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  • há 7 minutos
O processo de separação é muito difícil e os filhos podem sofrer nesse período. Nossa conversa é com a advogada Kamilla Dias, a psicóloga Luciane Infantini e Bárbara Queiroz que é mãe de dias meninas.

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Transcrição
00:00O processo de separação, gente, é muito difícil, principalmente na ótica da criança, né?
00:07Tem mágoa, a gente sabe que tem crises, tem discussões, não é verdade?
00:12E aí, como que a gente consegue, ao máximo, proteger os nossos filhos, as nossas crianças?
00:20E a importância, né, de respeitar por que a criança agora tem que ir para o pai,
00:25por que agora a criança tem que ficar com a mãe.
00:27Vamos bater um papo sobre esse assunto?
00:30Aqui no nosso estúdio, eu recebo a psicóloga Luciana Infantini, obrigada, Lu, pela sua participação.
00:35Obrigada.
00:36A advogada Camila Dias, que já já vai explicar para a gente também, né,
00:40sobre essa ordem de busca e apreensão de uma criança, como que isso funciona.
00:45E a Bárbara, obrigada, Bárbara, pela sua presença.
00:48A Bárbara Queiroz, gente, ela é mãe de duas filhas, você também é separada do pai das meninas, né?
00:56E vai contar para a gente já já como que é na sua casa, tá certo?
00:59Mas antes, Camila, explica para a gente como que funciona, né?
01:03O que é a busca e apreensão de uma criança, em quais casos pode ser acionada essa medida?
01:08Boa tarde.
01:09Boa tarde.
01:10Esse caso de busca e apreensão, ele é extremo, né?
01:14Ele só pode acontecer caso haja um descumprimento de uma ordem judicial.
01:19Então, quando a gente faz uma separação, um divórcio, ou também quando não é um caso de divórcio,
01:25ou seja, eu tive um relacionamento, tive um filho, mas nem cheguei a me divorciar,
01:29não tive nenhum tipo de relação.
01:31Mas as questões inerentes à criança, a gente tem um termo.
01:34E nesse termo, através de uma sentença, de um acordo, está lá limitado.
01:38Os dias tais com o pai, os dias tais com a mãe, os horários e tudo.
01:42Então, se essa criança está com um genitor que não deveria, ou seja, está lá com o pai,
01:48já está no dia da mãe, e ele não o devolve à criança,
01:52essa mãe tem o direito de buscar esse filho de uma forma coercitiva,
01:57que é esse meio de buscar a busca e apreensão que nós damos o nome.
02:01Isso pode acontecer com o pai ou com a mãe.
02:02Quem descumprir uma ordem judicial, quanto à entrega ou à busca de uma criança ou adolescente,
02:08está correndo risco de sofrer, de ter essa medida, que é a busca e apreensão.
02:15Como que isso ocorre?
02:16No caso que a gente citou, não precisou de acontecer, a justiça negou o pedido do Alexandre,
02:23mas, nesse caso, o oficial de justiça vai até, porque é o oficial quem faz valer a ordem.
02:28Então, ele vai até aquele ambiente, a gente entra com o pedido judicial,
02:32olha, a criança não foi devolvida, então faça o requerimento que seja buscado através da busca e apreensão.
02:39O juiz concede e aí o oficial vai lá para buscar essa criança.
02:43Só que ele não vai tirar a criança porque não é algo contra a criança,
02:47é com quem está descumprindo.
02:48Quem está descumprindo não é o adolescente ou a criança, é o genitor ou a genitora.
02:52Então, vai lá para intimar aquele pai ou aquela mãe para devolver essa criança.
02:58Então, chega casos extremos onde vai, junto com uma viatura policial,
03:02se precisar da ordem judicial e policial,
03:05porque existem pessoas, Roberta, que misturam tanto a parentalidade com a conjugalidade,
03:12que vira uma confusão danada, e não devolvem os filhos.
03:15Então, como é que você faz para ter seu filho de volta?
03:16Eu preciso que meus filhos voltem para mim.
03:18Então, se eu pedindo, eu entrando no contato, ele não devolve, a justiça toma essa medida.
03:23Por mais que, é claro, como você deixou bem explicado aqui para a gente,
03:27não é o oficial de justiça que vai lá, força e toma criança.
03:31Mas só de ver uma pessoa estranha, batendo na porta da sua casa,
03:36para falar assim, olha, está na hora do seu filho ir para a casa da outra pessoa, né?
03:40Imagina o que passa na cabecinha dessa criança.
03:43Lu, não era para evitar que tudo isso acontecesse?
03:48Era para pensar o quê?
03:51Na saúde mental desse filho, que já acaba sendo prejudicado pela separação,
03:56porque é um processo muito doloroso, e ainda vê uma cena dessa.
04:00Exatamente, Roberta.
04:00Como você disse muito bem, a separação já traz ali uma dor muito grande para a criança.
04:05Porque, no fundo, criança quer ver pai e mãe junto.
04:07Criança não quer que os pais se separem.
04:09Então, ela já tem que se acostumar com essa ideia, né?
04:11E ainda com tudo que vem em termos de agressão, né?
04:15De descumprimento, de acordos.
04:18Então, é um processo que dói muito mais na criança.
04:22Ela não tem ainda os meios que o adulto tem para lidar com a situação.
04:27A criança ainda é frágil, ela precisa de cuidado, ela precisa de proteção.
04:30Então, os pais, né?
04:31Que tem que zelar nesse momento.
04:33E separar mesmo, como a gente estava falando,
04:36a questão da conjugalidade e parentalidade.
04:38Quer dizer, eles vão ser parentes para o resto da vida.
04:41Acabou a relação conjugal, mas a parentalidade ali, ó, não existe, né?
04:45Vai ser filho para o resto da vida.
04:47E um vai ter que respeitar o espaço do outro.
04:49Para que a sua criança não tenha problemas, né?
04:51Isso aí, é o que você e o seu ex prezam pelas crianças.
04:55Como é que funciona na sua casa?
04:56Isso, lá em casa, a gente tem um cuidado de blindar as crianças quanto a esses detalhes.
05:03Muito bem colocado aqui por elas a questão de que há, e por você também,
05:07de que a separação já é muito dolorosa para a criança.
05:10Administrar para a gente, às vezes, é difícil, o que dirá para a criança?
05:13Então, a gente tem um cuidado muito grande de blindar as crianças quanto a isso, né?
05:17De você, delas entenderem que agora é na casa do papai,
05:20que agora vai ficar na casa da mamãe, que as férias vão ser divididas, né?
05:24E principalmente essa questão principal.
05:27O papai e a mamãe não estão mais juntos,
05:29mas eles continuam sendo papai e mamãe para sempre.
05:32E isso daí que é o mais importante.
05:34Então, a gente conseguindo administrar isso,
05:37porque os processos de separação têm aquela coisa pessoal nossa que a gente carrega,
05:41e tentar blindar os nossos filhos para protegê-los dessa situação que a gente,
05:45às vezes, fica um pouco chateada.
05:47Às vezes, acontece um prazo de ficar com as crianças,
05:50principalmente nas férias, acaba reduzindo, né?
05:52E aí a gente fica meio chateado porque, poxa, não combinou uma semana?
05:56Vai ser menos um pouquinho agora?
05:58Mas a gente tentar colocar isso daí da melhor forma possível,
06:01não pela outra pessoa, mas principalmente pelos nossos filhos.
06:05E como é que você lida com essa questão, por exemplo,
06:08quando tem esse descumprimento do prazo,
06:10seja na hora de estender ou seja na hora de reduzir também?
06:14Poxa, um exemplo, não eram 15 dias?
06:16Está entregando com 10, né?
06:17É, acontece, né?
06:19E aí a gente tenta conversar, a gente tenta esclarecer, ajustar principalmente, né?
06:24Essa questão de entregar com menos tempo por um problema profissional
06:28ou com alguma coisa nesse sentido,
06:30a gente sempre procura equilibrar isso daí.
06:33A gente fica, às vezes, chateado porque existe programação,
06:35igual existem pessoas que programam férias, programam viagens, né?
06:39Isso, às vezes, atrapalha bastante nesse sentido.
06:42Mas o que a gente, porque lá em casa, o que a gente procura fazer é administrar
06:46para que isso não afete as crianças.
06:48A gente vai lá, respira cinco vezes, administra isso daí,
06:52depois no telefone, conversa, né?
06:54Não está satisfatório, não está confortável
06:57e a gente vai alinhando isso da melhor forma.
06:59Doutora Camila, tem situações que a gente sabe que,
07:02às vezes, a criança manifesta a vontade dela, né?
07:04Uma hora está com a mãe, está muito legal.
07:06Aí não quer ir para a casa do pai, mas quando vai, está muito legal também.
07:10E aí depois não quer voltar para outra casa.
07:13Nessas horas, o diálogo entre as partes pode resolver ali dessa forma ou não?
07:20Tem que cumprir o que manda a lei no pé da letra.
07:24Eu costumo dizer o seguinte, até para os meus clientes também,
07:27para quem é pai e mãe e nos acompanha.
07:30A gente precisa de uma decisão, de um acordo homologado,
07:34para a gente ter uma base.
07:35Só que quem sabe o melhor para os filhos é o pai e a mãe,
07:38não é juiz, é advogado, psicólogo, ninguém.
07:42Então, suponhamos aqui no caso da colega, né?
07:45Que ela divida uma semana nas férias na casa dela,
07:49uma semana na casa do pai, das filhas.
07:51E aí, elas estando lá na casa do pai, as crianças falam,
07:55a mamãe, a gente quer ficar mais.
07:57E ele entra em contato com ela, olha, Bárbara,
07:59as meninas querem ficar mais, tudo bem para você?
08:02Não precisa seguir o que está no papel, eles são adultos.
08:05Mas esse papel precisa limitar, porque normalmente,
08:08e infelizmente ainda por maioria, os pais não conseguem decidir isso.
08:12Então, existe ali um padrão, né?
08:15Para ninguém sair descumprindo.
08:17Então, pode sim fazer adendos, pode estender ou diminuir,
08:22mas de forma consensual.
08:24Se for para descumprir, cada um pode tomar a sua medida,
08:27tanto quem segura, quanto quem quer buscar antes.
08:30Lu, por que é importante para a criança
08:33ela ter esses momentos, tanto com o pai, quanto com a mãe?
08:40A criança está se estruturando, né?
08:42Em termos de valores, de desenvolvimento da personalidade, da moralidade dela.
08:47E é importante que a criança tenha o contato com ambos, né?
08:51Com o genitor feminino e masculino, quer dizer, o pai e a mãe dela.
08:56E isso vai fazer parte, né?
08:59De toda a formação dela.
09:01E é claro, né?
09:02Muito bem colocado, é muito bom quando esses pais conseguem conversar,
09:07apesar, né?
09:08E depois da separação.
09:10Porque a relação vai ser muito mais leve, né?
09:13A criança vai conseguir também sentir que ela participa dessa relação,
09:17que ela não é impotente.
09:19Ela vai ter um diálogo.
09:20Isso é muito importante.
09:22Mas, infelizmente, a maioria dos termos de relacionamento acontece, né?
09:26De forma litigiosa.
09:27E aí a gente vê que existe uma má condução com relação aí à criação dessas crianças.
09:34Eu vou ler aqui o comentário do Júnior Souza, que mandou aqui pra gente no nosso Facebook.
09:38Ele dá a opinião dele.
09:39Ele diz, poderia ter chamado um pai pra participar desse assunto,
09:43porque hoje, infelizmente, né?
09:44Tem muitas mães que fazem alienação parental.
09:47Aí ele até fala, ah, mais uma vez vocês colocando as mulheres pro debate como se o homem fosse vilão.
09:51Não, nenhuma hora.
09:53A gente falou as partes, viu?
09:54E a gente fala tanto na casa do pai, quanto na casa da mãe.
09:58Porque a gente sabe, viu?
10:00Inclusive, Júnior, eu te faço o convite, viu?
10:02Pra você vir no próximo debate, participar aqui com a gente.
10:06Porque quando a gente liga, a nossa produção liga pro homem,
10:08o homem nunca pode.
10:09A gente liga, agora eu não posso, tô trabalhando.
10:11Então não quer, não quer se expor, não quer falar.
10:14Fica com medo às vezes.
10:15Então a gente convida.
10:16Agora já a mulher, a mãe, gosta de falar desse assunto.
10:19E dá a cara a tapa mesmo.
10:22Porque a gente sabe que essa é uma realidade também no universo feminino.
10:26E a gente sabe que ela também tá presente no universo masculino.
10:28Mas aí, ele até fez aqui um comentário no final.
10:32Ele diz que teve que chamar a polícia várias vezes,
10:35porque a mãe não entregava a filha pra ele.
10:39E aí, doutora Camila, a gente quer saber o seguinte.
10:42Num caso como esse, qual é o primeiro passo?
10:47Liguei, não atendeu, tá fugindo, tá recusando minhas ligações.
10:52Fui lá no local combinado onde pega as crianças, ninguém apareceu.
10:56O que eu devo fazer imediatamente?
10:57Essa resposta é principalmente pra você, viu, Júnior?
11:00Vai, se ligue aí.
11:00Primeiro tentar intermediar através de uma outra pessoa.
11:03Porque por conta da dificuldade de comunicação deles,
11:06às vezes do litígio que eles possuem, né?
11:08Um avó, um tio, quem esteja, né, apto pra poder auxiliar.
11:13Não conseguiu, caso tenham advogados, né, que estejam cuidando aí,
11:17eu acredito que devem ter, também pra estar intermediando, né?
11:21Normalmente, nessas questões, quando as pessoas, os pais agem desse jeito,
11:25eles têm uma animosidade muito alta.
11:27Então, vou citar os casos dos meus clientes,
11:30eu entro em contato com os advogados da outra parte,
11:33porque aí a gente tenta tirar sempre a criança desse ambiente.
11:36Não conseguiu, aí a gente vai fazer valer a decisão judicial.
11:40Então, no caso da Ana Hickman, ele entrou com um pedido, que foi negado, né?
11:47Então, no caso do nosso telespectador, é pegar essa decisão,
11:52que ela tem que existir, levar, nesse caso, a polícia fazer,
11:57olha, eu preciso buscar essa criança, o dia tal,
12:00ele deveria estar aqui comigo, minha filha.
12:01E aí, vai ser conduzido esse policial, essa viatura até o local.
12:06Não vai já chegar expondo a criança o que está acontecendo.
12:10A polícia vai até a mãe, no caso aí, né, que ele citou,
12:14para que ela devolva.
12:16E pode ficar até escondida.
12:17A viatura, não precisa expor essa confusão,
12:20chegar com luzes, fazer uma...
12:23O objetivo não é constranger, é só fazer valer aquilo que deveria.
12:28Até porque constrange, né?
12:29A gente imagina, né, como fica a cabeça da criança, Lu?
12:31Com certeza.
12:32Com certeza.
12:33Imagina a criança, né, tendo espaço ali, privado, de carinho, de amor,
12:39que está com o genitor, vê a figura da polícia.
12:41Ela fica como um bumerangue ali.
12:44A polícia fica, né, sendo exatamente um jogo ali, uma peça para os pais.
12:50Mas a figura da polícia, de alguém estranho ali,
12:53isso é muito assustador para a criança, né?
12:55Imagina ela ter que entrar num carro, assim, para ser levada.
12:58Eu já estive presente, Roberta, em momentos como esse.
13:02E eu vi a criança do lado da mãe, que foi a mãe que me buscou,
13:05porque precisava viajar e não estava conseguindo buscar os filhos.
13:08Ela falou, mamãe, eu só estava brincando com o papai.
13:11Por que você fez isso?
13:14Porque a criança não tinha noção do que estava acontecendo, né?
13:17Ela, minha filha, por que nós vamos viajar lá?
13:19Mas por que você não pediu para o papai?
13:21E ela sem imaginar que a coisa tinha feito.
13:22Olha a inocência da criança, né?
13:24Olha, foi muito triste, né?
13:25Então, assim, é lamentável esse tipo de atitude, mas infelizmente...
13:29E só respondendo mais uma vez, você usou o exemplo aqui, falando de um pai,
13:33porque para não mostrar que a gente está tomando partido,
13:35porque foi um caso verídico, foi dessa forma que aconteceu, não é isso?
13:40Exatamente.
13:41Aí, Bárbara, eu vi seu comentário e eu ia até te perguntar,
13:44como que você lida diante das situações em que acontece ali esse conflito,
13:49por conta de uma data, você busca blindar suas filhas a respeito dessas informações
13:55que não vão acrescentar em nada para elas?
13:59Principalmente.
13:59A gente sofre, eu acho que a mãe, né?
14:01A gente, como mãe, a gente sofre muito, porque a vontade que a gente tem
14:04é de enlouquecer diante de um planejamento que foi quebrado
14:08e algumas vezes até mesmo por uma falta de atenção,
14:11uma falta de cuidado, uma falta de olhar o lado do outro.
14:14Mas a gente acaba respirando bastante, que eu acho que o que a mãe mais faz na vida é respirar.
14:20Eu acho que quando os nossos filhos vão crescendo,
14:22eu costumo dizer que a Marina e a Júlia, quando tinham 3 anos, 2 anos,
14:26isso era maravilhoso de lidar.
14:28Hoje, com 6 e 7 anos, existem os questionamentos delas,
14:32existe o questionamento do pai, existe a minha vontade
14:35e eu tenho que ficar ali administrando tudo aquilo,
14:39mas o foco e o objetivo principal é blindá-las para que, quando acontecer,
14:43seja da forma mais leve possível.
14:45Pode ter acontecido um vucu-vucu, mas ali quando passa para elas a posição,
14:51vamos agora para o papai.
14:53Ou então, olha só, íamos para o papai, agora não vamos mais.
14:56É uma forma mais doce e natural possível,
14:58para a gente conseguir neutralizar essas questões.
15:01O que não é fácil.
15:02E aí as crianças começam a ter a própria percepção,
15:05é isso que você está falando, né?
15:06Percebe, muito.
15:08E aí, como que a gente transmite essa informação para os filhos?
15:14É, o que ela falou é muito importante, que esse cuidado, esse carinho,
15:18e não expor o outro genitor, mesmo que ele esteja errado.
15:21Porque a gente sabe que isso, né, na hora da raiva pode aparecer.
15:25Então, é esse contato, é 3, essa calma, é pensar que assim,
15:29eu preciso proteger o meu filho.
15:30A raiva que você está do seu ex-marido, da sua ex-esposa, né?
15:35Isso tem que ser colocado e tratado de uma outra forma,
15:38mas a criança não pode participar disso.
15:40Porque aí, né, a gente vê casos que chegam ao máximo de alienação parental mesmo, né?
15:45Que aí a criança sofre muito, muito mais e tem traumas para o resto da vida.
15:50Então, a ideia é essa mesmo.
15:51Amor, carinho, cuidado, pensar que você é o protetor do seu filho,
15:56você é responsável por aquela criança que é inocente, né?
15:59Que não sabe o que está acontecendo.
16:00Ela não vai conseguir administrar isso na cabeça dela, o pé da letra, como a gente está vendo.
16:04Não vai.
16:05Então, a idade é aquela dali, a gente tem que fazer de uma forma lúdica, racional,
16:10imaginar aquilo dali e falar, minha filha, funciona dessa maneira.
16:13E a gente vai lidar com isso daqui assim, ok?
16:15E a gente tem a frustração dela.
16:17Tem uma coisa muito importante, Roberta, que a gente tem que pensar,
16:19é o seguinte, não é o conteúdo das palavras, mas é o seu estado de espírito, é como você fala.
16:25A criança, às vezes, não entende o que você está falando, mas ela percebe a sua reação.
16:29Então, você tem que realmente estar tranquilo, estar bem, para passar essa serenidade.
16:34É mais importante até do que o conteúdo, dependendo da idade.
16:38Três, quatro anos, ela não entende nada.
16:39Então, assim, essa serenidade que você falou, esse estar de bem.
16:43Olha o papai, não é o seu pai, né?
16:46Papai, não é sua mãe, mamãe, sabe?
16:48Esse cuidado, esse carinho é muito importante.
16:50Ó, a Cleomar Barbosa tem uma pergunta.
16:53Ela diz o seguinte, Roberta, eu gostaria de saber se eu, como avó, posso pedir para que
16:58meu neto possa ter os dias de ficar aqui em casa.
17:02Porque a mãe dele não dá notícias do menino para a gente, e nem eu que sou avó paterna,
17:08e nem a bisavó dele, a qual criou ela, né?
17:12Isso, não vemos ele.
17:13Ou seja, a avó quer ter dias com o neto.
17:16É possível, Camila?
17:17É, sim, pode sim, pode entrar com uma ação, né?
17:21Enquanto a avó, é contra, no caso, a mãe ou quem esteja impedindo, requerendo os dias
17:27para estar convivendo.
17:28A criança, ela tem direito a ter convívio com todo o seu seio familiar, seja materno,
17:34seja paterno.
17:35Então, independente dos motivos que os pais, né, tenham entre eles, os avós, tios,
17:42todos podem requerer essa oportunidade de conviver.
17:46É saudável, é importante, né?
17:48E fala para essa avó que está aí nos assistindo que ela pode sim, ela lhe avisa, né?
17:55Perfeito.
17:56E aí, já que a gente está falando desses ajustes, ainda temos aí mais uma quinzena de janeiro,
18:05vem o carnaval também.
18:06A prioridade para a escolha dessas datas?
18:09Se vai passar carnaval com a mãe, se vai passar carnaval com o pai, como que funciona?
18:15Isso precisa estar, isso é muito importante frisar sempre, precisa estar homologado ou
18:22sentenciado na justiça.
18:23Não adianta eu me separei do pai do meu filho, ah, não entramos com papel nenhum, fizemos
18:28de boca, ó, vai ficar assim, vai ficar assado.
18:30A gente não tem o que fazer quando é assim.
18:32Não tem como requerer nada à justiça para poder auxiliar.
18:35Então, precisa ter esse papel, é o primeiro ponto.
18:38Segundo, tudo é revezado por uma questão de regra.
18:43Então, os feriados são um com o pai, o outro com a mãe, um com o pai, o outro com
18:47a mãe.
18:48Final de ano, normalmente, anos ímpares com um, anos pares com outro.
18:52O modo vai ser resolvido entre os pais, né?
18:56Não havendo essa solução entre eles, o juiz define.
18:59As férias também, períodos igualitários, tudo isso.
19:03A não ser casos de exceção, né?
19:04Pessoas que têm uma profissão que exija uma escala diferente e tudo mais, mas são
19:10os mesmos direitos e deveres, pai e mãe.
19:13Olha aqui, acabei de receber uma participação masculina do Eugênio Ferreira.
19:17Inclusive, foi um dos pais que a gente tentou contato.
19:20O Eugênio é um telespectador muito querido aqui do Fale Espírito Santo.
19:23Uma vez ele entrou em contato com a nossa produção e falou que ele tem uma relação muito
19:27tranquila com a ex dele, né?
19:30Em relação a essa divisão com o filho.
19:33E eu vou ler agora o comentário dele.
19:35Ele diz, eu vivo isso de forma tranquila com minha ex-mulher.
19:38Temos acordos, né?
19:40Mas tratamos sempre o tempo e a divisão de acordo com as necessidades do nosso filhote.
19:46Eugênio, inclusive, o Fale Espírito Santo está sempre de portas abertas para receber
19:50um paizão, assim como você demonstra ser com o seu filho, viu?
19:54E é muito bacana a gente ter esse espaço, ter essa divisão de comentários e mostrar
19:59o que é um pai de verdade.
20:01E aí, Bárbara, agora para o Carnaval, quais são os planejamentos com as pequenas?
20:07Carnaval é comigo.
20:08Carnaval é com você.
20:09Mas e se elas escolherem?
20:11Quero passar com o papai.
20:12Aí a gente entra num processo onde eu vou conversar, vamos fazer assim no Carnaval.
20:18Não, quero passar com o papai?
20:20Aí eu passo a bola para o papai.
20:22Vamos fazer uma videochamada aqui e ele vai argumentar, vai explicar para ver se ele vai
20:27de fato pegá-las ou dividir esse Carnaval, caso não tenha viagem.
20:31Se tiver viagem, não tem muito para onde correr.
20:33E a gente se deixar também, eles vão fazer dois dias na casa de um, dois dias na casa de
20:37Eu vou fazer um adendo aqui que é bacana de falar, porque sempre tem esse questionamento.
20:42Criança e adolescente não decidem.
20:44A gente tem pai e mãe para decidir.
20:46Eu ia perguntar qual é o peso da vontade da criança.
20:48Então, eles não decidem, mas eles podem expor suas vontades, né?
20:51Ser levado em consideração.
20:53Mas eu estou dizendo que...
20:53Eles são ouvidos.
20:54É, sim, eles podem fazer isso, óbvio, mas a decisão não cabe a eles, tanto que eles
21:00têm responsáveis legais para isso.
21:02Então, por mais que elas falem com a mamãe, ah, mamãe, a gente quer estar com o papai.
21:06Mas a mamãe já programou uma viagem.
21:08Ou o pai não quer, quer estar no momento dele, se programou, não é obrigado a ficar
21:12com a criança aqui, certo?
21:14E também, quando passa de 12 anos, que é onde ela tem uma voz, né?
21:19Um poder de expor maior, vamos dizer assim.
21:22Porque enquanto criancinha, elas estão ali no oba-oba, não sabem nem o que é responsabilidade,
21:27só querem se divertir.
21:28Com 12 anos, a partir dos 12 anos, vamos supor que chegue num dia e fale, mãe, eu não
21:32quero ir.
21:33E a mãe fala para o pai, né?
21:35No caso, você está aqui, né, a Bárbara, uma das filhas dela alcança aí a fase
21:40da adolescência, fala assim, mãe, eu não quero ir hoje.
21:43E a Bárbara vai e fala com o pai, olha, ela não quer ir hoje.
21:46E ele fala, não, quero que venha.
21:48Começa aí uma confusão ali, familiar.
21:52É levada em consideração a decisão da criança, que no caso já é uma adolescente.
21:56Você não pode sair obrigando, né, estar no ambiente.
21:59Claro, né, vai ter um apoio, vai ter uma conversa sobre o porquê que não quer ir,
22:02apoio psicológico.
22:03Mas a partir de 12 anos, a gente consegue relevar mais.
22:07Mas enquanto na primeira infância, segunda, a gente ainda deixa as crianças fora desse
22:13lugar.
22:13Ó, tá chovendo comentários aqui, mas eu vou escolher só mais um, viu, gente, por conta
22:16do tempo.
22:18A Marilsa Loureiro diz, e se a própria criança, estando com o pai, não quer ver a mãe?
22:23Criança de 11 anos, chora e diz que não quer ir.
22:27A gente vai voltar agora para o que eu estava falando, né?
22:30Minha instrução para clientes é sempre que eles apoiem essa saída.
22:35Então, supor, o pai, né, a criança está com o pai, a criança não quer ir com a mãe.
22:39O pai conversar, falar que é importante que esteja com a mãe também, que o papai também
22:43precisa do momento dele, que assim como o papai tem saudade, a mamãe também tenha.
22:47Agora, se há alguma outra questão, que a gente não sabe, então não tem como avaliar,
22:52que essa criança está agindo dessa forma, emocionalmente falando, né, psicologicamente,
22:56para estar com esse bloqueio, precisa ser visto, precisa ser avaliado, né?
23:00Nenhuma criança simplesmente não quer ver por não ver.
23:03Então, a gente levanta um alerta para não sair empurrando a criança, sendo que pode
23:06estar acontecendo alguma coisa que a gente não sabe.
23:08Já aconteceu com a Suzy, bateram o pé e falaram, não, quero ir para casa do papai
23:11hoje?
23:11Já.
23:12E como é que aconteceu?
23:13A Mariana mais velha aconteceu isso e, de imediato, a primeira coisa que acontece nesse
23:17tipo de situação, a gente que é mãe, assim, meio bem, a gente assusta, né?
23:21Como assim?
23:22Até ontem o papai queria ir, agora não quer de jeito nenhum ir.
23:26E eu acho que conta muito, apesar da decisão ser nossa, conta muito entender por que você
23:32não quer ir, né?
23:33Eu faço muita chamada de vídeo onde eu busco o pai, olha só, papai, o que a gente vai
23:39fazer aí?
23:39O que vai ser legal?
23:40Para tentar entender.
23:41Mesmo assim, não quer, já aconteceu.
23:43Eu não quero, mamãe.
23:45Eu vou para lá e eu fico com muita saudade de você.
23:47Dessa vez, eu quero ficar aqui.
23:49E aí, se eu tiver como, como a doutora falou, né?
23:52Tem como, não existe nenhum compromisso, alguma coisa que vai atrapalhar?
23:55A mamãe acolhe, né?
23:57Senão, a gente vai forçando ali um pouquinho, de forma que não faça uma agressão à criança
24:01para tentar administrar.
24:02Gente, mãe e pai é administrar 24 horas, porque não tem muito para onde correr mesmo, né?
24:08É muito ruim a sensação não querer, apesar da gente ter o compromisso e a gente vai
24:13falar, meu Deus, e agora?
24:14O que eu vou fazer, né?
24:15Então, é bem difícil mesmo.
24:16Luciana Infantini, para a gente finalizar, como contornar essa situação quando a criança
24:19não quer?
24:21Acho que já foi bem colocado e tentar entender o porquê, né?
24:24Porque a criança nunca não quer ir gratuitamente.
24:27Pode estar acontecendo alguma coisa.
24:28Ou pode ser só o apego com a mãe por passar mais tempo e tal.
24:31Mas, então, essa conversa é importante.
24:34E falar também, olha, o papai gosta muito de você, ou a mamãe, né?
24:38Que está lá dos lados.
24:39É preciso ficar um pouquinho com a mamãe, um pouquinho com o papai, né?
24:42Então, para a criança entender que ela é amada pelos dois e que esse vínculo não
24:47pode ser rompido, né?
24:48Com nenhum dos dois.
24:49Acho que é por aí, Roberta.
24:50Perfeito, gente.
24:51As nossas crianças, sempre em primeiro lugar.
24:54Nada de usar elas de escudo, viu?
24:56Obrigada, Lu.
24:57Obrigada, Camila.
24:58Obrigada, Bárbara.
24:59Boa tarde para vocês, viu?

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