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Mulheres são as vítimas preferidas em assaltos e furtos
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NotíciasTranscrição
00:00Então, conforme prometido, a gente continua falando dos assaltos que não param de acontecer.
00:06E tem um detalhe, na maioria das vezes, as vítimas são mulheres.
00:12Olha só essa situação que a gente vai mostrar agora.
00:14Uma mulher reagiu a um assalto e fugiu para pedir socorro.
00:19As imagens gravadas por câmeras de segurança mostram o homem andando normalmente ali pela calçada.
00:26Poucos segundos depois, uma mulher passa no sentido contrário correndo.
00:30E quem persegue é justamente o cara que aparece no início da gravação.
00:35Ele tentou, gente, puxar a bolsa, mas ela puxou de volta e correu.
00:39Uma moradora chegou a ver a situação, ameaçou soltar os cães dela para cima do suspeito.
00:45Só que aí ele desistiu de assaltar e entrou no carro que estava aguardando e foi embora.
00:52Como a gente já disse, a gente precisa muito chamar sua atenção.
00:55Você é mulher que está aí acompanhando o programa, então você é homem, chama a sua companheira
01:01para prestar atenção nesse assunto que a gente vai seguir agora.
01:04As mulheres, na maioria das vezes, são as vítimas preferidas para crimes de roubos e furtos.
01:12Mas como é que a gente lida com essa situação?
01:14Como é que a gente consegue evitar que a gente possa ser uma possível vítima?
01:18Vamos bater um papo tão importante aqui no nosso estúdio.
01:21Eu recebo o especialista em segurança pública, o professor Pablo Lira.
01:26Muito obrigada pela sua participação, professor.
01:29Daniela Sampaio, que é psicóloga.
01:31O Vitor já falou agora aqui para a gente que isso deixa traumas.
01:34A gente está mostrando mais um caso.
01:36E a NQL, que viveu isso na pele recentemente, né, NQL?
01:41Exatamente.
01:41Conta para a gente como é que foi.
01:42Boa tarde, sejam bem-vindos.
01:44Boa tarde.
01:45Foi no dia 31 de março, eu levei as crianças para a escola.
01:50Quando eu estava retornando, eu estacionei o carro.
01:54E pelas câmeras dá para ver que os dois indivíduos ficaram me aguardando até eu estacionar.
02:00Quando eu fechei a porta do carro, eles passaram por mim, jogaram a moto na minha frente e falou,
02:05passa a bolsa.
02:06Eu, na mesma hora, eu entreguei a bolsa.
02:09Aí me pediram aliança, eu tirei a aliança, entreguei e me pediram os dois colares.
02:15Aí na hora que eu ia tirar, eles puxaram com um pouco de violência.
02:20Tudo foi assim, muito rápido.
02:22E me pediram o celular.
02:24Só que na hora que eu vi que eles jogaram a moto, que eu ainda estava fechando a porta,
02:28eu joguei o celular dentro do carro.
02:30Aí eu tive que abrir a porta do carro, adentrar dentro do carro para pegar o celular que estava
02:35lá do outro lado.
02:36E eles aguardando...
02:37Eles perceberam que você tinha tentado livrar o celular dessa ação deles?
02:42Creio eu que o celular, como a capinha era rosa, um rosa choque, eu creio eu que eles
02:47viram na hora que eu joguei.
02:49Foi tudo assim, tudo muito rápido.
02:50Eu estava fechando, eu joguei assim, no impulso.
02:53Aí eu peguei o celular e entreguei para eles e foram embora olhando para trás ainda.
02:57É assim, eu fiquei muito nervosa, mas em momento algum eles, ah, eu estou armada.
03:01Só falaram que era um assalto.
03:03Foi a primeira vez que você passou por isso ou já tinha acontecido antes?
03:06Não, foi assim, a primeira vez.
03:09Tanto que um dia antes tinha dois indivíduos de moto vermelha em frente à minha casa,
03:13eu até coloquei no grupo, que era para as pessoas ficarem atentas, que tinha duas pessoas,
03:18mas praticamente assim, no mesmo horário.
03:21Aí até uma senhora do curso de inglês falou que tentaram roubar a moto do aluno dela.
03:28Até agradeceu e no outro dia não foram as mesmas pessoas porque a moto era uma moto lilás.
03:34E qual foi a sua reação quando você se deu conta do que tinha acontecido?
03:40Naquele momento eu me senti impotente, né?
03:43E também pensei nos meus filhos, porque eu tenho uma criança pequena e eu ando com eles o tempo todo
03:49dentro do carro.
03:50Então assim, eu fiquei muito nervosa, em momento algum eu reagi.
03:55E eles, eu falo assim, que ladrão não tem mãe, porque assim, foram muito agressivos, entendeu, comigo.
04:03A forma de agir, entendeu?
04:05Pablo, por que que as mulheres acabam se tornando essa vítima preferida dos bandidos?
04:14O que que explica isso?
04:15Boa tarde mais uma vez.
04:16Boa tarde.
04:17Esse tipo de crime, né, é o crime que a gente costuma denominar como crime de oportunidade.
04:24Então são criminosos ali, oportunistas, covardes, como a NQL destacou, né?
04:30O cidadão de bem está na rua e na primeira oportunidade que eles têm, eles agem com violência, retirando pertences.
04:39E pela covardia deles, também a certeza da impunidade que a gente tem no nosso país, eles têm a preferência
04:46da vítima mulher.
04:48Eles entendem que a possibilidade de uma reação é menor com a vítima sendo mulher.
04:54Então, muito importante, a NQL agiu ali corretamente, como ela falou, inclusive a orientação das polícias no Brasil todo é
05:04não reagir nesses casos aí de roubos, né?
05:09Assaltos, tentar manter a calma.
05:12A gente sabe que a vítima, a gente não está esperando, né?
05:16Aquilo aconteceu naquele momento, o nervosismo de fato bate, essa sensação de impotência é um relato comum nas vítimas de
05:24roubos, de crimes contra o patrimônio como esse daí.
05:27E é muito importante a gente seguir essa orientação e também, quando possível, acionar as autoridades em segurança pública para
05:39tentar deter esses infratores.
05:41registrar o boletim de ocorrência, porque aí com as estatísticas as polícias têm a maior chance de prevenir outros delitos
05:48como esse.
05:49Mas, de fato, por conta do nível da impunidade no nosso país, que é muito grande, a gente tem aí
05:55atores motivados, ambientes favoráveis e vítimas também que acabam sofrendo esse tipo de crime.
06:03E de maneira nenhuma, Roberta, nós devemos proceder a uma lógica de tentar colocar ali a responsabilidade na vítima.
06:15Não é responsabilizar a vítima, mas o que a gente deve tentar analisar é ver, através desses casos, possíveis ações
06:23que vão deixar o nosso cotidiano um pouco mais seguro e livre desse tipo de criminoso.
06:29Já, já, você conta para a gente dessas ações, como que a gente pode ficar um pouco mais atento, porque
06:33é comum, né?
06:34A gente está no nosso direito, inclusive, andar livremente na rua, mas às vezes pegar o celular, será que isso
06:40deixa o bandido mais atento?
06:41Vendo, opa, aquela pessoa ali está dando mole, então, talvez é isso que ele está procurando, né?
06:46Mas antes, Dani, o Pablo disse muito bem que a NQL teve uma atitude correta, mas no vídeo anterior que
06:53a gente mostrou,
06:53que, na verdade, o repórter Vitor Zuccolotti mostrou para a gente esse caso, a mulher ali teve uma reação, né?
06:59A primeira reação dela foi sair correndo.
07:02Será que a gente consegue, diante de tanta violência que a gente vê e vive a cada dia,
07:08tentar ter atitudes premeditadas para se, caso isso venha a acontecer, a gente não corra o risco de reagir?
07:16Eu falo que a gente pode tentar, e aí o exercício, ele não costuma ser muito legal, por quê?
07:22A gente precisa, de fato, imaginar a cena acontecendo para que o nosso cérebro, vou usar essa expressão assim,
07:28se familiarize com a possibilidade disso acontecer.
07:31Então, eu costumo falar isso para os pacientes, assim, senta mesmo na sua cama e imagina, digamos, né?
07:36Estou chegando, estacionei o carro, a pessoa me pediu para passar isso, o que eu faria?
07:40Imagina a cena, só de imaginar já dá uma angústia, né?
07:44Mas, assim, quando a gente consegue imaginar a cena acontecendo, bom, então o que eu faria?
07:47Eu tenho que entregar, eu não posso fazer um movimento brusco, não sei, né?
07:50Assim, o que eu deveria fazer?
07:52Eu imaginar, de fato, isso acontecendo?
07:54Minimamente, não quer dizer que a gente está preparado, mas minimamente prepara a gente para caso a gente passe por
07:59essa situação,
08:00a gente consiga falar, o cérebro entende assim, opa, já vivenciei isso, ainda que em pensamento,
08:05mas eu já consigo imaginar mais ou menos o que fazer.
08:07Porque a gente ouve de pessoas especialistas como você, mas a gente não sabe como a gente faria na prática,
08:13né?
08:13Às vezes você atende um paciente que ele fala assim, eu sempre falei que eu não ia reagir, ou sei
08:17lá, ou até outras situações, sabe, Roberto?
08:19Assim, ah, eu vi meu marido me traindo, eu sempre falei que eu não ia fazer nada, mas a gente
08:23não sabe a nossa reação na hora.
08:25Então, a tendência é, se você conseguir fazer esse exercício, tende a ajudar.
08:30Vamos fazer o seguinte, deixa eu convidar a Rebeca para esse nosso bate-papo, porque ela também já foi vítima
08:34de assalto.
08:35E tem um detalhe, na época, ela estava grávida, olha isso.
08:39E ela vai contar para a gente como é que foi que tudo aconteceu.
08:41Rebeca, boa tarde.
08:44Boa tarde, Roberta.
08:47Diz aí, conta para a gente como é que foi que tudo aconteceu.
08:49Você estava fazendo o quê e aí os bandidos chegaram?
08:53Eu estava voltando do trabalho, era mais ou menos umas 5 horas da tarde.
08:58Estava cedo ainda, verão, ainda estava até, assim, de sol, né?
09:03E aí eu estava próximo até de casa já, o bandido dele veio de bicicleta.
09:08Aí viu que eu estava grávida, na época eu já estava com 8 meses de gestação, então eu estava com
09:13a barriga bem grande já.
09:15Aí ele foi, me encostou na parede, me encurralou na parede com a bicicleta, pediu para eu passar o celular.
09:23E qual foi a sua reação na hora?
09:26Na hora, primeiro que até caía a ficha, demorou um pouco, né?
09:29Porque eu fiquei assim, tipo, não esperava, nunca me imaginava que eu fosse assaltada.
09:34Era a primeira vez, né, que eu fui assaltada.
09:36Aí eu fiquei assim, aí eu falei, calma, moço, calma, moço.
09:40Ele falou assim, eu só quero o celular, eu não quero te machucar.
09:42Ele simulou que ele estava armado.
09:44Aí eu falei, espera um pouquinho que eu vou pegar o celular para você, calma.
09:47Aí eu fui para onde eu tinha guardado o celular para entregar ele.
09:51Aí entreguei, ele falou assim, não olha para trás, vai embora sem olhar para trás.
09:55Aí eu saí, assim, correndo, fui andando sem olhar para trás, desesperada.
10:00Aí quando eu cheguei em casa, eu fui desabar.
10:02Aí eu comecei a chorar, chorar, chorar, chorar, entrei numa crise de choro.
10:07E é aí que a ficha cai, né?
10:09Porque, pensa bem, você é grávida no momento mais pleno da sua vida.
10:15Você nem imagina que vai acontecer isso.
10:18E outra coisa, até uma pergunta.
10:20A sua barriga estava aparente?
10:24Estava.
10:26Aí que eu concordo plenamente com a Annie Kelly, com o comentário que ela fez aqui.
10:30Esses bandidos não têm nem mãe, né?
10:32Porque nem respeito a uma mulher grávida tiveram.
10:36Como é que você se sentiu?
10:39Nossa, a sensação de impunidade é horrível.
10:42Você fica revoltada.
10:44Porque é muito triste você ter um bem, porque a gente hoje trabalha muito para conquistar o bem,
10:51e você perder de forma tão fácil.
10:52E saber que ele só, eu fui um alvo por ele saber que eu não ia reagir, que eu não
10:58ia correr,
10:58eu não tinha condições de correr, não tinha como eu ter reação contra ele.
11:02Ou seja, o que era para sensibilizá-lo ainda mais,
11:07poxa, a mulher está grávida, vou respeitar.
11:09Não, fez com que o olhar dele sobre você era o quê?
11:12Aí ela não consegue correr.
11:14Exatamente o que o Pablo Lira está aqui falando.
11:17Já volto a falar com você, Rebeca.
11:19Mais uma situação ali que se torna uma justificativa daquilo que a gente estava falando até agora, né, Pablo?
11:26Que a mulher se torna a principal vítima.
11:29Mais um caso que a gente vê que, ah, não vai poder correr, então deixa eu me aproveitar dessa situação.
11:33É por aí que eles pensam?
11:35Isso aí, demonstra o nível de perversidade e covardia que esses criminosos têm.
11:40Uma pessoa grávida, uma mulher grávida, eles não perdoam.
11:46Infelizmente, por conta desse quadro da impunidade muito forte no nosso país.
11:50A gente já relatou em outros momentos aqui no programa, né, Roberta?
11:53Nosso código penal é da década de 30.
11:55O nível de criminalidade, o tipo de crime daquele período,
11:59o tipo de criminosos que a gente tinha na nossa sociedade
12:01era muito diferente desses criminosos que a gente tem hoje em dia.
12:06E uma outra coisa que a gente chama atenção também
12:08é que o criminoso, além da certeza da impunidade,
12:12ele tem também a certeza que esse aparelho celular
12:15que ele levou da NQL e da Rebeca,
12:19a certeza que ele vai conseguir vender na primeira esquina
12:22e vai ter uma pessoa que às vezes se diz cidadão de bem
12:25e vai comprar esse celular pela oportunidade de pagar um preço mais barato.
12:30Então, isso é muito triste, porque não é só o problema ali que a gente vê
12:35das leis e tudo, mas também de comportamento da população.
12:39O crime de receptação é crime.
12:42A prática de receptação é crime também.
12:45Então, se você vê uma pessoa com um produto com origem duvidosa ali,
12:50oferecendo para você por um valor muito abaixo do valor de mercado,
12:54se você compra, você está alimentando esse ciclo da violência.
12:58E, infelizmente, mais tarde, pode ser você a vítima de um criminoso covarde como esse.
13:04É isso aí. Às vezes você acha absurdo o que está acontecendo,
13:07mas você também está alimentando toda essa cadeia
13:10porque você compra um celular, um anel, um cordão.
13:14Então, cada um precisa fazer a sua parte.
13:18Ontem, a TV Vitória mostrou o caso da mulher que foi agredida durante um assalto
13:22em uma loja de bijuteria.
13:24As imagens da câmera de segurança mostram a ação do bandido, gente.
13:29Veja que ele está olhando algumas bijuterias,
13:32chega até a pedir ajuda à funcionária que estava ali no caixa,
13:36mas em dado momento ele se aproxima dela
13:38e coloca a mão na cintura como se estivesse armado
13:41e anuncia o assalto.
13:43Ele obriga a menina a passar todo o dinheiro que estava no caixa.
13:48Depois disso, o bandido começa a agredir a funcionária.
13:52As imagens são fortes e por isso que, em determinado momento ali,
13:54a gente até congela, viu, em respeito a você aí de casa.
13:58E depois de tudo isso que a gente mostrou,
14:00testemunhas contaram que ele saiu sorrindo da loja.
14:05Não foi o último caso, não, tá?
14:06Na terça-feira teve mais um assalto,
14:09dessa vez a uma loja de chocolates.
14:11Olha aí as imagens.
14:12O bandido chega, se passa por cliente de novo, né?
14:15Vai se aproximando até que também anuncia o assalto.
14:19Ele chega a segurar os braços da funcionária,
14:22que está grávida.
14:24Olha aí, mais um caso de uma mulher grávida,
14:26mas logo solta e pega todo o dinheiro do caixa.
14:29E antes de ir embora, ainda manda o funcionário
14:32se ajoelhar atrás, a funcionária se ajoelhar atrás do balcão do caixa.
14:36E detalhe, os assaltos foram cometidos pelo mesmo criminoso
14:40que foi detido pela polícia.
14:43Olha só, uma mulher grávida.
14:45A gente mostrou o caso também da Rebeca,
14:48que está participando com a gente.
14:49Já vi mais casos aqui no Facebook de mulheres grávidas.
14:52Dani, isso também pode trazer esse susto,
14:55pode trazer quais consequências para essa mulher e para esse bebê?
14:58E, Roberta, antes, é possível perceber que acontece por dois motivos,
15:04pensando na perspectiva psicológica.
15:06Um é, de fato, a facilidade.
15:08Eu faço essa previsão, essa possível previsão
15:12de que ela não vai correr, de que ela é mais frágil.
15:14E, segundo, você pode perceber a necessidade de demonstrar poder.
15:19Porque, justamente por ser uma pessoa que não vai reagir,
15:22que a tendência é que faça isso.
15:24Porque, nesses dois vídeos que você mostra agora, Roberta,
15:26elas, uma, ele agride e joga no banheiro e continua agredindo.
15:31E a outra, ele manda ajoelhar.
15:34Percebe?
15:34É uma necessidade, realmente, de demonstrar um poder,
15:38de se sentir poderoso.
15:39E isso, realmente, assim, é difícil,
15:42mas a gente percebe isso muito na sociedade,
15:44com muita frequência, infelizmente.
15:46E os impactos, Roberta, assim, eles são incalculáveis.
15:49Para uma mulher grávida, acho que ainda maior,
15:52mas, na sua reportagem também, o repórter falou, né,
15:55que as pessoas estavam indo para a escola.
15:57E aí, ele mesmo fez essa analogia, assim,
15:59como que vai ser agora para eles irem para a escola,
16:01para o curso, todos os dias?
16:03E aí, eu posso imaginar, por exemplo, no seu caso, né,
16:06como que é chegar com o carro ali de novo
16:08e ver aquela cena, aquele ambiente.
16:10E a cena é o que a gente chama de
16:11transtorno do estresse pós-traumático, né?
16:14Porque, só de chegar naquele ambiente,
16:15eu revivo tudo.
16:17Então, imagina para uma mulher grávida,
16:18que, em tese, ela teria que ter boas lembranças,
16:21toda vez que ela passar ali, qual a memória, né?
16:23E, N. Kelly, de que forma que hoje,
16:26já que você lida, né, com esse trajeto,
16:28está sempre por ali,
16:29como que você passou a se precaver dessas situações?
16:34É, foi o que ela disse, né?
16:36Eu não posso ouvir um barulho de moto,
16:38porque eu já estou olhando para um lado e para o outro.
16:41Mas a vida continua, né?
16:42Então, assim, é...
16:43Quando eu vou parar o carro,
16:45a primeira coisa que eu faço é olhar,
16:48olho pelo retrovisor, olho para um lado e para o outro,
16:50sair do carro, eu sempre estou atenta,
16:53com a bolsa, até mesmo o meu pequeno.
16:56Às vezes, ele sai com o celular dentro do carro,
16:59ele bota debaixo da camisa, o de oito anos.
17:02Por quê?
17:02Porque isso já...
17:04Ó, cuidado, entendeu?
17:05Atenção.
17:06Uma criança de oito anos, né?
17:08Olha o reflexo da violência.
17:10E legal, assim, legal, assim, né?
17:12Interessante que você tem essa fala, assim, né?
17:15E a vida continua.
17:16Mas a gente vê, Roberta, que muitos não.
17:18Então, assim, não consegue realmente continuar.
17:20Eu posso imaginar também, e eu vou até te fazer essa pergunta,
17:23se essa lembrança que você tem realmente é sua lembrança
17:26ou se você tem essa lembrança por conta da imagem que você viu.
17:29Porque, normalmente, o que a gente ouve é assim,
17:31não lembro de nada, chegou perto de mim, levou tudo,
17:34e eu nem sei o que aconteceu.
17:35Enfim, e como você tem riqueza de detalhes,
17:37para entender, assim, se você viu na imagem
17:39ou se realmente você lembra de tudo que aconteceu,
17:41da forma que foi?
17:42Não, eu lembro perfeitamente.
17:44Então, assim, a imagem, mesmo que aconteceu em março, né?
17:49Nós já estamos em início de, quase início de julho.
17:54Então, assim, a imagem fica na mente da gente, entendeu?
17:57A moto descendo, eles se jogando na minha frente, né?
18:01Então, assim, está sempre aquela imagem na sua mente, né?
18:05E aquilo, você acha que nunca vai acontecer com você, né?
18:08Então, quando acontece, a sua atenção é sempre dobrada, né?
18:12Deixa eu voltar a falar com a Rebeca,
18:14porque ela já até me relatou em outros momentos
18:17que o filho dela, depois que nasceu,
18:20ela percebeu que ele estava demorando até a falar
18:24e a própria médica fez uma correlação com esse assalto?
18:29Não foi isso, Rebeca?
18:31Foi, a Fono, quando eu levei ele para fazer tratamento na Fono,
18:35aí ela perguntou se aconteceu alguma coisa
18:37durante a sua gestação, aí eu fui com o tempo, não,
18:40eu fui assaltado, depois eu tive uma crise de choro e tal.
18:43Ela falou, não, porque pode ter relação com o atraso
18:46que ele tem na fala hoje.
18:48Olha só que ponto, né?
18:50Que o bandido que está pensando ali no imediatismo dele
18:53não imagina as consequências que isso pode trazer
18:56para a nossa vida.
18:57E hoje, Rebeca, quais atitudes,
19:00depois disso que aconteceu com você,
19:02você passou a ter para tentar se proteger um pouco mais?
19:05Então, ontem, eu até passei pelo mesmo lugar,
19:08aí veio um rapaz de moto,
19:10quando eu vi o rapaz, meu coração já disparou,
19:12comecei a suar, fiquei tremendo de nervoso,
19:16com medo, passei desesperado,
19:18não posso ver ninguém passar perto de mim,
19:21ali próximo do lugar que aconteceu,
19:23porque eu acho que vai acontecer novamente,
19:25fico desesperado.
19:26E, sim, não ando mais com o celular,
19:28não ando com o celular amostra, na rua,
19:31a gente fez um seguro para o celular,
19:34para que qualquer coisa, questão de roubo,
19:36eu possa recuperar financeiramente.
19:40E também, eu vi, quando eu vou andar,
19:43assim, quando for mais próximo,
19:44quando eu tiver que ir a pé,
19:45se eu não precisar de levar o celular para só usar ele,
19:48eu deixo até em casa.
19:50Tá certo, Rebeca.
19:51Muito obrigada pela sua participação,
19:53pela sua contribuição para a gente fazer esse alerta.
19:56E lembrando que é um alerta,
19:57não só para a gente se proteger mais,
19:59mas também para cobrar das nossas autoridades,
20:02um policiamento mais ostensivo,
20:05cobrar também que a gente faça o boletim de ocorrência,
20:09porque às vezes a gente não faz,
20:10e aí a polícia não sabe, né?
20:12As nossas autoridades ficam sem saber
20:14aonde que está precisando de mais ações.
20:17Obrigada mais uma vez, viu?
20:19Uma boa tarde.
20:21Boa tarde.
20:21E aí, Pablo,
20:22eu queria que você deixasse para a gente as suas dicas,
20:25como que a gente pode se proteger,
20:27o que o bandido está de olho,
20:28ele está atrás de quê?
20:30Procurando o quê?
20:31E como que a gente pode se proteger?
20:33É, como a gente comentou, né,
20:34e vimos, assistimos aí nos casos relatados,
20:37o principal objeto aí de atração dos bandidos hoje
20:42é o celular,
20:43que tem uma liquidez muito forte aí,
20:47eles acabam vendendo para comprar drogas,
20:50comprar outros produtos,
20:52e aí o celular específico tem um registro,
20:55que nem todo mundo faz,
20:56é o registro da identidade dele,
20:59que é o e-mail,
21:00é um código internacional de registro celular,
21:03e isso facilita depois para você bloquear o celular,
21:06caso você seja vítima aí de um roubo,
21:09como a gente viu aí nas imagens.
21:10Além disso, como a gente falou,
21:12os criminosos, eles são covardes e oportunistas,
21:15então focam aí em ver a pessoa do sexo feminino,
21:19tem que redobrar os cuidados,
21:22evitar de passar em ruas escuras,
21:26andar num horário mais tarde,
21:30sempre andar em áreas com maior circulação de pessoas,
21:33se precisar de parar o carro,
21:35no caso da Incare ali,
21:36ela agiu da forma correta,
21:37ela parou o carro, já saiu do carro,
21:39mas a questão é que eles já estavam estudando ali
21:42aquele espaço.
21:43Então, caso você veja pessoas de moto,
21:47principalmente dupla,
21:48que é o modus operandi dele,
21:50desses casos de abordagem vítima do sexo feminino,
21:55eles andam em moto em dupla.
21:57Você via um indivíduo andando de moto,
21:59rodando o seu quarteirão,
22:00buscar acionar as autoridades,
22:02guarda municipal, as polícias,
22:05se você vê uma pessoa com atitude suspeita,
22:08quando você vai chegar no seu condomínio,
22:09na sua residência,
22:10dá a volta no quarteirão,
22:12não para naquela hora,
22:13evitar.
22:14Se você vê uma pessoa com atitude suspeita
22:16do outro lado da rua,
22:17tenta mudar de sentido,
22:19entrar no comércio,
22:20entrar no condomínio,
22:21buscar ajuda,
22:22antes que ele faça abordagem criminosa.
22:25Se ele abordar,
22:27e aí, de novo,
22:29destaco o controle
22:31que a NQL apresentou ali nas imagens,
22:34ela mesmo falando que estava nervosa,
22:36ela manteve o controle da situação
22:39e evitar reagir.
22:41E, acontecendo o crime,
22:43infelizmente,
22:44é importante registrar o boletim de ocorrência,
22:46como você bem falou, Roberta.
22:48Essas informações,
22:49as polícias utilizam,
22:50e as guardas municipais,
22:52para direcionar esforços,
22:54para realizar operações,
22:56tanto para prender esses criminosos,
22:58a investigação,
22:59e também para evitar
23:01futuros crimes como esse.
23:04E aí, o que a gente apela, né?
23:06Principalmente para os nossos
23:07representantes políticos
23:08que estão lá em Brasília,
23:10às vezes se preocupando
23:11com questões ideológicas,
23:13eles deveriam estar
23:14envidando esforços
23:15para tentar atualizar
23:17as nossas leis penais
23:19que estão defasadas,
23:20para, de fato,
23:21gerar uma qualidade de vida
23:22para a população.
23:23Perfeito.
23:23E, olha só,
23:24a gente separou alguns dados
23:25da Secretaria de Segurança Pública
23:27sobre os crimes
23:28contra o patrimônio
23:30envolvendo mulheres.
23:31Esse ano,
23:32foram 26.185 casos.
23:36Desse total,
23:38mais da metade
23:39das vítimas
23:40são mulheres.
23:42São 13.080
23:44vítimas femininas,
23:46ou seja,
23:4751%
23:48das vítimas.
23:50Então, a gente precisa, sim,
23:51redobrar a atenção, viu?
23:53E, olha só,
23:54a Clara Campos
23:55participa com a gente,
23:56ela fala,
23:56gente, eu estou ouvindo aí
23:57a entrevistada falar,
23:58eu estava grávida
23:59de oito meses,
24:00reagi na época,
24:02fui para o hospital,
24:03ela até fala que na época
24:04o moleque até apunhou,
24:05que ela até esqueceu
24:06que estava grávida.
24:07Jesus.
24:08Jesus mesmo, Clara.
24:09E aí, Dani,
24:10eu vi aqui alguns comentários,
24:12é porque eu preciso resumir
24:13por conta do nosso tempo,
24:14tem gente falando assim,
24:15é claro que gera muita revolta,
24:17a gente trabalha,
24:18trabalha, trabalha
24:18para comprar um celular,
24:20para comprar um colar,
24:21e aí vem um bandido,
24:24como diz Dudu,
24:25e leva tudo com maior facilidade.
24:28A vontade que dá,
24:30é claro,
24:30é que a gente fala,
24:32não, isso é meu.
24:33Mas eu queria que você
24:34conversasse com essas pessoas
24:36que pensam em reagir,
24:39que ainda assim insistem
24:40nessa possibilidade.
24:43Imagina, assim,
24:44nunca passei por isso,
24:45mas eu posso imaginar,
24:46só de ouvir,
24:48já dá uma angústia.
24:49Então, quem vivencia de fato,
24:51a gente imagina
24:51que não deva ser fácil.
24:53Mas eu acho que o foco
24:54tem que ser, Roberta,
24:55não resolve, sabe?
24:56Digamos que,
24:57é claro que resolve assim,
24:58se você conseguir segurar seu bem,
25:00mas eu quero dizer,
25:00no sentido de devolver uma dor,
25:02de bater,
25:03ele vai sair dali,
25:05vai dar 10 minutos
25:06e ele está fazendo em outra pessoa.
25:07Porque se fosse tão fácil resolver,
25:09a gente pegava os bandidos,
25:11dava uma surra e resolvia,
25:12pronto,
25:12não tinha mais criminalidade.
25:14Então, às vezes,
25:14a gente quer essa sensação
25:15de devolver a dor,
25:17de não resolve, infelizmente.
25:19É muito rápido,
25:20passa tudo muito rápido.
25:22E a gente estava falando aqui,
25:23eles não têm nada a perder.
25:24A gente tem família,
25:25a gente tem nosso emprego
25:27que a gente quer,
25:28nossos sonhos,
25:28eles não têm nada a perder.
25:30Então, eu acho que o nosso foco
25:31tem que ser esse,
25:32no cuidado.
25:33Porque, às vezes,
25:33é nessa rapidez,
25:35assim, de pensamento,
25:36a gente pode fazer algo
25:37que a gente vai se arrepender
25:38ou nem ter chance
25:39depois de falar, né, Roberta?
25:40Eu não sei.
25:41Muitos estão agindo ali
25:42sob efeito de entorpecentes.
25:44Então,
25:45a gente não consegue
25:46nem se igualar, né?
25:48Enikele,
25:49para a gente finalizar,
25:50você chegou a contabilizar
25:51o prejuízo que você teve?
25:53Ah,
25:54mais ou menos uns
25:5516,
25:5617 mil.
25:58Por baixo, né?
25:59Pelo que a gente estava contando
26:00antes aqui nos bastidores.
26:01É, devido à aliança,
26:02porque a aliança
26:03tinha brilhante,
26:03tendo que eu ganhei
26:04do meu esposo,
26:05o cordão,
26:06que tinha meu nome,
26:06era um pouquinho mais grosso,
26:08o celular.
26:09Tanto que o celular,
26:11eu,
26:11na segunda vez
26:12que eu voltei em casa
26:13para pegar a caixinha
26:14para o e-mail,
26:15eu consegui rastrear
26:17com o celular
26:18da minha filha.
26:19E a gente estava
26:20vendo o tempo todo
26:22aonde os caras estavam,
26:23entendeu?
26:24Só que, infelizmente,
26:25a polícia civil falou
26:26que era obrigação
26:27da polícia militar
26:28porque eu tinha flagrante.
26:29Mas aí,
26:30como a polícia,
26:30infelizmente,
26:31demorou a chegar ao local,
26:33aí a gente já não conseguiu
26:34mais pegar.
26:35Mas eu conseguia
26:35a todo momento
26:36saber onde o cara estava.
26:38entendeu?
26:39E aí,
26:39a gente finaliza
26:40com aquela frase
26:41que a gente,
26:43certamente,
26:43você de casa
26:44já ouviu do seu pai,
26:45da sua mãe,
26:46vão-se os anéis
26:47e ficam os dedos, né?
26:49Então,
26:50caso a gente venha
26:51passar por essa situação,
26:52a gente precisa muito
26:54amadurecer
26:54de que é muito importante
26:56que a gente não reaja.
26:58E aos poucos,
26:58você foi trabalhando
26:59para reconquistar
27:00as suas coisas?
27:01É,
27:01a gente tem saúde,
27:02a gente trabalha
27:02e corre atrás.
27:03A gente acaba
27:03de pagar no celular.
27:05É revoltante, né?
27:06É revoltante.
27:07E aí a gente precisa
27:09mais uma vez
27:10cobrar das nossas autoridades
27:13mudanças nas leis,
27:14porque de nada adianta
27:15a polícia fazer o papel dela
27:16e chegar lá
27:16e soltar o bandido.
27:18Obrigada, viu, gente?
27:19Uma boa tarde.
27:20Obrigada.
27:20Obrigada.