surgido no cenário político lá da Câmara do Congresso Nacional.
35:18E é um trabalho a muitas mãos.
35:22Eu acho que o nosso papel é alertar os nossos parlamentares do Brasil, o nosso Congresso Nacional,
35:31de algumas ameaças que possam ou de alguns conceitos que não ajudam no setor econômico.
35:39Então, a gente está muito atento a isso e vamos aguardar o resultado da finalização.
35:46Tem que ter um movimento também dessa informação chegar no associado da FINDES.
35:51Com certeza.
35:51Tem essa preocupação da FINDES?
35:53Como é que isso funciona?
35:53Temos essa preocupação.
35:55Embora é um pouco difícil, porque nós estamos num processo que muda muito rapidamente.
35:59Então, a gente traz recortes disso aí para os nossos associados, para a indústria.
36:05Aliás, o empresário está sempre perguntando isso.
36:08Isso é uma pauta recorrente e com toda a razão.
36:12Mas não é fácil você estar atualizando isso o tempo inteiro, né?
36:16Porque a pauta é muito dinâmica, como todos nós...
36:19Bom, quem conhece um pouco o Congresso Nacional sabe como é que funciona essa pauta.
36:24Exatamente.
36:25Vamos para o próximo quadro do programa, o quadro Valores do Futuro.
36:30Valores, Valores de Futuro.
36:57Valores, Valores de Futuro.
37:03Valores, Valores de Futuro.
37:04Nós temos aí empregos que vão deixar de existir, outros vão ser criados.
37:09Então, assim, a gente vê que a inovação, quer dizer, a tecnologia é uma pauta que está
37:17em transformação direita.
37:18E tem ações que hoje também tem uma pauta muito grande, que é a parte ambiental.
37:25A descarbonização, o biometano que vem do lixo, digamos assim.
37:33Então, nós temos várias pautas que estão crescentes e que, quando você pensa em energia, ninguém vive sem energia.
37:41Então, tem várias pautas que estão muito crescentes, mas com muitas modificações também.
37:48Então, eu apostaria hoje para 25 anos, não apostaria agora as fichas, não.
37:54Eu apostaria ir acompanhando o mercado, ir vendo, mas tudo tem relacionamento com o meio ambiente, tudo tem relacionamento com
38:05a energia, tudo tem relacionamento com a inovação.
38:08E você sabe o que tem que fazer para investir? Sabe, só me enrolou aqui e falou, não, vamos acompanhando
38:13e tal.
38:14Paulo, você falou muito dessa questão, quando a gente fala da reforma tributária, você falou dessa questão de acompanhar,
38:20de estar em contato com os nossos parlamentares lá em Brasília.
38:24Você acha que a política pode atrapalhar os negócios?
38:28É, eu... assim, sempre pode, né?
38:32Não é atrapalhar, eu não usaria a palavra atrapalhar.
38:35Eu acho que, às vezes, falta muita informação.
38:39A sociedade mesmo, de um modo geral, ela tem dificuldade, muitas vezes, em entender o empresário e o que é
38:47que significa a indústria, por exemplo.
38:50Muitas vezes a gente ouve muitas críticas, mas a sociedade tem uma certa dificuldade, não culpa dela, culpa da informação
38:59nossa, empresários.
39:00Nós não sabemos nos comunicar muito com a sociedade, embora a gente faça parte da sociedade, né?
39:07Da sociedade saímos todos, né?
39:08Saem os políticos, saem os empresários, saem os jornalistas, saem todos, né?
39:13Então, assim, acho que há uma dificuldade grande de comunicação real do que é o quê, do que é que
39:19a economia faz, do que é que a indústria faz.
39:21E aí, isso chega na política.
39:24Então, muitas vezes, a gente não tem representantes suficientes para que possa ser demonstrada a necessidade de algumas pautas.
39:34Assim, o governo, o único governo, o único dinheiro que o governo tem é o dinheiro dos impostos.
39:40Não existe outro.
39:40E o dinheiro dos impostos, em sua grande maioria, ele sai dos setores econômicos, incluindo da indústria.
39:46Então, assim, e é o dinheiro dos impostos que gera educação, que gera saúde, que gera segurança pública, que gera
39:56infraestrutura.
39:57Então, deveria ser um círculo vicioso de criar um ambiente favorável para todo o setor econômico.
40:05Mas, assim, às vezes, há uma certa dificuldade na compreensão de algumas pautas que são importantes para o desenvolvimento e
40:13para atrair o capital.
40:15Estávamos falando há pouquinho da infraestrutura, da dificuldade, às vezes, de legislação que nós temos para investimentos na infraestrutura.
40:25Então, assim, eu acho que cada vez mais a gente precisa interagir com a política.
40:32A política é necessária, é importante e a boa política precisa ser entendida pela sociedade como forma de mudança daquilo
40:42que nós precisamos.
40:44Legal. O que tem do Paulo Baraona na condução da FINDES?
40:47Está começando agora, mas o que já tem do Baraona na FINDES?
40:52Bem, eu acho que já vem, já no mandato da CRI, já vinha assim, assim como no mandato do Léo,
41:00a FINDES, ela precisa se tornar cada vez mais uma instituição de auxílio ao setor da indústria, à indústria, ao
41:09empresário.
41:11E, para isso, volto a dizer, a minha pauta, uma das pautas principais é o fortalecimento dos sindicatos,
41:17o fortalecimento do associativismo.
41:19Sem o associativismo, sem a compreensão da necessidade de o empresário se organizar, discutir as suas dificuldades,
41:29fica um pouco difícil.
41:31Então, assim, essa é uma pauta importante que eu tenho trazido muito para dentro da federação,
41:36assim como a interiorização da federação.
41:39São duas pautas importantes que eu acho que são primordiais para que a indústria se desenvolva cada vez mais
41:46e a federação se torne cada vez mais forte.
41:49O que você quer deixar como marca na FINDES? Qual o legado que você quer deixar na FINDES?
41:54Eu acho que o legado principal é exatamente esse.
41:57É o fortalecimento da instituição, o fortalecimento dos sindicatos e, especialmente,
42:04que a FINDES se torne cada vez mais, que a instituição se torne cada vez mais forte
42:13para oferecer aos sindicatos e à indústria capacitação de mão de obra,
42:17todos os gargalos que nós temos, especialmente a educação e a capacitação de mão de obra,
42:21que são hoje os gargalos, alguns dos gargalos mais difíceis que a indústria tem.
42:26Então, o meu legado é fazer chegar ao empresário cada vez mais a prestação de serviços,
42:32o retorno dos investimentos da federação, chegar cada vez mais às empresas e aos empresários.
42:38Legal, vamos ao último quadro do programa, o quadro Valor Pessoal.
42:43Valor, Valor Pessoal
42:47Paulo, qual o aspecto da sua vida pessoal é essencial para que você tome as melhores decisões?
42:54Bom, eu acho que todos nós trabalhamos muito, né?
42:57Então, há alguns aspectos pessoais e eu tenho dois principais.
43:02Primeiro de todos, assim, disparado de qualquer outro, são os meus filhos.
43:06São a minha grande inspiração e são, acho que a melhor coisa que eu tenho na minha vida são os
43:14meus dois filhos.
43:15Eu sou um apaixonado eterno por eles, Alexandre e Júlia.
43:20Infelizmente, os dois moram longe.
43:21O meu filho mora há seis anos em Dublin, na Irlanda, e a minha filha mora em Belo Horizonte, mas
43:26eu faço o impossível para estar próximo deles o máximo possível.
43:30Falo com eles todos os dias.
43:32E o outro ponto que me traz uma boa tranquilidade e que me ajuda muito é o esporte.
43:37Eu pratico esporte, pretendo quase todos os dias, ultimamente a Fines não tenho colaborado muito, mas eu tento praticar esporte
43:47todo dia.
43:47O esporte é uma coisa que me traz muito equilíbrio e é a minha terapia.
43:52Então, são dois pontos que me trazem bastante equilíbrio, sem dúvida nenhuma.
43:57Legal. Paulo Baraona, presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo.
44:01Muito obrigado pela sua presença e pela entrevista aqui no programa Valores.
44:04Eu que agradeço muito, estou sempre à disposição e acho que esse trabalho de vocês e o trabalho que vocês
44:10fazem é extremamente importante
44:12para que a gente tenha também um bom ambiente de negócios com a informação.
44:16Legal. Muito obrigado mais uma vez.
44:18E a você que nos acompanhou até agora aqui no programa Valores, muito obrigado pela sua companhia.
44:23Até a próxima. Tchau.
44:26Você ouviu Valores com Edu Copernic.
44:30Até o próximo.

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