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  • há 17 horas
Polícia pede que as vítimas denunciem as agressões

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Transcrição
00:00E ameaçou bater na cara dela. Aí eu entrei na frente e falei que ele não ia bater nela.
00:07Aí ela mandou ele embora de casa. Aí ele falou, eu vou, mas você vai também.
00:12A dor de uma filha que perdeu a mãe vítima da violência fica ainda maior quando o suspeito do crime
00:18não faz questão de esconder o que fez.
00:21Ela voltou falando que tinha ameaçado dela. Aí foi na rua, ninguém acreditou, foi na rua e voltou.
00:26Na segunda vez que ele voltou, que eu vi a camisa da violência, a camisa do seu cofre está sujo
00:29de sangue.
00:30Aí eu levantei, estava tendo na frente, levantei e fui ver. Falei assim, será que o seu cofre se cortou?
00:35Mas quando fui ver, quando eu vim aqui, já era, me tinha matado a dona Marilene, porque ele nem falou,
00:40eu matei a Marilene.
00:41A morte da Marilene Ferraz de Oliveira, de 68 anos, chocou familiares e vizinhos.
00:47Ela foi assassinada com golpes de faca nesta quarta-feira.
00:51Eu acho que ele pegou ela na cadeira, porque eu cheguei lá, a cadeira estava deitada e ela entra a
00:59cadeira e a geladeira.
01:00Eu liguei para ela, ela não atendeu, eu fui lá ver o que estava acontecendo.
01:04Cheguei lá, eu vi aquela cena.
01:07Difícil de esquecer, né?
01:09Difícil. A última imagem que eu tenho da minha mãe é essa.
01:11Após o crime, o companheiro dela, Clóvis Vanderlei de Oliveira, de 73 anos, foi preso.
01:17Segundo testemunhas, após o crime, o aposentado seguiu ainda para a casa da filha, dizendo que também ia matá-la.
01:25Atitude que se enquadra no crime de feminicídio, quando mulheres são assassinadas por menosprezo ou desqualificação à simples condição de
01:34ser mulher.
01:35A morte de Marilene foi o vigésimo caso registrado como feminicídio no estado do Espírito Santo em 2022.
01:43De acordo com dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública, a maioria das vítimas tinham entre 25 e 29
01:51anos de idade.
01:52Aqui no estado, até a data de ontem, nós tivemos 20 feminicídios praticados contra mulheres.
02:00A gente está em redução com relação ao ano passado. Nesse mesmo período, foram 24 feminicídios.
02:08Porém, entendemos ainda que é um número bastante expressivo, principalmente pela banalidade do motivo em que ele acontece.
02:18A família de Marilene contou que o fato dela estar numa cadeira de rodas foi justamente por agressões sofridas pelo
02:26suspeito.
02:27Assim como no caso da idosa, muitas outras mulheres são vítimas de agressões físicas e psicológicas antes de serem mortas.
02:36A delegada ressalta que denunciar é a melhor forma sempre da mulher se proteger.
02:41A gente sempre orienta essa mulher que é importante que ela perceba que está no ciclo de violência, numa relação
02:50abusiva.
02:51E aí você me pergunta como que ela vai perceber isso.
02:54Então, pequenos, às vezes, sinais são importantes de serem notados.
02:58Por exemplo, ciúmes excessivos, onde o homem quer controlar a questão da roupa, do celular, com quem fala, a rede
03:05social.
03:07Ou então, comportamentos que começam, às vezes, com uma falta de respeito, um xingamento e parte por uma ameaça.
03:15Então, são comportamentos que a mulher também precisa entender que já é violência doméstica, não é só a agressão.
03:23Para quem sofre a dor causada por esse tipo de crime, o pedido é um só. Por justiça.
03:29É justiça. Porque do mesmo jeito que aconteceu com a minha mãe, acontece com outras.
03:34É justiça.

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