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  • há 6 dias
Mulheres investem em defesa pessoal para se protegerem de assaltos

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Transcrição
00:00Aconteceu de novo, minha gente. Mais uma vez, passageiros foram reféns de um grupo de criminosos
00:07que anunciaram um assalto em um ônibus da linha 855 na Serra.
00:11No veículo estavam cerca de 20 pessoas, entre elas, pelo menos, seis crianças.
00:19Eu disse seis crianças que se assustaram no momento do crime. É muita covardia, né?
00:24Segundo as vítimas, o ônibus fazia o trajeto terminal Carapina para o Planalto Serrano
00:30e quando chegou no destino, eles anunciaram o assalto.
00:34Os assaltantes conseguiram levar vários pertences das vítimas e fugiram após o assalto.
00:39O motorista levou todos para a delegacia para que o boletim de ocorrência fosse feito.
00:45E aí, por ligação de vídeo, a gente vai conversar agora com a Ingrid Matias,
00:50que ela estava ali no ônibus no momento do assalto.
00:54E tem um detalhe, ela estava, minha gente, acompanhada do filho de 11 anos,
01:00que também, uma criança, presenciou tudo.
01:03Era para ser um dia divertido, né, Ingrid?
01:07Você me contou que você foi para a praia com as crianças,
01:12mas, infelizmente, não terminou nada bem, né?
01:15Boa tarde.
01:17Boa tarde.
01:19Então, a gente saímos, né, para levar as crianças para a praia,
01:24na base de uma hora da tarde,
01:26e levamos as crianças para curtir a praia.
01:29Na volta, às sete e pouca da noite, a gente voltando,
01:32íamos para o terminal de Carapina, né?
01:36E, automaticamente, quando a gente entrou na linha 855,
01:40já tinha... a fila estava em nome, a gente esperou o pessoal entrar,
01:45os caras entraram, na média de seis caras entraram,
01:49e sentou lá na última cadeira do banco de trás.
01:54Em que momento que o assalto foi anunciado?
01:58Então, o ônibus veio, tranquilamente,
02:00quando chegou na altura de central Carapina ali,
02:04um ponto antes,
02:06eles pegaram, deram sinal, puxaram a campanha e deram sinal.
02:11Aí, os caras começaram, agora, é agora.
02:16De um assalto, qual foi a sua reação, a reação das crianças?
02:21Então, na hora, a gente não sabia o que fazia,
02:25porque era bandido, os caras correndo dentro do ônibus para assaltar,
02:29que é pessoas inexperientes, né?
02:32Pela afobação que eles estavam.
02:35As crianças se desesperaram,
02:37começou a criança a subir escada,
02:39descer escada de ônibus, ninguém sabia o que fazia.
02:42Aí, a minha amiga tentou reagir ainda para pegar...
02:46para ver o que estava acontecendo.
02:47O cara já estava em cima da minha filha, né?
02:51Estava armado também.
02:52Ele estava em cima da minha filha, de 11 anos,
02:54e falou o seguinte,
02:55é só um assalto, calma, é só um assalto.
02:58E ela ficou paralisada ali.
03:00As outras crianças começaram a correr,
03:02para cima e para baixo, dentro do ônibus.
03:03Tempo de levar uma facada, um tiro ali mesmo.
03:06E aí, como é que ficou a reação?
03:08Qual foi a reação da sua filha,
03:09depois de tudo isso que aconteceu?
03:12Não, ela ficou aquilo na mente, o tempo inteiro.
03:14Ficou aquilo na mente.
03:15Ele estava em cima de mim, ele estava em cima com a mão na cintura,
03:18falando, é só um assalto, é só um assalto.
03:20Então, ela ficou isso na mente o tempo inteiro.
03:23Levaram o que, seu Ingrid?
03:26Levaram o celular meu, levaram o celular da minha amiga,
03:30o celular do meu primo,
03:33e o celular pertence de outras pessoas que moram aqui na rua e são vizinhos também.
03:38Qual era o seu sentimento de mãe, na hora,
03:40quando você viu que a sua filha, se não bastasse você,
03:44sofrer uma violência dessa, ser assaltada,
03:46depois de um dia de praia, com sua família,
03:49se não bastasse você.
03:50Agora, a sua filha também presenciar esse momento de violência.
03:55Então, na hora, eu estava com a criança da minha amiga no banco,
03:59no canto da janela, entendeu?
04:02Na hora, eu não tive nem reação, porque desesperado,
04:05não sabia o que fazia, porque minha filha estava lá com o cara lá,
04:07se eu tentasse reagir lá, ou eu morria,
04:09ou dava tiro em qualquer pessoa, né?
04:14Aí o motorista parou, os caras desceram correndo,
04:16o pessoal começaram aquele alvoroço todo xingando,
04:19gritando lá com os caras lá.
04:23E eu não sabia, não sabia o que eu fiquei paralisada ali,
04:26porque o cara estava em cima, eu não poderia fazer.
04:28Se eu estivesse na beirada, eu poderia ter pulado em cima,
04:31fazendo qualquer coisa.
04:32Na hora do desespero, a gente queimante,
04:34a gente vai pular em cima, vai fazer qualquer coisa
04:36contra a pessoa que está em cima do nosso filho, né?
04:39Mas ainda bem que você conseguiu manter a calma nessas horas.
04:42Faz o seguinte, Ingrid, continua com a gente?
04:44Sim, eu estava com a criança.
04:45Isso aí, pensando sempre na segurança da criança
04:49em primeiro lugar.
04:51Continua com a gente, Ingrid, porque a gente vai debater
04:53esse assunto agora aqui no nosso estúdio, gente,
04:55porque esse é mais um caso que a gente noticia aqui na TV Vitória.
04:59E aí, para ampliar esse debate, aqui no nosso estúdio,
05:02eu recebo a Maria Auxiliadora.
05:04Muito obrigada pela sua participação.
05:06Ela também já foi assaltada dentro de um ônibus.
05:09A gente recebe também a psicóloga Letícia Santana.
05:12Muito obrigada, boa tarde.
05:14O Pablo Lira, perdão, que ele é diretor,
05:18é presidente do Instituto Jônio Santos Neves
05:21e também professor do mestrado de Segurança Pública da UVV.
05:25Muito obrigada pela participação de vocês, gente.
05:28Letícia, a gente sabe que o que fica na cabecinha da criança,
05:32cada criança absorve de um jeito, né?
05:36Cada uma que presencia aquela cena ali, essa mãe contou para a gente
05:41que eram seis crianças dentro do coletivo.
05:43Então, como que cada uma delas pode absorver essa cena de violência?
05:50Boa tarde, Roberta.
05:51Boa tarde a todos.
05:52Como você bem colocou, né?
05:54É muito subjetiva a forma com a qual a criança tanto reage quanto absorve.
05:59Como é uma situação que talvez, com certeza, não faça parte da rotina,
06:03uma situação de total imprevisto e vulnerabilidade,
06:07a forma com a qual essa criança reage, a gente só vai saber depois do fato ocorrido.
06:13Então, é muito importante que a família fique atenta a alguns sinais.
06:17Sinais esses que estão muito relacionados à mudança de comportamento dessa criança.
06:22Então, se a criança era mais falante e ficou quieta,
06:25ou era quieta e ficou falante, ou ficou mais violenta, enfim.
06:28É importante que a família observe essas mudanças,
06:32porque serão essas mudanças que vão sinalizar para a família
06:37que houve ali um trauma e que precisa ser trabalhado.
06:40Mas, via de regra, é muito importante que essa criança seja muito acolhida,
06:45porque um momento de assalto é um momento em que a vulnerabilidade, né?
06:49A vida dela está ali em risco.
06:51Tanto que a filha da Evelyn ficou paralisada, né?
06:54Sem bem saber como reagir e outras crianças correram pelo ônibus.
06:57Então, é muito importante que, retornando para casa,
07:00essa criança receba um ambiente de afeto, de amor, de cuidado,
07:04para que ela entenda que existem, sim, espaços seguros de convivência.
07:08Isso vai trazer a cura, vamos colocar dessa forma, né?
07:11Desse trauma.
07:12Mas vale lembrar que a mãe também passou por esse processo traumático,
07:16assim como a Maria Auxiliadora, que também já viveu exatamente essa cena.
07:21Como é que foi?
07:22Como é que é para você quando a gente noticia mais um caso e mais um caso?
07:26Maria Auxiliadora, boa tarde.
07:28Boa tarde para todos.
07:29Muito triste, porque, assim, você, ainda mais com a criança,
07:34eu tiro por mim que eu fiquei muito apavorada,
07:38você dá um medo como ela está falando.
07:41Você vê sua vida ali, a qualquer hora você toma uma facada.
07:44Imagina você estar com o seu filho e você ser assaltado,
07:48você não sabe se você protege seu filho, sua vida, a criança tem uma reação realmente,
07:53assim, que ela pode ter uma reação que você não vai saber, né?
07:56E, ai, eu, assim, eu fico com muita, muito triste por tudo isso.
08:01Porque nós, eu, assim, agradeço mais uma vez a ter, né,
08:05a você estar batendo mais essa tecla, né?
08:08Que, assim, todos os dias, porque é muito triste para a gente que sai para trabalhar
08:12todos os dias, desde as 4 horas da manhã.
08:16Imagina, você sai para trabalhar, você entra no ônibus com seus pertences ali,
08:21você está diminuindo cada vez mais, sua bolsa diminui,
08:24é um celular, uma bolsinha e a chave da casa.
08:28E, mesmo assim, você está correndo risco.
08:30E olha só, você falou que essas notícias não param, né?
08:34Aqui no nosso Facebook, a gente também está recebendo aqui a Gácia, Gácia Garcia fala,
08:40está tendo assalto praticamente todos os dias na BR-101.
08:43E esses números, gente, os números desse tipo de crime assustam.
08:47Só em abril foram registradas 236 casos de roubos em ônibus aqui no nosso estado.
08:56Nos quatro primeiros meses deste ano, já são 937 ocorrências.
09:03Em todo o ano passado, foram 2.048 casos registrados na polícia.
09:09Fora, a gente sabe, os casos em que muitas vezes não tem o acionamento das autoridades.
09:16E a cidade onde mais tem crimes desse tipo e também onde mais acontece é na Serra.
09:22Os dados são da Secretaria de Segurança Pública do nosso estado.
09:26Pablo Lira, explica para a gente por que esses números não param de crescer.
09:31Por que se tornou um crime de oportunidade?
09:34Um prato cheio, entrar, os bandidos entram no ônibus e dali fazem a festa.
09:39Boa tarde.
09:40Boa tarde, Roberta, Maria Auxiliadora, Letícia, todos estão acompanhando a gente em casa.
09:44E também a Ingrid, né, que trouxe esse relato aqui.
09:48E realmente, né, a gente vive hoje no nosso país um contexto social de violência, né?
09:55Esses grupos criminosos, por que que acontece?
09:58Sua pergunta é muito boa, Roberta, que a gente tem que analisar na perspectiva social.
10:01Por que que esses casos vêm aumentando?
10:03A gente tem criminosos motivados a cometer esse tipo de crime, né?
10:08A questão da impunidade no nosso país.
10:12Um criminoso desse, ele sabe que cometendo esse tipo de delito, se ele for preso, ele sendo preso, né,
10:18a probabilidade dele pegar uma pena, né, de cumprir por esse crime que ele está cometendo,
10:24além da violência em si, né, o assalto, a mão armada, tem todo o dano psicológico, né,
10:30para as vítimas ali naquela situação.
10:32Então, ele sabe que a pena, a probabilidade dele receber uma pena por conta desse crime é muito pequena.
10:36A impunidade no nosso país é muito forte e é um fator motivador para que esses indivíduos,
10:42na maioria das vezes jovens, como foi falado ali na reportagem, inexperientes, nervosos ali com a situação,
10:50e a gente tem que dar graças a Deus que não teve nenhum disparo de arma de fogo.
10:54Imagina, seis criminosos num ônibus com criança, se tivesse um disparo de arma de fogo,
11:00às vezes uma pessoa, uma criança, né, perdeu uma vida, né, ou um trabalhador,
11:04como a Maria Auxiliadora falou, perder a vida nesse incidente.
11:08Além desse fator da impunidade, a gente não pode esquecer que os criminosos,
11:12eles são movidos por esse aparelhinho aqui, ó, que tem um valor de liquidez,
11:18o criminoso rouba ali dezenas de celulares num crime covarde como esse, né,
11:23de familiares, de pessoas que estão ali num momento de lazer ou até mesmo no trabalho,
11:28e ele sabe da certeza que ele vai conseguir vender esse aparelho,
11:32porque vai ter uma pessoa que vai comprar esse produto originado de um crime, né.
11:39Então, o crime de receptação também, a gente tem que se conscientizar que a segurança pública é uma responsabilidade de
11:44todos.
11:45Então, se a gente não quer ter o nosso aparelho ou um familiar, né,
11:48sendo assaltado por conta de um aparelho celular ou até mesmo perder a vida, né,
11:52o que é pior, é importante a gente se conscientizar.
11:55Se eu compro um produto de origem duvidosa, eu estou alimentando essa mesma cadeia criminosa aí,
12:00que vai motivar esses jovens a entrarem em outros ônibus, né,
12:04e essa escalada da violência que a gente vê no nosso país,
12:07que não é um fator exclusivo do Espírito Santo,
12:09a gente vê no cenário nacional, né, essa escalada dos crimes aqui no nosso país.
12:14Já que você trouxe o interesse dos criminosos, né, principalmente no aparelho,
12:20porque já que tem um valor alto, já que existe também o interesse de alguém que compra, né,
12:26tem o receptador, vale lembrar, que é crime, né, como o Pablo já destacou aqui pra gente,
12:30não pensar na realidade agora, Letícia, que hoje muitos adolescentes têm celular.
12:36E hoje muitos adolescentes, eu me lembro, vou voltar ao tempo, né,
12:40já eu comecei a andar de ônibus, eu tinha 12 pra 13 anos, meu pai me acompanhando.
12:45Existe alguma idade mínima pra que os pais esperem por esse momento,
12:51ah, meu filho vai pra escola, mas ele já sabe pegar ônibus, já ensinei,
12:54mas eu ainda não sinto aquela segurança por conta de todo o contexto de violência que existe.
13:02Tem alguma idade mínima pra que a gente consiga ter um pouco mais dessa segurança que os pais também precisam?
13:09Roberta, eu acredito que não.
13:11Quando você coloca essa faixa etária do 12, né, 12, 13 anos,
13:14é uma faixa etária em que o adolescente, o jovem, ele tá começando a ter um pouco de autonomia.
13:19Mas pensando nessa necessidade familiar, e às vezes é realmente uma necessidade,
13:24é importante que o pai faça essa transição, como você destacou em relação ao seu pai,
13:29de trazer, levar, ir junto, mostrar como faz, mostrar onde deve ficar o celular,
13:34mostrar como ele se deve comportar, né, dentro desse transporte coletivo,
13:38acolher o fato de que vivemos num contexto de violência e instrumentalizar,
13:43porque é o que nos cabe.
13:45Quando o Pablo colocou que segurança pública é da responsabilidade de todos,
13:49infelizmente, nos cabe essa, não uma hipervigilância, mas essa proteção.
13:54E quanto mais a gente consegue trazer esse modelo pros filhos, ser esse modelo pros filhos,
14:00e os canais de comunicação também trazer esse modelo de que a gente precisa,
14:05em alguma dimensão, estar vigilante, se cuidar, entender que o celular acaba sendo mesmo
14:10uma fonte de atração muito poderosa, é educar os nossos filhos nessa direção.
14:14E a gente entende que 12, 13 pra frente, ele já tem uma certa maturidade pra compreender esses riscos, né.
14:22E como que a gente pode orientar, principalmente os nossos filhos, nossos adolescentes,
14:27ali naquele ambiente, no ônibus, pra que ele não seja tão visado,
14:32pra que não se torne um crime de oportunidade.
14:35Pablo, quais são as dicas?
14:37Porque às vezes o pai e a mãe falam assim, meu filho não pega o celular, mas ele vai e
14:40pega, né,
14:41porque pensa que nunca vai acontecer com ele.
14:44É, então, como a Letícia destacou, né, a gente tem que tomar, infelizmente, não é culpabilizar a vítima,
14:50mas devido a esse contexto social de crimes acontecendo cotidianamente, né, em vários espaços,
14:57a gente tem que redobrar a nossa vigilância.
15:00Então, evitar ostentar o celular, ficar falando ao celular, principalmente num ônibus,
15:06ou num lugar mais deserto, à noite, o horário ali chama muita atenção,
15:11que nas estatísticas também, esses crimes em coletivo ocorrem potencialmente no período noturno,
15:18e como a Ingrid falou ali, eles estavam voltando, né, do lazer deles, 7 horas da noite,
15:22os criminosos, eles se interessam, esse aspecto do crime de oportunidade,
15:28utilizado o fator surpresa.
15:29Então, se você não ostenta o celular, naquele caso ali, os criminosos, eles anunciaram o assalto,
15:35já para praticar mesmo ali vários roubos, né, tinha essa intenção.
15:40Mas às vezes o criminoso está sozinho no ônibus, e aí, se ele vê uma pessoa falando no celular,
15:45ou com fone de ouvido também, que denuncia que a pessoa está com o celular ali naquele momento,
15:50pode despertar o interesse, não foi o caso ali daquela ocorrência,
15:54eles entraram para cometer o crime, tinham já identificado qual era o melhor ponto para eles pararem,
16:00e a rota de fuga deles.
16:02Então, naquele caso ali, de fato, a Ingrid teve muita presença de espírito com crianças, né,
16:07com a filha dela ali, como ela destacou, e os outros passageiros também, não reagiram ao assalto, né.
16:14Caso ocorra o assalto, evitar reagir, que é uma orientação das próprias autoridades policiais,
16:19principalmente numa situação daquela dele muito complexa, né, com crianças e tudo,
16:24e os criminosos, assim que eles saíram do lugar, né, do local do crime, do fato,
16:30acionar as autoridades.
16:31A gente tem aqui no estado o CIODES 190, que é importante,
16:35além do atendimento de emergência a essa ocorrência também,
16:39os próprios canais também do site da Secretaria de Segurança,
16:42você informar esse crime facilita o atendimento de emergência para tentar recuperar aqueles bens.
16:49A gente tem aqui no estado hoje o Cerco Inteligente também, que monitora as vias, né,
16:53é a tecnologia usada para reprimir o crime, mas também o trabalho de prevenção.
16:58Quando você registra a estatística, a polícia militar, a polícia civil, as guardas municipais,
17:04tem ali uma melhor informação para otimizar a disponibilidade dos recursos operacionais.
17:11A gente sabe que é impossível colocar um policial em cada esquina, em cada ônibus, né,
17:16devido aos limites que a gente sabe que é finito.
17:19Então, com informação, com tecnologia, é possível tentar otimizar, né,
17:25esse trabalho preventivo das polícias.
17:27Então, a orientação é essa, né, evitar qualquer indivíduo em atitude suspeita também.
17:34A gente sabe, de novo, não é culpabilizar a vítima,
17:37mas se você viu uma pessoa entrando no ônibus, atitude suspeita, né,
17:41se posicionou num local suspeito do ônibus, começou a olhar uma atitude que você vê ali,
17:47que ele pode ser um indivíduo que vai cometer um crime,
17:49se você puder saltar até um ponto antes, ou saltar no meio do seu percurso em segurança,
17:55é também uma dica válida, tá?
17:57E acionar a polícia, ó, desci do ônibus em tal ponto, tem um sujeito lá,
18:01eu vi ele numa atitude suspeita, é importante abordar esse ônibus,
18:04passar o número do ônibus e tudo, até pra prevenir uma ação ali dentro do ônibus.
18:09Eu já te falei isso.
18:10Você já fez isso, né?
18:11Várias vezes.
18:12Você depois, depois que aconteceu a primeira vez?
18:15Eu já fiz também.
18:16Eu no terminal de Jacaraípe, eu já, assim, mas isso é muito, assim, difícil,
18:23eu falo de cor, é porque às vezes você olha uma pessoa,
18:26nem é suspeita, você já acha que a pessoa é suspeita.
18:29Porque você ficou traumatizada.
18:30Eu fiquei traumatizada, eu já saltei, não foi uma nem duas, três vezes eu já saltei.
18:35Não, vai ser assaltado.
18:36Aí eu desço.
18:37Agora, assim, eu queria aproveitar e perguntar.
18:40Gente, se você tá entrando no Transcall, você tá pagando a passagem.
18:45Que, cara, o ônibus tem que ser responsável.
18:48O dono da empresa, ele tem, a polícia, ela tá na rua.
18:54Mas o ônibus é o quê?
18:56Nós já entrevistamos já um advogado do direito do consumidor,
19:00o doutor Sérgio França, ele já até enviou um vídeo pra gente,
19:02numa outra oportunidade, falando, sim, que existe uma relação de consumo,
19:06que você paga por essa passagem e que a empresa deveria, sim, ressarcir.
19:11Mas isso, infelizmente, Maria Auxiliadora, não é um processo tão simples quanto a gente pensa.
19:16Imagina, você já entra no ônibus, eu falo por mim, porque eu ando de ônibus também, né?
19:22Minha irmã, ela sai cinco horas da manhã, ela pega o ônibus morrendo de medo.
19:26Então, você já sai de casa, sai do seu portão, você pode ser assaltado, já sai do seu portão.
19:32Você já entra do ônibus, você já...
19:35Então, assim, a gente vive num medo total.
19:38Mas dentro do ônibus, eu acho, assim, um absurdo, sinceramente, não é?
19:42Porque você tá pagando a passagem, você tá pagando.
19:45Então, você ser assaltado andando no ônibus, eu, sinceramente, eu responsabilizo o dono da empresa.
19:51Você estaria, estaria, sim, no seu direito.
19:53Olha só, presta atenção, porque as notícias não param por aí.
19:57Porque teve outro assalto, tá, gente?
19:59Teve mais um assalto a ônibus nessa noite, só que agora em Vila Velha.
20:04Os passageiros disseram para os policiais militares que três homens,
20:08Um deles, com uma arma de fogo nas mãos, anunciaram o assalto.
20:13Eles levaram principalmente o quê, minha gente?
20:17Os celulares dos passageiros.
20:19Eles chegaram a descer do ônibus e fugir, tá, quando o coletivo passava pelo bairro Cobilândia.
20:25Só que alguns passageiros desceram junto e chamaram a polícia, que conseguiu localizar dois dos assaltantes.
20:33Um deles, inclusive, tentou jogar no chão um dos celulares roubados para impedir a prisão em flagrante.
20:41Mas não deu certo para ele não, viu?
20:43Os suspeitos e as vítimas foram para a delegacia.
20:47Deixa eu voltar a falar com a Ingrid, que é essa mãe que está participando com a gente,
20:51que presenciou também um assalto, estava dentro do coletivo, um assalto que aconteceu na Serra.
20:57Qual é o seu sentimento, mãe, quando você vê mais uma notícia de um assalto a ônibus,
21:04assim, no mesmo final de semana, no mesmo feriado, em que você também foi vítima?
21:08Você e sua filha.
21:13Então, a minha reação é de questão de revolta, porque eu liguei para o 190, né?
21:23Já estava todo mundo estressado, nervoso dentro do óleo, liguei para o 190.
21:28O policial simplesmente não fez nada em questão de vir até o ônibus, onde o ônibus estava parado.
21:35Mandou a gente se deslocar para a delegacia, a gente se deslocando para lá.
21:39E acontece que não resolveu em nada.
21:41Mandaram a gente vir para casa e fazer o boletim por internet online,
21:48sabendo eles que ele poderia ter feito ali no momento, entendeu?
21:53Atender todas as seis pessoas ali e fazer o boletim ali presencial,
21:59porque em muitas coisas o presencial ajuda e o online não ajuda, entendeu?
22:05Ele não fez o boletim de ocorrência, só deu alguma explicação,
22:08liberaram a gente para ir embora, mandaram fazer em casa.
22:11Muita gente não tem o e-mail do telefone.
22:14Não tem, não vai adiantar.
22:17Importante você trazer essa informação.
22:19Pablo, você saberia responder a respeito disso?
22:21Pode?
22:22A pessoa vai até a delegacia e ela não consegue realizar o boletim de ocorrência?
22:25Então, é importante verificar esse caso, porque ali são várias vítimas.
22:30E a informação na notícia é que o ônibus, o motorista, levou até a delegacia.
22:38Então, a gente tem vários relatos de casos nesse sentido,
22:42que na delegacia é lavrado ali o boletim de ocorrência também pela Polícia Civil.
22:48A gente tem os canais para registrar o boletim online, no próprio site da CESP,
22:53você pode registrar pelo celular, pela internet e ligando para o CIODES.
22:58Essa questão dela ter ligado para o CIODES, a Ingrid, tem todo um protocolo dentro do CIODES
23:03que eles já acionam os recursos para tentar identificar os criminosos,
23:09como aconteceu ali no caso em Vila Velha.
23:13Porém, além desse registro emergencial da atuação da Polícia Militar,
23:18também tem a questão do registro da Polícia Civil.
23:22Lá na delegacia, seria importante ter registrado que foi um caso ali de destaque,
23:27onde várias pessoas foram lesadas pelos assaltantes.
23:32Tá certo, gente. Muito obrigada pela participação de vocês.
23:35Que as nossas autoridades prestem bastante atenção, que a gente precisa rever.
23:39Tá muito difícil. É uma necessidade do nosso cotidiano o transporte coletivo.
23:45Só que era para ser um transporte com toda a dignidade que a gente merece.
23:50Mas, infelizmente, não é isso que a gente está noticiando.
23:52Ingrid, obrigada pela sua participação. Um grande abraço para você.
23:55Obrigada pela sua confiança em compartilhar com a gente a sua história.
23:59Um beijo.

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